Tecnologia
No Google, Halloween não foi dos mais animados; entenda

Na última quarta-feira (30), executivos da Alphabet, dona do Google, participaram de uma reunião geral de Halloween, onde abordaram preocupações de funcionários sobre futuros cortes de custos.
Segundo a CNBC Brian Ong, vice-presidente de recrutamento do Google, destacou que a empresa está contratando menos do que antes e que há mudança nas oportunidades de emprego, resultando em menos vagas disponíveis em algumas regiões.
Apesar de apresentação de resultados financeiros do terceiro trimestre que superou as expectativas, a CFO da companhia, Anat Ashkenazi, mencionou a intenção de aprofundar as economias de custos, especialmente com o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA) até 2025.
Os comentários de Ashkenazi foram recebidos com apreensão pelos funcionários, que temem demissões, especialmente após a Alphabet ter feito cortes em suas equipes de marketing, nuvem e segurança.
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Outras empresas também enfrentam crise
- O clima de incerteza é compartilhado na indústria, com empresas, como Dropbox e Amazon, também anunciando demissões significativas;
- Durante a reunião, o CEO da Alphabet e do Google, Sundar Pichai, e outros executivos usaram fantasias divertidas, mas as preocupações sobre o futuro da força de trabalho foram palpáveis;
- Embora Ashkenazi tenha enfatizado a importância dos funcionários como ativos valiosos e mencionado a contratação de mil novos graduados, muitos se questionaram sobre o significado real de “eficiências” no contexto do quadro de pessoal.
Pichai também ressaltou a importância de otimizar a força de trabalho e a necessidade de fazer mais com menos. Ele enfatizou que as decisões sobre cortes não são centralizadas e que, ao longo do tempo, as demandas de investimento em IA e outras áreas podem se estabilizar.
A reunião refletiu um momento de transição para o Google, que busca se adaptar às novas realidades econômicas e de mercado, priorizando a eficiência enquanto enfrenta concorrência crescente na corrida pela inovação em IA.

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Tecnologia
IA freia crescimento salarial antes de cortar vagas
O maior receio do mercado em relação à inteligência artificial (IA) é a eliminação de postos de trabalho, mas o impacto inicial da tecnologia tem se mostrado mais discreto. Um novo estudo da gestora americana Apollo Global Management aponta que a principal mudança não está nas demissões, mas na desaceleração no aumento de salários.
Ao analisar 321 ocupações nos Estados Unidos, a pesquisa identificou que profissionais de áreas com alta exposição à IA tiveram um crescimento salarial 6,7 pontos percentuais menor do que trabalhadores de setores menos expostos.
O impacto atinge com mais força os trabalhadores de menor renda, que chegaram a registrar uma perda relativa de 10,7% na evolução de seus ganhos. Em contrapartida, o levantamento não encontrou evidências estatísticas significativas de que a IA esteja destruindo empregos.
Ocupações na linha de frente
O estudo mediu a exposição das profissões com base em dados de uso da ferramenta Claude (da Anthropic), avaliando o quanto a IA já é utilizada em tarefas cotidianas. O padrão é claro: as áreas mais impactadas lidam majoritariamente com informação, análise de dados e produção de conhecimento.
Entre as ocupações mais expostas, destacam-se:
- Programadores;
- Atendentes de customer service;
- Profissionais de entrada de dados (digitadores);
- Especialistas e transcritores médicos;
- Analistas de mercado, financeiros e de qualidade de software (QA).
Exposição não é sinônimo de prejuízo
O levantamento esclarece que o nível de exposição à IA não define o futuro da profissão. O comportamento das vagas e dos salários depende de múltiplos fatores econômicos, como demanda do setor e escassez de mão de obra.
Para ilustrar essa dinâmica, a pesquisa mostra caminhos opostos para profissões altamente expostas: enquanto os programadores amargaram uma queda de 17,2% nas vagas e redução salarial real de 6,1% entre 2022 e 2024, os analistas financeiros registraram um salto de 16,9% na criação de empregos no mesmo período.
Além disso, as profissões que lideraram as perdas salariais e de vagas no mercado geral — como locutores de rádio, vendedores porta a porta e artesãos — não sofreram essas quedas necessariamente por causa da IA, mas sim por outras transformações tecnológicas ou estruturais de seus setores.
A “compressão salarial”
A conclusão central do estudo aponta para um cenário de compressão salarial: os ganhos de produtividade gerados pela adoção da inteligência artificial não estão se revertendo em aumentos salariais equivalentes para os trabalhadores, prejudicando principalmente a base da pirâmide salarial.
Os pesquisadores fazem, contudo, algumas ressalvas: a análise baseia-se prioritariamente no uso de apenas uma ferramenta de IA, limita-se a 321 profissões e observa um período histórico ainda curto para conclusões definitivas sobre o futuro do mercado de trabalho.
Fonte: G1
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Tecnologia
Ondas de calor deixam mais de 30 mil mortos na Europa

A Europa registrou mais de 30 mil mortes acima do esperado durante um verão marcado por ondas de calor consecutivas e períodos de seca. Segundo uma estimativa provisória da plataforma EuroMomo, mais de 32 mil mortes acima do esperado foram contabilizadas no continente entre meados de julho e meados de agosto. O número ainda pode ser revisado.
A EuroMomo reúne estatísticas oficiais de 23 países, mas não divulga o total separado por nação. Em uma análise independente, a AFP somou dados provisórios de autoridades de oito países, referentes a períodos que vão aproximadamente do fim de maio a agosto, e chegou a 33 mil mortes acima do esperado ou diretamente relacionadas ao calor.
Duas semanas concentram maior número de mortes
As estimativas semanais mais recentes da EuroMomo indicam que a última semana de junho foi a mais letal do verão, com quase 16 mil mortes acima do esperado. A primeira semana de julho aparece em seguida, com aproximadamente 8 mil mortes.
Os dois períodos coincidiram com uma das ondas de calor excepcionais registradas no verão europeu. Ao mesmo tempo, a seca generalizada criou condições favoráveis para incêndios florestais.
Os números ainda devem ser revisados nas próximas semanas, o que pode alterar a estimativa total. A plataforma também utiliza um modelo que considera estatísticas oficiais de 23 países e deixa de fora parte do leste europeu.

Alemanha registra recorde desde 2016
A Alemanha contabilizou 14 mil mortes relacionadas às ondas de calor até 9 de agosto, de acordo com dados oficiais do Instituto Robert Koch. O número é o maior desde o início dos registros desse tipo, em 2016.
Segundo o instituto, pessoas com mais de 75 anos foram as mais afetadas pelo calor, seguindo um padrão também observado em outros países europeus.
Na França, as autoridades de saúde contabilizaram 7.300 mortes acima do esperado entre o fim de maio e 22 de julho. O número deve aumentar, já que uma longa onda de calor iniciada no fim de julho havia terminado recentemente.
Na Espanha, quase 4.500 mortes atribuídas ao calor foram registradas entre 1º de junho e 19 de agosto. De acordo com o Instituto Carlos III, foi o maior número para esse período do ano desde 2022.
Inglaterra se aproxima de recorde histórico
Na Inglaterra, a autoridade de saúde e segurança estima 2.877 mortes relacionadas ao calor durante as ondas registradas em maio e junho. O número se aproxima do recorde histórico de 2.985 mortes registrado no verão de 2022.
A autoridade alertou que o total de mortes relacionadas ao calor em 2026 pode ser substancialmente maior devido a outros períodos de temperaturas elevadas ao longo do ano.
Na Bélgica, foram estimadas 2.570 mortes acima do esperado entre 18 de junho e 17 de julho, segundo o instituto nacional de saúde pública Sciensano. O número será atualizado em setembro, incluindo o período de 25 de julho a 16 de agosto.
Nos Países Baixos, uma análise de dados do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM) aponta 968 mortes acima do esperado entre 22 de junho e 5 de julho.
A Áustria registrou 396 mortes relacionadas às ondas de calor em junho, segundo a agência de saúde e segurança alimentar AGES. O número é o maior para o mês desde o início da série de dados públicos, em 2017.
Em Portugal, foram registradas mais de 600 mortes acima do esperado entre meados de junho e o fim de julho, segundo dados da Direção-Geral da Saúde analisados pela AFP.
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VÍDEO: China faz pouso inédito de foguete reutilizável em terra firme

A China conseguiu realizar um feito inédito na área de lançamentos espaciais ao recuperar, pela primeira vez em terra firme, o primeiro estágio de um foguete após um voo orbital. O sucesso foi alcançado pelo Zhuque-3, desenvolvido pela empresa espacial privada chinesa LandSpace, durante lançamento realizado na Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng.
O lançamento ocorreu na quarta-feira (19), pelo horário local da China — ainda na noite de terça-feira (18) no Brasil. Depois de cumprir a etapa orbital da missão, o primeiro estágio do foguete retornou à Terra e realizou um pouso vertical controlado na área prevista para recuperação, em Minqin, na província de Gansu.
O resultado representa um avanço importante para o programa espacial comercial chinês e coloca a LandSpace entre as empresas que já demonstraram na prática a capacidade de recuperar um estágio de um foguete orbital em terra. O objetivo da tecnologia é permitir que partes do veículo sejam utilizadas novamente em outras missões, reduzindo custos e aumentando a frequência dos lançamentos.
Veja o feito:
Como funciona o Zhuque-3
- O Zhuque-3 tem 66,1 metros de comprimento e é formado por dois estágios, com um núcleo único. A estrutura utiliza principalmente aço inoxidável, enquanto os motores são alimentados por metano líquido e oxigênio líquido. O primeiro estágio possui nove motores Tianque-12A;
- O estágio responsável pelo retorno conta com diferentes sistemas para controlar a trajetória durante a reentrada. Entre eles estão aletas de estabilização, sistemas de controle de atitude e pernas de pouso, que permitem ao veículo desacelerar e realizar uma aterrissagem vertical depois de se separar do segundo estágio;
- A recuperação é uma das partes mais complexas da missão. Depois da separação, o primeiro estágio precisa controlar sua trajetória durante a reentrada, realizar novas queimas dos motores e reduzir progressivamente a velocidade até tocar o solo na posição planejada.
A LandSpace já havia realizado testes específicos para desenvolver essa capacidade. Em janeiro de 2024, um veículo de testes equipado com um motor Tianque-12 realizou uma decolagem e um pouso vertical depois de alcançar cerca de 350 metros de altitude.
O pouso ocorreu a aproximadamente 2,4 metros do ponto previsto e com velocidade de apenas 0,75 metro por segundo. Em setembro do mesmo ano, outro teste levou a tecnologia a mais de dez quilômetros de altitude e incluiu desligamento e reacendimento do motor durante o voo.
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Segunda tentativa deu certo
O pouso bem-sucedido desta semana também representa uma recuperação importante para a LandSpace depois de uma primeira tentativa malsucedida.
O voo inaugural do Zhuque-3 aconteceu em dezembro de 2025. Na ocasião, o segundo estágio conseguiu colocar a carga em órbita, mas o primeiro estágio não completou a recuperação.
O propulsor apresentou uma anomalia durante a fase final da tentativa de pouso e acabou destruído. Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, houve uma combustão anormal durante o processo de recuperação.
Apesar da falha, a primeira missão forneceu dados importantes para o desenvolvimento do sistema. A LandSpace conseguiu verificar o comportamento da estrutura e da proteção térmica durante a reentrada, além do controle aerodinâmico e dos sistemas utilizados para orientar o estágio durante a descida.
A empresa também conseguiu avaliar os algoritmos de orientação durante as fases de reentrada e reacendimento dos motores. Assim, embora o primeiro pouso tenha fracassado, a missão ajudou a identificar os pontos que precisavam ser corrigidos antes de uma nova tentativa.

China já havia recuperado outro foguete
O feito do Zhuque-3 precisa ser colocado em contexto, porque a China já havia conseguido recuperar um primeiro estágio de um foguete orbital antes.
Em julho de 2026, o país recuperou o primeiro estágio de um Long March-10B depois de seu voo inaugural. A diferença é que o estágio foi capturado por uma estrutura instalada em uma embarcação no mar, em vez de realizar um pouso vertical sobre pernas.
O Zhuque-3, portanto, representa uma nova etapa nessa tecnologia: é o primeiro foguete chinês a realizar uma recuperação orbital em terra, com o primeiro estágio retornando de forma controlada e pousando verticalmente.
A diferença também é relevante porque a estratégia da LandSpace segue conceito semelhante ao utilizado pela SpaceX em seus foguetes Falcon 9. Em vez de descartar o primeiro estágio no oceano, o veículo utiliza seus próprios motores para reduzir a velocidade e retornar à superfície, onde pode ser recuperado e preparado para um novo voo.
A China passa, assim, a utilizar duas abordagens diferentes para recuperar estágios de foguetes orbitais: a captura no mar, demonstrada pelo Long March-10B, e o pouso vertical em terra, agora demonstrado pelo Zhuque-3.
Corrida pela reutilização
A tecnologia é considerada estratégica para o crescimento do setor espacial comercial chinês. O Zhuque-3 foi projetado para uma nova geração de veículos capazes de realizar lançamentos com menor custo, maior capacidade de carga e maior frequência.
A reutilização do primeiro estágio pode diminuir a quantidade de componentes que precisam ser fabricados para cada missão. Em vez de construir um novo propulsor para cada lançamento, a empresa pode recuperar, inspecionar e preparar o mesmo estágio para novos voos.
Esse modelo foi popularizado pela SpaceX, que transformou a recuperação e reutilização dos primeiros estágios do Falcon 9 em uma operação recorrente. A China vem tentando desenvolver tecnologias próprias para competir nesse segmento, tanto por meio de empresas estatais quanto de companhias privadas.
No caso do Zhuque-3, a LandSpace aposta em motores alimentados por metano e oxigênio líquidos, combinação que também é utilizada pela SpaceX no sistema Starship. O foguete chinês tem capacidade prevista de transportar até 18,3 toneladas para a órbita baixa da Terra quando o primeiro estágio é recuperado.
O sucesso do pouso, portanto, não significa que a China tenha alcançado o mesmo nível de maturidade operacional da SpaceX. O Zhuque-3 ainda está em sua fase inicial de desenvolvimento e acabou de demonstrar a recuperação orbital em terra pela primeira vez. Mas o resultado elimina uma das principais barreiras tecnológicas para que a China passe a operar lançadores parcialmente reutilizáveis em escala comercial.
A expectativa é que tecnologias desse tipo sejam utilizadas para ampliar a capacidade chinesa de colocar satélites em órbita, especialmente em momento em que o país trabalha na expansão de grandes constelações de satélites de órbita baixa e no crescimento de seu setor espacial comercial.
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