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O perigo invisível do solo congelado que está liberando gases estufa mais potentes que a fumaça de grandes fábricas

O derretimento do permafrost no Ártico está revelando uma ameaça silenciosa que pode acelerar drasticamente a crise climática global. Ao descongelar, solos milenares liberam microrganismos que transformam matéria orgânica em metano, um gás muito mais potente que o CO2. Entender esse fenômeno é crucial para prevermos o futuro ambiental do nosso planeta e as mudanças que já batem à nossa porta.
Como o derretimento do permafrost afeta o clima mundial?
De acordo com um comunicado divulgado pela EurekAlert, a decomposição da matéria orgânica por micróbios em solos descongelados é um motor crítico do aquecimento global. Esse processo cria um ciclo de feedback perigoso, onde o calor gera mais descongelamento e, consequentemente, mais emissões de gases estufa, dificultando o controle das temperaturas médias da Terra.
A escala desse fenômeno na Sibéria e no Alasca é massiva, transformando o que antes era um sumidouro de carbono em uma fonte ativa de poluição. O impacto não é apenas local, pois a atmosfera distribui esses gases por todo o globo, intensificando eventos climáticos extremos em diversas regiões.
🧊 Degelo Inicial: O aumento da temperatura global derrete a camada de solo que permanecia congelada há milênios.
🦠 Ativação Microbiana: Bactérias ancestrais despertam e começam a digerir a matéria orgânica acumulada no solo antigo.
🔥 Bomba de Carbono: O metano e o CO2 são liberados em massa, criando um efeito estufa descontrolado na atmosfera.
Quais são os principais gases liberados por esse solo?
Embora o dióxido de carbono seja o gás mais conhecido, o metano é o grande protagonista negativo quando falamos de solo ártico. Ele possui uma capacidade de retenção de calor dezenas de vezes superior ao CO2 em um curto período, o que acelera o aquecimento de forma imediata e preocupante para os especialistas.
Além dos gases estufa, o descongelamento pode liberar substâncias tóxicas que estavam presas no gelo, como o mercúrio. Isso afeta diretamente a cadeia alimentar, contaminando rios e oceanos, o que representa um perigo adicional para as comunidades locais e a fauna selvagem.
- Metano ($CH_4$): Gás extremamente potente liberado em condições de baixa oxigenação.
- Dióxido de Carbono ($CO_2$): Subproduto da decomposição aeróbica da matéria orgânica.
- Óxido Nitroso ($N_2O$): Gás de efeito estufa com altíssimo potencial de degradação da camada de ozônio.
- Mercúrio Metálico: Metal pesado que ameaça a vida aquática e a saúde humana na região.

O que os cientistas dizem sobre o derretimento do permafrost?
Pesquisadores alertam que a velocidade com que o derretimento do permafrost está ocorrendo supera os modelos climáticos mais conservadores. Isso significa que as metas estabelecidas em acordos internacionais podem precisar de revisões urgentes para compensar essas emissões naturais imprevistas.
A instabilidade do solo também é uma preocupação logística, já que cidades inteiras no Círculo Polar Ártico foram construídas sobre essa base congelada. Com o amolecimento da terra, prédios, estradas e oleodutos correm o risco de colapsar, causando prejuízos econômicos e desastres ambientais secundários.
| Área de Impacto | Consequência Direta | Nível de Risco |
|---|---|---|
| Feedback Climático | Aceleração do aquecimento global por gases naturais | Crítico |
| Infraestrutura | Desabamento de construções e danos em estradas | Alto |
| Ecossistemas | Alteração drástica nos habitats de espécies árticas | Moderado/Alto |
Por que o metano é mais perigoso que o CO2?
O metano possui uma estrutura molecular que o torna muito mais eficiente em “aprisionar” a radiação infravermelha do sol dentro da nossa atmosfera. Enquanto o CO2 permanece no ar por séculos, o metano tem uma vida útil mais curta, mas seu impacto térmico imediato é avassalador.
Devido a essa potência, qualquer pequena variação na liberação de metano do permafrost pode causar picos de temperatura global. Isso cria uma urgência maior em conter o aquecimento inicial, para que essa reserva gigantesca de gás não seja liberada de uma só vez.
Existe alguma solução para conter esse processo natural?
A única forma eficaz de frear o degelo do solo ártico é a redução drástica das emissões de gases estufa geradas por atividades humanas. Ao estabilizar a temperatura global, podemos manter o permafrost em seu estado sólido, preservando o carbono estocado sob o gelo.
Iniciativas de monitoramento remoto via satélite e estudos de campo estão sendo intensificados para identificar “pontos quentes” de emissão. Embora seja um processo natural desencadeado pelo homem, a ciência busca formas de mitigar os danos e preparar a infraestrutura global para o que está por vir.
Leia mais:
- Metano: 10 curiosidades sobre esse gás – Olhar Digital
- Pesquisa mapeia gases em berçários de estrelas fora da Via Láctea
- Como gás metano piora a emergência climática? – Olhar Digital
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SpaceX pode faturar até R$ 2,6 trilhões por ano com IA, diz Elon Musk

A SpaceX pode deixar de ser conhecida principalmente como uma empresa de foguetes e se transformar em uma gigante de inteligência artificial (IA). Segundo Elon Musk, a operação de IA da companhia poderá gerar entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões (R$ 1,5 trilhão/R$ 2,6 trilhões) em receita anual até o fim de 2027, caso os planos de expansão da empresa sejam concretizados.
A projeção foi apresentada pelo fundador e CEO da SpaceX durante reunião com funcionários, publicada pela empresa nesta terça-feira (11) no X.
Musk afirmou que a receita de IA da SpaceX deve superar a de todas as outras áreas da companhia já em setembro deste ano e crescer ainda mais no quarto trimestre. “Nossa receita de IA provavelmente vai superar todas as outras receitas da SpaceX em setembro — no próximo mês — e vai superar significativamente todas as outras receitas da SpaceX no quarto trimestre”, afirmou.
Segundo o executivo, a IA já se tornou uma parte extremamente importante do futuro da companhia.
IA pode representar 99% do valor da SpaceX
- A mudança de foco ganhou força no início deste ano, quando a SpaceX adquiriu a xAI, empresa de IA fundada por Musk em 2023;
- A companhia é responsável pelo chatbot Grok e também opera o Colossus, um dos grandes complexos de supercomputação voltados para IA nos Estados Unidos, localizado no Tennessee;
- Para Musk, porém, a aquisição foi apenas o começo. “Provavelmente em quatro ou cinco anos, a IA será 99% do valor da SpaceX; eu diria que em cinco anos, com certeza”, afirmou. “E o valor da SpaceX será um número astronômico.”
- A projeção está relacionada principalmente à expansão da capacidade computacional da empresa.
Atualmente, a SpaceX possui cerca de 1,4 gigawatt de capacidade de computação para IA, que é disponibilizada para empresas de tecnologia e laboratórios de IA. A meta é elevar esse número para 10 GW até o fim do próximo ano.
De onde viriam os R$ 2,6 trilhões
Musk calcula que cada watt de capacidade computacional para IA poderá gerar entre US$ 30 e US$ 50 (R$ 155,23/R$ 258,71) em receita. Com 10 GW de capacidade — o equivalente a dez bilhões de watts —, a conta chegaria a uma receita anual entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões.
“O valor por watt provavelmente ficará entre US$ 30 e US$ 50, o que significa que, se colocarmos dez gigawatts de IA em operação até o fim do próximo ano, teremos entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões por ano em receita”, disse Musk. “Números grandes.”
A projeção, portanto, não representa uma receita já existente nem uma previsão financeira garantida. Trata-se de uma estimativa apresentada pelo próprio Musk com base na capacidade computacional que a SpaceX pretende colocar em operação.
Leia mais:
- SpaceX está em crise? Entenda a pressão após estreia na bolsa
- Tesla e SpaceX revelam plano bilionário para dominar chips de IA
- SpaceX planeja construir fábricas na Lua para produzir satélites de IA
SpaceX quer fabricar seus próprios chips
A estratégia da companhia vai além da construção de data centers. A SpaceX anunciou recentemente planos para construir, no Texas (EUA), um gigantesco complexo chamado Terafab, em parceria com a Tesla.
A instalação deverá produzir semicondutores avançados para diferentes aplicações, incluindo os sistemas utilizados nos projetos de IA da companhia.
Outro plano ambicioso envolve o espaço. A SpaceX pretende colocar até um milhão de satélites de IA, chamados Starmind, em órbita baixa da Terra nos próximos anos.
Os satélites seriam lançados pelo Starship, foguete totalmente reutilizável que ainda está em desenvolvimento.

A ideia é utilizar a enorme capacidade de lançamento do Starship para colocar em órbita uma infraestrutura de computação distribuída, ampliando ainda mais a capacidade de processamento da empresa.
Data centers na Lua também estão nos planos
Em um horizonte ainda mais distante, Musk pretende levar a infraestrutura de IA para fora da Terra. A SpaceX planeja construir fábricas na Lua capazes de produzir os componentes necessários para data centers fora do planeta.
Esses centros de processamento seriam instalados em órbita e poderiam receber satélites lançados a partir da superfície lunar por meio de lançadores eletromagnéticos, dispositivos semelhantes a enormes trilhos capazes de acelerar cargas até altas velocidades.
O projeto faz parte de uma visão de longo prazo na qual a IA e a infraestrutura computacional deixam de depender exclusivamente da superfície terrestre.
Mercado de IA de R$ 119 trilhões
As ambições da SpaceX aparecem também nos documentos apresentados pela companhia antes de sua abertura de capital. Nos registros, a empresa estimou um mercado endereçável total de US$ 28,5 trilhões (R$ 147,4 trilhões) para seus negócios no futuro. Quase US$ 23 trilhões (R$ 119 trilhões) desse mercado estariam relacionados à IA.
Para dimensionar a magnitude da estimativa, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no ano passado foi de aproximadamente US$ 30,8 trilhões (R$ 159,4 trilhões).
Musk resume sua visão de futuro em uma frase: “O futuro é fundamentalmente IA e robôs.” Segundo o executivo, se a civilização continuar avançando, a quantidade de IA poderá superar em mais de um trilhão de vezes a inteligência biológica.
Musk diz que objetivo vai além do dinheiro
Apesar das projeções financeiras gigantescas, Musk afirmou que a expansão da SpaceX em IA não tem como objetivo apenas gerar dinheiro. “É importante que tenhamos uma IA que se importe com a humanidade, que promova a humanidade e nos ajude a chegar a outros planetas e outros sistemas estelares”, disse.
Ele também defendeu que a SpaceX desenvolva tanto o hardware quanto o software de IA. “É por isso que acho essencial que a SpaceX tenha sucesso não apenas com hardware de IA, mas também com software de IA”, disse.
Musk disse acreditar que uma IA desenvolvida pela SpaceX poderia ser especialmente benéfica para a humanidade e descreveu a empresa como um grupo formado por algumas das pessoas mais capazes do mundo.
No fim da reunião, o executivo também tentou convencer os funcionários a contribuírem com a expansão da área de IA com promessa bastante ambiciosa. “Um dos benefícios disso também é que qualquer pessoa na SpaceX que queira ir à Lua ou a Marte poderá ir no futuro. Você tem a minha palavra”, afirmou.
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Jeff Bezos e bilionário brasileiro se unem para comprar clube de futebol

O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, juntou-se a Jeff Bezos, dono da Amazon e da Blue Origin, em consórcio que negocia a compra de cerca de 30% do Liverpool, clube de futebol da Inglaterra.
A informação foi divulgada pela Sky News, que apurou que o Fenway Sports Group (FSG), grupo que controla o Liverpool desde 2010, se prepara para anunciar a transação ainda nesta semana.
O consórcio é liderado por Amit Bhatia, genro de Lakshmi Mittal, bilionário do setor siderúrgico. Até recentemente, Bhatia era acionista do Queens Park Rangers (QPR), clube que atualmente disputa a segunda divisão do futebol inglês.
Caso o negócio seja concluído, três dos homens mais ricos do mundo passarão a ser sócios do Liverpool, um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol inglês. Segundo estimativas da Forbes, Bezos possui uma fortuna superior a US$ 283 bilhões (R$ 1,4 trilhão), enquanto o patrimônio de Saverin ultrapassa US$ 33 bilhões (R$ 168,5 bilhões).
De acordo com a Sky News, a negociação deve avaliar o Liverpool em aproximadamente US$ 6 bilhões (R$ 30,6 bilhões). Se concretizada nesses termos, a operação estaria entre as maiores transações da história do futebol.
Embora Bezos nunca tenha participado de negociações para investir em clubes de futebol, sua possível entrada no consórcio reforça o interesse crescente de grandes investidores bilionários pelo esporte.
Saverin, de 44 anos, já havia participado de uma tentativa de investimento no futebol inglês. Em 2022, ele fez parte de um consórcio que apresentou, sem sucesso, uma proposta para comprar o Chelsea durante o processo de venda do clube.

Quem é Eduardo Saverin
- Eduardo Saverin continua na liderança do ranking dos brasileiros mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em mais de US$ 33 bilhões, segundo a Forbes;
- Nascido em 1982, em São Paulo, Saverin foi criado nos Estados Unidos. Ele ficou conhecido por ajudar Mark Zuckerberg a fundar o Facebook. Os dois se conheceram durante a faculdade;
- Atualmente, o empresário mora em Singapura com a esposa e o filho. Ele também é cofundador e copresidente da B. Capital, empresa de investimentos em venture capital;
- Saverin se formou em economia pela Universidade Harvard, onde conheceu Zuckerberg e ajudou a criar o Facebook em 2004.
Segundo o livro “Milionários Acidentais”, de Ben Mezrich, publicado em 2012, Saverin foi responsável pelo investimento inicial necessário para colocar a empresa em funcionamento.
Sua fortuna foi construída a partir de uma participação minoritária no Facebook. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, depois que a abertura de capital da empresa valorizou sua participação.
A participação de Saverin no Facebook não foi maior porque ele e Zuckerberg romperam a parceria após divergências sobre os rumos da empresa. A disputa chegou à Justiça e foi retratada no filme “A Rede Social”, lançado em 2010. Na produção, Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield.
Mesmo após o rompimento, a participação que manteve na empresa foi suficiente para transformá-lo em um dos brasileiros mais ricos do mundo. Em 2024, ele chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história, segundo levantamento da Forbes.
Naquele ano, sua fortuna foi estimada em R$ 155,9 bilhões, impulsionada pela forte valorização das ações da Meta, empresa que controla Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp.
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Data center de IA ameaça desregular clima na Amazônia

O primeiro data center de inteligência artificial da Amazônia, em Belém, no Pará, se tornou alvo de um inquérito do Ministério Público do Estado do Pará. A investigação apura o risco de formação de “ilhas de calor” e a ausência de consultas públicas com comunidades ribeirinhas e moradores de bairros vizinhos ao empreendimento.
O projeto, batizado de BEL1, tem investimento previsto de R$ 250 milhões e previsão de início de operações em 2027. A capacidade inicial é de 7,5 megawatts, potência suficiente para abastecer mais de 22,5 mil residências.
Falta de regras claras
- Segundo o Ministério Público do Estado do Pará, o Brasil não conta com regulamentação ambiental específica para esse tipo de instalação.
- O órgão ainda destaca que as secretarias do estado do Pará e do município de Belém afirmaram não ter recebido pedidos de licenciamento ambiental relacionados ao empreendimento.
- Além disso, comunidades ribeirinhas e moradores dos bairros próximos ao BEL1 não foram ouvidos sobre os possíveis impactos da instalação antes do início do projeto.
- Por fim, não foram realizadas consultas públicas, o que compõe parte do fundamento para a abertura do inquérito.
- As informações são do G1.
Projeto pode criar “ilhas de calor” na região amazônica
Risco de elevação de temperatura
Um estudo da Universidade de Cambridge indica que data centers podem elevar a temperatura média da superfície terrestre em 2°C, com picos de até 9,1°C. É esse cenário que embasa a preocupação do Ministério Público do Estado do Pará.
Estruturas de data center dissipam energia na forma de calor, o que pode elevar a temperatura externa em uma área que frequentemente já atinge sensações térmicas de 34ºC ou mais, gerando as chamadas “ilhas de calor” na região amazônica.
A Elea Data Centers, responsável pelo projeto, afirma que usará sistemas de ar-condicionado para resfriar os equipamentos, em vez de água. A empresa ainda explica que estudos de impacto térmico mais profundos só seriam realizados para a fase de 100 MW, que ainda não tem data para sair do papel.
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