Negócios
Priscila Pellegrini: “O Líder Precisa Ser Um Pouco Terapeuta”

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Priscila Pellegrini já exercia funções de CEO antes mesmo de se sentar nessa cadeira formalmente. A partir deste ano, ela está à frente da Holding Clube, que reúne sete empresas especializadas em comunicação e marketing de experiência. “Sempre tive um perfil de liderança, desde pequena. Eu construí minha trajetória assim: tomando a frente e assumindo papéis de uma forma natural”, diz a executiva e sócia do grupo.
Até então diretora de operações, Priscila comandava o fluxo administrativo e financeiro, além da gestão de mais de 300 projetos anuais sob o guarda-chuva do grupo. “Já tinha assumido um papel mais amplo de gestão administrativa da empresa. Todos os gastos e investimentos passavam por mim.” Segundo o fundador e presidente do conselho da Holding Clube, José Victor Oliva, “ela tem um olhar diferenciado que muda o ponteiro das entregas.”
Em 28 anos de carreira, com passagens por Leo Burnett, Grupo TV1 e pela Banco_ (antiga Banco de Eventos), uma das agências do grupo, a publicitária se destacou pela habilidade em gerir pessoas. “Talvez esse seja o meu maior talento, além de conhecer muito do mercado de live marketing”, reconhece. Publicitária de formação, até chegou a fazer um curso de gestão de pessoas na FGV (Fundação Getulio Vargas) e adora estudar neurociência, mas nada ensinou tanto quanto a prática. “Aprendi muito observando bons líderes e também entendendo o que eu não gostaria de reproduzir.”
“O líder precisa ser um pouco terapeuta e entender que cada pessoa é diferente. Essa talvez seja a grande dificuldade dos líderes hoje, porque eles querem tratar todos como se fossem uma mesma categoria. Dessa forma, você não tira o melhor das pessoas.”
Priscila Pellegrini
Priscila construiu sua carreira em um mercado dominado por homens, mas com grandes referências femininas. Mais recentemente, tem observado a ascensão de outras mulheres à frente de empresas e agências, e quer contribuir para esse movimento. “Seguirei olhando para desenvolver oportunidades para que outras lideranças femininas tenham o devido destaque nesse segmento.”
A executiva também integra o conselho de administração da Holding Clube, que registrou faturamento de R$ 375 milhões em 2024 e projeta alcançar R$ 430 milhões em 2025. Além de agências como Banco_, Samba e Roda Trade, o grupo mantém projetos proprietários reunidos na plataforma de experiências Clube Nº1, responsável pelo Camarote Nº1, no Rio de Janeiro, pelo Réveillon Arcanjos Nº1 e pela Área Nº1 no Tomorrowland Brasil. Mais recentemente, lançou a Bossa, empresa dedicada a viagens e programas de incentivo. “A gente não para. Estamos sempre estudando novas oportunidades e pensando em qual é o próximo negócio.”
A seguir, Priscila Pellegrini conta como foi sua trajetória até assumir a liderança da Holding Clube, além dos desafios e oportunidades que a esperam à frente do grupo.
Forbes: Como foi esse processo de mudança na liderança da Holding Clube?
Priscila Pellegrini: Na pandemia, nosso trabalho, que é majoritariamente presencial, precisou se reinventar. Foi um momento de olhar para dentro e entender como transformar tudo. O Victor [Oliva], que sempre esteve muito à frente, já vinha num processo de se ausentar da operação, e eu, o Márcio [Esher] e a Ju [Ferraz] assumimos a liderança de forma muito natural e complementar. Não era algo formal, mas necessário para que a empresa atravessasse aquele período sem abrir mão da nossa equipe. A partir de 2022, essa liderança se formalizou de fato.
E agora, como foi assumir oficialmente o cargo de CEO?
Foi algo natural. Sempre tive essa característica de abraçar e ocupar os espaços. Gosto de gestão, de liderar e lidar com pessoas. Talvez esse seja o meu maior talento, além de conhecer muito do mercado de live marketing. Já tinha assumido um papel mais amplo de gestão administrativa da empresa. Todos os gastos e investimentos passavam por mim. O Victor percebeu que eu já estava exercendo esse papel de uma maneira indireta, e formalizamos a posição neste ano.
O José Victor Oliva destacou que você tem um olhar diferenciado que muda o ponteiro das entregas. O que você acha que te diferencia como líder?
Acredito que meu talento está na gestão de pessoas e parcerias. Eu demorei bastante para aceitar que isso podia ser um diferencial, mas de fato tenho muita facilidade nessa troca e bastante experiência. São 28 anos trabalhando nesse mercado. Sou muito detalhista, sempre buscando entender os riscos e garantir a segurança em cada entrega. Acho que esse olhar mais humano e estruturado faz diferença. Então, assumir essa posição não foi algo que me tirou muito da zona de conforto, mas claro que eu tenho muitos desafios.
Você se preparou para liderar ou foi se desenvolvendo na prática?
Sempre tive um perfil de liderança, desde pequena. Tomei a frente naturalmente, organizando processos e resolvendo problemas. Aprendi muito observando bons líderes e também entendendo o que eu não gostaria de reproduzir. Formalmente, estudei gestão de pessoas na FGV e também sou apaixonada por neurociência, que me ajuda a entender o comportamento humano.
Quais você diria que são os maiores desafios da liderança hoje?
As pessoas estão mais fragilizadas e questionadoras depois da pandemia. Quando eu assumi, fui falar com o RH para entender como criar um ambiente saudável, em que as pessoas tenham segurança de expor as suas vulnerabilidades. Precisamos saber onde está o potencial de cada um. Um bom criativo não necessariamente precisa ser um diretor de criação. O líder precisa ser um pouco terapeuta e entender que cada pessoa é diferente. Eu tenho um filho de 21, uma filha de 14 e é assim dentro da minha casa. Eu vejo características muito distintas da mesma criação. E eu acho que essa talvez seja a grande dificuldade dos líderes hoje, porque eles querem tratar tudo como se fosse uma mesma categoria. Quando você lida dessa forma, você não tira o melhor das pessoas. Liderança não é imposição. Liderança exige clareza, sinceridade e também exemplo.
Qual é o momento atual da Holding Clube e para onde você quer levar o grupo?
Estamos em um momento positivo, de muita estabilidade e solidez. Mas somos um grupo muito ousado, que sempre busca acrescentar braços de negócios, alguns que deram muito certo e estão até hoje e outros que já eliminamos do processo. Vejo a Holding em franca expansão. Acabamos de lançar a Bossa, empresa de viagens e programas de incentivo, que no seu primeiro ano já está dando resultado. Também temos nossa plataforma de projetos proprietários crescendo muito, a marca N1 é muito consolidada. E a gente não para. Estamos sempre estudando novas oportunidades e qual é o próximo negócio que a gente vai inventar.
Como você enxerga o avanço da liderança feminina na publicidade e na comunicação?
Vem crescendo, e que bom! Sempre tive líderes homens, mas nunca me intimidei. Sempre tive voz e coloquei minhas ideias. Hoje fico muito feliz em ver mais mulheres ocupando cargos de liderança no mercado. Claro que quando uma mulher assume esse papel, existe uma cobrança dupla, o que é uma grande bobagem. Somos tão fortes e poderosas quanto eles, mas também trazemos um viés do cuidado e da sutileza que é complementar e enriquece o negócio. O homem tem que aprender bastante para chegar nesse lugar.
Como foi a sua carreira da publicidade aos eventos?
Quando eu saí do colégio, queria ser advogada. Sempre gostei de entender os porquês e defender causas. Até entrei na Faculdade de Direito, mas no segundo ano vi que não era aquilo. Fui fazer publicidade, entrei na Leo Burnett e depois acabei indo trabalhar com produção de cinema e me identifiquei muito. Trabalhei com vários diretores de cinema, como a Flávia Moraes e o Odorico Mendes. Naquela época, só existiam três empresas de audiovisual e eventos, e eu fui para AV Produções. Vi que era aquilo que eu gostava de fazer. Depois, recebi uma proposta para trabalhar na TV1 como gerente de produção.
E a sua trajetória dentro da Holding?
Eu sempre vi o Banco de Eventos [uma das agências que fazem parte da Holding Clube] como a minha grande escola. Tinham líderes que me davam vontade de estar lá. A figura da Andrea Galasso, o jeito da Fernanda Abujamra. A essência da Holding é ter mulheres em lugares de destaque. Fiquei três anos e foi uma pós-graduação. Aprendi muito e ali talvez eu tenha me tornado uma líder de fato porque eu me inspirava muito naquilo que eu via. Depois, voltei para a TV1 para dirigir as operações e fui para a Holding com o convite do Victor de ser a diretora geral da Samba, que também era uma empresa que eu admirava muito, e a oportunidade de me tornar sócia.
Quais projetos mais marcaram sua carreira?
Muitos. Meu primeiro evento foi o lançamento do Palio Weekend fora do país. Precisei lidar com outra língua, outra cultura e estava na linha de frente com o cliente. Sempre quis fazer Olimpíadas e pude participar dos Jogos do Rio em 2016 com o Bradesco, o que foi muito gratificante. Em 2008, não existiam esses eventos gigantes e o Banco de Eventos fez o Super Casas Bahia. Quando eu voltei para o Banco, fizemos o lançamento do Gol na fábrica para 10 mil pessoas, uma coisa gigantesca. E mais recentemente, campanhas digitais e projetos de impacto, como o de retornáveis da Coca-Cola. É uma delícia fazer projetos grandes, mas hoje o que me motiva é ver as ações dando resultado e mudando o ponteiro de uma empresa.
Como vocês acompanham as mudanças do mercado, as tendências de consumo e das redes sociais?
É um desafio diário porque tudo muda muito rápido. O que hoje é tendência, amanhã já pode estar ultrapassado. Mudou muito a maneira como a gente projeta uma marca. Eu tenho 50 anos e conforme os anos vão passando, você vai tendo um pouco mais de dificuldade de entender algumas tecnologias. Meus filhos me ajudam nisso e são uma grande fonte de referência para entender o comportamento dos jovens. E a gente também tem o Holding Lab, um grupo que está sempre trazendo tendências e insights para os nossos negócios.
A inteligência artificial já faz parte dos processos de vocês?
Ela nos ajuda e é uma ferramenta importante. Hoje, usamos IA para automatizar alguns processos, como conferência de notas fiscais, que antes levava 14 horas e agora é feito em 2. Mas acredito que a IA não substitui o humano. Sozinha, ela não consegue trazer esse veio criativo e humanizado. Nosso time faz cursos para aprender a usar bem as ferramentas, principalmente na criação. Eu vejo como uma ferramenta extremamente importante para nos facilitar e gerar referências, mas nunca para substituir aquilo que a gente faz.
Tirando o crachá, quem é a Priscila?
A Priscila é uma manteiga derretida, uma canceriana que chora com o comercial de margarina, mas é engraçado porque eu tenho uma essência muito forte. Eu tenho um leão dentro de mim.
A trajetória de Priscila Pellegrini, CEO da Holding Clube
Por quais empresas passou
Grupo TV1, Banco de Eventos (atual agência Banco_), Agência Samba e Holding Clube
Formação
Publicidade e Propaganda (FIAM – FAAM) e Gestão de Pessoas (FGV)
Primeiro emprego
Tráfego e RTV na Agência Leo Burnett
Primeiro cargo de liderança
Gerente de Produção no Grupo TV1
Um hábito essencial na rotina
“Começo o dia meditando e faço muito exercício físico – musculação e natação cinco vezes na semana. Sou muito disciplinada com relação a isso. Disciplina é a minha palavra de ordem. Você tem que ter muita clareza sobre qual o seu plano para o dia e como vai seguir. Tenho o hábito de ao final do dia analisar tudo o que eu fiz e perceber quantos por cento daquilo foi efetivo para mim.“
Um livro, podcast ou filme que inspira sua visão de gestão
“O último livro que eu li foi ‘As coisas que você só vê quando desacelera’ (Haemin Sunim). A gente fica na pilha do dia a dia e não consegue entender que a mente precisa ficar em paz. Eu preciso ter calma para tomar a melhor decisão e ponderar racionalmente as coisas. Nesse lugar que eu me encontro hoje, isso é fundamental. Um pouco antes, eu tinha lido ‘Rápido e Devagar’. O livro mostra como acelerar o pensamento pode gerar coisas muito legais, mas o devagar também ajuda a moldar decisões de forma coerente.”
O que te motiva
“Gosto muito de ver as pessoas satisfeitas, às vezes são coisas muito simples, mas que podem mudar a vida de alguém. E, claro, quando a gente ganha projetos.”
Um conselho de carreira
“Não desista na primeira dificuldade e não desacredite da sua capacidade. Eu sempre tento olhar o copo meio cheio. Trabalho, disciplina, foco, é o que muda tudo.”
Tempo de carreira
28 anos
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Por Que o Escritório Pode Ser Mais Importante Quando Ninguém Quer Estar Lá
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Uma coisa curiosa acontece nos escritórios sempre que o clima fica excepcionalmente bom: as mesas ficam vazias.
Alguém sugere transferir a reunião da tarde para o ambiente virtual. O grupo de WhatsApp do escritório se enche de fotos de laptops em jardins. Na hora do almoço, um prédio projetado para centenas de funcionários pode parecer estranhamente abandonado, enquanto o trabalho continua normalmente em cozinhas, varandas e qualquer outro lugar com Wi-Fi.
Para os executivos, há uma pergunta óbvia escondida nessa cena: Por que estamos pagando por todo esse espaço?
É uma pergunta razoável. O mercado imobiliário comercial é caro, o trabalho híbrido está consolidado e os funcionários demonstraram que grande parte do trabalho intelectual pode ser realizada praticamente em qualquer lugar. Um escritório vazio em uma quarta-feira ensolarada pode parecer uma evidência particularmente convincente de que as empresas deveriam reduzir seu espaço físico.
Mas talvez estejamos tirando a conclusão errada de mesas vazias.
Um escritório cheio todos os dias pode não ser mais uma evidência de um ambiente de trabalho saudável. Da mesma forma, um escritório que fica ocasionalmente vazio não significa necessariamente que ele não tenha valor. A questão mais interessante é se entendemos mal para que serve um escritório atualmente.
Ocupação é uma medida de valor surpreendentemente ruim
Durante a maior parte do século 20, os escritórios tinham uma finalidade simples. Era onde o trabalho acontecia. Se os funcionários não estavam lá, em muitos casos o trabalho também não estava. A tecnologia rompeu essa relação.
Um analista financeiro pode montar um modelo em casa. Um advogado pode revisar documentos em uma cafeteria. Uma equipe de marketing pode realizar uma reunião entre quatro países sem que ninguém precise compartilhar o mesmo espaço. Quando o trabalho se tornou portátil, as organizações começaram a se deparar com uma incompatibilidade desconfortável entre os prédios que possuíam e o comportamento das pessoas que os utilizavam.
Pesquisas sobre o trabalho híbrido tornaram o cenário mais complexo, e não mais simples. Estudos descobriram que modelos híbridos podem melhorar a retenção sem prejudicar o desempenho, especialmente quando os funcionários têm autonomia significativa para decidir onde trabalhar. Isso é importante porque desafia uma das premissas por trás de muitos debates sobre o retorno ao escritório: a ideia de que uma maior presença física necessariamente produz melhores resultados para as organizações. Isso não é necessariamente verdade.
Se os funcionários conseguem desempenhar suas funções de forma eficiente em outros lugares, contar quantas mesas estão ocupadas diz muito pouco aos líderes. Um escritório parcialmente vazio pode representar desperdício de dinheiro. Mas também pode representar uma força de trabalho com autonomia adequada. Os números podem ser idênticos, mas as empresas são completamente diferentes.
As pessoas não precisam do escritório todos os dias. Precisam dele nos dias certos
É aqui que o debate sobre trabalho remoto e presencial se torna desnecessariamente binário.
Há dias em que trabalhar de casa é simplesmente melhor. Escrever um relatório, analisar dados ou preparar uma apresentação complexa pode se beneficiar de várias horas ininterruptas, longe de conversas e reuniões. Levar uma hora para chegar ao escritório apenas para ficar diante de um computador usando fones de ouvido e participar de chamadas virtuais com colegas que estão em outros lugares é difícil de defender como um uso eficiente do tempo de qualquer pessoa.
Há outros dias em que estar junto faz uma enorme diferença.
Pesquisas sobre colaboração descobriram que o trabalho remoto pode tornar a comunicação mais segmentada, levando os funcionários a interagir com um grupo menor de colegas. Isso não significa que o trabalho remoto seja ineficiente. Sugere que algumas das interações valorizadas pelas organizações são mais difíceis de reproduzir digitalmente, especialmente os vínculos mais frágeis e os encontros não planejados que conectam pessoas fora de suas equipes imediatas.
Pense em quanto conhecimento dentro de uma organização circula informalmente. Alguém ouve falar de um problema e sabe exatamente quem pode resolvê-lo. Um funcionário júnior observa como um colega sênior conduz uma conversa difícil. Duas pessoas continuam conversando por dez minutos depois de uma reunião e descobrem que seus projetos se sobrepõem.
Ninguém agenda esses momentos.
É justamente por isso que eles são importantes.
O escritório pode, portanto, estar se tornando menos importante como lugar para realizar o trabalho e mais importante como espaço onde são construídos os relacionamentos ligados ao trabalho.
Pare de pedir que os funcionários voltem sem dar um motivo
A maneira mais rápida de fazer os funcionários se ressentirem do escritório é exigir que compareçam simplesmente porque a organização é dona daquele espaço.
As pessoas percebem imediatamente quando a presença física não faz sentido. Se alguém gasta dinheiro para se deslocar até uma cidade apenas para participar de seis chamadas pelo Teams que poderia fazer de casa, dizer que a presença no escritório é importante para a “colaboração” dificilmente será convincente.
Pesquisas sobre autonomia no trabalho mostram de forma consistente que dar às pessoas um controle significativo sobre como realizam suas funções está associado a maior motivação e bem-estar. Isso torna as exigências rígidas de presença particularmente interessantes. Uma organização pode conseguir um escritório mais cheio e, ao mesmo tempo, enfraquecer algo muito mais valioso: a sensação dos funcionários de que são confiáveis para tomar decisões sensatas.
Há uma abordagem melhor. Faça com que valha a pena ir ao escritório.
Concentre colaboração, mentorias, discussões difíceis e construção de relacionamentos nos dias em que as pessoas estiverem juntas. Reserve outros dias para o trabalho concentrado. Dê às equipes alguma influência sobre essa dinâmica, em vez de presumir que uma única política servirá igualmente para contadores, designers, vendedores e engenheiros de software.
A pergunta para os líderes não deveria ser: “Como fazemos as pessoas voltarem?”
Deveria ser: “O que faria valer a pena estar juntos?”
Talvez um escritório vazio não seja o problema
Ainda existe uma realidade financeira. Empresas que pagam aluguéis enormes por prédios que permanecem quase sempre vazios deveriam, obviamente, questionar se precisam de tanto espaço. O trabalho híbrido pode, em última análise, exigir escritórios menores, contratos de locação diferentes e prédios projetados para a colaboração, em vez de fileiras de mesas individuais.
Mas a utilização merece uma análise mais sofisticada do que simplesmente dividir o número de funcionários presentes pelo número de cadeiras disponíveis.
Imagine um escritório quase vazio em uma bela tarde de verão. Talvez dezenas de funcionários realmente estejam trabalhando em seus jardins. Se o trabalho está sendo realizado, os clientes estão satisfeitos e as equipes apresentam bom desempenho, é difícil argumentar que encher o prédio automaticamente melhoraria alguma coisa.
Agora imagine o mesmo escritório dois dias depois, movimentado porque uma equipe está lançando um projeto, novos funcionários estão conhecendo os colegas e gestores estão tendo conversas que funcionam melhor presencialmente. O prédio não mudou. Sua finalidade mudou.
É para isso que o futuro do escritório pode estar caminhando. Passamos décadas tratando os escritórios como espaços para abrigar trabalhadores e, então, ficamos surpresos quando os funcionários começaram a questionar por que precisavam estar confinados neles.
Pesquisas indicam cada vez mais que as reais vantagens de estar juntos estão relacionadas à conexão, à colaboração e ao aprendizado, e não simplesmente a ocupar o mesmo prédio. Se isso estiver correto, o escritório bem-sucedido do futuro poderá, às vezes, parecer surpreendentemente vazio.
Talvez os líderes devam se preocupar menos em saber se os funcionários estão sentados em suas mesas e muito mais interessados no que acontece quando eles escolhem entrar pela porta.
Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Gol Anuncia André Fehlauer Como Novo CEO
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Gol Linhas Aéreas anunciou André Fehlauer como novo CEO. O executivo assume o posto no início de setembro e sucede Celso Ferrer, que estava na posição desde 2022 e deixa a companhia para assumir a presidência da Boeing para a América Latina e o Caribe.
“Ao longo de mais de 20 anos nesta companhia, tive o privilégio de crescer ao lado de pessoas extraordinárias, compartilhar desafios, superar momentos difíceis e celebrar conquistas”, diz Ferrer. “Deixo minha posição confiante de que a companhia vive um dos momentos mais promissores de sua história.”
André Fehlauer retorna à Gol, onde trabalhou anteriormente por oito anos e chegou a ser CEO da Smiles na Argentina e no Brasil.
Em sua posição mais recente, atuava como CEO da Livelo. Com mais de 30 anos de carreira, é formado em administração e também soma passagens por empresas como Citi e Credicard.
Além do novo CEO, a Gol também anunciou que Albert Perez, atual COO, assumirá responsabilidades adicionais como presidente e COO.
Perez ingressou na Gol no primeiro semestre de 2024. Soma mais de duas décadas de experiência no setor de aviação e passagens por empresas como Avianca, JetSMART e Vueling.
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5 Hábitos Matinais Que Evitam a “Sobrecarga Pré-Trabalho”

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Para milhões de profissionais, o dia de trabalho não começa ao abrir o notebook, mas no momento em que pegam o celular.
Se você se identifica com essa rotina, é provável que já cumpra um expediente inteiro antes mesmo do café da manhã: passa os olhos por uma caixa de entrada lotada, responde a notificações do Slack, checa as redes sociais e revive mentalmente a reunião difícil de ontem.
O resultado? Quando você está oficialmente “no trabalho”, já está emocionalmente esgotado.
A “sobrecarga pré-trabalho”
Este fenômeno atual — que especialistas descrevem como sobrecarga pré-trabalho — é caracterizado por ansiedade, confusão mental e fadiga emocional que se acumulam antes mesmo de o dia começar. Embora as conversas sobre esgotamento frequentemente foquem em cargas de trabalho pesadas e longas horas, o verdadeiro problema pode começar muito mais cedo: na maneira como as pessoas fazem a transição do sono para o trabalho.
“A pressão para ser produtivo deixa um número expressivo de indivíduos emocionalmente esgotados antes mesmo do expediente de fato”, explica Jackson Parsons, especialista em carreira e criador do podcast “My Duvet Flip”. “Boa parte da força de trabalho inicia o dia e reage às exigências dos outros antes de verificar a si mesma. Sua caixa de entrada não deveria ditar seu estado emocional antes das 8 da manhã.”
O método P.A.U.S.E.
Em vez de recomendar outra rotina matinal elaborada ou forçar os profissionais a acordarem às 5 da manhã, Parsons desenvolveu o que ele chama de método P.A.U.S.E. — cinco pequenos hábitos projetados para reduzir a sobrecarga mental antes de iniciar a jornada de trabalho.
P: Pouse o celular
Para grande parte da equipe, checar o celular é a primeira atividade do dia. Segundos após acordar, o cérebro é inundado com e-mails, alertas de notícias, atualizações de redes sociais, mensagens de texto e notificações.
Essa mudança imediata do descanso para o estímulo constante deixa pouca oportunidade para a mente despertar naturalmente. Adiar o uso do telefone — mesmo que por 15 ou 20 minutos — cria uma transição mais calma para o dia e reduz a sensação de estar instantaneamente “de plantão”. Em vez de permitir que as notificações determinem seus primeiros pensamentos, passe os primeiros minutos com alongamentos, prepare o café ou simplesmente permita que sua mente desperte antes de se conectar com o mundo exterior.
A: Afaste-se da sobrecarga da caixa de entrada
“O e-mail se tornou o despertador da rotina corporativa, e isso é parte do problema”, avalia Parsons. No momento em que você abre sua caixa de entrada, é confrontado com as prioridades alheias. Uma única mensagem urgente ou um pedido inesperado pode mudar o tom da manhã inteira antes mesmo da primeira refeição.
Em vez de começar o dia em um estado reativo, a recomendação é adiar a checagem de e-mails até concluir um ritual matinal simples, como vestir-se, comer ou fazer uma breve caminhada. Criar até mesmo um pequeno intervalo permite que você aborde o trabalho intencionalmente, em vez de reagir emocionalmente a qualquer coisa que caia primeiro na sua tela.
U: Uma manhã sem pressa
As manhãs modernas frequentemente parecem uma corrida contra o relógio. Inúmeros profissionais comem às pressas, rolam o feed do celular durante a escovação dos dentes, dividem a atenção entre múltiplas tarefas no café e pulam da cama para as reuniões sem um segundo para respirar.
Essa constante sensação de urgência ensina ao cérebro que o estresse é a configuração padrão. A sugestão de Parsons é desacelerar intencionalmente uma etapa da manhã. Isso não exige adicionar outra tarefa a uma agenda já lotada. Beber café sem checar o e-mail, ouvir música no momento de se arrumar, sentar-se em silêncio por cinco minutos ou fazer uma curta caminhada são atitudes que criam uma mudança psicológica. Pequenos momentos de calma ajudam a interromper o ciclo de urgência perpétua que uma parcela tão grande da força de trabalho carrega, sem perceber, para o expediente.
S: Simplifique sua lista de tarefas
Outro fator que contribui para a “sobrecarga pré-trabalho” é a saturação mental. Boa parte dos profissionais acorda e já pensa em dezenas de pendências. Quando todas as responsabilidades parecem igualmente urgentes, o cérebro tem dificuldade para priorizar, o que faz com que o dia pareça avassalador antes de iniciar.
Em vez de criar uma lista interminável logo cedo, identifique uma única prioridade significativa para a data. Saber a tarefa que mais importa proporciona clareza, reduz a fadiga de decisão e faz com que todo o resto pareça mais gerenciável. “Nossos cérebros gostam de certeza”, diz Parsons. “Eles não gostam de caos.” Pesquisas comprovam que as incertezas inevitáveis da vida profissional despertam instantaneamente nossas reações de luta ou fuga e impactam diretamente a saúde mental.
E: Entre gradualmente no modo de trabalho
O trabalho remoto e híbrido eliminou uma transição antes considerada garantida por todos: o deslocamento. Embora o trajeto tivesse desvantagens óbvias, ele fornecia um limite psicológico entre a vida em casa e o trabalho. Hoje, equipes inteiras vão diretamente da cama para o laptop em questão de minutos, sem tempo para a mente “mudar de marcha”.
Criar um breve ritual de transição ajuda a restaurar esse limite. Seja dar uma caminhada, preparar um café antes de abrir a caixa de mensagens, trocar de roupa, arrumar a mesa ou ouvir um podcast, rotinas consistentes sinalizam para o cérebro a hora exata de trabalhar. Sem elas, a profissão começa a parecer uma invasão em todos os cantos da sua vida familiar.
Pequenas mudanças previnem problemas maiores
Várias pesquisas ressaltam quão disseminado o estresse no trabalho se tornou atualmente. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio relata que quase metade dos americanos vivencia o estresse pelo menos uma vez por semana, enquanto um em cada seis o enfrenta diariamente. Outra pesquisa da empresa financeira Clarify Capital revela que 28% dos profissionais esgotados planejam ativamente deixar seus empregos.
O estresse corporativo nem sempre é causado por grandes cargas de trabalho. Às vezes, ele é amplificado pela forma como você se prepara — ou não se prepara — para o dia. O método P.A.U.S.E. não trata de maximizar a produtividade ou espremer mais realizações na sua manhã. Trata-se de reduzir a carga cognitiva e emocional desnecessária.
Para os empregadores, fica o lembrete de que o bem-estar da equipe começa muito antes da primeira reunião. Para os funcionários, o recado é simplificar. Existem 1.440 minutos em um dia. Praticar microrrespostas de cinco minutos a cada manhã reinicia a sua mente, diminui o estresse e ajuda você a começar o expediente com o pé direito. Além disso, você ainda terá 1.435 minutos restantes para fazer todo o resto.
“A maioria das pessoas não precisa otimizar suas manhãs. Elas simplesmente precisam parar de começar todos os dias no modo de sobrevivência”, resume Parsons. Quando você inicia o dia centrado em vez de sobrecarregado, a probabilidade de trazer foco, resiliência e equilíbrio emocional para o trabalho é imensamente maior.
*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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