Negócios
Vale-Refeição e Alimentação: Entenda Novas Regras Que Afetam Empresas e Funcionários

O governo federal redesenhou as regras do vale-refeição e do vale-alimentação, com impacto direto para empresas, profissionais e o setor de serviços. O decreto que atualiza o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) busca aumentar a concorrência, reduzir custos e modernizar o mercado, ao reformular o sistema de pagamentos e ampliar a rede de estabelecimentos credenciados.
Segundo a SRE (Secretaria de Reformas Econômicas) do Ministério da Fazenda, o novo modelo pode gerar uma economia anual de até R$ 7,9 bilhões.
Novas regras voltam a valer
A AGU (Advocacia-Geral da União) informou na terça-feira (24) que a Justiça Federal derrubou decisões provisórias que haviam suspendido o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o PAT. Com isso, as novas regras voltam a valer imediatamente.
Em janeiro, empresas que operam os pagamentos de vale-alimentação e vale-refeição haviam conseguido suspender as novas regras por meio de liminares. As medidas incluem a fixação de um teto para as taxas cobradas de supermercados e restaurantes e a redução do prazo de repasse dos valores aos estabelecimentos.
De acordo com a AGU, a decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que determinou o cumprimento imediato do decreto por empresas como Ticket, VR, Pluxee, Alelo e Vegas Card.
Teto de taxas
Assinado em novembro de 2025, o decreto do governo federal fixou um teto de 3,6% para as taxas cobradas pelas empresas de vale-refeição e vale-alimentação de supermercados e restaurantes, além de reduzir de 30 para 15 dias o prazo máximo para o repasse dos valores aos estabelecimentos. Até então, taxas nem prazos eram regulamentados no PAT.
A norma também limita a tarifa de intercâmbio a 2%, proíbe cobranças adicionais, estabelece um prazo de 90 dias para adaptação das empresas e determina a interoperabilidade total entre bandeiras. Em até um ano, qualquer cartão de benefício deverá ser aceito em todas as maquininhas de pagamento.
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Rafael Câmara: a Trajetória do Piloto Brasileiro Que Chegou À Fórmula 1 Aos 21 Anos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Rafael Câmara ainda estava longe de ter idade para dirigir nas ruas quando começou a construir o caminho que o levaria à Fórmula 1. Aos seis anos, entrou em um kart indoor no Recife. Quinze anos depois, o pernambucano de 21 anos tem contrato assinado para disputar a temporada de 2027 pela Haas.
O anúncio transforma em realidade uma trajetória que avançou quase sem interrupções pelas categorias de formação. Câmara foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2024, conquistou a Fórmula 3 logo em sua temporada de estreia, em 2025, e agora lidera a Fórmula 2 faltando duas etapas para o fim do campeonato.
Nesse período, passou também pela Ferrari Driver Academy, programa de jovens pilotos da escuderia italiana ao qual ingressou em 2021. É justamente essa combinação de precocidade, títulos consecutivos e rápida adaptação a carros cada vez mais potentes que ajuda a explicar por que a Haas decidiu apostar nele em um contrato de vários anos.
“Chegar à Fórmula 1 é a realização de um sonho e um momento muito especial da minha carreira”, afirmou Câmara após a confirmação. “Mas sei que isso é apenas o começo.”
Do Recife para as pistas do mundo
Rafael Câmara nasceu em 5 de maio de 2005, no Recife. Filho do advogado Amaro Câmara e de Paula Câmara, cresceu em Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.
O automobilismo não era exatamente estranho à família. Sua avó, Niege Rossiter, foi pioneira em competições automobilísticas no Recife. Rafael, por sua vez, começou a frequentar o kart inspirado pelo irmão mais velho.
Em 2011, aos seis anos, já andava em kart indoor. Poucos anos depois, a brincadeira havia se transformado em competição. Em 2016, começou a aparecer na SKUSA Super Master Series. Três anos depois, já acumulava vitórias frequentes na categoria.
O salto internacional ganhou força em 2021. Naquele ano, venceu a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Cup em Adria, na Itália, além de conquistar uma prova da Champions of the Future, em Gand, na Bélgica. Os resultados chamaram a atenção do programa de desenvolvimento da Ferrari.
O terceiro brasileiro escolhido pela Ferrari
Câmara participou das finais mundiais de seleção da Scuderia Ferrari Driver Academy ainda com pouca experiência em monopostos. O desempenho foi suficiente para garantir uma vaga.
Ele se tornou o terceiro brasileiro a integrar o programa, depois de Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof. A partir dali, o caminho passou a ser acompanhado de perto por Maranello.
Em 2022, Câmara disputou a Fórmula 4 dos Emirados Árabes e a italiana pela Prema, além de algumas participações no campeonato alemão. Somando as três competições, conquistou nove vitórias. Terminou como vice-campeão nos Emirados e terceiro colocado tanto na Itália quanto na Alemanha.
Era o começo de uma sequência em que praticamente cada mudança de categoria foi acompanhada por uma disputa pelo título.
O primeiro grande título
Em 2024, ainda defendendo a Prema, Câmara transformou regularidade em campeonato. Na Fórmula Regional Europeia, venceu oito provas, conquistou cinco pole positions e acumulou pódios suficientes para assegurar o título com uma etapa de antecedência.
O resultado abriu a porta para a Fórmula 3 no ano seguinte. E a adaptação foi rápida. Correndo pela Trident, o brasileiro venceu as duas primeiras Feature Races de sua temporada de estreia, em Melbourne e Sakhir, ambas depois de largar na pole.
Vieram depois novas vitórias em Barcelona e Budapeste. O triunfo na Hungria garantiu o campeonato antes da última etapa.
Ao todo, foram quatro vitórias — todas nas corridas principais —, cinco pódios e quatro voltas mais rápidas. As cinco pole positions conquistadas em 2025 representaram ainda o maior número já registrado por um piloto em uma temporada da Fórmula 3.
O último fim de semana trouxe outro retrato da temporada: em Monza, Câmara saiu do fim do grid para terminar a Feature Race em quinto.
Da Fórmula 3 direto para a liderança da F2
O passo seguinte veio em 2026. Câmara subiu para a Fórmula 2 com a Invicta Racing e, novamente como estreante, chegou à parte final da temporada brigando pelo título.
Quando a contratação pela Haas foi anunciada, liderava o campeonato com 207 pontos, restando duas etapas. Já havia vencido as Feature Races da Espanha, Bélgica e Azerbaijão, além de somar seis pódios e cinco poles.
A sequência dá dimensão à velocidade da ascensão: campeão da Fórmula Regional em 2024, campeão da F3 em 2025 e líder da F2 no ano seguinte.
Na ficha acumulada durante sua passagem pela academia da Ferrari, aparecem 144 corridas, 24 vitórias e 25 pole positions. Mas os resultados nas categorias menores não foram o único critério para a chegada à Fórmula 1.
O teste que ajudou a convencer a Haas
O primeiro contato de trabalho entre Câmara e a Haas aconteceu em agosto. O brasileiro participou de um teste de carros anteriores, conhecido como TPC, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal. Pilotou o VF-25 e teve a oportunidade de mostrar como se comportava diante de um Fórmula 1, não apenas em velocidade, mas também na interação com engenheiros e na capacidade de adaptação.
Foi justamente esse segundo aspecto que chamou a atenção de Ayao Komatsu, chefe da equipe. Para o dirigente, Câmara mostrou mais do que velocidade pura durante o teste. Komatsu destacou a maneira como o brasileiro conseguiu construir as condições necessárias para extrair desempenho mesmo tendo pouco tempo para conhecer o carro.
“Ele mostrou que conseguia lidar muito bem com a situação”, afirmou o chefe da Haas. “Vimos mais do que velocidade.” A avaliação pesou na decisão de entregar a ele uma vaga para 2027.
Gene Haas, proprietário da equipe, também citou a experiência recente com jovens ligados à academia da Ferrari como referência para a escolha. Ollie Bearman percorreu caminho semelhante antes de chegar ao time.
Aos 21, o começo de outra história
Há algo de incomum na trajetória de Rafael Câmara não apenas pela idade, mas pela sequência. Ele não chega à Fórmula 1 amparado por um único campeonato de destaque. Nos últimos anos, acumulou títulos e avançou de categoria antes que cada conquista tivesse tempo de envelhecer.
Do kart no Recife vieram as provas internacionais. Da Fórmula 4, a Fórmula Regional. Depois, o título da F3 em sua estreia. Agora, enquanto ainda tenta terminar a temporada de Fórmula 2 com mais um troféu, já sabe onde estará no próximo ano.
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Negócios
O que muda para empresas e funcionários com o fim da Escala 6×1

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em uma decisão histórica, o plenário do Senado Federal aprovou na noite de quarta-feira (14), em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 de trabalho, em que o empregado trabalha seis dias na semana e folga um.
Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos. O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a 77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.
O que muda com o fim da 6×1
O texto prevê folga remunerada obrigatório de dois dias por semana (uma delas preferencialmente no domingo), em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.
A mudança representa um marco na luta por direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais, e concede um dia a mais de descanso para que trabalhadores com carteira assinada possam descansar, ampliar o convívio com a família e ter mais tempo de lazer e estudos.
A proposta também preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para disciplinar situações específicas e categorias submetidas a regimes diferenciados.
Quando passa a valer a nova escala
Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Veja as regras de transição:
- Escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- Redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias);
- Jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 (em 14 meses).
Como será feito o cálculo das horas de trabalho?
No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação (quando a escala será de até 42 horas semanais em 5 dias de trabalho), o empregador deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço. Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana.
Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em 5 dias na semana. Para trabalhar mais horas, apenas mediante pagamento de hora-extra.
Exceções
O texto permite, excepcionalmente, e mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho, que seja estabelecido regime compensatório que permita escala diferente da 5×2.
Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”, garantindo “o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.
Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6×1, desde que prevista em acordo coletivo. Nesse caso, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês. Ao final desse mês, ele terá que ter gozado, na média, o equivalente a duas folgas remuneradas por semana.
A proposta também prevê que lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para os MEIs (microempreendedores individuais), microempresas e empresas de pequeno porte.
Salários acima de R$ 21 mil
A PEC também prevê jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que seja mantida a escala 5×2. Nesses casos, a duração da jornada poderá ser definida por negociação direta entre empregador e empregado.
Nesses casos, a redução da jornada só ocorrerá por liberalidade do empregador (quando é concedido sem obrigação legal) ou se estiver prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto, contudo, determina a realização da escala 5×2 nesses casos.
Quem será beneficiado
Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), elaborada com base em dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), apontou que 80% dos vínculos com jornadas superiores a 40 horas semanais tinham salários contratuais de até dois salários mínimos (atualmente em R$ 3.242). O percentual chegava a 90% quando considerado o limite de três salários mínimos (R$ 4.863).
Os vínculos com contratos de até 40 horas semanais registravam remuneração mensal média de R$ 6.211,16. Já os trabalhadores contratados para jornadas de 44 horas recebiam, em média, cerca de 42,3% desse valor, ou seja, cerca de R$ 2.627,32.
A escolaridade também aparece associada à duração da jornada. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade inferior tinham jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre aqueles com ensino superior completo, a proporção era de 53%.
Uma outra pesquisa apontou que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores. O número reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.
Os dados são de um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), elaborado com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, referente a 2025. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda trabalham acima da jornada de 40 horas semanais.
Terceirizados do Estado
A regra de transição para os trabalhadores terceirizados do poder público é diferente, sob o argumento de “evitar riscos de descontinuidade na prestação de serviços públicos essenciais executados mediante terceirização”.
As empresas que prestam serviços para o Estado terão prazo de 12 meses após a promulgação da emenda, e não 60 dias como as demais, para acabar com a escala 6×1 dos empregados.
Os contratos aditados após 60 dias da promulgação da emenda já terão que observar a nova jornada de trabalho instituída pela PEC.
Aprovação e próximos passos
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Casa legislativa, manteve o mesmo texto aprovado pelos deputados há cinco meses, de forma que a proposta não precisará retornar à Câmara e poderá seguir diretamente para a promulgação.
A votação em primeiro e segundo turnos na mesma noite foi possível após a aprovação, em votação simbólica, de um requerimento de calendário especial, feito por líderes partidários, que dispensou a exigência de novas sessões deliberativas para análise da proposta.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC chegou em agosto ao Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi levada à discussão em plenário na semana passada, após compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
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PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
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