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Forbes Top Creators: Quem São os 10 Escolhidos de 2026

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Não é só chamar a atenção. Os 10 criadores de conteúdo de maior impacto no Brasil se destacam pelo poder de entregar conteúdos divertidos, mas ao mesmo tempo úteis; por manter com sua audiência uma relação tanto de proximidade quanto de credibilidade; e por conseguir traduzir essa influência em construção de marca, seja pela colaboração com grandes empresas, seja pelo investimento em negócios próprios (ou, algo cada vez mais comum, as duas coisas juntas).
Nossa lista apresenta um recorte dos maiores interesses dos brasileiros: da comida à beleza, de um cotidiano indígena aos conselhos de carreira, da malhação à ciência, das finanças à literatura. E os exemplos de profissionais que sabem satisfazer esses interesses, demonstrando capacidade de entrega, criatividade, apelo emocional, disciplina para produzir conteúdo de qualidade.
Você pode chamá-los de influenciadores digitais, e o nome não está errado. Mas talvez seja mais correto chamá-los de empreendedores.
Veja quem são os 10 Top Creators de 2026

O poder da paixão pela literatura
Quando criou o perfil @Bookster no Instagram, em 2017, Pedro Pacífico não tinha a ambição de ser influenciador – muito menos de se expor. “Criei um perfil anônimo e bloqueei todos os meus amigos e família”, recorda. “Tinha acabado de ser efetivado como advogado.” Hoje, aos 33 anos, tem mais de 900 mil seguidores, um livro publicado, parcerias com gigantes como Amazon e Iguatemi e um clube de leitura com 7 mil assinantes. “Sou um apaixonado pela leitura que teve sua vida transformada por ela.”
Formado em direito pela USP e com mestrado na New York University, Pedro projetava uma carreira tradicional, seguindo os passos do pai. “Cresci numa bolha. Me sentia diferente, mas achava que era errado e precisava reprimir.” Os livros, com suas histórias e personagens diversos, abriram-lhe um novo mundo. “A virada de chave foi quando consegui me aceitar como um homem gay – e a literatura me ajudou muito nesse processo.”
O interesse cresceu na faculdade, depois do trauma com as obras obrigatórias de vestibular e de se guiar pelas listas de mais vendidos. “São livros que prometem resolver problemas de forma imediata, com pouca reflexão. A literatura é o contrário disso.” A partir daí, passou a explorar clássicos como Tolstói e autores contemporâneos como Valter Hugo Mãe e Buchi Emecheta.
Seis meses após criar o perfil, foi descoberto por um conhecido e decidiu abandonar o anonimato. No início, eram principalmente editoras que o procuravam para parcerias. Na pandemia, lançou o podcast Daria um Livro, seu perfil cresceu e Pedro entrou para a lista Forbes Under 30. Hoje, cerca de 90% dos clientes (que vão de marcas de moda a pneus) estão fora do mercado literário. O segredo para furar a bolha? “Nunca me coloquei como especialista, mas como um leitor apaixonado.”
Por anos, manteve uma vida dupla: advogado – chegou a sócio do escritório – e criador de conteúdo. “Me sentia devendo no escritório, em atraso com o Bookster, ausente na família e dos amigos.” Em 2024, após uma crise de pânico, percebeu que havia atingido seu limite. “Tinha medo de abrir mão de uma carreira previsível por algo incerto.”
No último ano, fez um período de teste dedicado apenas ao Bookster. Durante esse tempo, lançou o clube Bookster pelo Mundo, em parceria com a TAG Livros, hoje com 7 mil assinantes. A proposta é ler, a cada mês, um livro de um país diferente: nove dos 12 títulos deste ano são inéditos no Brasil. Seu conteúdo também extrapolou esse universo: hoje, assina uma coluna no jornal O Globo e tem um programa semanal na CNN.
Pedro tem nos planos um segundo livro, agora de ficção. O primeiro, Trinta Segundos Sem Pensar no Medo: Memórias de um Leitor, lançado em 2023 pela Intrínseca, amarra suas histórias de vida e temas como sexualidade e saúde mental. Ele acaba de confirmar sua saída definitiva da advocacia. Uma decisão difícil, claro, mas abandonar o Bookster nunca foi uma opção. “Virou uma parte de quem eu sou. As pessoas até me chamam de Bookster. É uma confusão.” (FA)

Provocar o riso sem ofender
Por um bom tempo, a vida não foi fácil para Fausto Carvalho. Nascido numa família simples em Diadema – a mãe assistente social e o pai operador de trens –, o paulista tinha o sonho de ser jogador de futebol e ainda na adolescência começou a bater bola profissionalmente. Passou por times pequenos, como XV de Jaú, União Barbarense e XV de Piracicaba, e depois entrou na equipe de futsal do Corinthians como parte de uma bolsa para pagar a faculdade de educação física. Mas, sem perspectiva de crescimento, Fausto desistiu desse sonho e, via indicação de um amigo, usou do seu humor nato para se jogar no mundo da recreação.
Fez de tudo nesse período: onde houvesse fila, lá estava ele fazendo as pessoas rirem. Vieram as redes hoteleiras (atuou por cinco anos), depois os cruzeiros. Daí a vida de Fausto mudou de verdade.
“Hoje vejo como foi importante essa fase de hotéis e cruzeiros. O trabalho de recreador aconteceu na minha vida muito por acaso; foi a indicação para o trabalho em hotéis e, a partir dali, conheci pessoas que me trouxeram a oportunidade de trabalhar em navios, onde fiquei por 15 anos. Principalmente o navio me ensinou como ‘pisar’, como chegar e sair, o jeito de fazer piada sem ofender ninguém e a saber fazer humor para todas as nacionalidades”, disse.
Se os hotéis lhe deram os primeiros personagens próprios, os cruzeiros proporcionaram a milhagem cômica. Nessa época, criou mais de 50 personagens – afinal, durante 15 anos, trabalhou 12 horas por dia, falando cinco línguas, passando por quase 100 países, totalizando umas três voltas ao mundo. Então, veio a pandemia e, por dois anos, toda aquela intensidade de pessoas, piadas e paisagens sumiu no ar.
Quando o mundo voltou ao que, mais ou menos, era antes, Fausto também retornou aos palcos.
Precisava viver e fazer rir de novo. Então, para um evento corporativo, pediram para ele interpretar um jogador de beach tennis. “Criei o Jorginho, o ‘Menzinho’. Um convidado me viu, achou muito parecido com um amigo dele, gravou um vídeo e jogou em um grupo de WhatsApp. Foi assim que comecei a viralizar. Acho que o personagem foi abraçado por fazer um humor sem ofensa; é uma caricatura amigável na qual as pessoas acabam se reconhecendo e rindo de si mesmas.”
O Jorginho do Beach Tennis foi muito mais que abraçado. A combinação de peruca loira, camisa polo, bermuda com cinto, suéter amarrado nos ombros, sotaque paulistano carregado, muitas palavras em inglês e bordões como “top” e “o beach venceu” tem atualmente cerca de 6 milhões de seguidores nas redes sociais de Fausto. E chamou a atenção de marcas como XP, Heineken, Lacoste, Amazon, Oakberry e a bolsa de valores B3.
“Espero seguir trabalhando com o que mais amo, que é trazer alegria para as pessoas. No momento estou focado no Menzinho, mas tenho muitas ideias de personagens e sinto falta de mostrar outras criações. Quer dizer, tenho planos para o futuro; o maior desafio é se manter relevante dentro da internet, é tudo muito volátil e acaba assustando um pouco. Também sei que o humor me levou e me levará para lugares ainda mais incríveis.” (DS)

Disciplina em nome do desenvolvimento pessoal
“A disciplina é a mãe de todas as habilidades.” Este é o princípio que guia a vida de Joel Jota. Antes de se tornar o podcaster número 1 na categoria de negócios do Spotify Brasil e número 4 no ranking geral da plataforma, Joel era nadador profissional. Nascido e criado em Santos, começou no esporte pela saúde, mas por segurança, para poder acompanhar o pai em seus dias de pesca. Foi também o pai que percebeu seu potencial no esporte e o incentivou a competir, carreira que o levou a representar a seleção brasileira e seguir a formação em educação física, tornando-se, mais tarde, treinador.
Se a natação lhe ensinou foco e disciplina, as salas de aula forjaram sua oratória. Mestre em ciências do esporte e doutor em educação e novas tecnologias, tornou-se professor universitário e percebeu que a comunicação era seu ponto forte. A influência que tinha tanto com os nadadores de sua equipe quanto com seus alunos vinha, segundo ele, de três pilares: resultados de respeito, conhecimento com confiança e comportamento inspirador. Em 2011, com sua conta no Facebook, ele percebeu que seus ensinamentos poderiam atingir um público maior. Passou a estudar e se aprofundar em marketing digital e, a partir de 2014, seu conteúdo já era monetizado.
O primeiro milhão com a internet – não de likes, de reais – veio em 2018. Em 2019, o primeiro grande viral: um vídeo espontâneo, durante uma corrida na praia, falando sobre nada menos do que disciplina. “Não espere a motivação chegar para você começar. Comece, e a motivação vem.” O vídeo ultrapassou o milhão de views, fazendo o creator acreditar que poderia se tratar de um golpe de sorte. Porém, ao replicar o mesmo vídeo outras vezes e repetir o resultado, ele percebeu que não era sorte, era impacto real.
Desde então, Joel acumula conquistas. Tem mais de 10 títulos publicados, com mais de 7 milhões de exemplares vendidos, incluindo um recorde registrado pelo Guinness Book de maior número de colaboradores em um livro, com sua publicação A Máquina do Tempo: ela traz os conselhos de 576 executivos para os seus “eus” mais jovens. Fez parte do time do Shark Tank Brasil e já colaborou com grandes marcas como XP, AWS, Uber e iFood. No mundo dos negócios, seu ecossistema engloba mais de 10 empresas, entre elas a Mentoring League Society, fundada junto com Flávio Augusto e Caio Carneiro, com projeção de R$ 1,4 bilhão de receita em 2026.
Na internet, são mais de 15,9 milhões de seguidores somados em todas as plataformas, uma comunidade tão engajada que suas palavras estampam não só livros, mas a pele das pessoas, em forma de tatuagem. A frase mais famosa, que se tornou seu principal slogan, diz: “Saúde, família, trabalho. Não inverta a ordem”. Ao perder o pai ainda novo, por um problema grave de saúde, Joel transformou sua dor no lema que guia sua vida, e que inspirou os milhões que o acompanham. Apesar dos números astronômicos nas redes, ele relativiza a métrica de vaidade em prol do legado em casa: “São 15,9 milhões de seguidores, mas de fato os obrigatórios e para quem eu realmente devo ser exemplo são três: meus filhos. Eles são os seguidores mais importantes da minha vida.” (JP)

Craque no preparo de carnes e empreendedora nata
Para entender a dimensão dos negócios (e do comprometimento) de Juliana Lima, conhecida na internet como Chef Ju Lima, basta olhar para o quintal de sua casa: uma cidade cenográfica de Velho Oeste erguida com um investimento de R$ 1,5 milhão. O espaço, equipado com saloon, banco e cadeia, funciona como um ecossistema comercial pronto para integrar inserções publicitárias orgânicas e abrigar a gravação de uma futura novela vertical.
No comando dessa estrutura está uma das mulheres churrasqueiras mais seguidas do mundo. Formada em administração e diplomada em gastronomia pela Le Cordon Bleu, em Paris, a mineira de 31 anos subverteu o rigor da culinária francesa ao aplicá-lo ao churrasco e à comida afetiva. Esse conhecimento, agregado à internet, criou um sucesso digital que hoje soma 7,3 milhões de seguidores no Instagram (onde não é raro ter reels que ultrapassam os 10 ou 15 milhões de views), 1,3 milhão no TikTok e 660 mil inscritos no YouTube – onde já ultrapassa os 310 milhões de visualizações.
Sua carreira digital foi construída a partir de uma frustração. Após retornar da França, Juliana foi trabalhar em um tradicional restaurante francês em Belo Horizonte, mas a repetição diária a impedia de ser mais criativa. Durante o início da pandemia, em 2020, ela postou seus primeiros vídeos de receitas e rapidamente percebeu a tração. Em vez de tratar as redes como hobby, passou a estudar tráfego pago e marketing digital com intencionalidade. A grande virada de chave, contudo, ocorreu em 2021, na TV Globo. Ao entrar no reality Mestre do Sabor, o apresentador Claude Troisgros perguntou em qual restaurante ela trabalhava. “Não sou chef de restaurante nenhum, eu sou chef de Instagram”, cravou.
A audácia rendeu 27 mil seguidores em um único segundo e chancelou seu modelo de atuação.
Nas redes, a estratégia de Ju Lima mescla inovação, técnica e cultura brasileira. Ela engaja pela curiosidade – como a maturação de carnes em goiabada, chocolate ou mel, e a “picanha do amor”, feita com crosta de açúcar –, mas também aposta forte no didatismo. Um único vídeo em que repete que o líquido vermelho da carne crua não é sangue bateu a marca de 50 milhões de visualizações.
A versatilidade para furar bolhas a levou a gravar collabs com nomes de peso, como Flávio Augusto, Sorocaba e Ana Castela, além de participar de programas de Marcos Mion, Danilo Gentili e Faustão na TV.
Atrás das câmeras, a gestão é familiar, dividida entre Juliana, o marido e o irmão. O escopo da empresa, por outro lado, tem escala. O portfólio inclui contratos com marcas como RAM e Swift, a venda de cursos culinários, investimentos em gado de corte e terrenos, além de palestras sobre marketing digital – sem contar o “miniestúdio Globo” na sua propriedade.
Para 2026, a meta é triplicar o faturamento de R$ 5 milhões alcançado em 2025. O grande motor dessa projeção é o lançamento de uma marca de utensílios de cozinha, em parceria com o influenciador viral Chef Otto, que já nasce com a ambição de gerar R$ 5 milhões no primeiro ano. “Sou uma empreendedora nata. Meus avós eram, meus pais são. Está no meu sangue.” (GS)

A força de uma voz indígena
Para entender o peso da influência de Maira Gomez – ou Jūgoa, seu nome indígena – é preciso medir o impacto de seus vídeos não apenas em likes, mas em quilômetros. Antes de sua ascensão na internet, os moradores de sua comunidade, às margens do Rio Negro, no Amazonas, a 35 quilômetros de Manaus, precisavam remar de canoa ou entrar até cinco quilômetros na mata virgem em busca de água potável em um igarapé. Hoje, graças à visibilidade de seu conteúdo, a aldeia conquistou um poço artesiano. “Agora todas as casinhas têm água encanada. Já não é aquele sofrimento de pensar que no dia seguinte temos que andar quilômetros”, celebra.
Conhecida nas redes como Cunhaporanga (“moça bonita” em tupi), Maira soma, aos 27 anos, mais de 6,5 milhões de seguidores apenas no TikTok. Pertencente às etnias Tatuyo (por parte de pai, o cacique da aldeia) e Wanano (por parte de mãe), ela se tornou a principal janela digital para desmistificar a cultura dos povos originários. A jovem, que na infância dependia de um barco diário para ir à escola e viajava à cidade aos finais de semana para aprender informática – “para podermos pedir uma ambulância em caso de emergência” –, é hoje um ícone da creator economy.
A indígena viralizou às vésperas da pandemia com um vídeo comendo mochiva (uma larva de besouro extraída da palmeira de bacabaçu) com farinha. O choque cultural rendeu ataques xenofóbicos de quem a acusava de “trazer a próxima covid comendo bichos estranhos”. A resposta de Cunhaporanga foi a educação. Mostrando que a iguaria é herança ancestral e sinônimo de saúde, transformou o ódio em curiosidade e passou a exibir as belezas de seu cotidiano: do artesanato às pinturas corporais, o preparo de alimentos e as palavras em seu idioma.
Hoje, turistas de todo o Brasil viajam até a aldeia para conhecê-la, e o fluxo fomenta a economia local: cada família vende seu artesanato, gerando a renda que custeia materiais escolares e paga as contas de luz e da internet via satélite da comunidade. O alcance dessa voz levou a um marco impensável para a jovem que ganhou seu primeiro celular aos 17 anos: Maira foi imortalizada como uma boneca Barbie no aniversário de 65 anos da marca, representando as mulheres indígenas brasileiras. “É uma lembrança para mostrar que nós também podemos estar à frente na luta e dar voz para outras.”
Com novos projetos de turismo engatilhados e o sonho de cursar administração, marketing e artes cênicas, Maira combate os estereótipos de que o indígena “não gosta de trabalhar”. “Nós somos como qualquer um, podemos realizar nossos sonhos. Somos capazes de estar em uma universidade e exercer muitas profissões.”
Para a criadora de conteúdo, essa emancipação comunitária e profissional caminha ao lado da responsabilidade global. Assume o papel de ponte entre o conhecimento ancestral e o futuro, e define seu trabalho como um chamado urgente à preservação. “A gente já está fazendo a nossa parte, mas gostaria que os outros valorizassem mais o nosso planeta”, diz. “Se a natureza morrer, a gente também vai junto. A gente só está de pé porque ela está de pé.” (MK)

De produtora de conteúdo a empresária
Transformar visibilidade em influência já é um salto. Transformar influência em ativo de negócio é um segundo salto – que Marcella (Ma) Tranchesi, 34 anos, deu há um ano e meio. Se conquistar 878 mil seguidores no Instagram e uma comunidade altamente engajada é um feito, criar produtos (e garantir sua qualidade, a logística de entrega, a gestão da marca) é um desafio pertencente ao campo dos negócios.
Filha de Eliana Tranchesi, fundadora da Daslu, Marcella cresceu imersa no universo do varejo de luxo brasileiro. Mais do que acompanhar de perto a construção de uma das marcas mais esfuziantes do país, absorveu desde cedo uma visão estratégica sobre curadoria, experiência do cliente e construção de desejo. A convivência com uma operação que unia produto, narrativa e posicionamento moldou sua leitura de mercado e sua forma de empreender.
Sua entrada no digital aconteceu de forma natural, compartilhando conteúdos de moda, beleza e lifestyle. Com o tempo, esse espaço evoluiu para uma atuação estruturada, com parcerias relevantes – como ser embaixadora do Leite Moça ou colaborar no desenvolvimento de maquiagens da MAC – e uma audiência fiel. Ao profissionalizar sua imagem mantendo a autenticidade, Marcella se tornou valiosa pela credibilidade e a capacidade de provocar engajamento real, um diferencial decisivo em um mercado cada vez mais saturado.
Essa base foi determinante para o nascimento da Doce Aquarella, sua marca de confeitaria, fundada em agosto de 2024. Criada a partir de receitas afetivas de infância e impulsionada pela demanda dos próprios seguidores, a empresa já nasceu com validação de mercado e com um parceiro estratégico, a Rappi, responsável por viabilizar a logística e a agilidade das entregas. O resultado foi imediato: no lançamento, mais de 200 pedidos em apenas três minutos e, em menos de três meses, cerca de 20 mil pedidos.
Hoje, a operação funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, contando com mais de 50 funcionários divididos em dois turnos e distribui seus produtos a partir de uma rede de 21 dark stores (centros de distribuição, lojas exclusivas de atendimento online), alcançando 80 bairros de São Paulo e Campinas com entregas em até 10 minutos. “Vejo esse crescimento consistente com muita alegria, focado em produto, qualidade, entrega e, principalmente, na conexão que construímos com o público.”
A Doce Aquarella traduz um modelo contemporâneo de negócio, que nasce já conectado a uma audiência e é depois validado pelo consumo. Marcella soube transformar um conteúdo emocional dos bolos, ligado à memória, ao afeto e à experiência, em uma operação estruturada, eficiente e escalável, sem abrir mão da identidade que sustenta a conexão com o público.
Sem abandonar a rotina de criação de conteúdo, Marcella se dedica com afinco à gestão do negócio, atuando diretamente na expansão da marca, no desenvolvimento de novos produtos e na construção de parcerias estratégicas. Essa mentalidade empresarial – sustentada por uma agenda carregada, cumprida com rigorosa disciplina – está na raiz do ritmo de crescimento acelerado de sua marca. (SP)

Ciência em vídeos divertidos
“Como eu cheguei até aqui? Só fiz um vídeo sobre gases intestinais”, diz a bióloga e influenciadora Mari Krüger, 36. Em outubro de 2020, ela publicou o vídeo de apenas 15 segundos em que explicava, com caras e bocas e sem dizer uma palavra, o que acontece ao comer feijão sem deixá-lo de molho. Viralizou e bateu 2 milhões de visualizações. Hoje, tem 2,7 milhões de seguidores só no Instagram, parcerias com marcas como Itaú, Amazon e Pfizer e é parada na rua para fotos. Mas não se deslumbra. “Às vezes começo a chorar do nada, pensando em tudo que está acontecendo. Não consigo normalizar. É muito maluco.”
Natural de Porto Alegre, formou-se em biologia pela UFRGS e iniciou um mestrado em ecologia. Em paralelo, atuava como atriz e fazia comerciais. Em um deles, de 2012, virou meme com o bordão “Outlet? Adoro!”, que lhe rendeu um convite para tocar como DJ. “Aprendi 15 minutos antes da festa. Adorei aquela vibe”, lembra. Seguiu com as três carreiras até deixar o mestrado, quando a de DJ decolou. “Toquei no Brasil inteiro, na Sapucaí, no Maracanã, e também no Uruguai, em Portugal e na Espanha.”
Aí veio 2020, e a pandemia. Sua agenda de shows (e a do namorado, hoje marido) foi cancelada. “Perdi pessoas da família, estava sem emprego. Não tinha motivação para acordar.” Para ocupar a cabeça, passou a publicar vídeos nas redes. “Transformei curiosidades da faculdade em conteúdo. Era tanta fake news que quis desmentir.” Os vídeos bombaram desde o início. As primeiras marcas, como O Boticário, chegaram. “Não fazia ideia de que dava dinheiro. Na primeira publicidade, cobrei R$ 50 por vídeo, três por R$ 150.”
Depois de estudar marketing digital e entender o trabalho por trás de cada produção – que hoje pode levar até um mês –, percebeu o potencial do negócio. “Já fiz publicidades de R$ 100 mil.” Seu diferencial é a combinação de humor com rigor científico. “Faço vídeos engraçados, com potencial viral, mas com evidência científica por trás. Isso me permite cobrar mais.”
Em um dos vídeos, com quase 20 milhões de visualizações, aparece vestida de bactéria, com um macacão de chroma key verde; em outros, surge com um micro-ondas na cabeça ou fantasiada de cérebro. Na legenda, inúmeros artigos científicos e referências. “A desinformação tem um potencial viral gigantesco, então uso as ferramentas que tenho. As pessoas acham que estão vendo um videozinho engraçado e acabam aprendendo.”
Em 2024, mudou-se para São Paulo e deixou a carreira de DJ para se dedicar às redes. “Demorou para enxergar isso como trabalho. Precisei de muita terapia.” Viralizar tem um preço: “Quanto mais eu cresço, mais ódio recebo.”
Para o futuro, planeja reduzir as publicidades, ampliar as palestras e explorar novos formatos, como o YouTube. “Sou muito criteriosa. Nego mais propostas do que aceito.” Também quer cuidar mais de si, após sinais de estresse. “Não tem como ficar imune. Postar um vídeo ainda é muito tenso para mim.”
Ela consegue ficar, no máximo, duas horas sem o celular. “São as minhas férias”, brinca. Mas… “Não me imagino fazendo outra coisa que não seja ensinar ciência”, diz. E sua sala de aula não para de crescer. (FA)

Os vários tons do sucesso
Um ano e meio após o lançamento da Mascavo, sua marca de maquiagem, Mari Saad está voltando a olhar para dentro. “Eu virei a minha empresa”, diz a paulista de Jales, de 30 anos. Eleita Forbes Under 30 em 2018, ela usou sua influência e a credibilidade construída em 15 anos de internet para criar um negócio totalmente seu. “Não teria tido tanta força sem uma comunidade tão engajada. Mas a cobrança também não seria tão grande.”
Faturou R$ 100 milhões no primeiro ano, com mais de 100 itens e presença em 2 mil pontos de venda. Mas garante que é só o começo. Mari planeja expandir os pontos físicos (e ser comercializada na Sephora), lançar novos produtos e categorias e, no futuro, internacionalizar. “Enxergo a Mascavo como um projeto de vida. Quero que um dia ela não dependa só de mim.”
As expectativas – dela e do público – eram altas quando colocou os primeiros produtos no mercado. “Em 48 horas, sofri um cancelamento descomunal”, lembra. Os produtos não contemplavam peles negras e a empreendedora foi alvo de críticas nas redes sociais. “Os erros iniciais foram um ponto de virada, não só da marca, mas na minha vida.”
Hoje, prefere enxergar a crise como uma oportunidade para corrigir rapidamente a rota. “Passei a escutar o outro com responsabilidade”, diz. Depois de pesquisas e mudanças na equipe, chegou a um portfólio com 36 tonalidades de base, 24 tons de corretivo e oito de blush e contorno, além de acessórios, iluminadores e outros itens. “Me fortaleceu. Qual problema pode ser maior?”
Diretora criativa da Mascavo, Mari está presente desde o desenvolvimento dos produtos à execução no ponto de venda. Antes de empreender, testou o modelo e se estabeleceu no mercado com uma parceria de sete anos com a Océane. “Foi um MBA. Ali eu entendi meu potencial com a maquiagem.” Em uma das collabs mais lucrativas do setor de beleza, lançou mais de 100 produtos e ganhou fama por suas esponjas de maquiagem e paletas vibrantes, com alta pigmentação e brilho. E ela queria mais. “Precisei assumir que não era dona do jogo. Desde o dia um já sabia que iria buscar independência.”
A transição da cadeira de influenciadora – iniciada aos 16 anos com tutoriais de maquiagem – para a de empreendedora não foi simples. Mas, hoje, suas funções se retroalimentam. “Uso a minha comunidade como laboratório. Será que uma multinacional tem esse feedback tão rápido?” No Instagram e no TikTok, onde soma mais de 4 milhões de seguidores, Mari divulga seus produtos e mantém parcerias com grandes empresas como XP, Hering e Nespresso. “Hoje eu escolho as marcas com que quero trabalhar.”
O avanço de novos players de beleza no Brasil, muitos deles criados por influenciadoras, não a incomoda. “Não existe concorrência, é um ecossistema. Uma puxa a outra e esse movimento aquece o mercado.”
Muito além do trabalho, Mari tem outros sonhos e busca espaço para realizá-los. “Tenho o plano de ser mãe em um futuro próximo, mas não paro de adiar”, confessa. “O futuro só vai fazer sentido para mim se conseguir deixar minha marca no mundo, construir minha família e ter mais tempo de qualidade.” (FA)

Educação financeira para pessoas de baixa renda
Durante anos, Nathália Rodrigues de Oliveira viveu a rotina exaustiva de milhões de brasileiros. Acordava às 5h da manhã em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), pegava duas ou três conduções ao centro do Rio, fazia estágio até o final da tarde e então corria para a faculdade de Administração, onde ficava até às 11h da noite. Voltava para casa por volta da meia-noite. O que ganhava no estágio não pagava nem o transporte diário. Mas um conselho de um professor lhe deu o primeiro estalo do que seria seu futuro.
“Ele disse que não adianta querer empreender ou administrar um negócio se você não tem educação financeira. Pensei: ganho pouco e preciso aprender a administrar isso porque também ajudava em casa. Quando fui pesquisar na internet para montar um canal no YouTube só encontrava conteúdos tipo ‘como fiz meu primeiro milhão’. Isso era impossível pra mim e me gerava uma frustração enorme porque parecia que o problema era comigo. Mas daí veio o segundo estalo e decidi focar em educação financeira para pessoas de baixa renda como eu”, diz Nathália, sobre o início do canal Finanças com Nath, em 2019 – nome mais tarde alterado para Nath Finanças.
Nath viu que muita gente, como ela, precisava se organizar financeiramente. Para não depender do cartão de crédito e seus juros altos, para não exagerar no iFood ou Uber, para fazer render o máximo com o pouco que se ganha. “No início do canal, falava muito sobre dívida. Como sair do Serasa ou do SPC, como se organizar ganhando um salário mínimo. Falava muito sobre organização financeira básica. Depois de sete anos com o grupo Nath Finanças, essas perguntas continuam existindo. A diferença é que o público ficou mais diverso e se ampliou. Hoje tem empreendedorismo, casa própria, fluxo de caixa. Mas continuo falando de finanças reais para pessoas reais.”
As redes sociais da Nath Finanças (destaque para Instagram, YouTube e TikTok, que somam cerca de 2,5 milhões de seguidores) criaram uma comunidade que a fez seguir em frente. “As pessoas continuam comigo todos esses anos, acreditando no meu trabalho e, principalmente, transformando a própria vida financeira. Isso é o que mais me emociona.”
No que depender dela, muitas novas transformações ainda acontecerão, pois o futuro do grupo já está bem definido. A ideia é, basicamente, reforçar a presença da marca também no presencial, com eventos, palestras e projetos educacionais em escolas e universidades públicas (o Educadin, pensado para crianças, adolescentes e jovens adultos). Outro foco é tecnologia com o Nath Play, uma plataforma de educação financeira que funciona como um hub financeiro que dá acesso a conteúdos em formato de streaming, planilhas, aplicativos, ferramentas de organização financeira, tanto pessoais quanto de negócios, e mentorias pagas.
Em meio a isso, a iguaçuana de 27 anos ainda arruma tempo para podcast (Fofocas Financeiras), livros (dois deles ilustrados por Ziraldo) e investimentos em negócios, cuidando de uma empresa que começou com ela e um celular e hoje conta com 30 funcionários. “O mais importante é começar e acreditar que o seu trabalho pode gerar impacto na vida de alguém”. (DS)

Da rotina de treinos aos 30 milhões de seguidores
Tiago Ribeiro de Lima foi criado pela mãe, filho único muito protegido, na zona leste de São Paulo. O resultado é que, tanto na infância como na adolescência, ele era o garoto que passava mais tempo em casa, vivia na internet e tinha poucos amigos. Então, aos 18 anos, ali por volta de 2008, Tiago começou a registrar o que fazia de diferente: musculação. Talvez encontrasse no universo digital pessoas como ele. Era um momento em que as grandes redes sociais estavam começando e prometiam conexão. Dessa forma nasceu Toguro (nome de um vilão do anime japonês: Yu Yu Hakusho).
“Vi nas redes sociais uma saída para me expressar, me comunicar. Virou esse espaço onde conseguia existir de uma forma que não conseguia no mundo offline. Comecei mostrando minha rotina, meu estilo de vida, principalmente dentro da musculação, e minha disciplina e evolução pessoal. Com o tempo, entendi que não se tratava só de postar os vídeos – era construir uma comunidade. E isso transformou todo o trabalho”, disse.
No início, Toguro focou na constância das publicações. Gravava tudo que fazia no seu dia e resumia em vídeos de 15 minutos para o seu canal no YouTube. “Era minha vida real. A musculação cada vez mais presente, o treino, minha alimentação. E o público começou a se identificar com isso porque eles percebem quando é de verdade, orgânico. Foi o que sustentou meu crescimento.”
Do YouTube para o Instagram e depois para o TikTok, Toguro se adaptou a novos formatos, mais curtos, e ampliou seu campo de ação, de parcerias com suplementos alimentares à criação de uma marca de energéticos de sucesso (Mansão Maromba). Hoje, o influenciador que começou registrando sua rotina fitness tem cerca de 30 milhões de seguidores nas redes (5,7 milhões no TikTok; 10,8 milhões no Instagram, 9 milhões em três canais do YouTube e 3,5 milhões no Facebook). “A internet sempre vai ser minha base, ali construí tudo. Mas hoje vejo isso como um ativo que me permite entrar em novos negócios.”
Falando em novos negócios, Toguro começou 2026 assumindo três novos e surpreendentes desafios no mundo corporativo: head de comunicação da farmacêutica Cimed; head de comunicação digital do time de futebol Portuguesa (com sua marca, Mansão Maromba, sendo a patrocinadora master do clube paulista) e VP da Rappi Brasil. “Esses trabalhos reforçaram para mim que o mercado está mudando. Não é mais seguir um caminho tradicional, é entender comportamento, executar e gerar resultado. O criador deixou de ser só mídia e passou a fazer parte da estratégia. Eu quero cada vez mais estar nesse lugar: construindo produtos e negócios.”
As 24 horas do dia se multiplicam na cabeça inquieta de Toguro. Tem espaço, atenção, disciplina e humor para Mansão Maromba, Cimed, Portuguesa, Rappi Brasil. “Continuo no mundo maromba, continuo seguindo meu lifestyle, porque essa junção faz parte do que eu sou. Mas não me limito a isso. O futuro para mim é expansão. Porque, no final, tudo volta para a consistência. Sempre falo: quem vende hoje, vende amanhã e vende sempre.” (DS)
*Textos: Dafne Sampaio, Fernanda Almeida, Giovanna Simonetti, Júlia Padovani, Mariana Krunfli e Sofia Patsch
Fotos: Victor Affaro
Assistentes de foto: Fábio Del Monte Neto e Yuri Reuters
Arte: Anderson Miguel e Pedro Nascimento
Retouch: Rodrigo Gonçalves
Produção executiva: Lucas Mano
Beleza: Renan Tavares e Rodrigo Frois
Mobiliário: Luiz Solano
Edição: David Cohen e Décio Galina
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O que muda para empresas e funcionários com o fim da Escala 6×1

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Em uma decisão histórica, o plenário do Senado Federal aprovou na noite de quarta-feira (14), em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 de trabalho, em que o empregado trabalha seis dias na semana e folga um.
Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos. O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a 77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.
O que muda com o fim da 6×1
O texto prevê folga remunerada obrigatório de dois dias por semana (uma delas preferencialmente no domingo), em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.
A mudança representa um marco na luta por direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais, e concede um dia a mais de descanso para que trabalhadores com carteira assinada possam descansar, ampliar o convívio com a família e ter mais tempo de lazer e estudos.
A proposta também preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para disciplinar situações específicas e categorias submetidas a regimes diferenciados.
Quando passa a valer a nova escala
Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Veja as regras de transição:
- Escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- Redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias);
- Jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 (em 14 meses).
Como será feito o cálculo das horas de trabalho?
No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação (quando a escala será de até 42 horas semanais em 5 dias de trabalho), o empregador deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço. Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana.
Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em 5 dias na semana. Para trabalhar mais horas, apenas mediante pagamento de hora-extra.
Exceções
O texto permite, excepcionalmente, e mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho, que seja estabelecido regime compensatório que permita escala diferente da 5×2.
Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”, garantindo “o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.
Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6×1, desde que prevista em acordo coletivo. Nesse caso, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês. Ao final desse mês, ele terá que ter gozado, na média, o equivalente a duas folgas remuneradas por semana.
A proposta também prevê que lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para os MEIs (microempreendedores individuais), microempresas e empresas de pequeno porte.
Salários acima de R$ 21 mil
A PEC também prevê jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que seja mantida a escala 5×2. Nesses casos, a duração da jornada poderá ser definida por negociação direta entre empregador e empregado.
Nesses casos, a redução da jornada só ocorrerá por liberalidade do empregador (quando é concedido sem obrigação legal) ou se estiver prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto, contudo, determina a realização da escala 5×2 nesses casos.
Quem será beneficiado
Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), elaborada com base em dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), apontou que 80% dos vínculos com jornadas superiores a 40 horas semanais tinham salários contratuais de até dois salários mínimos (atualmente em R$ 3.242). O percentual chegava a 90% quando considerado o limite de três salários mínimos (R$ 4.863).
Os vínculos com contratos de até 40 horas semanais registravam remuneração mensal média de R$ 6.211,16. Já os trabalhadores contratados para jornadas de 44 horas recebiam, em média, cerca de 42,3% desse valor, ou seja, cerca de R$ 2.627,32.
A escolaridade também aparece associada à duração da jornada. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade inferior tinham jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre aqueles com ensino superior completo, a proporção era de 53%.
Uma outra pesquisa apontou que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores. O número reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.
Os dados são de um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), elaborado com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, referente a 2025. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda trabalham acima da jornada de 40 horas semanais.
Terceirizados do Estado
A regra de transição para os trabalhadores terceirizados do poder público é diferente, sob o argumento de “evitar riscos de descontinuidade na prestação de serviços públicos essenciais executados mediante terceirização”.
As empresas que prestam serviços para o Estado terão prazo de 12 meses após a promulgação da emenda, e não 60 dias como as demais, para acabar com a escala 6×1 dos empregados.
Os contratos aditados após 60 dias da promulgação da emenda já terão que observar a nova jornada de trabalho instituída pela PEC.
Aprovação e próximos passos
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Casa legislativa, manteve o mesmo texto aprovado pelos deputados há cinco meses, de forma que a proposta não precisará retornar à Câmara e poderá seguir diretamente para a promulgação.
A votação em primeiro e segundo turnos na mesma noite foi possível após a aprovação, em votação simbólica, de um requerimento de calendário especial, feito por líderes partidários, que dispensou a exigência de novas sessões deliberativas para análise da proposta.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC chegou em agosto ao Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi levada à discussão em plenário na semana passada, após compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
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Negócios
PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
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A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
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Negócios
O que o esporte ensina aos grandes CEOs

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Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.
Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.
É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.
Marcelo Zimet, o homem de ferro
São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”
Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”
Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”
A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.
O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.
Fernanda Hoe nada em águas abertas
Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.
Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”
Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.
A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.
A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.
O tênis na vida de Ana Célia Biondi
A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.
O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”
Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”
Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”
Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.
A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.
Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.
Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”
Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.
Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”
Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”
Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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