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A Carreira de Clint Eastwood: De Ator Subestimado a Mestre do Cinema

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Há os atores, há os bons atores, e há os excelentes atores, que podem dar vida a qualquer personagem de uma forma inesperada e tocante. Clint Eastwood passa ao largo de tudo isso. Ele não é sequer uma estrela, alguém cujo magnetismo pessoal se sobrepõe ao papel que exerce em algum filme.
Como escreveu o crítico de arte Louis Menand na revista New Yorker, alguns anos atrás, “um ator pode trabalhar por anos sem se tornar uma estrela, como aconteceu com John Wayne e Humphrey Bogart nos anos 1930”, e então, de repente, a aparência, o temperamento e o papel em um filme se conjugam e o público passa a enxergá-lo como a encarnação de seus desejos. “Ele se torna não apenas uma estrela, mas um mito”. Clint Eastwood é isso, um mito.
A gênese do mito, para Menand, ocorreu com o filme “Dirty Harry“, de 1971, em que ele interpretava um detetive justiceiro. Hoje em dia, com tantos filmes e séries retratando anti-heróis que desafiam as autoridades para fazer “o que é certo”, é difícil avaliar o impacto do personagem original. “Dirty Harry” (assim como suas sequências) acertou em cheio no que o público americano desejava ver naquele momento. “Por essa razão”, segue Menand, “Eastwood se tornou, como se fala, um ícone. Um homem menor, recebendo tamanha adoração, poderia ter seguido repetindo a si mesmo para sempre”.
Passei anos admirando essa análise. É tão comum vermos atores aprisionados por algum papel, e Clint conseguiu escapar dessa armadilha (uma das muitas) do sucesso. Para dar uma ideia de como isso é difícil, o ator Matthew McConaughey conta que passou quase dois anos sem trabalho porque só lhe ofereciam papéis em comédias românticas (em que seguiria se repetindo).
Muito além de Dirty Harry
Mas aí veio esta mais recente biografia, “Clint: The Man and the Movies”, do escritor e ex-crítico de cinema Shawn Levy. E eu percebi que Clint jamais correria o risco de se repetir. Nem mesmo uma personagem tão forte quanto o detetive Harry Calahan seria capaz de aprisioná-lo. Porque desde o início, desde muito antes do sucesso, Clint seguiu um caminho único, que o levou a experimentar de forma inimitável os trabalhos de ator, diretor, produtor e até político (foi prefeito da cidade de Carmel, na Califórnia, onde mora).
O início de sua carreira, há sete décadas, foi em filmes tão inexpressivos que ele pensou seriamente em voltar aos trabalhos braçais que fazia antes de conseguir uma vaguinha em um curso de atuação do estúdio Universal Pictures – no qual entrou apenas por ter visto que a sala tinha cerca de 30 mulheres e que, portanto, “ali era o seu lugar”. Quando estava prestes a desistir da carreira, surgiu um papel em uma série de TV (“Rawhide”), que lhe dava um salário mais do que bom para a época. A série não tinha diretor fixo. Assim, Clint conviveu com diversos profissionais; e rondava as câmeras, já tentando aprender como dirigir.
Clint, para dizer o mínimo, não brilhava como ator. Mas seu agente – que possivelmente era atraído por ele – conseguiu-lhe um papel num faroeste filmado… na Itália. Ninguém imaginava na época, mas o diretor, Sergio Leone, e o músico, Ennio Morricone, revolucionariam o gênero western, com tomadas amplas e close-ups dramáticos. Clint se tornou um sucesso estrondoso na Itália, depois em boa parte da Europa, muito antes de ser reconhecido nos Estados Unidos. E absorveu um tanto do estilo de Leone.

Sim, o sucesso pode aprisionar. Para Clint, uma pessoa inquieta e com uma ética de trabalho extrema (“o sonho do meu pai era ter uma loja de ferragens; eu sou o filho dele”, dizia), o sucesso libertou. A partir da década de 1970, começou a dirigir. Dirigiu ou produziu 43 filmes; atuou em 67. Fez músicas (letra ou melodia) em 9. Como diretor, é lendário por jamais gritar “ação!”, por filmar ensaios e declarar que já está satisfeito, economizar no orçamento e cumprir prazos curtos.
No Oscar, fez dobradinha de melhor diretor e melhor filme duas vezes: “Os Imperdoáveis”, um faroeste que é a melhor autocrítica dos filmes de faroeste já feita; e “Menina de Ouro”, um drama sobre uma boxeadora (que rendeu o segundo Oscar a Hillary Swank, como melhor atriz). Nos dois casos, como em vários de seus filmes, Clint esmiúça sem receios nem rodeios temas polêmicos, pungentes e profundamente humanos. De convicções libertárias (como tantos de seus personagens, avesso à excessiva interferência de autoridades) e conservador (mas também conservacionista), vários de seus filmes transmitem mensagens progressistas. Ou no mínimo obrigam à reflexão.

O homem por trás da lenda
A biografia de Levy traz equilíbrio à figura de Clint. Os livros mais parrudos sobre ele haviam sido, o primeiro excessivamente condescendente; o segundo, extremamente ferino. Embora não tenha tido acesso a Clint, o autor consegue trilhar um tom ao mesmo tempo crítico – de suas inúmeras traições, da relativa frieza, dos filhos fora do casamento – e justamente embevecido. Seu trabalho de pesquisa resgata as histórias e a recepção (de crítica e bilheteria) dos principais filmes, e você se pega torcendo para chegar logo aos seus favoritos.
Clint Eastwood tinha 94 anos quando seu mais recente filme, “Jurado Nº 2”, estreou, em 2024. Na época, anunciou que já estava pensando no próximo. De lá para cá, o projeto esfriou; há rumores de que ele tenha finalmente, aos 96 anos, decidido curtir a aposentadoria. Mas, como diz Levy, com Clint nunca se sabe.
*Reportagem publicada na edição 141 da revista Forbes, em maio de 2026.
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Investimento por aluno no Brasil é de 1/3 da média dos países da OCDE

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No Brasil, o gasto anual por aluno desde o ensino fundamental até o ensino superior foi de US$ 4.133 em 2023. O valor corresponde a cerca de um terço (30,39%) da média gasta pelos demais países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (US$ 13.601 por estudante).
Os dados divulgados na terça-feira (29) fazem parte do relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026), publicado pela OCDE. O documento traça um quadro dos principais desafios de sistemas educacionais ao redor do mundo e traz dados de 50 países, incluindo o Brasil.
Na comparação dos gastos anuais por estudante, o investimento brasileiro também ficou abaixo da média de alguns países da América Latina. O Chile, por exemplo, registrou o gasto anual por estudante de US$ 5.794 e a Costa Rica, US$ 7.028/aluno. Os valores foram ajustados para neutralizar as diferenças no custo de vida entre os países.
Investimento público
Apesar do gasto por aluno ser inferior à média dos países, o Brasil investe uma parcela maior do PIB em comparação à média da organização. Em 2023, o gasto público com educação foi de 4,5% do PIB, enquanto entre os países-membros da OCDE o patamar foi de 4%.
Em nota, o MEC (Ministério da Educação) destacou que o relatório aponta queda dos investimentos em educação ao longo de oito anos em todas as localidades. “Entre 2015 e 2023, o indicador [PIB] passou de 5,5% para 4,6% no Brasil e de 4,4% para 4,2%, na média dos países da organização com dados disponíveis para os dois anos”, diz a nota do MEC.
Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, entende que o gasto por aluno abaixo da média dos demais países da OCDE compromete os resultados na aprendizagem, apesar da proporção do investimento ser maior. “O Brasil já investe mais em proporção do PIB do que a média da OCDE, mas quando se traduz em gasto por aluno, ficamos em um patamar muito abaixo. Esse é um dado a ser lembrado sempre quando se cobra, de forma irrealista, que o desempenho seja igual.”
Investimento na educação
O relatório mostra também que os gastos governamentais com educação no Brasil e nos demais países tendem a aumentar conforme o nível de ensino. No Brasil, em 2023, o valor investido por aluno/ano no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano) foi de US$ 4.064, enquanto no fundamental 2 (6º ao 9º ano) passou para US$ 4.390. Nos países da OCDE, a média gasta por estudante do ensino fundamental1 foi de US$ 12.893; e no fundamental 2, a média alcançada foi de US$ 14.291.
Despesas correntes
No relatório, os gastos em educação foram divididos em despesas de capital (investimentos como infraestrutura) e despesas correntes, que cobrem os custos operacionais regulares das atividades.
O Brasil tem a remuneração de pessoal docente como maior componente das despesas correntes: 75% do orçamento operacional no ensino fundamental é destinado ao salário de professores e demais profissionais da educação. O percentual fica abaixo do registrado na média dos países da OCDE (79%).
Education at a Glance 2026
O Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026) apresenta dados sobre educação de todos os países da OCDE e do Brasil, que é parceiro do programa INES (Indicators of Educational Systems). O relatório também inclui informações de membros do G20 e países em processo de adesão à OCDE, mas que não são membros do INES.
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Taxa de Desemprego Cai para 5,3%, a Menor para o Trimestre até Agosto
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A taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto ficou em 5,3%, a menor já registrada para o período desde 2012, quando se inicia a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o instituto registrou recorde no número de trabalhadores ocupados, carteira assinada, massa salarial e contribuição para a previdência.
O desempenho do desemprego no período de três meses até agosto representa recuo em relação ao trimestre móvel até maio (5,6%) e em comparação ao mesmo período de 2025 (5,6%). De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o resultado veio em linha com a expectativa de analistas do mercado.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta terça-feira (29).
O levantamento mostra que no trimestre até agosto a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, a maior já registrada. Esse contingente representa alta de 0,8% em relação ao trimestre até maio, isto é, mais 774 mil trabalhadores.
A pesquisa revela ainda que os grupamentos de atividade que puxaram a alta da ocupação foram a indústria geral (crescimento de 2%, ou mais 265 mil pessoas) e construção (4,1%, ou mais 306 mil pessoas).
Carteira assinada na máxima
O número de empregados do setor privado com carteira assinada atingiu 39,5 milhões, também recorde.
A população desocupada terminou o período em 5,8 milhões de pessoas, recuo de 4,6% (menos 281 mil) na comparação com o trimestre de março a maio.
A população desalentada, formada por aquelas pessoas que sequer procuram trabalho pois acreditam que não vão encontrar, somou 2,4 milhões até agosto – patamar estável em relação ao trimestre anterior e 11,9% menor (menos 317 mil) em relação ao mesmo período de 2025.
A taxa de informalidade – proporção de trabalhadores informais na população ocupada – foi de 37,5%, o que representa 38,8 milhões de pessoas. No trimestre anterior era 37,3%.
O IBGE aponta como informais os trabalhadores sem carteira e os autônomos e empregadores sem CNPJ. Essas pessoas não têm garantidas coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.
Massa salarial recorde
O rendimento mensal médio do trabalhador ficou em R$ 3.777. No trimestre até maio era R$ 3.752. O maior já registrado foi R$ 3.804, no primeiro trimestre de 2026.
A massa salarial, somatório dos salários de todos os trabalhadores, dinheiro que acaba sendo usado para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança, alcançou R$ 385,6 bilhões, a maior da série, com crescimento de 1,4% no trimestre (mais R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% (mais R$ 17,5 bilhões) em um ano.
Recorde de contribuintes para a Previdência
De acordo com a Pnad, o Brasil atingiu o maior número já apurado de trabalhadores contribuintes para institutos de previdência, 68,5 milhões de pessoas. Isso representa que de cada 100 trabalhadores, 66,2 contribuem.
Ao contribuir para institutos de Previdência, o trabalhador adquire garantias como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.
O IBGE considera contribuintes os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e por conta própria que tenham contribuído para institutos de Previdência oficial federal (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estadual ou municipal.
Retrato do mercado de trabalho
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
O menor desemprego já registrado pela Pnad foi 5,1%, no último trimestre de 2025. A maior taxa já constatada foi 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
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Eu preferia minha vida antiga, diz Vozinha, herói Cabo-verdiano da Copa do Mundo

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Vozinha não sofreu gols contra a Espanha — que acabou se sagrando campeã — e contra a Arábia Saudita, graças às suas defesas excepcionais, ajudando Cabo Verde a chegar à fase eliminatória da Copa do Mundo deste ano, mas o goleiro de 40 anos se sente impotente diante da intensa atenção que a fama trouxe para sua vida.
Cabo Verde, um arquipélago próximo à costa oeste da África com uma população de cerca de 500 mil habitantes, surpreendentemente chegou à fase eliminatória em sua primeira participação no torneio mundial, antes de perder por 3 x 2 para a Argentina.
Vozinha, cujas atuações lhe renderam uma indicação ao Troféu Yashin de melhor goleiro do ano, tornou-se uma estrela mundial, com o número de seguidores no Instagram disparando de 56 mil para 28 milhões de pessoas.
“Perdi minha paz e tranquilidade. Não tenho mais privacidade”, disse Vozinha ao jornal britânico Observer.
“Vou a um restaurante e sempre tem alguém querendo tirar uma foto comigo ou pedindo um autógrafo. Ou pior ainda, alguém me filmando… Acho que não há nada que eu possa fazer a respeito.”
Seus familiares também foram afetados, com fãs aparecendo diariamente na casa de sua mãe, em Cabo Verde.
“Não estou lá, então não posso ajudá-los”, disse Vozinha, que deixou o Chaves, clube da segunda divisão portuguesa, para se juntar ao Colo-Colo, do Chile, em julho.
“Muita gente quer ser famosa… mas só vê o lado positivo dessa realidade. Para ser sincero, se me oferecessem a vida que tenho hoje ou a vida que eu tinha antes, eu escolheria a que eu tinha antes.”
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