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O Que o Esporte Ensina aos Grandes CEOs

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.

Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.

É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.

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Marcelo Zimet, o homem de ferro

São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”

Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”

Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”

A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.

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O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.

Fernanda Hoe nada em águas abertas

Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.

Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”

Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.

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A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.

A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.

O tênis na vida de Ana Célia Biondi

A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.

O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”

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Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”

Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”

Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.

A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.

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Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol

Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.

Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”

Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.

Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”

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Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”

Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.

*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.

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Fim da Escala 6×1 Será Votado no Senado na Quarta-feira; Veja o Que Muda

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salários.

A chamada PEC do fim da escala 6×1, que estabelece duas folgas semanais para os trabalhadores, será votada após a quinta sessão de discussão da proposta no Senado.

Pelas regras regimentais, qualquer PEC precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser votada em primeiro turno. O Senado já realizou três dessas sessões nesta semana e tem mais duas previstas para a próxima, na terça e na quarta-feira.

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“Pautei para quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da PEC 221, de 2019, que trata do fim da escala 6×1”, disse Alcolumbre em nota distribuída por sua assessoria.

“Cumpro, assim, o compromisso de colocar a proposta em votação, com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental. Caberá a cada senador e a cada senadora decidir com liberdade, consciência e convicção”, acrescentou.

O que muda com o fim da escala 6×1?

A PEC em discussão no Senado prevê uma redução gradual da jornada de trabalho, atualmente limitada a 44 horas semanais.

Nos primeiros 60 dias após a promulgação da proposta, a jornada máxima cairia para 42 horas semanais. Um ano depois da primeira redução, passaria para 40 horas.

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A proposta também estabelece o direito a pelo menos duas folgas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos, e garante que não haverá redução salarial.

Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre o fim da escala 6×1

O fim da escala 6×1 também entrou na disputa presidencial de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, é favorável à PEC e tem usado a defesa de sua aprovação como plataforma de campanha.

Lula chegou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que venceu o primeiro turno da disputa presidencial no domingo e enfrenta o petista no segundo turno, marcado para 25 de outubro, e seu partido a votarem favoravelmente à proposta.

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Flávio, que se opõe à PEC, acusa Lula de oportunismo eleitoral. O senador e seus aliados defendem uma alternativa que considere jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas trabalhadas.

Também defendem a prevalência de acordos individuais entre empregados e empregadores sobre convenções coletivas.

Quando a PEC do fim da escala 6×1 pode ser aprovada?

Para avançar no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em primeiro turno.

Se aprovada, a PEC deverá passar por mais três sessões de discussão antes de ser submetida à votação em segundo turno, quando também precisará de pelo menos 49 votos.

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Segundo a Agência Senado, a líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), está coletando assinaturas para um requerimento que permita acelerar o calendário.

A intenção é concluir a tramitação no Senado na penúltima semana de outubro, antes do segundo turno da eleição presidencial.

Mesmo que seja aprovada pelos senadores, a mudança ainda dependerá das demais etapas do processo legislativo para entrar em vigor.

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O Desconforto Que Pode Desbloquear Seu Potencial

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Uma das descobertas mais surpreendentes das pesquisas sobre aprendizagem é que o desempenho durante a prática costuma ser um indicador ruim do quanto você realmente vai se lembrar depois. Às vezes, os dois resultados apontam até para direções opostas.

Grande parte dos estudos sobre essa diferença remonta a uma ideia chamada de “dificuldade desejável”, termo criado pelo psicólogo da UCLA Robert Bjork. O conceito indica que determinados tipos de esforço, justamente aqueles que fazem o aprendizado parecer mais lento e menos seguro, são os que ajudam a torná-lo duradouro. Quando é preciso se esforçar para lembrar de algo, a memória sobre aquilo se fortalece. Quando aprender é fácil demais, menos informações tendem a permanecer.

É uma ideia desconfortável porque a maioria de nós considera a facilidade o principal sinal de que tudo está indo bem. Também é por isso que as formas mais úteis de aprender costumam ser justamente aquelas que as pessoas evitam. Entender por que esse desconforto ajuda e quais são seus limites torna muito mais fácil usá-lo a seu favor. Essa inconveniência, ou seja, um aprendizado que parece mais difícil do que deveria, muitas vezes é o que separa o progresso real da simples sensação de estar avançando.

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Por que a inconveniência supera a facilidade

A inteligência artificial generativa mostra como esse princípio funciona na prática. Um chatbot pode resolver um problema difícil em segundos, eliminando grande parte do esforço que seria necessário para aprender a solucioná-lo. Em um estudo de 2025 publicado na PNAS, estudantes do ensino médio que usaram uma versão convencional do ChatGPT durante os exercícios tiveram um desempenho melhor enquanto tinham acesso à ferramenta. Quando ela foi retirada, porém, os alunos tiveram resultados piores do que aqueles que nunca a haviam utilizado. No mesmo estudo, os estudantes que usaram a IA dessa maneira também tenderam a superestimar o quanto haviam aprendido.

Isso não significa que a IA seja ruim para a aprendizagem. No mesmo estudo, uma versão da ferramenta configurada para atuar como tutora, orientando os estudantes em vez de simplesmente fornecer as respostas, evitou em grande parte esse efeito negativo. O que importa é saber se a ferramenta está fazendo o trabalho intelectual por você ou se está deixando que você pense por conta própria.

O mesmo princípio se aplica aos atalhos em geral. Quando algo faz uma tarefa parecer fácil demais, vale perguntar se também eliminou justamente a parte da atividade que poderia ajudar você a melhorar.

Nem toda inconveniência ajuda

Uma dificuldade só é desejável se for possível superá-la com esforço. Quando o conteúdo está muito além do que você já sabe, ter dificuldade com ele não vai necessariamente aprofundar seu aprendizado. Na maioria das vezes, apenas deixará você confuso e desmotivado.

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A teoria da carga cognitiva ajuda a explicar parte desse processo. A memória de trabalho, responsável por manter novas informações enquanto você tenta compreendê-las, consegue lidar apenas com uma quantidade limitada de conteúdo de cada vez. Quando o material já é complexo, acrescentar mais dificuldade pode sobrecarregar esse sistema em vez de fortalecer a memória.

Por isso, algumas técnicas têm limitações. Misturar diferentes tipos de problemas durante uma mesma sessão costuma funcionar bem com conteúdos mais simples, mas os benefícios parecem diminuir diante de materiais muito complexos. Um estudo de 2026 publicado na Learning and Instruction mostrou que, quando estudantes do ensino médio praticaram física complexa dessa maneira, os resultados foram melhores quando eles trabalharam o conteúdo em conjunto, e não sozinhos. Testar a própria memória também é mais confiável para memorizar fatos do que para desenvolver uma compreensão mais profunda de como as ideias se relacionam.

O objetivo é buscar um desafio que esteja ao seu alcance. Se você se sente completamente perdido, geralmente é mais útil começar com uma explicação clara ou acompanhar um exemplo. A prática mais difícil tende a funcionar melhor quando você já tem alguma base.

A inconveniência vale a pena

Mesmo quem sabe que esses métodos funcionam muitas vezes não os utiliza. A percepção sobre o quanto estamos aprendendo está intimamente ligada à facilidade com que estudar parece ser. Uma meta-análise de 2024, publicada na Educational Psychology Review, mostrou que, quanto mais esforço os alunos sentem que estão fazendo, menos eles tendem a acreditar que estão aprendendo.

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A prática que exige mais esforço envolve mais erros e menor confiança no momento em que acontece. Por isso, pode parecer menos eficiente, mesmo quando produz resultados melhores.

Isso também explica por que simplesmente orientar as pessoas a espaçar os estudos ou a testar os próprios conhecimentos raramente é suficiente para mudar seus hábitos por muito tempo. Pesquisadores que estudam a aprendizagem autorregulada passaram a investigar o que ajuda as pessoas a começar a utilizar essas estratégias e, principalmente, a mantê-las.

Um artigo de 2023, publicado na Educational Psychology Review, propôs uma estrutura voltada justamente para isso: ajudar os estudantes a persistirem quando o aprendizado parece difícil, mas está funcionando. Dois fatores parecem contribuir:

  • Entender que os erros são normais e fazem parte do aprendizado, em vez de interpretá-los como sinais de fracasso.
  • Criar uma rotina em que a revisão de conteúdos antigos já esteja programada, sem depender da decisão de fazê-la a cada vez.

Uma mudança simples é alterar a pergunta feita depois de estudar. Em vez de avaliar se a sessão pareceu produtiva, pergunte a si mesmo se conseguiria repetir o exercício amanhã sem ajuda.

A dificuldade desejável não significa tornar as coisas difíceis sem motivo. Trata-se de aceitar que determinado nível de esforço faz parte do processo de aprendizagem e não interpretar esse esforço como sinal de que algo está dando errado. Na maioria dos casos, ele significa justamente que você está aprendendo.

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Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Enem 2026: Falta Um Mês para o Primeiro Dia de Provas

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A um mês do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), candidatos e professores do ensino médio e cursinhos preparatórios adotam estratégias que migram do estudo intensivo de conteúdos inéditos para a consolidação do que já foi estudado.

Rafaela de Araújo Caldas, de 17 anos, tem optado pela revisão de conteúdos. Estudante do 3º ano de uma escola pública do Gama, cidade do Distrito Federal distante 35 km do centro de Brasília, ela fará o Enem pela primeira vez e quer conquistar a vaga em um curso superior na área de computação.

Com apoio dos pais, ela concilia o turno regular da escola com as aulas online de um cursinho preparatório para o exame até a noite, mas diz que respeita os limites físicos e o cansaço.

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“Dou foco em ver como funciona a prova, vendo os padrões das questões e o que vai ser mais importante estudar, agora, nessa reta final.”

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilRafaela Araújo vai fazer o Enem pela primeira vez e quer uma vaga no curso na área de computação

O foco da jovem também está na prova de redação. “Conheço alguns repertórios que o cursinho disponibilizou em uma lista. Mas, preciso ver o que usar e o que vai se encaixar no tema da prova.”

A redação do Enem exige a produção de um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas em modalidade escrita formal da língua portuguesa. O participante deve estar preparado para escrever em defesa de seu ponto de vista a respeito do tema proposto que pode ser de ordem social, científica, cultural ou política.

Para ajudar os participantes, o Ministério da Educação (MEC) disponibiliza aos participantes uma cartilha específica que explica como é a prova de redação e os critérios de correção.

Escola parceria

Foto – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilDiogo de Andrade considera ainda ser possível se preparar para o Enem nos 30 dias restantes

Diogo Andrade é professor de língua portuguesa e espanhola da escola onde Rafaela estuda, o Centro de Ensino Médio 1 do Gama, apelidado de CG (Colégio do Gama).

Com a experiência de quem leciona há 14 anos, o docente considera ainda ser possível se preparar para o Enem nos 30 dias restantes.

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“Mesmo com acúmulo enorme de conteúdos não vistos, agora, o importante é pegar firme nos simulados de provas, trabalhar na resolução de questões de edições passadas do Enem e a partir de possíveis dificuldades, deve-se buscar os conteúdos de maior recorrência histórica na prova”, destacou.

O professor relata que diante da amplitude, complexidade e concorrência nacional do Enem, a escola tem preparado os estudantes por meio de provas multidisciplinares bimestrais que simulam as regras e a logística real do dia do exame.

“Criamos um ambiente que simula o dia da avaliação, misturamos os alunos, os alocamos em uma sala distinta da que eles estão habituados a estudar. Depois, eles preenchem o gabarito das questões objetivas com caneta preta e a prova de redação também será corrigida e comentada pelos professores de língua portuguesa, com os critérios do Enem.”

Uma inovação da unidade é a gravação de podcasts educativos em série sobre temas do exame.

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“Produzimos conteúdos sobre filosofia nos exames de seleção. O próximo episódio está sendo gravado para focar na redação. E já temos em vista um episódio sobre a questão racial e sobre a latinidade.”

Palavra do professor

Especificamente sobre a prova de redação, Diogo estimula os alunos a dominarem o tema e os alerta para evitar a facilidade das “fórmulas prontas” da internet por funcionarem apenas como atalhos e que podem virar uma armadilha porque não enganam os avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“O corretor da banca está atento a esse tipo de manobra e, por isso, sabe quando o candidato, de fato, domina o tema e não está, simplesmente, repetindo uma fórmula ou algo pronto que já encontrou feito na internet.”

Nas provas objetivas, diante de questões que o estudante não sabe a resposta, Diogo Andrade desaconselha deixá-las em branco, mas, também, reprova os planos de chutar.

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O professor lembra que o Enem adota a Teoria de Resposta ao Item (T.R.I), metodologia de cálculo da nota das provas objetivas que analisa cada pergunta do exame conforme seu grau de dificuldade e a coerência entre as respostas dos candidatos.

A instituição de ensino ainda prevê a realização de aulões de revisão entre o fim de outubro e o início de novembro.

Treino, foco e meta

O estudante Gabriel Queiroz, de 18 anos, fez o Enem no ano passado na condição de treineiro apenas para testar conhecimentos e ganhar experiência. “Ajudou a compreender a logística e a gestão de tempo por questão”.

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilGabriel já fez o Enem como treineiro, e em 2026 concorre a uma vaga para o curso de licenciatura em língua portuguesa

Agora, o aluno quer aproveitar o que o Centro de Ensino Médio 1 do Gama tem oferecido para se preparar melhor para edição deste ano que vale uma vaga no ensino superior, se for bem nas provas. Na visão dele, matemática é a área do conhecimento que representa o maior desafio.

Gabriel dedica cerca de 8 a 9 horas diárias aos estudos, utilizando videoaulas no YouTube e resolvendo questões de edições anteriores. Nos finais de semana que antecedem a prova, ele planeja intensificar a carga horária. Mas sem descuidar do seu emocional.

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“A prova é extensa e preciso ter controle emocional. Mas também na questão de conteúdo é importante prestar atenção às aulas e colocar em prática as matérias aprendidas para almejar uma nota maior”.

O jovem sabe o que quer com o bom desempenho: ingressar no curso de licenciatura em língua portuguesa. Ele conta o que o motiva. “A literatura é uma paixão minha desde criança. Há ainda a questão de querer contribuir para o aprendizado de outras pessoas.”

Guia

Os inscritos no Enem podem conferir todas as orientações oficiais sobre as provas, tutoriais de preparação para o exame e cronogramas de todo o processo em um único site – o Guia do Enem – lançado pelo Ministério da Educação (MEC).

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