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Sachês de nicotina: o que são e para que servem?

Redação Informe ES

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Em janeiro de 2025, o FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA, equivalente à Anvisa, autorizou a venda de Zyn, o sachê de nicotina no país. Eles são bolsas de fibra sintéticas com pó de nicotina que contém sabor e aroma. 

A comercialização dos sachês de nicotina é proibida no Brasil e na União Europeia, com exceção da Suécia, onde a venda é liberada. Mas, afinal, o que são os sachês de nicotina? Saiba tudo a seguir.

O que são e para que servem os sachês de nicotina?

Tradicional em países como a Noruega, Dinamarca, Islândia, Finlândia e, principalmente, Suécia, além das Ilhas Faroé, regiões autônomas como a Groenlândia (da Dinamarca) e as ilhas Åland (da Finlândia), os sachês de nicotina são pequenos saquinhos feitos de celulose e que podem ter como recheio a nicotina e o pó de tabaco.

Pessoa pegando um saquinho de nicotina
Pessoa pegando um sachê de nicotina – Imagem: Alexanderstock23/Shutterstock

Conhecido inicialmente como snus, o produto é originário da Suécia e possuía tabaco em pó. Porém, o snus que ficou famoso nos Estados Unidos e na Europa é, na verdade, o Zyn – uma evolução da mercadoria, e a principal diferença é que esse novo produto contém apenas nicotina em pó, sem tabaco.

No Brasil, o Zyn tem chegado de maneira ilegal com a promessa de ser uma opção aos cigarros tradicionais.

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O produto ainda pode vir com gostos diferentes, como menta, canela, hortelã, café e outros. Em comparação ao cigarro comum, o Zyn tem 8 mg de nicotina. Porém, a autorização emitida nos EUA, estabelece que o sachê de nicotina deve ser vendido com uma quantidade entre 3 mg e 6 mg. A diferença entre eles é que o primeiro não tem fumaça, fazendo ele ser menos nocivo. 

Leia mais: 

  • Produto à base de nicotina tem deixado jogadores de futebol viciados
  • Cannabis e nicotina na gravidez quadruplicam risco de óbito infantil
  • Qual é mais prejudicial para a saúde: vape ou cigarro?

O item foi aprovado nos EUA para ser uma ferramenta que ajuda as pessoas a largarem o vício de fumar cigarros. O uso da bolsa de nicotina é feito da seguinte forma: a pessoa a coloca entre a gengiva e os lábios e assim, a substância é liberada de forma lenta. 

No entanto, a alta dose de nicotina é uma preocupação da medicina, pois pode viciar e até contribuir com doenças cardiovasculares, além de originar substâncias cancerígenas (as nitrosaminas).

Por que os Estados Unidos autorizaram os sachês de nicotina?

Zyn à venda em uma loja
Zyn à venda em uma loja – Crédito editorial: PJ McDonnell / Shutterstock.com

A autorização foi dada pela FDA com o intuito de ajudar as pessoas adultas a pararem de fumar cigarros. No país, é permitida a comercialização do produto em 10 sabores, incluindo canela, menta e café.

De acordo com Matthew Farrelly, Ph.D., diretor do Escritório de Ciências do Centro de Produtos de Tabaco da FDA, “para receber autorizações de comercialização, a FDA precisa ter evidências suficientes de que os novos produtos oferecem maiores benefícios aos riscos à saúde da população. Neste caso, os dados mostram que esses produtos em sachês de nicotina atendem a esse requisito, beneficiando adultos que usam cigarros e/ou produtos de tabaco sem fumaça e que migraram completamente para esses produtos”.

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Somente adultos a partir dos 21 anos podem adquirir o produto. Apesar disso, o órgão ressalta que jovens e adultos que não usam produtos de tabaco, não devem começar a utilizar o sachê de nicotina. 

Consequências do uso dos sachês

Especialistas se preocupam com os efeitos do uso da nicotina a longo prazo, já que a substância pode gerar problemas gastrointestinais, cardiovasculares e de saúde bucal.

Em entrevista ao CBS News, o Dr. Mustali Dohadwala, diretor médico e clínico geral da clínica particular Heartsafe, especializada em cardiologia, afirmou que o produto aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. 

Além disso, o médico afirmou que o que mais o preocupa “é a doença periodontal. Há substâncias químicas tóxicas nessas bolsas, que podem causar lesões nas gengivas. Lesões persistentes e recorrentes podem levar à inflamação, infecção e, principalmente, ao câncer”.

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A substância é conhecida por trazer uma sensação de relaxamento. Porém, especialistas alertam que após o efeito passar, ocorre um grande nervosismo e ansiedade.

Debate político e social

A decisão de autorizar a comercialização dos sachês de nicotina gerou diversas discussões. Yolonda Richardson, da Campanha para Crianças Livres de Tabaco, por exemplo, disse à Associated Press que “FDA não deveria autorizar a venda de nenhum produto de tabaco saborizado, dado o histórico bem documentado da indústria do tabaco de usar produtos saborizados para atrair e viciar crianças”.

Outra figura que já se demonstrou contra foi o senador Chuck Schumer, que afirmou que os “sachês de nicotina parecem ter como alvo os jovens – adolescentes e até menores – e então usam as mídias sociais para fisgá-los”. 

Quem defende o uso dos sachês, afirma que elas geram uma sensação de euforia. Há quem também destaque a eficácia do produto para auxiliar na cessação do tabagismo.

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Folha de S.Paulo entra com processo contra Perplexity

Redação Informe ES

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A Folha de S.Paulo entrou com ação judicial contra a Perplexity para exigir que a empresa estadunidense de tecnologia interrompa imediatamente a coleta e o uso não autorizado — e sem remuneração — de conteúdos do jornal para alimentar sua plataforma de inteligência artificial (IA).

O processo foi apresentado à Justiça de São Paulo e também pede indenização pelo uso indevido das reportagens no treinamento dos modelos de IA e pela entrega de resumos e cópias de matérias jornalísticas aos internautas.

Segundo a Folha, a Perplexity também disponibiliza conteúdos exclusivos para assinantes pagantes sem autorização do jornal.

O veículo solicita ainda que a empresa destrua os modelos de IA que utilizaram material protegido da Folha. O juiz responsável pelo caso determinou que a Perplexity se manifeste em até 72 horas.

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A Folha também pediu à Justiça que seja estabelecida uma multa diária caso a Perplexity descumpra uma eventual ordem de bloqueio de acesso ao conteúdo do jornal.

Folha aponta três violações

  • Segundo Taís Gasparian, advogada da Folha, a ação está baseada em três pontos: concorrência desleal, violação do paywall e violação dos direitos autorais;
  • Para Gasparian, o trabalho realizado pelo jornal para produzir conteúdo jornalístico é prejudicado pelo uso não autorizado das reportagens;
  • “O enorme esforço que o bom jornalismo faz para se manter em pé é vilipendiado com o aproveitamento desautorizado de seu conteúdo, mediante o drible de regras”, disse à Folha;
  • A Folha, por sua vez, afirmou que adota mecanismos técnicos para impedir o acesso não autorizado ao conteúdo, mas que esses recursos são ignorados ou contornados pelos mecanismos do chatbot de IA;
  • Segundo o jornal, foram registrados centenas de milhares de acessos indevidos.

Tentativa de acordo com a Perplexity

A ação também destaca que a Folha tentou estabelecer um acordo de licenciamento amigável com a Perplexity. A proposta seguia o modelo de parcerias financeiras para utilização de conteúdo que o jornal firmou com a OpenAI e com o Google. Segundo a Folha, porém, a Perplexity ignorou a tentativa de negociação.

O jornal já havia processado a OpenAI em 2025. Em maio deste ano, a Folha e o UOL anunciaram um acordo com a startup, considerado inédito no Brasil, para fornecer conteúdo destinado ao ChatGPT. Também em 2025, a Folha firmou parceria semelhante com o Google para contribuir com o aperfeiçoamento do Gemini.

Tela para baixar o navegador Comet da Perplexity
Comet é um dos programas de IA da Perplexity – Imagem: agustin.photo/Shutterstock

Perplexity enfrenta outros processos

A Perplexity também enfrenta ações judiciais em diferentes países movidas por grupos de mídia que alegam uso indevido de seus conteúdos.

O caso da Folha se insere em disputa mais ampla entre empresas de IA e organizações jornalísticas sobre a utilização de conteúdo protegido por direitos autorais para treinamento de modelos e geração de respostas aos usuários.

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Em 2023, o The New York Times também processou a OpenAI e a Microsoft por violação de direitos autorais. O jornal estadunidense afirmou que a empresa de IA deveria pagar bilhões de dólares em indenização por “copiar e usar de forma ilegal o valioso conteúdo”. As companhias continuam envolvidas na disputa judicial.

O que diz a Perplexity

O Olhar Digital tentou contato com a Perplexity para um posicionamento oficial sobre o tema, sem sucesso.

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Ondas de calor deixam mais de 30 mil mortos na Europa

Redação Informe ES

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A Europa registrou mais de 30 mil mortes acima do esperado durante um verão marcado por ondas de calor consecutivas e períodos de seca. Segundo uma estimativa provisória da plataforma EuroMomo, mais de 32 mil mortes acima do esperado foram contabilizadas no continente entre meados de julho e meados de agosto. O número ainda pode ser revisado.

A EuroMomo reúne estatísticas oficiais de 23 países, mas não divulga o total separado por nação. Em uma análise independente, a AFP somou dados provisórios de autoridades de oito países, referentes a períodos que vão aproximadamente do fim de maio a agosto, e chegou a 33 mil mortes acima do esperado ou diretamente relacionadas ao calor.

Duas semanas concentram maior número de mortes

As estimativas semanais mais recentes da EuroMomo indicam que a última semana de junho foi a mais letal do verão, com quase 16 mil mortes acima do esperado. A primeira semana de julho aparece em seguida, com aproximadamente 8 mil mortes.

Os dois períodos coincidiram com uma das ondas de calor excepcionais registradas no verão europeu. Ao mesmo tempo, a seca generalizada criou condições favoráveis para incêndios florestais.

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Os números ainda devem ser revisados nas próximas semanas, o que pode alterar a estimativa total. A plataforma também utiliza um modelo que considera estatísticas oficiais de 23 países e deixa de fora parte do leste europeu.

Pessoas caminham sob forte calor e poeira em uma rua
Pessoas caminham sob condições de calor intenso; idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor – Imagem: LCV / Shutterstock

Alemanha registra recorde desde 2016

A Alemanha contabilizou 14 mil mortes relacionadas às ondas de calor até 9 de agosto, de acordo com dados oficiais do Instituto Robert Koch. O número é o maior desde o início dos registros desse tipo, em 2016.

Segundo o instituto, pessoas com mais de 75 anos foram as mais afetadas pelo calor, seguindo um padrão também observado em outros países europeus.

Na França, as autoridades de saúde contabilizaram 7.300 mortes acima do esperado entre o fim de maio e 22 de julho. O número deve aumentar, já que uma longa onda de calor iniciada no fim de julho havia terminado recentemente.

Na Espanha, quase 4.500 mortes atribuídas ao calor foram registradas entre 1º de junho e 19 de agosto. De acordo com o Instituto Carlos III, foi o maior número para esse período do ano desde 2022.

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Inglaterra se aproxima de recorde histórico

Na Inglaterra, a autoridade de saúde e segurança estima 2.877 mortes relacionadas ao calor durante as ondas registradas em maio e junho. O número se aproxima do recorde histórico de 2.985 mortes registrado no verão de 2022.

A autoridade alertou que o total de mortes relacionadas ao calor em 2026 pode ser substancialmente maior devido a outros períodos de temperaturas elevadas ao longo do ano.

Na Bélgica, foram estimadas 2.570 mortes acima do esperado entre 18 de junho e 17 de julho, segundo o instituto nacional de saúde pública Sciensano. O número será atualizado em setembro, incluindo o período de 25 de julho a 16 de agosto.

Nos Países Baixos, uma análise de dados do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM) aponta 968 mortes acima do esperado entre 22 de junho e 5 de julho.

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A Áustria registrou 396 mortes relacionadas às ondas de calor em junho, segundo a agência de saúde e segurança alimentar AGES. O número é o maior para o mês desde o início da série de dados públicos, em 2017.

Em Portugal, foram registradas mais de 600 mortes acima do esperado entre meados de junho e o fim de julho, segundo dados da Direção-Geral da Saúde analisados pela AFP.

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VÍDEO: China faz pouso inédito de foguete reutilizável em terra firme

Redação Informe ES

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A China conseguiu realizar um feito inédito na área de lançamentos espaciais ao recuperar, pela primeira vez em terra firme, o primeiro estágio de um foguete após um voo orbital. O sucesso foi alcançado pelo Zhuque-3, desenvolvido pela empresa espacial privada chinesa LandSpace, durante lançamento realizado na Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng.

O lançamento ocorreu na quarta-feira (19), pelo horário local da China — ainda na noite de terça-feira (18) no Brasil. Depois de cumprir a etapa orbital da missão, o primeiro estágio do foguete retornou à Terra e realizou um pouso vertical controlado na área prevista para recuperação, em Minqin, na província de Gansu.

O resultado representa um avanço importante para o programa espacial comercial chinês e coloca a LandSpace entre as empresas que já demonstraram na prática a capacidade de recuperar um estágio de um foguete orbital em terra. O objetivo da tecnologia é permitir que partes do veículo sejam utilizadas novamente em outras missões, reduzindo custos e aumentando a frequência dos lançamentos.

Veja o feito:

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Como funciona o Zhuque-3

  • O Zhuque-3 tem 66,1 metros de comprimento e é formado por dois estágios, com um núcleo único. A estrutura utiliza principalmente aço inoxidável, enquanto os motores são alimentados por metano líquido e oxigênio líquido. O primeiro estágio possui nove motores Tianque-12A;
  • O estágio responsável pelo retorno conta com diferentes sistemas para controlar a trajetória durante a reentrada. Entre eles estão aletas de estabilização, sistemas de controle de atitude e pernas de pouso, que permitem ao veículo desacelerar e realizar uma aterrissagem vertical depois de se separar do segundo estágio;
  • A recuperação é uma das partes mais complexas da missão. Depois da separação, o primeiro estágio precisa controlar sua trajetória durante a reentrada, realizar novas queimas dos motores e reduzir progressivamente a velocidade até tocar o solo na posição planejada.

A LandSpace já havia realizado testes específicos para desenvolver essa capacidade. Em janeiro de 2024, um veículo de testes equipado com um motor Tianque-12 realizou uma decolagem e um pouso vertical depois de alcançar cerca de 350 metros de altitude.

O pouso ocorreu a aproximadamente 2,4 metros do ponto previsto e com velocidade de apenas 0,75 metro por segundo. Em setembro do mesmo ano, outro teste levou a tecnologia a mais de dez quilômetros de altitude e incluiu desligamento e reacendimento do motor durante o voo.

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Segunda tentativa deu certo

O pouso bem-sucedido desta semana também representa uma recuperação importante para a LandSpace depois de uma primeira tentativa malsucedida.

O voo inaugural do Zhuque-3 aconteceu em dezembro de 2025. Na ocasião, o segundo estágio conseguiu colocar a carga em órbita, mas o primeiro estágio não completou a recuperação.

O propulsor apresentou uma anomalia durante a fase final da tentativa de pouso e acabou destruído. Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, houve uma combustão anormal durante o processo de recuperação.

Apesar da falha, a primeira missão forneceu dados importantes para o desenvolvimento do sistema. A LandSpace conseguiu verificar o comportamento da estrutura e da proteção térmica durante a reentrada, além do controle aerodinâmico e dos sistemas utilizados para orientar o estágio durante a descida.

A empresa também conseguiu avaliar os algoritmos de orientação durante as fases de reentrada e reacendimento dos motores. Assim, embora o primeiro pouso tenha fracassado, a missão ajudou a identificar os pontos que precisavam ser corrigidos antes de uma nova tentativa.

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Bandeiras de China e EUA entre um foguete
Marco é importante na corrida espacial da China contra os Estados Unidos – Imagem: azrin_aziri/Shutterstock

China já havia recuperado outro foguete

O feito do Zhuque-3 precisa ser colocado em contexto, porque a China já havia conseguido recuperar um primeiro estágio de um foguete orbital antes.

Em julho de 2026, o país recuperou o primeiro estágio de um Long March-10B depois de seu voo inaugural. A diferença é que o estágio foi capturado por uma estrutura instalada em uma embarcação no mar, em vez de realizar um pouso vertical sobre pernas.

O Zhuque-3, portanto, representa uma nova etapa nessa tecnologia: é o primeiro foguete chinês a realizar uma recuperação orbital em terra, com o primeiro estágio retornando de forma controlada e pousando verticalmente.

A diferença também é relevante porque a estratégia da LandSpace segue conceito semelhante ao utilizado pela SpaceX em seus foguetes Falcon 9. Em vez de descartar o primeiro estágio no oceano, o veículo utiliza seus próprios motores para reduzir a velocidade e retornar à superfície, onde pode ser recuperado e preparado para um novo voo.

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A China passa, assim, a utilizar duas abordagens diferentes para recuperar estágios de foguetes orbitais: a captura no mar, demonstrada pelo Long March-10B, e o pouso vertical em terra, agora demonstrado pelo Zhuque-3.

Corrida pela reutilização

A tecnologia é considerada estratégica para o crescimento do setor espacial comercial chinês. O Zhuque-3 foi projetado para uma nova geração de veículos capazes de realizar lançamentos com menor custo, maior capacidade de carga e maior frequência.

A reutilização do primeiro estágio pode diminuir a quantidade de componentes que precisam ser fabricados para cada missão. Em vez de construir um novo propulsor para cada lançamento, a empresa pode recuperar, inspecionar e preparar o mesmo estágio para novos voos.

Esse modelo foi popularizado pela SpaceX, que transformou a recuperação e reutilização dos primeiros estágios do Falcon 9 em uma operação recorrente. A China vem tentando desenvolver tecnologias próprias para competir nesse segmento, tanto por meio de empresas estatais quanto de companhias privadas.

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No caso do Zhuque-3, a LandSpace aposta em motores alimentados por metano e oxigênio líquidos, combinação que também é utilizada pela SpaceX no sistema Starship. O foguete chinês tem capacidade prevista de transportar até 18,3 toneladas para a órbita baixa da Terra quando o primeiro estágio é recuperado.

O sucesso do pouso, portanto, não significa que a China tenha alcançado o mesmo nível de maturidade operacional da SpaceX. O Zhuque-3 ainda está em sua fase inicial de desenvolvimento e acabou de demonstrar a recuperação orbital em terra pela primeira vez. Mas o resultado elimina uma das principais barreiras tecnológicas para que a China passe a operar lançadores parcialmente reutilizáveis em escala comercial.

A expectativa é que tecnologias desse tipo sejam utilizadas para ampliar a capacidade chinesa de colocar satélites em órbita, especialmente em momento em que o país trabalha na expansão de grandes constelações de satélites de órbita baixa e no crescimento de seu setor espacial comercial.

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