Negócios
O custo profissional de corrigir publicamente a forma como as pessoas falam

Poucos momentos no trabalho parecem tão comuns quanto pedir para alguém repetir o que disse. Um colega fala muito baixo em uma reunião; O áudio de alguém falha em uma chamada; Um ponto se perde porque a sala está barulhenta ou porque quem fala está nervoso. A necessidade prática é clara: as pessoas precisam ouvir o que foi dito.
Mas a forma como esse pedido é feito importa mais do que muitos líderes percebem. “Você pode parar de resmungar?” pode soar direto, mas faz mais do que pedir clareza. Rotula a fala da pessoa como o problema e pode fazer alguém se sentir exposto, constrangido ou julgado diante dos colegas. O que poderia ser apenas um ajuste simples de comunicação se transforma em uma correção pública do interlocutor.
É por isso que esses momentos importam. Eles não são realmente sobre falar baixo ou de forma pouco clara, mas sobre como pedir esclarecimentos sem fazer alguém se sentir menor. Em ambientes de trabalho onde confiança, voz e presença já moldam a forma como as pessoas são percebidas, uma correção brusca pode ter mais peso do que o pretendido.
Por Que a Correção Pública Parece Pessoal
A fala está profundamente ligada à identidade. A forma como alguém soa não está separada de como essa pessoa é percebida pelos outros. Sotaque, ritmo, volume, ansiedade, neurodiversidade, confiança, contexto cultural e diferenças auditivas podem influenciar tanto a maneira como alguém fala quanto a forma como é ouvido em uma reunião. Em alguns casos, a pessoa pode falar baixo ou de maneira pouco clara porque não consegue se ouvir bem, interpreta mal a acústica da sala ou tem dificuldade para regular o volume sob pressão, o que acaba sendo rotulado como “murmurar” pode ser menos uma falha pessoal e mais um desencontro entre quem fala, quem escuta e o ambiente.
É por isso que dizer “pare de resmungar” pode soar tão rude. A frase coloca o problema inteiramente sobre quem fala, transforma uma dificuldade compartilhada de comunicação em uma falha pessoal e ainda corre o risco de constranger alguém por algo que talvez nem consiga monitorar em tempo real. O pedido pode ser sobre clareza, mas a escolha das palavras faz soar como crítica.
Isso é especialmente sensível porque autoridade profissional costuma ser injustamente associada ao estilo vocal. Pessoas que falam alto e com fluidez tendem a ser percebidas como confiantes. Já aquelas que falam baixo, fazem mais pausas ou perdem volume sob pressão podem parecer hesitantes, mesmo quando têm ideias fortes. Uma correção casual pode reforçar essas percepções e deixar alguém mais inseguro na próxima vez que falar.
A teoria da face ajuda a explicar essa dinâmica. Em conversas, as pessoas tentam preservar sua dignidade, especialmente em ambientes públicos. Uma correção brusca ameaça essa dignidade porque chama atenção para uma falha percebida, quem é corrigido talvez não pense apenas “preciso falar mais alto”, mas pode pensar: “Agora todos me veem como alguém confuso ou pouco claro.”
A Diferença Entre Clareza e Correção
O problema não é pedir para alguém repetir o que disse, isso muitas vezes é necessário. Interações entre duas pessoas dependem da capacidade de ouvir e compreender uma à outra, o problema está em saber se o pedido preserva a dignidade da pessoa enquanto resolve a dificuldade de comunicação.
- “Você pode parar de resmungar?” coloca toda a responsabilidade sobre quem fala.
- “Você pode repetir? Perdi a última parte” faz algo diferente. Divide o peso da situação de forma mais elegante. Faz a questão parecer relacionada à audição da mensagem, não à capacidade da pessoa.
- “Você pode falar um pouco mais alto? Quero ter certeza de que entendi direito” é ainda melhor porque sinaliza que a contribuição importa.
Essa diferença é pequena, mas importante.
Boa comunicação no trabalho não serve apenas para transferir informação, ela também administra relações. Uma formulação que protege a dignidade do outro quase sempre funciona melhor do que uma que gera constrangimento.
Por Que Isso Pode Silenciar Pessoas
Um comentário sobre “murmurar” pode ter consequências que vão além daquele momento. Alguém que já se sente ansioso ao falar pode ficar ainda mais autoconsciente. Em vez de focar na ideia, passa a monitorar a própria voz:
- Estou falando alto o suficiente?
- Pareço nervoso?
- As pessoas estão me julgando?
Essa mudança importa porque atenção é limitada. Quando alguém fica excessivamente preocupado com a forma como está sendo percebido, sobra menos atenção para pensar com clareza. Um pedido que deveria melhorar a comunicação pode acabar piorando-a.
Segurança psicológica também é relevante aqui. As pessoas tendem a participar mais quando acreditam que não serão punidas ou humilhadas por isso. Corrigir publicamente a forma como alguém fala pode enfraquecer essa sensação de segurança, especialmente se a correção soar irritada, impaciente ou desdenhosa. A pessoa talvez continue contribuindo depois, mas geralmente com mais cautela.
O Que Líderes Deveriam Dizer em Vez Disso
A melhor abordagem é fazer um pedido específico, respeitoso e assumido por quem escuta. Em vez de dizer “pare de resmungar”, diga: “Perdi esse último ponto. Você pode repetir?” Ou: “Você pode falar um pouco mais alto? Quero ter certeza de que entendi.” Se o problema for qualidade do áudio em uma chamada, diga isso diretamente: “Seu áudio está um pouco baixo para mim. Você pode se aproximar do microfone?”
Essas alternativas funcionam porque removem julgamentos desnecessários. Elas não diagnosticam a pessoa, mas dentificam a barreira e convidam à correção do problema. Também evitam transformar o momento em uma avaliação de caráter.
Líderes precisam ser ainda mais cuidadosos aqui. Quando alguém em posição sênior diz “pare de resmungar”, o peso é maior do que quando a frase vem de um colega no mesmo nível hierárquico. As mesmas palavras podem soar como impaciência casual em um caso e humilhação pública em outro. O poder muda a forma como a linguagem é recebida.
A Lição de Liderança
Líderes definem o tom de como as pessoas são corrigidas em público. Se modelam brutalidade, as equipes tendem a reproduzi-la. Se modelam correções respeitosas, as pessoas aprendem que é possível pedir clareza sem gerar constrangimento.
O objetivo não é evitar franqueza, e sim evitar vergonha desnecessária. Pedir para alguém repetir o que disse é perfeitamente aceitável. Pedir que fale mais claramente pode ser necessário, mas dizer “pare de resmungar” transforma a pessoa no problema, em vez da falha de comunicação.
Na maioria dos ambientes de trabalho, as pessoas não precisam apenas de frases mais polidas por educação. Precisam de linguagem que ajude o trabalho a avançar sem fazer colegas se sentirem menores. O melhor pedido não é o mais duro, e sim aquele que traz clareza sem sacrificar o respeito.
Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Bauducco Anuncia Novo CEO
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O Grupo Pandurata — holding que detém as marcas Bauducco, Casa Bauducco, Visconti, Tommy e Ellece Logística — anunciou Stefano Mozzi como seu novo CEO.
Na companhia há 16 anos, o executivo liderava até então a unidade internacional Bauducco Foods. Com mais de três décadas de experiência no mercado, ele soma passagens por empresas como Kraft e GranFood.
Mozzi assume a cadeira de Andrea Martini, que liderava a operação desde 2021 e passa agora a integrar o conselho de administração do grupo.
A movimentação também gerou mudanças na operação internacional. Com a promoção de Mozzi, Jean-Pierre Comte assume como CEO da marca na América do Norte.
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Negócios
Tim Cook Deixa Liderança da Apple após 15 Anos

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Tim Cook encerra seu ciclo como CEO da Apple nesta segunda-feira (31), após quase 15 anos à frente da companhia. A partir de 1º de setembro, John Ternus, responsável pela área de engenharia de hardware, assumirá a liderança.
Cook, no entanto, seguirá na Apple, presidindo o conselho de administração da empresa. Já Ternus, além de ocupar a cadeira de CEO, será nomeado para o conselho da companhia. O executivo assume às vésperas do evento da Apple, em 9 de setembro, quando a companhia deve apresentar o iPhone 18, além de possivelmente revelar seu primeiro iPhone dobrável.

O legado de Tim Cook na Apple
Cook entrou na Apple em 1998, recrutado por Steve Jobs numa época em que muitos achavam que a empresa estava à beira da falência. Na época, muitos o aconselharam a não aceitar o emprego na empresa, mas o fundador disse coisas que Cook considerou persuasivas.

Ele assumiu o cargo de CEO em 2011, quando Jobs deixou a função. Entre suas conquistas, estão o lançamento do Apple Watch, dos AirPods e do Apple Vision Pro. Ele redefiniu o foco da Apple para incluir serviços como Apple Pay, Apple TV e Apple Music, que provaram ser um grande sucesso.
A nova gestão deve ser de continuidade com o legado de Cook, que John Ternus descreve como seu mentor. “Sinto-me honrado em assumir este cargo e prometo liderar com os valores e a visão que definiram este lugar especial por meio século”, disse o novo CEO.
Quem é o novo CEO da Apple?
Ternus ingressou na Apple em 2001 e desempenhou um papel fundamental na retomada das vendas de produtos como os computadores Mac, que ganharam participação de mercado nos últimos anos. Recentemente, o executivo trabalhou no desenvolvimento e lançamento do MacBook Neo, a nova opção de laptop econômico da Apple, bem como no iPhone 17, iPhone Air e AirPods.

Ao nomeá-lo como CEO, a Apple promove uma transição de Cook — um especialista em cadeia de suprimentos que ajudou a transformar a empresa em uma marca global que vende centenas de milhões de unidades por ano — para um líder que há anos está focado em design e produtos.
Ben Bajarin, CEO da consultoria de tecnologia Creative Strategies, afirmou que Ternus é bem visto dentro da Apple “e trará uma nova energia” para a companhia.
Separadamente, a Apple informou que Johny Srouji, responsável pelo desenvolvimento dos chips proprietários e sensores da companhia, foi nomeado diretor de hardware.
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Negócios
Brasil Cria 58,6 Mil Empregos Formais em Julho, Pior Resultado para o Mês desde 2020
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O Brasil abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.
O resultado do mês passado foi fruto de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos e ficou bem abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 112.000 vagas.
O saldo de julho foi o mais baixo do ano até agora e o menor para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, que contabiliza dados a partir de 2020. No mesmo mês em 2025, foram criadas 133.932 vagas de trabalho.
No acumulado do ano até o mês passado, foi registrado saldo positivo de 972.203 postos, o pior para o período desde 2020, quando houve fechamento de 1.398.484 vagas em meio à pandemia da Covid-19.
Para o economista do ASA, Leonardo Costa, os resultados reforçam que o mercado de trabalho está em um processo gradual de arrefecimento, apesar de ainda resiliente. Segundo ele, a avaliação da instituição é de que a atividade econômica seguirá em desaceleração ao longo de 2026.
“A desaceleração tem sido mais visível em setores tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria, comércio e construção civil, enquanto o setor de serviços segue sustentando a geração de empregos”, afirmou.
Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços liderou a abertura, como de costume, com 24.098 postos, seguido por construção (12.691 postos), agropecuária (12.523 postos) e indústria (11.315). O comércio foi o único setor a registrar saldo negativo, com fechamento de 2.056 vagas.
O ministro do Trabalho em exercício, Chico Mecena, atribuiu as sucessivas baixas dos números do comércio aos efeitos de juros altos, que, segundo ele, inibem o crédito a consumidores e o investimento de lojistas.
Ele também destacou a migração da atividade do setor para os mercados virtuais.
“Você tem um direcionamento cada vez mais (para) o crescimento das lojas online”, afirmou. “É um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural.”
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