Negócios
Como Escolher uma Universidade na Era da IA
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Na manhã de 2 de setembro, primeiro dia das aulas de outono nos Estados Unidos, o reitor do Harvard College, David Deming, enviou um e-mail aos alunos de graduação dizendo ser favorável a “incentivar ativamente o uso de IA quando ela puder aprofundar o aprendizado”.
Deming recomendou que os professores adotassem avaliações, como provas supervisionadas, nas quais os estudantes não pudessem recorrer à IA — isto é, usá-la para trapacear.
Também sugeriu incorporar a tecnologia às disciplinas de redação, em vez de tentar controlar seu uso. Alguns professores de humanidades, horrorizados, reagiram. A própria escrita, argumentou um deles, faz parte do processo de aprender a pensar.
Outro demonstrou preocupação de que o uso de IA pudesse desencorajar os estudantes de “desenvolver suas próprias respostas a obras de arte, música, literatura e filosofia”. Por enquanto, os professores de Harvard continuam definindo suas próprias regras.
Bem-vindos à era da incerteza (e até do caos) que recebe os calouros universitários de hoje, a turma de 2030.
As universidades na era da IA
Faculdades e universidades estão sendo obrigadas a repensar algo fundamental: como os estudantes devem aprender e que tipo de educação vai prepará-los para prosperar nesse novo mundo?
Escolher uma universidade, que já era uma tarefa difícil, ficou ainda mais complicado à medida que as instituições adotam abordagens muito diferentes em relação à IA — e ninguém sabe ainda qual delas vai funcionar.
No Amherst College, o presidente Michael Elliott está experimentando. No último ano, ele disse aos alunos de seu curso de literatura que poderiam usar IA em algumas atividades, desde que explicassem como haviam utilizado a tecnologia. “O que também foi uma experiência de aprendizado para mim, e não tenho certeza do que vou fazer este ano”, diz.
Segundo ele, os professores da Amherst estão “em todos os extremos” quando o assunto é IA: alguns estão voltando às provas em cadernos e aos exames orais, enquanto outros abraçam a tecnologia.
Por enquanto, a universidade pediu aos professores que deixem claro em seus planos de ensino o que é — e o que não é — permitido. “Ainda não temos uma grande estratégia para definir como vamos fazer isso.”
Como será o futuro do trabalho
Não é possível prever como serão o mercado de trabalho e o ensino superior daqui a quatro anos. “A única coisa com que podemos contar é que as coisas vão mudar”, diz Karen Brennan, professora Timothy E. Wirth de Prática em Tecnologias de Aprendizagem da Harvard Graduate School of Education.
Diante dessa incerteza, faz sentido começar a busca por uma universidade com aquilo que já sabemos sobre o que determina o sucesso educacional e, depois, fazer algumas perguntas sobre o futuro da IA, que detalhamos mais adiante nesta reportagem.
As universidades, afirma a professor, continuam sendo “um lugar maravilhoso para desenvolver” a capacidade de lidar com essas mudanças. “A IA não está tornando isso obsoleto — está apenas nos dando uma nova maneira de pensar sobre a importância e a necessidade da adaptabilidade.”
O manual de uso da IA está sendo escrito e reescrito em tempo real. Mas universidades e famílias que pensam no futuro devem fazer as grandes perguntas agora e voltar a elas à medida que surgirem evidências sobre o que realmente funciona. Estas são algumas das questões que estudantes e seus pais devem considerar.
A universidade tem regras claras para o uso de IA?
As universidades podem não chegar às mesmas conclusões, mas deveriam ao menos estar desenvolvendo políticas claras para o uso de IA, para que os estudantes saibam o que esperar — mesmo que as regras variem de uma disciplina para outra.
Por que a política de uma universidade importa? Porque os próprios estudantes estão exigindo isso. “A liderança estudantil tem pedido diretrizes e orientações”, diz Benjamin Hermalin, vice-chanceler e reitor acadêmico da University of California, Berkeley, onde os professores definem suas próprias regras para o uso de IA.
Embora não seja do “estilo de Berkeley” determinar como os professores devem lidar com uma nova tecnologia, ele afirma: “Acho que vamos evoluir lentamente para ter um pouco mais de padronização porque os estudantes realmente querem isso”. Em parte, acrescenta, eles querem essas regras porque temem que colegas que usam IA para trapacear levem vantagem.
Deming, de Harvard, levantou a mesma preocupação em seu e-mail aos alunos de graduação. Proibições de IA que não podem ser fiscalizadas, escreveu, criam “um dilema difícil para estudantes que não querem trapacear, mas também temem ficar para trás em relação aos colegas”. Harvard planeja desenvolver diretrizes neste ano.
A University of Michigan está tentando encontrar um meio-termo. Em 3 de setembro, a instituição divulgou um rascunho de princípios orientadores para o uso de IA em toda a universidade no ensino e na aprendizagem e convidou a comunidade acadêmica a fazer comentários antes da versão final.
Os planos incluem o uso “responsável e centrado nas pessoas” da IA, além de atenção à ética, integridade, proteção da privacidade e outros aspectos.
A melhor maneira de descobrir como o uso de IA realmente funciona em uma universidade é perguntar aos estudantes, aconselha Steve Fitzpatrick, professor de história no ensino médio, colaborador da Forbes e autor da newsletter no Substack Teaching in the Age of AI.
“Você aprende muito mais fazendo perguntas aos estudantes porque eles vão revelar coisas que podem estar fora do roteiro da universidade”, afirma. “Por exemplo: ‘Até que ponto os alunos colam aqui?’”
Os professores recebem ajuda para entender como lidar com a IA?
Os estudantes não são os únicos que estão aprendendo a usar a nova tecnologia. As famílias que estão pesquisando universidades devem perguntar o que a instituição está fazendo para ajudar os professores a acompanhar essas mudanças. E é importante olhar além de treinamentos pontuais ou de uma lista de ferramentas aprovadas.
Brennan afirma que os professores precisam de duas coisas: tempo para experimentar e apoio institucional que os ajude a aprender com o que outros professores estão fazendo, tanto dentro quanto fora da sala de aula.
“Pode parecer realmente assustador quando você não tem a oportunidade de experimentar as ferramentas, cometer erros ou praticar por conta própria”, diz. “Saber o que outras pessoas estão fazendo, poder compartilhar nossos experimentos, nossos sucessos e nossos fracassos — é isso que vai ajudar a ampliar nossa imaginação pedagógica.”
Os estudantes também devem fazer parte desse aprendizado e dessa experimentação. Em Harvard, os professores podem receber orientação individual e participar de workshops, enquanto, segundo ela, os próprios estudantes organizaram eventos e convidaram especialistas externos para o campus.
Durante uma visita à universidade, pergunte a um professor por um exemplo específico de como ele mudou uma atividade ou prova por causa da IA. Pergunte aos estudantes se os professores explicam os motivos por trás de suas regras para o uso da tecnologia, e se os alunos têm voz na definição dessas regras.
Vou aprender a usar IA independentemente da minha área de estudo?
Os estudantes não deveriam precisar cursar ciência da computação para adquirir experiência com IA. A University of Florida oferece um modelo.
Depois de receber uma doação de US$ 70 milhões (R$ 356 milhões) de Chris Malachowsky, cofundador da Nvidia e ex-aluno da instituição, a universidade criou o que chama de “AI University”, com o objetivo de fazer com que todos os formandos saiam da instituição com algum conhecimento de inteligência artificial.
Atualmente, oferece mais de 200 disciplinas relacionadas à IA em diferentes áreas. Quase 70% dos estudantes que se formam fizeram pelo menos uma delas, afirma Hans van Oostrom, diretor da iniciativa acadêmica de IA. “Estudantes de todas as áreas precisam saber alguma coisa sobre IA”, diz. “Não é algo restrito à ciência da computação e à engenharia.”
Mas uma longa lista de disciplinas não significa necessariamente que os estudantes estejam aprendendo a usar a tecnologia de maneira responsável.
A Arizona State University está avançando agressivamente na adoção de IA. “Acho que nossa filosofia, de forma bastante simples, tem sido nos envolver cedo e com frequência”, diz Anne Jones, vice-reitora de graduação da ASU.
Mas Jones afirma que simplesmente ter usado ChatGPT, Claude ou outra ferramenta de IA generativa não torna um estudante alfabetizado em IA. A ASU espera que os alunos compreendam como a tecnologia funciona, avaliem seus vieses e limitações e considerem se utilizá-la em determinada situação está de acordo com seus valores pessoais.
Da mesma forma, é importante que os estudantes aprendam a usar a IA de maneira eficaz dentro de suas próprias áreas — algo que será muito diferente para um estudante de química e para um roteirista.
Isso significa que os candidatos devem olhar além de saber se uma universidade oferece uma graduação relacionada à IA ou se divulga o desenvolvimento de um chatbot próprio.
Jones sugere perguntar como é o debate mais amplo da instituição sobre IA, quais medidas concretas foram tomadas e como essas decisões afetarão um estudante na área que ele pretende estudar. “Ser capaz de entender tanto a filosofia institucional quanto obter alguns exemplos concretos é o que realmente dá às pessoas confiança de que existe conteúdo por trás do discurso”, afirma.
Vou desenvolver habilidades que continuam importantes ao lado da IA?
A necessidade de desenvolver “pensamento crítico” para ter sucesso na era da IA é tão mencionada que corre o risco de soar como um clichê. O mesmo vale para a necessidade de desenvolver habilidades de interação humana.
O orientador universitário Brennan Barnard sugere perguntar: “Quais são as formas pelas quais a universidade está preparando os estudantes para essas habilidades humanas duradouras?”
“Essas são as chamadas soft skills, mas elas não têm nada de fáceis. Na verdade, são incrivelmente difíceis”, diz Elliott, de Amherst, apontando para a capacidade de trabalhar com pessoas de diferentes origens, persuadir uma audiência e ouvir.
“Você aprende essas coisas estando frente a frente, em comunidade, com outras pessoas”, afirma. “Meu conselho para as famílias seria perguntar: a instituição está tentando usar a IA como uma muleta, em vez de como uma ferramenta?”
Pergunte sobre disciplinas específicas voltadas ao desenvolvimento dessas habilidades. A Stanford University, por exemplo, está ampliando seu programa obrigatório Civic, Liberal and Global Education (COLLEGE) para os calouros, que passará de dois para três trimestres a partir de 2027.
Parte do currículo de formação geral, o programa convida os estudantes a refletir sobre “como ideias, evidências científicas e arte podem contribuir para seu desenvolvimento pessoal” e os coloca em contato com ideias que vão além das áreas que escolheram estudar. “A universidade é mais do que conseguir o primeiro emprego”, diz Dan Edelstein, diretor do programa. “É claro que isso é importante, mas não é tudo o que uma formação universitária pode fazer. Ela realmente prepara você para a vida.”
Esta universidade vai me preparar para um mercado de trabalho imprevisível?
Talvez não exista uma graduação à prova da IA. Elliott desconfia de qualquer pessoa que prometa que determinada área é um caminho garantido para o sucesso econômico. “O que você escolhe como graduação vai importar ainda menos no futuro do que importa hoje”, afirma.
Barnard aconselha os estudantes a seguirem seus interesses genuínos, mas preservando “muitas possibilidades de escolha”. Isso pode significar fazer uma dupla graduação, cursar disciplinas de diferentes áreas ou desenvolver habilidades em pesquisa, escrita e análise de dados.
Antes de escolher uma universidade, pergunte quão fácil é mudar de curso, adicionar uma segunda graduação ou experimentar diferentes áreas sem atrasar a formatura.
O departamento de orientação profissional também merece uma visita. “Na minha opinião”, diz Barnard, “ele deveria ser uma parada obrigatória em qualquer visita a uma universidade”.
Pergunte como a instituição está respondendo às mudanças nas contratações para cargos de entrada e quais serviços oferece para conectar os estudantes a estágios muito antes da formatura.
Na Drexel University, mais de 90% dos estudantes participam de seu programa de co-op, em que o estudante alterna períodos de aulas na universidade com períodos de trabalho remunerado em empresas ou outras organizações, afirma o presidente Antonio Merlo.
Os alunos podem realizar até três trabalhos remunerados de seis meses, a partir do segundo ano, alternando entre a sala de aula e o mercado de trabalho. À medida que os empregadores cortam vagas de entrada, Merlo argumenta: “Nossos estudantes [já] passaram pela porta de entrada”.
Melissa Loble é diretora acadêmica da Instructure, empresa responsável pelo Canvas — plataforma de aprendizagem on-line na qual os professores publicam tarefas e notas e os estudantes entregam seus trabalhos. Ela sugere questionar à universidade: “Como vocês usam a IA para me preparar melhor para o que vou fazer depois de me formar?”
Para Elliott, as famílias não devem confiar em uma universidade que finge saber a resposta. “Instituições que são honestas sobre o fato de estarmos vivendo um momento de incerteza, para mim, têm uma vantagem sobre instituições que afirmam ter clareza”, diz.
E aprender a conviver com o desconforto de não saber a resposta também é uma parte importante da educação. “Descobrir como encontrar prazer na incerteza será uma habilidade valiosa para a vida.”
*Reportagem adicional de Asia Alexander.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Lista Forbes: As Melhores Universidades dos EUA

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Escolher onde fazer faculdade parece especialmente difícil nos dias de hoje, em que o ensino superior é cada vez mais questionado pelo retorno financeiro que proporciona.
Nos Estados Unidos, o custo total para frequentar algumas das principais universidades privadas já ultrapassa US$ 100 mil (R$ 511 mil) por ano, ao mesmo tempo em que os pais enfrentam novos limites, mais baixos, para a contratação de empréstimos estudantis federais.
Enquanto isso, a inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho de maneiras que parecem imprevisíveis para os próximos quatro anos — quanto mais para uma carreira inteira.
As melhores universidades dos EUA
Mas a boa notícia é que uma sólida formação universitária continua valendo a pena. A lista das Melhores Universidades dos Estados Unidos identifica as instituições que proporcionam os melhores resultados acadêmicos e profissionais para estudantes de diferentes origens econômicas.
Pelo segundo ano consecutivo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) ocupa o primeiro lugar, apresentando desempenho de destaque na maioria dos 14 indicadores analisados, entre eles taxas de conclusão e permanência, salários dos ex-alunos, frequência com que os formados obtêm doutorados, bolsas e prêmios de prestígio e, principalmente, o volume de dívidas assumidas pelos estudantes e o retorno geral sobre o investimento.
Apenas 7% dos estudantes do MIT recorrem a empréstimos federais, em parte graças à generosa política de auxílio financeiro da universidade: a maioria dos alunos de famílias com renda inferior a US$ 200 mil (R$ 1 milhão) não paga mensalidades. O MIT também ocupa o primeiro lugar no ranking de remuneração dos ex-alunos da Forbes.
Cinco universidades da Ivy League entraram no top 10 neste ano, e todas as oito estão entre as 20 primeiras. A Universidade da Califórnia em Berkeley, na 9ª posição, foi novamente a universidade pública mais bem colocada, seguida pela UCLA, em 12º lugar.
O Instituto de Tecnologia da Califórnia foi a melhor universidade privada de pequeno porte, ocupando a 7ª posição geral e o primeiro lugar na proporção de formados que obtêm doutorado.
A Vanderbilt, que apareceu na lista de 20 instituições que os empregadores mais valorizam, as New Ivies da Forbes, nos três anos em que ela foi publicada, entrou pela primeira vez no top 10, graças a uma taxa de conclusão de 94% e ao baixo nível de endividamento dos estudantes.
As melhores universidades na era da IA
É claro que a adequação ao perfil de cada estudante e a capacidade de pagar pela faculdade ainda devem ser os principais fatores na escolha de uma universidade; nenhum ranking é capaz de determinar onde um aluno específico terá mais chances de prosperar.
Mas a maneira como a IA está afetando as instituições de ensino acrescenta novas questões que as famílias precisam considerar. As novas tecnologias estão levando as universidades a repensar como os estudantes aprendem e são avaliados, como os professores ensinam e quais habilidades os formados precisam desenvolver para ter sucesso acadêmico e profissional.
Administradores universitários e orientadores educacionais dizem que as famílias devem perguntar se uma universidade está preparando os estudantes para trabalhar com IA sem terceirizar o próprio aprendizado para a tecnologia e se o currículo está sendo atualizado com um propósito educacional claro.
As 500 universidades abaixo oferecem um ponto de partida útil, baseado em dados, para identificar instituições que produzem resultados sólidos.
Veja, abaixo, as 10 melhores universidades dos EUA. Confira a lista completa aqui
1. Massachusetts Institute of Technology (MIT)
Estado: Massachusetts (MA)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 61.734
Dívida média: US$ 11.176
Salário mediano em 10 anos: US$ 131.182
Nota financeira: A+
2. Princeton University

Estado: Nova Jersey (NJ)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 68.727
Dívida média: US$ 9.046
Salário mediano em 10 anos: US$ 121.773
Nota financeira: A+
3. Harvard University

Estado: Massachusetts (MA)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 68.015
Dívida média: US$ 12.445
Salário mediano em 10 anos: US$ 119.708
Nota financeira: A+
4. Columbia University

Estado: Nova York (NY)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 67.010
Dívida média: US$ 17.037
Salário mediano em 10 anos: US$ 117.010
Nota financeira: A+
5. University of Pennsylvania

Estado: Pensilvânia (PA)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 65.458
Dívida média: US$ 11.278
Salário mediano em 10 anos: US$ 151.328
Nota financeira: A+
6. Stanford University

Estado: Califórnia (CA)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 62.755
Dívida média: US$ 11.418
Salário mediano em 10 anos: US$ 126.916
Nota financeira: A+
7. California Institute of Technology

Estado: Califórnia (CA)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 72.373
Dívida média: US$ 11.846
Salário mediano em 10 anos: US$ 117.278
Nota financeira: A
8. Yale University

Estado: Connecticut (CT)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 65.892
Dívida média: US$ 5.119
Salário mediano em 10 anos: US$ 117.464
Nota financeira: A+
9. University of California, Berkeley

Estado: Califórnia (CA)
Tipo: Pública
Bolsa média: US$ 29.608
Dívida média: US$ 5.924
Salário mediano em 10 anos: US$ 111.530
Nota financeira: —
10. Vanderbilt University

Estado: Tennessee (TN)
Tipo: Privada, sem fins lucrativos
Bolsa média: US$ 64.404
Dívida média: US$ 12.263
Salário mediano em 10 anos: US$ 115.467
Nota financeira: A+
Metodologia
Para elaborar a lista deste ano, começamos com um universo de cerca de 2.600 universidades e faculdades com cursos de quatro anos nos Estados Unidos. Usando o Integrated Postsecondary Education Data System (IPEDS), sistema administrado pelo governo que reúne dados de todas as faculdades e universidades americanas, reduzimos a lista para cerca de 1.600 instituições públicas e sem fins lucrativos que oferecem cursos de graduação.
Entre elas estão faculdades que concedem diplomas de bacharelado, universidades e faculdades que oferecem mestrado e universidades que oferecem doutorado, além de instituições especializadas em áreas como engenharia, negócios e artes.
Em seguida, avaliamos essas instituições usando dados do IPEDS e do College Scorecard, ferramenta online do Departamento de Educação dos Estados Unidos que permite comparar custos, taxas de conclusão e dívidas estudantis das instituições.
Também incorporamos, neste ano, dados sobre os salários após a graduação de uma nova fonte, a People Data Labs, empresa privada de pesquisa que coleta e analisa dados sobre força de trabalho e salários de 70 milhões de empresas em todo o mundo.
Outras fontes de dados incluíram a Third Way, um centro de estudos de políticas públicas com sede em Washington, D.C.; o National Center for Science and Engineering Statistics; e pesquisas próprias da Forbes sobre liderança, principais prêmios, desempenho acadêmico e outros indicadores de sucesso após a graduação.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Você sabe lidar com o Sucesso?

Uma carreira é feita de altos e baixos, e a gente precisa estar preparado para todos eles. Nas derrotas, todo mundo meio que sabe o que fazer. Levantar a cabeça, aprender com o erro, pedir desculpas se for o caso, e seguir em frente. Existe até um certo conforto nisso, um roteiro que a gente já ouviu repetir mil vezes, em livros, em palestras, em conversas de mentoria.
Mas e quando a gente atinge um momento épico, em que tudo dá certo? A promoção veio. O reconhecimento chegou. O projeto que você defendeu sozinha por meses finalmente sai do papel. Como a gente se prepara para isso?
O sucesso também exige preparo
Eu demorei para entender isso, mas hoje tenho certeza: vitória também precisa de estratégia. Não é só sorte, nem só o resultado natural do trabalho duro: é também sobre como você se posiciona diante dela. Tem gente que trava, que sente que não merece o espaço que conquistou — a famosa síndrome do impostor. E tem gente que vai para o outro extremo: se acomoda, acha que chegou, e para de evoluir bem no momento em que mais precisava continuar em movimento.
Nenhum dos dois caminhos funciona.
Presença, antes de tudo
O primeiro passo é simples de falar e difícil de praticar: estar presente no momento. A gente é tão treinado para correr atrás do próximo objetivo que, quando ele finalmente chega, já está com a cabeça na próxima meta. Eu tenho tentado parar de verdade para sentir a conquista antes de sair correndo atrás da próxima. Isso não é vaidade. É reconhecer o próprio percurso, entender o que funcionou e guardar esse aprendizado para repetir.
Gratidão é importante sempre
Outra coisa que mudou minha forma de viver os grandes momentos foi entender que agradecer não diminui o mérito de ninguém. Nenhuma conquista profissional acontece sozinha. Tem gente que confiou, que abriu porta, que segurou a barra em algum momento difícil. Reconhecer isso publicamente, com humildade, fortalece relações que vão sustentar a próxima fase da carreira.
Grandes momentos são também os melhores momentos para construir pontes, não para fechar portas atrás de si.
Usar o embalo com responsabilidade
Por fim, um momento de sucesso costuma vir acompanhado de mais visibilidade, mais confiança das pessoas ao redor, mais oportunidades batendo à porta. É tentador dizer sim para tudo. Mas o mesmo cuidado que a gente tem para escolher as batalhas nos momentos difíceis precisa existir aqui: nem toda oportunidade que aparece depois de uma vitória é a oportunidade certa pra sustentar o próximo capítulo.
Se preparar para um grande momento profissional é, no fim das contas, entender que ele não é um destino, é uma passagem. E, como toda passagem, o que importa é o que você carrega com você para atravessar para a próxima etapa.
*Juliana Ferraz é sócia da Holding Clube e tem quase 30 anos de carreira no universo da comunicação e eventos no Brasil.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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Por que procrastinar é mais exaustivo do que o trabalho em si, segundo neurologista de Oxford

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Um homem de 30 e poucos anos chamado David passou dias a fio sentado em uma cadeira, sem fazer nada. Ele havia sido um profissional produtivo do mercado financeiro, com um amplo círculo social, mas, de repente, havia parado de se importar com as coisas.
Perdeu o emprego e o apartamento e parecia não se incomodar com isso. Então, seu neurologista começou a fazer perguntas.
“O que você normalmente faria em casa?”, perguntou o neurologista de David.
“Ouvir música”, respondeu.
“Então, por que você parou?”, perguntou o neurologista.
“Porque montar meu aparelho de som exigiria esforço demais.”
“Quanto tempo isso levaria?”
“Cinco minutos.”
O neurologista era o Dr. Masud Husain, professor de Neurologia e Neurociência Cognitiva da Universidade de Oxford, que contou essa história no podcast Huberman Lab. A explicação de David fascinou Husain e o levou a pesquisar mais a fundo a procrastinação, na tentativa de compreendê-la melhor.
O cérebro atribui um preço a cada tarefa
Husain descreve a motivação como uma forma de neuroeconomia. Ao longo de um dia, você tem 20 coisas que poderia fazer, mas não tem capacidade para realizar todas. Por isso, o cérebro pesa a recompensa de cada opção em relação ao esforço que ela exige nos níveis físico, cognitivo, social e emocional.
Ao longo do trabalho do laboratório de Husain com pacientes e voluntários saudáveis, uma descoberta segue aparecendo. Todos estão dispostos a se esforçar por uma grande recompensa, mas as pessoas diferem bastante quando o potencial de recompensa é menor. É justamente aí que as pessoas menos motivadas pensam, nas palavras de Husain: “Não acho que isso valha o esforço”.
O neurologista chama essa barreira de “colina de ativação”. Para uma pessoa, aprender um idioma é uma montanha. Para outra, é algo que mal chama atenção. A diferença está na percepção.
O custo da procrastinação
A equipe de Husain recrutou estudantes com diferentes níveis de motivação, colocou-os em um aparelho de ressonância magnética e pediu que decidissem se uma recompensa valia determinado nível de esforço. Sim ou não.
Eles esperavam concluir que os estudantes menos motivados apresentariam menor atividade nos circuitos cerebrais ligados à recompensa. Na verdade, encontrou mais atividade.
“Pessoas apáticas usam mais energia cerebral quando estão tomando essa decisão”, explica Husain. A barreira é fisiológica e mensurável. Andrew Huberman, seu entrevistador e renomado neurocientista de Stanford, descreveu o efeito dizendo que existe “um custo para pensar no esforço necessário, além do custo do esforço propriamente dito”. Os dois se somam.
Qualquer pessoa que já passou um domingo sem concluir uma tarefa pendente sabe que o processo de ficar decidindo custa mais do que o trabalho em si. Cada vez que você escolhe adiar algo que precisa ser feito, cria sentimentos negativos como apreensão, culpa ou uma pequena perda de confiança em si mesmo.
Husain também observa que o cérebro aprende com os resultados e incorpora essas experiências ao cálculo seguinte. Isso significa que o resíduo emocional de evitar uma tarefa aumenta silenciosamente seu “preço” no dia seguinte. A indecisão cobra juros, e eles se acumulam. Quanto mais tempo você carrega uma decisão, mais custa tomá-la.
Por que isso é uma questão de inteligência emocional
A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e compreender as emoções em si mesmo e nos outros e usar essa consciência para administrar seu comportamento e seus relacionamentos. Ela se divide em quatro habilidades centrais: autoconsciência, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos. Para ter uma compreensão inicial da própria inteligência emocional, psicólogos recomendam fazer uma autoavaliação.
A autogestão costuma ser descrita como a capacidade de manter a calma quando provocado, mas envolve muito mais do que isso. Em última análise, autogestão diz respeito à sua capacidade de regular as próprias emoções.
Portanto, quando você pensa na procrastinação e em todas as emoções negativas que provoca ao adiar o início de uma tarefa, isso é, na verdade, uma questão de autogestão.
Você está deixando essas emoções negativas vencerem a batalha e se fortalecerem. Quando, por outro lado, toma pequenas decisões mais rapidamente, evita o custo adicional de esperar. Dessa forma, você preserva mais energia para as coisas que realmente importam.
A pesquisa de Husain aponta para algo que líderes empresariais frequentemente deixam passar. Pergunte a qualquer líder se ele estaria disposto a pagar um bom dinheiro para desenvolver habilidades como foco e capacidade de tomar decisões, e todos responderão com um enfático sim.
Mas pergunte sobre habilidades como inteligência emocional, e muitos hesitarão. Naturalmente, separamos o que é “emocional” do que é “produtivo”, mas pesquisas como a de Husain mostram como essa divisão é equivocada. A procrastinação é um problema de inteligência emocional muito antes de se tornar um problema de produtividade.
Uma estratégia simples para combater a procrastinação
O conselho mais comum é dividir um grande projeto em etapas menores, mas Huberman destacou um ponto importante nessa ideia. Quando você coloca as pequenas vitórias no horizonte, também coloca diante de si as pequenas perdas e os desafios que enfrentará.
Por isso, Husain aponta para uma alavanca mais eficaz, que atua antes desse processo. Se cada decisão tomada na hora consome energia, agrupe suas decisões. Dessa forma, o ciclo não fica funcionando indefinidamente.
Veja como fazer:
- Reserve um período fixo toda semana para decidir, não para trabalhar. Trinta minutos.
- Transforme as decisões da semana seguinte em compromissos, em vez de intenções. O quê, quando e por quanto tempo.
- Coloque as tarefas de menor recompensa primeiro, já que sabemos que é justamente nesse ponto que a motivação tem maior probabilidade de falhar.
- Quando chegar a hora, considere que a decisão já foi tomada. Não volte a discuti-la.
- No fim da semana, anote quais compromissos você renegociou. Como renegociar consome energia, vale analisar as decisões que você tomou mal na primeira vez para poder melhorar em decisões semelhantes no futuro.
Lembre-se de David, paralisado pela energia necessária para montar seu aparelho de som. Uma tarefa que levaria apenas cinco minutos. A maior parte daquilo que você está evitando é menor do que imagina. Tome a decisão uma vez, organize as tarefas em blocos e pare de pagar juros.
*Kevin Kruse é colaborador da Forbes USA. Ele é fundador e CEO da LEADx, uma empresa de treinamento em inteligência emocional, além de autor de best-sellers.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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