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Negócios

A CEO que Levou a Petlove aos R$ 2,4 bilhões em Faturamento

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Aos sete anos, ao passar em frente a um colégio particular na Zona Norte de São Paulo e se impressionar com a dimensão da quadra esportiva, Talita Lacerda ouviu da mãe: “Você vai estudar aqui”. Filha de uma empregada doméstica e um marceneiro, ela não demorou a conseguir uma bolsa de estudos na instituição.

O episódio marcou o início de uma trajetória desenhada por quem aprendeu cedo a desafiar as estatísticas. “Muitas vezes ouvi que determinados espaços não eram para mim. A gente se sabota, então minha principal missão é provar que as pessoas não devem se colocar em caixinhas”, afirma a presidente da Petlove, maior ecossistema online de saúde e bem-estar animal do Brasil, à Forbes. “Não tem nada extraordinário sobre mim. Eu acreditei e fui atrás.”

No último mês, Talita completou cinco anos à frente da companhia, depois de atuar como investidora e conselheira. Sob a sua liderança, a empresa de 2.300 colaboradores fundada em 1999 deixou de ser apenas um e-commerce para operar como um ecossistema de saúde e bem-estar animal que reúne lojas físicas e online, assinaturas de produtos, atendimento veterinário, hospedagem, creche e pet sitter. O grupo tem pelo menos um ponto de atendimento em quase 400 cidades e está presente em 25 das 27 capitais brasileiras.

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Em 2025, a Petlove faturou R$ 2,4 bilhões e projeta crescer 40% em 2026. As assinaturas respondem por 79% do faturamento do varejo. O plano de saúde pet opera desde 2021 e avança em um mercado cuja penetração ainda é inferior a 2% no país. Já o clube de descontos do aplicativo, lançado em 2023, soma mais de 600 mil assinantes.

Agora, a empresa encara um novo desafio, após a fusão das rivais Petz e Cobasi, aprovada pelo Cade no final de 2025, que criou uma gigante no varejo pet brasileiro. “Acreditamos na importância de um mercado saudável para garantir a concorrência e a diversidade de ofertas”, diz a CEO da Petlove. “Vamos seguir nos diferenciando pelo pioneirismo e pela democratização do cuidado com os pets.”

Mão na massa e apetite ao risco

Entre sonhos de virar comissária de voo, jornalista e advogada, Talita acabou seguindo pela área de negócios, depois de conseguir uma bolsa para estudar administração na FGV (Fundação Getulio Vargas). “Minha mãe via que os chefes da empresa onde trabalhava eram formados na FGV e colocou isso na cabeça.”

A aposta deu certo: ela iniciou a carreira na área de finanças e depois foi para consultoria, no BCG (Boston Consulting Group). Usou as primeiras economias para fazer uma viagem ao redor do mundo e se encantou pela China. Decidiu aprender mandarim e, pelo conhecimento do idioma, recebeu uma proposta para ser expatriada e lançar a marca Sadia, da BRF, no país. “Foi ali que eu descobri o que amava fazer: estar com a mão na massa, executando.”

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Depois de concluir um mestrado nos Estados Unidos, retornou ao Brasil para ingressar na gestora SK Tarpon, tornando-se, em seguida, a segunda sócia da recém-criada Kamaroopin. Após liderar o primeiro aporte na Petlove, a gestora aproximou Talita das decisões estratégicas da companhia. Em 2021, ela foi incentivada pelo sócio a suceder o fundador, Marcio Waldman, e assumir a presidência da empresa.

Talita lidera uma equipe de mais de 2300 colaboradores na Petlove
Acervo pessoalTalita lidera uma equipe de mais de 2300 colaboradores na Petlove

No dia a dia da operação, a executiva une a bagagem corporativa à disciplina que aprendeu nas quadras — na juventude, cruzava a capital paulista da Zona Norte à Zona Leste para treinar handebol no Corinthians. “Comecei na escola e na quinta série passou a ficar sério. Às vezes, levava duas horas para chegar”, lembra. “O esporte é colaborativo, não é sobre ser o protagonista, é sobre criar oportunidades para alguém do seu time fazer o gol.”

Com o objetivo de consolidar a Petlove como a principal parceira dos médicos-veterinários, Talita projeta um legado que vai além de seu próprio nome. “O meu maior orgulho vai ser olhar alguns anos para a frente e ver uma organização perene, que continua crescendo”, diz. “A empresa não é a Talita, porque você tem a forma de operar e a cultura estabelecidas. Isso é o que transforma.”

Na entrevista a seguir, a CEO da Petlove reflete sobre as barreiras que precisou enfrentar ao longo da carreira, a cultura da empresa, os impactos da inteligência artificial e como a maternidade reconfigurou sua visão de liderança.

Confira os destaques da entrevista com Talita Lacerda, CEO da Petlove

Forbes: Você acaba de completar cinco anos como CEO da Petlove. Quais foram as maiores transformações da companhia sob a sua gestão?

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Talita Lacerda: Passamos por muita transformação. Éramos um e-commerce focado em compra recorrente e, hoje, nos tornamos um ecossistema diversificado. Temos produtos, serviços (banho, passeio), planos de saúde e, para o mundo veterinário, oferecemos desde software até laboratórios.

Houve também a virada para o modelo de assinatura: hoje, 79% do nosso faturamento no varejo vem de assinaturas pagas. Outra mudança foi consolidar uma cultura de execução muito forte. Eu gosto bastante de alguns princípios de gestão da Amazon, então temos uma estrutura de células, com líderes únicos e times dedicados para resolver problemas com autonomia e velocidade, sem perder o nosso DNA pioneiro de startup.

Como você garante a qualidade do serviço em uma operação que cresceu tanto e entrou em áreas complexas, como o plano de saúde?

Essa é uma meta coletiva, que afeta o bônus de todos os colaboradores, independentemente da área. A satisfação do cliente, medida pelo NPS (Net Promoter Score), está nos nossos OKRs. Temos uma cultura de focar em métricas de input: mapeamos tudo o que é importante para uma boa experiência, como ter uma clínica perto de casa ou a facilidade no agendamento, e temos times focados exclusivamente em melhorar isso.

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Como a inteligência artificial tem impactado a Petlove e a sua própria rotina como executiva?

A mudança é gigantesca. Na época do meu mestrado nos EUA, tive um foco grande em dados e machine learning, mas o trabalho era construir algoritmos preditivos e regressões. Hoje, a IA tem um nível de autonomia impressionante. O grande desafio é como dar o contexto certo para que ela funcione. Na Petlove, encorajamos todos a usarem: temos reuniões semanais de compartilhamento, plataformas de treinamento e áreas centrais focadas em aplicar a IA no atendimento, sempre com muito cuidado para garantir uma experiência fluida. No meu dia a dia, uso desde o básico para agendar reuniões e polir mensagens, até para montar dashboards de OKRs e analisar os dados das reclamações que chegam dos clientes.

Vocês conquistaram o selo Sistema B. Como foi esse processo e a preocupação com o impacto social?

Quando assumi como CEO, o meu sonho era garantir que a Petlove tivesse um impacto positivo e escalável na cadeia. Pensava muito na minha própria história: tenho um avô que era caminhoneiro e outro que trabalhava no Centro de Distribuição da Colgate. Nossa operação toca muitas vidas parecidas com as deles. A ideia era democratizar o acesso, permitindo que famílias das classes C e D também tivessem o direito de cuidar da saúde do seu pet, suprindo uma carência de serviços públicos.

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Para não ficar em uma ideia etérea, fomos pesquisar. Falei com uma executiva que veio da Natura e ela estruturou como poderíamos medir isso. Foi o que nos guiou para o selo Sistema B. Também criamos um ambiente onde os colaboradores podem ter ações da companhia e acessar benefícios igualitários, como a licença parental.

Olhando para trás, como foi a sua trajetória profissional, desde a infância na Zona Norte de São Paulo até a cadeira de CEO?

Minha mãe começou a vida como empregada doméstica e meu pai, como marceneiro. Eles me deram uma casa com muito amor e garra. O primeiro ponto de virada foi conseguir uma bolsa de estudos em um colégio particular, aos sete anos, graças a uma assistente social. Foi uma adaptação difícil, porque eu convivia com pessoas de realidades econômicas muito diferentes. Não tinha uniforme novo, usava um doado, com joelheira. Isso me ensinou, desde nova, a me adaptar.

Quando criança, quis ser aeromoça e depois jornalista, só porque meu sonho era viajar o mundo. Depois, por causa do meu senso de justiça, achei que queria ser advogada. Mas minha mãe conseguiu um emprego em uma empresa, viu que os chefes eram formados na FGV e colocou isso na cabeça. Toda vez que eu falava de uma profissão nova, ela me desanimava e dizia: “Faz GV primeiro, depois você faz Direito”. Ela me direcionou e eu consegui passar com bolsa. Na FGV, acabei indo para finanças, mas logo percebi que queria entender a fundo as empresas e fui para consultoria, no BCG.

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E como você foi parar na China?

Com o dinheiro que juntei no começo da carreira, fui fazer uma volta ao mundo. Passei pela China, me encantei e decidi que queria falar mandarim. Fui passar férias em Pequim para estudar e, em determinado momento, recebi uma proposta para lançar uma operação da BRF por lá. Fiquei quase três anos e descobri minha paixão por colocar a mão na massa. Depois, fui fazer um mestrado nos Estados Unidos junto com o meu marido.

Acervo pessoalTalita passou quase três anos morando e trabalhando na China

Ao voltar para o Brasil, me juntei à gestora Tarpon, que estava criando a Kamaroopin com o Pedro Faria. Fui a segunda sócia. Nosso primeiro investimento foi a Petlove. Eu ficava no prédio vizinho e comecei a vir ajudar o Márcio no dia a dia, com recrutamento e estratégia. Até que um dos sócios me disse que eu deveria ser a CEO quando abriu o processo de sucessão. Fui candidata achando que jamais passaria, mas passei.

Você teve lideranças femininas que te inspiraram ao longo da carreira?

Profissionalmente, tive líderes maravilhosas, como a Flávia Faugeres na BRF. Também tive homens que abriram portas, como o Daniel Azevedo, no BCG, e o próprio Pedro Faria, que sempre me mentorou. Hoje, faço questão de retribuir participando de programas de mentoria com mulheres, empreendedores e crianças carentes.

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Como a maternidade impactou a sua carreira e as suas ambições?

Tive a minha primeira filha no meio do mestrado nos EUA. Não foi planejado. Tive que levá-la para amamentar durante as aulas, mas fazia uma boa dupla com meu marido. A maternidade colocou minha motivação em outro lugar: querer deixar um mundo melhor para elas. Mas o principal foi a gestão do tempo. Aprendi a dizer “não”, o que foi uma das grandes viradas da minha carreira. Antes, eu dizia sim para tudo, virava noites. Ter filhos me ensinou a priorizar.

Quais outras lições você aprendeu ao longo do tempo?

Aprendi a parar de pedir permissão e, às vezes, pedir perdão. No começo, eu achava que a oportunidade viria até mim. Depois, entendi que você precisa se posicionar, ser assertiva na comunicação e criar a sua chance.

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Para manter o ritmo de crescimento, como você planeja o futuro da companhia?

Nós trabalhamos muito com objetivos Moonshot. Primeiro, nós sonhamos alto e desenhamos o que queremos para daqui a cinco anos. Depois, traduzimos esse sonho em metas para um ano. E, por fim, quebramos esse um ano em passos de execução de três meses. É um passo por vez. Se o meu sonho lá na frente é ter um NPS de 90, o que eu preciso fazer nos próximos três meses para chegar lá? Vamos testando e adaptando.

Como é a sua rotina hoje?

Acordo à 5h da manhã, faço exercícios e levo as crianças na escola antes de vir para o escritório. Tenho o compromisso de chegar mais cedo em casa pelo menos uma vez por semana para colocar minhas filhas para dormir, e tento sempre jantar com meu marido. Uma vez por semana faço home office. Os finais de semana são 100% da família. Desconectamos, cozinhamos juntos e jogamos muito jogo de tabuleiro. Na adolescência eu era bem nerd com isso, adorava, e agora compro vários para jogar com as crianças. Também pinto quadros com a minha filha.

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A sua mãe foi uma grande influência na sua vida e na carreira. Tem alguma memória ou lição dela que te acompanha até hoje?

Minha mãe é meu exemplo número um. Lembro de uma vez em que ela me levou para o interior, onde tentaria vender produtos. Ela não conseguiu fazer a venda no primeiro dia e chegou a chorar. Acabamos em uma pousada simples e ela convenceu o dono a nos deixar dormir lá, prometendo pagar no dia seguinte. Eu fiquei super preocupada, mas ela disse: “Vou fazer dar certo”. No outro dia, ela vendeu, pagou a pousada e ainda me levou para tomar sorvete. Ela sempre teve essa determinação.

Você tem algum pet em casa?

Temos a May, nossa cachorrinha que adotamos cinco anos atrás, pouco antes de eu entrar na Petlove. A minha mãe, que é a “pet lover raiz”, também tem. Ela dorme com os pets e me manda sugestões de melhorias para a empresa o tempo todo (risos).

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Talita com sua cachorra, May
DivulgaçãoTalita com sua cachorra, May

Quais são os seus próximos objetivos à frente da Petlove?

Queremos ser a marca mais amada do Brasil e de maior confiança para os veterinários. Também queremos estar entre as melhores empresas para trabalhar — hoje somos a terceira do varejo segundo o ranking da Great Place To Work, mas a ambição é estar entre as melhores globais. Meu objetivo é garantir que a empresa continue escalando sem perder sua essência.

E na vida pessoal?

Quero ver minhas filhas se tornarem mulheres independentes e felizes. Queremos manter a tradição de viajar todo ano para conhecer uma cultura nova — o próximo destino é a China e Taiwan, já que elas começaram a estudar chinês. Quem sabe, em um futuro bem distante, quando eu me aposentar, eu abra uma floricultura junto com uma livraria para viver ali, fazendo arranjos e tendo uma vida bem tranquila.

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Por Que o Escritório Pode Ser Mais Importante Quando Ninguém Quer Estar Lá

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Uma coisa curiosa acontece nos escritórios sempre que o clima fica excepcionalmente bom: as mesas ficam vazias.

Alguém sugere transferir a reunião da tarde para o ambiente virtual. O grupo de WhatsApp do escritório se enche de fotos de laptops em jardins. Na hora do almoço, um prédio projetado para centenas de funcionários pode parecer estranhamente abandonado, enquanto o trabalho continua normalmente em cozinhas, varandas e qualquer outro lugar com Wi-Fi.

Para os executivos, há uma pergunta óbvia escondida nessa cena: Por que estamos pagando por todo esse espaço?

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É uma pergunta razoável. O mercado imobiliário comercial é caro, o trabalho híbrido está consolidado e os funcionários demonstraram que grande parte do trabalho intelectual pode ser realizada praticamente em qualquer lugar. Um escritório vazio em uma quarta-feira ensolarada pode parecer uma evidência particularmente convincente de que as empresas deveriam reduzir seu espaço físico.

Mas talvez estejamos tirando a conclusão errada de mesas vazias.

Um escritório cheio todos os dias pode não ser mais uma evidência de um ambiente de trabalho saudável. Da mesma forma, um escritório que fica ocasionalmente vazio não significa necessariamente que ele não tenha valor. A questão mais interessante é se entendemos mal para que serve um escritório atualmente.

Ocupação é uma medida de valor surpreendentemente ruim

Durante a maior parte do século 20, os escritórios tinham uma finalidade simples. Era onde o trabalho acontecia. Se os funcionários não estavam lá, em muitos casos o trabalho também não estava. A tecnologia rompeu essa relação.

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Um analista financeiro pode montar um modelo em casa. Um advogado pode revisar documentos em uma cafeteria. Uma equipe de marketing pode realizar uma reunião entre quatro países sem que ninguém precise compartilhar o mesmo espaço. Quando o trabalho se tornou portátil, as organizações começaram a se deparar com uma incompatibilidade desconfortável entre os prédios que possuíam e o comportamento das pessoas que os utilizavam.

Pesquisas sobre o trabalho híbrido tornaram o cenário mais complexo, e não mais simples. Estudos descobriram que modelos híbridos podem melhorar a retenção sem prejudicar o desempenho, especialmente quando os funcionários têm autonomia significativa para decidir onde trabalhar. Isso é importante porque desafia uma das premissas por trás de muitos debates sobre o retorno ao escritório: a ideia de que uma maior presença física necessariamente produz melhores resultados para as organizações. Isso não é necessariamente verdade.

Se os funcionários conseguem desempenhar suas funções de forma eficiente em outros lugares, contar quantas mesas estão ocupadas diz muito pouco aos líderes. Um escritório parcialmente vazio pode representar desperdício de dinheiro. Mas também pode representar uma força de trabalho com autonomia adequada. Os números podem ser idênticos, mas as empresas são completamente diferentes.

As pessoas não precisam do escritório todos os dias. Precisam dele nos dias certos

É aqui que o debate sobre trabalho remoto e presencial se torna desnecessariamente binário.

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Há dias em que trabalhar de casa é simplesmente melhor. Escrever um relatório, analisar dados ou preparar uma apresentação complexa pode se beneficiar de várias horas ininterruptas, longe de conversas e reuniões. Levar uma hora para chegar ao escritório apenas para ficar diante de um computador usando fones de ouvido e participar de chamadas virtuais com colegas que estão em outros lugares é difícil de defender como um uso eficiente do tempo de qualquer pessoa.

Há outros dias em que estar junto faz uma enorme diferença.

Pesquisas sobre colaboração descobriram que o trabalho remoto pode tornar a comunicação mais segmentada, levando os funcionários a interagir com um grupo menor de colegas. Isso não significa que o trabalho remoto seja ineficiente. Sugere que algumas das interações valorizadas pelas organizações são mais difíceis de reproduzir digitalmente, especialmente os vínculos mais frágeis e os encontros não planejados que conectam pessoas fora de suas equipes imediatas.

Pense em quanto conhecimento dentro de uma organização circula informalmente. Alguém ouve falar de um problema e sabe exatamente quem pode resolvê-lo. Um funcionário júnior observa como um colega sênior conduz uma conversa difícil. Duas pessoas continuam conversando por dez minutos depois de uma reunião e descobrem que seus projetos se sobrepõem.

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Ninguém agenda esses momentos.

É justamente por isso que eles são importantes.

O escritório pode, portanto, estar se tornando menos importante como lugar para realizar o trabalho e mais importante como espaço onde são construídos os relacionamentos ligados ao trabalho.

Pare de pedir que os funcionários voltem sem dar um motivo

A maneira mais rápida de fazer os funcionários se ressentirem do escritório é exigir que compareçam simplesmente porque a organização é dona daquele espaço.

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As pessoas percebem imediatamente quando a presença física não faz sentido. Se alguém gasta dinheiro para se deslocar até uma cidade apenas para participar de seis chamadas pelo Teams que poderia fazer de casa, dizer que a presença no escritório é importante para a “colaboração” dificilmente será convincente.

Pesquisas sobre autonomia no trabalho mostram de forma consistente que dar às pessoas um controle significativo sobre como realizam suas funções está associado a maior motivação e bem-estar. Isso torna as exigências rígidas de presença particularmente interessantes. Uma organização pode conseguir um escritório mais cheio e, ao mesmo tempo, enfraquecer algo muito mais valioso: a sensação dos funcionários de que são confiáveis para tomar decisões sensatas.

Há uma abordagem melhor. Faça com que valha a pena ir ao escritório.

Concentre colaboração, mentorias, discussões difíceis e construção de relacionamentos nos dias em que as pessoas estiverem juntas. Reserve outros dias para o trabalho concentrado. Dê às equipes alguma influência sobre essa dinâmica, em vez de presumir que uma única política servirá igualmente para contadores, designers, vendedores e engenheiros de software.

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A pergunta para os líderes não deveria ser: “Como fazemos as pessoas voltarem?”

Deveria ser: “O que faria valer a pena estar juntos?”

Talvez um escritório vazio não seja o problema

Ainda existe uma realidade financeira. Empresas que pagam aluguéis enormes por prédios que permanecem quase sempre vazios deveriam, obviamente, questionar se precisam de tanto espaço. O trabalho híbrido pode, em última análise, exigir escritórios menores, contratos de locação diferentes e prédios projetados para a colaboração, em vez de fileiras de mesas individuais.

Mas a utilização merece uma análise mais sofisticada do que simplesmente dividir o número de funcionários presentes pelo número de cadeiras disponíveis.

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Imagine um escritório quase vazio em uma bela tarde de verão. Talvez dezenas de funcionários realmente estejam trabalhando em seus jardins. Se o trabalho está sendo realizado, os clientes estão satisfeitos e as equipes apresentam bom desempenho, é difícil argumentar que encher o prédio automaticamente melhoraria alguma coisa.

Agora imagine o mesmo escritório dois dias depois, movimentado porque uma equipe está lançando um projeto, novos funcionários estão conhecendo os colegas e gestores estão tendo conversas que funcionam melhor presencialmente. O prédio não mudou. Sua finalidade mudou.

É para isso que o futuro do escritório pode estar caminhando. Passamos décadas tratando os escritórios como espaços para abrigar trabalhadores e, então, ficamos surpresos quando os funcionários começaram a questionar por que precisavam estar confinados neles.

Pesquisas indicam cada vez mais que as reais vantagens de estar juntos estão relacionadas à conexão, à colaboração e ao aprendizado, e não simplesmente a ocupar o mesmo prédio. Se isso estiver correto, o escritório bem-sucedido do futuro poderá, às vezes, parecer surpreendentemente vazio.

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Talvez os líderes devam se preocupar menos em saber se os funcionários estão sentados em suas mesas e muito mais interessados no que acontece quando eles escolhem entrar pela porta.

Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Negócios

Gol Anuncia André Fehlauer Como Novo CEO

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A Gol Linhas Aéreas anunciou André Fehlauer como novo CEO. O executivo assume o posto no início de setembro e sucede Celso Ferrer, que estava na posição desde 2022 e deixa a companhia para assumir a presidência da Boeing para a América Latina e o Caribe.

“Ao longo de mais de 20 anos nesta companhia, tive o privilégio de crescer ao lado de pessoas extraordinárias, compartilhar desafios, superar momentos difíceis e celebrar conquistas”, diz Ferrer. “Deixo minha posição confiante de que a companhia vive um dos momentos mais promissores de sua história.”

André Fehlauer retorna à Gol, onde trabalhou anteriormente por oito anos e chegou a ser CEO da Smiles na Argentina e no Brasil.

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Em sua posição mais recente, atuava como CEO da Livelo. Com mais de 30 anos de carreira, é formado em administração e também soma passagens por empresas como Citi e Credicard.

Além do novo CEO, a Gol também anunciou que Albert Perez, atual COO, assumirá responsabilidades adicionais como presidente e COO.

Perez ingressou na Gol no primeiro semestre de 2024. Soma mais de duas décadas de experiência no setor de aviação e passagens por empresas como Avianca, JetSMART e Vueling.

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Negócios

5 Hábitos Matinais Que Evitam a “Sobrecarga Pré-Trabalho”

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Para milhões de profissionais, o dia de trabalho não começa ao abrir o notebook, mas no momento em que pegam o celular.

Se você se identifica com essa rotina, é provável que já cumpra um expediente inteiro antes mesmo do café da manhã: passa os olhos por uma caixa de entrada lotada, responde a notificações do Slack, checa as redes sociais e revive mentalmente a reunião difícil de ontem.

O resultado? Quando você está oficialmente “no trabalho”, já está emocionalmente esgotado.

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A “sobrecarga pré-trabalho”

Este fenômeno atual — que especialistas descrevem como sobrecarga pré-trabalho — é caracterizado por ansiedade, confusão mental e fadiga emocional que se acumulam antes mesmo de o dia começar. Embora as conversas sobre esgotamento frequentemente foquem em cargas de trabalho pesadas e longas horas, o verdadeiro problema pode começar muito mais cedo: na maneira como as pessoas fazem a transição do sono para o trabalho.

“A pressão para ser produtivo deixa um número expressivo de indivíduos emocionalmente esgotados antes mesmo do expediente de fato”, explica Jackson Parsons, especialista em carreira e criador do podcast “My Duvet Flip”. “Boa parte da força de trabalho inicia o dia e reage às exigências dos outros antes de verificar a si mesma. Sua caixa de entrada não deveria ditar seu estado emocional antes das 8 da manhã.”

O método P.A.U.S.E.

Em vez de recomendar outra rotina matinal elaborada ou forçar os profissionais a acordarem às 5 da manhã, Parsons desenvolveu o que ele chama de método P.A.U.S.E. — cinco pequenos hábitos projetados para reduzir a sobrecarga mental antes de iniciar a jornada de trabalho.

P: Pouse o celular

Para grande parte da equipe, checar o celular é a primeira atividade do dia. Segundos após acordar, o cérebro é inundado com e-mails, alertas de notícias, atualizações de redes sociais, mensagens de texto e notificações.

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Essa mudança imediata do descanso para o estímulo constante deixa pouca oportunidade para a mente despertar naturalmente. Adiar o uso do telefone — mesmo que por 15 ou 20 minutos — cria uma transição mais calma para o dia e reduz a sensação de estar instantaneamente “de plantão”. Em vez de permitir que as notificações determinem seus primeiros pensamentos, passe os primeiros minutos com alongamentos, prepare o café ou simplesmente permita que sua mente desperte antes de se conectar com o mundo exterior.

A: Afaste-se da sobrecarga da caixa de entrada

“O e-mail se tornou o despertador da rotina corporativa, e isso é parte do problema”, avalia Parsons. No momento em que você abre sua caixa de entrada, é confrontado com as prioridades alheias. Uma única mensagem urgente ou um pedido inesperado pode mudar o tom da manhã inteira antes mesmo da primeira refeição.

Em vez de começar o dia em um estado reativo, a recomendação é adiar a checagem de e-mails até concluir um ritual matinal simples, como vestir-se, comer ou fazer uma breve caminhada. Criar até mesmo um pequeno intervalo permite que você aborde o trabalho intencionalmente, em vez de reagir emocionalmente a qualquer coisa que caia primeiro na sua tela.

U: Uma manhã sem pressa

As manhãs modernas frequentemente parecem uma corrida contra o relógio. Inúmeros profissionais comem às pressas, rolam o feed do celular durante a escovação dos dentes, dividem a atenção entre múltiplas tarefas no café e pulam da cama para as reuniões sem um segundo para respirar.

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Essa constante sensação de urgência ensina ao cérebro que o estresse é a configuração padrão. A sugestão de Parsons é desacelerar intencionalmente uma etapa da manhã. Isso não exige adicionar outra tarefa a uma agenda já lotada. Beber café sem checar o e-mail, ouvir música no momento de se arrumar, sentar-se em silêncio por cinco minutos ou fazer uma curta caminhada são atitudes que criam uma mudança psicológica. Pequenos momentos de calma ajudam a interromper o ciclo de urgência perpétua que uma parcela tão grande da força de trabalho carrega, sem perceber, para o expediente.

S: Simplifique sua lista de tarefas

Outro fator que contribui para a “sobrecarga pré-trabalho” é a saturação mental. Boa parte dos profissionais acorda e já pensa em dezenas de pendências. Quando todas as responsabilidades parecem igualmente urgentes, o cérebro tem dificuldade para priorizar, o que faz com que o dia pareça avassalador antes de iniciar.

Em vez de criar uma lista interminável logo cedo, identifique uma única prioridade significativa para a data. Saber a tarefa que mais importa proporciona clareza, reduz a fadiga de decisão e faz com que todo o resto pareça mais gerenciável. “Nossos cérebros gostam de certeza”, diz Parsons. “Eles não gostam de caos.” Pesquisas comprovam que as incertezas inevitáveis da vida profissional despertam instantaneamente nossas reações de luta ou fuga e impactam diretamente a saúde mental.

E: Entre gradualmente no modo de trabalho

O trabalho remoto e híbrido eliminou uma transição antes considerada garantida por todos: o deslocamento. Embora o trajeto tivesse desvantagens óbvias, ele fornecia um limite psicológico entre a vida em casa e o trabalho. Hoje, equipes inteiras vão diretamente da cama para o laptop em questão de minutos, sem tempo para a mente “mudar de marcha”.

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Criar um breve ritual de transição ajuda a restaurar esse limite. Seja dar uma caminhada, preparar um café antes de abrir a caixa de mensagens, trocar de roupa, arrumar a mesa ou ouvir um podcast, rotinas consistentes sinalizam para o cérebro a hora exata de trabalhar. Sem elas, a profissão começa a parecer uma invasão em todos os cantos da sua vida familiar.

Pequenas mudanças previnem problemas maiores

Várias pesquisas ressaltam quão disseminado o estresse no trabalho se tornou atualmente. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio relata que quase metade dos americanos vivencia o estresse pelo menos uma vez por semana, enquanto um em cada seis o enfrenta diariamente. Outra pesquisa da empresa financeira Clarify Capital revela que 28% dos profissionais esgotados planejam ativamente deixar seus empregos.

O estresse corporativo nem sempre é causado por grandes cargas de trabalho. Às vezes, ele é amplificado pela forma como você se prepara — ou não se prepara — para o dia. O método P.A.U.S.E. não trata de maximizar a produtividade ou espremer mais realizações na sua manhã. Trata-se de reduzir a carga cognitiva e emocional desnecessária.

Para os empregadores, fica o lembrete de que o bem-estar da equipe começa muito antes da primeira reunião. Para os funcionários, o recado é simplificar. Existem 1.440 minutos em um dia. Praticar microrrespostas de cinco minutos a cada manhã reinicia a sua mente, diminui o estresse e ajuda você a começar o expediente com o pé direito. Além disso, você ainda terá 1.435 minutos restantes para fazer todo o resto.

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“A maioria das pessoas não precisa otimizar suas manhãs. Elas simplesmente precisam parar de começar todos os dias no modo de sobrevivência”, resume Parsons. Quando você inicia o dia centrado em vez de sobrecarregado, a probabilidade de trazer foco, resiliência e equilíbrio emocional para o trabalho é imensamente maior.

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

O post 5 Hábitos Matinais Que Evitam a “Sobrecarga Pré-Trabalho” apareceu primeiro em Forbes Brasil.

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