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Um hábito simples que transforma a energia da sua semana

Redação Informe ES

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Domingo deveria ser um dia de descanso. No entanto, entre viagens, roupas para lavar, tarefas domésticas, jogos das crianças e manchetes preocupantes, pode acabar parecendo mais um dia de trabalho.

Uma pesquisa do LinkedIn aponta que 80% dos profissionais relatam sentir a chamada “síndrome de domingo” (em inglês, Sunday Scaries), uma sobrecarga mental que aparece conforme a semana de trabalho se aproxima. Segundo a Cleveland Clinic, um dos principais centros médicos acadêmicos dos Estados Unidos, essa ansiedade antecipatória pode se manifestar até mesmo fisicamente, com sintomas como dificuldade para respirar, nó no estômago, suor excessivo e batimentos cardíacos acelerados.

Em um cenário de incerteza econômica, prioridades em constante mudança e comunicação sem pausas, isso não só é comum como também está se agravando. Mais de 60% dos executivos relataram sentir mais estresse em 2025 do que no ano anterior, de acordo com um levantamento da Sentry, plataforma de monitoramento de performance.

Como resultado, para muitos adultos que trabalham — especialmente os que acumulam tarefas de cuidado —, a lista de afazeres parece fixa, e a ideia de encontrar tempo para descansar ou se recuperar parece irreal. Então, o que pode realmente ajudar?

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A solução está no corpo

Não é o silêncio. Nem zerar a caixa de e-mails. Nem revisar tudo de última hora. Em vez disso, pesquisas sugerem uma estratégia prática e poderosa para sair da sensação de sobrecarga: mexer o corpo.

Um estudo de 2025 publicado na Age and Ageing, revista científica especializada em pesquisas sobre envelhecimento, descobriu que apenas de 5 a 10 minutos de atividade física podem melhorar a função executiva, essencial para planejar e organizar a semana que começa. Da mesma forma, um levantamento de 2024 publicado na revista científica British Journal of Sports Medicine, que analisou mais de 2,7 mil estudos clínicos, concluiu que a atividade física, inclusive os movimentos leves, favorece o desempenho cognitivo em todas as idades e condições de saúde.

O movimento pode ser uma das formas mais simples de lidar com a fadiga mental e entrar na segunda-feira com mais clareza e energia. Para profissionais com a agenda apertada, a maneira como o exercício é inserido na rotina faz toda a diferença.

Como a atividade física ajuda a administrar sua energia

Os benefícios do movimento para a saúde física são bem conhecidos: desde melhorar o funcionamento cardiovascular até ajudar no controle do peso e na redução do risco de doenças crônicas.

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A maioria das pessoas reconhece que a atividade física é um pilar da longevidade, mas uma das suas vantagens mais negligenciadas é o impacto sobre o cérebro e o sistema nervoso. Pesquisas mostram que até mesmo 10 minutos de atividade física já trazem benefícios importantes: ajudam a melhorar o humor, reduzir a ansiedade e aumentar a clareza mental.

Com mais foco e um estado emocional mais estável, fica mais fácil dar conta das tarefas, estar presente com os amigos e se organizar para a semana.

Embora funcione em qualquer dia da semana, esse hábito oferece uma vantagem extra quando a ansiedade bate no domingo: melhora a produtividade e recarrega a energia para a segunda-feira. De quebra, ainda contribui para um sono de melhor qualidade.

O momento certo faz diferença

Uma ida à academia, uma aula de ginástica ou uma caminhada longa no domingo de manhã ajudam a cumprir o papel do exercício, mas o mais importante é observar em que momento do dia a ansiedade costuma surgir — e usar a atividade física de forma intencional para controlá-la.

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Para muitas pessoas, o peso psicológico da nova semana começa a aparecer na tarde de domingo. Segundo um relatório da empresa de pesquisas de mercado Talker Research, quase 50% dos profissionais relatam sentir a “síndrome de domingo” por volta das 16h, muitas vezes quando as obrigações do fim de semana ainda não foram concluídas e a atenção já começa a se voltar para a semana que vai começar. Essa sensação iminente pode, no fim das contas, esgotar a energia que resta no dia.

Perceba quando essa sensação aparece e tenha uma estratégia pronta para neutralizar esse desgaste. Para alguns, mover-se no início do dia já ajuda. Para outros, uma caminhada curta ou um alongamento no primeiro sinal de tensão funcionam melhor. O mais importante é ter consciência do estresse e agir com intenção, usando o exercício para interromper o ciclo antes que ele ganhe força.

Como incorporar esse hábito na rotina

James Clear, autor do livro “Hábitos Atômicos”, popularizou o conceito de “empilhar hábitos”, ou seja, associar um novo comportamento a um já existente para criar consistência. Mas, considerando que o domingo deveria ser um dia de recarregar as energias, vale ir um pouco além.

Não é apenas sobre como empilhar esse hábito, mas como ele faz você se sentir. Quanto mais prazerosa for a atividade, maior a chance de ela se manter, especialmente para quem não tem muito tempo e motivação. Aqui vão alguns exemplos simples e eficazes de como incluir movimento no domingo:

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  • Caminhar ou andar de bicicleta com um amigo;
  • Dar voltas na pista com outros pais e mães durante o treino esportivo dos filhos;
  • Assistir à sua série favorita na esteira ou bicicleta ergométrica;
  • Acrescentar 10 minutos extras ao passeio com o cachorro;
  • Estacionar o carro mais longe dos compromissos e transformar isso em uma caminhada curta;
  • Fazer alongamentos ou caminhar entre os portões do aeroporto durante uma conexão ou antes do embarque.

Cada pessoa pode (e deve) encontrar sua própria estratégia. Mas esses exemplos mostram que o objetivo não é encaixar mais tarefas no dia, e sim integrar movimento à rotina de forma prática e, de preferência, prazerosa.

Comece a segunda-feira com energia

O exercício não vai apagar as exigências da segunda-feira, mas pode mudar a forma como você as enfrenta. Integrar a atividade física de forma intencional é uma maneira prática de reduzir o estresse e recuperar a energia.

Quando o tempo é limitado, até 10 minutos podem fazer diferença. E, para muita gente, esse pode ser o passo mais poderoso da semana.

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Negócios

Primeira Mulher e Brasileira, Nova CEO da Loggi Assume Desafio de Escalar a Logística Nacional

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Se levar 10 minutos para ler esta entrevista, 85 pacotes da Loggi terão saído para entrega. A cada 7 segundos, um novo envio é despachado. É nessa escala que opera a logtech brasileira, e é esse o tamanho do desafio da nova CEO, Viviane Sales. “Operamos uma malha nacional que realiza centenas de milhares de entregas por dia, atendendo mais de 22 mil clientes, de pequenos a grandes e-commerces, em mais de 5 mil municípios”, diz a executiva.

Dois anos após ingressar na Loggi como vice-presidente, Viviane assumiu a posição de CEO em janeiro deste ano, tornando-se a primeira mulher e brasileira a liderar a companhia — sucedendo dois executivos franceses no cargo.

Dois anos após chegar à Loggi na vice-presidência, Viviane assumiu como CEO em janeiro deste ano, tornando-se a primeira mulher e brasileira a liderar a companhia — sucedendo dois franceses no cargo: o fundador, Fabien Mendez, e Thibaud Lecuyer, CEO pelos últimos seis anos. Com duas décadas de experiência em estratégia e liderança em empresas de tecnologia, ela agora está à frente da companhia fundada em 2013, em São Paulo, e que passou a integrar o seleto grupo de unicórnios (startups com avaliação de mercado a partir de US$ 1 bilhão) em 2019.

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Na nova posição, à frente de uma equipe de cerca de 2.300 pessoas, mantém o foco nas PMEs e na proximidade com o cliente — de grandes marketplaces a pessoas físicas —, com uso de inteligência artificial para acelerar o atendimento. No último ano, a Loggi fechou uma parceria com a Uber para expandir as entregas, concorrendo com players como os Correios. “Tenho um perfil analítico e estratégico, mas aprendi a importância de estar no dia a dia. Como dizia um antigo chefe: ‘Estratégia de ar-condicionado não funciona’.”

Foi durante um MBA na Kellogg School of Management, patrocinado pelo Boston Consulting Group, onde iniciou a carreira, que se aproximou do universo de inovação. “A partir dali, minha trajetória passou a ser totalmente voltada ao digital e em empresas de alto crescimento.”

De volta ao Brasil, recebeu um convite do Twitter, onde foi Head of Sales Operations para a América Latina. “Viajei o mundo, reportava para Cingapura, abri escritórios no México e em Miami e liderei projetos globais.” Depois, seguiu para a Creditas, fundada por Sergio Furio, também ex-BCG. “Foi um crescimento incrível, triplicando ano a ano, muito intenso.”

Desde o início, ela percebeu que gostava mesmo da agilidade de startups e scale-ups. “Meu primeiríssimo emprego foi na Siemens, uma empresa muito grande. Aprendi muito, mas o ritmo não era o que eu buscava.”

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Viviane construiu sua trajetória em ambientes majoritariamente masculinos, algo que hoje observa com mais clareza. Sem ter tido uma chefe mulher, reconhece o impacto de referências femininas. “Quando vi mulheres em posições de liderança, aquilo fez diferença para mim.”

Sem romantizar os desafios, ela cita as habilidades trazidas com a maternidade e quer mostrar que é possível equilibrar (nem sempre de forma perfeita). “Existem vieses inconscientes e situações que pesam mais para a mulher.” Mesmo com uma divisão equilibrada em casa, percebeu esse contraste ao se deparar, por exemplo, com um grupo de mães na escola do filho.

A seguir, a nova CEO da Loggi, Viviane Sales, relembra o início da carreira na tecnologia, detalha as prioridades da sua gestão e reflete sobre o papel de inspirar outras mulheres.

Forbes: Já buscava ser CEO? Estava se preparando para assumir essa posição?

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Viviane Sales: Numa conversa sobre carreira com o Thibaud [Lecuyer], nosso antigo CEO, ele disse que estava pensando em ter um momento sabático, fazer uma transição, e sugeriu que eu assumisse. Foi uma oportunidade que surgiu naquele momento. Não era uma coisa planejada. Com o trabalho que eu fui entregando ao longo desses dois anos, gerou um conforto nele e no board com o meu desempenho, com o que eu tinha para entregar e com a visão que eu tinha do negócio. Uma coisa se juntou à outra.

Quais foram suas responsabilidades nesses dois últimos anos e quais resultados te destacaram para assumir como CEO?

Nesses dois anos especificamente, eu estava muito focada na parte mais client-facing. Tocando todas as áreas de marketing, vendas, CS, CX, novos negócios. Meu trabalho foi muito de entendimento de mercado e diversificação de receita. Na minha carreira como um todo, já tinha tido experiências anteriores de liderar negócios do mesmo porte da Loggi.

De tudo que a gente está vendo no negócio, obviamente você sempre tem 100 coisas para endereçar, mil necessidades, mas o que realmente vai te fazer mudar o jogo? Ao longo da minha carreira, essa capacidade de visão estratégica, de diagnóstico, de conseguir realmente priorizar e focar no que vai ter impacto foi o que fez mais diferença. E ao longo desses últimos dois anos, toda a proximidade com o mercado, o entendimento das demandas e o que a gente tinha que ajustar dentro de casa para conseguir entregar cada vez mais valor para o mercado.

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Quando você olha para a Loggi hoje, o que você diria que vai mudar o jogo para a empresa?

Temos feito um trabalho cultural muito importante. Na logística, todas as áreas precisam estar muito alinhadas e com esse olhar holístico que entende que, quando vou tomar uma decisão, tenho que pensar nas diversas variáveis relacionadas ao negócio. Todo mundo tem que entender qual é o foco da empresa, porque senão cada área decide de um jeito e rema para um lado. Todas as áreas têm que desdobrar esses objetivos principais até o auxiliar logístico entender exatamente o que ele tem que fazer e como ele contribui.

Qual o momento da Loggi hoje? Qual foi a empresa que você encontrou há dois anos e a que você assumiu este ano?

Quando eu cheguei, era um momento muito focado em clientes, na diversificação de receita, em ter novos produtos e expandir nichos. Esse foi o momento dos últimos dois anos; agora é um momento de foco em sustentabilidade e qualidade operacional. Garantir que temos o melhor produto possível, que é a entrega. Por isso tenho me aprofundado cada vez mais na operação: duas semanas atrás estava com um parceiro, na semana passada fui no caminhão fazer coleta, e essa semana fui ajudar a fazer entrega para entender o dia a dia e conseguir realmente ter iniciativas que façam mudanças reais. Que não sejam só uma estratégia de PowerPoint desconectada do dia a dia.

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Divulgação/LoggiA Loggi processa cerca de 500 mil pacotes por dia

Você sempre teve esse olhar para o dia a dia da operação?

Sim, e acho que é essencial. Ao mesmo tempo que tenho um lado bem analítico e de estratégia, ao longo da carreira fui vendo que se você não está no dia a dia, conversando com o cliente, o parceiro e o entregador, acaba desenvolvendo soluções que não são aplicáveis ou sem impacto relevante. Quando você vai para o dia a dia, os problemas ficam mais claros e a perspectiva muda. O que você achava que era uma questão interna, pode ser de mercado, ou uma questão que achava que era do parceiro, na verdade, pode ser uma falha interna. Como diria um antigo chefe: “Estratégia de ar-condicionado não dá certo”.

Qual é a sua prioridade neste início de gestão?

A gente trabalha com empresas de todos os tamanhos, desde os principais marketplaces do país até pessoas físicas. Mas a Loggi tem um diferencial versus o resto do mercado, que é o fato de ter nascido muito tecnológica. Com isso, conseguimos atender muito bem o segmento de PMEs, porque a aquisição inteira é online, temos o serviço 100% self-service e investimos muito em integrações. Temos mais de 40 integrações com ERPs e storefronts que esses players utilizam, além da nossa rede de PUDOs (Pick Up and Drop Of, ou pontos de coleta), que para o pequeno cliente é economicamente interessante e prático. É uma rede bem grande que expandimos bastante nesses últimos anos e uma avenida que pretendemos continuar desenvolvendo como grande diferencial.

Quais momentos do início da sua carreira foram importantes e te trouxeram até aqui?

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Eu nasci no Rio, mas morei até os 15 anos na Bahia. Então não tinha tanto contato com o mundo empresarial quanto passei a ter depois de me mudar para São Paulo. Eu brinco que a minha vida parece um pacote da Loggi, fui pra muitos lugares no Brasil. Nessa época, viajava da Bahia para São Paulo de carro, para o Rio e para o Pará. Tinha interesse em fazer biologia, gostava de genética. Sempre fui de exatas, mas gostava da parte biológica. Meu pai, que era médico, tinha um pouco de receio. Vim para São Paulo estudar e tive contato com o mundo empresarial. Aquilo me atraiu muito e acabei fazendo Administração na FGV. Depois fiz MBA nos Estados Unidos, em Kellogg. Foi a vinda para São Paulo que me fez me entregar para o mundo empresarial.

Já tinha uma pegada de tecnologia nessa época?

No começo, não. Fui testando algumas coisas e descobrindo do que gostava mais e menos.

O que você testou e não gostou?

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Meu primeiríssimo emprego foi na Siemens. Era uma empresa muito grande, de 50 mil pessoas. O ritmo que eu queria ter não era o de lá. Aprendi bastante, mas achei que não era pra mim. Não era tão dinâmico quanto ambientes de startup. Daí eu fui para o extremo oposto: uma startup de responsabilidade social, que é um tema que eu gosto bastante, que tinha umas cinco pessoas. Fui efetivada, mas tinha uma preocupação com o meu desenvolvimento de carreira e vi que não conseguiria crescer muito numa empresa tão pequena. Depois fui para consultoria, onde tive um crescimento de carreira muito relevante. Fui pro BCG, que também tinha uma pegada de responsabilidade social. Fiquei sete anos lá. Foi a base da minha carreira e do que eu trago hoje dessa parte estratégica e mais analítica. Eles patrocinaram o meu MBA em Kellogg, de 2010 a 2012.

Como foi a experiência do MBA?

No final, a experiência é muito mais rica do que o MBA em si. A exposição a pessoas do mundo todo é espetacular. É uma perspectiva de culturas e visão de mundo riquíssima. Lá eu vi de perto o que era empreendedorismo e inovação, era outro mundo, o mercado no Brasil era muito diferente. Participei de vários clubes e eventos, consegui levantar dinheiro para ideias que a gente teve. Fiquei com esse mundo de startups na cabeça.

Quando você efetivamente começou a trabalhar nesse mundo?

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Depois disso, minha carreira foi toda voltada ao digital e empresas de alto crescimento, scale-ups. Voltei pro BCG e aí surgiu a possibilidade de ir pro Twitter. Fiquei três anos lá como Head of Sales Operations para a América Latina. Viajei o mundo todo, reportava para Cingapura, abri o escritório do México e de Miami, fiz projetos globais. Mas, para crescer, teria que ir aos Estados Unidos, o que não era o ideal na época para o meu marido, então tomei a decisão de sair e focar em startups. O mercado já tinha mudado, tinham várias startups de alto crescimento. O fundador da Creditas era ex-BCG e me chamou. Entrei como VP de Marketing e Analytics, depois toquei duas das três unidades de negócio da empresa e foi um crescimento incrível, triplicando ano a ano, muito intenso.

É disso que você gosta?

É, esse ambiente mais dinâmico, de conseguir inovar e mudar as coisas rápido. Na Creditas, saímos de uma empresa de 200 pessoas para umas 4 mil, em uns 4 anos talvez. Virou unicórnio, crescimento meteórico, e ali comecei a gerenciar negócios muito grandes com receitas relevantes e estruturas complexas. Foi uma experiência divertida. Depois disso, fiquei como General Manager de uma operação de biometria facial, uma startup fundada no Vale do Silício, na Unico, e na sequência vim para a Loggi.

Em termos de habilidades, o que foi mais importante para você desenvolver ao longo da sua carreira?

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Acho que a combinação de um lado hard e um soft. Sem essa integração é difícil liderar grandes businesses. O primeiro é o lado estratégico e analítico de entender as alavancas do negócio. A parte soft é entender as pessoas, gerenciar times, garantir que todos estejam motivados e andando na mesma direção, construindo algo de alto impacto. E a terceira é a capacidade de fazer acontecer.

O que você busca em uma pessoa para o seu time hoje?

Um pouco desses três componentes. Tem que ter a capacidade de resolução de problemas, mas precisa colaborar e influenciar as outras pessoas para ter resultados. Sem capacidade analítica, ela não prioriza e direciona o que precisa ser feito. Sem colaboração, fica num silo e não resolve os problemas complexos que precisam de uma visão 360º e inputs de todas as áreas. Por isso criei squads para a gente ter essa visão e atacar os nossos principais problemas. E se não souber fazer acontecer, a pessoa fica presa no mundo das ideias sem entregar.

Você é a primeira CEO brasileira?

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O fundador é francês, o segundo presidente foi francês, e sou a primeira brasileira. Por coincidência tenho cidadania francesa por causa do meu marido, que conheci no programa de transferência entre os escritórios do BCG.

E você também é a primeira mulher no cargo. Como foi a experiência de construir sua carreira no mercado de startups e de tecnologia?

Na maior parte da minha carreira, estive em ambientes que naturalmente tinham mais homens do que mulheres.

Era algo em que você reparava?

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Embora já existiam programas de diversidade, eu não via isso de uma forma mais ampla. Hoje, me chama mais atenção do que naquela época. Em várias mesas em que eu estou só com homens, me chama muita atenção.

Pode ser também pelo fato de que conforme você foi subindo, tinham menos mulheres no topo?

Também. Nas mesas de tomada de decisão, a maioria ainda são homens. Felizmente, nunca tive nenhum problema específico, mas é óbvio que existem vieses inconscientes e muitas situações acabam pesando mais pra mulher. Embora meu marido seja extremamente parceiro na divisão das tarefas, e nós dois tenhamos carreiras intensas, a minha filha mais nova, de três anos, só quer a mamãe. Por mais que a gente tente dividir, os filhos têm essa expectativa e a sociedade também. Na escola do meu filho, tinha um grupo de WhatsApp só de mães, e eu disse: “Gente, preciso de um grupo de pais e mães”. Esses vieses do dia a dia acabam impactando indiretamente.

Na Loggi vocês têm equilíbrio de gênero. Foi algo que vocês buscaram ou foi natural?

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Acho que foi natural por termos um ambiente acolhedor, onde as pessoas se sentem confortáveis para falar o que quiserem independentemente de gênero. Isso atrai mais mulheres.

Qual a importância de ser essa inspiração para as mulheres, dentro e fora da empresa?

Hoje eu vejo uma importância muito maior. Você não precisa fazer muitos programas, mas ser um role model faz muita diferença. Na Creditas, eu tocava a equipe de Data Science, que normalmente tem muitos homens, mas acho que pelo fato de eu ser mulher, minha equipe tinha mais mulheres do que homens. Simplesmente porque elas se sentiam confortáveis vendo uma liderança feminina. E na minha própria carreira, quando eu vi mulheres em posições de CEO, de liderança, aquilo fez diferença pra mim. Agora, quando eu assumi, muitas me parabenizaram por ver uma mulher liderando em logística.

Você teve essas referências? Quem foram suas inspirações e que te ajudaram na carreira?

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Tive muitos chefes homens que me ajudaram. Pensando aqui, não tive nenhuma chefe mulher. Mas como referência, a Indra Nooyi, que é alumni do BCG e foi CEO da PepsiCo, e a Duda Kertesz, que foi falar com a gente no Twitter e virou CEO Américas da Johnson & Johnson. Você pode achar que isso não faz diferença, mas faz, porque você consegue se projetar ali. A pessoa que estava no BCG, como eu, conseguiu ser CEO. A brasileira conseguiu ser líder Américas. Tudo isso são referências. E ver essas referências faz com que outras digam que é possível chegar lá, mesmo tendo duas crianças pequenas.

Falando em maternidade, como ela te transformou? O que te trouxe em termos de habilidades?

A primeira coisa foi definitivamente a priorização; você se torna uma pessoa muito mais focada e produtiva. Também me ajudou a fortalecer o olhar para as pessoas. Aprendi a ser mais empática respeitando os tempos de aprendizado, como as crianças têm. Elas te dão feedback automático se a abordagem deu certo ou não, e levar isso para o trabalho me ajuda a me relacionar melhor com o time.

Como você se mantém atualizada nesse mundo dinâmico e em constante transformação?

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Com muita leitura, trocas com executivos do mercado e testando tecnologias. Converso com clientes sobre o que já implementamos em IA. Temos uma área focada só no entendimento dessas tecnologias para aplicar aqui dentro.

E como vocês têm usado inteligência artificial?

Aqui na Loggi já usamos há muito tempo para encontrar o roteiro mais otimizado possível. Mais recentemente, com os LLMs, implementamos no atendimento ao consumidor e chegamos a quase 70% de retenção (ou seja, resolução autônoma da IA), com satisfação (CSAT) de 85%.

Como manter um clima de inovação de startup em uma empresa que já cresceu?

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É um exercício diário para garantir que a cultura esteja alinhada com os valores. Uma empresa desse tamanho já precisa de alguns controles, mas se forem muito rígidos, perde esse dinamismo. Se a empresa for muito hierarquizada, ela vai ser lenta. A chave é estruturar alguns processos, mas empoderar as pessoas para tomarem decisões e agirem rápido.

Tirando o crachá, quem é a Viviane?

Gosto muito de viajar, sou muito família, jogo tênis e faço meditação. Já viajei para mais de 40 países.

A trajetória de Viviane Sales, nova CEO da Loggi

Formação

Administração de Empresas pela FGV-EAESP; MBA pela Kellogg School of Management (Northwestern University.

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Primeiro emprego

Estagiária na Siemens.

Primeiro cargo de liderança

“No Twitter, gerente de Sales Operations na América Latina.”

Um livro, um podcast ou um filme que inspira a sua visão de gestão

“O livro ‘Growth Mindset’ mudou minha forma de pensar e me mostrou que você pode fazer qualquer coisa, desde que foque naquilo, e que todo mundo está em uma jornada de aprendizado. Se você tiver o que eles chamam de ‘fixed mindset’, isso destrói a sua capacidade de desenvolvimento. Acho que é um livro essencial.”

Um hábito essencial na rotina

“Meditação e tempo com os meus filhos.”

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O que te motiva?

“Desafios e times com energia, engajados e com pessoas legais.”

Um conselho de carreira

“Foque mais em como ganhar experiências do que na próxima promoção. Entenda onde quer chegar e as experiências que faltam para estar pronto para chegar lá.”

Tempo de carreira

Mais de 20 anos

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Negócios

J&F Integra Negócios de Energia e Gás e Escolhe Eduardo Antonello Como CEO

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A J&F decidiu unificar seus negócios de energia elétrica e gás natural em uma única plataforma que terá como diretor-presidente Eduardo Antonello, segundo um comunicado visto pela Reuters.

No comunicado, enviado esta semana internamente na empresa, Aguinaldo Filho, presidente da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, afirma que a J&F passa a ter um “negócio integrado de ponta a ponta”, envolvendo infraestruturas de suprimento de gás natural, 59 usinas de geração e a comercializadora de energia e gás.

Recentemente, a companhia também passou a operar um terminal de gás natural liquefeito (GNL), voltado principalmente para as regiões Sul e Sudeste, e entrou na logística e distribuição “off grid”, com uma distribuidora de GNL e gás natural comprimido (GNC), mirando a descarbonização de veículos pesados.

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Antonello, que comandará a nova plataforma, tem 28 anos de experiência nos setores de energia, gás e petróleo, segundo o comunicado da companhia.

A J&F, controlada pelos irmãos Batista, donos da gigante de alimentos JBS, tem se diversificado rapidamente em setores como finanças, mineração e celulose e papel. No setor de energia elétrica, cresceu nos últimos anos principalmente com compras de termelétricas a gás, sob a Âmbar Energia.

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Negócios

BAT Nomeia Suelma Rosa Como VP de Assuntos Corporativos e Regulatórios para América do Sul

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A BAT (British American Tobacco) anunciou Suelma Rosa como vice-presidente de assuntos corporativos e regulatórios para a América do Sul.

Na posição, a executiva será responsável pela estratégia regulatória, engajamento com governos e stakeholders, comunicação, reputação e gestão de temas sensíveis. “Não há transformação real sem diálogo, especialmente nos temas mais complexos. A evolução da BAT passa por inovação e novas categorias, mas também pela capacidade de construir confiança”, afirma. “Meu compromisso é contribuir para fortalecer essa agenda, ampliando a escuta e a qualidade da informação à sociedade.”

Antes de ingressar na BAT, Rosa atuava como vice-presidente de assuntos corporativos da PepsiCo para a América Latina e México.

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Com mais de 20 anos de carreira internacional, já ocupou cargos de liderança na Unilever, Dow, UNOPS e The Nature Conservancy e esteve à frente de agendas em mercados da América Latina, Europa, Ásia e África.

A executiva é formada em relações internacionais pela Universidade de Brasília e começou a carreira como coordenadora de relações externas na Vale. Também possui MBA pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e doutorado em ciências políticas pela Universidade de Sorbonne.

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