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Saiba como era Tenochtitlán, a “Veneza do Novo Mundo”

Redação Informe ES

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Tenochtitlán é a base da Cidade do México (México), cujas edificações não lembram em nada o que foi a capital do império asteca, que deixou o conquistador espanhol Hernán Cortés estupefato há pouco mais 500 anos.

A cidade tinha vários lagos e canais e cativou Cortés, especialmente pelo aspecto de “cidade dos palácios”, segundo o doutor em História da América e especialista nas relações entre Espanha e América no século XVI, Esteban Mira Caballos, à BBC. Tanto que ela recebeu o apelido de “Veneza do Novo Mundo“.

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Retrato de Cortés do século XVIII baseado naquele enviado pelo conquistador a Paolo Giovio, que serviu de modelo para muitas de suas representações desde o século XVI (Imagem: Domínio Público)

Essas descrições, inclusive, vieram do próprio Cortés após seu encontro com Montezuma II, líder dos astecas, em 8 de novembro de 1519. A data é histórica por marcar a conquista do território atual do México.

Com admiração, ele descreveu suas ruas que, segundo suas palavras, eram metade de terra e metade de água, de forma que a população devia transportar-se em canoas. Ele também falou das pontes que atravessavam essas vias, que eram tão largas e sólidas que permitiam a passagem de dez cavalos juntos de uma vez.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

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Ainda segundo o historiador, “o conquistador ficou tão impressionado com Tenochtitlán e a confederação mexica [astecas] que, em sua Segunda Carta Narrativa, chegou a sugerir ao imperador Carlos V que se proclamasse imperador daquelas terras, o que, segundo ele, não seria menos digno que a Coroa Imperial da Alemanha”.

A seguir, saiba mais sobre Tenochtitlán, essa cativante cidade.

O que se sabe sobre Tenochtitlán?

“Conhecemos a área urbana de México-Tenochtitlán graças aos estudos e representações cartográficas que vêm sendo feitos desde a época do vice-reino”, explica o historiador mexicano Andrés Lira González.

  • Entre outros, González cita a descrição e o mapa de antigos bairros da época desenhados pelo sacerdote e cartógrafo mexicano Antonio Alzate em 1789;
  • Ele também cita relatos de testemunhos, mapas da cidade dos séculos XVI e XVII, bem como importantes estudos elaborados pelos arqueólogos Eduardo Matos Moctezuma e Leonardo López Luján;
  • Já Caballos pontua que existem mapas “muito próximos à realidade”, sendo um deles o conhecido mapa de Nuremberg (Alemanha), editado na própria cidade alemã em 1524, retratando Tenochtitlán.
Pintura de vista panorâmica de Tenochtitlán e do vale do México, sobre a lagoa de Texcoco (Imagem: Gary Todd from Xinzheng, China, CC0, via Wikimedia Commons)

Temos, também, fontes arqueológicas que estão resgatando e analisando muitos dos lugares descritos por esses cronistas, trazendo à luz complexos arqueológicos, como o impressionante Templo Maior, a construção do jogo de bola e o tzompantli – o altar dos crânios.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

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Mas não temos apenas os relatos de Cortés e do conquistador Bernal Díaz. Códices indígenas também conseguem idealizar como eles eram. “Nas obras de Bernal Díaz del Castillo, o leitor encontrará a impressão causada aos conquistadores pelo panorama contemplado ao aproximar-se do Vale do México”, detalha González.

Ele diz ainda que Cortés, “convencido da grandeza do México, esforçou-se para estabelecer ali a capital dos domínios já conquistados e que conquistaria no futuro, apesar dos inconvenientes do solo pantanoso”.

É bom lembrar que Tenochtitlán e Tlatelolco foram construídas sobre ilhotas e se ampliaram, ganhando espaço sobre a lagoa e os pântanos que ocupavam o ‘Vale do México’ (na verdade, uma bacia hidrográfica cercada por montanhas no lado sul, que impediam a saída da água).

Andrés Lira González, historiador mexicano, em entrevista à BBC

Contudo, Caballos ressalta que “é difícil imaginar como realmente devia ser Tenochtitlán quando os espanhóis chegaram”, contudo, temos algumas valiosas informações e dados.

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“Mapa de Nuremberg”, elaborado na Alemanha, em 1524, é o mapa mais antigo existente de Tenochtitlán (Imagem: Domínio público)

“Veneza do Novo Mundo”

Caballos continua: “Era uma cidade lacustre, a ‘Veneza americana’ [do Novo Mundo], localizada no meio de um lago, isolada, cujo acesso se resumia a três calçadas e que precisava ser abastecida do lado externo.”

“Ela estava localizada em meio a mais de 2 mil km² de lagos onde havia muitos peixes, enquanto nas terras ao seu redor era praticada uma agricultura muito produtiva que permitia altos índices de população na região”, explica Caballos.

[O escritor e colonizador espanhol] Fernández de Oviedo a descreveu como uma cidade de palácios, construída no meio do lago Texcoco, com casas principais, porque todos os vassalos de Montezuma costumavam ter residência na capital, onde viviam uma parte do ano. Era metrópole refinada, com banheiros públicos e mais de 30 palácios que abrigavam finas cerâmicas e elegantes artigos de tecido.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

Caballos explica que o palácio de Montezuma, incluindo os jardins, tinha 2,5 ha, sendo maior que várias fortalezas espanholas. “Os próprios mexicas sentiam orgulho de sua capital e das grandes realizações alcançadas, principalmente nas décadas imediatamente anteriores à chegada dos espanhóis”, complementa o historiador.

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O exemplo mais claro do alto grau de desenvolvimento da sua engenharia é, sem dúvida, o aqueduto de Chapultepec, que abastecia a cidade. Ele trazia o precioso líquido de uma ponta do lago Texcoco e tinha duas canalizações complexas, uma que ficava sempre ativa enquanto a outra era limpa. Tudo isso demonstra os grandes conhecimentos de engenharia hidráulica que essa civilização alcançou.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

Contudo, Cortés cortou o aqueduto antes de seu último ataque à cidade, realizado em 1521, “o que causou extremo sofrimento para a população sitiada, que foi privada de água doce em poucas semanas”, explica Caballos.

Ou seja, Tenochtitlán era impressionante, “mas, também, extremamente vulnerável, pois dependia a todo momento de recursos hídricos e de alimentos provenientes do exterior”, reflete Caballos.

Caballos destaca ainda que isso significa que os astecas “aproveitaram os recursos para orientar e expandir seu espaço no meio lacustre deixado por outros povos que se assentaram anteriormente na região, desenvolvendo técnicas inovadoras e eficazes para edificar a cidade”.

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O ‘pragmatismo’, digamos, dos mexicas, revela conhecimentos astronômicos, religiosos e artísticos palpáveis dos povos da Mesoamérica. Destaca-se ‘engenharia’ original para dominar o espaço em volta do lago e, devido à sua situação e sua cultura guerreira e comercial, o desenvolvimento de atividade expansiva, da qual Hernán Cortés foi testemunha e usufrutuário hábil.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

Templo Maior, no centro histórico da atual Cidade do México (Imagem: javarman/Shutterstock)

Quantidade de moradores de Tenochtitlán

Não é fácil precisar quantas pessoas moravam em Tenochtitlán, como explica González. “Os cálculos de população realizados com testemunhas e métodos muito diferentes, desde os primeiros anos até os mais recentes, são desconcertantes.”

Para ele, o número “mais correto” é o mencionado pelo José Luis de Rojas, da Universidade Complutense de Madri (Espanha), no livro “México-Tenochtitlán, economia e sociedade no século XV” (em tradução livre).

Nele, o escritor indica ser mais provável que a cidade asteca tivesse um máximo de 200 mil habitantes. “Isso significa que era uma das cidades mais povoadas do planeta, bem maior que Roma, Paris ou Sevilha e pouco menor que Pequim, Constantinopla ou Bagdá”, destaca González.

O pesquisador também ressalta que uma população desse tamanho precisava de pelo menos quatro mil carregadores por dia, “o que ocasionava tráfego constante de pessoas e vastíssimo mercado”.

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Claro que, com a imprecisão acerca da quantidade de habitantes de Tenochtitlán e a falta de mais dados sobre a cidade imponente, vários mitos foram alimentados sobre sua construção.

O principal e mais importante é o mito da ‘peregrinação’, ordenada e orientada pelo deus Huitzilopochtli, para levar o seu povo para o lugar onde sua cidade deveria ser fundada e ampliada.

Andrés Lira González, historiador mexicano, em entrevista à BBC

Então, os mexicas chegaram ao vale do México, local onde encontraram um nopal (espécie de cacto) no qual uma águia estava devorando pássaros, enquanto seguiam o que seu deus os havia orientado.

Lá, teriam encontrado um baú, com dois pedaços de madeira e algumas pedras preciosas e, por sorteio, só mantiveram ali os donos dos pedaços de madeira, usados para criar fogo e trabalhos, enquanto os detentores das pedras preciosas optaram por estabelecerem-se onde seria Tlatelolco. Contudo, o mito não combina com fatos, como explica González.

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Ele diz que, ao contrário do mito da peregrinação, “hoje, sabemos que sua fundação no meio do lago Texcoco, rodeado de pântanos e juncos, não foi exatamente voluntária, mas, sim, forçada, porque, por serem população emigrante, os mexicas haviam sido expulsos de quase todos os lugares. Foi nessa região aparentemente inóspita que foi permitido seu estabelecimento”.

“Os cronistas espanhóis têm o costume de comparar o que veem com o que já conhecem. Portanto, as alusões a cidades europeias costumam ser fruto da sua imaginação”, pontua Caballos.

Segundo o historiador, é por isso que cidades mexicanas, como Tenochtitlán e Cholula, ou peruanas, como Cusco, Tumbes e Cajamarca, “com características arquitetônicas europeias que absolutamente não correspondem à realidade”.

Tenochtitlán era uma cidade impressionante por suas dimensões, jardins e suas praças e palácios espaçosos. Mas é preciso lembrar que era muito diferente de qualquer cidade europeia. Ela tinha um encanto muito especial, mas não se parecia em nada com as cidades ocidentais.

Esteban Mira Caballos, doutor em História da América, à BBC

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Ilustração mostra a praça central e o Templo Maior no século XVI (Imagem: Wikimedia Commons)

Dá para visitar Tenochtitlán?

Como falamos no começo da matéria, a Cidade do México que temos hoje em dia em nada se parece com a vistosa Tenochtitlán, principalmente por conta da destruição causada por Cortés (e aiados indígenas) para conquistar o território para os espanhóis.

Contudo, ainda existem ruínas dos tempos áureos dos astecas, localizado no coração da capital mexicana, o que, em termos, nos causa nostalgia ao tentar imaginar como era essa magnífica cidade.

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Justiça obriga OpenAI a entregar documentos de contratação em processo da Apple

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A Justiça dos Estados Unidos determinou que a OpenAI entregue documentos relacionados à contratação de ex-funcionários da Apple, em processo no qual a fabricante do iPhone acusa a empresa de inteligência artificial (IA) de se beneficiar de informações comerciais confidenciais.

A decisão, proferida nesta terça-feira (13), permite que a Apple tenha acesso antecipado a registros de entrevistas, mensagens privadas e outras evidências que podem ajudar a esclarecer as acusações.

O juiz federal Edward Davila, responsável pelo caso no Distrito Norte da Califórnia, concedeu parte dos pedidos apresentados pela Apple para acelerar a fase de produção de provas. A OpenAI terá cinco dias para entregar os materiais que já reuniu e 14 dias para apresentar os demais documentos abrangidos pela determinação.

A disputa está relacionada à contratação de antigos funcionários da Apple pela OpenAI, especialmente para equipes envolvidas no desenvolvimento de produtos de hardware e robótica. A empresa de Tim Cook suspeita que informações confidenciais sobre tecnologias e produtos ainda não lançados tenham sido obtidas e utilizadas indevidamente durante esse processo.

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Quais documentos a OpenAI terá de entregar?

  • A determinação judicial abrange diferentes categorias de materiais que podem ajudar a reconstruir como informações da Apple teriam circulado durante o recrutamento de funcionários;
  • Entre os documentos solicitados estão listas de verificação, guias, instruções, manuais e roteiros utilizados nas entrevistas de candidatos provenientes da Apple para a equipe de produtos de hardware de consumo da OpenAI;
  • A empresa também deverá apresentar apresentações técnicas e outros registros que documentem o conteúdo dessas entrevistas, incluindo eventuais referências a tecnologias, componentes e projetos da fabricante do iPhone;
  • Outro ponto importante envolve as evidências digitais. A decisão prevê a entrega de imagens forenses de dispositivos já coletadas no contexto das acusações, além de conversas privadas trocadas pelo aplicativo de mensagens LINE entre Chang Liu e Alyssa Peng desde janeiro de 2026;
  • O juiz também autorizou depoimentos antecipados de três ex-funcionários da Apple: Chang Liu, Alyssa Peng e Tang Yew Tan, atual diretor de hardware da OpenAI. Os depoimentos deverão ajudar a esclarecer as circunstâncias das contratações e o possível uso de informações confidenciais;
  • A Apple argumenta que o acesso antecipado é necessário para compreender a extensão do suposto desvio de segredos comerciais e fundamentar seu pedido de medidas judiciais contra os envolvidos.

Apple acusa ex-funcionários de levar informações confidenciais

A Apple entrou com a ação em julho de 2026, alegando que antigos funcionários teriam obtido ou utilizado indevidamente informações relacionadas a produtos e tecnologias ainda não anunciados.

Entre as acusações estão o download de documentos técnicos confidenciais em computadores fornecidos pela Apple, a retenção de equipamentos corporativos após o desligamento e o compartilhamento de informações com outros profissionais interessados em trabalhar na OpenAI.

A fabricante também afirma que candidatos teriam sido orientados sobre quais conhecimentos estudar para entrevistas e que o processo de recrutamento teria sido usado para obter detalhes sobre projetos sigilosos, componentes e métodos de desenvolvimento.

Um dos nomes centrais da disputa é Tang Yew Tan, que trabalhou na Apple por 24 anos e ocupou o cargo de vice-presidente de design de produtos para o iPhone e o Apple Watch antes de ingressar na OpenAI. Chang Liu, outro ex-funcionário citado no processo, teria trabalhado durante oito anos na Apple como engenheiro sênior de sistemas elétricos.

A Apple sustenta que as informações envolvidas na disputa incluem especificações técnicas, apresentações de engenharia, dados de projetos proprietários e detalhes sobre tecnologias ainda não lançadas.

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Essas alegações fazem parte do processo judicial e ainda não representam uma conclusão definitiva de que houve roubo de segredos comerciais.

Logo da OpenAI na tela de um smartphone que está na horizontal
Disputa está relacionada à contratação de antigos funcionários da Apple pela OpenAI, especialmente para equipes envolvidas no desenvolvimento de produtos de hardware e robótica – Imagem: Vitor Miranda/Shutterstock

Leia mais:

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Disputa envolve futuro dispositivo de hardware da OpenAI

O processo ocorre enquanto a OpenAI trabalha no desenvolvimento de produtos físicos voltados ao consumidor. A empresa adquiriu a startup io, ligada ao ex-chefe de design da Apple Jony Ive, em negócio anunciado em 2025 por US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões).

A iniciativa ampliou as ambições da OpenAI no mercado de hardware, em momento no qual a companhia busca levar suas tecnologias de inteligência artificial (IA) para além dos computadores e smartphones tradicionais.

A Apple considera que informações confidenciais sobre seus projetos podem ter sido incorporadas aos esforços de desenvolvimento da OpenAI. A disputa, portanto, não se limita à saída de profissionais de uma empresa para outra: envolve a possibilidade de utilização de conhecimentos protegidos por segredo comercial em produtos concorrentes.

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A OpenAI, por sua vez, contestou as acusações e classificou o processo como infundado. A empresa também argumenta que a ação seria uma tentativa da Apple de compensar dificuldades na disputa por talentos do setor tecnológico.

Até agora, não há decisão definitiva sobre a existência de apropriação indevida de informações nem sobre o eventual impacto dessas informações nos produtos desenvolvidos pela OpenAI.

Juiz rejeita parte dos pedidos da Apple

Embora tenha autorizado o acesso antecipado a documentos de contratação, mensagens e evidências digitais, Davila não atendeu a todas as solicitações da Apple.

O juiz rejeitou o pedido para acelerar a entrega de documentos relacionados às pesquisas e ao desenvolvimento da OpenAI em áreas como acabamentos metálicos, gerenciamento de energia e funcionamento de baterias para dispositivos de consumo.

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Esses materiais poderão ser solicitados durante a fase regular de produção de provas, mas não terão o mesmo tratamento prioritário concedido aos registros de entrevistas e às demais evidências previstas na decisão.

O magistrado também deixou em aberto alguns pedidos mais amplos relacionados ao que a Apple chama de informações originadas na própria empresa. Segundo a decisão, a definição apresentada era vaga demais e poderia impor uma tarefa excessivamente onerosa à OpenAI. A Apple poderá tentar reformular o pedido para torná-lo mais específico.

A decisão sobre a produção antecipada de provas ocorre às vésperas de audiência marcada para discutir o pedido da OpenAI para encerrar o processo e a solicitação da Apple por uma liminar que impeça o uso dos segredos comerciais supostamente envolvidos.

A disputa judicial ainda está em andamento. Os documentos e depoimentos autorizados poderão ampliar o conjunto de evidências disponível às partes, mas não determinam, por si só, o resultado final do caso.

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Rover da NASA bate recorde de distância percorrida em Marte

Redação Informe ES

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O rover Perseverance, da NASA, estabeleceu um novo recorde de distância percorrida em Marte, ao ultrapassar 28,06 milhas (cerca de 45,2 quilômetros) desde sua chegada ao planeta, em fevereiro de 2021. A marca foi atingida no domingo (11), na região da cratera Jezero, e anunciada na segunda-feira (12) pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), responsável pela operação do veículo.

Com o resultado, o robô superou a distância percorrida pelo Opportunity, outro rover da NASA que explorou Marte entre 2004 e 2018. O avanço do Perseverance, porém, não ocorreu tão cedo quanto a equipe esperava. A missão precisou desviar sua rota para investigar rochas claras que podem estar entre as mais antigas já estudadas no planeta, o que adiou a conquista por cerca de dois meses.

Tecnologia autônoma ajuda rover a percorrer Marte

Uma das características do Perseverance é a capacidade de planejar parte de seus deslocamentos de forma autônoma. Assim como alguns carros modernos na Terra, o veículo consegue encontrar caminhos entre dois pontos sem depender de instruções detalhadas para cada trecho enviadas por equipes terrestres.

O rover também conta com um chip de computador mais rápido que o utilizado em seu antecessor, o Curiosity, que chegou a Marte mais de oito anos antes e percorreu uma distância menor. A tecnologia representa um avanço em relação ao Sojourner, primeiro rover robótico da NASA, que se deslocou apenas 341 pés (cerca de 104 metros) ao longo de 12 semanas, em 1997, e dependia de comandos específicos enviados da Terra.

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Nos primeiros meses da missão, o Perseverance explorou o terreno da cratera Jezero. O local tem cerca de 30 milhas de largura e, quando Marte era mais quente e úmido, abrigou um lago. A região foi escolhida para a missão por seu potencial de preservar vestígios orgânicos que possam ajudar a investigar se já existiu vida no planeta.

Infográfico compara as distâncias percorridas por rovers em Marte e na Lua, com destaque para o Perseverance, que atingiu 45,2 km, e outros veículos de exploração espacial.
O Perseverance lidera o ranking de distância percorrida entre os veículos apresentados, com 45,2 km em Marte até outubro de 2026. O gráfico também mostra os trajetos de outros rovers marcianos e dos veículos lunares das missões Apollo e soviéticas – Crédito: NASA/JPL-Caltech

De um helicóptero a rochas com bilhões de anos

A missão também contou com o Ingenuity, um pequeno helicóptero transportado na parte inferior do Perseverance. Depois de ser liberado na superfície marciana, o equipamento realizou os primeiros voos controlados e motorizados em outro planeta. Inicialmente previsto para uma série de testes, o helicóptero acabou acompanhando a exploração do rover e completou 72 voos, até que uma de suas pás se quebrou em janeiro de 2024.

Em abril de 2022, o Perseverance chegou a um antigo delta de rio na cratera Jezero. Mais recentemente, deixou a região e passou a investigar rochas com aproximadamente quatro bilhões de anos em Lac de Charmes. A área recebeu esse nome em referência a um reservatório na França.

Entre os materiais encontrados estão rochas claras chamadas gabros, semelhantes ao basalto em composição, mas formadas provavelmente em maiores profundidades, onde o magma teve mais tempo para esfriar e formar cristais maiores. Os cientistas identificaram sinais de derretimento intenso e impactos nessas rochas, que podem ter se originado de três eventos distintos envolvendo meteoritos.

A equipe tentou perfurar uma dessas formações para coletar uma amostra, mas a rocha era dura demais. Mesmo assim, a investigação continua, já que os materiais podem oferecer informações sobre os primeiros 500 milhões de anos do Sistema Solar.

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Imagem da superfície de Marte mostra terreno rochoso e marcas deixadas pelas rodas do rover Perseverance durante sua exploração.
O Perseverance registrou esta imagem em 11 de outubro de 2026, data em que percorreu 91,31 metros e ultrapassou o recorde de distância percorrida em Marte pelo rover Opportunity, de 45,16 quilômetros – Crédito: NASA/JPL-Caltech

NASA quer ampliar a distância certificada do rover

Antes do lançamento, a NASA havia certificado o Perseverance para percorrer 20 quilômetros. Como o veículo já ultrapassou essa distância, a agência trabalha para ampliar a certificação para 100 quilômetros, pouco mais de 62 milhas.

Ainda não há um plano de longo prazo definido para o rover depois que ele terminar o levantamento da região atual. A NASA também precisará decidir o destino das amostras armazenadas pelo equipamento.

O projeto Mars Sample Return, que previa trazer esse material para a Terra em uma colaboração com a Agência Espacial Europeia, foi cancelado por ser considerado caro demais. A NASA poderia retomar a iniciativa por meio de uma missão comercial, mas não anunciou planos nesse sentido.

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Carregador portátil pega fogo em voo e força pouso de emergência na Índia

Redação Informe ES

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Um carregador portátil pegou fogo durante um voo da IndiGo na Índia neste domingo (11), levando os pilotos a desviar a aeronave para um pouso de emergência em Hyderabad. O avião transportava mais de 180 passageiros e fazia a rota entre Nova Délhi e Chennai. Segundo informações do jornal indiano The New Indian Express, ninguém ficou ferido.

O incidente ocorreu quando o dispositivo eletrônico começou a soltar fumaça no compartimento de bagagens acima dos assentos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram chamas no bagageiro e passageiros tentando conter o fogo com tecidos e bolsas. Após o pouso seguro, a companhia aérea providenciou outra aeronave para transportar os passageiros até o destino final.

Voo foi desviado após identificação de fumaça

O voo 6E 6115 era operado por um Airbus A321 e partiu do Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em Nova Délhi, às 13h30. A chegada a Chennai estava prevista para as 16h, de acordo com a plataforma de monitoramento FlightAware.

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No entanto, a identificação de fumaça proveniente de um aparelho eletrônico levou à mudança de rota. Em comunicado, a IndiGo afirmou que a tripulação agiu rapidamente para controlar a situação e que os pilotos seguiram os procedimentos de segurança estabelecidos.

A aeronave pousou no Aeroporto Internacional Rajiv Gandhi, em Hyderabad, às 15h59. A empresa informou que disponibilizou outro avião para completar o transporte dos passageiros até Chennai.

A companhia também lamentou os transtornos provocados pelo desvio e afirmou que ofereceu lanches, bebidas e informações atualizadas aos clientes enquanto organizava a continuação da viagem.

IndiGo já registrou outros casos com carregadores portáteis

O episódio deste domingo não foi o primeiro incidente envolvendo um carregador portátil em um avião da companhia. Em 5 de maio de 2026, outro dispositivo pegou fogo em um voo da IndiGo após a chegada da aeronave a Chandigarh, procedente de Hyderabad.

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Na ocasião, o avião transportava 204 pessoas, incluindo os integrantes da tripulação. O aparelho começou a liberar fumaça e chamas, que se espalharam pela cabine. Uma emergência foi declarada, e todos os passageiros precisaram deixar a aeronave. Cinco pessoas ficaram feridas.

Outro caso semelhante foi registrado em 19 de outubro de 2025, em um voo que partiria de Délhi com destino a Dimapur. Naquele episódio, o carregador portátil estava no bolso do encosto de um assento e pegou fogo enquanto o avião se deslocava pelo solo para iniciar a decolagem.

Por causa do incidente, a aeronave precisou retornar à posição de taxiamento no Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em Nova Délhi.

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