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O Engenheiro que Transformou o RH da Stefanini na Era da Inteligência Artificial
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Quando Bruno Szarf começou a carreira como engenheiro elétrico na área de operações, o caminho até o comando global de pessoas e performance da Stefanini Group parecia improvável. A mudança aconteceu em 2016: o então CEO da empresa em que trabalhava, a Neoenergia, identificou nele uma capacidade rara de conectar estratégia, operação e gestão de pessoas. “Ele me convidou para trazer um pouco mais desse olhar do negócio para dentro da área de pessoas”, diz. “Foi essa conexão entre traduzir aquilo de que a empresa precisa e aquilo de que as pessoas precisam que acabou me levando para o RH.”
Dez anos depois da migração para o RH, Szarf lidera hoje uma das áreas mais estratégicas do maior grupo brasileiro de tecnologia. Com 35 mil funcionários, a empresa está presente em 46 países.
À frente das áreas de pessoas, financeiro, transformação, marketing e performance da companhia, Szarf incorporou oficialmente o conceito de desempenho à área de pessoas da Stefanini, ação que, segundo ele, ajudou a mudar a forma como o grupo toma decisões. “Não é performance a qualquer custo, mas também não é pessoas a qualquer custo”, afirma. “A gente conseguiu construir um equilíbrio entre crescimento da empresa, eficiência e desenvolvimento das pessoas.”
Transformação digital e IA
A mudança veio acompanhada de uma agenda de transformação digital dentro do RH. Hoje, a Stefanini usa inteligência artificial desde o recrutamento até o atendimento interno de colaboradores. Segundo o executivo, uma das ferramentas desenvolvidas pelo grupo realizou mais de 290 mil atendimentos no último ano para funcionários espalhados globalmente.
Outra aposta da companhia nesse sentido foi a criação de um programa interno de “embaixadores de IA”, que já reúne mais de 2 mil profissionais. O objetivo é acelerar a adoção prática da tecnologia dentro das sete unidades de negócio da empresa e reduzir a distância de conhecimento entre as equipes.
Szarf afirma que o avanço da inteligência artificial obrigou o RH a assumir um novo papel: gerar segurança para as pessoas em um ambiente de mudanças constantes. “A tecnologia muda muito rápido e, muitas vezes, mais rápido do que a nossa capacidade de absorver, treinar e gerir todo o conhecimento”, disse.
Na visão dele, a IA não substitui relações humanas, mas libera tempo para que líderes atuem de forma mais estratégica. “O mais eficiente continua sendo a relação humana”, afirmou. “A inteligência artificial ajuda a ganhar ritmo, liberar agenda e resolver tarefas mais complexas, mas a interação entre pessoas continua central.”
A experiência acumulada em setores como energia, educação e indústria química também moldou a visão do executivo sobre gestão. Antes da Stefanini, Szarf passou por empresas como Neoenergia, Cruzeiro do Sul Educacional e IP. Segundo ele, atuar em negócios tão diferentes ampliou sua capacidade de conectar desafios operacionais com cultura e desenvolvimento de pessoas.
No recrutamento, o foco da companhia é atrair profissionais com capacidade de aprendizado contínuo, pensamento crítico e disposição para atuar em um modelo “AI First”. “A pessoa não precisa chegar pronta, mas precisa ter humildade para reaprender”, afirmou.
A inteligência artificial ajuda a ganhar ritmo, liberar agenda e resolver tarefas mais complexas, mas a interação entre pessoas continua central.
Bruno Szarf
Apesar da agenda ligada à tecnologia, Szarf não defende que o RH seja excessivamente automatizado. Para ele, empresas ainda precisam aprender a combinar eficiência com repertório humano, especialmente diante da chegada de novas gerações ao mercado de trabalho.
“Tem gente que fala que a nova geração não quer nada com nada. Não é o que a gente vê”, afirmou. “A gente vê pessoas muito dedicadas, apaixonadas por tecnologia e dispostas a fazer diferença.”
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