Oportunidade
Em queda: desemprego no Espírito Santo cai a 2,3%, menor nível da série histórica
O Espírito Santo registrou 2,3% de desemprego no segundo trimestre de 2026, menor nível da série histórica iniciada em 2012. A taxa é a menor do Sudeste e a terceira menor entre os Estados brasileiros, atrás apenas de Santa Catarina, com 2,1%, e Mato Grosso, com 2,2%. No Brasil, o indicador ficou em 5,4%.
O resultado aprofunda a trajetória de queda do desemprego capixaba. No primeiro trimestre, a taxa estava em 3,2%; no mesmo período de 2025, em 3,1%. O número de pessoas desocupadas chegou a aproximadamente 49 mil, primeira vez que o contingente fica abaixo de 50 mil na série.
O recorde ocorre mesmo com uma desaceleração recente na geração de empregos com carteira assinada. Em agosto, o Espírito Santo fechou 287 vagas formais, terceiro mês consecutivo de saldo negativo, depois de perdas de 2.259 postos em junho e 2.605 em julho. Ainda assim, entre janeiro e agosto, a economia capixaba acumula 21.403 novos empregos formais, avanço de 2,34% no estoque de vínculos.
Os dois indicadores retratam dimensões diferentes do mercado de trabalho. Enquanto a PNAD Contínua mede a proporção de pessoas que procuram trabalho e não conseguem ocupação, o Novo Caged acompanha admissões e desligamentos de trabalhadores formais.
Em agosto, a maior pressão sobre o emprego formal veio da agropecuária, que eliminou 1.497 postos, movimento relacionado ao encerramento de atividades sazonais da safra do café. A indústria perdeu 376 vagas. Comércio, construção e serviços seguiram no sentido oposto, com saldos positivos de 612, 488 e 486 postos, respectivamente.
Para a economia capixaba, uma taxa de desemprego nesse patamar muda parte da discussão sobre o mercado de trabalho. Além da geração de vagas, ganham importância temas como disponibilidade de mão de obra, qualificação profissional e produtividade, fatores diretamente relacionados à capacidade das empresas de sustentar novos ciclos de expansão.
O recorde, porém, convive com um desafio importante. A taxa de informalidade chegou a 40% da população ocupada no segundo trimestre, acima dos 37,4% registrados no país. O Espírito Santo tem, portanto, um mercado com desemprego historicamente baixo, mas ainda com uma parcela relevante dos trabalhadores fora de vínculos formais.
O retrato de 2026 é de um mercado de trabalho mais aquecido do que o saldo negativo dos últimos meses do Caged sugere isoladamente. O Estado reúne desemprego no menor nível da série e geração líquida positiva de empregos formais no acumulado do ano, enquanto passa a enfrentar uma nova etapa do desafio: ampliar a qualidade e a produtividade das ocupações.
Fonte: economiacapixaba.com