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Em Tempos de IA, os Cursos Mais Versáteis para Construir Uma Carreira nos EUA
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Escolher um curso superior sempre foi uma grande decisão de vida, influenciada não apenas por inclinações e talentos pessoais, mas também pelos salários iniciais. Não à toa, recém-formados em engenharia e ciência da computação ganham mais do que aqueles com diplomas em letras, segundo uma pesquisa da Nace (National Association of Colleges and Employers), organização americana que conecta universidades e empresas.
Mas, no mercado de trabalho atual, as contratações desaceleraram, a inteligência artificial remodelou algumas indústrias mais rápido do que outras e muitas categorias de emprego antes em alta esfriaram. Nesse cenário, os jovens deveriam se fazer uma pergunta adicional: Quantos caminhos profissionais posso seguir com o meu diploma?
De acordo com novos dados do LinkedIn nos Estados Unidos, fornecidos com exclusividade à Forbes, a chave para o sucesso de jovens profissionais pode estar em escolher uma formação versátil, capaz de abrir portas em diferentes indústrias.
Um novo mercado de trabalho
As contratações gerais apresentaram uma queda de 20% em relação aos níveis pré-pandemia e de 5% em relação ao ano passado. O LinkedIn analisou os 20 cursos mais comuns em sua plataforma entre recém-formados com bacharelado e observou dois fatores: as condições de contratação nos setores mais tradicionalmente relacionados a um curso específico; e a versatilidade para migrar para outras indústrias.

Formados em ciências sociais e humanidades se mostraram resilientes no mercado de trabalho atual porque adquiriram habilidades que podem ser usadas em diversas indústrias.
Enquanto isso, os graduados em engenharia, que provavelmente acharam que tinham escolhido um curso seguro e lucrativo, não apenas enfrentam um mercado de contratações fraco, mas também possuem habilidades mais especializadas que não são tão versáteis ou úteis em tantas indústrias.
Em um mercado de trabalho lento no país, o LinkedIn descobriu que a versatilidade pode ser uma das maiores vantagens competitivas para os recém-formados.
Empregabilidade vs. versatilidade
Para determinar a empregabilidade e a versatilidade dos principais cursos universitários, o LinkedIn analisou estudantes dos EUA que concluíram o bacharelado entre 2022 e 2024 e estavam empregados em período integral no mês de maio seguinte ao ano de formatura.
Ao analisar a empregabilidade, o LinkedIn mediu as condições de contratação em abril de 2026 e as comparou com dezembro de 2019, com base na taxa de contratação nas indústrias onde os formados de cada curso normalmente trabalham.
Otimismo na área da saúde
Embora as contratações gerais para cargos de nível júnior vinculados aos principais cursos tenham caído em relação a sete anos atrás, os cursos da área da saúde parecem ter as condições de contratação mais fortes, possivelmente devido ao envelhecimento da população e ao baixo impacto da IA no setor.
Em maio deste ano, 35 mil empregos foram adicionados no setor de saúde nos EUA, o que fez dessa uma das três principais indústrias com o maior ganho de empregos no mês, de acordo com o Bureau of Labor Statistics (Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos EUA). No mês anterior, a área da saúde liderou o grupo, com 37 mil empregos adicionados à economia.
Recém-formados em engenharia enfrentam desafios
Os estudantes de engenharia, por outro lado, enfrentam as condições de contratação mais fracas, com queda de 25% em relação a dezembro de 2019. Segundo Kory Kantenga, head de economia para as Américas no LinkedIn, o recuo ocorre porque cerca de 75% dos formados em engenharia geralmente vão para as indústrias de manufatura, serviços profissionais, construção e tecnologia — muitas das quais registraram uma desaceleração nas contratações.
De fato, de acordo com o mais recente relatório de demissões da consultoria de recolocação profissional Challenger, Gray & Christmas, o setor de tecnologia lidera os cortes de empregos nos Estados Unidos em 2026, com 123.653 desligamentos anunciados. O número representa um aumento de 66% em relação ao mesmo período do ano passado. Em muitos desses casos, a IA foi apontada como o principal fator por trás das demissões.
Ao analisar a versatilidade, que mede a parcela de formados que trabalham fora das duas principais indústrias do seu curso, o LinkedIn descobriu que os profissionais de engenharia também têm dificuldade para fazer a transição para outros setores, com apenas 41% dos graduados em áreas distintas das principais do seu ramo.
“A engenharia está muito mais desafiadora hoje”, diz Kantenga em relação às condições de contratação e de versatilidade.

Embora a saúde seja o setor com a menor taxa de versatilidade entre os principais cursos, Kantenga aponta que a previsão é de que as contratações permaneçam tão fortes na saúde que os graduados nesse curso não precisam se preocupar em procurar emprego em outras áreas.
A resiliência das ciências sociais e humanidades
Jovens profissionais com diplomas em ciências sociais e humanidades parecem estar em uma “posição ideal” no mercado de trabalho de hoje porque, mesmo que não consigam encontrar um emprego em sua área de preferência, mais de 60% conseguiram encontrar trabalho em outras indústrias.
“Os primeiros dois setores para eles são os serviços profissionais e financeiros, que têm andado um pouco lentos, embora estejam mais estáveis agora”, afirma Kantenga. Mas, em um mercado de baixas contratações, em que a chance de encontrar um emprego em áreas tradicionais diminuiu, ele acrescenta que “mais da metade dos formados em ciências sociais está, na verdade, encontrando oportunidades em outros lugares”.
O executivo cita os formados em letras como um exemplo específico: 69% encontraram empregos fora de suas indústrias tradicionais. Em um momento em que a IA automatiza cada vez mais tarefas rotineiras, habilidades humanas que a tecnologia não consegue replicar, como comunicação e construção de relacionamentos, tornam-se cada vez mais importantes.
“Quando eu estava na faculdade, sempre havia essa piada de que os formados em letras ficariam desempregados. Acontece que a comunicação é, na verdade, uma habilidade essencial para muitos trabalhos e que muitas pessoas não têm”, diz ele. “No momento, há muita versatilidade nesse curso, suficiente para que os recém-formados possam capturar parte do impulso de contratação vindo de outras indústrias.”
Como navegar em um mercado lento
Uma das atitudes mais importantes para os recém-formados é identificar quais áreas estão criando oportunidades e quais estão encolhendo, adaptando sua busca por emprego a essa nova realidade. “Entenda onde há impulso no mercado de trabalho e onde não há, e esteja aberto a considerar potencialmente outras áreas nas quais você talvez não tenha pensado antes”, afirma Kantenga.
“Por exemplo, se você é engenheiro de software e quer entrar na área de tecnologia, mas as contratações em tecnologia estão cerca de 20% a 30% mais lentas do que o que vimos antes da pandemia, talvez você deva considerar outras áreas, como saúde ou construção. Elas podem não contratar um volume enorme de engenheiros de software, mas certamente há oportunidades lá, e outras pessoas podem não pensar nessas indústrias.”
Além disso, em um mercado de baixas contratações, em que as oportunidades são desiguais entre os setores, recorrer à sua rede de contatos e construir relacionamentos sólidos é fundamental para abrir portas e conseguir indicações.
“Em um mercado de trabalho difícil, não importa o que você sabe, mas quem você conhece.”
Kory Kantenga, head de economia no LinkedIn
Além de quem você conhece, é fundamental saber como mostrar o que você sabe. Isso inclui listar suas habilidades em seu perfil no LinkedIn, colocar um link para o seu portfólio e, de fato, apresentar provas do que você diz ser capaz de fazer.
“Não deveria ser apenas: ‘Sim, eu posso fazer isso e sim, eu posso fazer aquilo’”, afirma o executivo. “[Você precisa] ter demonstrações do que é capaz para que os empregadores possam conferir e então decidir se você é ou não um bom candidato, em vez de deixar o empregador tentar adivinhar no escuro.”
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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