Negócios
Meta Demite Funcionários por Mau Uso de Vale-Refeição

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Meta demitiu recentemente cerca de duas dezenas de funcionários em um episódio que está sendo chamado de “Grubgate”, devido ao mau uso de um benefício de US$ 25 (R$ 142,38) em créditos de refeição do Grubhub (plataforma de entrega de comida, como o iFood).
Segundo o Financial Times, os créditos, que eram destinados a funcionários trabalhando até tarde ou em escritórios sem refeitórios, foram utilizados para comprar itens não alimentares, como detergente para roupas, taças de vinho e produtos para acne.
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Mark Zuckerberg, CEO e fundador da Meta, quer reduzir custos da companhia com o “Ano da Eficiência”
As demissões na gigante das redes sociais foram direcionadas àqueles que usaram o benefício fora dessas regras e de maneira consistente ao longo de um período prolongado. Segundo relatos, alguns dos funcionários demitidos acumulavam seus créditos, enquanto outros mandavam as refeições para suas casas. A empresa teve certa tolerância em relação aos profissionais que não demonstraram um padrão de violação da política e que o fizeram apenas ocasionalmente, emitindo advertências em vez de demissões.
O caso gerou debates dentro da empresa sobre a justiça do processo de tomada de decisão, expondo tensões subjacentes em relação aos benefícios oferecidos aos funcionários, às políticas corporativas e às medidas de corte de custos em andamento.
As reações entre os funcionários foram diversas. Alguns demonstraram preocupação com a rigidez da aplicação das regras, enquanto outros defenderam as ações da empresa, argumentando que os funcionários estavam cientes das políticas.
Demissões na Meta e o “Ano da Eficiência”
O caso “Grubgate” acontece no contexto da estratégia do “Ano da Eficiência” da Meta, iniciada pelo CEO e fundador, Mark Zuckerberg. O plano visa apertar as políticas da empresa e reduzir custos.
As demissões decorrentes do uso inadequado dos créditos de refeição geraram discussões sobre possíveis conexões com mudanças organizacionais mais amplas, coincidindo com uma recente rodada de demissões e reestruturação que impacta divisões como Instagram, Reality Labs (focada em realidade aumentada e virtual) e WhatsApp. Isso faz parte dos esforços contínuos da empresa para otimizar suas operações e alocar recursos de forma mais eficiente.
“Hoje, alguns times da Meta estão fazendo mudanças para garantir que os recursos estejam alinhados com suas metas estratégicas de longo prazo”, disse o porta-voz da Meta, Dave Arnold, em um comunicado na semana passada. “Isso inclui mover algumas equipes para diferentes localizações e realocar alguns funcionários para novas funções. Em situações como essa, quando uma função é eliminada, nos esforçamos para encontrar outras oportunidades para os profissionais afetados.”
Essa nova onda de demissões segue outra série de cortes de empregos na divisão de Reality Labs da Meta no início deste ano. Em 2022, a empresa inicialmente demitiu 11 mil funcionários devido a projeções de crescimento excessivamente otimistas após a pandemia de Covid-19.
Durante uma reunião geral naquele ano, Zuckerberg alertou os funcionários sobre o difícil cenário econômico, destacando a necessidade de desacelerar as contratações e implementar cortes de custos. Como parte da nova estratégia fiscal da empresa, a Meta afirmou que aumentaria suas expectativas de desempenho para os funcionários.
O CEO chegou a dizer aos profissionais: “Acho que alguns de vocês podem decidir que esse lugar não é para vocês, e essa auto-seleção está ok para mim. Sendo realista, há provavelmente um monte de gente na empresa que não deveria estar aqui.”
Depois disso, a Meta supostamente avaliou milhares de seus funcionários de tecnologia como “abaixo do esperado”. Segundo a plataforma The Information, o vice-presidente Maher Saba pediu aos gerentes que identificassem pessoas em suas equipes que “precisam de apoio” e que encaminhassem para desligamento os profissionais de baixo desempenho que “não conseguem se alinhar.”
Outros 10 mil funcionários foram demitidos como parte dos esforços de reestruturação em 2023.
Escolhas do editor
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Negócios
O Que É a Empresa do Século 21?

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O título do livro “A Corporação no Século 21“, de John Kay, é uma alusão – talvez uma provocação – a uma das obras mais influentes de gestão, “A Corporação e o Século 20“. Se ali o economista americano Richard Langlois traçava a transformação da organização comandada por empresários para a organização liderada por executivos profissionais, o também economista (porém britânico) John Kay agora narra uma mudança muito, mas muito mais radical.
Questiona, inclusive, se faz sentido dizer que vivemos em um sistema capitalista. Porque o capital perdeu a importância. “Mesmo investidores sofisticados examinam o Roce [Retorno sobre o Capital Empregado]”, escreve, embora o retorno tenha “tanta conexão com o capital quanto com a quantidade de água utilizada ou o número de reuniões realizadas”, afirma. Vivemos, considera, a era do capital as a service – empregado apenas na medida em que é necessário.
O poder do acionista é outra balela, segundo ele. O acionista de uma multinacional não tem nenhum controle sobre o que é feito da empresa. Até os dividendos que recebe, se os receber, são definidos pelos diretores.
Em especial, Kay ataca a noção de empresa como uma teia de contratos – visão clássica, estabelecida pelo também britânico Ronald Coase, que levou um Prêmio Nobel por sua teoria. A questão é que a ideia de um conjunto de contratos se opõe à própria qualificação de uma empresa como pessoa jurídica. Afinal, ela tem uma personalidade ou não?
Maximizar o lucro, um mantra dos anos 1970 que vem caindo em desuso, nunca foi uma teoria sólida, acredita o autor. Qual lucro, afinal? O de curtíssimo prazo? Em detrimento de ações que preservem a empresa no futuro?
Para ele, a missão de uma corporação é promover o “florescimento de seus múltiplos stakeholders”. Porque a empresa não é uma combinação de relações transacionais, e sim uma construção de relações sociais, entre seus integrantes e com o mundo à sua volta. As implicações dessa visão para o funcionamento da empresa… isso fica para um prometido próximo volume.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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Negócios
Amazon MGM Studios Anuncia Head de Theatrical Marketing no Brasil

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O Amazon MGM Studios anunciou Roberta Fraissat como Head de Theatrical Marketing, responsável por liderar as estratégias de marketing dos lançamentos da companhia nos cinemas brasileiros.
Mais recentemente, Roberta atuou como diretora de marketing para a América Latina e Head de Marketing para o Brasil na Crunchyroll.
A executiva passou a maior parte da carreira na The Walt Disney Company, onde ingressou como coordenadora de desenvolvimento de produto em 1999. Saiu de lá em 2023 como diretora de marketing. Nesse período, esteve envolvida em campanhas de produções como “Vingadores”, “Star Wars”, “Toy Story”, “O Rei Leão”, “Carros” e “Alice no País das Maravilhas”.
É formada em negócios pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e tem MBA pela FIA Business School.
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Negócios
A Escala 5×2 Chegou. E Muda Mais do Que o Custo da Folha
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Está decidido. A Emenda Constitucional 141, promulgada na última sexta-feira (20), encerra a escala 6×1. Em 60 dias, todo trabalhador CLT passa a ter duas folgas semanais e jornada máxima de 42 horas. Catorze meses após a publicação, o teto cai para 40 horas, sem redução de salário.
A primeira leitura é de custo, e ela não está errada. Como não será permitida a redução de salários e haverá redução de 44 para 40 horas semanais, cada hora vale 10% a mais. E isso encarece também a hora extra e os adicionais, que são calculados sobre o valor da hora.
Em operações que funcionam sete dias por semana, como varejo e serviços, manter a cobertura exige reforço de quadro. Nas simulações que tenho acompanhado, esse reforço fica entre 10% e 20%, e pesa mais nas unidades menores, que têm menor margem para remanejar gente.
Mas tratar a 5×2 apenas como aumento de folha é desperdiçar a oportunidade de rever a estratégia de remuneração como um todo.
Eficiência de escala
Comecemos pelo fixo. Com a hora mais cara, a pressão será por conter reajustes. Esse é um erro tentador. Mas antes de pensar em trocar equipes com salários reduzidos, será importante avaliar reservas escondidas na própria escala.
Empresas que passaram a montar turnos a partir da curva de movimento por hora descobriram horas extras desnecessárias e gente parada nos horários errados. Eficiência de escala é a primeira fonte de financiamento da nova jornada.
Onde mora a oportunidade
O variável é onde mora a oportunidade mais clara. Se o objetivo é produzir o mesmo, ou mais, em menos horas, a remuneração variável precisa apontar para isso. Prêmios por produtividade, metas de venda por hora trabalhada, bônus por cobertura nos picos ou por redução de absenteísmo transformam a exigência legal em alinhamento: a empresa ganha eficiência e o colaborador participa do ganho.
A experiência internacional reforça a lógica. Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas, em 1996, estudos registraram ganho de produtividade próximo de 8%. O Chile está no meios de uma transição gradual até 2028, e o México aprovou a sua até 2030. A redução funciona melhor quando vem acompanhada de esforço deliberado de produtividade, e incentivo bem desenhado é parte desse esforço.
Recompensas intangíveis
Há ainda uma camada que raramente entra na planilha: as recompensas intangíveis. Duas folgas, previsibilidade de escala e fins de semana inteiros com a família são valor percebido. Gente descansada e motivada erra menos, falta menos e atende melhor. Empresas que comunicarem isso como parte da proposta de valor ao empregado vão reter melhor do que as que tratarem a mudança como obrigação.
Rotatividade pode diminuir
Há também uma economia que raramente aparece na conta da transição: a da rotatividade. No varejo, ela já é altíssima. Levantamento do Sindilojas-SP mostra que a rotatividade no varejo paulista chegou a 56,6% em 2025, o maior nível desde 2020. Em alguns segmentos, como lojas de conveniência, passou de 90%.
Isso significa recontratar, quase todo ano, boa parte da equipe. Cada saída tem um custo que vai além da rescisão: recrutamento, treinamento e os meses em que o novo funcionário ainda não rende o que rendia quem saiu. O cliente percebe essa curva de aprendizado no caixa e no atendimento. Se a 5×2 for bem implementada, com escalas previsíveis e folgas que de fato descansam, as pessoas tendem a ficar mais tempo. Parte do custo da nova jornada pode voltar como economia em turnover.
E há a carreira. Mais turnos e escalas mais complexas exigem novas funções de controle: líderes de turno, coordenadores de escala, analistas de operação. É uma chance real de promover quem já conhece a operação e o cliente. A pergunta incômoda é se essa base está preparada. Quem sempre executou nem sempre foi treinado para planejar, ler indicadores ou liderar colegas. Sem trilha de capacitação e uma estrutura de cargos que reconheça esses degraus, a promoção vira armadilha.
Além disso, pessoas que estavam na informalidade podem voltar a se interessar pelo modelo CLT nesta nova configuração de escala.
Muitos empreendedores lerão tudo isso pensando na própria rotina, que está mais para 7×0 do que para 5×2. É verdade. A diferença é que, nesse caso, cada hora a mais constrói patrimônio próprio. Para quem trabalha numa estrutura que não é sua, o que se constrói é outra coisa: vínculo, ou a falta dele. Numa geração que cobra cada vez mais qualidade das relações de trabalho, a 5×2 talvez seja menos uma imposição e mais a formalização de algo que o mercado já vinha pedindo.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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