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Antes do UFC Casa Branca, Alex Poatan Resume a Carreira: “Talento Ajuda, Mas Não Sustenta Ninguém”

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Alex Poatan chega a mais um momento decisivo da carreira carregando um enredo que vai além do octógono. Antes de se transformar em um dos nomes mais reconhecidos do UFC, o brasileiro enfrentou a dependência alcoólica ainda jovem, trabalhou desde cedo em uma borracharia no ABC Paulista e interrompeu os estudos após a 8ª série. Foi o esporte que reorganizou esse percurso. A rotina de treinos, a disciplina e o foco competitivo passaram a funcionar como eixo de reconstrução pessoal e profissional – um processo que, como ele próprio resume, teve menos de talento isolado e mais de insistência, trabalho e constância.
O salto esportivo veio primeiro no kickboxing, onde construiu uma trajetória de destaque com dois títulos. Depois, em 2021, iniciou sua caminhada no UFC e passou a acumular vitórias sobre nomes centrais de duas divisões, incluindo Israel Adesanya em duas ocasiões. Em 2024, tornou-se campeão em duas categorias e, no ano passado, recuperou o cinturão. Fora das lutas, Poatan também ampliou sua atuação com o Instituto Poatan, projeto que oferece aulas gratuitas de artes marciais, inglês e informática para crianças e adolescentes.
Agora, o próximo capítulo coloca em jogo mais uma marca histórica. No UFC Casa Branca, marcado para sábado (14), às 21h (horário de Brasília), em Washington, nos Estados Unidos, Poatan enfrenta Ciryl Gane pelo cinturão interino dos pesos-pesados. Se vencer, amplia uma trajetória que já reúne 10 vitórias em 12 lutas no UFC, com oito triunfos pela via rápida. O card do evento ainda terá Ilia Topuria x Justin Gaethje, Sean O’Malley x Aiemann Zahabi, Josh Hokit x Derrick Lewis, Maurício Ruffy x Michael Chandler, Bo Nickal x Kyle Daukaus e Diego Lopes x Steve Garcia.
Em entrevisra exclusiva à Forbes Brasil, Poatan fala sobre as escolhas que moldaram sua carreira, o que aprendeu ao longo da caminhada e a expectativa para uma luta que pode levá-lo a um novo patamar dentro do UFC. Entre disciplina, origem e ambição, a frase que dá título a esta conversa ajuda a resumir sua visão sobre o caminho até aqui: “talento ajuda, mas não sustenta ninguém sozinho”.
Em que momento você entendeu que disciplina podia mudar não só a sua carreira, mas a sua vida inteira?
Quando eu comecei no kickboxing, percebi que tinha potencial, mas também entendi que só talento não ia me levar a lugar nenhum. Eu tinha hábitos que não ajudavam, como a bebida, e vi que precisava mudar esse tipo de coisa se quisesse evoluir de verdade. O esporte foi me mostrando isso. Quanto mais eu me dedicava, mais resultado aparecia. A disciplina começou dentro da academia, mas acabou mudando minha vida e da minha família. Foi assim que eu fui deixando muita coisa para trás e focando no que realmente queria construir.
Hoje, com reconhecimento mundial, como a sua relação com dinheiro mudou ao longo da carreira? O que o Alex de hoje aprendeu sobre valor, estabilidade e escolha?
No começo, o dinheiro era uma necessidade. Eu queria ter uma condição melhor, ajudar minha família e ter mais tranquilidade. Com o tempo, fui aprendendo que dinheiro é importante, mas não muda quem você é. Hoje eu tenho uma vida muito mais confortável e posso fazer escolhas que antes não podia, mas continuo valorizando as mesmas coisas.

Em que momento você percebeu que o “Poatan” e o “Chama” tinham ultrapassado o octógono e se tornado um ativo de imagem e conexão com o público?
O “Chama” foi algo que surgiu, não teve um momento específico em que eu decidi isso. Eu fui falando e acabou ficando. Pra mim é até curioso ver como pegou, porque não foi planejado. Eu vejo que virou uma coisa que as pessoas usam e reconhecem quando me encontram, e isso me deixa feliz. Apesar disso, a fama tem um lado que nem sempre é fácil, porque chama muita atenção o tempo todo, e eu sou mais na minha. Eu não imaginava que seria tão rápido, mas encaro de forma tranquila. Gosto desse carinho do público, respeito tudo isso, e sigo focado no meu trabalho.
Se vencer essa luta, você pode se tornar o primeiro campeão do UFC em três categorias diferentes. O que te move mais neste momento?
Nunca imaginei que viveria isso na vida, e agora se tornou um grande objetivo de vida. Mas ao mesmo tempo, eu me mantenho muito focado no que precisa ser feito. Eu não posso me perder no tamanho da oportunidade. O que me trouxe até aqui foi o trabalho, a disciplina, o dia a dia e a humildade. Então eu valorizo muito tudo isso, mas no fim eu sei que a luta é o que decide tudo. É ali que eu tenho que estar inteiro.
Como você lida com fracasso e pressão sem deixar que isso afete sua confiança e sua tomada de decisão?
Dificuldades fazem parte, mas nunca deixei isso me derrubar. Tento levar mais como aprendizado. Analiso o que errei, volto a treinar e sigo em frente. Não fico preso no passado. Pressão também sempre vai existir, ainda mais no nível em que eu estou. Mas eu aprendi a lidar. Quando eu estou bem preparado, a confiança vem naturalmente.
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Negócios
Por Que o Escritório Pode Ser Mais Importante Quando Ninguém Quer Estar Lá
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Uma coisa curiosa acontece nos escritórios sempre que o clima fica excepcionalmente bom: as mesas ficam vazias.
Alguém sugere transferir a reunião da tarde para o ambiente virtual. O grupo de WhatsApp do escritório se enche de fotos de laptops em jardins. Na hora do almoço, um prédio projetado para centenas de funcionários pode parecer estranhamente abandonado, enquanto o trabalho continua normalmente em cozinhas, varandas e qualquer outro lugar com Wi-Fi.
Para os executivos, há uma pergunta óbvia escondida nessa cena: Por que estamos pagando por todo esse espaço?
É uma pergunta razoável. O mercado imobiliário comercial é caro, o trabalho híbrido está consolidado e os funcionários demonstraram que grande parte do trabalho intelectual pode ser realizada praticamente em qualquer lugar. Um escritório vazio em uma quarta-feira ensolarada pode parecer uma evidência particularmente convincente de que as empresas deveriam reduzir seu espaço físico.
Mas talvez estejamos tirando a conclusão errada de mesas vazias.
Um escritório cheio todos os dias pode não ser mais uma evidência de um ambiente de trabalho saudável. Da mesma forma, um escritório que fica ocasionalmente vazio não significa necessariamente que ele não tenha valor. A questão mais interessante é se entendemos mal para que serve um escritório atualmente.
Ocupação é uma medida de valor surpreendentemente ruim
Durante a maior parte do século 20, os escritórios tinham uma finalidade simples. Era onde o trabalho acontecia. Se os funcionários não estavam lá, em muitos casos o trabalho também não estava. A tecnologia rompeu essa relação.
Um analista financeiro pode montar um modelo em casa. Um advogado pode revisar documentos em uma cafeteria. Uma equipe de marketing pode realizar uma reunião entre quatro países sem que ninguém precise compartilhar o mesmo espaço. Quando o trabalho se tornou portátil, as organizações começaram a se deparar com uma incompatibilidade desconfortável entre os prédios que possuíam e o comportamento das pessoas que os utilizavam.
Pesquisas sobre o trabalho híbrido tornaram o cenário mais complexo, e não mais simples. Estudos descobriram que modelos híbridos podem melhorar a retenção sem prejudicar o desempenho, especialmente quando os funcionários têm autonomia significativa para decidir onde trabalhar. Isso é importante porque desafia uma das premissas por trás de muitos debates sobre o retorno ao escritório: a ideia de que uma maior presença física necessariamente produz melhores resultados para as organizações. Isso não é necessariamente verdade.
Se os funcionários conseguem desempenhar suas funções de forma eficiente em outros lugares, contar quantas mesas estão ocupadas diz muito pouco aos líderes. Um escritório parcialmente vazio pode representar desperdício de dinheiro. Mas também pode representar uma força de trabalho com autonomia adequada. Os números podem ser idênticos, mas as empresas são completamente diferentes.
As pessoas não precisam do escritório todos os dias. Precisam dele nos dias certos
É aqui que o debate sobre trabalho remoto e presencial se torna desnecessariamente binário.
Há dias em que trabalhar de casa é simplesmente melhor. Escrever um relatório, analisar dados ou preparar uma apresentação complexa pode se beneficiar de várias horas ininterruptas, longe de conversas e reuniões. Levar uma hora para chegar ao escritório apenas para ficar diante de um computador usando fones de ouvido e participar de chamadas virtuais com colegas que estão em outros lugares é difícil de defender como um uso eficiente do tempo de qualquer pessoa.
Há outros dias em que estar junto faz uma enorme diferença.
Pesquisas sobre colaboração descobriram que o trabalho remoto pode tornar a comunicação mais segmentada, levando os funcionários a interagir com um grupo menor de colegas. Isso não significa que o trabalho remoto seja ineficiente. Sugere que algumas das interações valorizadas pelas organizações são mais difíceis de reproduzir digitalmente, especialmente os vínculos mais frágeis e os encontros não planejados que conectam pessoas fora de suas equipes imediatas.
Pense em quanto conhecimento dentro de uma organização circula informalmente. Alguém ouve falar de um problema e sabe exatamente quem pode resolvê-lo. Um funcionário júnior observa como um colega sênior conduz uma conversa difícil. Duas pessoas continuam conversando por dez minutos depois de uma reunião e descobrem que seus projetos se sobrepõem.
Ninguém agenda esses momentos.
É justamente por isso que eles são importantes.
O escritório pode, portanto, estar se tornando menos importante como lugar para realizar o trabalho e mais importante como espaço onde são construídos os relacionamentos ligados ao trabalho.
Pare de pedir que os funcionários voltem sem dar um motivo
A maneira mais rápida de fazer os funcionários se ressentirem do escritório é exigir que compareçam simplesmente porque a organização é dona daquele espaço.
As pessoas percebem imediatamente quando a presença física não faz sentido. Se alguém gasta dinheiro para se deslocar até uma cidade apenas para participar de seis chamadas pelo Teams que poderia fazer de casa, dizer que a presença no escritório é importante para a “colaboração” dificilmente será convincente.
Pesquisas sobre autonomia no trabalho mostram de forma consistente que dar às pessoas um controle significativo sobre como realizam suas funções está associado a maior motivação e bem-estar. Isso torna as exigências rígidas de presença particularmente interessantes. Uma organização pode conseguir um escritório mais cheio e, ao mesmo tempo, enfraquecer algo muito mais valioso: a sensação dos funcionários de que são confiáveis para tomar decisões sensatas.
Há uma abordagem melhor. Faça com que valha a pena ir ao escritório.
Concentre colaboração, mentorias, discussões difíceis e construção de relacionamentos nos dias em que as pessoas estiverem juntas. Reserve outros dias para o trabalho concentrado. Dê às equipes alguma influência sobre essa dinâmica, em vez de presumir que uma única política servirá igualmente para contadores, designers, vendedores e engenheiros de software.
A pergunta para os líderes não deveria ser: “Como fazemos as pessoas voltarem?”
Deveria ser: “O que faria valer a pena estar juntos?”
Talvez um escritório vazio não seja o problema
Ainda existe uma realidade financeira. Empresas que pagam aluguéis enormes por prédios que permanecem quase sempre vazios deveriam, obviamente, questionar se precisam de tanto espaço. O trabalho híbrido pode, em última análise, exigir escritórios menores, contratos de locação diferentes e prédios projetados para a colaboração, em vez de fileiras de mesas individuais.
Mas a utilização merece uma análise mais sofisticada do que simplesmente dividir o número de funcionários presentes pelo número de cadeiras disponíveis.
Imagine um escritório quase vazio em uma bela tarde de verão. Talvez dezenas de funcionários realmente estejam trabalhando em seus jardins. Se o trabalho está sendo realizado, os clientes estão satisfeitos e as equipes apresentam bom desempenho, é difícil argumentar que encher o prédio automaticamente melhoraria alguma coisa.
Agora imagine o mesmo escritório dois dias depois, movimentado porque uma equipe está lançando um projeto, novos funcionários estão conhecendo os colegas e gestores estão tendo conversas que funcionam melhor presencialmente. O prédio não mudou. Sua finalidade mudou.
É para isso que o futuro do escritório pode estar caminhando. Passamos décadas tratando os escritórios como espaços para abrigar trabalhadores e, então, ficamos surpresos quando os funcionários começaram a questionar por que precisavam estar confinados neles.
Pesquisas indicam cada vez mais que as reais vantagens de estar juntos estão relacionadas à conexão, à colaboração e ao aprendizado, e não simplesmente a ocupar o mesmo prédio. Se isso estiver correto, o escritório bem-sucedido do futuro poderá, às vezes, parecer surpreendentemente vazio.
Talvez os líderes devam se preocupar menos em saber se os funcionários estão sentados em suas mesas e muito mais interessados no que acontece quando eles escolhem entrar pela porta.
Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Gol Anuncia André Fehlauer Como Novo CEO
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Gol Linhas Aéreas anunciou André Fehlauer como novo CEO. O executivo assume o posto no início de setembro e sucede Celso Ferrer, que estava na posição desde 2022 e deixa a companhia para assumir a presidência da Boeing para a América Latina e o Caribe.
“Ao longo de mais de 20 anos nesta companhia, tive o privilégio de crescer ao lado de pessoas extraordinárias, compartilhar desafios, superar momentos difíceis e celebrar conquistas”, diz Ferrer. “Deixo minha posição confiante de que a companhia vive um dos momentos mais promissores de sua história.”
André Fehlauer retorna à Gol, onde trabalhou anteriormente por oito anos e chegou a ser CEO da Smiles na Argentina e no Brasil.
Em sua posição mais recente, atuava como CEO da Livelo. Com mais de 30 anos de carreira, é formado em administração e também soma passagens por empresas como Citi e Credicard.
Além do novo CEO, a Gol também anunciou que Albert Perez, atual COO, assumirá responsabilidades adicionais como presidente e COO.
Perez ingressou na Gol no primeiro semestre de 2024. Soma mais de duas décadas de experiência no setor de aviação e passagens por empresas como Avianca, JetSMART e Vueling.
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5 Hábitos Matinais Que Evitam a “Sobrecarga Pré-Trabalho”

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Para milhões de profissionais, o dia de trabalho não começa ao abrir o notebook, mas no momento em que pegam o celular.
Se você se identifica com essa rotina, é provável que já cumpra um expediente inteiro antes mesmo do café da manhã: passa os olhos por uma caixa de entrada lotada, responde a notificações do Slack, checa as redes sociais e revive mentalmente a reunião difícil de ontem.
O resultado? Quando você está oficialmente “no trabalho”, já está emocionalmente esgotado.
A “sobrecarga pré-trabalho”
Este fenômeno atual — que especialistas descrevem como sobrecarga pré-trabalho — é caracterizado por ansiedade, confusão mental e fadiga emocional que se acumulam antes mesmo de o dia começar. Embora as conversas sobre esgotamento frequentemente foquem em cargas de trabalho pesadas e longas horas, o verdadeiro problema pode começar muito mais cedo: na maneira como as pessoas fazem a transição do sono para o trabalho.
“A pressão para ser produtivo deixa um número expressivo de indivíduos emocionalmente esgotados antes mesmo do expediente de fato”, explica Jackson Parsons, especialista em carreira e criador do podcast “My Duvet Flip”. “Boa parte da força de trabalho inicia o dia e reage às exigências dos outros antes de verificar a si mesma. Sua caixa de entrada não deveria ditar seu estado emocional antes das 8 da manhã.”
O método P.A.U.S.E.
Em vez de recomendar outra rotina matinal elaborada ou forçar os profissionais a acordarem às 5 da manhã, Parsons desenvolveu o que ele chama de método P.A.U.S.E. — cinco pequenos hábitos projetados para reduzir a sobrecarga mental antes de iniciar a jornada de trabalho.
P: Pouse o celular
Para grande parte da equipe, checar o celular é a primeira atividade do dia. Segundos após acordar, o cérebro é inundado com e-mails, alertas de notícias, atualizações de redes sociais, mensagens de texto e notificações.
Essa mudança imediata do descanso para o estímulo constante deixa pouca oportunidade para a mente despertar naturalmente. Adiar o uso do telefone — mesmo que por 15 ou 20 minutos — cria uma transição mais calma para o dia e reduz a sensação de estar instantaneamente “de plantão”. Em vez de permitir que as notificações determinem seus primeiros pensamentos, passe os primeiros minutos com alongamentos, prepare o café ou simplesmente permita que sua mente desperte antes de se conectar com o mundo exterior.
A: Afaste-se da sobrecarga da caixa de entrada
“O e-mail se tornou o despertador da rotina corporativa, e isso é parte do problema”, avalia Parsons. No momento em que você abre sua caixa de entrada, é confrontado com as prioridades alheias. Uma única mensagem urgente ou um pedido inesperado pode mudar o tom da manhã inteira antes mesmo da primeira refeição.
Em vez de começar o dia em um estado reativo, a recomendação é adiar a checagem de e-mails até concluir um ritual matinal simples, como vestir-se, comer ou fazer uma breve caminhada. Criar até mesmo um pequeno intervalo permite que você aborde o trabalho intencionalmente, em vez de reagir emocionalmente a qualquer coisa que caia primeiro na sua tela.
U: Uma manhã sem pressa
As manhãs modernas frequentemente parecem uma corrida contra o relógio. Inúmeros profissionais comem às pressas, rolam o feed do celular durante a escovação dos dentes, dividem a atenção entre múltiplas tarefas no café e pulam da cama para as reuniões sem um segundo para respirar.
Essa constante sensação de urgência ensina ao cérebro que o estresse é a configuração padrão. A sugestão de Parsons é desacelerar intencionalmente uma etapa da manhã. Isso não exige adicionar outra tarefa a uma agenda já lotada. Beber café sem checar o e-mail, ouvir música no momento de se arrumar, sentar-se em silêncio por cinco minutos ou fazer uma curta caminhada são atitudes que criam uma mudança psicológica. Pequenos momentos de calma ajudam a interromper o ciclo de urgência perpétua que uma parcela tão grande da força de trabalho carrega, sem perceber, para o expediente.
S: Simplifique sua lista de tarefas
Outro fator que contribui para a “sobrecarga pré-trabalho” é a saturação mental. Boa parte dos profissionais acorda e já pensa em dezenas de pendências. Quando todas as responsabilidades parecem igualmente urgentes, o cérebro tem dificuldade para priorizar, o que faz com que o dia pareça avassalador antes de iniciar.
Em vez de criar uma lista interminável logo cedo, identifique uma única prioridade significativa para a data. Saber a tarefa que mais importa proporciona clareza, reduz a fadiga de decisão e faz com que todo o resto pareça mais gerenciável. “Nossos cérebros gostam de certeza”, diz Parsons. “Eles não gostam de caos.” Pesquisas comprovam que as incertezas inevitáveis da vida profissional despertam instantaneamente nossas reações de luta ou fuga e impactam diretamente a saúde mental.
E: Entre gradualmente no modo de trabalho
O trabalho remoto e híbrido eliminou uma transição antes considerada garantida por todos: o deslocamento. Embora o trajeto tivesse desvantagens óbvias, ele fornecia um limite psicológico entre a vida em casa e o trabalho. Hoje, equipes inteiras vão diretamente da cama para o laptop em questão de minutos, sem tempo para a mente “mudar de marcha”.
Criar um breve ritual de transição ajuda a restaurar esse limite. Seja dar uma caminhada, preparar um café antes de abrir a caixa de mensagens, trocar de roupa, arrumar a mesa ou ouvir um podcast, rotinas consistentes sinalizam para o cérebro a hora exata de trabalhar. Sem elas, a profissão começa a parecer uma invasão em todos os cantos da sua vida familiar.
Pequenas mudanças previnem problemas maiores
Várias pesquisas ressaltam quão disseminado o estresse no trabalho se tornou atualmente. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio relata que quase metade dos americanos vivencia o estresse pelo menos uma vez por semana, enquanto um em cada seis o enfrenta diariamente. Outra pesquisa da empresa financeira Clarify Capital revela que 28% dos profissionais esgotados planejam ativamente deixar seus empregos.
O estresse corporativo nem sempre é causado por grandes cargas de trabalho. Às vezes, ele é amplificado pela forma como você se prepara — ou não se prepara — para o dia. O método P.A.U.S.E. não trata de maximizar a produtividade ou espremer mais realizações na sua manhã. Trata-se de reduzir a carga cognitiva e emocional desnecessária.
Para os empregadores, fica o lembrete de que o bem-estar da equipe começa muito antes da primeira reunião. Para os funcionários, o recado é simplificar. Existem 1.440 minutos em um dia. Praticar microrrespostas de cinco minutos a cada manhã reinicia a sua mente, diminui o estresse e ajuda você a começar o expediente com o pé direito. Além disso, você ainda terá 1.435 minutos restantes para fazer todo o resto.
“A maioria das pessoas não precisa otimizar suas manhãs. Elas simplesmente precisam parar de começar todos os dias no modo de sobrevivência”, resume Parsons. Quando você inicia o dia centrado em vez de sobrecarregado, a probabilidade de trazer foco, resiliência e equilíbrio emocional para o trabalho é imensamente maior.
*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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