Negócios
CEO da Diageo: “Nunca Tive Medo de Ir”

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Paula Lindenberg assumiu a liderança da Diageo no Brasil em janeiro de 2022; no final daquele ano, fez parte da lista Forbes dos Melhores CEOs do país
Paula Lindenberg é movida pelo novo. Aos 11 anos, participou de um acampamento com crianças do mundo todo na Noruega, sem falar uma palavra de inglês. Gostou tanto que com 13, foi para o México, aos 15, morou na Suécia e aos 17, no Japão. “Ser aventureira e me jogar em lugares desconhecidos é um pouco da minha marca”, diz a CEO da Diageo no Brasil.
Na vida profissional, não foi diferente. Mas depois de viajar o mundo e ocupar posições de destaque nos Estados Unidos, na Europa e na América do Sul, a oportunidade de voltar ao Brasil com a família e liderar uma empresa no seu próprio país brilhou os olhos da paulistana com rodinhas nos pés. “Nunca tive medo de ir, mas sempre voltei. Hoje em dia construir para o meu país é o que faz meu coração bater.”
Com metas ambiciosas, Paula assumiu a liderança da maior fabricante de destilados do mundo em janeiro de 2022, vinda de duas décadas na Ambev. “Hoje, a empresa [no Brasil] é duas vezes maior do que era antes da pandemia”, afirma a executiva. A Diageo é líder nos segmentos em que atua – whisky, com Johnnie Walker; vodka, com Smirnoff; e gin, com Tanqueray –, mas tem apenas 3% do mercado de álcool no país, o que é sinônimo de oportunidade para a executiva. “Temos um espaço enorme para continuar desenvolvendo nossas categorias e dobrar a companhia de novo.”
Volta ao mundo
Formada em administração, Paula começou a carreira na Johnson & Johnson como executiva de marketing. Ocupou o mesmo cargo na Unilever e na Philip Morris antes de chegar à Ambev, em 2001, no marketing da Skol.
Aos 24 anos, era gerente de produto quando recebeu um convite para ir para Guayaquil, no Equador, liderar a segunda maior cervejaria do país, recém-adquirida pela Ambev. “Claramente não tinha experiência para aquela posição, mas era uma mega oportunidade de arregaçar as mangas e aprender”, lembra. “Nunca errei tanto, mas também nunca me desenvolvi tanto.”
Voltou ao Brasil já como diretora de Brahma, na época a segunda principal marca no portfólio da companhia, aos 28 anos. “Ficou muito claro para mim que quando você sai da sua zona de conforto, é o momento em que você cresce mais.”
Essa mentalidade a levou primeiro a Nova York, já mãe de duas filhas, como vice-presidente global de insights da Ambev, onde ficou por três anos. E mais uma vez voltou a viver em solo brasileiro, como CMO, antes de fazer as malas de novo.
O próximo passo foi se mudar para a Inglaterra para assumir a presidência da Budweiser, em 2019, e em 2020 liderar as operações da AB Inbev no Reino Unido, Irlanda e depois também na Espanha e nas Ilhas Canárias. “Tinha a experiência de marketing e de repente precisava cuidar de logística e outros assuntos no meio da discussão do Brexit.”
Grandes poderes, grandes responsabilidades
A executiva construiu quase toda a sua carreira na indústria de bebidas alcoólicas, viu e viveu diferentes momentos do setor. Foi a primeira mulher a se tornar vice-presidente da Ambev. “Foram poucas referências de mulheres líderes na minha carreira, mas tive muita ajuda.”
Sob sua liderança, a companhia se comprometeu a não veicular mais propagandas que objetificassem as mulheres, como era comum em comerciais de cerveja até então. “As marcas, assim como as pessoas, precisam reconhecer que erraram e estão dispostas a melhorar. Começamos com uma ação da Skol e depois vimos isso se refletir nas ações da concorrência.”
Quando assume uma nova posição, Paula reflete sobre como pode deixar sua marca e usar sua influência para “chacoalhar” as estruturas. Em 2022, a Diageo lançou o movimento Bares Livres de Assédio, que promoveu treinamentos para funcionários de estabelecimentos. Em uma ação de Johnnie Walker em 2023, a cantora Alaíde Costa, pioneira da bossa nova, foi convidada a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York – uma iniciativa de reparação histórica que recebeu um Grand Prix em Cannes este ano. “O papel da marca é muito mais do que vender whisky. É ajudar a nossa sociedade a caminhar para um lugar melhor.”
Menos álcool?
O mercado também caminha para um novo momento, agora em relação ao consumo de álcool. A tendência é de queda, especialmente entre os mais jovens, mostram pesquisas.
E esse cenário pesa para as companhias: após três anos seguidos de expansão, as vendas globais da Diageo praticamente estagnaram. O balanço registrou queda de 1,4% no ano fiscal encerrado em junho deste ano, com 20,3 bilhões de libras esterlinas. “Nosso escopo é a celebração, e isso sempre vai existir. Mas precisamos estar atentos para as necessidades que estão sendo criadas”, diz a executiva, citando a estratégia da companhia de expandir o público e as ocasiões de consumo.
A ideia é dar espaço para bebidas mais leves, diurnas e menos calóricas para acompanhar a demanda dos consumidores e facilitar a entrada de um público menos familiarizado com as categorias – as mulheres, por exemplo, são a maior oportunidade de crescimento da indústria.
Isso levou ao lançamento de Johnnie Walker Blonde, um whisky voltado para uso em coquetéis, e o Tanqueray Bossa Nova, desenvolvido para ser misturado com água com gás. Também está sendo estudada a possibilidade de trazer produtos como o Tanqueray Zero Álcool, já presente na Europa e nos Estados Unidos, para o Brasil. “Quando a gente fala que quer crescer em um país muito cervejeiro, é um convite para o time mudar o status quo e criar um negócio novo.”
Diversidade é estratégia de negócio
Para se conectar com diferentes públicos e atrair a geração Z, Paula reconhece o valor de encontrar diversidade dentro de casa. “Boas ideias vêm de todos os lugares, a gente só precisa dar espaço para que essas conversas aconteçam”, diz. Neste novembro, mês da Consciência Negra, a CEO da Diageo emprestou seu LinkedIn para que profissionais negros – do aprendiz ao C-Level – falassem com seus mais de 20 mil seguidores na rede. “Já estamos bem adiantados na pauta de gênero, e agora queremos fazer cada vez mais na questão racial”, diz ela, que também é conselheira do Mover. A coalização com mais de 50 grandes empresas, incluindo a Diageo, quer levar 10 mil pessoas negras a posições de liderança no Brasil até 2030.
Esse olhar precisa começar do topo, e começa mesmo. A multinacional britânica é a maior empresa listada na bolsa de Londres liderada por uma mulher – Debra Crew –, e tem como meta atingir 50% de mulheres na alta liderança em todo o mundo. No Brasil, esse objetivo já foi atingido, com o impulso de ações como promoção de vagas afirmativas e licença parental. “Abraço a causa porque é o certo para ter uma sociedade mais justa e porque é o melhor para o negócio.”
A trajetória de Paula Lindenberg, CEO da Diageo
Primeiro cargo de liderança
“Foi na Philips Morris, com uns 23 anos, quando virei gerente júnior de Marlboro e ganhei meu primeiro estagiário. É um daqueles momentos que te fazem ser mais intencional no trabalho, entender até onde posso ir e quando dou espaço. Talvez tenha sido minha primeira tentativa de ter mais autoconsciência no trabalho e desenvolver o outro.”
Quem me ajudou
“No início da minha carreira, o fato de estar junto e observar os outros me ajudou a aprender muito. Você pode olhar e copiar aquilo que você acha certo, o que foi fazendo eu me desenvolver e ter muitos exemplos ao longo da carreira. Pessoas em quem eu me espelhava, com quem eu buscava aprender e para quem eu pedia feedback e que me forçaram a ficar melhor. Não só chefes e pessoas mais seniores, mas muitos exemplos de pares, que se tornam aliados e vão construindo junto. A posição de liderança é mais solitária, então ao longo da carreira é super importante formar essas parcerias com pessoas que vão te dar um toque e te fazer perceber aquilo que você pode fazer melhor. Hoje, eu tenho coach externo e conto com meu chefe de Miami. Mas o jovem no início da carreira não pode perder essa oportunidade de estar perto das pessoas, criar as conexões e esse espaço de aprendizado. Só quando a gente tem consciência dos nossos gaps, a gente vai endereçar.”
Turning point
“Os turning points para mim foram momentos de frio na barriga. Toda vez que assumi algo novo, seja fora do país, mudando de empresa, num cargo que achei que não estava preparada ou que nenhuma mulher tinha feito. Quando você está com esse frio na barriga é quando você está mais atenta ao outro, aberta às parcerias, a aprender e a testar. E é aí que você vai dando saltos.”
O que ainda quero fazer
“Na minha carreira, o que me estimula é a sensação de estar aprendendo. Hoje ainda sinto que tenho um monte de coisas para aprender. Além do conselho do Mover, eu participo do conselho da JD que é uma empresa de café. É um outro lugar em que eu aprendo muito, uma chance de ver o que está acontecendo no mundo e traduzir o que faz sentido para a gente aqui. Quero estar sempre buscando o desconhecido e continuar aprendendo. E pessoalmente, conseguir balancear família, amigos e saúde mental. E um dia ainda vou abrir uma floricultura, algo que tem a ver com criatividade. Quero cada vez mais ter espaço para isso.”
Causas que abraço
“A diversidade, sem dúvida. Eu realmente acho que nem sempre um grupo diverso é o mais rápido para tomar decisão, e rapidez é importante no negócio. Mas provavelmente a decisão vai ser melhor. Eu abraço a diversidade como causa porque acho que é o certo para ter uma sociedade mais justa e porque também é o melhor para o business. No começo da carreira, bater meta e ser promovida fazem o olho brilhar. Hoje em dia, é claro que eu gosto de bater meta, mas ver as pessoas se desenvolvendo, algumas que eu já mentorei ou mentoro, ocupando espaços, deixando as suas marcas, voando alto, ver gente se desenvolver é o outro lado que traz muito sentido para o trabalho.”
Veja outras executivas do Minha Jornada
A coluna Minha Jornada conta histórias de mulheres que trilharam vidas e carreiras de sucesso.
O post CEO da Diageo: “Nunca Tive Medo de Ir” apareceu primeiro em Forbes Brasil.
Powered by WPeMatico
Negócios
O que muda para empresas e funcionários com o fim da Escala 6×1

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em uma decisão histórica, o plenário do Senado Federal aprovou na noite de quarta-feira (14), em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 de trabalho, em que o empregado trabalha seis dias na semana e folga um.
Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos. O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a 77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.
O que muda com o fim da 6×1
O texto prevê folga remunerada obrigatório de dois dias por semana (uma delas preferencialmente no domingo), em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.
A mudança representa um marco na luta por direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais, e concede um dia a mais de descanso para que trabalhadores com carteira assinada possam descansar, ampliar o convívio com a família e ter mais tempo de lazer e estudos.
A proposta também preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para disciplinar situações específicas e categorias submetidas a regimes diferenciados.
Quando passa a valer a nova escala
Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Veja as regras de transição:
- Escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- Redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias);
- Jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 (em 14 meses).
Como será feito o cálculo das horas de trabalho?
No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação (quando a escala será de até 42 horas semanais em 5 dias de trabalho), o empregador deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço. Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana.
Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em 5 dias na semana. Para trabalhar mais horas, apenas mediante pagamento de hora-extra.
Exceções
O texto permite, excepcionalmente, e mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho, que seja estabelecido regime compensatório que permita escala diferente da 5×2.
Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”, garantindo “o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.
Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6×1, desde que prevista em acordo coletivo. Nesse caso, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês. Ao final desse mês, ele terá que ter gozado, na média, o equivalente a duas folgas remuneradas por semana.
A proposta também prevê que lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para os MEIs (microempreendedores individuais), microempresas e empresas de pequeno porte.
Salários acima de R$ 21 mil
A PEC também prevê jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que seja mantida a escala 5×2. Nesses casos, a duração da jornada poderá ser definida por negociação direta entre empregador e empregado.
Nesses casos, a redução da jornada só ocorrerá por liberalidade do empregador (quando é concedido sem obrigação legal) ou se estiver prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto, contudo, determina a realização da escala 5×2 nesses casos.
Quem será beneficiado
Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), elaborada com base em dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), apontou que 80% dos vínculos com jornadas superiores a 40 horas semanais tinham salários contratuais de até dois salários mínimos (atualmente em R$ 3.242). O percentual chegava a 90% quando considerado o limite de três salários mínimos (R$ 4.863).
Os vínculos com contratos de até 40 horas semanais registravam remuneração mensal média de R$ 6.211,16. Já os trabalhadores contratados para jornadas de 44 horas recebiam, em média, cerca de 42,3% desse valor, ou seja, cerca de R$ 2.627,32.
A escolaridade também aparece associada à duração da jornada. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade inferior tinham jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre aqueles com ensino superior completo, a proporção era de 53%.
Uma outra pesquisa apontou que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores. O número reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.
Os dados são de um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), elaborado com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, referente a 2025. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda trabalham acima da jornada de 40 horas semanais.
Terceirizados do Estado
A regra de transição para os trabalhadores terceirizados do poder público é diferente, sob o argumento de “evitar riscos de descontinuidade na prestação de serviços públicos essenciais executados mediante terceirização”.
As empresas que prestam serviços para o Estado terão prazo de 12 meses após a promulgação da emenda, e não 60 dias como as demais, para acabar com a escala 6×1 dos empregados.
Os contratos aditados após 60 dias da promulgação da emenda já terão que observar a nova jornada de trabalho instituída pela PEC.
Aprovação e próximos passos
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Casa legislativa, manteve o mesmo texto aprovado pelos deputados há cinco meses, de forma que a proposta não precisará retornar à Câmara e poderá seguir diretamente para a promulgação.
A votação em primeiro e segundo turnos na mesma noite foi possível após a aprovação, em votação simbólica, de um requerimento de calendário especial, feito por líderes partidários, que dispensou a exigência de novas sessões deliberativas para análise da proposta.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC chegou em agosto ao Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi levada à discussão em plenário na semana passada, após compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
O post O Que Muda para Empresas e Funcionários com o Fim da Escala 6×1 apareceu primeiro em Forbes Brasil.
Powered by WPeMatico
Negócios
PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
O post PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil apareceu primeiro em Forbes Brasil.
Powered by WPeMatico
Negócios
O que o esporte ensina aos grandes CEOs

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.
Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.
É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.
Marcelo Zimet, o homem de ferro
São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”
Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”
Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”
A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.
O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.
Fernanda Hoe nada em águas abertas
Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.
Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”
Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.
A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.
A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.
O tênis na vida de Ana Célia Biondi
A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.
O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”
Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”
Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”
Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.
A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.
Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.
Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”
Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.
Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”
Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”
Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
O post O Que o Esporte Ensina aos Grandes CEOs apareceu primeiro em Forbes Brasil.
Powered by WPeMatico
-

Geral2 dias agoInmet alerta para risco de chuvas intensas em 53 cidades do Espírito Santo até terça-feira (20)
-

Cidades2 dias agoCariacica: mais de 1.200 vagas de emprego! Confira as oportunidades na Agência de Empregos
-

Tecnologia1 dia agoSom que envolve: headsets 7.1 surround em promoção na Amazon
-

Economia14 horas agoGoverno pretende realocar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027
-

Geral17 horas agoFENARQ DESIGN 2026 reúne o maior movimento da construção, do mercado imobiliário e do design de interiores do Espírito Santo
-

Tecnologia10 horas ago“Grampo” na OpenAI: juiz vê risco de fuga e nega liberdade a ex-engenheiro da empresa
-

Eleições 202617 minutos agoNova pesquisa: diferença entre Pazolini e Ricardo diminui para o Governo do ES



















