Negócios
Um hábito simples que transforma a energia da sua semana

Domingo deveria ser um dia de descanso. No entanto, entre viagens, roupas para lavar, tarefas domésticas, jogos das crianças e manchetes preocupantes, pode acabar parecendo mais um dia de trabalho.
Uma pesquisa do LinkedIn aponta que 80% dos profissionais relatam sentir a chamada “síndrome de domingo” (em inglês, Sunday Scaries), uma sobrecarga mental que aparece conforme a semana de trabalho se aproxima. Segundo a Cleveland Clinic, um dos principais centros médicos acadêmicos dos Estados Unidos, essa ansiedade antecipatória pode se manifestar até mesmo fisicamente, com sintomas como dificuldade para respirar, nó no estômago, suor excessivo e batimentos cardíacos acelerados.
Em um cenário de incerteza econômica, prioridades em constante mudança e comunicação sem pausas, isso não só é comum como também está se agravando. Mais de 60% dos executivos relataram sentir mais estresse em 2025 do que no ano anterior, de acordo com um levantamento da Sentry, plataforma de monitoramento de performance.
Como resultado, para muitos adultos que trabalham — especialmente os que acumulam tarefas de cuidado —, a lista de afazeres parece fixa, e a ideia de encontrar tempo para descansar ou se recuperar parece irreal. Então, o que pode realmente ajudar?
A solução está no corpo
Não é o silêncio. Nem zerar a caixa de e-mails. Nem revisar tudo de última hora. Em vez disso, pesquisas sugerem uma estratégia prática e poderosa para sair da sensação de sobrecarga: mexer o corpo.
Um estudo de 2025 publicado na Age and Ageing, revista científica especializada em pesquisas sobre envelhecimento, descobriu que apenas de 5 a 10 minutos de atividade física podem melhorar a função executiva, essencial para planejar e organizar a semana que começa. Da mesma forma, um levantamento de 2024 publicado na revista científica British Journal of Sports Medicine, que analisou mais de 2,7 mil estudos clínicos, concluiu que a atividade física, inclusive os movimentos leves, favorece o desempenho cognitivo em todas as idades e condições de saúde.
O movimento pode ser uma das formas mais simples de lidar com a fadiga mental e entrar na segunda-feira com mais clareza e energia. Para profissionais com a agenda apertada, a maneira como o exercício é inserido na rotina faz toda a diferença.
Como a atividade física ajuda a administrar sua energia
Os benefícios do movimento para a saúde física são bem conhecidos: desde melhorar o funcionamento cardiovascular até ajudar no controle do peso e na redução do risco de doenças crônicas.
A maioria das pessoas reconhece que a atividade física é um pilar da longevidade, mas uma das suas vantagens mais negligenciadas é o impacto sobre o cérebro e o sistema nervoso. Pesquisas mostram que até mesmo 10 minutos de atividade física já trazem benefícios importantes: ajudam a melhorar o humor, reduzir a ansiedade e aumentar a clareza mental.
Com mais foco e um estado emocional mais estável, fica mais fácil dar conta das tarefas, estar presente com os amigos e se organizar para a semana.
Embora funcione em qualquer dia da semana, esse hábito oferece uma vantagem extra quando a ansiedade bate no domingo: melhora a produtividade e recarrega a energia para a segunda-feira. De quebra, ainda contribui para um sono de melhor qualidade.
O momento certo faz diferença
Uma ida à academia, uma aula de ginástica ou uma caminhada longa no domingo de manhã ajudam a cumprir o papel do exercício, mas o mais importante é observar em que momento do dia a ansiedade costuma surgir — e usar a atividade física de forma intencional para controlá-la.
Para muitas pessoas, o peso psicológico da nova semana começa a aparecer na tarde de domingo. Segundo um relatório da empresa de pesquisas de mercado Talker Research, quase 50% dos profissionais relatam sentir a “síndrome de domingo” por volta das 16h, muitas vezes quando as obrigações do fim de semana ainda não foram concluídas e a atenção já começa a se voltar para a semana que vai começar. Essa sensação iminente pode, no fim das contas, esgotar a energia que resta no dia.
Perceba quando essa sensação aparece e tenha uma estratégia pronta para neutralizar esse desgaste. Para alguns, mover-se no início do dia já ajuda. Para outros, uma caminhada curta ou um alongamento no primeiro sinal de tensão funcionam melhor. O mais importante é ter consciência do estresse e agir com intenção, usando o exercício para interromper o ciclo antes que ele ganhe força.
Como incorporar esse hábito na rotina
James Clear, autor do livro “Hábitos Atômicos”, popularizou o conceito de “empilhar hábitos”, ou seja, associar um novo comportamento a um já existente para criar consistência. Mas, considerando que o domingo deveria ser um dia de recarregar as energias, vale ir um pouco além.
Não é apenas sobre como empilhar esse hábito, mas como ele faz você se sentir. Quanto mais prazerosa for a atividade, maior a chance de ela se manter, especialmente para quem não tem muito tempo e motivação. Aqui vão alguns exemplos simples e eficazes de como incluir movimento no domingo:
- Caminhar ou andar de bicicleta com um amigo;
- Dar voltas na pista com outros pais e mães durante o treino esportivo dos filhos;
- Assistir à sua série favorita na esteira ou bicicleta ergométrica;
- Acrescentar 10 minutos extras ao passeio com o cachorro;
- Estacionar o carro mais longe dos compromissos e transformar isso em uma caminhada curta;
- Fazer alongamentos ou caminhar entre os portões do aeroporto durante uma conexão ou antes do embarque.
Cada pessoa pode (e deve) encontrar sua própria estratégia. Mas esses exemplos mostram que o objetivo não é encaixar mais tarefas no dia, e sim integrar movimento à rotina de forma prática e, de preferência, prazerosa.
Comece a segunda-feira com energia
O exercício não vai apagar as exigências da segunda-feira, mas pode mudar a forma como você as enfrenta. Integrar a atividade física de forma intencional é uma maneira prática de reduzir o estresse e recuperar a energia.
Quando o tempo é limitado, até 10 minutos podem fazer diferença. E, para muita gente, esse pode ser o passo mais poderoso da semana.
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Negócios
O Que É a Empresa do Século 21?
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O título do livro “A Corporação no Século 21“, de John Kay, é uma alusão – talvez uma provocação – a uma das obras mais influentes de gestão, “A Corporação e o Século 20“. Se ali o economista americano Richard Langlois traçava a transformação da organização comandada por empresários para a organização liderada por executivos profissionais, o também economista (porém britânico) John Kay agora narra uma mudança muito, mas muito mais radical.
Questiona, inclusive, se faz sentido dizer que vivemos em um sistema capitalista. Porque o capital perdeu a importância. “Mesmo investidores sofisticados examinam o Roce [Retorno sobre o Capital Empregado]”, escreve, embora o retorno tenha “tanta conexão com o capital quanto com a quantidade de água utilizada ou o número de reuniões realizadas”, afirma. Vivemos, considera, a era do capital as a service – empregado apenas na medida em que é necessário.
O poder do acionista é outra balela, segundo ele. O acionista de uma multinacional não tem nenhum controle sobre o que é feito da empresa. Até os dividendos que recebe, se os receber, são definidos pelos diretores.
Em especial, Kay ataca a noção de empresa como uma teia de contratos – visão clássica, estabelecida pelo também britânico Ronald Coase, que levou um Prêmio Nobel por sua teoria. A questão é que a ideia de um conjunto de contratos se opõe à própria qualificação de uma empresa como pessoa jurídica. Afinal, ela tem uma personalidade ou não?
Maximizar o lucro, um mantra dos anos 1970 que vem caindo em desuso, nunca foi uma teoria sólida, acredita o autor. Qual lucro, afinal? O de curtíssimo prazo? Em detrimento de ações que preservem a empresa no futuro?
Para ele, a missão de uma corporação é promover o “florescimento de seus múltiplos stakeholders”. Porque a empresa não é uma combinação de relações transacionais, e sim uma construção de relações sociais, entre seus integrantes e com o mundo à sua volta. As implicações dessa visão para o funcionamento da empresa… isso fica para um prometido próximo volume.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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Negócios
Amazon MGM Studios Anuncia Head de Theatrical Marketing no Brasil

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O Amazon MGM Studios anunciou Roberta Fraissat como Head de Theatrical Marketing, responsável por liderar as estratégias de marketing dos lançamentos da companhia nos cinemas brasileiros.
Mais recentemente, Roberta atuou como diretora de marketing para a América Latina e Head de Marketing para o Brasil na Crunchyroll.
A executiva passou a maior parte da carreira na The Walt Disney Company, onde ingressou como coordenadora de desenvolvimento de produto em 1999. Saiu de lá em 2023 como diretora de marketing. Nesse período, esteve envolvida em campanhas de produções como “Vingadores”, “Star Wars”, “Toy Story”, “O Rei Leão”, “Carros” e “Alice no País das Maravilhas”.
É formada em negócios pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e tem MBA pela FIA Business School.
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Negócios
A Escala 5×2 Chegou. E Muda Mais do Que o Custo da Folha
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Está decidido. A Emenda Constitucional 141, promulgada na última sexta-feira (20), encerra a escala 6×1. Em 60 dias, todo trabalhador CLT passa a ter duas folgas semanais e jornada máxima de 42 horas. Catorze meses após a publicação, o teto cai para 40 horas, sem redução de salário.
A primeira leitura é de custo, e ela não está errada. Como não será permitida a redução de salários e haverá redução de 44 para 40 horas semanais, cada hora vale 10% a mais. E isso encarece também a hora extra e os adicionais, que são calculados sobre o valor da hora.
Em operações que funcionam sete dias por semana, como varejo e serviços, manter a cobertura exige reforço de quadro. Nas simulações que tenho acompanhado, esse reforço fica entre 10% e 20%, e pesa mais nas unidades menores, que têm menor margem para remanejar gente.
Mas tratar a 5×2 apenas como aumento de folha é desperdiçar a oportunidade de rever a estratégia de remuneração como um todo.
Eficiência de escala
Comecemos pelo fixo. Com a hora mais cara, a pressão será por conter reajustes. Esse é um erro tentador. Mas antes de pensar em trocar equipes com salários reduzidos, será importante avaliar reservas escondidas na própria escala.
Empresas que passaram a montar turnos a partir da curva de movimento por hora descobriram horas extras desnecessárias e gente parada nos horários errados. Eficiência de escala é a primeira fonte de financiamento da nova jornada.
Onde mora a oportunidade
O variável é onde mora a oportunidade mais clara. Se o objetivo é produzir o mesmo, ou mais, em menos horas, a remuneração variável precisa apontar para isso. Prêmios por produtividade, metas de venda por hora trabalhada, bônus por cobertura nos picos ou por redução de absenteísmo transformam a exigência legal em alinhamento: a empresa ganha eficiência e o colaborador participa do ganho.
A experiência internacional reforça a lógica. Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas, em 1996, estudos registraram ganho de produtividade próximo de 8%. O Chile está no meios de uma transição gradual até 2028, e o México aprovou a sua até 2030. A redução funciona melhor quando vem acompanhada de esforço deliberado de produtividade, e incentivo bem desenhado é parte desse esforço.
Recompensas intangíveis
Há ainda uma camada que raramente entra na planilha: as recompensas intangíveis. Duas folgas, previsibilidade de escala e fins de semana inteiros com a família são valor percebido. Gente descansada e motivada erra menos, falta menos e atende melhor. Empresas que comunicarem isso como parte da proposta de valor ao empregado vão reter melhor do que as que tratarem a mudança como obrigação.
Rotatividade pode diminuir
Há também uma economia que raramente aparece na conta da transição: a da rotatividade. No varejo, ela já é altíssima. Levantamento do Sindilojas-SP mostra que a rotatividade no varejo paulista chegou a 56,6% em 2025, o maior nível desde 2020. Em alguns segmentos, como lojas de conveniência, passou de 90%.
Isso significa recontratar, quase todo ano, boa parte da equipe. Cada saída tem um custo que vai além da rescisão: recrutamento, treinamento e os meses em que o novo funcionário ainda não rende o que rendia quem saiu. O cliente percebe essa curva de aprendizado no caixa e no atendimento. Se a 5×2 for bem implementada, com escalas previsíveis e folgas que de fato descansam, as pessoas tendem a ficar mais tempo. Parte do custo da nova jornada pode voltar como economia em turnover.
E há a carreira. Mais turnos e escalas mais complexas exigem novas funções de controle: líderes de turno, coordenadores de escala, analistas de operação. É uma chance real de promover quem já conhece a operação e o cliente. A pergunta incômoda é se essa base está preparada. Quem sempre executou nem sempre foi treinado para planejar, ler indicadores ou liderar colegas. Sem trilha de capacitação e uma estrutura de cargos que reconheça esses degraus, a promoção vira armadilha.
Além disso, pessoas que estavam na informalidade podem voltar a se interessar pelo modelo CLT nesta nova configuração de escala.
Muitos empreendedores lerão tudo isso pensando na própria rotina, que está mais para 7×0 do que para 5×2. É verdade. A diferença é que, nesse caso, cada hora a mais constrói patrimônio próprio. Para quem trabalha numa estrutura que não é sua, o que se constrói é outra coisa: vínculo, ou a falta dele. Numa geração que cobra cada vez mais qualidade das relações de trabalho, a 5×2 talvez seja menos uma imposição e mais a formalização de algo que o mercado já vinha pedindo.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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