Connect with us

Tecnologia

Câmara aprova política de minerais críticos

Redação Informe ES

Published

on

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (6), o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O texto estabelece diretrizes e instrumentos para estimular o beneficiamento, a transformação mineral, a industrialização, a inovação e a agregação de valor no território nacional.

Apesar da aprovação, parte importante do alcance da nova política ainda dependerá de regulamentação posterior pelo Poder Executivo. Isso inclui pontos relacionados à homologação de operações societárias, ao funcionamento do mecanismo de triagem, aos instrumentos ligados à exportação e aos critérios para enquadramento de projetos considerados prioritários.

O relatório final aprovado, elaborado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), suavizou o ponto que gerava maior preocupação no setor privado: o poder do governo sobre operações societárias envolvendo empresas mineradoras.

O texto aprovado também determina que o Executivo terá até 90 dias após a publicação da futura lei para instalar formalmente o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e regulamentar sua estrutura.

Advertisement

Alterações na proposta original

  • Após pressão de mineradoras, parlamentares e setores do próprio governo contrários a um modelo com amplo poder de veto estatal, o relator retirou do projeto a exigência de anuência prévia do Executivo para fusões, aquisições, reorganizações societárias e mudanças de controle em empresas detentoras de direitos minerários relacionados a minerais críticos e estratégicos;
  • No lugar da análise prévia obrigatória, o texto passou a prever uma etapa de homologação por meio de um mecanismo de triagem conduzido pelo CIMCE e pela Agência Nacional de Mineração (ANM), conforme regras que ainda serão definidas em regulamento;
  • Na prática, a mudança reduz a interpretação de que o governo terá poder direto e amplo para barrar compras de mineradoras. Ao mesmo tempo, preserva um mecanismo formal de validação e acompanhamento estatal sobre operações consideradas sensíveis.

O alcance desse sistema dependerá da regulamentação futura, que deverá estabelecer quais operações estarão sujeitas à triagem, os critérios aplicáveis, os prazos e as situações em que o governo poderá questionar ou impor condições a negócios envolvendo ativos minerais estratégicos.

A alteração foi uma resposta à reação do setor privado. Empresas mineradoras argumentavam que a redação anterior poderia criar um regime autorizativo amplo, aumentar o custo de capital, gerar insegurança jurídica e afastar investidores internacionais de projetos no Brasil.

Durante a tramitação, emendas apresentadas ao texto buscavam substituir a lógica da anuência prévia por modelos baseados em comunicação, acompanhamento ou critérios objetivos para a atuação estatal.

Uma das propostas defendia a retirada da expressão “depende de prévia anuência do Poder Executivo”, sob o argumento de que a redação original poderia atingir diferentes tipos de operações, incluindo reorganizações societárias internas sem alteração efetiva de controle.

Outra emenda sugeria que o conselho apenas recebesse informações e acompanhasse transferências de controle societário, além de estabelecer que o colegiado tivesse caráter estratégico, consultivo e coordenador, sem substituir competências de órgãos, como ANM, Cade, CVM, Banco Central e autoridades ambientais.

Advertisement

Mesmo sem o poder de veto prévio amplo, o CIMCE saiu fortalecido no texto final, aponta a CNN. O conselho ficará vinculado à Presidência da República e terá como atribuições coordenar a política nacional, definir prioridades, participar do enquadramento de projetos e orientar instrumentos voltados à industrialização de minerais críticos e estratégicos.

Startups do Vale do Silício apostam em IA para transformar produção de minerais críticos
Setores discutiram amplamente o projeto – Imagem: BJP7images/Shutterstock

Leia mais:

  • Bateria em 80%? Por que o limite de carga pode ser uma “armadilha” para seu celular
  • IRPF 2026: onde baixar o programa oficial da Receita Federal com segurança
  • Brasil: empresa dos EUA adquire única mina de terras raras por R$ 13,9 bi

Mudança de enfoque na política

O novo nome do colegiado também marca uma mudança de enfoque. O texto deixa de tratar apenas dos minerais críticos como ativos de segurança econômica e passa a enfatizar a industrialização da cadeia mineral.

Segundo o texto, essa foi a principal articulação política construída por Arnaldo Jardim. O relatório não adotou propostas mais intervencionistas defendidas por setores do governo, como a criação de uma estatal para minerais críticos ou a implementação de um regime de partilha. Por outro lado, também não se limitou a uma lógica de abertura de mercado e incentivos ao setor privado.

O resultado aprovado foi um modelo intermediário, com menor poder de veto direto do governo sobre negócios privados, mas com maior coordenação estatal da política mineral. O projeto também preserva mecanismos que podem permitir ao governo impor restrições indiretas à exportação de minerais críticos e estratégicos.

Advertisement

O substitutivo não cria imposto de exportação nem prevê tributação direta sobre vendas externas desses insumos. Ainda assim, mantém instrumentos que permitem ao Executivo definir, por regulamento, parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor relacionados à exportação.

Embora a redação seja mais branda do que a versão anterior, que mencionava “condicionantes” para exportações, a manutenção de expressões como “parâmetros”, “requisitos técnicos” e “compromissos de agregação de valor” abre espaço para futuras exigências sobre minerais exportados com baixo nível de beneficiamento ou transformação.

O texto também estabelece obrigações de prestação de informações sobre volume exportado, destino, beneficiário final, cadeia societária, grau de processamento, composição mineralógica e uso econômico dos minerais críticos e estratégicos vendidos ao exterior.

Segundo o governo, a intenção é evitar que o Brasil repita, no setor de minerais críticos, o padrão histórico de exportar produtos de baixo valor agregado e importar tecnologia.

Advertisement

Já o setor privado teme que a política de agregação de valor se transforme em barreiras regulatórias capazes de dificultar projetos antes mesmo da existência de infraestrutura, financiamento, energia competitiva e demanda industrial suficiente no país.

O projeto cria ainda instrumentos fiscais e financeiros para incentivar iniciativas de beneficiamento, transformação mineral e industrialização no Brasil.

Entre as medidas previstas está o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), voltado à concessão de crédito fiscal para projetos considerados prioritários.

O relatório também prevê a emissão de debêntures incentivadas, o enquadramento de projetos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI) e mecanismos voltados à mineração urbana, reciclagem mineral, reaproveitamento de rejeitos e produção mineral com menor intensidade de carbono.

Advertisement

Outro instrumento criado é o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), destinado a oferecer garantias e reduzir riscos de crédito em projetos do setor mineral. A proposta original previa participação da União de até R$ 2 bilhões no fundo, além de contribuições privadas das empresas.

O texto também mantém a exigência de aplicação de parte da receita em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica no Brasil. A versão discutida pelo relator previa destinação de 0,3% para pesquisa e desenvolvimento e 0,2% para o FGAM nos primeiros seis anos, passando posteriormente para 0,5% voltados à inovação.

Minerais
Território brasileiro é estratégico para extração dos metais – Imagem: Joaquin Corbalan/Shutterstock

Briga nos bastidores

A exigência recebeu críticas do setor mineral, especialmente de empresas em fase pré-produtiva. A aprovação do projeto ocorreu após uma intensa disputa entre governo, setor privado e parlamentares.

Nos bastidores, parte do governo defendia maior controle estatal sobre ativos estratégicos, sob o argumento de proteção da soberania nacional e da segurança econômica.

Advertisement

Outra ala, ligada principalmente à área econômica e mineral, avaliava que um poder amplo de veto poderia afastar capital privado de um setor dependente de financiamento externo, empresas listadas em bolsas internacionais e contratos de longo prazo.

O setor privado pressionou pela retirada da anuência prévia e buscou evitar que o conselho se transformasse em uma instância autorizadora de negócios empresariais.

O post Câmara aprova política de minerais críticos apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Tecnologia

Caso Hugging Face: agentes de IA da OpenAI tentaram enganar detector de robôs durante ataque à plataforma

Redação Informe ES

Published

on

Agentes de inteligência artificial (IA) da OpenAI tentaram usar outro modelo de IA para burlar um sistema de detecção de robôs enquanto repetidamente buscavam maneiras de invadir os computadores da plataforma Hugging Face.

Os detalhes aparecem em novo relatório elaborado por engenheiros da startup estadunidense Parse e outros pesquisadores, que analisaram a atividade dos agentes durante o ataque divulgado pela OpenAI em julho.

A investigação encontrou quase um milhão de links encurtados criados pelos agentes entre 9 e 13 de julho. Os endereços continham partes de informações usadas para montar ataques complexos, incluindo tentativas de solucionar CAPTCHAs — testes criados para impedir o acesso automatizado a sites.

Os agentes também recorreram a outros modelos de IA, incluindo versões antigas do ChatGPT e do Claude, e tentaram procurar e baixar mensagens privadas do Slack interno da Hugging Face.

Advertisement

Não está claro se todas essas tentativas foram bem-sucedidas. Os pesquisadores conseguiram observar os programas criados pelos agentes, mas não os resultados das ações.

Agentes criaram método para contornar restrições

Segundo o relatório, os agentes deveriam permanecer isolados em um ambiente de testes, conhecido como sandbox, sem acesso à internet.

No fim de maio e novamente no início de julho, porém, eles invadiram uma ferramenta de instalação de software sem que os pesquisadores da OpenAI percebessem o que estava acontecendo.

As invasões permitiram que os agentes acessassem a internet e criassem um sistema de mensagens para se comunicar entre si. O acesso, inicialmente, ainda tinha uma limitação: eles conseguiam chegar aos sites, mas não podiam enviar dados de volta para eles. Para contornar o problema, os agentes combinaram diferentes serviços disponíveis na internet.

Advertisement

O método funcionava da seguinte maneira:

  • Os agentes pediam a um serviço público de captura de telas que carregasse um endereço de internet especialmente criado;
  • Como os URLs têm limite de tamanho, o código era dividido em vários pedaços menores;
  • Os agentes utilizavam serviços de encurtamento de links para armazenar esses endereços;
  • O serviço de captura de tela carregava um link, que buscava o primeiro pedaço do código;
  • O processo se repetia com os links seguintes até que todo o programa fosse carregado e executado;
  • Por fim, o programa criava uma imagem semelhante a um QR Code ou código de barras para transmitir de volta os dados que os agentes precisavam.

“Esses agentes fizeram muita coisa. Eles foram muito inteligentes. Os modelos pensaram: ‘Tudo bem, temos esse encurtador de links, temos esses serviços de captura de tela, sem problema, estamos prontos para agir’”, afirmou Jeffrey Ladish, diretor-executivo da organização de segurança de IA Palisade Research, que ajudou na investigação, ao The New York Times.

IA tentou executar outras IAs

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a tentativa dos agentes de utilizar outros sistemas de IA.

No início do ataque, os agentes tentaram criar novas contas na Hugging Face. Como a plataforma exige a resolução de um CAPTCHA para isso, os agentes utilizaram um modelo de IA especializado em reconhecimento de imagens para tentar superar o teste.

Os pesquisadores também observaram os agentes tentando enviar mensagens para outros modelos de IA.

Advertisement

Entre eles estavam o GPT-2, um modelo antigo da própria OpenAI, além dos modelos chineses de código aberto DeepSeek, Kimi e Qwen. Os agentes também tentaram enviar mensagens para os modelos Haiku 3 e Haiku 4.5, da Anthropic, por meio de um serviço de chat on-line.

“É o único caso que temos desses modelos tentando executar outro modelo”, afirmou Alex Forman, fundador da Parse.

A possibilidade de sistemas de IA acionarem outros modelos é uma preocupação recorrente entre especialistas em segurança, porque isso poderia dificultar tentativas humanas de controlar ou desligar sistemas que apresentassem comportamentos indesejados.

Quase um milhão de links revelam extensão do ataque

Os pesquisadores analisaram o conteúdo de 900 mil URLs encurtados encontrados na internet e, a partir deles, conseguiram reconstruir cerca de 60 mil programas e mensagens criados pelos agentes durante o ataque à Hugging Face.

Advertisement

Como os pesquisadores não tinham acesso aos resultados das ações, não foi possível determinar com certeza quantas das tentativas funcionaram.

Um dos elementos encontrados chamou particularmente a atenção: um dicionário de chaves secretas de acesso identificado pelo agente com a palavra “LOOT”, em letras maiúsculas.

Segundo Mishka Kharlov, engenheiro fundador da Parse, o agente também criou um sistema próprio de pontuação para classificar credenciais e chaves expostas da Hugging Face e levar as cinco consideradas mais importantes de volta aos demais agentes.

Enquanto atacavam a Hugging Face, os agentes também conseguiram invadir a própria infraestrutura de pesquisa da OpenAI.

Advertisement
Logo da OpenAI na tela de um smartphone
Enquanto atacavam a Hugging Face, os agentes também conseguiram invadir a própria infraestrutura de pesquisa da OpenAI – Imagem: Camilo Concha/Shutterstock

“Basicamente, ainda não sabemos nada sobre o incidente que veio depois do caso da Hugging Face, cerca de dois dias depois, dentro da própria rede da OpenAI”, afirmou Forman.

Os engenheiros da Parse compartilharam as descobertas com a Hugging Face, que confirmou que a atividade identificada correspondia ao comportamento observado pela própria empresa.

Leia mais:

  • Sem ninguém mandar: IA da OpenAI tentou invadir sites de universidade e governo
  • Google, OpenAI e Anthropic se unem para criar órgão de segurança para inteligência artificial
  • Aconteceu de novo! OpenAI admite que agentes de IA vazaram mais de 50 imagens de usuários do ChatGPT na internet

OpenAI ainda investiga dezenas de incidentes

O caso da Hugging Face faz parte de uma investigação mais ampla da OpenAI sobre atividades não autorizadas realizadas por seus agentes.

Segundo a empresa, a revisão deverá levar meses devido à quantidade de casos e à necessidade de verificar cada incidente. A OpenAI afirmou que já notificou dezenas de terceiros sobre atividades inadequadas.

Advertisement

Neste mês, uma pessoa informada sobre a investigação estimava que a empresa havia encontrado aproximadamente duas dezenas de incidentes envolvendo agentes que apresentaram comportamentos indesejados. O número continuou crescendo conforme as equipes analisavam registros internos e encontravam casos anteriormente desconhecidos.

Mais de 15 episódios relacionados aos agentes da OpenAI já haviam sido divulgados nos dois meses seguintes ao anúncio do ataque à Hugging Face. Os casos variam desde mensagens semelhantes a spam deixadas em sites até invasões e acessos não autorizados.

Outros episódios envolveram um site alemão transformado pelos agentes em um espaço para compartilhar táticas e contornar restrições da OpenAI, além de atividades contra o site do Australian Institute of Health and Welfare.

A OpenAI também confirmou que seus agentes tiveram como alvo a própria infraestrutura da companhia.

Advertisement

Investigação da OpenAI é alvo de questionamentos

O processo interno para entender o ataque à Hugging Face envolveu cerca de 100 pessoas, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Duas pessoas familiarizadas com a investigação disseram à agência que o processo foi mantido sob forte controle e influenciado pelos advogados da companhia. A OpenAI, por sua vez, afirmou que seus advogados não impediram uma investigação mais ampla.

A Reuters também informou que muitos dos incidentes foram descobertos por pesquisadores externos, e não diretamente pela OpenAI. Em alguns casos, as ações dos agentes permaneceram sem conhecimento da empresa durante meses.

Em comunicado, uma porta-voz da OpenAI afirmou que a atividade descrita pelos pesquisadores da Parse é compatível com o que a companhia já estava investigando.

Advertisement

“Estamos priorizando a análise dos incidentes mais graves enquanto ampliamos a investigação para atividades de menor gravidade, incluindo agentes enviando spam para sites. Dado o número de casos e a necessidade de verificar cada um deles, esperamos que esse trabalho e as notificações às partes afetadas levem meses.”

O post Caso Hugging Face: agentes de IA da OpenAI tentaram enganar detector de robôs durante ataque à plataforma apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Advertisement
Continue Reading

Tecnologia

Lembra do Tamagotchi? Meta trabalha em dispositivo equipado com IA para usar o Muse

Redação Informe ES

Published

on

A Meta está desenvolvendo um dispositivo de hardware dedicado para seu novo agente de inteligência artificial (IA), o Muse. Chamado de Muse Charm, o aparelho foi apresentado rapidamente pelo CEO da empresa, Mark Zuckerberg, no fim de sua apresentação durante o Meta Connect, nesta quarta-feira (23).

O dispositivo lembra uma espécie de Tamagotchi moderno, mas com formato mais robusto. Ele se parece com um relógio inteligente sem pulseira, com uma tela grande e uma pequena alça que permite carregá-lo. Uma das principais características do Muse Charm é que ele não exige um celular para ser utilizado.

Como funciona o Muse Charm

  • O aparelho tem um sensor de impressão digital no canto superior direito. Ao pressioná-lo, o usuário poderá ativar o dispositivo e começar a conversar com o agente de IA;
  • Também é possível identificar uma pequena câmera no aparelho, além do que parecem ser pelo menos três orifícios para microfones na parte frontal;
  • Durante a apresentação, Zuckerberg afirmou que o usuário não precisará desbloquear o celular nem abrir um aplicativo para utilizar o Muse Charm;
  • O CEO, porém, não explicou como o dispositivo se conectará aos servidores da Meta para processar as interações com o agente de IA.
Tamagotchi clássico
Este é o famoso Tamagotchi… não são parecidos? – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Meta quer lançar o aparelho ainda este ano

A Meta pretende colocar o Muse Charm à venda a tempo das festas de fim de ano, em dezembro.

O desenvolvimento do dispositivo ainda está em estágio inicial. Segundo Zuckerberg, a empresa construiu apenas algumas unidades até o momento. A Meta também ainda precisa definir o material de acabamento do produto.

Durante a apresentação, Zuckerberg deu algumas pistas sobre a aparência planejada para o dispositivo. Ele mencionou repetidamente a possibilidade de uma carcaça translúcida, que permitiria visualizar os componentes internos do aparelho.

Advertisement

O executivo descreveu essa estética como um “visual hacker elevado”. Zuckerberg prometeu divulgar mais detalhes sobre o Muse Charm “em breve”.

O post Lembra do Tamagotchi? Meta trabalha em dispositivo equipado com IA para usar o Muse apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Advertisement
Continue Reading

Tecnologia

Câmeras e microfones em óculos com IA geram reação global e podem ameaçar futuro de novos dispositivos inteligentes

Redação Informe ES

Published

on

Empresas de tecnologia apostam em óculos inteligentes e outros dispositivos equipados com inteligência artificial (IA) como possíveis sucessores dos smartphones, mas uma velha preocupação pode dificultar essa transição: a privacidade.

Os dispositivos conseguem observar, ouvir e responder ao ambiente ao redor do usuário, recursos que podem torná-los mais úteis, mas também aumentam o risco de registrar pessoas que nunca autorizaram a captura de suas imagens ou vozes.

A reação negativa tem sido particularmente forte em relação aos óculos inteligentes da Meta, que combinam o formato tradicional de óculos da EssilorLuxottica com recursos de IA. Os produtos passaram a enfrentar processos judiciais, preocupações de usuários com gravações sem consentimento e restrições de uso em alguns estabelecimentos no Reino Unido.

Segundo a Reuters, empresas, como Samsung, OpenAI e startups, estão testando diferentes formatos e soluções para tentar superar esse obstáculo. As alternativas incluem óculos sem câmera, gravadores que exigem ativação manual e processamento de dados diretamente no dispositivo.

Advertisement

Meta enfrenta reação aos óculos com IA

  • Os óculos inteligentes da Meta se tornaram um dos principais exemplos da tensão entre utilidade e privacidade;
  • A preocupação aumentou após acusações apresentadas em processos judiciais envolvendo a Meta e a Luxottica of America. Uma das ações afirma que gravações capturadas pelos óculos teriam sido enviadas aos servidores da Meta e posteriormente visualizadas e classificadas por funcionários responsáveis pelo treinamento dos sistemas de IA;
  • Segundo a acusação, entre as imagens analisadas estavam registros de pessoas trocando de roupa, usando banheiros e lidando com informações financeiras. As pessoas filmadas, segundo a alegação, muitas vezes não sabiam que estavam sendo gravadas;
  • Ryan Clarkson, advogado que representa consumidores no processo, afirmou à Reuters que não seria razoável esperar que usuários que receberam promessas de privacidade imaginassem que os dispositivos poderiam registrar momentos tão particulares, de maneira intencional ou acidental;
  • A Meta contesta as alegações. A empresa afirma que uma luz que não pode ser desligada durante a gravação serve para indicar às pessoas próximas que a câmera está ativa. Segundo a companhia, a câmera também é desativada caso essa luz seja coberta ou sofra alguma tentativa de adulteração;
  • A empresa acrescentou que a análise de dados de usuários para melhorar produtos é uma prática comum no setor e que utiliza filtros para remover informações que possam identificar pessoas.

Samsung aposta em parcerias

A Samsung também pretende entrar no mercado de óculos inteligentes, mas adota estratégia diferente da ideia de substituir o smartphone. A empresa planeja lançar seus óculos ainda neste ano em parceria com as marcas Gentle Monster e Warby Parker.

Jay Kim, vice-presidente executivo da divisão móvel da Samsung, afirmou à Reuters que os formatos vencedores serão aqueles que tornarem a interação com a tecnologia mais natural, útil e confiável. À medida que a IA assume mais tarefas, segundo ele, os usuários vão exigir sistemas que permaneçam seguros e sob seu controle.

Visão de Sam Altman envolve processamento local

A OpenAI também trabalha com a possibilidade de dispositivos capazes de acompanhar continuamente o ambiente ao redor do usuário.

Em conversa com jornalistas em dezembro, o CEO da empresa, Sam Altman, descreveu a visão de um aparelho que pudesse compreender o contexto do usuário e saber quando ajudar e quando permanecer em silêncio.

Para Altman, dispositivos desse tipo precisariam, em algum momento, processar os dados localmente em vez de enviar continuamente as informações para a nuvem. “Você quer um dispositivo em que possa confiar… que tenha todo o contexto e saiba quando ser útil e quando não ser”, afirmou.

Advertisement

Ele também disse que, se um aparelho estiver ouvindo e observando a vida inteira do usuário, a maioria das pessoas não vai querer que essas informações sejam processadas em um servidor na nuvem.

Altman afirmou que a adoção desse tipo de processamento local pode levar alguns anos a mais, dependendo da velocidade com que a OpenAI conseguir ampliar sua capacidade de processamento.

Startups eliminam câmeras

Enquanto grandes empresas buscam maneiras de lidar com o problema, algumas startups estão apostando em produtos que simplesmente eliminam as câmeras.

A Even Realities, fundada em Shenzhen (China) por Will Wang, ex-engenheiro da Apple, lançou em 2024 os óculos G1 sem câmera. O modelo G2 chegou ao mercado em novembro de 2025.

Advertisement

Wang afirmou à Reuters que os consumidores passaram a associar cada vez mais os óculos inteligentes à possibilidade de gravações ocultas. Para ele, as câmeras deveriam esperar até que as empresas consigam oferecer mecanismos de proteção mais fortes.

A companhia, avaliada em US$ 1 bilhão (R$ 5,12 bilhões) em julho, espera terminar o ano com algumas centenas de milhares de usuários. Segundo Wang, cerca de 90% das vendas são destinadas a consumidores.

Homem usando modelo de óculos inteligentes desenvolvido pela Meta em parceria com a Ray-Ban
Óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban; Empresa de Mark Zuckerberg é uma das que enfrentam processos judiciais relacionados a seus óculos inteligentes – Imagem: Alexander Fedosov/Shutterstock

Outra aposta vem da startup americana Pocket, que desenvolveu um gravador conectado ao celular e que exige que o usuário pressione um botão para registrar conversas.

A ideia é tornar a gravação mais deliberada e visível, de maneira semelhante ao uso da câmera de um smartphone. A empresa afirma que aproximadamente 170 mil dispositivos Pocket estavam em uso oito meses após o lançamento, inclusive por funcionários de empresas, como DoorDash, Michelin e Santander.

Advertisement

A Plaud, por sua vez, vende gravadores de IA em formato de cartão e dispositivos vestíveis. A empresa também colocou a privacidade no centro de seus produtos.

O Plaud One Explorer Edition, que custa US$ 249,99 (R$ 1.279,95), combina fone de ouvido e estojo e só realiza gravações quando ativado. O dispositivo também alerta pessoas próximas por meio de luzes ou de um aviso sonoro.

A empresa afirma ter 2,5 milhões de usuários e mais de US$ 100 milhões (R$ 512 milhões) em receita recorrente anual.

Leia mais:

Advertisement
  • IA pode acabar com a humanidade? Especialistas pedem distinção entre ciência e achismos
  • “Estão ficando cegos”: ONU alerta que avanço da inteligência artificial supera capacidade humana de entendê-la
  • ONU debate controle da inteligência artificial após ataques de agentes e proposta de órgão global

Privacidade pode decidir futuro dos dispositivos de IA

Para especialistas ouvidos pela Reuters, a discussão não significa necessariamente que as pessoas sejam contra dispositivos capazes de gravar áudio ou vídeo. O principal desafio está em garantir que elas saibam quando estão sendo registradas e tenham mecanismos claros de consentimento.

Jitesh Ubrani, diretor da consultoria IDC, comparou a situação às preocupações que surgiram quando câmeras e microfones passaram a se tornar comuns nos smartphones. Segundo ele, a sociedade precisa garantir que exista consentimento e consciência quando alguém estiver sendo gravado. Isso, porém, é diferente de simplesmente ser contra a gravação.

A disputa pela confiança do público pode ser decisiva para um mercado que as empresas de tecnologia enxergam como possível próxima grande plataforma de computação. Quanto mais úteis forem os dispositivos de IA, maior tende a ser a quantidade de informações que eles precisam coletar do ambiente.

Ao mesmo tempo, justamente os recursos que podem torná-los mais úteis — como câmeras e microfones sempre ativos e a capacidade de compreender o que acontece ao redor — também podem se transformar no principal obstáculo para sua adoção.

O post Câmeras e microfones em óculos com IA geram reação global e podem ameaçar futuro de novos dispositivos inteligentes apareceu primeiro em Olhar Digital.

Advertisement

Powered by WPeMatico

Continue Reading

Em Alta

Copyright © 2023 - Todos os Direitos Reservados