Negócios
3 Paradoxos do Mundo do Trabalho Para Impulsionar Sua Carreira

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Muitos de nós crescemos ouvindo nossos pais dizerem que, se nos esforçarmos no trabalho, colheremos os frutos. No entanto, se você já tentou abrir seu próprio negócio ou avançar na carreira, sabe que esse caminho pode ter mais reviravoltas do que um documentário da Netflix.
Entre gerenciar egos, fazer escolhas e renúncias e convencer os outros a acreditarem nos seus sonhos e a enxergarem o seu potencial, o sucesso é muito mais complexo do que fomos levados a acreditar.
Leia também
Conhecer os três paradoxos a seguir pode te ajudar a navegar melhor nesse cenário e alcançar seus objetivos profissionais.
1. O paradoxo da oportunidade: Aceitar qualquer coisa pode te deixar sem nada
Todo mundo quer ter escolhas, especialmente no caminho profissional. Mas, curiosamente, de acordo com o “paradoxo da oportunidade”, ter oportunidades demais pode levar ao fracasso, não ao sucesso.
A famosa expressão “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” também se aplica à sua carreira. Quando temos muitas oportunidades disponíveis, podemos ser tentados a aceitar todas elas. Isso é ainda mais comum quando as oportunidades oferecem salários maiores ou cargos aparentemente mais altos. No entanto, quanto mais assumimos novos e “empolgantes” desafios, menor é a chance de nos aprofundarmos e explorarmos plenamente nosso potencial.
Um estudo realizado em 2021 por pesquisadores chineses descobriu que pessoas altamente empregáveis tendem a se destacar em seus cargos atuais, mas também são mais propensas a estar com “um pé fora”. Em outras palavras, elas estão constantemente em busca da próxima oportunidade.
Ter muitas opções pode te impedir de aproveitar o que você já tem de bom. É como ser excelente em encontros casuais, mas nunca se comprometer porque acha que algo melhor pode aparecer. No final, você pode deixar as melhores oportunidades escaparem porque está sempre olhando para fora.
2. O paradoxo da persuasão: Ser sutil fala mais alto do que gritar
Muitos acreditam que ser a pessoa mais visível e barulhenta é o caminho para ganhar aprovação, mas isso nem sempre é verdade.
No livro “Influence: Science and Practice”, o Dr. Robert Cialdini escreve que a persuasão é mais como um fogo lento do que um aquecimento de micro-ondas. Ou seja, trata-se de preparar o terreno antes de plantar as sementes.
Imagine a seguinte cena: você encontra duas pessoas discutindo sobre um tema que interessa a você. Ambas fazem argumentos válidos, mas uma delas é calma e calculada, enquanto a outra está agressiva e exaltada. Com quem você tende a concordar? Não importa quão válido seja o argumento da pessoa agressiva, sua abordagem automaticamente a torna menos persuasiva.
Você não precisa ser a pessoa mais barulhenta para ser a mais influente. Muitas vezes, a melhor forma de mostrar que você tem influência real é fazer seu trabalho bem feito e conquistar a confiança das pessoas de forma discreta. Só porque você diz em voz alta que é o melhor no que faz, não significa que isso seja verdade. Em vez disso, permaneça em silêncio e deixe seu trabalho falar por você.
Seja para atrair investidores ou conquistar novas oportunidades de negócios, não tente ser aquele exibido que “prova que sabe o que está fazendo”. Conheça o mercado e mostre com ações que você é a melhor pessoa para o trabalho.
3. O paradoxo do esforço: Fazer coisas mais difíceis torna a vida mais fácil
Uma pesquisa publicada na revista “Trends in Cognitive Sciences” em 2018 descobriu que, às vezes, as pessoas escolhem tarefas específicas justamente porque exigem mais esforço. É como optar por subir as escadas em vez de usar o elevador, mas há lógica por trás disso. O esforço tem valor intrínseco e, quanto mais você se esforça para realizar uma tarefa, mais valor ela terá para você.
Esse valor pode se manifestar na forma de se tornar melhor em algo difícil ou no fato de que uma tarefa que a maioria considera complicada se torna fácil para você. Pense nos gurus financeiros das redes sociais que dizem como ganhar e poupar dinheiro é algo simples. Para eles, isso é fácil porque investiram tempo e esforço para aprender algo que muitos de nós achamos desafiador.
Quanto mais esforço você coloca em enfrentar desafios complexos na sua carreira, mais confiança você ganha, e mais fácil será alcançar o sucesso. É como o bolo caseiro que sempre tem um sabor melhor do que os industrializados. O ingrediente secreto? Esforço.
O sucesso na carreira é, para a maioria, um caminho em zigue-zague, complicado e cheio de contradições – mas isso não é necessariamente ruim. As contradições não são o problema; o verdadeiro desafio é encontrar maneiras de resolvê-las.
*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.
Escolhas do editor
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Negócios
O Que É a Empresa do Século 21?
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O título do livro “A Corporação no Século 21“, de John Kay, é uma alusão – talvez uma provocação – a uma das obras mais influentes de gestão, “A Corporação e o Século 20“. Se ali o economista americano Richard Langlois traçava a transformação da organização comandada por empresários para a organização liderada por executivos profissionais, o também economista (porém britânico) John Kay agora narra uma mudança muito, mas muito mais radical.
Questiona, inclusive, se faz sentido dizer que vivemos em um sistema capitalista. Porque o capital perdeu a importância. “Mesmo investidores sofisticados examinam o Roce [Retorno sobre o Capital Empregado]”, escreve, embora o retorno tenha “tanta conexão com o capital quanto com a quantidade de água utilizada ou o número de reuniões realizadas”, afirma. Vivemos, considera, a era do capital as a service – empregado apenas na medida em que é necessário.
O poder do acionista é outra balela, segundo ele. O acionista de uma multinacional não tem nenhum controle sobre o que é feito da empresa. Até os dividendos que recebe, se os receber, são definidos pelos diretores.
Em especial, Kay ataca a noção de empresa como uma teia de contratos – visão clássica, estabelecida pelo também britânico Ronald Coase, que levou um Prêmio Nobel por sua teoria. A questão é que a ideia de um conjunto de contratos se opõe à própria qualificação de uma empresa como pessoa jurídica. Afinal, ela tem uma personalidade ou não?
Maximizar o lucro, um mantra dos anos 1970 que vem caindo em desuso, nunca foi uma teoria sólida, acredita o autor. Qual lucro, afinal? O de curtíssimo prazo? Em detrimento de ações que preservem a empresa no futuro?
Para ele, a missão de uma corporação é promover o “florescimento de seus múltiplos stakeholders”. Porque a empresa não é uma combinação de relações transacionais, e sim uma construção de relações sociais, entre seus integrantes e com o mundo à sua volta. As implicações dessa visão para o funcionamento da empresa… isso fica para um prometido próximo volume.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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Negócios
Amazon MGM Studios Anuncia Head de Theatrical Marketing no Brasil

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O Amazon MGM Studios anunciou Roberta Fraissat como Head de Theatrical Marketing, responsável por liderar as estratégias de marketing dos lançamentos da companhia nos cinemas brasileiros.
Mais recentemente, Roberta atuou como diretora de marketing para a América Latina e Head de Marketing para o Brasil na Crunchyroll.
A executiva passou a maior parte da carreira na The Walt Disney Company, onde ingressou como coordenadora de desenvolvimento de produto em 1999. Saiu de lá em 2023 como diretora de marketing. Nesse período, esteve envolvida em campanhas de produções como “Vingadores”, “Star Wars”, “Toy Story”, “O Rei Leão”, “Carros” e “Alice no País das Maravilhas”.
É formada em negócios pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e tem MBA pela FIA Business School.
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Negócios
A Escala 5×2 Chegou. E Muda Mais do Que o Custo da Folha
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Está decidido. A Emenda Constitucional 141, promulgada na última sexta-feira (20), encerra a escala 6×1. Em 60 dias, todo trabalhador CLT passa a ter duas folgas semanais e jornada máxima de 42 horas. Catorze meses após a publicação, o teto cai para 40 horas, sem redução de salário.
A primeira leitura é de custo, e ela não está errada. Como não será permitida a redução de salários e haverá redução de 44 para 40 horas semanais, cada hora vale 10% a mais. E isso encarece também a hora extra e os adicionais, que são calculados sobre o valor da hora.
Em operações que funcionam sete dias por semana, como varejo e serviços, manter a cobertura exige reforço de quadro. Nas simulações que tenho acompanhado, esse reforço fica entre 10% e 20%, e pesa mais nas unidades menores, que têm menor margem para remanejar gente.
Mas tratar a 5×2 apenas como aumento de folha é desperdiçar a oportunidade de rever a estratégia de remuneração como um todo.
Eficiência de escala
Comecemos pelo fixo. Com a hora mais cara, a pressão será por conter reajustes. Esse é um erro tentador. Mas antes de pensar em trocar equipes com salários reduzidos, será importante avaliar reservas escondidas na própria escala.
Empresas que passaram a montar turnos a partir da curva de movimento por hora descobriram horas extras desnecessárias e gente parada nos horários errados. Eficiência de escala é a primeira fonte de financiamento da nova jornada.
Onde mora a oportunidade
O variável é onde mora a oportunidade mais clara. Se o objetivo é produzir o mesmo, ou mais, em menos horas, a remuneração variável precisa apontar para isso. Prêmios por produtividade, metas de venda por hora trabalhada, bônus por cobertura nos picos ou por redução de absenteísmo transformam a exigência legal em alinhamento: a empresa ganha eficiência e o colaborador participa do ganho.
A experiência internacional reforça a lógica. Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas, em 1996, estudos registraram ganho de produtividade próximo de 8%. O Chile está no meios de uma transição gradual até 2028, e o México aprovou a sua até 2030. A redução funciona melhor quando vem acompanhada de esforço deliberado de produtividade, e incentivo bem desenhado é parte desse esforço.
Recompensas intangíveis
Há ainda uma camada que raramente entra na planilha: as recompensas intangíveis. Duas folgas, previsibilidade de escala e fins de semana inteiros com a família são valor percebido. Gente descansada e motivada erra menos, falta menos e atende melhor. Empresas que comunicarem isso como parte da proposta de valor ao empregado vão reter melhor do que as que tratarem a mudança como obrigação.
Rotatividade pode diminuir
Há também uma economia que raramente aparece na conta da transição: a da rotatividade. No varejo, ela já é altíssima. Levantamento do Sindilojas-SP mostra que a rotatividade no varejo paulista chegou a 56,6% em 2025, o maior nível desde 2020. Em alguns segmentos, como lojas de conveniência, passou de 90%.
Isso significa recontratar, quase todo ano, boa parte da equipe. Cada saída tem um custo que vai além da rescisão: recrutamento, treinamento e os meses em que o novo funcionário ainda não rende o que rendia quem saiu. O cliente percebe essa curva de aprendizado no caixa e no atendimento. Se a 5×2 for bem implementada, com escalas previsíveis e folgas que de fato descansam, as pessoas tendem a ficar mais tempo. Parte do custo da nova jornada pode voltar como economia em turnover.
E há a carreira. Mais turnos e escalas mais complexas exigem novas funções de controle: líderes de turno, coordenadores de escala, analistas de operação. É uma chance real de promover quem já conhece a operação e o cliente. A pergunta incômoda é se essa base está preparada. Quem sempre executou nem sempre foi treinado para planejar, ler indicadores ou liderar colegas. Sem trilha de capacitação e uma estrutura de cargos que reconheça esses degraus, a promoção vira armadilha.
Além disso, pessoas que estavam na informalidade podem voltar a se interessar pelo modelo CLT nesta nova configuração de escala.
Muitos empreendedores lerão tudo isso pensando na própria rotina, que está mais para 7×0 do que para 5×2. É verdade. A diferença é que, nesse caso, cada hora a mais constrói patrimônio próprio. Para quem trabalha numa estrutura que não é sua, o que se constrói é outra coisa: vínculo, ou a falta dele. Numa geração que cobra cada vez mais qualidade das relações de trabalho, a 5×2 talvez seja menos uma imposição e mais a formalização de algo que o mercado já vinha pedindo.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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