Negócios
5 lições de empreendedorismo do fundador do Boticário

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
“Tenho medo de ser engolido pelo monstro do trabalho”, disse Miguel Krigsner, fundador do Grupo Boticário, a seu psicanalista. O ritmo intenso de sua vida o assustava. Ele não tinha muitas pausas para tratar de assuntos pessoais ou simplesmente relaxar. Sentia-se, ao mesmo tempo, realizado e sobrecarregado. Sabia que a empresa que havia iniciado — como uma pequena farmácia de manipulação no centro de Curitiba — estava num estágio de crescimento que exigia mudanças para dar os passos seguintes. Preocupava-se em manter a essência e a cultura criada ao longo das primeiras décadas enquanto refletia sobre qual seria seu papel no novo momento da companhia.
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Durante dois anos, ouvi relatos como esse, diretamente da fonte, em conversas longas, profundas e agradáveis. Foram dezenas de encontros com Miguel, a maioria deles em seu escritório na sede da empresa. Também tiveram visitas à fábrica, passagens pelas salas de reunião de São Paulo e entrevistas, com o apoio da equipe do Atelier de Conteúdo, com 44 pessoas que fazem parte da história do Grupo Boticário (dentre milhares de outras). O resultado é a autobiografia de um dos maiores — e mais discretos — empresários do Brasil, publicada pelo selo Portfólio Penguin da Companhia das Letras. Para mim, inevitavelmente ficam inspirações que vão além das páginas do livro. Compartilho aqui as principais.
1. A importância da delicadeza nas relações
Ao longo de tantas interações, entendi na prática o que significam o cuidado, a gentileza, a suavidade presentes no jeito natural de Miguel. Desde o primeiro contato, ele ressalta a importância das relações bem construídas e cultivadas no longo prazo, a partir de uma visão ganha-ganha — aspecto a que atribui o cerne de seu sucesso. Nas conversas com os demais entrevistados, a delicadeza com que Miguel trata as pessoas é sempre um ponto de destaque. Num mundo apressado e, por vezes, bruto, a abordagem do empresário é um convite à reflexão sobre as reais prioridades.
2. Lembre-se de onde veio
Onde tudo começou? O que aprendeu com quem veio antes? Que condições permitiram que construísse a base do negócio? No caso de Miguel Krigsner, as respostas vão de uma compra de milhares de frascos, uma atitude aparentemente insana para quem não tinha líquido o bastante para preenchê-los, às inapagáveis marcas deixadas pelo Holocausto em seus antepassados. Tudo isso está na essência do empreendedor. Quando sabemos onde começamos, fica mais fácil não esquecer quem somos, identificar pontos fortes e fracos, e reconhecer o que podemos construir.
3. Ritmo é diferente de pressa
Em menos de quatro décadas, Miguel Krigsner liderou a construção de um dos maiores negócios de beleza do Brasil. Foi rápido, mas sem correria. Da mesma forma, o livro foi se desenvolvendo num ritmo saudável, sem perder o passo. Tenho compreendido que projetos relevantes levam tempo para maturar — e o exemplo de Miguel contribui muito nesse sentido. Não adianta apressar a natureza. Temos de fazer a nossa parte e também deixar decantar, florescer, dar frutos.

Ariane Abdallah acompanhou Miguel Krigsner durante dois anos para a escrita do livro “A essência de empreender”, lançado nesta terça-feira (27)
4. Aceitar os próprios conflitos é o único caminho que leva além
O dilema entre a dedicação ao trabalho e à vida pessoal. O desconforto de saber que é hora de mudar, mas ter que lidar com as inseguranças causadas pelo próximo passo. Fazer escolhas. Para empreender no longo prazo, é preciso ter coragem de encarar os próprios monstros no espelho.
5. A beleza é fundamental
Os monstros podem levar ao belo — se bem investigados, desmascarados, dissolvidos, com autoconhecimento e atitude. Para Miguel Krigsner, beleza, é acima de tudo, harmonia. O belo comunica e cria pontes — atitudes indispensáveis a quem empreende.
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Ariane Abdallah é jornalista, autora do livro “De um gole só – a história da Ambev e a criação da maior cervejaria do mundo” e fundadora do Atelier de Conteúdo, empresa especializada na produção de livros, artigos e estudos de cultura organizacional.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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Negócios
Vale Se Depara com Escassez de Engenheiros Enquanto Foca Novos Projetos, Diz CEO
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Em momento em que foca no desenvolvimento de novos projetos, a mineradora Vale tem enfrentado desafios diante da escassez de engenheiros para avançar com os empreendimentos, disse nesta sexta-feira o CEO da companhia, Gustavo Pimenta.
“Estamos com dificuldades de formar novos líderes, formar novos engenheiros, para a Vale, isso é uma dor…”, disse ele, ressaltando que a capacitação de engenharia é fundamental para projetos complexos.
“É um tema de atenção, estamos fazendo parcerias, sejam com escolas técnicas, sejam turmas de faculdades de formação, mas este é o calcanhar de Aquiles da indústria hoje, formação e capacitação”, declarou a uma plateia do Lide, grupo de líderes empresariais.
No ano passado, a Vale anunciou dois grandes pacotes de investimentos: R$70 bilhões no Programa Novo Carajás até 2030, para expandir minas e aumentar a produção de minério de ferro e cobre; além de um montante semelhante, até 2030, nos ativos de Minas Gerais.
“Com essa aceleração do próprio ‘pipeline’ de crescimento da Vale, estamos fazendo mais projetos, a empresa voltou a crescer… a gente se deparou com esse desafio de falta de engenheiros e de falta de empresas de engenharia fortalecidas que pudessem nos auxiliar”, disse o executivo.
Ainda neste mês, em evento em Brasília, Pimenta disse que o Brasil deveria voltar a realizar megaprojetos de mineração, de US$15 bilhões a US$20 bilhões, e que a Vale tem capital para isso.
Ele disse que o setor de mineração tem o desafio de mostrar para os jovens estudantes que a “indústria real” pode ser atrativa. “O que a gente faz de fato muda o mundo, acredito profundamente que a mineração faz o mundo melhor”, disse.
O executivo disse que a Vale tem feito muitas parcerias com o sistema S de formação profissional, mas em alguns casos a companhia tem sido obrigada “a recorrer a engenheiros fora do Brasil”.
“Isso não é adequado, a gente deveria ser capaz de cobrir tudo com os recursos internos.”
Durante o evento, Pimenta disse também que está “otimista” com a possibilidade de edição de um decreto que trata das cavidades no setor de mineração, que poderia liberar investimentos ao tornar mais célere o licenciamento ambiental.
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Negócios
Brasil Cria 58,6 Mil Empregos Formais em Julho, Pior Resultado para o Mês desde 2020
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O Brasil abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.
O resultado do mês passado foi fruto de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos e ficou bem abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 112.000 vagas.
O saldo de julho foi o mais baixo do ano até agora e o menor para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, que contabiliza dados a partir de 2020. No mesmo mês em 2025, foram criadas 133.932 vagas de trabalho.
No acumulado do ano até o mês passado, foi registrado saldo positivo de 972.203 postos, o pior para o período desde 2020, quando houve fechamento de 1.398.484 vagas em meio à pandemia da Covid-19.
Para o economista do ASA, Leonardo Costa, os resultados reforçam que o mercado de trabalho está em um processo gradual de arrefecimento, apesar de ainda resiliente. Segundo ele, a avaliação da instituição é de que a atividade econômica seguirá em desaceleração ao longo de 2026.
“A desaceleração tem sido mais visível em setores tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria, comércio e construção civil, enquanto o setor de serviços segue sustentando a geração de empregos”, afirmou.
Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços liderou a abertura, como de costume, com 24.098 postos, seguido por construção (12.691 postos), agropecuária (12.523 postos) e indústria (11.315). O comércio foi o único setor a registrar saldo negativo, com fechamento de 2.056 vagas.
O ministro do Trabalho em exercício, Chico Mecena, atribuiu as sucessivas baixas dos números do comércio aos efeitos de juros altos, que, segundo ele, inibem o crédito a consumidores e o investimento de lojistas.
Ele também destacou a migração da atividade do setor para os mercados virtuais.
“Você tem um direcionamento cada vez mais (para) o crescimento das lojas online”, afirmou. “É um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural.”
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10 Mil Empregos Eliminados: Como os Agentes de IA Tomaram a Base do Marketing

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Agentes de inteligência artificial agora podem fazer o trabalho de um executivo de marketing júnior. Membros mais experientes da equipe lideram os agentes da mesma forma que antes gerenciavam os trainees. Nesse cenário, as vagas de marketing de nível inicial não serão mais tão necessárias, e isso ocorre publicamente, nos contratos das maiores empresas do setor.
Uma análise contabilizou mais de 10 mil empregos de marketing eliminados nos Estados Unidos nos primeiros sete meses de 2025, segundo o estudo da The Rank Masters, que publica relatórios sobre o impacto da inteligência artificial no setor de serviços profissionais. E isso foi antes de os agentes de IA se tornarem mais comuns.
Para onde foram os empregos e o que a IA assumiu
Os cortes afetam todos os grandes grupos de comunicação. A WPP passou de 108.044 pessoas para 98.655 em um ano, com a perda de cerca de 9.000 empregos em busca de £ 500 milhões (R$ 3,51 bilhões) em economias anuais. Omnicom e IPG cortaram 8.200 vagas no contexto de sua fusão e dobraram a meta de economia para US$ 1,5 bilhão (R$ 7,72 bilhões), com mais demissões anunciadas desde então. A McKinsey eliminou de 3.000 a 4.000 posições, enquanto sua força de trabalho agora inclui 20.000 agentes de IA.
A Forrester revisou sua previsão. A projeção original dizia que 7,5% dos empregos em agências nos EUA seriam automatizados até 2030. A nova estimativa aponta 15% apenas em 2026.
O trabalho que a tecnologia substituiu primeiro
Uma pesquisa da consultoria Gartner explica quais postos de trabalho desapareceram. Em 2025, 23% das agências reduziram cargos de redação júnior e 31% planejam novos cortes. O design júnior registra 19% de vagas fechadas, com previsão de mais 24%. Agora, o primeiro rascunho e o relatório semanal — tarefas típicas de um júnior nos seus dois primeiros anos — são feitos por um agente em questão de minutos.
A IA produz o resultado inicial, um profissional experiente verifica e direciona, e o cargo de entrada que existia entre os dois some do organograma. O trabalho continua feito. Qualquer pessoa que já dirigiu uma agência reconhece essa rotina: era a principal escola de treinamento e a linha mais pesada da folha de pagamento. O primeiro rascunho deixou de ser uma função humana.
Tomada de decisão na era da IA
O mesmo estudo do Gartner aponta que a demanda por estrategistas de conteúdo sênior subiu 18% em um ano. A Improvado, plataforma de agregação e análise de dados, relata um aumento de 14% nas vagas para gerentes de marketing, com novas funções focadas em fluxos de IA, auditoria e governança de dados. O ponto em comum? São papéis focados em tomada de decisão. É a pessoa que orquestra os agentes e responde pelo resultado final.
Donos de empresas ainda precisam de ajuda com o marketing. A Publicis expandiu a receita em 5,6% enquanto treinava 85% de sua equipe de atendimento na própria plataforma de IA, com corte de apenas cerca de 200 posições. Uma agência boutique foi eleita a pequena agência do ano pela Adweek após crescer a receita em 50% e dobrar sua equipe, com 91% de retenção de talentos. Eles se adaptaram rápido ao movimento do mercado. A experiência virou o produto, e o discernimento estratégico tornou-se o principal requisito de contratação.
Faça a análise no seu negócio
Abra sua ferramenta de IA e conduza um teste. Descreva os serviços que você vende e tudo o que entregou no mês passado. Em seguida, peça ao sistema para marcar quais daquelas entregas um agente faria hoje sob a revisão de um sênior. Calcule o tempo economizado na sua equipe. A resposta é o seu plano de reestruturação.
Mova as horas liberadas para o trabalho que cresceu em valor: o posicionamento e as conversas com clientes que definem as renovações de contrato. A Publicis cortou 200 empregos para depois treinar 85% de seu pessoal, e a estratégia está justamente nessa sequência. Retenha sua equipe, mude a rotina das pessoas e delegue à IA as entregas de nível júnior que seu pessoal sênior agora pode gerenciar.
*Jodie Cook é colaboradora da Forbes USA e escreve sobre ferramentas de IA para empreendedores e consultores.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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