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Pesquisadores dizem que decisões da Meta ameaçam liberdade no Brasil

Redação Informe ES

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Em audiência pública em Brasília (DF), nesta quarta-feira (22), pesquisadores e membros de organizações da sociedade civil manifestaram contrariedade às novas políticas da empresa Meta, que alteraram as formas de moderação e que até permitem a publicação de conteúdos preconceituosos. Representantes das plataformas digitais foram convidados, mas não compareceram. A companhia controla as redes Facebook, Instagram e Whatsapp. 

Na audiência pública, realizada pela Advocacia-Geral da União (AGU), os pesquisadores chamaram atenção para o fato que essas políticas aumentam as dificuldades de grupos já vulnerabilizados. A professora Rose Marie Santini, diretora do laboratório de estudos de internet da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que as decisões da empresa de remodelar programas de checagem de fatos e relaxar os trabalhos de moderação sobre a formação de discursos de ódio representam ameaça à sociedade.

Para ela, uma mudança muito significativa anunciada pelo presidente da Meta, Mark Zuckerberg, foi sobre as alterações dos algoritmos, ao decidir quais vozes serão divulgadas e silenciadas. “Esses algoritmos, programados pela curadoria e moderação de conteúdo, operam sem nenhuma transparência sobre a realidade e sobre seus critérios. Não sabemos quais conteúdos são efetivamente moderados”, ponderou. 

A professora afirma que a divulgação dos critérios de moderação demonstrou “graves inconsistências”. “Essa opacidade mina a confiança pública na real preocupação da empresa com a liberdade de expressão. Afinal, a liberdade só é efetiva quando acompanhada de transparência”, argumentou. 

Para a pesquisadora, esse tipo de moderação permite que se dê liberdade somente às pessoas escolhidas pela empresa. “O discurso das empresas induz a um entendimento de que a censura só poderia vir do Estado. Contudo, na realidade atual, as plataformas digitais se constituem como a principal estrutura de censura dos usuários na internet”.

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Ela entende que essas grandes plataformas detêm mais informações sobre seus usuários do que qualquer Estado tem de seus cidadãos. “(As empresas) Usam dados das pessoas, inclusive os sensíveis, para distribuir anúncios personalizados, independente se são legítimos ou não, se contêm crimes de qualquer ordem ou se colocam os usuários em risco”. 

Audiência Pública AGU: Política de Moderação de Conteúdo - Plataformas Digitais

Audiência Pública AGU: Política de Moderação de Conteúdo – Plataformas Digitais – Renato Menezes/AscomAGU

Conteúdos sexistas

A professora de direito Beatriz Kira, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, avaliou que a prioridade e o engajamento dos algoritmos das plataformas contribuem para a disseminação de conteúdos sexistas e misóginos que não conseguiriam o mesmo impacto não fosse pela internet. “Tecnologias emergentes com inteligência artificial generativa geraram esse cenário, facilitando novas formas de violência”. 

Ela cita a divulgação de conteúdos íntimos, como deep nudes, que evidenciam o uso estratégico da necrologia para reforçar a violência de gênero no âmbito político. “Nesse contexto, mudanças recentes nas políticas de discurso de ódio e a reivindicação do sistema de automatização de organização de conteúdo são profundamente preocupantes. Essas mudanças evidenciam a necessidade urgente de um papel mais ativo do Estado na regulação das plataformas digitais”.

Atenção às crianças

O diretor de políticas e direitos das crianças do Instituto Alana, Pedro Hartung, ressaltou que a moderação de conteúdo por parte das plataformas para a proteção de crianças e prevenção de violências não é só uma necessidade, mas também um dever constitucional. “No caso das crianças, já temos a legislação para basear ações de responsabilização objetiva por conduta própria ou ação por omissão das plataformas”, defendeu. 

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Hartung contextualizou que 93% de crianças e adolescentes usam a internet no Brasil, 71%, o WhatsApp, além de uma expressiva participação no Instagram e TikTok. “Essa é uma internet que não é uma praça pública, mas sim um shopping, que busca por uma economia da atenção, a exploração comercial das crianças”, explicou.

Ele exemplificou que, como parte desse conteúdo prejudicial, houve no Brasil os ataques nas escolas principalmente no ano de 2023. Ele cita que uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiu avaliar a influência do mundo on-line na radicalização desses adolescentes. “É importantíssimo, para a gente, olhar para a moderação de conduta nas plataformas”.

Outro tema que preocupa em relação à infância, segundo Hartung, é o impacto significativo das publicidades e também do crescimento do trabalho infantil artístico nas redes. “É importante ressaltar que a culpa não pode ser colocada exclusivamente em cima das famílias, mas em empresas”.

Violência contra homossexuais

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos, Victor De Wolf, também participou da audiência pública, manifestou que a política de monitoramento da Meta já era equivocada e intolerante. “A gente já vê graves crimes de ódio acontecendo, violações, calúnias e golpes. A nossa comunidade não é incomum”.

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No texto da Meta, que aponta uma nova política de moderação, há textualmente a informação que haveria permissão para relacionar doença mental a questões de gênero ou orientação sexual. 

“Ainda somos um país que mais persegue a comunidade LGBT, e principalmente travestis e transexuais no mundo. Nós ainda somos o país com mais assassina em qualquer relação de direitos”, contextualizou. Para ele, é necessário que a justiça faça o papel de responsabilizar redes que violem os direitos dos cidadãos. “A anarquia digital proposta por esse grupo de empresários, na verdade, nada mais é do que uma ditadura”, disse.

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Cientistas encontram um mistério matemático dentro de folhas de planta chinesa do dinheiro

Redação Informe ES

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A natureza frequentemente esconde segredos fascinantes que desafiam a compreensão humana convencional, transformando plantas comuns de interior em objetos de estudo complexos. Recentemente, a ciência revelou um intrigante mistério matemático nas folhas da popular planta-chinesa-do-dinheiro, sugerindo que a evolução encontrou soluções geométricas perfeitas para problemas de espaço. Entender como essa espécie organiza sua estrutura interna é fundamental para decifrar a eficiência biológica que rege o mundo vegetal ao nosso redor.

Como o mistério matemático nas folhas foi descoberto?

Segundo um estudo publicado no ScienceDaily, pesquisadores de botânica analisaram minuciosamente a disposição dos estômatos para desvendar a arquitetura celular dessa espécie tão amada. Os resultados indicam que a planta não posiciona suas microestruturas de forma aleatória, mas segue uma lógica rigorosa de planejamento urbano aplicada diretamente à sua biologia foliar, visando o máximo desempenho vital.

A análise microscópica profunda revelou que a Pilea peperomioides consegue resolver problemas complexos de distribuição espacial com uma precisão que desafia o senso comum científico atual. Essa organização específica permite que a troca gasosa ocorra sem interferências negativas entre as células, utilizando princípios de geometria espacial de maneira totalmente natural e intuitiva, sem a necessidade de cálculos conscientes.

🧪 Etapa 1: Observação Inicial: Identificação de padrões não aleatórios na superfície das folhas circulares.

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🖥️ Etapa 2: Modelagem Digital: Uso de algoritmos de computação para comparar a planta com models matemáticos conhecidos.

📐 Etapa 3: Conclusão Geométrica: Confirmação de que a planta utiliza diagramas de Voronoi para otimizar sua respiração.

Por que a planta-chinesa-do-dinheiro utiliza geometria complexa?

O uso dessas formas matemáticas sofisticadas não é meramente uma característica estética, mas uma solução evolutiva para a economia de energia em nível celular. Ao organizar seus canais de distribuição de forma geométrica, a planta evita o desperdício de recursos preciosos e maximiza sua taxa de fotossíntese diária, mesmo em ambientes com pouca luz.

Além disso, essa estrutura interna protege a folha contra diversos estresses ambientais, funcionando como um verdadeiro escudo estrutural contra a desidratação. Essa sofisticação biológica prova que o reino vegetal domina conceitos de engenharia avançada há milênios, muito antes de os seres humanos começarem a desenhar seus primeiros diagramas técnicos de construção.

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  • Otimização do fluxo hídrico entre os tecidos foliares.
  • Redução da competição celular por dióxido de carbono.
  • Aumento da resistência física da lâmina foliar redonda.
  • Melhor aproveitamento da radiação solar captada.
Cientistas encontram um mistério matemático dentro de folhas de planta chinesa do dinheiro
A sofisticada organização das folhas vegetais economiza energia e protege a estrutura contra o estresse – Laboratório Navlakha/CSHL

Quais são as aplicações desse mistério matemático nas folhas para a tecnologia?

Engenheiros de diversas áreas agora olham para este mistério matemático nas folhas como uma fonte inesgotável de inspiração para novos algoritmos computacionais. A forma inteligente como a planta otimiza as distâncias mínimas pode ser aplicada diretamente em redes de logística e sistemas complexos de distribuição urbana moderna.

A área da biomimética é o campo científico que mais deve se beneficiar dessa descoberta, criando novos materiais que imitam a porosidade seletiva da Pilea. Isso abre portas valiosas para o desenvolvimento de filtros industriais inteligentes e outras tecnologias sustentáveis de alta performance que buscam imitar a perfeição da natureza orgânica.

Conceito Biológico Potencial Tecnológico
Padrão de Voronoi Redes de telecomunicações 5G
Canais Microfluídicos Sistemas de resfriamento de chips
Distribuição de Estômatos Sensores ambientais inteligentes

Como os estômatos se organizam de forma tão eficiente?

Os estômatos funcionam como pequenas válvulas biológicas que precisam estar posicionadas a uma distância ótima uns dos outros para funcionar corretamente. Se as células estivessem muito próximas, elas competiriam pelos mesmos recursos atmosféricos, o que reduziria drasticamente a capacidade respiratória da planta em seu habitat natural.

Para resolver esse impasse, a planta utiliza o padrão de Voronoi, garantindo o equilíbrio sistêmico em toda a superfície da folha circular. Esse mecanismo autônomo garante que cada porção da célula receba o fluxo necessário de gases essenciais para o seu metabolismo interno, mantendo a folha saudável por muito mais tempo.

O que essa descoberta muda na botânica moderna?

Esta revelação surpreendente obriga os cientistas a reavaliarem a complexidade cognitiva das plantas no processamento de informações puramente físicas e estruturais. A matemática, afinal, não é apenas uma ferramenta abstrata humana, mas uma linguagem universal gravada silenciosamente em cada folha verde que decora nossas casas e escritórios.

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O entendimento profundo deste processo natural facilita o cultivo de espécies vegetais em ambientes controlados ou em condições climáticas extremamente adversas. Agora, a planta-chinesa-do-dinheiro deixa de ser apenas um objeto decorativo para se tornar um modelo matemático vivo de extrema importância para a ciência do futuro.

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Nova espécie de microrganismo é identificada em vulcão ativo na Antártida por brasileiras

Redação Informe ES

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Pesquisadoras do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma nova espécie de arqueia em um vulcão ativo na Antártida.

O microrganismo unicelular da família Pyrodictiaceae foi encontrado em uma fumarola da Ilha Deception, local onde gases quentes de origem vulcânica escapam do solo em temperaturas que ultrapassam os 100°C, apesar de o ambiente ao redor ser cercado por gelo e neve.

O material genético da arqueia foi recuperado a partir de amostras coletadas em sedimentos da fumarola e, posteriormente, analisado por meio de ferramentas de sequenciamento e reconstrução genômica. A partir desse trabalho, a equipe conseguiu identificar características ligadas à sobrevivência do organismo em condições extremas.

A professora Amanda Bendia, do IO, atua na área de ecologia e evolução microbiana em ambientes marinhos extremos, com foco em oceano profundo e Antártida. Em 2014, ela participou de uma expedição científica do Programa Antártico Brasileiro a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano, ocasião em que as amostras foram coletadas na Ilha Deception.

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Na época, Bendia era doutoranda no IO e era orientada pela professora Vivian Pellizari, considerada pioneira no Brasil nos estudos de microrganismos que vivem em condições extremas. Anos depois, o material genético sequenciado voltou a ser analisado e revelou um novo gênero e espécie de arqueia da família Pyrodictiaceae. A nova espécie recebeu o nome de Pyroantarcticum pellizari, em homenagem à Pellizari.

Também participaram do estudo Ana Carolina Butarelli, doutoranda em microbiologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e pesquisadora do Laboratório de Ecologia Microbiana (Lecom) do IO, e Francielli Vilela Peres, pós-doutoranda em Oceanografia Biológica no instituto.

Equipe de pesquisa posando para foto
Expedição realizada em 2014 no Navio Polar Almirante Maximiano levou pesquisadores brasileiros até a Antártida – Imagem: Arquivo pessoal

Reconstrução genética permitiu descoberta

  • A identificação do microrganismo foi possível por meio da técnica de montagem de metagenome-assembled genome (Mags);
  • O método permite reconstruir genomas a partir de dados de sequenciamento obtidos diretamente de amostras ambientais, sem necessidade de cultivo prévio em laboratório;
  • Segundo as pesquisadoras, a técnica é especialmente importante para organismos hipertermófilos, capazes de sobreviver em temperaturas acima de 60°C e que frequentemente não conseguem ser cultivados em laboratório;
  • “Cada organismo presente na amostra tem um genoma, e muitas vezes temos milhões de microrganismos no material. Então, imagine ter que segmentar e sequenciar o DNA para reconstruir o genoma desses seres”, explicou Butarelli ao Jornal da USP;
  • O domínio Archaea reúne microrganismos unicelulares procariontes, sem núcleo celular, semelhantes morfologicamente às bactérias, mas geneticamente e bioquimicamente distintos tanto delas quanto dos eucariontes, grupo que inclui animais, plantas, fungos e algas.

A consolidação do sistema de classificação em três domínios — Bacteria, Archaea e Eukarya — ocorreu apenas na década de 1990. Por isso, as descobertas relacionadas às arqueias ainda são relativamente recentes. “A todo tempo estamos descobrindo algo novo sobre as arqueias. A Pyrodictiaceae, por exemplo, foi descoberta há cerca de dez anos”, afirmou Butarelli.

Vulcão da Ilha Deception favorece organismos hipertermófilos

Atualmente, a Antártida possui quatro vulcões ativos, sendo três no continente e um na Ilha Deception. Segundo as pesquisadoras, os vulcões localizados no continente atingem temperaturas de até 65°C, condição considerada insuficiente para selecionar arqueias hipertermófilas.

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Já as fumarolas da Ilha Deception ultrapassam os 100°C, criando condições adequadas para a sobrevivência desses microrganismos.

Antes da descoberta da Pyroantarcticum pellizari, outro grupo de arqueias hipertermófilas já havia sido identificado em fumarolas antárticas por pesquisadores estrangeiros. No entanto, organismos do gênero Pyrodictium, pertencentes à família Pyrodictiaceae, eram encontrados principalmente em fontes hidrotermais do oceano profundo.

Bendia explicou que essas fontes hidrotermais podem atingir temperaturas superiores a 400°C e oferecem elementos químicos essenciais para a manutenção da vida microbiana. Ao mesmo tempo, a água ao redor permanece em torno de 4°C, característica típica de regiões profundas do oceano.

Segundo a pesquisadora, essas diferenças de temperatura e pressão indicam a capacidade de sobrevivência em ambientes extremos e levantam hipóteses sobre mecanismos biológicos capazes de permitir a adaptação a condições tão contrastantes.

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Inicialmente, as cientistas acreditavam que o microrganismo encontrado pertencia ao mesmo gênero das arqueias conhecidas em fontes hidrotermais marinhas profundas. No entanto, a arqueia identificada vive em uma fumarola de superfície, em ambiente polar e sob condições atmosféricas diferentes.

Mapa da região
Pesquisa científica na Antártida é fundamental para o entendimento do clima global, atuando como um laboratório natural para estudos de mudanças climáticas, biodiversidade e astronomia – Imagem: Amanda Bendia e outros autores/Academia Brasileira de Ciências

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Genoma revelou mecanismos de adaptação do microrganismo

Para classificar um novo gênero e espécie, as pesquisadoras utilizaram protocolos que envolvem análises de filogenia, adaptações moleculares, genômica comparativa e funções biológicas desempenhadas pelos organismos.

Como os microrganismos não podem ser cultivados em laboratório, devido à dificuldade de reproduzir artificialmente as condições extremas em que vivem, a obtenção de um genoma de alta qualidade se tornou fundamental. Segundo o estudo, o material analisado apresentou menos de 10% de contaminação.

A análise genética permitiu identificar relações de parentesco entre organismos e também inferir atividades metabólicas e possíveis comportamentos.

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“Quando acessamos o genoma, temos acesso a uma foto do material genético, só que não sabemos se aquele organismo está realmente transcrevendo e traduzindo aquele material para produzir uma proteína. Porém, nós podemos inferir que ele tem essa habilidade, já que aquele gene está dentro do seu genoma”, explicou Butarelli.

As pesquisadoras também identificaram proteínas relacionadas à adaptação ao calor extremo. Entre elas está a girase reversa, proteína capaz de impedir que o DNA se desnature em altas temperaturas, característica considerada comum em arqueias hipertermófilas.

A análise dos genes exclusivos do genoma revelou ainda mecanismos relacionados à ciclagem de enxofre e nitrogênio, além de estruturas como cânulas e sistemas de resistência ao estresse.

Segundo o estudo, essas características apontam para estratégias de sobrevivência associadas à disponibilidade transitória de energia, ao estresse provocado por metais e às interações entre microrganismos presentes nos sedimentos.

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As cientistas destacaram que o genoma obtido oferece informações relevantes sobre o potencial da vida microbiana em ambientes extremos, tema considerado importante para pesquisas em astrobiologia, bioprospecção microbiana e estudos sobre mudanças climáticas em ecossistemas polares.

“Ao tratar de um organismo que não é muito estudado, ou no nosso caso, um gênero e uma espécie nova, ter o genoma completo implica diretamente na quantidade de informações sobre esse organismo. Então, a taxa de 97% de pureza no genoma é um caminho importante para divulgar a descoberta em todo o mundo, além de contribuir com os bancos de dados científicos”, afirmou Peres.

Pesquisadora coletando amostras da terra
Nova espécie pertence a um dos grupos de seres vivos mais primitivos do planeta, conhecidos por viverem em ambientes extremos há bilhões de anos – Imagem: Amanda Bendia/Acervo pessoal

Desafios científicos e próximos passos

Segundo as pesquisadoras, recuperar o DNA da amostra levou aproximadamente um ano de trabalho. Além das dificuldades logísticas de pesquisa na Ilha Deception, a equipe enfrentou obstáculos relacionados à escassez de estudos disponíveis sobre esses microrganismos.

A análise laboratorial e computacional também exigiu ampla infraestrutura da universidade e conhecimento técnico especializado. “Apesar de parecer muito glamuroso, legal e incrível nosso trabalho, também existe a parte complexa de ser cientista. Estudar um organismo que ninguém conhece é um enorme desafio”, ressaltou Araújo.

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A espécie Pyroantarcticum pellizari foi submetida ao registro oficial do SeqCode, sistema internacional de nomenclatura para Archaea e Bacteria baseado em informações genéticas. O nome já foi oficialmente reconhecido.

As pesquisadoras pretendem retornar futuramente à Ilha Deception para realizar novas coletas na fumarola e tentar cultivar a espécie em laboratório.

O estudo, intitulado Hot life in Antarctica: a novel metabolically versatile Pyrodictiaceae genus thriving at a volcanic–cryosphere–marine interface, foi publicado na revista científica ISME Communications.

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Cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua: e o Brasil pode ser afetado

Redação Informe ES

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O conceito de geração de energia está prestes a passar por uma revolução extraordinária que parece ter saído das telas de cinema. Cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua, um projeto ambicioso que pode alterar significativamente a matriz energética global. Essa inovação, conhecida como Luna Ring, tem potencial para fornecer energia contínua e limpa, e as implicações dessa tecnologia podem trazer consequências importantes para o futuro energético de várias nações, incluindo as sul-americanas.

Como os cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua?

A ideia central do projeto Luna Ring, segundo dados divulgados pela Shimizu Corporation, envolve a instalação de uma vasta infraestrutura no satélite natural da Terra. O projeto conceitual prevê que a construção do anel utilizará materiais abundantes no próprio solo lunar. Isso representa um avanço monumental em engenharia espacial, reduzindo a necessidade de transportar recursos a partir da superfície terrestre, o que tornaria a empreitada economicamente inviável.

Para que cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua, a execução do projeto demandará a utilização intensa de maquinário autônomo e sistemas robóticos de última geração. A ideia é criar uma faixa contínua de painéis solares ao redor do equador lunar, captando a luz do Sol ininterruptamente e convertendo-a em energia utilizável.

🚀 Exploração e Preparo: Envio de robôs para mapear o equador lunar e preparar o terreno para a construção.

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🏭 Instalação e Montagem: Construção dos painéis solares e da infraestrutura de transmissão usando recursos locais.

📡 Transmissão de Energia: Início do envio de energia para as estações receptoras espalhadas pela Terra.

De que forma a energia lunar chegará até o nosso planeta?

O processo de transmissão de energia do espaço para a Terra é um dos pilares mais complexos do projeto Luna Ring. A energia solar captada pelas estruturas lunares será convertida em feixes de micro-ondas ou lasers de alta densidade. Esses feixes serão então direcionados com extrema precisão para as antenas receptoras posicionadas em áreas estratégicas do globo terrestre.

As chamadas rectenas, antenas gigantescas projetadas para captar essas ondas, farão o trabalho de converter a energia recebida de volta em eletricidade utilizável. Essa tecnologia busca garantir uma transmissão eficiente e contínua, superando as limitações da geração de energia solar terrestre, que depende de fatores climáticos e do ciclo dia e noite.

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  • Captação ininterrupta de luz solar devido à ausência de atmosfera e nuvens na Lua.
  • Conversão da energia solar em feixes de micro-ondas ou laser direcional.
  • Transmissão espacial dos feixes de energia diretamente para o planeta Terra.
  • Recepção em antenas gigantes (rectenas) e conversão em eletricidade para a rede.
Cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua: e o Brasil pode ser afetado
Robôs e materiais lunares viabilizam construção de infraestrutura energética no equador do satélite – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Por que o território brasileiro seria estratégico para este sistema global?

A recepção eficaz da energia vinda do espaço requer a instalação de infraestruturas massivas, e é nesse ponto que as dimensões continentais do país se tornam vantajosas. O Brasil possui vastas áreas territoriais que poderiam ser destinadas à construção das gigantescas antenas receptoras (rectenas), necessárias para captar a energia transmitida pelo anel lunar.

Além da extensão territorial, a localização geográfica brasileira oferece uma posição privilegiada para a recepção dos feixes de energia. A combinação desses fatores faz com que o país possa se tornar um polo crucial no recebimento e distribuição dessa energia limpa, o que poderia redefinir sua importância na geopolítica energética global.

Característica Vantagem para o Sistema
Extensão Territorial Amplo espaço para a construção segura de múltiplas rectenas de grande escala.
Localização Geográfica Posicionamento favorável para receber os feixes de energia vindos do equador lunar.
Demanda Energética Capacidade de absorver e distribuir grandes quantidades de energia limpa gerada.

Quais os principais desafios para transformar essa ficção científica em realidade?

A concretização do projeto esbarra em obstáculos monumentais de engenharia e logística. O transporte de materiais iniciais, a montagem autônoma da infraestrutura e o desenvolvimento tecnológico de sistemas de transmissão eficientes representam desafios sem precedentes. A viabilidade econômica a longo prazo também precisa ser rigorosamente comprovada para atrair os investimentos necessários.

Outro fator crítico envolve a segurança da transmissão da energia por micro-ondas através da atmosfera terrestre. É preciso garantir que os feixes não interfiram em sistemas de comunicação, navegação aeronáutica ou causem impactos ambientais. As questões regulatórias internacionais sobre o uso do espaço também demandarão acordos diplomáticos complexos.

Quais impactos essa inovação traria para o mercado de energia elétrica brasileiro?

A possibilidade de receber energia abundante e contínua do espaço poderia promover uma redução drástica nos custos da eletricidade. Com a diminuição da dependência de hidrelétricas e termelétricas, a matriz energética nacional se tornaria mais estável, mitigando o risco de crises geradas por eventos climáticos adversos, como secas prolongadas.

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Além disso, o país poderia experimentar um salto tecnológico significativo ao integrar essas novas infraestruturas. O desenvolvimento de expertise local na manutenção e operação dessas rectenas geraria novos empregos especializados, impulsionando a inovação no setor de infraestrutura energética nacional a níveis sem precedentes.

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