Negócios
Ex-recrutadora da Netflix revela segredos para ser contratado

Contratação de talentos não é apenas sobre encontrar alguém para preencher uma vaga. É sobre identificar pessoas que possuem a combinação de habilidades, experiência e adequação cultural para ajudar a empresa a ter sucesso, segundo Marta Munk de Alba, ex-executiva da Netflix.
Mais recentemente, ela atuou como diretora de aquisição de talentos da gigante de streaming nas regiões da Europa, Oriente Médio e África. Nesse cargo, liderou e definiu a estratégia de recrutamento internacional da companhia.
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Marta Munk de Alba, ex-diretora de aquisição de talentos da Netflix para a Europa, Oriente Médio e África
Em entrevista à Forbes, Munk de Alba discute o que faz uma executiva de recrutamento e os desafios que enfrentou na Netflix.
Com sua ampla experiência como líder de contratação, ela também oferece conselhos de carreira para pessoas buscando emprego, incluindo o que fazer e o que não fazer em entrevistas e por que é importante ser estratégico, mas também deixar espaço para abraçar as oportunidades que aparecem ao longo do caminho.
Conselhos de Carreira
Forbes: Quais os melhores conselhos que você pode dar para os candidatos a emprego – como o que fazer e o que não fazer em entrevistas?
Marta Munk de Alba: Pesquise muito sobre a empresa antes da entrevista. Demonstre como os seus valores se alinham com os da empresa. Além disso, esteja familiarizado com o modelo de negócio, estratégia, objetivos e últimas notícias, se houver. Demonstre, sempre que possível, que você está atualizado com as tendências da indústria, tecnologias e melhores práticas.
Tente ter respostas concisas e claras. Mostre suas realizações e habilidades com exemplos específicos de suas experiências passadas, mas também esteja preparado para falar honestamente sobre falhas e pontos de melhoria. Esteja preparado para perguntas comportamentais. Espere perguntas sobre como você lidou com desafios ou situações específicas no passado. Mostre curiosidade. Faça perguntas inteligentes sobre a empresa, a equipe e o cargo durante a entrevista. Se você tiver dúvidas sobre algo, traga isso na entrevista também. Isso também ajuda a avaliar se a empresa é a certa para você.
Mostre entusiasmo. Mesmo que você esteja se candidatando a um cargo que possa parecer menos desafiador do que posições anteriores, mantenha um alto nível de entusiasmo e interesse.
Preste atenção ao seu comportamento durante a entrevista. Certifique-se de que ele reflita profissionalismo e respeito.
Evite falar negativamente sobre empregos anteriores. Foque nos aspectos positivos das suas experiências e no que você aprendeu com elas. Não domine a conversa. Deve ser isso: uma conversa. Lembre-se de ouvir ativamente e responder de forma pensativa. Evite respostas vagas ou genéricas. Seja específico e forneça exemplos concretos sempre que possível.
Não se venda demais. Embora seja importante destacar suas habilidades e experiências, evite exagerar ou tentar aumentar suas conquistas. Seja honesto e autêntico, com confiança e humildade. Não presuma que sabe tudo. Esteja aberto a novas ideias e perspectivas. Evite parecer rígido ou relutante em considerar novas abordagens.
Leia também:
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F: Por que é importante para as pessoas serem estratégicas em cada movimento de carreira?
MA: No meio de toda essa conversa sobre tomada de decisões estratégicas, percebi que também precisamos falar sobre deixar um pouco de espaço para o destino. Permitir a espontaneidade na vida. Às vezes, por mais que planejemos as coisas, há momentos em que oportunidades inesperadas surgem ou portas que nunca soubemos que existiam se abrem. Deixar espaço para o destino não significa abandonar toda a estratégia; é mais sobre estar aberto ao acaso e abraçar o desconhecido.
Algumas das experiências e oportunidades mais incríveis surgiram quando eu menos esperava, simplesmente porque estava aberta à possibilidade de algo além dos meus planos. Portanto, embora o pensamento estratégico seja importante para alinhar nossas ações com nossos objetivos de longo prazo, às vezes os melhores caminhos aparecem quando menos esperamos.
Ser estratégico também pode nos permitir antecipar e nos adaptar às mudanças no mercado de trabalho, como ter um plano B ou ser claro sobre as concessões que estamos dispostos a fazer.
Dito isso, acho que entender o que significa ser estratégico muitas vezes vem com a experiência. Incorporar conscientemente o pensamento estratégico nas decisões de carreira iniciais pode ser desafiador.
Além disso, esse conceito pode variar de pessoa para pessoa, dependendo dos objetivos, valores e circunstâncias individuais. O que pode ser estratégico para uma pessoa pode não ser para a outra. Portanto, é importante definir o que significa ser estratégico para você e alinhar suas decisões de acordo com isso.
F: Que conselho você daria para jovens começando suas carreiras?
MA: O início da jornada profissional é cheio de emoção e incerteza. É um sentimento que frequentemente compartilho com meus sobrinhos, de 20 e poucos anos.
Pode ser tão empolgante quanto intimidante, porque muitas vezes você realmente não sabe o que quer fazer e onde.
O conselho que dou a eles e daria a qualquer um para ajudá-los a navegar nessa jornada é, antes de tudo, confiar em seus instintos e seguir suas paixões.
Os primeiros passos podem parecer gigantes, mas são apenas o começo. Sua trajetória de carreira é tão única quanto você, e está tudo bem explorar e evoluir ao longo do caminho. A vida nos dá muitas oportunidades para mudar de ideia. Nem tudo que você fizer quando é um recém-formado ou está no início da carreira definirá o que vai acontecer depois.
Dito isso, há algumas coisas práticas que as pessoas que estão começando suas carreiras podem fazer. Estabeleça alguns objetivos, mesmo que sejam apenas aspiracionais, grandes ou pequenos. Isso serve apenas para dar uma direção. Reserve um tempo para entender o que você quer alcançar na sua carreira. Esses objetivos vão ajudar a guiar sua jornada.
Adote uma mentalidade de aprendizado contínuo. Procure oportunidades para adquirir novas habilidades. Sou uma grande defensora do aprender fazendo. Algo que inicialmente pode não parecer a opção perfeita pode te ensinar habilidades úteis ou algo pelo qual você desenvolve uma paixão. Esteja disposto a explorar novas ideias e oportunidades.
Mantenha-se curioso e com a mente aberta. Fique informado sobre as tendências da indústria e os desenvolvimentos em sua área de interesse.
Networking é fundamental no mundo profissional de hoje. Construa conexões. Conecte-se com colegas, mentores e profissionais da indústria que podem oferecer orientação, apoio e oportunidades. Aprenda com os outros também.
Busque ativamente feedback das pessoas ao seu redor. Pode ser de supervisores, colegas e mentores, mas também de familiares, amigos ou conhecidos. Pergunte a si mesmo: quem você admira? Então, tente ter uma conversa com essa pessoa.
Seja proativo. Não espere que as oportunidades venham até você. Tome a iniciativa, voluntarie-se para projetos e busque desafios que vão te ajudar a crescer profissionalmente. Gaste tempo procurando a oportunidade certa, mesmo que não remunerada.
Habilidades interpessoais são importantes – comunicação, trabalho em equipe, adaptabilidade e resolução de problemas. Essas são frequentemente tão importantes quanto a expertise técnica, às vezes até mais.
Abrace os desafios e os fracassos como parte natural do processo de aprendizado. Cada desafio é uma oportunidade para aprender, se adaptar e voltar mais forte. Resiliência é uma habilidade valiosa em qualquer carreira. Eu penso que aprendemos mais superando desafios e com os fracassos do que com sucessos.
Por último, mas não menos importante, não tenha medo de correr riscos calculados na sua carreira. Às vezes, desviar-se do seu plano inicial ou sair da sua zona de conforto é necessário para o crescimento e avanço.
Recrutamento
F: Quais são os seus segredos para recrutar altos executivos para a Netflix?
MA: Como recrutadora na Netflix, descobri que dois aspectos são cruciais: conhecimento profundo do negócio e compreensão da cultura.
Transparência e honestidade são princípios fundamentais na minha abordagem de recrutamento. Manter uma comunicação clara interna e externamente traz confiança e credibilidade, o que foi essencial não apenas no meu papel como recrutadora, mas também como líder na Netflix.
F: Quais desafios você enfrentou ao contratar equipes para a região Europa, Oriente Médio e África? Quais obstáculos de recrutamento você encontrou quando a empresa era menor em comparação com os desafios quando se tornou essa gigante do streaming?
MA: Inicialmente, encontrar e atrair os talentos certos era difícil porque ainda estávamos estabelecendo nossa marca e reputação. Fizemos um esforço extra para atrair talentos de ponta acostumados com empresas renomadas na região.
Como era a primeira vez que contratávamos fora dos EUA, tivemos que navegar pelas leis trabalhistas, requisitos de visto e nuances culturais para garantir conformidade e respeito às práticas locais enquanto atendíamos nossas necessidades de pessoal.
Naquela época, quase todos os novos contratados se mudavam para Amsterdã. Além disso, era crucial definir expectativas claras sobre a cultura da Netflix, que era totalmente nova para a região e às vezes parecia muito disruptiva.
À medida que expandimos, os obstáculos de recrutamento evoluíram, mas não necessariamente se tornaram mais fáceis. Lidamos com o gerenciamento do grande volume de candidatos às vagas. Com mais visibilidade e reputação, fomos bombardeados com currículos, tornando desafiador identificar de maneira eficiente os melhores candidatos. Além disso, à medida que as equipes na região cresciam, surgiam papéis mais especializados e complexos, tornando cada vez mais difícil encontrar equivalentes dentro da EMEA.
Cultura
F: Como é trabalhar em uma empresa que reconhece que “não somos uma família”, mas sim uma “equipe esportiva”?
MA: A mentalidade de “equipe esportiva” ou a analogia da “banda de jazz” da Netflix é motivadora, porque representa um ambiente dinâmico e orientado a metas. Também acho que é uma analogia mais honesta e autêntica para um ambiente de trabalho do que uma “família”. Famílias normalmente têm uma relação incondicional. Membros da família não se demitem. Uma empresa é diferente.
O espírito competitivo não necessariamente ofusca outros aspectos importantes, como trabalho em equipe, colaboração e objetivos compartilhados. O trabalho em equipe está no centro de tudo na Netflix. Há muita colaboração, aproveitando as forças uns dos outros para alcançar objetivos comuns. Há um forte senso de responsabilidade pessoal para entregar resultados.
Como em qualquer equipe ou banda, há um objetivo de melhoria contínua. O feedback é frequente e construtivo, permitindo fazer ajustes rápidos e melhorar continuamente as habilidades do grupo. A competição saudável impulsiona a inovação e a excelência, e fomenta um senso de companheirismo — diferente de uma amizade ou de um relacionamento familiar.
Acima de tudo, há um entendimento compartilhado dos objetivos e de como cada um contribui para alcançá-los. Essa clareza ajuda a alinhar os esforços e promove um senso de unidade e propósito.
*Jack Kelly é colaborador sênior da Forbes USA. Ele é CEO, fundador e recrutador executivo da WeCruitr, uma startup de recrutamento e consultoria de carreira.
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Negócios
Rosewood São Paulo Nomeia Nova Diretora de Marketing e Comunicação
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O Rosewood São Paulo anunciou Daniella Borghi como nova diretora de marketing e comunicação. Na posição, ela se reportará a Silvio Araújo, diretor de vendas e marketing do hotel.
Formada em comunicação pela Universidade Paulista e com mais de três décadas de carreira, Daniella soma passagens por agências multinacionais como Publicis, Ogilvy, DDB e BETC Havas. A executiva também atuou como gerente de comunicação da Nestlé no Brasil, na Suíça e na Espanha, onde liderou iniciativas para mercados da Europa, África e Oriente Médio.
No Rosewood São Paulo, Daniella terá o foco em destacar narrativas sobre a cultura e a criatividade brasileiras. “Acredito na comunicação como uma ferramenta de construção de desejo, pertencimento e significado”, afirma.
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Com Negócio de R$ 335 Milhões, Ela Quer Fazer do Matcha o Novo Café

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Não há como negar: o matcha está em todo lugar. Nas academias, nos escritórios, em cafés que antes consideravam o chá verde japonês “nichado demais”. Em latas, cápsulas e lattes, surfando mudanças de comportamento que vêm se formando há anos: a fadiga do café, a busca por bebidas funcionais e as conversas crescentes sobre ansiedade. Poucos entenderam essa interseção tão bem quanto a americana Marisa Poster.
Em 2021, a empreendedora nascida em Nova York e radicada em Londres lançou a PerfectTed, na época uma empresa de matcha com apenas um produto. Apenas cinco anos depois, a marca criada junto com seu marido, Levi Levenfiche, e seu cunhado Teddie Levenfiche, hoje registra uma receita recorrente anual de 50 milhões de libras esterlinas (R$ 335 milhões, na cotação atual).
A empresa tem distribuidores que abrangem mais de 30 mil pontos de venda e cafés em 50 países, com um catálogo de produtos que inclui desde pó de matcha de grau cerimonial até lattes prontos para beber e as primeiras cápsulas Nespresso de matcha da Europa.
Necessidade pessoal levou empreendedora ao matcha
O negócio de Marisa, que foi finalista do prêmio Veuve Clicquot Bold Future Award de 2026, nasceu de uma necessidade pessoal. “Como a maioria das pessoas, eu bebia café e estava constantemente vivendo aquele ciclo de agitação e queda de energia”, lembra. “Não percebia o quanto isso estava afetando meu foco e minha ansiedade até mudar para o matcha e, pela primeira vez, me sentir genuinamente equilibrada.”
Ela percebeu isso muito antes da maioria dos varejistas. O matcha já havia se tornado parte de sua rotina diária nos EUA. Ela dependia dele para ajudar a controlar a energia e o foco sem agravar a ansiedade. No entanto, quando se mudou para Londres em 2020, ficou difícil manter a rotina. “Era impossível de encontrar, superfaturado ou de péssima qualidade. A categoria quase não existia, e a maioria das pessoas nem sabia que era uma opção.”
Ela não chegou a Londres já com uma estratégia de venda totalmente formada ou um discurso ensaiado para uma nova era da cafeína. “Me mudei para cá por amor, e simplesmente não conseguia encontrar matcha”, admite. “Aguentei uns 45 dias antes que isso se tornasse um problema de verdade.”
A raiz do problema (e o começo do negócio)
Desse problema nasceu o seu negócio. O café, segundo a empreendedora, é um dos hábitos mais enraizados do mundo, com “mais de 2 bilhões de xícaras” consumidas todos os dias. “Os melhores negócios surgem de um tipo muito específico de lacuna, quando alguém sente uma necessidade que não está sendo atendida pelo mercado atual.”
Ela sabia que não precisava converter todos os bebedores de café para o matcha para ter sucesso. Só precisava entender a proporção menor, mas ainda enorme, de pessoas que amavam a cafeína e odiavam a queda abrupta de energia, a agitação ou a ansiedade que podem acompanhar a experiência com a bebida.

Por causa disso, Marisa também entendeu que o matcha tinha tanto um problema de experiência quanto um problema de conscientização. “A realidade é que, se o seu primeiro matcha for ruim, isso pode te afastar para o resto da vida”, afirma. “No Reino Unido, por muito tempo, era isso que as pessoas estavam experimentando: um matcha de baixa qualidade e mal preparado. Ele nunca teve a chance de se consolidar.”
Essa percepção inicial foi fundamental para moldar a abordagem da PerfectTed. Não bastava disponibilizar o matcha; a marca tinha que ter um bom matcha e tornar o primeiro contato convincente o suficiente para mudar comportamentos. “Um ótimo latte pode converter alguém instantaneamente”, diz.
O mesmo pensamento está por trás dos produtos prontos para beber, que não exigem que o consumidor domine a arte de preparar o matcha com as proporções corretas.
Desafios do matcha
Ainda assim, os consumidores não foram necessariamente o público mais difícil de convencer; os varejistas é que foram. Eles viam o matcha como algo “nichado demais”. Olhando para trás, Marisa acredita que isso foi uma vantagem. “Significava que havia um espaço em branco real, ninguém havia construído a categoria adequadamente ainda.”
Quando questionada sobre o que quase quebrou a empresa enquanto a PerfectTed ganhava escala, a empreendedora é direta: “Tudo na área operacional.” “Logo no começo, até mesmo conseguir fabricar o produto foi um desafio.”
As fábricas não priorizavam o produto. “Nosso produto original foi retirado da linha de produção porque uma marca muito maior e mais estabelecida teve prioridade. Foi um verdadeiro choque de realidade, perceber o quão baixo você está na lista de prioridades quando é pequeno.”
Depois vieram os desafios técnicos: “O matcha literalmente entupia as máquinas no início da produção”, lembra. “Não é um ingrediente fácil de se trabalhar em larga escala.”
Não muito tempo depois, a aparição da PerfectTed no programa Dragon’s Den (versão britânica do Shark Tank) trouxe um tipo diferente de pressão. A empresa fez história ao receber ofertas de todos os investidores da edição de 2023, o que trouxe exposição, validação e um nível inimaginável de expectativas. “Antes, estávamos apenas tentando sobreviver”, diz a fundadora. “Depois, houve essa pressão imediata para nos tornarmos o que as pessoas achavam que já éramos. O sarrafo subiu do dia para a noite. Isso te força a evoluir mais rápido do que é confortável.”

Enquanto a demanda explodia, a empresa teve que absorver as consequências em tempo real. “Estávamos nós mesmos nos armazéns embalando pedidos, ficando sem estoque, lidando com o caos dos clientes”, diz. “O ganho de escala não quebra a empresa em lugares óbvios, ele quebra nas lacunas que você nem sabia que existiam.”
Os desafios de ser uma mulher de negócios
Marisa também não é tímida sobre os desafios de ser jovem e mulher em um mercado tão desafiador. “Você entra em uma sala e é avaliada antes mesmo de abrir a boca. Sua aparência, o seu tom de voz, se você é ‘crível o suficiente’ para administrar o negócio.”
Sua resposta não tem sido mudar ou se diminuir para caber nesses espaços. “Você tem duas escolhas nesse momento: encolher-se para se encaixar ou ignorar completamente. Eu escolhi ignorar“, afirma. “Isso me deixou mais afiada, preparada, autoconsciente e intencional em como me apresento. Não estou interessada em me moldar ao que as pessoas esperam que seja a aparência ou a postura de uma fundadora. Prefiro construir algo excepcional e deixar que isso fale por si só.“
Além de ter sido indicada ao prêmio da Veuve Clicquot, ela foi nomeada Forbes Under 30 da Europa em 2024 e Empreendedora Britânica Global do Ano em 2025 e alcançou uma posição de destaque no FEBE Growth 100.
Lidando com a pressão e a ansiedade
A empreendedora também é franca sobre como lida com as pressões. “Os momentos em que me sinto mais ansiosa são quando tudo parece ótimo no papel”, diz. “Sempre fui muito aberta sobre a minha experiência com a ansiedade e a depressão, e elas não aparecem apenas quando as coisas estão indo mal. Essa desconexão entre o sucesso externo e a realidade interna é difícil de navegar.”
“Não é um problema de negócios que você pode resolver com uma apresentação de estratégia”, afirma. “É algo que você tem que aprender a gerenciar junto com todo o resto.”
O fato de a PerfectTed ser uma empresa familiar traz uma intensidade adicional que não pode ser ignorada, considerando a pressão de um rápido crescimento, alta visibilidade e constantes tomadas de decisão. A regra não dita, segundo a fundadora, é “honestidade radical e rápida”. “Se algo não está certo, nós lidamos com isso imediatamente, mesmo que seja desconfortável.”
Os fundadores ainda estão aprendendo a lidar com a dinâmica familiar no trabalho: “Você tem que encontrar maneiras de não fazer tudo girar em torno dos negócios. Ainda estamos trabalhando nessa parte.”
Do zero ao topo
O que as pessoas não percebem ao olhar para um faturamento nesse patamar e um crescimento tão rápido, é o que foi preciso para chegar até aqui. “Era eu em uma cozinha, coberta de pó verde, fazendo bebidas com um gosto horrível, pesquisando no Google ‘como abrir uma empresa de bebidas?’ à meia-noite, e sendo ignorada ou rejeitada por quase todo mundo.”
Agora que ela e sua família estão do outro lado — ou pelo menos têm uma visão melhor do mesmo lado —, o próximo estágio é claro. Em vez de uma aquisição ou saída do negócio, Marisa está focada em “tornar o matcha predominante globalmente. Não como uma tendência, mas como um padrão. Se alguém busca energia, o matcha deve ser tão normal quanto o café.”
É um desejo ambicioso, mas plausível. A demanda existe. O produto é bom. E uma marca construída sobre essas bases, com uma fundadora que entende o motivo pelo qual as pessoas buscam cafeína tanto quanto o que elas realmente querem disso, é muito mais interessante do que apenas um estimulante verde bonito. O matcha pode estar em todos os lugares agora, mas, se depender dessa empreendedora, sua popularização está apenas começando.
*Lela London é colaboradora da Forbes US. Ela é escritora e editora especializada em gastronomia e bebidas, com foco em tendências culinárias, restaurantes e bares.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Como Recuperar a Motivação no Trabalho? Responda a Estas 5 Perguntas

Encontrar motivação no trabalho pode parecer difícil, especialmente se você não ama o que faz, o ambiente ou as pessoas ao redor. Se esse for o caso, pergunte-se: o que realmente faz você levantar da cama com vontade de começar o dia? Depois de responder isso, o trabalho deixa de parecer uma obrigação e passa a ser uma escolha.
Mudar a lógica de “tenho que” para “quero” cria um impulso e aumenta a capacidade de conclusão de tarefas. Com base nessa ideia, existem cinco perguntas que você pode fazer a si mesmo todas as manhãs para se reconectar com aquilo que te traz energia e se preparar melhor para o dia que tem pela frente.
5 perguntas para recuperar a motivação
Especialistas como a americana Wendy Grolnick, professora de psicologia na Clark University, nos Estados Unidos, alertam que o maior mito sobre motivação é esperar que ela simplesmente apareça.
Para combater essa inércia, Jackson Parsons — autor do livro “Make the Flip” e apresentador do “My Duvet Flip”, reconhecido como o principal programa sobre carreiras do Reino Unido — compartilha cinco perguntas para te ajudar a descobrir o que te motiva e como usar essa percepção para beneficiar sua carreira.
1. O que me faz levantar da cama na hora?
O que torna o pensamento de sair da cama de manhã um pouco mais fácil não precisa ser algo enorme e que mude a sua vida. Pode ser algo mais específico e imediato, como um projeto que você está animado para começar, uma tarefa que deseja terminar ou apenas algo sobre o qual deseja conversar com seus colegas de trabalho.
Se você não acorda pensando “Eu amo meu trabalho”, não tem problema. Segundo Parsons, ainda pode haver coisas que te deixem empolgado ao longo do dia. “Em vez de guardar o que te empolga como recompensa, comece o dia com isso”, ele recomenda. “Começar com algo envolvente cria um movimento para a frente, fazendo com que o resto das suas tarefas pareça menos uma resistência e mais uma continuação.”
2. O que faz eu me sentir com energia, e não apenas produtivo?
A produtividade é visível. Ela aparece em caixas de entrada limpas e tarefas concluídas. Mas a motivação é mais profunda do que o resultado. Você pode ser altamente produtivo e ainda se sentir esgotado no final do dia.
A verdadeira motivação faz com que você se sinta energizado, engajado e mentalmente vivo. Ela vem de atividades que devolvem energia, não apenas daquelas que exigem esforço. Seja resolvendo problemas complexos, criando um trabalho significativo ou colaborando com os outros, essas experiências reabastecem em vez de drenar.
“Acompanhe seus níveis de energia por uma semana. No final de cada dia, anote o que te deu energia e o que te esgotou”, diz o autor. “Com o tempo, você será capaz de reconhecer as coisas que mais te motivam para que possa incorporá-las aos seus dias. Você pode não ser capaz de mudar tudo sobre o seu cargo, mas pode fazer seus próprios ajustes que o tornam mais fácil e mais emocionante.”
3. O que eu quero fazer sem que me peçam?
Um dos indicadores mais claros de motivação é aquilo pelo qual você é naturalmente atraído quando ninguém está te direcionando. O que captura a sua curiosidade e te atrai naturalmente quando não há pressão externa?
Essa distinção entre “ser puxado” versus “ser empurrado” revela a diferença entre o trabalho que você simplesmente conclui e o trabalho que você genuinamente gosta de fazer. “Considere como as coisas que você quer fazer podem se tornar uma parte mais importante do seu cargo e discuta isso com seu gerente”, diz Parsons.
Até mesmo pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. “Se não houver atualmente uma oportunidade de tentar um novo cargo, o simples fato de se aproximar do tipo de trabalho com o qual você tem mais afinidade pode mantê-lo motivado e engajado a longo prazo.”
4. Em que tipo de ambiente eu me dou bem?
Às vezes, o problema não é o trabalho em si; é o ambiente no qual você está. A motivação é profundamente influenciada pelo contexto. Um extrovertido pode se sentir esgotado trabalhando isoladamente, enquanto alguém que precisa de foco pode se sentir sobrecarregado em um ambiente com muito ruído e interação.
Seu ambiente ou apoia sua energia ou colabora para esgotá-la silenciosamente. “Tente ajustar as coisas que você pode controlar, em vez de tentar ajustar sua personalidade”, afirma o especialista. “Defina sua própria estrutura e reserve um tempo sozinho para um brainstorming interno, ou marque reuniões com colegas de trabalho para debater ideias e se alimentar da energia e motivação deles.”
5. Por que eu não tenho motivação?
De acordo com Parsons, esta pode ser a pergunta mais importante de todas. Ele explica que a falta de motivação não é uma falha de caráter. Não é preguiça ou falta de disciplina. Geralmente é um feedback: um sinal de que algo não está funcionando.
Quando você tenta forçar a motivação, pode ter sucesso temporariamente, mas isso costuma ter um custo. Você gasta mais energia se forçando, o que leva a uma maior exaustão e desconexão. Quanto mais você se esforça, mais resistência você cria, e o ciclo continua.
A motivação sustentável não vem da força. Ela vem da redução da resistência, da remoção do atrito e de fazer com que seu trabalho pareça mais alinhado e envolvente. “Facilite as coisas para si mesmo. Impeça que as coisas fiquem no caminho tendo um ponto de partida claro, preparado no dia anterior, que reduza qualquer fadiga de decisão que você costuma sentir, antes mesmo que ela comece.”
Ele sugere criar uma nova maneira de celebrar o sucesso e o progresso, e acompanhar os marcos, não apenas os prazos. “Reconheça seu progresso antes de passar para outra coisa, para manter a motivação que você sente com o seu sucesso.”
*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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