Tecnologia
Cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua: e o Brasil pode ser afetado

O conceito de geração de energia está prestes a passar por uma revolução extraordinária que parece ter saído das telas de cinema. Cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua, um projeto ambicioso que pode alterar significativamente a matriz energética global. Essa inovação, conhecida como Luna Ring, tem potencial para fornecer energia contínua e limpa, e as implicações dessa tecnologia podem trazer consequências importantes para o futuro energético de várias nações, incluindo as sul-americanas.
Como os cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua?
A ideia central do projeto Luna Ring, segundo dados divulgados pela Shimizu Corporation, envolve a instalação de uma vasta infraestrutura no satélite natural da Terra. O projeto conceitual prevê que a construção do anel utilizará materiais abundantes no próprio solo lunar. Isso representa um avanço monumental em engenharia espacial, reduzindo a necessidade de transportar recursos a partir da superfície terrestre, o que tornaria a empreitada economicamente inviável.
Para que cientistas japoneses construirão um anel ao redor da Lua, a execução do projeto demandará a utilização intensa de maquinário autônomo e sistemas robóticos de última geração. A ideia é criar uma faixa contínua de painéis solares ao redor do equador lunar, captando a luz do Sol ininterruptamente e convertendo-a em energia utilizável.
🚀 Exploração e Preparo: Envio de robôs para mapear o equador lunar e preparar o terreno para a construção.
🏭 Instalação e Montagem: Construção dos painéis solares e da infraestrutura de transmissão usando recursos locais.
📡 Transmissão de Energia: Início do envio de energia para as estações receptoras espalhadas pela Terra.
De que forma a energia lunar chegará até o nosso planeta?
O processo de transmissão de energia do espaço para a Terra é um dos pilares mais complexos do projeto Luna Ring. A energia solar captada pelas estruturas lunares será convertida em feixes de micro-ondas ou lasers de alta densidade. Esses feixes serão então direcionados com extrema precisão para as antenas receptoras posicionadas em áreas estratégicas do globo terrestre.
As chamadas rectenas, antenas gigantescas projetadas para captar essas ondas, farão o trabalho de converter a energia recebida de volta em eletricidade utilizável. Essa tecnologia busca garantir uma transmissão eficiente e contínua, superando as limitações da geração de energia solar terrestre, que depende de fatores climáticos e do ciclo dia e noite.
- Captação ininterrupta de luz solar devido à ausência de atmosfera e nuvens na Lua.
- Conversão da energia solar em feixes de micro-ondas ou laser direcional.
- Transmissão espacial dos feixes de energia diretamente para o planeta Terra.
- Recepção em antenas gigantes (rectenas) e conversão em eletricidade para a rede.

Por que o território brasileiro seria estratégico para este sistema global?
A recepção eficaz da energia vinda do espaço requer a instalação de infraestruturas massivas, e é nesse ponto que as dimensões continentais do país se tornam vantajosas. O Brasil possui vastas áreas territoriais que poderiam ser destinadas à construção das gigantescas antenas receptoras (rectenas), necessárias para captar a energia transmitida pelo anel lunar.
Além da extensão territorial, a localização geográfica brasileira oferece uma posição privilegiada para a recepção dos feixes de energia. A combinação desses fatores faz com que o país possa se tornar um polo crucial no recebimento e distribuição dessa energia limpa, o que poderia redefinir sua importância na geopolítica energética global.
| Característica | Vantagem para o Sistema |
|---|---|
| Extensão Territorial | Amplo espaço para a construção segura de múltiplas rectenas de grande escala. |
| Localização Geográfica | Posicionamento favorável para receber os feixes de energia vindos do equador lunar. |
| Demanda Energética | Capacidade de absorver e distribuir grandes quantidades de energia limpa gerada. |
Quais os principais desafios para transformar essa ficção científica em realidade?
A concretização do projeto esbarra em obstáculos monumentais de engenharia e logística. O transporte de materiais iniciais, a montagem autônoma da infraestrutura e o desenvolvimento tecnológico de sistemas de transmissão eficientes representam desafios sem precedentes. A viabilidade econômica a longo prazo também precisa ser rigorosamente comprovada para atrair os investimentos necessários.
Outro fator crítico envolve a segurança da transmissão da energia por micro-ondas através da atmosfera terrestre. É preciso garantir que os feixes não interfiram em sistemas de comunicação, navegação aeronáutica ou causem impactos ambientais. As questões regulatórias internacionais sobre o uso do espaço também demandarão acordos diplomáticos complexos.
Quais impactos essa inovação traria para o mercado de energia elétrica brasileiro?
A possibilidade de receber energia abundante e contínua do espaço poderia promover uma redução drástica nos custos da eletricidade. Com a diminuição da dependência de hidrelétricas e termelétricas, a matriz energética nacional se tornaria mais estável, mitigando o risco de crises geradas por eventos climáticos adversos, como secas prolongadas.
Além disso, o país poderia experimentar um salto tecnológico significativo ao integrar essas novas infraestruturas. O desenvolvimento de expertise local na manutenção e operação dessas rectenas geraria novos empregos especializados, impulsionando a inovação no setor de infraestrutura energética nacional a níveis sem precedentes.
Leia mais:
- O projeto do Japão para criar uma chuva de meteoros artificial
- O segredo do Japão para manter a casa em ordem sem esforço
- Por que os japoneses penduram toalhas molhadas no quarto?
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Olhar do Amanhã: Brasil tem condições de criar uma IA nacional?
Na divulgação do modelo Rio Open 3.5, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, afirmou que a “inteligência artificial não é uma coisa distante, estrangeira”.
O caso envolvendo o Rio Open 3.5 surge em um cenário de domínio das IAs pelos países mais ricos e de discussões sobre a “tropicalização” desses modelos. Mas o que isso significa na prática?
Esse episódio mostra que o Brasil ainda não é competitivo em modelos fundacionais? E quais seriam os caminhos para superar essa limitação?
O assunto é tema de hoje na coluna Olhar do Amanhã, com o doutor Álvaro Machado Dias, professor da UNIFESP, neurocientista, futurista e colunista do Olhar Digital News. Confira!
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Google contesta decisão histórica sobre responsabilidade por conteúdo de IA

A Alphabet, empresa-mãe do Google, anunciou, nesta sexta-feira (12), que irá recorrer de uma decisão judicial alemã que considerou a empresa legalmente responsável por alegações falsas que aparecem nos Resumos de IA (AI Overviews), uma funcionalidade que exibe sumários gerados por inteligência artificial (IA) acima dos resultados tradicionais de busca.
Decisão judicial contra o Google marca precedente importante
- O tribunal de Munique (Alemanha) emitiu uma decisão histórica contra os resumos gerados por IA do Google, determinando que o AI Overviews constitui conteúdo próprio da empresa;
- Esta decisão pode impactar significativamente outros desenvolvedores de inteligência artificial;
- “Este caso foca em erros específicos e pontuais, não na forma fundamental como o AI Overviews exibe conteúdo da web. Discordamos da decisão e planejamos recorrer”, disse um porta-voz do Google por e-mail à Reuters;
- O processo foi movido por duas editoras alemãs que alegaram que os Resumos de IA falsamente as vincularam a golpes e práticas comerciais duvidosas;
- A empresa reconhece que, embora a grande maioria dos AI Overviews seja precisa, podem ocorrer casos em que os resumos perdem contexto ou interpretam mal o conteúdo da web.

Leia mais:
- Google permitirá que sites parem de aparecer nos resultados de busca com IA
- 6 funções do Google que todo mundo precisa testar
- Sua pesquisa no Google pode ter como resposta comentários em rede social
Impactos na indústria de conteúdo
A integração de IA nos resultados de busca online do Google tem gerado críticas de editores e provedores de conteúdo, que afirmam que isso afetou negativamente seu tráfego, audiência e receita. Reguladores antitruste também estão investigando a questão.
O Google afirmou que toma ações rápidas contra violações de suas políticas para AI Overviews e que está comprometido em melhorar continuamente a precisão da tecnologia.
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Astrônomos descobrem ventos de buraco negro rápidos como forte furacão

Astrônomos identificaram um quasar distante — ou núcleo ativo de uma galáxia — alimentado por um buraco negro supermassivo que lança ventos em uma velocidade recorde de 30% da velocidade da luz, o equivalente a cerca de 323 milhões km/h. Segundo os pesquisadores, trata-se do vento de buraco negro mais rápido já observado especificamente em comprimentos de onda ultravioleta.
O objeto, chamado J2318, abriga um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a massa do Sol e está localizado a cerca de três bilhões de anos-luz da Terra. Embora essa seja uma massa considerada bastante típica para um buraco negro supermassivo, a velocidade dos ventos observados está longe de ser comum, afirmou Patrick Hall, pesquisador da Universidade de York (Canadá) e integrante da equipe.
“Em termos de velocidade, o vento deste quasar poderia ser chamado de um furacão categoria 79”, disse Lucas Seaton, líder do estudo e pesquisador da Universidade de York, em comunicado. “Cada categoria de furacão é cerca de 20% mais rápida do que a categoria abaixo. Chamar isso de categoria 79 dá uma ideia de quão rápido ele é, mas, é claro, esse vento é diferente de tudo o que existe na Terra.”
A origem desses ventos está no comportamento dos quasares. As galáxias grandes são consideradas lar de um buraco negro supermassivo em seus centros, com massas de milhões ou até bilhões de vezes a do Sol.
Mas nem todos esses gigantes cósmicos alimentam quasares ou emitem ventos tão potentes. Os quasares surgem quando esses buracos negros centrais são cercados por enormes quantidades de gás e poeira, chamadas de discos de acreção, que os alimentam gradualmente.
Leia mais:
- O que é um buraco negro?
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“Ventos” de buraco negro?
- Como essas massas colossais geram forças gravitacionais intensas, os discos de acreção também sofrem fortes forças de maré, que produzem atrito e fazem o sistema brilhar intensamente em todo o espectro eletromagnético. Essa radiação também empurra matéria para longe dos discos, sob a forma de intensos “ventos” de buraco negro.
- “Nos quasares, muitas vezes vemos ventos de gás empurrados para longe do buraco negro pela luz do quasar”, disse Seaton. “O vento em J2318 pode ser visto em comprimentos de onda ultravioleta, com velocidades de até 30% da velocidade da luz. Ventos ainda mais rápidos podem ser vistos em comprimentos de onda de raios X, mas J2318 é o mais rápido já descoberto em comprimentos de onda ultravioleta”;
- A principal diferença em relação aos ventos terrestres está no fato de que os ventos de buracos negros são impulsionados pela radiação, por partículas de luz chamadas fótons que colidem com os átomos, e não pela pressão do ar.
“Os quasares emitem tantos fótons que esses pequenos impulsos se somam e geram velocidades extremas”, disse Seaton. “O problema é que os fótons também podem remover todos os elétrons dos átomos, tornando-os invisíveis. Como empurrar o gás até as velocidades que vemos enquanto mantemos intactos os íons de carbono e silício que observamos… é um verdadeiro quebra-cabeça!”
Para tentar resolver essa questão, a equipe recorreu a dados observacionais do SDSS-IV Time-Domain Spectroscopic Survey e do SDSS-V Black Hole Mapper, ambos parte do Sloan Digital Sky Survey (SDSS).
Seaton explicou que o sistema funciona como um prisma: “Assim como um arco-íris espalha a luz do Sol em diferentes comprimentos de onda, cores, o SDSS espalha a luz de certas estrelas, galáxias e quasares no que chamamos de seus espectros. A partir desses espectros, com prática, os estudantes aprendem a identificar quasares incomuns.”
Esses espectros detalhados de J2318 revelaram os ventos em alta velocidade do quasar no ultravioleta. O estudo de ventos de buracos negros como esse é considerado importante para entender como as galáxias evoluem, já que esses ventos são a forma como buracos negros supermassivos trocam energia com suas galáxias hospedeiras. Em especial, essa energia pode expulsar gás e poeira, matéria-prima para a formação de estrelas, sufocando o nascimento estelar nas galáxias.
“Esses fluxos extremos carregam quantidades incríveis de energia que podem afetar as galáxias ao redor. Eles funcionam como uma espécie de elo perdido: o feedback elusivo entre a região central ativa de uma galáxia e o restante da galáxia”, disse Paola Rodríguez Hidalgo, professora associada da Universidade de Washington em Bothell.
“Embora esse processo tenha sido incluído em simulações de formação de galáxias por décadas, ainda há muito trabalho a ser feito para entendê-lo por meio de observações e garantir que as simulações o tratem corretamente.”
A equipe e outros astrônomos devem continuar buscando ventos de buracos negros de alta velocidade na radiação ultravioleta, mas não estão confiantes de que encontrarão algo tão rápido quanto o de J2318.
“Não será fácil encontrar um outflow ultravioleta mais rápido do que o de J2318, mas estamos continuando essa busca do Universo próximo até os confins mais distantes do Universo que podemos ver”, concluiu Flores.
A pesquisa da equipe foi publicada na quinta-feira (4) no The Astrophysical Journal.
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