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Decidir, Pausar, Recomeçar: Lições Que a Copa Me Deu

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Dois jogos da Copa da última semana tiveram decisões de técnicos que ninguém entendeu na hora. No jogo entre Brasil e Japão, Ancelotti manteve o Casemiro em campo depois de um primeiro tempo ruim, e ele fez o gol que começou a virada. No jogo entre Portugal e Croácia, o técnico tirou justamente o Cristiano Ronaldo, que tinha acabado de marcar um pênalti e, minutos depois, foi outro jogador que tinha acabado de entrar que fez o gol da virada.

Duas decisões opostas, no mesmo lugar de desconforto: uma manteve quem estava sendo criticado, a outra tirou quem tinha acabado de marcar. Em ambos os casos, podia ter dado muito errado. Deu certo. E aqui não há nada de sorte, há leitura de momento. É o tipo de decisão que só vem depois de muito repertório, muita experiência acumulada, muita coisa vivida e uma boa dose de intuição.

Fico pensando em quantas vezes isso se repete na nossa vida, fora do campo. Aquela escolha que ninguém entendeu na hora, como manter alguém que errou, sair de um projeto no auge, dizer não para algo óbvio, e que só faz sentido tempo depois, quando o resultado aparece. Quem decide carrega isso sozinho no momento: a dúvida, a pressão de todo mundo achando que está errado, e a responsabilidade inteira se não der certo. Decisão boa quase nunca parece óbvia enquanto está sendo tomada. Ela só fica óbvia depois.

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Mas há outra coisa que essa Copa está me ensinando sobre timing, e essa é mais simples: a pausa para hidratação. Aquele momento em que o jogo simplesmente para, todo mundo se refresca, acalma o corpo, coloca a cabeça em ordem, e só depois volta com tudo.

E quanto mais eu assisto a essas pausas, mais penso que a gente devia fazer isso com a vida também. Vivemos correndo de um compromisso para o outro, na agenda lotada, achando que parar é perder tempo, quando na verdade é exatamente o contrário. É na pausa que a gente reorganiza as ideias, respira de verdade e descobre o fôlego que precisava para continuar com mais força e mais clareza do que antes.

No fim, talvez a lição da Copa seja essa: ler bem o momento não é só sobre coragem para agir. É também sobre saber a hora de parar.

*Juliana Ferraz é sócia da Holding Clube e tem quase 30 anos de carreira no universo da comunicação e eventos no Brasil.

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Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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