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Profissionais Pulam Reuniões e Mandam Assistentes de IA no Seu Lugar
Assistentes de reunião baseados em inteligência artificial se tornaram a mais nova ferramenta queridinha do ambiente de trabalho. De acordo com uma pesquisa da plataforma Software Finder, 1 em cada 5 profissionais já utiliza recursos de IA para gerar anotações automáticas durante as videoconferências.
Mais do que isso, 30% admitem ter pulado reuniões, confiando que os assistentes digitais registrariam as discussões relevantes e eles poderiam se concentrar em atividades mais importantes.
Mas a verdadeira questão não é se a IA pode participar das suas reuniões. A pergunta é se ela deveria, e em quais situações. Embora essas ferramentas ofereçam benefícios claros, terceirizar sua presença gera impactos que muitas organizações ainda não consideraram.
Entender onde os assistentes de IA realmente agregam valor (e onde eles deixam a desejar) é essencial para usá-los de forma eficaz, sem comprometer a visibilidade, influência ou confiança.
Por que deixar a IA participar das reuniões
Organizações e profissionais que utilizam assistentes de reunião com IA de maneira intencional começam a observar ganhos mensuráveis em produtividade, avanço na carreira e colaboração entre equipes.
Economia massiva de tempo
Os ganhos de produtividade proporcionados por ferramentas de reunião com IA são difíceis de ignorar. Uma pesquisa da SAP SuccessFactors mostra que 58% dos funcionários entrevistados afirmam economizar tempo no trabalho ao usar IA. Em média, os profissionais dizem economizar cerca de 52 minutos por dia, ou quase cinco horas por semana. Ao longo de um ano, isso representa aproximadamente 250 horas por funcionário que podem ser redirecionadas para atividades de maior valor.
Recompensas profissionais e financeiras
Além da economia de tempo, os dados da Software Finder indicam uma forte relação entre a adoção de anotações por IA e o avanço na carreira. Profissionais que usam assistentes de IA com frequência têm uma probabilidade significativamente maior de ter recebido uma promoção recentemente. Cerca de 28% dos usuários frequentes relatam ter sido promovidos, em comparação com 15% daqueles que nunca utilizam essas ferramentas.
O impacto financeiro segue um padrão semelhante. Usuários frequentes desse tipo de tecnologia ganham, em média, um salário 27% superior ao dos funcionários que não utilizam essas ferramentas. Essa diferença sugere que profissionais que integram a IA aos seus fluxos de trabalho são cada vez mais vistos como mais produtivos e melhor posicionados para se concentrar em atividades estratégicas, em vez de tarefas administrativas.
Mais colaboração e engajamento
Quando a IA cuida das tarefas manuais, as equipes conseguem se concentrar mais plenamente nas discussões e na tomada de decisão. Tirar o foco da anotação e direcioná-lo para a participação transforma a dinâmica das reuniões e a forma como os times colaboram.
Veja os benefícios:
- A participação nas reuniões aumenta quando os participantes não estão distraídos anotando tudo;
- A tomada de decisões se torna mais rápida quando as equipes têm acesso a registros precisos e pesquisáveis;
- A continuidade melhora quando os funcionários conseguem se atualizar rapidamente sobre reuniões que perderam;
- A colaboração entre áreas se fortalece quando os insights são mais fáceis de compartilhar entre equipes.
Pontos de atenção ao usar IA nas reuniões
Há ressalvas importantes que muitos profissionais só percebem após já terem adotado a tecnologia.
Problemas de precisão e nuance
Dados da Software Finder mostram que quase metade dos profissionais (48%) afirma que as anotações feitas pela IA podem resultar em imprecisões ou perda de nuances. Esse problema não surpreende.
Reuniões envolvem muito mais do que palavras faladas. Tom de voz, linguagem corporal e a energia do ambiente muitas vezes moldam decisões de maneiras que as ferramentas de IA atuais ainda não conseguem captar.
Riscos de privacidade e segurança
Preocupações com privacidade e segurança continuam sendo um grande fator de hesitação entre profissionais que utilizam IA em reuniões.
- 46% expressam preocupações com privacidade relacionadas a ferramentas de reunião com IA;
- 42% se preocupam com riscos de segurança de dados;
- Muitas organizações ainda não possuem políticas claras sobre o que pode ser gravado, armazenado ou processado pela IA;
- Sem diretrizes bem definidas, os profissionais acabam tendo de tomar decisões por conta própria, mas que podem envolver grandes riscos.
IA vai roubar empregos?
As preocupações com carreira e segurança no emprego relacionadas ou não à adoção da IA variam entre gerações. Embora usuários frequentes de IA atualmente relatem taxas mais altas de promoção e salários maiores, a ansiedade em relação ao futuro permanece elevada.
Mais de 50% dos profissionais da geração Z temem ser substituídos por alguém com habilidades mais avançadas em IA, em comparação com 33% da geração X. Ao mesmo tempo, 24% das pessoas entre 18 e 34 anos avaliam sua preocupação em perder o emprego em oito ou mais, em uma escala de zero a dez.
A dependência da IA pode levar a uma perda gradual de habilidades que representa um risco de longo prazo. Escuta ativa, capacidade de sintetizar informações em tempo real e fazer a leitura do ambiente exigem prática. Quando essas competências são constantemente delegadas à IA, os profissionais correm o risco de perder habilidades difíceis de reconstruir e centrais para uma liderança eficaz.
Os custos nos relacionamentos também podem ser mais relevantes do que muitos imaginam. Enviar um assistente de IA em vez de participar pessoalmente de uma conversa transmite um sinal sobre prioridade e engajamento. Em reuniões menores, onde cada voz importa, colegas podem interpretar a ausência como desinteresse ou desvalorização.
Onde a IA faz sentido
O uso eficaz de assistentes de IA em reuniões ocorre quando a ferramenta é aplicada ao contexto certo. Delegar à IA funciona melhor quando as reuniões são principalmente informativas ou operacionais. A presença humana deve ser reservada para momentos em que julgamento, relacionamento ou expertise influenciam significativamente os resultados.
Reuniões informativas e de rotina
Grandes reuniões informativas, como encontros gerais e comunicados para toda a empresa, são bem adequadas ao uso de IA. O mesmo vale para reuniões recorrentes, de status, com pautas previsíveis. Revisar um resumo posteriormente permite que os profissionais reservem a presença ao vivo para reuniões em que sua contribuição tenha maior impacto.
Conflitos de agenda
Compromissos em sequência e responsabilidades entre áreas frequentemente geram conflitos de agenda inevitáveis. Quando duas reuniões importantes acontecem ao mesmo tempo, usar a IA para cobrir uma enquanto participa da outra é mais eficaz do que perder ambas ou dividir a atenção entre elas.
Alta demanda de documentação
Em reuniões que geram grandes volumes de informações, o apoio da IA também é positivo. Revisões de conformidade e discussões técnicas geralmente exigem documentação extensa – e nisso as ferramentas de IA se destacam. Isso permite que os profissionais se concentrem em fazer perguntas e contribuir com insights, em vez de registrar cada detalhe.
Onde a presença humana ainda é indispensável
Saber quais reuniões podem ser delegadas à IA e quais precisam ser assumidas pessoalmente é o que diferencia líderes que usam a inteligência artificial de forma eficaz daqueles que enfraquecem sua influência sem perceber.
Decisões de alto impacto
Negociações de alto impacto exigem presença pessoal. Ler o ambiente, responder a tensões e saber quando questionar são habilidades profundamente humanas que moldam os resultados. Enviar um assistente de IA para uma discussão com o time ou uma apresentação importante a um cliente sinaliza que a reunião não é prioridade. O mesmo vale para reuniões de pequenas equipes, onde decisões, responsabilidades e confiança estão em jogo.
Colaboração criativa
Sessões de brainstorming e encontros criativos dependem de participação plena. A energia gerada por ideias espontâneas, reações em tempo real e conexões inesperadas não pode ser transmitida por meio de resumos ou transcrições. O impulso criativo se perde rapidamente quando as pessoas não estão totalmente presentes.
Construção de confiança e relacionamentos
Conversas sensíveis dependem de empatia e inteligência emocional, o que a IA não consegue reproduzir. Discussões de desempenho, resolução de conflitos e conversas sobre mudanças organizacionais se baseiam em sinais emocionais que vão além das palavras. Reuniões para construir relacionamentos com novos clientes, parceiros ou stakeholders de outras áreas não são simples trocas de informação. É nelas que a confiança é estabelecida, o comprometimento é demonstrado e a colaboração de longo prazo começa.
Use a IA sem diminuir seu valor
Assistentes de IA podem recuperar tempo e reduzir atritos, mas seu valor continua vindo do julgamento e da presença. As reuniões são onde a confiança é construída, a influência é conquistada e as decisões ganham forma de maneiras que nenhum registro escrito consegue capturar. Ao usar a IA de forma intencional para tarefas rotineiras, você libera tempo e energia para estar plenamente presente nas conversas em que o insight humano realmente faz a diferença.
*Caroline Castrillon é colaboradora da Forbes USA. Ela é mentora de liderança corporativa e ajuda mulheres a lidar com mudanças em suas carreiras.
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Gol Nomeia Chairman Interino após Morte de Constantino Júnior

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Gol informou no domingo que o empresário Constantino Júnior, fundador e presidente do conselho, morreu aos 57 anos, e que o cargo passará a ser exercido de forma temporária pelo atual vice-presidente do conselho Antonio Kandir, conforme fato relevante ao mercado.
De acordo com o documento, Kandir faz parte de diversos órgãos da administração da Gol ao longo dos últimos 20 anos.
“As operações, a estratégia e os compromissos da companhia permanecem inalterados”, disse a companhia aérea.
A Gol havia informado previamente a morte de Constantino Júnior neste sábado (24) sem informar a causa da morte do executivo.
“Neste dia de enorme tristeza, a companhia se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus sentimentos e reconhecendo seu legado”, afirmou a nota da Gol.
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8 Hábitos para Fortalecer o Cérebro e Impulsionar a Carreira

A campanha nacional Janeiro Branco abre o calendário como um convite ao cuidado com a saúde mental e emocional. Dentro desse tema, um equívoco bastante comum é acreditar que o cérebro funciona como um computador antigo que inevitavelmente vai perdendo desempenho com o passar dos anos.
Mas as pesquisas mostram exatamente o contrário — o cérebro é um órgão vivo que pode crescer (ou encolher) em resposta aos seus hábitos diários, assim como o coração ou os pulmões.
Com a chegada de um novo ano, um cérebro mais saudável pode impulsionar sua felicidade e seu sucesso profissional em 2026.
Novo Ano, cérebro saudável
Seu cérebro determina seu desempenho no trabalho e até onde consegue subir na escada corporativa. É importante entender do que ele precisa para funcionar da melhor forma possível. Damos muita atenção ao coração e aos pulmões, mas costumamos negligenciar o cérebro.
Cientistas têm desvendado segredos desse órgão por meio de técnicas modernas de imagem, além de identificar hábitos simples para construir um cérebro saudável.
Um desses cientistas é o Dr. Majid Fotuhi, doutor em neurologia e autor do livro “The Invincible Brain: The Clinically Proven Plan to Age-Proof Your Brain and Stay Sharp for Life” (O Cérebro Invencível: O Plano Clinicamente Comprovado para Blindar seu Cérebro Contra o Envelhecimento e Manter a Lucidez por Toda a Vida, em tradução livre).
Em seu livro, o Dr. Fotuhi explica que existe uma diferença entre as doenças do cérebro — comprometimento cognitivo leve, demência, Parkinson, Alzheimer. “Você pode evoluir ou regredir, não importa em que ponto desse espectro cerebral você esteja agora. A escolha é sua”, afirma. “Você pode se tornar mais afiado, mais rápido e mais inteligente, além de melhorar suas funções executivas e a memória. Ou pode deixar o cérebro se deteriorar e sofrer as consequências de uma má circulação, do comprometimento do sistema de eliminação de resíduos do cérebro, do fluxo sanguíneo prejudicado, da morte de neurônios e da disfunção cognitiva.”
Segundo o especialista, assim como o exercício físico regular mantém o corpo envelhecendo em forma, hábitos saudáveis e exercícios cerebrais podem desacelerar o declínio cognitivo e melhorar o funcionamento do cérebro. Ele recomenda oito hábitos para promover a saúde cerebral em 2026. Um aspecto fundamental é prestar atenção à forma como você começa e termina o dia.
8 hábitos para fortalecer seu cérebro
1. Comece o dia com expectativas positivas
Ao abrir os olhos pela manhã, Fotuhi aconselha resistir à vontade imediata de pegar o celular. Em vez disso, ele recomenda passar cinco minutos tranquilos na cama, relaxando e imaginando o tipo de dia que você gostaria de ter.
Quando você espera ter um bom dia, o cérebro fica programado para perceber momentos positivos e buscar oportunidades que tragam alegria e significado. Por outro lado, quando você espera o pior, o cérebro passa a procurar negatividade. As expectativas moldam a experiência mais do que a maioria das pessoas imagina.
2. Medite para reduzir o estresse e aumentar o foco
Fotuhi defende de dois a cinco minutos de respiração lenta ao longo do dia de trabalho para revitalizar o cérebro. Ele sugere encontrar um local tranquilo, sentar-se confortavelmente e respirar de forma lenta e profunda, contando até seis ao inspirar e até seis ao expirar.
Preste atenção no ar passando pelas narinas e permita que seus ombros relaxem. Segundo ele, esse simples exercício respiratório é uma ferramenta poderosa para criar um cérebro forte e resiliente. Pesquisas mostram que a respiração lenta regular melhora o foco, a memória, o equilíbrio emocional e pode até ajudar a proteger o cérebro contra o Alzheimer.
3. Mantenha-se fisicamente ativo como se sua vida dependesse disso (porque depende)
A aptidão física é um dos indicadores mais fortes de longevidade e saúde cerebral, de acordo com o Dr. Fotuhi. Estudos mostram que caminhar reduz o risco de Alzheimer. Apenas de 3 mil a 5 mil passos por dia ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo e reduzir a inflamação. “O exercício físico é realmente uma fonte da juventude para o cérebro. Ele expande regiões envolvidas com memória, aprendizado, tomada de decisões e regulação emocional.”
“Quanto mais bem condicionado você fica, mais neurônios nascem na parte do cérebro responsável pelo aprendizado, pela memória e pelas emoções, e maiores são as chances de você ser mais saudável e mais feliz de forma geral.”
4. Reduza o consumo de alimentos ultraprocessados
Alimentos altamente processados e ricos em açúcar alimentam a inflamação no cérebro, observa o neurologista, drenando energia, prejudicando a comunicação entre as células cerebrais e contribuindo para a sensação de confusão mental. Com o tempo, esses alimentos aceleram o encolhimento do cérebro.
Escolher alimentos saudáveis pode ser desafiador em um mundo repleto de opções açucaradas tentadoras, mas o retorno é enorme. O especialista recomenda incluir cinco porções diárias de frutas e vegetais, escolher alimentos que mantenham o açúcar no sangue estável, sem grandes picos, e priorizar refeições integrais e minimamente processadas sempre que possível.
5. Faça ao menos uma coisa por dia que tenha propósito (sem focar na produtividade)
“A cada dia, procure um momento que pareça significativo, seja ajudar alguém, criar algo, rezar, fazer alguém feliz ou contribuir com algo pelo qual você é apaixonado”, recomenda o neurologista. Estudos indicam que o voluntariado protege a memória. Doar de duas a quatro horas por semana pode desacelerar o envelhecimento cerebral em até 20%, aguçar o raciocínio, melhorar a memória e fortalecer circuitos neurais ligados a propósito e recompensa.
“O propósito ativa as redes de recompensa e motivação do cérebro, ajuda a viver mais e protege o cérebro contra o Alzheimer. Seja o trabalho, a fé ou a meta de chegar aos 90 anos mantendo a lucidez e a independência, nutrir um propósito torna o cérebro mais saudável e feliz.”
6. Aprenda algo levemente desafiador todos os dias
“O aprendizado de algo novo — seja um idioma, um passo de dança, um instrumento ou um novo hobby — força o cérebro a formar novas conexões”, observa Fotuhi. “Quanto mais conexões o cérebro constrói, mais forte e saudável ele se torna.”
O bilinguismo desacelera o envelhecimento cerebral. Aprender outro idioma fortalece as conexões neurais e mantém o cérebro flexível, resiliente e biologicamente mais jovem. Ele sugere buscar oportunidades de aprendizado por meio de podcasts, audiolivros, conversas ou experiências do dia a dia. Seu cérebro é como um músculo: quanto mais você o desafia, mais forte ele fica.
7. Proteja seu sono como se fosse o botão de reinicialização noturna do cérebro
Fotuhi compara o cérebro a um botão de reset. “Durante o sono, o cérebro elimina resíduos metabólicos, reinicia circuitos emocionais e consolida a memória”, explica. “Um sono consistente e de alta qualidade melhora o humor, a paciência e a resistência cognitiva. Um cérebro bem descansado interpreta o mundo de forma mais positiva e responde aos desafios com maior resiliência.”
8. Termine o dia lembrando-se de um momento significativo ou de uma pequena vitória
Antes de dormir, Fotuhi recomenda refletir sobre um momento positivo do dia — um sucesso, um encontro ou um momento de gratidão. Essa prática fortalece circuitos neurais ligados à recompensa e ao otimismo. Com o tempo, o cérebro se torna melhor em identificar experiências positivas de forma automática. A felicidade, assim como a memória, é uma habilidade que o cérebro pode aprender.
Estudos clínicos associados à abordagem do Dr. Fotuhi revelam que mais de 80% dos pacientes melhoraram a memória, o foco e a clareza mental em até 12 semanas, com aumento do volume do hipocampo confirmado por ressonância magnética. Ele conclui que, com um novo ano e um cérebro mais saudável, todos nós temos autonomia para prevenir e até reverter o declínio cognitivo em qualquer idade.
*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.
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Davos 2026: Insights sobre Liderança Feminina e Futuro do Trabalho no Centro da Agenda Global

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em um mundo fragmentado, marcado pela escalada das tensões globais e pelo ritmo acelerado das transformações tecnológicas, líderes do setor empresarial, de governos, da sociedade civil e dos campos científico e cultural se reuniram em Davos, na Suíça, para a 56ª edição do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, realizada nesta semana.
Criada há mais de 50 anos, a reunião sempre buscou cultivar um espírito de diálogo — ainda que, historicamente, mulheres e outros grupos sub-representados tenham ficado à margem das discussões mais estratégicas. Esse foi justamente o tema deste ano, “Um Espírito de Diálogo”, que propôs ampliar perspectivas e aprofundar questionamentos em um contexto de crescente polarização.
Temas como os impactos da inteligência artificial sobre os empregos, diversidade, inclusão e liderança feminina, saúde mental, além de mudanças climáticas e inovação, estiveram no centro dos debates. “Um ponto central foi consistente: o avanço sustentável da liderança feminina depende cada vez mais de ações sistemáticas e estratégicas, sustentadas por métricas, mecanismos e governança”, afirma Juliana Campos Noronha, Chief Innovation Officer do Todas Group, ecossistema voltado ao desenvolvimento de lideranças femininas em corporações da América Latina, que esteve no encontro.
“A mensagem que se repete em Davos é clara: não existe futuro sustentável sem reduzir desigualdades”, reforça Fabi Saad, fundadora da plataforma Mulheres Positivas, também in loco.

Como elas, outras lideranças femininas brasileiras marcaram presença em Davos, acompanharam plenárias, palestraram, contribuíram para discussões e também articularam agendas paralelas. Luana Ozemela, Chief Sustainability Officer do iFood e conselheira do Global Future Councils 2025, iniciativa do próprio Fórum, participou de painéis como o “Women in Power: Leadership in Capital and Global Influence”, que abordou a presença de mulheres em posições de decisão nos mercados de capitais e na economia global.
“A discussão em Davos vai muito além de tendências abstratas. O que está em jogo são decisões concretas sobre como as empresas vão se organizar, como o trabalho vai se transformar e qual será o papel da sustentabilidade e da governança em cenários cada vez mais complexos”, observa.

“Como mulher da Amazônia e executiva do mercado financeiro, levo para esses espaços globais a perspectiva de uma região estratégica para o futuro do planeta”, diz Ruth Helena Lima, CMO do Banco da Amazônia. A executiva participou de um painel promovido pela plataforma de liderança feminina Mulheres Inspiradoras, liderada por Geovana Quadros.

A seguir, lideranças femininas brasileiras destacam os temas que mais chamaram sua atenção durante painéis, plenárias e discussões em Davos.
Líderes devem promover diálogos
O encontro anual do Fórum Econômico Mundial reuniu líderes de diferentes regiões, setores e gerações sob o tema “Um Espírito de Diálogo”. “Vivemos em um mundo cada vez mais fragmentado, e o diálogo voltou a ocupar o centro das decisões globais”, afirma Fabi.
As discussões se concentraram em cinco grandes desafios globais: cooperação em um cenário de disputas geopolíticas, liberação de novas fontes de crescimento, investimento em pessoas, implementação responsável da inovação e construção de prosperidade dentro dos limites do planeta. “Estamos entrando em uma nova ordem global marcada por uma competição cada vez mais tensa entre grandes blocos de poder, o que amplia a incerteza, mas também exige lideranças mais estratégicas, colaborativas e diversas”, diz Luana.
O futuro vai além da tecnologia
Em meio aos avanços sem precedentes da tecnologia e da inteligência artificial, os valores humanos ganharam protagonismo nas discussões. “Ficou claro que o futuro do trabalho não será definido apenas por tecnologia e inteligência artificial, mas pela forma como líderes transformam impacto social, diversidade e sustentabilidade em decisões reais de negócio e governança”, afirma Geovana.
A ascensão da IA também acendeu alertas sobre o risco de ampliação das desigualdades. Enquanto permanecem acessíveis a um grupo restrito, para outra parcela dos profissionais — especialmente as mulheres — elas podem aprofundar desigualdades e ampliar o desemprego. “Sem diversidade na liderança e sem diálogo com quem está fora dos centros de poder, a tecnologia tende a ampliar desigualdades em vez de reduzi-las”, diz a fundadora do Mulheres Positivas.
Ainda assim, há espaço para otimismo. Segundo um estudo do próprio Fórum Econômico Mundial, até 2030, 170 milhões de novas funções devem ser criadas, enquanto 92 milhões serão eliminadas, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de empregos. “A IA tende a transformar funções e criar novas oportunidades, desde que seu desenvolvimento e adoção sejam intencionais e inclusivos, para que os ganhos de produtividade beneficiem a todos — e não apenas poucos”, afirma a CSO do iFood.
“O diferencial do trabalho do futuro é, mais do que nunca, humano”, resume Juliana, do Todas Group.

Olhar para as pessoas
Nesse contexto, os avanços da inteligência artificial provocam um questionamento central, como Fabi sintetiza: “Como crescer sem deixar as pessoas para trás?”
Para a CMO do Banco da Amazônia, a resposta está na forma como a inovação é conduzida. “Esses avanços só geram valor real quando acompanhados de lideranças capazes de integrar inovação com pessoas, territórios e propósito”, afirma.
“Não se trata mais de intenção ou discurso”, reforça a fundadora do Mulheres Inspiradoras. “Trata-se de quem consegue entregar resultados alinhando pessoas, propósito e performance. Nesse cenário, a liderança feminina latino-americana já está alguns passos à frente.”
Saúde mental é urgente e deixa de ser um tema isolado
Enquanto o debate sobre o futuro do trabalho costumava ser dominado por um viés futurista, esta edição do Fórum marcou uma mudança de paradigma. “As discussões trouxeram a urgência de olharmos para a epidemia de saúde mental que estamos vivendo”, observa a psicanalista Ana Lisboa, fundadora do Grupo Altis, que atua na interseção entre saúde mental e cultura organizacional. “Antes, o foco era aspectos legais e geopolíticos, e a saúde fiava em painéis separados. Hoje, em todos os painéis sobre trabalho se falava em saúde mental.”
Segundo a especialista, o Fórum reconheceu que demissões em massa impulsionadas pela IA, a pressão dos algoritmos e a precariedade contratual são riscos ocupacionais diretos, com impactos no burnout, na ansiedade e nos afastamentos dos profissionais. “Ficou claro que a crise de saúde mental deixou de ser uma questão individual para se tornar um desafio coletivo.”
Liderança feminina exige mudança estrutural, não soluções pontuais
Os principais painéis destacaram que o avanço sustentável de mulheres em posições de liderança ocorre quando o tema é tratado como um processo ligado ao negócio — com padrões, métricas e rotinas de gestão — e não como ações isoladas.
“A consistência e a longevidade são o que realmente movem o ponteiro dos resultados, já que empresas com liderança diversificada superam seus pares de forma consistente em inovação e produtividade”, afirma Juliana, do Todas Group.
“A liderança feminina deixa de ser uma pauta social e passa a ser uma pauta estratégica e econômica”, diz Fabi. “Mulheres têm sido chamadas a liderar justamente por essa capacidade de integrar crescimento, impacto social e tomada de decisão mais inclusiva.” Para Geovana, esse movimento resulta em “negócios mais resilientes, conectados às comunidades e atentos às transformações sociais”.
Paridade de gênero como imperativo econômico
Juliana aponta o investimento na paridade de gênero como um motor econômico estratégico. De acordo com um relatório de 2024 do Banco Mundial, eliminar a desigualdade de gênero poderia elevar o PIB global em mais de 20%, o que significaria dobrar a taxa de crescimento global na próxima década. “A mensagem que se repete em Davos é clara: não existe futuro sustentável sem reduzir desigualdades”, corrobora Fabi, do Mulheres Positivas.
Luana chama a atenção para duas transições centrais para a liderança contemporânea. “A agenda climática demanda uma nova roupagem, mais conectada a crescimento, inovação e bem-estar”, afirma. “A grande transferência de riqueza para as mulheres, um movimento silencioso, porém poderoso, tem potencial de redefinir padrões de consumo, investimento e poder econômico nas próximas décadas.”
Meritocracia exige mecanismos mensuráveis
“No painel The Future of Inclusion, a principal conclusão é que não há meritocracia sem critérios transparentes e consistentes de contratação, promoção e avaliação de desempenho”, diz Juliana, da Todas Group. “A recomendação prática foi direta: medir, diagnosticar e corrigir falhas, porque ‘o que não se mede, não se conserta’.”
A executiva reforçou, ainda, a importância de monitorar a composição da liderança. “Quando líderes passam a enxergar esse tema como parte do desempenho do negócio, há maior adesão em toda a empresa.” O painel citou a América Latina e destacou um case de sucesso do Reino Unido, que quase dobrou a presença feminina em conselhos de administração por meio da colaboração entre diversos setores e de metas claras, em vez de cotas rígidas.
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