Negócios
Em 2026, Alinhe Suas Ações Aos Seus Valores

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Com frequência reconhecemos isso quando vemos nos outros: a distância entre o que as pessoas dizem valorizar e a forma como de fato se comportam.
Talvez seja um subordinado direto que afirma querer progredir na carreira, mas não tomou nenhuma iniciativa para se desenvolver. Ou um chefe que escreve “minha porta está sempre aberta”, mas segue cancelando reuniões individuais.
Ou ainda uma equipe de projeto cujos integrantes concordam que o grupo deveria ser um “espaço seguro” para novas ideias, mas em que todas as reuniões são dominadas por vozes mais seniores e a contribuição real dos demais é rara.
O relatório Worklife Trends 2026, do Glassdoor, mostra o quanto essa lacuna entre valores e ações está moldando a experiência de trabalho. Menções a desalinhamento em avaliações de funcionários sobre a alta liderança dispararam: o uso do termo “desalinhado” cresceu 149% de 2024 para 2025.
Outros sinais de desconexão, como palavras associadas a “falha de comunicação” com aumento de 25%, “desconfiança” com alta de 26% e “hipocrisia” com crescimento de 18%, também se intensificaram, evidenciando um distanciamento crescente entre o que os funcionários esperam e o que vivenciam na gestão.
Os funcionários não estão apenas descrevendo atritos organizacionais. Eles estão sinalizando algo mais profundo: a erosão da confiança quando líderes deixam de agir de acordo com os valores que afirmam defender.
Esse cenário ocorre em um contexto no qual esgotamento, excesso de trabalho, tensões interpessoais e mudanças impulsionadas pela inteligência artificial no escopo das funções e na segurança do emprego já estão pressionando o limite emocional das pessoas.
Quando o ambiente externo é difícil, o desalinhamento de valores torna tudo ainda mais pesado. As pessoas recorrem à liderança formal e informal para dar sentido à ambiguidade, oferecer direção quando o caminho não está claro e sustentar o funcionamento saudável quando ansiedade, tensão e dificuldades se impõem.
Os valores são um dos poucos pontos de ancoragem estáveis de que líderes dispõem, o que torna este um bom momento para avaliar o alinhamento entre valores e ações.
Liderança e compromisso
James March, um dos fundadores do campo do comportamento organizacional, oferece uma lente poderosa em parceria com Johan Olsen: líderes agem segundo uma lógica de consequência ou uma lógica de adequação. A segunda é fundamentada em identidade, papéis e compromissos, e não em resultados calculados.
A lógica de consequência funciona como um cálculo de custo-benefício. Escolhemos a opção que promete o melhor retorno, mais receita, menos risco, execução mais simples. Grande parte de nossas decisões diárias segue essa lógica, que é plenamente funcional.
A lógica do compromisso é diferente. Agimos porque a escolha é coerente com quem somos, com nossos valores mais profundos e nossa identidade. O ponto de referência não é o retorno imediato, mas o alinhamento. Fazemos porque é a coisa certa a fazer, mesmo quando as consequências são incertas ou desconfortáveis.
Nem sempre é possível identificar qual lógica está em jogo a partir de uma única decisão. Duas pessoas podem fazer a mesma escolha de carreira por motivos completamente distintos. As motivações se revelam em padrões ao longo do tempo.
É por isso que isso importa para o alinhamento de valores: valores só se tornam combustível para a liderança quando se transformam em compromissos, obrigações conscientes e relevantes que você assume. Esses compromissos funcionam como um contrato não escrito com os outros.
Tornam suas escolhas mais previsíveis, o que constrói confiança e reduz o custo de coordenação ao seu redor. Quando as pessoas sabem que podem contar com você para manter uma posição, tornam-se mais dispostas a investir, assumir riscos e seguir sua liderança.
Os líderes mais inspiradores são ancorados no compromisso. Pense em figuras que agiram movidas por obrigações com ideais, e não por ganhos pessoais. O compromisso não substitui a execução. Ainda é necessário organizar, comunicar e entregar.
Mas ele é o ponto de partida. Sob pressão, o compromisso mantém palavras e ações alinhadas. Esse alinhamento visível sustenta a confiança e convida outros a se engajarem.
Como esclarecer seus valores
Priorizar valores antes das escolhas aumenta a probabilidade de comportamentos coerentes com eles. E alinhar valores às ações fortalece a credibilidade. Um estudo conduzido por pesquisadores da Columbia Business School e da William & Mary Business School sobre “afirmação de valores” mostra que líderes que conscientemente fundamentam suas decisões em seus valores são percebidos como mais autênticos por colegas e liderados.
Se você não esclareceu seus valores recentemente, ou nunca, este é um bom momento para fazê-lo. As conversas de Adam Grant e Brené Brown sobre repensar convidam você a tratar valores como hipóteses de trabalho: escrevê-los, testá-los diante de dilemas reais, buscar deliberadamente feedback que os questione e refinar a linguagem até que ela reflita comportamentos pelos quais você está disposto a ser cobrado.
Aqui estão alguns exercícios adicionais para experimentar:
O workbook Dare to Lead, de Brené Brown, transforma essa ideia em prática ao começar com uma lista ampla de valores possíveis, reduzir para dois valores inegociáveis, definir como cada um se manifesta na prática, identificar comportamentos “escorregadios” que os enfraquecem e assumir pequenos compromissos diários.
O Co-Active Training Institute, que integra formação em coaching com desenvolvimento de liderança, oferece um exercício estruturado de descoberta que começa com uma lista curada de valores, orienta a escolha e a definição pessoal dos principais valores, pede que você avalie o quanto os honra atualmente e ajuda a criar rituais, limites e experimentos para elevar esses indicadores.
O Schwartz Portrait Values Questionnaire utiliza breves descrições de pessoas para mapear suas prioridades dentro de um modelo amplamente estudado, como autodireção, benevolência, realização e segurança, criando uma linha de base que pode ser revisitada ao longo do tempo.
Como Brown e Grant destacam em sua conversa sobre liderar com autenticidade e vulnerabilidade, viver seus valores centrais alimenta coragem, resiliência e liderança autêntica, além de oferecer estabilidade e impulso para alinhar o que você diz ao que faz. Nas palavras de Brown, viver seus valores e lidar com a vulnerabilidade significa ser capaz de estar na incerteza, no risco e na exposição, mantendo-se centrado, lúcido, emocionalmente regulado e capaz de tomar boas decisões.
Liderar todos os dias é desafiador, e a percepção de desalinhamento torna isso ainda mais difícil. Encare 2026 com a coragem e a confiança que nascem de agir de acordo com seus valores. O trabalho contínuo de alinhamento exige esforço, mas é o que torna a liderança autêntica, consistente e sustentável.
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PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
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O Que o Esporte Ensina aos Grandes CEOs
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.
Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.
É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.
Marcelo Zimet, o homem de ferro
São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”
Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”
Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”
A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.
O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.
Fernanda Hoe nada em águas abertas
Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.
Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”
Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.
A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.
A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.
O tênis na vida de Ana Célia Biondi
A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.
O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”
Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”
Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”
Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.
A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.
Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.
Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”
Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.
Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”
Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”
Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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Fim da Escala 6×1 Será Votado no Senado na Quarta-feira; Veja o Que Muda
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salários.
A chamada PEC do fim da escala 6×1, que estabelece duas folgas semanais para os trabalhadores, será votada após a quinta sessão de discussão da proposta no Senado.
Pelas regras regimentais, qualquer PEC precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser votada em primeiro turno. O Senado já realizou três dessas sessões nesta semana e tem mais duas previstas para a próxima, na terça e na quarta-feira.
“Pautei para quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da PEC 221, de 2019, que trata do fim da escala 6×1”, disse Alcolumbre em nota distribuída por sua assessoria.
“Cumpro, assim, o compromisso de colocar a proposta em votação, com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental. Caberá a cada senador e a cada senadora decidir com liberdade, consciência e convicção”, acrescentou.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A PEC em discussão no Senado prevê uma redução gradual da jornada de trabalho, atualmente limitada a 44 horas semanais.
Nos primeiros 60 dias após a promulgação da proposta, a jornada máxima cairia para 42 horas semanais. Um ano depois da primeira redução, passaria para 40 horas.
A proposta também estabelece o direito a pelo menos duas folgas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos, e garante que não haverá redução salarial.
Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre o fim da escala 6×1
O fim da escala 6×1 também entrou na disputa presidencial de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, é favorável à PEC e tem usado a defesa de sua aprovação como plataforma de campanha.
Lula chegou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que venceu o primeiro turno da disputa presidencial no domingo e enfrenta o petista no segundo turno, marcado para 25 de outubro, e seu partido a votarem favoravelmente à proposta.
Flávio, que se opõe à PEC, acusa Lula de oportunismo eleitoral. O senador e seus aliados defendem uma alternativa que considere jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Também defendem a prevalência de acordos individuais entre empregados e empregadores sobre convenções coletivas.
Quando a PEC do fim da escala 6×1 pode ser aprovada?
Para avançar no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em primeiro turno.
Se aprovada, a PEC deverá passar por mais três sessões de discussão antes de ser submetida à votação em segundo turno, quando também precisará de pelo menos 49 votos.
Segundo a Agência Senado, a líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), está coletando assinaturas para um requerimento que permita acelerar o calendário.
A intenção é concluir a tramitação no Senado na penúltima semana de outubro, antes do segundo turno da eleição presidencial.
Mesmo que seja aprovada pelos senadores, a mudança ainda dependerá das demais etapas do processo legislativo para entrar em vigor.
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