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Como Quebrar o Ciclo da Jornada de Trabalho Infinita

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

 

Você acorda cedo e já encontra a caixa de entrada lotada de e-mails de trabalho. Ao longo do dia, as notificações te interrompem a cada dois minutos e, à noite, você ainda está tentando colocar tudo em dia.

Se isso soa familiar, você está preso no que a Microsoft chama de “jornada de trabalho infinita”: um ciclo aparentemente interminável em que o trabalho não tem começo nem fim claros.

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Uma análise recente da big tech mostra que os profissionais enfrentam, em média, 275 interrupções por dia. Para 40% das pessoas, o dia já começa checando e-mails às 6h, e quase um terço delas volta à caixa de entrada às 22h.

Embora a inteligência artificial prometa automatizar tarefas rotineiras e agilizar fluxos de trabalho, a tecnologia sozinha não consegue resolver essa crise. Para mudar esse cenário, as organizações precisam adotar uma mudança cultural, com limites saudáveis, lideranças mais conscientes e foco no bem-estar.

Como romper com a “jornada de trabalho infinita”

Dia tomado por reuniões

O agendamento de reuniões já impõe desafios. Metade delas ocorre entre 9h e 11h e 13h e 15h, justamente nos períodos em que, segundo neurocientistas, estamos no auge da produtividade por conta do ritmo circadiano. Em vez de aproveitar esses momentos para trabalhos profundos, as empresas e equipes os preenchem com atividades colaborativas que dispersam o foco.

O ciclo do trabalho reativo

Os dados mostram que quase 60% das reuniões são convocadas de forma improvisada, sem convite prévio no calendário, e uma em cada dez é marcada de última hora. As edições de apresentações no PowerPoint aumentam 122% nos dez minutos anteriores às reuniões, indicando uma preparação de última hora generalizada. “É o equivalente profissional a ter que montar a bicicleta toda vez antes de pedalar”, observam os pesquisadores da Microsoft. “Gasta-se muita energia tentando organizar o caos antes que o trabalho de fato possa começar.”

Boom de trabalho fora do expediente

O estudo revela um aumento de 16% nas reuniões após as 20h em um ano, impulsionado por equipes distribuídas globalmente e modelos de trabalho mais flexíveis.

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Hoje, um funcionário médio envia ou recebe 58 mensagens instantâneas fora do horário de trabalho, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior.

Essa urgência se estende também aos fins de semana: quase 20% dos profissionais continuam trabalhando aos sábados e domingos, e mais de 5% retomam os e-mails no domingo à noite, gerando o que se conhece como “Sunday scaries” – aquela ansiedade típica do final do fim de semana.

Por que só a IA não resolve o problema

Expectativa x realidade

Muitas organizações apostam que a automação com o uso da IA otimiza tarefas repetitivas e traz ganhos em produtividade. A Microsoft destaca as chamadas “empresas de fronteira” (Frontier Firms), organizações que operam na vanguarda da inovação, e adoção tecnológica dentro de seus setores, nas quais a IA foi implementada com sucesso. Cerca de 70% dos funcionários dizem que a empresa prospera, contra apenas 37% globalmente.

Mas esse sucesso não vem apenas com a adoção de novas ferramentas. Essas empresas redesenham seus processos com base na IA.

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Uma pesquisa da Universidade Cornell confirma essa visão: ao analisar mais de 7 mil profissionais do conhecimento, descobriu-se que as ferramentas de IA ajudaram a reduzir o tempo gasto com e-mails e documentos, mas tiveram pouco impacto em reuniões ou trabalhos colaborativos – que são justamente os principais vilões da jornada infinita.

Ou seja, sem repensar como as equipes se organizam e se comunicam, a IA sozinha não resolve uma cultura de trabalho sempre ativa.

A complexidade oculta da implementação de IA

Ser uma “empresa de fronteira” exige mais do que simplesmente adotar certas ferramentas. Segundo Jamie Teevan, cientista-chefe da Microsoft, criar comandos eficazes para a IA aumenta nossa carga metacognitiva. Ou seja, exige clareza de raciocínio sobre os passos desejados e habilidade para transformar conhecimento tácito em instruções explícitas.

“A IA traz ganhos reais de produtividade, mas não é suficiente”, destaca Teevan. “A velocidade dos negócios ainda supera a forma como trabalhamos hoje.”

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A necessidade de repensar processos

Muitas empresas tratam a IA apenas como mais um software, em vez de enxergá-la como um catalisador para a transformação dos processos. Alexia Cambon, pesquisadora do Work Trend Index da Microsoft, sugere ver a IA como “um colega digital”, ao qual se pode delegar tarefas inteiras.

Das 31 mil empresas analisadas pela Microsoft, apenas 840 foram enquadradas como empresas de fronteira – em sua maioria, startups ou companhias nativas de tecnologia que já nasceram com seus processos moldados pela IA.

Como a liderança pode romper o ciclo da jornada infinita

A raiz do problema

A jornada infinita persiste porque líderes ainda não questionaram de forma profunda como o trabalho é estruturado e valorizado. O estudo mostra que, para que a adoção da IA funcione, é preciso mudar a gestão, e não apenas adotar novas ferramentas.

Mudança de mentalidade

Romper o ciclo exige que líderes parem de enxergar a IA como apenas uma ferramenta de produtividade e passem a repensar o trabalho desde a base, focando em resultados (e não em atividades) e desenhando processos a partir da capacidade humana, e não apenas tecnológica.

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O que as “empresas de fronteira” fazem diferente

Essas organizações adotam práticas específicas de liderança, como:

  • Focar em impacto, não em volume de tarefas: priorizar os 20% que geram 80% do valor.
  • Redesenhar processos, não apenas automatizar: questionar se relatórios de status são realmente necessários.
  • Usar a IA como agente autônomo: delegar fluxos inteiros à IA, com funcionários atuando como gestores dos sistemas.
  • Adotar estruturas organizacionais mais horizontais: formar times por projeto, e não por função, permitindo agilidade e aproveitamento inteligente da IA.

O que as empresas podem fazer agora

Mesmo sem grandes investimentos em IA, é possível começar com mudanças práticas:

Redesenhe o tempo e o foco

  • Proteja os horários de pico de produtividade: implemente períodos sem reuniões entre 9h–11h e 13h–15h para trabalhos focados.
  • Reformule a cultura de reuniões: padronize critérios claros sobre quando reuniões são realmente necessárias, exigindo pauta, objetivos e limite de tempo.
  • Crie blocos de foco ininterrupto: agende períodos para trabalho individual profundo, tratados como compromissos inadiáveis.

Estabeleça protocolos de comunicação

  • Defina limites claros: agrupe tarefas semelhantes e determine horários específicos para responder e-mails, evitando interrupções constantes.
  • Implemente períodos de recuperação: adote políticas como o “direito à desconexão” e evite o envio de mensagens fora do expediente.
  • Comunique expectativas de resposta: esclareça prazos razoáveis para respostas, reduzindo a pressão por retornos imediatos.

Foque no que realmente importa

  • Aplique o Princípio de Pareto (Regra 80/20): analise quais tarefas trazem mais valor e corte o que consome tempo sem gerar resultado.
  • Elimine atividades de baixo impacto: revise reuniões, relatórios e processos trimestralmente para eliminar o que não agrega.
  • Priorize iniciativas estratégicas: garanta tempo e recursos protegidos para projetos de alto impacto, sem deixá-los ser ofuscados por urgências menores.

Como escapar da jornada de trabalho infinita

As empresas que conseguirem sair dessa armadilha vão entender que o problema é organizacional, não tecnológico. Elas não usarão a IA apenas para acelerar um sistema quebrado, mas para reorganizar o trabalho com foco na capacidade humana e no propósito organizacional.

Os líderes que enxergarem essa diferença terão condições de criar ambientes que aproveitem ao máximo o potencial humano e da IA, rumo a uma performance sustentável e equilibrada.

A questão não é se a inteligência artificial vai mudar o trabalho, mas se os líderes vão aproveitar essa transformação para finalmente desenhar um trabalho que funcione para as pessoas.

*Caroline Castrillon é colaboradora da Forbes USA. Ela é mentora de liderança corporativa e ajuda mulheres a lidar com mudanças em suas carreiras.

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CEO do Google Compartilha 3 Conselhos Que o Ajudaram a “Acertar Mais do Que Errar”

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O Google e sua empresa controladora, Alphabet, estão no centro da revolução da inteligência artificial. Mas Sundar Pichai, o CEO de ambas, não fez menção a como a IA está transformando a força de trabalho em seu discurso na formatura da Universidade de Stanford, líder em pesquisa de IA, na última semana.

“O conselho mais atemporal que aprendi é agnóstico em relação à tecnologia”, disse Sundar, cujo patrimônio líquido de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) lhe garantiu um lugar na lista de Bilionários da Forbes de 2026. “É sobre você, a vida que deseja construir para si mesmo e as escolhas que o ajudam a buscar essa vida.”

Embora o executivo tenha evitado as vaias que outros oradores receberam ao exaltarem a tecnologia em formaturas, seu discurso se desenrolou em um cenário de estudantes saindo em protesto contra as ligações do Google com o governo israelense e seus contratos polêmicos com o governo dos EUA.

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Em vez de responder a essas críticas ou oferecer previsões sobre o que a IA pode ou não fazer, Sundar falou à turma de formandos sobre os três princípios que o ajudaram a “acertar em mais momentos do que errar”, enquanto passava de um estudante de pós-graduação da Universidade de Stanford vindo da Índia e com dificuldades financeiras para liderar uma das empresas de tecnologia mais valiosas e influentes do mundo.

3 conselhos de carreira de Sundar Pichai, CEO do Google

1. Escolha o otimismo

Sundar reconheceu que os jovens profissionais de hoje enfrentam muitos desafios, incluindo conflitos globais, ansiedade econômica e uma reestruturação tecnológica. “É fácil olhar para as notícias do dia e pensar que estamos vivendo em tempos desafiadores.”

Mas ele argumentou que cada geração enfrentou sua própria cota de dificuldades e que o mais importante é como você reage a elas. “Não podemos escolher o mundo no qual nos formamos, mas podemos escolher como encaramos as nossas circunstâncias”, disse o CEO da big tech.

Ele compartilhou uma história sobre chegar à Califórnia vindo da Índia e dizer na frente de seu anfitrião que as colinas ao redor de Stanford pareciam marrons, quando seu anfitrião o corrigiu gentilmente e disse: “Preferimos chamá-las de douradas.”

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Para ele, essa pequena reformulação tornou-se uma lição sobre ver o lado positivo das coisas. Foi essa perspectiva que mais tarde o ajudou a superar contratempos, incluindo deixar seu programa de doutorado em Stanford e, em vez disso, obter um mestrado porque ele precisava de um emprego o quanto antes.

2. Não fuja da dificuldade

Sundar ingressou no Google em 2004 como gerente de projetos e liderou o desenvolvimento do Google Chrome em seus primeiros anos na empresa. No início, ele disse que muitas pessoas internamente acreditavam que a construção de um navegador exigiria centenas de engenheiros e anos de esforço, mas o executivo e sua equipe tinham apenas 10 pessoas. “O consenso estava certo: ia ser muito difícil. De certa forma, fomos ingênuos, e é bom ser um pouco irracional ao abordar coisas novas.”

Quando foi lançado em 2008, o Chrome teve oito milhões de usuários nas primeiras 24 horas, mas logo depois o crescimento de usuários começou a estagnar e o Google enfrentou críticas dos concorrentes. Embora esse momento pudesse ter sido desmoralizante, ele disse ter aprendido que trabalhar em coisas difíceis ensina muito e “normalmente atrai outras pessoas excelentes e otimistas”.

“Mesmo que você não consiga atingir as metas elevadas que estabeleceu, ainda assim alcançará algo grandioso”, afirmou aos formandos. “Portanto, quando tiver a escolha de trabalhar em algo difícil, diga sim.” Hoje, o Google Chrome é o navegador mais usado no mundo.

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3. Faça o que te entusiasma

Sundar incentivou os formandos a prestarem atenção no que os energiza e disse que, para ele, sempre foi a tecnologia. “Quanto mais acesso minha família tinha, melhores as nossas vidas ficavam.”

O CEO acrescentou que seu amor pela tecnologia foi o que o levou a aceitar uma oferta do Google e agarrar a chance de trabalhar em projetos como Chromebooks e Android. “Ver a computação mudar a vida das pessoas como havia mudado a minha foi a coisa mais emocionante do mundo para mim”, disse, ao refletir sobre os momentos diferentes em que via pessoas comuns usando e se beneficiando dos produtos que ele ajudou a construir.

“Ao olhar para o seu próprio caminho, não se concentre naquilo que seus pais querem que você faça, nem naquilo que todos os seus amigos estão fazendo ou no que a sociedade espera de você. Em vez disso, pense nas coisas que o mantém conversando animadamente com seu colega de quarto até tarde da noite e vá fazer essas coisas.”

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Depois de 20 anos de carreira, Maisa olha para o futuro: “meu combustível são os novos desafios”

Redação Informe ES

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Maisa conhece a fama desde os três anos de idade. Cresceu diante das câmeras e aos olhos de milhões de espectadores. Aos 24 anos, a “prima” dos brasileiros já acumula duas décadas de carreira e uma trajetória multifacetada: atua como atriz, apresentadora, dubladora, influenciadora e empresária.

À frente da Mudah, agência de marketing de influência que cofundou em 2020, gere talentos e atende clientes como Netflix e O Boticário. Nas telas, retorna aos cinemas nesta semana dando voz à antagonista Lilypad, em “Toy Story 5”.

A todo vapor, ela ainda quer muito mais. “Meu combustível são os novos desafios. Estou sempre aberta para eles”, diz em entrevista ao ForbesTalk, programa de videocast da Forbes Brasil. “Abraço como se fosse a coisa mais importante da minha vida, porque no final das contas, é.”

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O início de Maisa na TV

Reconhecida por 96% da população brasileira, segundo uma pesquisa da consultoria Ilumeo Data Science, Maisa relembra sua estreia inusitada na TV. Com apenas três anos, pediu aos pais para conhecer o apresentador Raul Gil.

Durante um teste para o programa, enquanto as outras crianças faziam coreografias ou apresentações ensaiadas, improvisou uma dança e acabou aprovada como assistente de palco. Pouco depois, seu jeito espontâneo e comunicativo chamou a atenção de Silvio Santos, que a levou para o SBT.

Foi na emissora, e como pupila de Silvio, que Maisa passou a infância e o início da adolescência. Nesse período, a base familiar funcionou como uma blindagem. Ao final de cada ano, os pais a chamavam para conversar e sugeriam que ela deixasse a TV para focar exclusivamente nos estudos. A resposta era sempre a mesma. “Era o que eu amava, e é o que me faz feliz até hoje. Eles pararam de perguntar quando eu fiz uns 15 anos, porque viram que eu realmente gostava de fazer isso.”

Trabalhar desde cedo com Silvio Santos foi uma escola de comunicação e liderança. “O Silvio me deu uma aula de como ser um bom patrão. Se um dia eu tiver uma empresa do tamanho da que ele teve, quero ser pelo menos um pouco do que ele foi.”

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Da TV ao streaming e à novela

A transição de criança prodígio para artista com autonomia sobre as próprias decisões ocorreu na mesma época em que integrou a lista Forbes Under 30. Com apenas 16 anos, ganhou um programa próprio no SBT e encarou uma rotina de gravações que ocupava até quatro dias de sua semana.

Dois anos depois, decidiu não renovar o contrato com o SBT para protagonizar a série “De Volta aos 15”, na Netflix. A decisão envolvia o risco do cancelamento da obra logo na primeira temporada, mas abriu caminho para novos formatos. “Sabe quando é algo que você mergulha de cabeça? Pensei: se não der certo, pelo menos eu sei que tentei.”

Em 2025, a atriz também marcou presença na TV Globo, de volta às novelas como sua primeira vilã, a Bia, em “Garota do Momento”. “Fiquei sete anos sem fazer novela. Quando anunciaram a personagem, fiquei pensando: ‘Será que eu ainda sei fazer isso?’”, conta. “A síndrome da impostora costuma me pegar no início do trabalho, mas depois que dou o pontapé inicial, fico mais aliviada.”

Além da atuação

Mesmo diante das câmeras, Maisa sempre teve uma veia empreendedora. O plano original era fundar uma agência publicitária aos 30 anos, quando a rotina de filmagens estivesse mais estável. No entanto, os planos foram acelerados quando seu empresário e atual sócio, Guilherme Oliveira, propôs o modelo de negócio. Com apenas 16 anos, acrescentou o título de empresária ao fundar a Mudah.

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“Quero que a voz dos criadores seja escutada, que eles sejam valorizados e que façam o trabalho com naturalidade. Nós estamos ali para estruturar e dar as melhores ferramentas.”

Maisa também incorpora a sustentabilidade ao negócio: em parceria com a Associação Copaíba, a Mudah viabiliza o plantio de uma árvore na Mata Atlântica para cada campanha comercial comercializada.

O compromisso com a agenda ESG se estende à atuação como embaixadora do Unicef, contribuindo para a promoção e a defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Com quase 47 milhões de seguidores só no Instagram, Maisa vive e acompanha de perto as transformações da creator economy. Para ela, a capacidade de manter uma conexão duradoura com o público ao longo de duas décadas está baseada na consistência. “Eu me mantive em movimento, não tive um hiato grande na minha carreira”, diz. “Não existe fórmula para viralizar. Acredito em pilares, construção e criação de comunidade.”

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Próximos passos de Maisa Silva

Hoje, Maisa dita o próprio ritmo: organiza a agenda para conseguir tirar férias com a família, faz terapia, pratica esportes e procura respeitar os próprios limites. Para o futuro, quer expandir a Mudah e os papéis no audiovisual, sem que o trabalho custe seu bem-estar: “Saúde, em primeiro lugar, é a minha maior meta, e depois felicidade. Se eu tiver esses dois, o céu é o limite.”

Confira a entrevista completa com Maisa no videocast da Forbes Brasil:

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A CEO que Levou a Petlove aos R$ 2,4 bilhões em Faturamento

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Aos sete anos, ao passar em frente a um colégio particular na Zona Norte de São Paulo e se impressionar com a dimensão da quadra esportiva, Talita Lacerda ouviu da mãe: “Você vai estudar aqui”. Filha de uma empregada doméstica e um marceneiro, ela não demorou a conseguir uma bolsa de estudos na instituição.

O episódio marcou o início de uma trajetória desenhada por quem aprendeu cedo a desafiar as estatísticas. “Muitas vezes ouvi que determinados espaços não eram para mim. A gente se sabota, então minha principal missão é provar que as pessoas não devem se colocar em caixinhas”, afirma a presidente da Petlove, maior ecossistema online de saúde e bem-estar animal do Brasil, à Forbes. “Não tem nada extraordinário sobre mim. Eu acreditei e fui atrás.”

No último mês, Talita completou cinco anos à frente da companhia, depois de atuar como investidora e conselheira. Sob a sua liderança, a empresa de 2.300 colaboradores fundada em 1999 deixou de ser apenas um e-commerce para operar como um ecossistema de saúde e bem-estar animal que reúne lojas físicas e online, assinaturas de produtos, atendimento veterinário, hospedagem, creche e pet sitter. O grupo tem pelo menos um ponto de atendimento em quase 400 cidades e está presente em 25 das 27 capitais brasileiras.

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Em 2025, a Petlove faturou R$ 2,4 bilhões e projeta crescer 40% em 2026. As assinaturas respondem por 79% do faturamento do varejo. O plano de saúde pet opera desde 2021 e avança em um mercado cuja penetração ainda é inferior a 2% no país. Já o clube de descontos do aplicativo, lançado em 2023, soma mais de 600 mil assinantes.

Agora, a empresa encara um novo desafio, após a fusão das rivais Petz e Cobasi, aprovada pelo Cade no final de 2025, que criou uma gigante no varejo pet brasileiro. “Acreditamos na importância de um mercado saudável para garantir a concorrência e a diversidade de ofertas”, diz a CEO da Petlove. “Vamos seguir nos diferenciando pelo pioneirismo e pela democratização do cuidado com os pets.”

Mão na massa e apetite ao risco

Entre sonhos de virar comissária de voo, jornalista e advogada, Talita acabou seguindo pela área de negócios, depois de conseguir uma bolsa para estudar administração na FGV (Fundação Getulio Vargas). “Minha mãe via que os chefes da empresa onde trabalhava eram formados na FGV e colocou isso na cabeça.”

A aposta deu certo: ela iniciou a carreira na área de finanças e depois foi para consultoria, no BCG (Boston Consulting Group). Usou as primeiras economias para fazer uma viagem ao redor do mundo e se encantou pela China. Decidiu aprender mandarim e, pelo conhecimento do idioma, recebeu uma proposta para ser expatriada e lançar a marca Sadia, da BRF, no país. “Foi ali que eu descobri o que amava fazer: estar com a mão na massa, executando.”

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Depois de concluir um mestrado nos Estados Unidos, retornou ao Brasil para ingressar na gestora SK Tarpon, tornando-se, em seguida, a segunda sócia da recém-criada Kamaroopin. Após liderar o primeiro aporte na Petlove, a gestora aproximou Talita das decisões estratégicas da companhia. Em 2021, ela foi incentivada pelo sócio a suceder o fundador, Marcio Waldman, e assumir a presidência da empresa.

Talita lidera uma equipe de mais de 2300 colaboradores na Petlove
Acervo pessoalTalita lidera uma equipe de mais de 2300 colaboradores na Petlove

No dia a dia da operação, a executiva une a bagagem corporativa à disciplina que aprendeu nas quadras — na juventude, cruzava a capital paulista da Zona Norte à Zona Leste para treinar handebol no Corinthians. “Comecei na escola e na quinta série passou a ficar sério. Às vezes, levava duas horas para chegar”, lembra. “O esporte é colaborativo, não é sobre ser o protagonista, é sobre criar oportunidades para alguém do seu time fazer o gol.”

Com o objetivo de consolidar a Petlove como a principal parceira dos médicos-veterinários, Talita projeta um legado que vai além de seu próprio nome. “O meu maior orgulho vai ser olhar alguns anos para a frente e ver uma organização perene, que continua crescendo”, diz. “A empresa não é a Talita, porque você tem a forma de operar e a cultura estabelecidas. Isso é o que transforma.”

Na entrevista a seguir, a CEO da Petlove reflete sobre as barreiras que precisou enfrentar ao longo da carreira, a cultura da empresa, os impactos da inteligência artificial e como a maternidade reconfigurou sua visão de liderança.

Confira os destaques da entrevista com Talita Lacerda, CEO da Petlove

Forbes: Você acaba de completar cinco anos como CEO da Petlove. Quais foram as maiores transformações da companhia sob a sua gestão?

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Talita Lacerda: Passamos por muita transformação. Éramos um e-commerce focado em compra recorrente e, hoje, nos tornamos um ecossistema diversificado. Temos produtos, serviços (banho, passeio), planos de saúde e, para o mundo veterinário, oferecemos desde software até laboratórios.

Houve também a virada para o modelo de assinatura: hoje, 79% do nosso faturamento no varejo vem de assinaturas pagas. Outra mudança foi consolidar uma cultura de execução muito forte. Eu gosto bastante de alguns princípios de gestão da Amazon, então temos uma estrutura de células, com líderes únicos e times dedicados para resolver problemas com autonomia e velocidade, sem perder o nosso DNA pioneiro de startup.

Como você garante a qualidade do serviço em uma operação que cresceu tanto e entrou em áreas complexas, como o plano de saúde?

Essa é uma meta coletiva, que afeta o bônus de todos os colaboradores, independentemente da área. A satisfação do cliente, medida pelo NPS (Net Promoter Score), está nos nossos OKRs. Temos uma cultura de focar em métricas de input: mapeamos tudo o que é importante para uma boa experiência, como ter uma clínica perto de casa ou a facilidade no agendamento, e temos times focados exclusivamente em melhorar isso.

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Como a inteligência artificial tem impactado a Petlove e a sua própria rotina como executiva?

A mudança é gigantesca. Na época do meu mestrado nos EUA, tive um foco grande em dados e machine learning, mas o trabalho era construir algoritmos preditivos e regressões. Hoje, a IA tem um nível de autonomia impressionante. O grande desafio é como dar o contexto certo para que ela funcione. Na Petlove, encorajamos todos a usarem: temos reuniões semanais de compartilhamento, plataformas de treinamento e áreas centrais focadas em aplicar a IA no atendimento, sempre com muito cuidado para garantir uma experiência fluida. No meu dia a dia, uso desde o básico para agendar reuniões e polir mensagens, até para montar dashboards de OKRs e analisar os dados das reclamações que chegam dos clientes.

Vocês conquistaram o selo Sistema B. Como foi esse processo e a preocupação com o impacto social?

Quando assumi como CEO, o meu sonho era garantir que a Petlove tivesse um impacto positivo e escalável na cadeia. Pensava muito na minha própria história: tenho um avô que era caminhoneiro e outro que trabalhava no Centro de Distribuição da Colgate. Nossa operação toca muitas vidas parecidas com as deles. A ideia era democratizar o acesso, permitindo que famílias das classes C e D também tivessem o direito de cuidar da saúde do seu pet, suprindo uma carência de serviços públicos.

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Para não ficar em uma ideia etérea, fomos pesquisar. Falei com uma executiva que veio da Natura e ela estruturou como poderíamos medir isso. Foi o que nos guiou para o selo Sistema B. Também criamos um ambiente onde os colaboradores podem ter ações da companhia e acessar benefícios igualitários, como a licença parental.

Olhando para trás, como foi a sua trajetória profissional, desde a infância na Zona Norte de São Paulo até a cadeira de CEO?

Minha mãe começou a vida como empregada doméstica e meu pai, como marceneiro. Eles me deram uma casa com muito amor e garra. O primeiro ponto de virada foi conseguir uma bolsa de estudos em um colégio particular, aos sete anos, graças a uma assistente social. Foi uma adaptação difícil, porque eu convivia com pessoas de realidades econômicas muito diferentes. Não tinha uniforme novo, usava um doado, com joelheira. Isso me ensinou, desde nova, a me adaptar.

Quando criança, quis ser aeromoça e depois jornalista, só porque meu sonho era viajar o mundo. Depois, por causa do meu senso de justiça, achei que queria ser advogada. Mas minha mãe conseguiu um emprego em uma empresa, viu que os chefes eram formados na FGV e colocou isso na cabeça. Toda vez que eu falava de uma profissão nova, ela me desanimava e dizia: “Faz GV primeiro, depois você faz Direito”. Ela me direcionou e eu consegui passar com bolsa. Na FGV, acabei indo para finanças, mas logo percebi que queria entender a fundo as empresas e fui para consultoria, no BCG.

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E como você foi parar na China?

Com o dinheiro que juntei no começo da carreira, fui fazer uma volta ao mundo. Passei pela China, me encantei e decidi que queria falar mandarim. Fui passar férias em Pequim para estudar e, em determinado momento, recebi uma proposta para lançar uma operação da BRF por lá. Fiquei quase três anos e descobri minha paixão por colocar a mão na massa. Depois, fui fazer um mestrado nos Estados Unidos junto com o meu marido.

Acervo pessoalTalita passou quase três anos morando e trabalhando na China

Ao voltar para o Brasil, me juntei à gestora Tarpon, que estava criando a Kamaroopin com o Pedro Faria. Fui a segunda sócia. Nosso primeiro investimento foi a Petlove. Eu ficava no prédio vizinho e comecei a vir ajudar o Márcio no dia a dia, com recrutamento e estratégia. Até que um dos sócios me disse que eu deveria ser a CEO quando abriu o processo de sucessão. Fui candidata achando que jamais passaria, mas passei.

Você teve lideranças femininas que te inspiraram ao longo da carreira?

Profissionalmente, tive líderes maravilhosas, como a Flávia Faugeres na BRF. Também tive homens que abriram portas, como o Daniel Azevedo, no BCG, e o próprio Pedro Faria, que sempre me mentorou. Hoje, faço questão de retribuir participando de programas de mentoria com mulheres, empreendedores e crianças carentes.

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Como a maternidade impactou a sua carreira e as suas ambições?

Tive a minha primeira filha no meio do mestrado nos EUA. Não foi planejado. Tive que levá-la para amamentar durante as aulas, mas fazia uma boa dupla com meu marido. A maternidade colocou minha motivação em outro lugar: querer deixar um mundo melhor para elas. Mas o principal foi a gestão do tempo. Aprendi a dizer “não”, o que foi uma das grandes viradas da minha carreira. Antes, eu dizia sim para tudo, virava noites. Ter filhos me ensinou a priorizar.

Quais outras lições você aprendeu ao longo do tempo?

Aprendi a parar de pedir permissão e, às vezes, pedir perdão. No começo, eu achava que a oportunidade viria até mim. Depois, entendi que você precisa se posicionar, ser assertiva na comunicação e criar a sua chance.

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Para manter o ritmo de crescimento, como você planeja o futuro da companhia?

Nós trabalhamos muito com objetivos Moonshot. Primeiro, nós sonhamos alto e desenhamos o que queremos para daqui a cinco anos. Depois, traduzimos esse sonho em metas para um ano. E, por fim, quebramos esse um ano em passos de execução de três meses. É um passo por vez. Se o meu sonho lá na frente é ter um NPS de 90, o que eu preciso fazer nos próximos três meses para chegar lá? Vamos testando e adaptando.

Como é a sua rotina hoje?

Acordo à 5h da manhã, faço exercícios e levo as crianças na escola antes de vir para o escritório. Tenho o compromisso de chegar mais cedo em casa pelo menos uma vez por semana para colocar minhas filhas para dormir, e tento sempre jantar com meu marido. Uma vez por semana faço home office. Os finais de semana são 100% da família. Desconectamos, cozinhamos juntos e jogamos muito jogo de tabuleiro. Na adolescência eu era bem nerd com isso, adorava, e agora compro vários para jogar com as crianças. Também pinto quadros com a minha filha.

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A sua mãe foi uma grande influência na sua vida e na carreira. Tem alguma memória ou lição dela que te acompanha até hoje?

Minha mãe é meu exemplo número um. Lembro de uma vez em que ela me levou para o interior, onde tentaria vender produtos. Ela não conseguiu fazer a venda no primeiro dia e chegou a chorar. Acabamos em uma pousada simples e ela convenceu o dono a nos deixar dormir lá, prometendo pagar no dia seguinte. Eu fiquei super preocupada, mas ela disse: “Vou fazer dar certo”. No outro dia, ela vendeu, pagou a pousada e ainda me levou para tomar sorvete. Ela sempre teve essa determinação.

Você tem algum pet em casa?

Temos a May, nossa cachorrinha que adotamos cinco anos atrás, pouco antes de eu entrar na Petlove. A minha mãe, que é a “pet lover raiz”, também tem. Ela dorme com os pets e me manda sugestões de melhorias para a empresa o tempo todo (risos).

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Talita com sua cachorra, May
DivulgaçãoTalita com sua cachorra, May

Quais são os seus próximos objetivos à frente da Petlove?

Queremos ser a marca mais amada do Brasil e de maior confiança para os veterinários. Também queremos estar entre as melhores empresas para trabalhar — hoje somos a terceira do varejo segundo o ranking da Great Place To Work, mas a ambição é estar entre as melhores globais. Meu objetivo é garantir que a empresa continue escalando sem perder sua essência.

E na vida pessoal?

Quero ver minhas filhas se tornarem mulheres independentes e felizes. Queremos manter a tradição de viajar todo ano para conhecer uma cultura nova — o próximo destino é a China e Taiwan, já que elas começaram a estudar chinês. Quem sabe, em um futuro bem distante, quando eu me aposentar, eu abra uma floricultura junto com uma livraria para viver ali, fazendo arranjos e tendo uma vida bem tranquila.

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