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Saiba como era Tenochtitlán, a “Veneza do Novo Mundo”

Tenochtitlán é a base da Cidade do México (México), cujas edificações não lembram em nada o que foi a capital do império asteca, que deixou o conquistador espanhol Hernán Cortés estupefato há pouco mais 500 anos.
A cidade tinha vários lagos e canais e cativou Cortés, especialmente pelo aspecto de “cidade dos palácios”, segundo o doutor em História da América e especialista nas relações entre Espanha e América no século XVI, Esteban Mira Caballos, à BBC. Tanto que ela recebeu o apelido de “Veneza do Novo Mundo“.
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Essas descrições, inclusive, vieram do próprio Cortés após seu encontro com Montezuma II, líder dos astecas, em 8 de novembro de 1519. A data é histórica por marcar a conquista do território atual do México.
Com admiração, ele descreveu suas ruas que, segundo suas palavras, eram metade de terra e metade de água, de forma que a população devia transportar-se em canoas. Ele também falou das pontes que atravessavam essas vias, que eram tão largas e sólidas que permitiam a passagem de dez cavalos juntos de uma vez.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC
Ainda segundo o historiador, “o conquistador ficou tão impressionado com Tenochtitlán e a confederação mexica [astecas] que, em sua Segunda Carta Narrativa, chegou a sugerir ao imperador Carlos V que se proclamasse imperador daquelas terras, o que, segundo ele, não seria menos digno que a Coroa Imperial da Alemanha”.
A seguir, saiba mais sobre Tenochtitlán, essa cativante cidade.
O que se sabe sobre Tenochtitlán?
“Conhecemos a área urbana de México-Tenochtitlán graças aos estudos e representações cartográficas que vêm sendo feitos desde a época do vice-reino”, explica o historiador mexicano Andrés Lira González.
- Entre outros, González cita a descrição e o mapa de antigos bairros da época desenhados pelo sacerdote e cartógrafo mexicano Antonio Alzate em 1789;
- Ele também cita relatos de testemunhos, mapas da cidade dos séculos XVI e XVII, bem como importantes estudos elaborados pelos arqueólogos Eduardo Matos Moctezuma e Leonardo López Luján;
- Já Caballos pontua que existem mapas “muito próximos à realidade”, sendo um deles o conhecido mapa de Nuremberg (Alemanha), editado na própria cidade alemã em 1524, retratando Tenochtitlán.

Temos, também, fontes arqueológicas que estão resgatando e analisando muitos dos lugares descritos por esses cronistas, trazendo à luz complexos arqueológicos, como o impressionante Templo Maior, a construção do jogo de bola e o tzompantli – o altar dos crânios.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC
Mas não temos apenas os relatos de Cortés e do conquistador Bernal Díaz. Códices indígenas também conseguem idealizar como eles eram. “Nas obras de Bernal Díaz del Castillo, o leitor encontrará a impressão causada aos conquistadores pelo panorama contemplado ao aproximar-se do Vale do México”, detalha González.
Ele diz ainda que Cortés, “convencido da grandeza do México, esforçou-se para estabelecer ali a capital dos domínios já conquistados e que conquistaria no futuro, apesar dos inconvenientes do solo pantanoso”.
É bom lembrar que Tenochtitlán e Tlatelolco foram construídas sobre ilhotas e se ampliaram, ganhando espaço sobre a lagoa e os pântanos que ocupavam o ‘Vale do México’ (na verdade, uma bacia hidrográfica cercada por montanhas no lado sul, que impediam a saída da água).
Andrés Lira González, historiador mexicano, em entrevista à BBC
Contudo, Caballos ressalta que “é difícil imaginar como realmente devia ser Tenochtitlán quando os espanhóis chegaram”, contudo, temos algumas valiosas informações e dados.

“Veneza do Novo Mundo”
Caballos continua: “Era uma cidade lacustre, a ‘Veneza americana’ [do Novo Mundo], localizada no meio de um lago, isolada, cujo acesso se resumia a três calçadas e que precisava ser abastecida do lado externo.”
“Ela estava localizada em meio a mais de 2 mil km² de lagos onde havia muitos peixes, enquanto nas terras ao seu redor era praticada uma agricultura muito produtiva que permitia altos índices de população na região”, explica Caballos.
[O escritor e colonizador espanhol] Fernández de Oviedo a descreveu como uma cidade de palácios, construída no meio do lago Texcoco, com casas principais, porque todos os vassalos de Montezuma costumavam ter residência na capital, onde viviam uma parte do ano. Era metrópole refinada, com banheiros públicos e mais de 30 palácios que abrigavam finas cerâmicas e elegantes artigos de tecido.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC
Caballos explica que o palácio de Montezuma, incluindo os jardins, tinha 2,5 ha, sendo maior que várias fortalezas espanholas. “Os próprios mexicas sentiam orgulho de sua capital e das grandes realizações alcançadas, principalmente nas décadas imediatamente anteriores à chegada dos espanhóis”, complementa o historiador.
O exemplo mais claro do alto grau de desenvolvimento da sua engenharia é, sem dúvida, o aqueduto de Chapultepec, que abastecia a cidade. Ele trazia o precioso líquido de uma ponta do lago Texcoco e tinha duas canalizações complexas, uma que ficava sempre ativa enquanto a outra era limpa. Tudo isso demonstra os grandes conhecimentos de engenharia hidráulica que essa civilização alcançou.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC
Contudo, Cortés cortou o aqueduto antes de seu último ataque à cidade, realizado em 1521, “o que causou extremo sofrimento para a população sitiada, que foi privada de água doce em poucas semanas”, explica Caballos.
Ou seja, Tenochtitlán era impressionante, “mas, também, extremamente vulnerável, pois dependia a todo momento de recursos hídricos e de alimentos provenientes do exterior”, reflete Caballos.
Caballos destaca ainda que isso significa que os astecas “aproveitaram os recursos para orientar e expandir seu espaço no meio lacustre deixado por outros povos que se assentaram anteriormente na região, desenvolvendo técnicas inovadoras e eficazes para edificar a cidade”.
O ‘pragmatismo’, digamos, dos mexicas, revela conhecimentos astronômicos, religiosos e artísticos palpáveis dos povos da Mesoamérica. Destaca-se ‘engenharia’ original para dominar o espaço em volta do lago e, devido à sua situação e sua cultura guerreira e comercial, o desenvolvimento de atividade expansiva, da qual Hernán Cortés foi testemunha e usufrutuário hábil.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

Quantidade de moradores de Tenochtitlán
Não é fácil precisar quantas pessoas moravam em Tenochtitlán, como explica González. “Os cálculos de população realizados com testemunhas e métodos muito diferentes, desde os primeiros anos até os mais recentes, são desconcertantes.”
Para ele, o número “mais correto” é o mencionado pelo José Luis de Rojas, da Universidade Complutense de Madri (Espanha), no livro “México-Tenochtitlán, economia e sociedade no século XV” (em tradução livre).
Nele, o escritor indica ser mais provável que a cidade asteca tivesse um máximo de 200 mil habitantes. “Isso significa que era uma das cidades mais povoadas do planeta, bem maior que Roma, Paris ou Sevilha e pouco menor que Pequim, Constantinopla ou Bagdá”, destaca González.
O pesquisador também ressalta que uma população desse tamanho precisava de pelo menos quatro mil carregadores por dia, “o que ocasionava tráfego constante de pessoas e vastíssimo mercado”.
Claro que, com a imprecisão acerca da quantidade de habitantes de Tenochtitlán e a falta de mais dados sobre a cidade imponente, vários mitos foram alimentados sobre sua construção.
O principal e mais importante é o mito da ‘peregrinação’, ordenada e orientada pelo deus Huitzilopochtli, para levar o seu povo para o lugar onde sua cidade deveria ser fundada e ampliada.
Andrés Lira González, historiador mexicano, em entrevista à BBC
Então, os mexicas chegaram ao vale do México, local onde encontraram um nopal (espécie de cacto) no qual uma águia estava devorando pássaros, enquanto seguiam o que seu deus os havia orientado.
Lá, teriam encontrado um baú, com dois pedaços de madeira e algumas pedras preciosas e, por sorteio, só mantiveram ali os donos dos pedaços de madeira, usados para criar fogo e trabalhos, enquanto os detentores das pedras preciosas optaram por estabelecerem-se onde seria Tlatelolco. Contudo, o mito não combina com fatos, como explica González.
Ele diz que, ao contrário do mito da peregrinação, “hoje, sabemos que sua fundação no meio do lago Texcoco, rodeado de pântanos e juncos, não foi exatamente voluntária, mas, sim, forçada, porque, por serem população emigrante, os mexicas haviam sido expulsos de quase todos os lugares. Foi nessa região aparentemente inóspita que foi permitido seu estabelecimento”.
“Os cronistas espanhóis têm o costume de comparar o que veem com o que já conhecem. Portanto, as alusões a cidades europeias costumam ser fruto da sua imaginação”, pontua Caballos.
Segundo o historiador, é por isso que cidades mexicanas, como Tenochtitlán e Cholula, ou peruanas, como Cusco, Tumbes e Cajamarca, “com características arquitetônicas europeias que absolutamente não correspondem à realidade”.
Tenochtitlán era uma cidade impressionante por suas dimensões, jardins e suas praças e palácios espaçosos. Mas é preciso lembrar que era muito diferente de qualquer cidade europeia. Ela tinha um encanto muito especial, mas não se parecia em nada com as cidades ocidentais.
Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

Dá para visitar Tenochtitlán?
Como falamos no começo da matéria, a Cidade do México que temos hoje em dia em nada se parece com a vistosa Tenochtitlán, principalmente por conta da destruição causada por Cortés (e aiados indígenas) para conquistar o território para os espanhóis.
Contudo, ainda existem ruínas dos tempos áureos dos astecas, localizado no coração da capital mexicana, o que, em termos, nos causa nostalgia ao tentar imaginar como era essa magnífica cidade.
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Artemis 2: o que rolou no quinto dia da missão da NASA à Lua

Neste domingo (5), a missão Artemis 2, da NASA, completou o quinto dia de viagem rumo à Lua. A cápsula Orion segue sua jornada pelo espaço profundo, aproximando-se gradualmente do satélite natural da Terra para contorná-lo e ter acesso a regiões lunares ainda inexploradas por humanos.
O destaque foi o primeiro uso em órbita dos trajes espaciais laranja, chamados Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion. Eles são usados durante o lançamento, a reentrada e em situações de emergência, garantindo oxigênio e proteção por até seis dias caso a cápsula perca pressão. Durante os testes, os astronautas ensaiaram vestir e pressurizar rapidamente os trajes, usar os assentos já equipados e até comer e beber através de uma abertura especial no capacete.

Segundo a NASA, os exercícios também avaliaram mobilidade, ergonomia, conforto, ajuste, controle térmico e comunicação do traje em microgravidade. Procedimentos de emergência foram repetidos, e dados importantes foram coletados para garantir que cada sistema funcione corretamente em qualquer situação inesperada. Em uma atualização, a agência anunciou o adiamento da atividade de despressurização da cabine, que estava marcada para hoje.
Após a avaliação dos trajes espaciais, concluída à 0h03 de segunda-feira (6), pelo horário de Brasília, a tripulação iniciou uma correção de trajetória (OTC, na sigla em inglês), para ajustar a rota da espaçonave rumo à Lua – procedimento que durou 17,5 segundos.
Anteriormente na missão, os controladores de voo haviam cancelado duas correções planejadas, já que a trajetória da Orion se manteve precisa.
Ainda de acordo com a NASA, a tripulação entrará na esfera de influência gravitacional lunar aproximadamente à 1h41 da madrugada de segunda-feira (6), dia em que a missão atinge o lado oculto da Lua.
Cada atividade reforça a segurança da nave e prepara os astronautas para os desafios de explorar o espaço profundo, trazendo informações inéditas para futuras missões lunares.
Linha do tempo: o que aconteceu dia a dia na missão Artemis 2
Dia 1 (1º de abril): o retorno ao espaço profundo
- Superação de obstáculos: antes da decolagem, a NASA precisou corrigir uma falha de última hora no sistema de destruição do foguete. Entenda o problema técnico que quase adiou a missão;
- O lançamento: às 19h35 (horário de Brasília), o superfoguete SLS decolou da Flórida, levando quatro astronautas a bordo. Saiba como foi o lançamento histórico aqui;
- Painéis solares: pouco após entrar em órbita, a Orion abriu seus quatro painéis solares em formato de “X”, garantindo os 11 quilowatts de energia necessários para a viagem;
- Ajuste de órbita: a nave realizou uma manobra de elevação, estabelecendo uma órbita elíptica entre 185 km e 2.222 km de altitude para testes iniciais de sistemas.

Dia 2 (2 de abril): o “chute” rumo à Lua
- Rotina e exercícios: a tripulação testou o novo dispositivo de exercícios flywheel e despertou ao som de “Green Light”, de John Legend, escolhida pelo controle de missão;
- “Encanadora espacial”: a astronauta Christina Koch realizou um reparo de emergência no sistema sanitário da nave, garantindo o conforto da tripulação para o restante da viagem. Em vídeo, a astronauta conta como consertou o banheiro da Artemis 2;
- Injeção Translunar (TLI): às 20h49 (Brasília), a Orion acionou seus motores por quase seis minutos, saindo da órbita da Terra e entrando oficialmente na trajetória de cruzeiro para a Lua. Entenda em detalhes o que é a manobra que colocou a Orion na rota lunar.
Dia 3 (3 de abril): chegando cada vez mais perto
- A equipe testou vários equipamentos de primeiros socorros, como termômetro, monitor de pressão arterial, estetoscópio e otoscópio;
- Realizaram testes no sistema de comunicações de emergência da Orion com a Rede de Espaço Profundo da NASA;
- Também puderam conversar com a imprensa e familiares, destacando suas primeiras impressões sobre o espaço e a Terra vista de longe;
- Com a realização da TLI um dia antes, a Orion entrou na chamada magnetocauda, extensão do campo magnético do planeta, semelhante a um cometa, que se estende por milhões de quilômetros, formada pelo vento solar que comprime e alonga o campo magnético.
Dia 4 (4 de abril): a pilotagem manual da Orion
- No quarto dia de missão, cada membro da tripulação teve uma hora dedicada à revisão dos alvos geográficos que deverão fotografar no sexto dia de voo;
- A equipe também teve que resolver problemas no banheiro da cápsula Orion. A resolução foi parcial;
- Durante a noite, os astronautas Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), realizaram um teste de pilotagem manual da nave. Eles se revezaram no comando da Orion e executaram manobras em dois modos distintos de propulsão;
- Paralelamente, os astronautas analisaram uma lista de alvos fornecida pela equipe de ciência lunar. O material reúne características da superfície da Lua que serão registradas durante o sobrevoo previsto para segunda-feira (6).
Dia 5 (5 de abril): a pilotagem manual da Orion
- Testes dos trajes: a tripulação dedicou grande parte da manhã a avaliar o Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion em ambiente espacial;
- Operação inédita: os astronautas se tornaram os primeiros a vestir e operar os novos trajes no espaço, testando rapidez e pressurização em emergências;
- Correção de trajetória: a Orion executou com sucesso a queima final (que seria a terceira) para ajustar o curso rumo à Lua.

Leia mais:
- Artemis 2: NASA revela foto inédita de região inteira da Lua
- Artemis 2 vai quebrar recorde de distância percorrida por humanos no espaço
- Por que a missão Artemis 2 não vai pousar na Lua?
Artemis 2: o que está planejado para os próximos dias
A agência espacial dos Estados Unidos detalhou o plano de dez dias da missão Artemis 2. Confira abaixo:
Dia 6
A tripulação da Artemis 2 chegará mais perto da Lua no sexto dia de voo, viajando ao mesmo tempo mais longe da Terra.
A Artemis 2 poderá estabelecer um recorde de distância percorrida por alguém a partir da Terra, dependendo do dia do lançamento, quebrando o recorde atual (400 mil km) estabelecido em 1970 pela tripulação da Apollo 13.
Ao longo do dia, a tripulação chegará a uma distância de 6,4 mil a 9,6 mil km da superfície lunar enquanto contorna o lado oculto da Lua, que deverá parecer do tamanho de uma bola de basquete à distância de um braço.
Eles dedicarão a maior parte do dia a tirar fotos e gravar vídeos da Lua, registrando suas observações, tornando-se os primeiros a ver algumas partes da Lua com seus próprios olhos.
A tripulação registrará suas observações em tempo real, enquanto tira fotos e grava vídeos (inclusive durante os 30 a 50 minutos em que perderem a comunicação com a Terra ao passarem atrás da Lua). Dessa forma, suas observações poderão ser posteriormente vinculadas às imagens exatas que capturaram.
Dia 7
A Orion sairá da esfera de influência lunar na manhã do sétimo dia do voo. Antes que a tripulação da Artemis 2 se afaste muito da Lua, cientistas em solo, terão a oportunidade de conversar com a tripulação.
Na segunda metade do dia, o motor da Orion será acionado novamente para a primeira de três manobras de correção de trajetória de retorno, que ajustarão o caminho da Orion para casa.
O restante do dia será, em grande parte, livre para a tripulação, dando-lhes a oportunidade de descansar antes de retomarem suas tarefas finais antes do retorno à Terra.
Dia 8
As principais atividades do oitavo dia do voo incluem duas demonstrações da Orion.
Primeiro, a tripulação avaliará sua capacidade de se proteger de eventos de alta radiação, como erupções solares. Eles usarão os suprimentos e equipamentos da Orion para construir um abrigo, se necessário.
A radiação será uma preocupação constante à medida que os humanos se aventurarem no espaço profundo. E vários experimentos serão realizados com o objetivo de coletar dados sobre os níveis de radiação dentro da Orion.
Ao final do dia, a tripulação testará a capacidade de pilotagem manual da Orion, conduzindo a espaçonave por diversas tarefas. Eles vão:
- Centralizar um alvo escolhido nas janelas da Orion;
- Posicionar a espaçonave com a cauda voltada para o Sol;
- Executar manobras de atitude, comparando os modos de controle de atitude de seis e três graus de liberdade da espaçonave.
Dia 9
O último dia completo da Artemis 2 no espaço começará com os preparativos para o retorno à Terra.
A tripulação reservou um tempo para estudar os procedimentos de reentrada e pouso na água, além de conversar com a equipe de controle de voo. Outra queima de correção de trajetória de retorno garantirá que a espaçonave permaneça no caminho certo.
A tripulação executará mais demonstrações para concluir sua lista de tarefas: sistemas de coleta de resíduos, caso o banheiro da Orion não funcione corretamente, e testes de ajuste das roupas para intolerância ortostática.
A intolerância ortostática, que pode causar sintomas como tontura e vertigem ao ficar em pé, é uma possibilidade para os astronautas quando retornarem à Terra e seus corpos precisarem se readaptar à força da gravidade sobre o fluxo sanguíneo. Roupas de compressão, usadas sob os trajes espaciais, podem ajudar.
Os membros da tripulação experimentarão suas roupas, terão suas circunferências corporais medidas e responderão a um questionário sobre o ajuste e a facilidade para vesti-las e retirá-las.
Dia 10
O último dia da missão Artemis 2 concentra-se em trazer a tripulação de volta para casa em segurança. Uma última queima de correção de trajetória de retorno garantirá que a Orion esteja no caminho certo para o pouso na água.
A tripulação retornará sua cabine à configuração original, com os equipamentos guardados e os assentos em seus lugares, e vestirá seus trajes espaciais.
O módulo da tripulação se separará do módulo de serviço, cujos motores os guiaram ao redor da Lua e de volta à Terra. Isso vai expor o escudo térmico do módulo da tripulação, que protegerá a espaçonave e a tripulação enquanto atravessam a atmosfera terrestre e temperaturas de até cerca de 1.650ºC.
Uma vez que tenham passado com segurança pelo calor da reentrada, a cobertura que protegia o compartimento dianteiro da espaçonave será ejetada para dar lugar a uma série de paraquedas (dois paraquedas de frenagem que reduzirão a velocidade da cápsula para cerca de 495 km/h, seguidos por três paraquedas piloto que acionarão os três paraquedas principais finais).
Essas manobras reduzirão a velocidade da Orion para aproximadamente 27 km/h para um pouso no Oceano Pacífico, onde pessoal da NASA e da Marinha dos EUA estarão esperando, concluindo a missão Artemis 2.
Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.
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Por que tubarões raramente atacam golfinhos, mesmo dividindo o mesmo território

No vasto azul do oceano, a interação entre tubarões e golfinhos revela uma dinâmica de poder surpreendente e estratégica. Embora o tubarão seja um predador temido, a força coletiva dos cetáceos cria uma barreira quase impenetrável contra ataques. Entenda os fatores biológicos que garantem a segurança desses mamíferos marinhos nesta análise detalhada.
Como ocorre a interação entre tubarões e golfinhos no oceano?
De acordo com um relatório da NOAA Fisheries enviado ao Congresso dos Estados Unidos, as interações variam entre predação oportunista e defesa coordenada. Os dados sugerem que o habitat compartilhado exige adaptações constantes para ambos os grupos em busca de sobrevivência.
A coexistência não significa harmonia, mas sim um equilíbrio tenso onde o erro de cálculo pode ser fatal para o predador solitário. Quando o tubarão percebe a coesão do grupo adversário, ele geralmente opta por recuar para evitar ferimentos graves.
🛡️ Percepção de Risco: O predador avalia se a desvantagem numérica compensa o esforço da caça inicial.
🔊 Alerta Biossonoro: Golfinhos utilizam ecolocalização para detectar a aproximação de ameaças à distância.
🤝 Formação em Falange: O grupo se une fisicamente para intimidar e, se necessário, golpear o invasor.
Quais são as principais táticas de defesa dos cetáceos?
Os golfinhos utilizam sua inteligência superior para criar perímetros de segurança que desencorajam investidas frontais dos predadores de topo. Ao contrário de outras presas, eles não apenas fogem, mas podem contra-atacar utilizando a velocidade como arma de impacto.
A comunicação rápida por meio de cliques e assobios permite que o grupo identifique a espécie do tubarão e sua intenção muito antes de ele se aproximar. Essa antecipação é o que transforma o que seria uma caçada em um impasse estratégico no mar.
- Ataques direcionados com o “rostrum” (focinho rígido) em órgãos moles do tubarão.
- Cercamento do predador para causar desorientação sensorial e pânico.
- Proteção ativa de indivíduos vulneráveis e filhotes no centro da formação.
- Emissão de sons de alta frequência para interferir nos poros sensoriais do tubarão.

Por que a estrutura social afeta o comportamento de tubarões e golfinhos?
O isolamento é o maior risco para qualquer animal no mar, mas os golfinhos raramente são encontrados desacompanhados em áreas de caça. A estrutura de “gangue” ou pod é o que garante que o tubarão, agindo sozinho, se sinta em desvantagem tática imediata.
A comparação entre as estratégias de caça solitária do tubarão e a defesa em grupo dos golfinhos mostra quem realmente domina o território compartilhado. Para o tubarão, enfrentar uma unidade coordenada é um péssimo negócio para sua integridade física.
| Fator | Tubarão | Golfinho |
|---|---|---|
| Estilo de Vida | Predominantemente Solitário | Altamente Social (Pods) |
| Principal Arma | Mordida e Surpresa | Impacto e Coordenação |
| Ponto Fraco | Guelras e Ventre | Necessidade de Oxigênio |
O tamanho do predador influencia a decisão de ataque?
Nem todo tubarão tem porte suficiente para encarar um golfinho nariz-de-garrafa adulto, que possui uma musculatura extremamente robusta e densa. Espécies menores de tubarão evitam qualquer proximidade, reconhecendo a força de impacto que um cetáceo pode gerar.
Predadores de grande porte, como o tubarão-branco, costumam focar apenas em indivíduos debilitados ou filhotes que se afastam da proteção do grupo principal. O risco de sofrer uma pancada nas fendas branquiais desencoraja ataques a adultos saudáveis.
Como a ecolocalização ajuda na prevenção de conflitos?
A biossonografia dos golfinhos atua como um radar de altíssima precisão, detectando a silhueta e o movimento de tubarões mesmo em águas profundas ou turvas. Essa capacidade tecnológica natural retira o elemento surpresa, que é a principal vantagem do tubarão.
Uma vez detectado, o tubarão passa a ser monitorado por todos os membros do grupo de golfinhos simultaneamente. Ao perceber que perdeu a invisibilidade, o predador entende que a chance de sucesso é mínima e prefere buscar presas mais fáceis e menos organizadas.
Leia mais:
- Como os golfinhos dormem no fundo do mar sem risco de afogamento
- Comunicação dos golfinhos pode ajudar a falar com ETs
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Artemis 2: terceiro dia da missão chega ao fim

A missão Artemis 2, lançada com sucesso pela NASA na quarta-feira (1), está agora no terceiro dia de voo rumo à Lua.
O comandante Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), preparou-se pela manhã para realizar, após o almoço da tripulação, a primeira de três ignições menores dos motores, chamada de correção de trajetória de saída.
- Só que os controladores de voo no Centro Espacial Johnson, da NASA, em Houston (EUA), optaram pelo cancelamento da primeira queima;
- A atitude foi tomada, pois a trajetória da Orion rumo à Lua está correta, não sendo necessária a manobra, portanto;
- No cronograma da Artemis 2, há outras duas correções planejadas, visando otimizar a velocidade e a trajetória da espaçonave;
- Se forem necessários outros ajustes, eles poderão ser incorporados em queima corretiva subsequente.
A manobra não executada é essencial para ajustar pequenas variações na velocidade e direção da Orion após a queima de injeção translunar. Sem esse ajuste preciso, desvios mínimos poderiam comprometer a órbita lunar ou alterar a passagem planejada. A ignição é calculada com base em telemetria e modelos de navegação da NASA e da CSA, garantindo que a cápsula siga exatamente a rota programada rumo à Lua.
Howard Hu, gerente do programa Orion da NASA, afirmou, em coletiva de imprensa, que o módulo de serviço da Orion apresentou falha no sistema de pressurização de hélio, integrante do sistema de propulsão. Contudo, ele garantiu que não há riscos à missão no momento, pois o sistema de reserva foi acionado.
Como foi o terceiro dia da missão Artemis 2
“Livres” da correção de trajetória de saída, durante o dia, Hansen e os astronautas Victor Glover e Christina Koch, da NASA, demonstraram procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) no espaço, conforme noticiado pelo Olhar Digital.
Glover e Reid Wiseman, também da NASA, testaram equipamentos médicos da Orion, como termômetro, monitor de pressão arterial, estetoscópio e otoscópio, garantindo que tudo funcionasse corretamente em microgravidade.
Na segunda metade do dia, Koch dedicou tempo para testar o sistema de comunicações de emergência da Orion com a Rede de Espaço Profundo, um sistema de antenas da NASA que permite comunicar e controlar espaçonaves distantes. A atividade simulou situações críticas e confirmou a capacidade da tripulação de se comunicar com a Terra mesmo em caso de falha nos sistemas principais.
O dia também foi de emoções. Os tripulantes da Orion puderam ter contato com suas famílias diretamente do espaço. Ainda, conversaram com a imprensa, relatando seus momentos iniciais no espaço e suas primeiras visões da Terra.
Para finalizar, toda a equipe praticou os procedimentos dos trabalhos científicos que realizarão no sexto dia de missão, na segunda-feira (6), quando a Orion estiver mais próxima da Lua. O treino incluiu posicionamento, registro de dados e preparação para experimentos planejados durante a passagem lunar.

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- Superação de obstáculos: antes da decolagem, a NASA precisou corrigir uma falha de última hora no sistema de destruição do foguete. Entenda o problema técnico que quase adiou a missão.
- O lançamento: às 19h35 (horário de Brasília), o superfoguete SLS decolou da Flórida, levando quatro astronautas a bordo. Saiba como foi o lançamento histórico aqui.
- Painéis solares: pouco após entrar em órbita, a Orion abriu seus quatro painéis solares em formato de “X”, garantindo os 11 quilowatts de energia necessários para a viagem.
- Ajuste de órbita: a nave realizou uma manobra de elevação, estabelecendo uma órbita elíptica entre 185 km e 2.222 km de altitude para testes iniciais de sistemas.
Dia 2 (2 de abril): o “chute” rumo à Lua
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Injeção Translunar (TLI): às 20h49 (Brasília), a Orion acionou seus motores por quase seis minutos, saindo da órbita da Terra e entrando oficialmente na trajetória de cruzeiro para a Lua. Entenda em detalhes o que é a manobra que colocou a Orion na rota lunar.
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