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Sinais de que é hora de passar o bastão para novos líderes

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Joe Biden fez seu primeiro discurso na quarta-feira (24) desde que anunciou sua desistência da corrida presidencial nos Estados Unidos. Ao endossar Kamala Harris, atual vice-presidente, ele explicou a decisão de desistir da candidatura: “A melhor maneira de seguir em frente é passar a tocha para uma nova geração.”
Surge então um questionamento: existe momento certo para deixar alguém mais jovem assumir a liderança? Essa decisão não diz respeito apenas à preparação pessoal; também envolve reconhecer o impacto na força de trabalho e na próxima geração de aspirantes a líderes.
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Antes da saída de Biden, havia argumentos de ambos os lados: aqueles que achavam que ele fez um ótimo trabalho nos últimos quatro anos e que a idade não deveria determinar suas capacidades, e outros que queriam que ele se afastasse e deixasse um líder mais jovem ter a chance de guiar o partido democrático.
Profissionais das gerações Z e Y que estão ansiosos para avançar na carreira podem ver os caminhos bloqueados pelos Baby Boomers (de 60 a 78 anos) que relutam em se aposentar.
Existe um momento em que é preciso se despedir com a cabeça erguida e inspirar as gerações mais jovens a assumir posições de liderança. Confira alguns sinais de que chegou a hora de se afastar do cargo e entenda como lidar com essa transição.
5 sinais de que é hora de passar o bastão da liderança
Resistência à mudança
O mundo dos negócios está em constante evolução. Se você percebe que está resistindo a novas tecnologias, metodologias ou estratégias, isso pode indicar que sua abordagem está se tornando desatualizada. Novas perspectivas são cruciais para manter uma empresa competitiva e inovadora.
Diminuição do entusiasmo
Com o tempo, a faísca inicial que alimentou sua carreira diminui. Se você se sente menos animado com suas tarefas diárias e com os objetivos gerais da sua companhia, pode ser um sinal de que é hora de seguir em frente.
Fadiga física e mental
As demandas de um trabalho de alto nível podem prejudicar sua saúde. Estresse crônico, exaustão e outros problemas de saúde são indicadores de que pode ser hora de considerar a aposentadoria ou novas oportunidades.
Maior desejo de tempo pessoal
Se você deseja passar mais tempo com a família, seguir hobbies, viajar ou simplesmente relaxar, esses são motivos legítimos para considerar se afastar. A vida fora do trabalho é igualmente importante.
Mentoria tem mais impacto do que a gestão
Quando você tem mais alegria em orientar e apoiar colegas mais jovens do que em gerenciar as operações diárias, pode ser a hora de fazer a transição para um papel mais consultivo.
Ficar além da conta tem suas desvantagens
Também existem possíveis desvantagens em “ficar além da conta” na mesma posição de liderança. Confira algumas:
Caminhos bloqueados
Manter sua posição por muito tempo limita as oportunidades para profissionais mais jovens. Novos graduados e líderes emergentes precisam de espaço para crescer, ganhar experiência e ascender na carreira. Quando cargos seniores são ocupados por aqueles que relutam em se aposentar, isso pode impedir o fluxo natural de progressão de carreira.
Implicações econômicas
Profissionais jovens estão em uma fase da vida em que buscam estabilidade financeira. Eles estão comprando casas, formando famílias e pagando empréstimos estudantis. Ao não desocupar cargos seniores, os Boomers dificultam o crescimento econômico e a estabilidade da próxima geração.
Menos inovação
As gerações mais jovens trazem novas ideias, perspectivas e uma disposição para abraçar mudanças. As organizações prosperam com a inovação e a adaptabilidade, e isso frequentemente vem com novos talentos.
Saúde
Fazer hora extra em uma posição ou empresa que já não te brilham o olho como um dia fizeram também pode trazer impactos para sua saúde, física e mental. Está tudo bem em não ter mais o mesmo ritmo e disposição que as funções exigem.
Por que alguns não largam o osso?
Se você é um millennial ou parte da geração Z, é importante ter compreensão e empatia pela perspectiva dos Boomers. Veja algumas razões pelas quais eles podem estar relutantes em deixar suas posições de líderes.
Sentido de propósito
Para muitos Boomers, o trabalho proporciona um senso de propósito e identidade. A aposentadoria pode parecer que estão perdendo uma parte de si mesmos. Não se trata apenas de dinheiro; é sobre permanecer relevante, contribuir e manter conexões sociais.
Medo da irrelevância
Deixar uma carreira de longo prazo pode trazer medos de se tornar irrelevante ou perder sua influência. Isso pode ser uma perspectiva assustadora, especialmente para aqueles que dedicaram décadas à sua profissão. Compreender esse aspecto emocional é crucial.
Como sair com a cabeça erguida
Aqui estão algumas maneiras para fazer a transição, se chegar à conclusão de que é hora de passar o bastão.
Vá devagar
Em vez de uma saída abrupta, considere uma transição gradual. Participe de programas de mentoria para transmitir seu conhecimento e experiência a colegas mais jovens. Isso pode criar uma transferência suave e garantir o sucesso contínuo da organização.
Adote papéis consultivos
Muitas empresas valorizam a experiência de seus funcionários seniores. A transição para um papel consultivo permite que você se mantenha conectado e contribua significativamente sem estar no dia a dia. Isso pode proporcionar um senso de propósito enquanto abre espaço para talentos mais jovens se tornarem líderes.
Explore novos ramos
A aposentadoria não precisa significar o fim da produtividade. Muitos profissionais encontram realização em trabalhos voluntários, iniciando novos negócios ou perseguindo paixões que foram deixadas de lado durante suas carreiras. Explorar esses ramos pode ajudar a mitigar a perda de propósito associada à aposentadoria.
Mais um passo na jornada
Saber quando é a hora de fechar um ciclo na carreira é uma parte desafiadora, mas necessária, da vida profissional. Requer autoconsciência, empatia e disposição para abraçar a mudança. Reconhecendo os sinais de que é hora de seguir em frente, você pode garantir que sua saída seja digna e benéfica para todas as partes envolvidas.
Para a geração mais jovem, é uma chance de assumir, trazer novas ideias e continuar o legado. Para aqueles que estão se afastando, é uma oportunidade de explorar novos caminhos, orientar a próxima geração e deixar um impacto duradouro.
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*Elizabeth Pearson é colaboradora da Forbes US. Ela é consultora de carreira, autora, podcaster e palestrante com foco em mulheres.
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Lenovo Tem Novo Presidente na América Latina
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A Lenovo nomeou Diego Majdalani como vice-presidente sênior e presidente para a América Latina. Com mais de 25 anos de experiência no setor de tecnologia, o executivo assumiu formalmente em 12 de outubro.
O argentino chega à companhia após 17 anos na concorrente Dell Technologies, onde mais recentemente atuou como presidente de canais para mercados internacionais (entre 2020 e 2024) e liderou os negócios na América Latina por mais de 10 anos.
O executivo sucede a Sergio Buniac, que liderou a Motorola, empresa do Grupo Lenovo, e foi vice-presidente sênior da companhia por 30 anos. Em setembro, Buniac assumiu como VP executivo da fabricante de chips Qualcomm.
Diego assume a operação na América Latina com a missão de acelerar o crescimento dos negócios e a adoção de inteligência artificial na região, integrando sob sua liderança as áreas de PCs, dispositivos móveis e infraestrutura da Lenovo, empresa global de tecnologia com receita de US$ 83 bilhões.
“O foco da Lenovo em IA é uma das razões pelas quais vejo uma grande oportunidade de ajudar os clientes a adotar essa transformação e alcançar resultados práticos, alinhados às suas prioridades e ambições”, escreveu o novo presidente para a América Latina em um post no seu perfil no LinkedIn.
“A América Latina é uma região importante para o crescimento para a Lenovo, com forte impulso em todos os setores”, afirma Matt Zielinski, vice-presidente executivo e presidente de Mercados Internacionais da Lenovo.
O executivo argentino adianta que as primeiras semanas na posição serão dedicadas a ouvir clientes, parceiros e times. “Ao longo da minha carreira, aprendi que o sucesso duradouro começa com a compreensão das necessidades dos clientes, a construção de relações de confiança com parceiros e o fortalecimento das equipes.”
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PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
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A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
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O que o esporte ensina aos grandes CEOs

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Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.
Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.
É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.
Marcelo Zimet, o homem de ferro
São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”
Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”
Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”
A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.
O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.
Fernanda Hoe nada em águas abertas
Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.
Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”
Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.
A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.
A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.
O tênis na vida de Ana Célia Biondi
A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.
O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”
Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”
Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”
Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.
A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.
Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.
Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”
Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.
Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”
Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”
Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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