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Como se Tornar Juiz: O Caminho até a Magistratura e os Benefícios da Carreira
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Seguir a carreira de juiz vai muito além da estabilidade institucional ou do prestígio do cargo. Como pilar da aplicação da lei e da preservação da ordem e da justiça, a função reúne um conjunto de garantias e benefícios que posições de C-Level no setor privado dificilmente conseguem equiparar.
Com teto salarial de R$ 46.366,19 desde 2025, balizado pelo subsídio dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o real brilho da função está nos “extras” institucionais: o magistrado desfruta de 60 dias de férias anuais e gratificações por aulas em escolas oficiais ou atuação na Justiça Eleitoral.
Além disso, possui garantias como a vitaliciedade (a impossibilidade de perder o cargo após dois anos) e a inamovibilidade (o direito de não ser transferido contra a sua vontade). “São garantias para que o juiz possa decidir livre de pressões políticas, econômicas ou institucionais, com imparcialidade e sem receio de retaliações”, explica Flávia Martins, magistrada do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) e primeira juíza negra a integrar a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O acesso ao cargo exige atravessar um funil estreito. Em tribunais federais, a concorrência pode ultrapassar 100 candidatos por vaga, mas muitas cadeiras terminam vazias ao final do processo, devido ao rigor técnico das provas. “O concurso envolve prova de múltipla escolha, prova escrita e exame oral, em fases sucessivas e eliminatórias”, diz Flávio Yarshell, advogado e professor titular de Direito Processual Civil na USP (Universidade de São Paulo).
A seguir, os especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre a carreira de juiz, da rotina de trabalho e benefícios ao percurso necessário para chegar à magistratura.
Quais as funções de um juiz?
Flávia Martins: O juiz é um membro do Poder Judiciário investido de jurisdição, ou seja, que tem o poder de dizer quem tem direito. Mas, para isso, o juiz não pode agir conforme a sua opinião. Tudo o que ele faz deve ser de acordo com a Constituição e com as leis do nosso país.
Qual o caminho para ser juiz no Brasil?
Flávio Yarshell: A regra é ingresso por concurso público. Nos Tribunais, advogados e membros do Ministério Público podem ingressar nos quadros da Magistratura mediante indicação de seus pares, votação pelas Cortes e nomeação pelo Executivo.
Como funciona o concurso?
Flávia Martins: O concurso tem diversas etapas: primeiro, uma prova objetiva; a segunda etapa prevê prova discursiva e provas de sentença cível e criminal. A seguir, há sindicância de vida pregressa e exame de saúde. Por fim, o candidato passa pela prova oral. A verificação de títulos é apenas classificatória.
Qual a rotina de um juiz em início de carreira?
Flávia Martins: Em regra, o cargo é de juiz substituto. O recém-aprovado atua substituindo o titular em férias ou licenças, o que torna a rotina dinâmica, pois nem sempre se permanece no mesmo lugar. O dia a dia consiste em analisar processos, realizar audiências, visitar abrigos e instituições para adolescentes em conflito com a lei e atender advogados.
Qual a faixa salarial de um juiz?
Flávio Yarshell: Isso varia conforme o plano federal ou estadual. Em concursos recentes, o subsídio inicial ficou entre R$ 30.000 e R$ 38.000. O teto do serviço público é o valor do subsídio de ministro do STF, fixado em R$ 46.366,19 desde fevereiro de 2025.
Além da remuneração fixa, quais outros benefícios o magistrado recebe ou pode receber?
Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê adicionais como gratificação pela prestação de serviços à Justiça Eleitoral e gratificação por aula ministrada em curso oficial de Aperfeiçoamento de Magistrado.
Flávio Yarshell: Eventualmente, verbas previstas em lei, como diárias, ajuda de custo, salário-família, gratificação por serviço eleitoral, entre outras. Em alguns casos, também há auxílio-alimentação.
O que são vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos?
Flávio Yarshell: São garantias para proteger a independência do juiz: gozar de estabilidade no cargo (vitaliciedade); não ser removido sem motivo ou forma legal (inamovibilidade) e não ter redução do valor nominal do subsídio (irredutibilidade).
Como funcionam as férias dos juízes?
Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê férias anuais de sessenta dias. Esse período pode ser fracionado ao longo do ano.
Como funciona a progressão de carreira na magistratura?
Flávio Yarshell: O juiz começa como substituto, torna-se titular e pode chegar ao tribunal por antiguidade ou merecimento. Juízes de carreira também podem chegar a tribunais superiores mediante escolhas e nomeações específicas.
Que competências e atributos são essenciais na magistratura?
Flávia Martins: São muitas, mas, de um modo simples, creio que gostar de aprender e gostar de gente são as mais importantes.
Qual é a formação necessária para se tornar juiz?
Flávio Yarshell: Bacharelado em Direito e, em regra, três anos de atividade jurídica.
Quais cursos complementares são recomendados?
Flávio Yarshell: Cursos ofertados pelas Escolas da Magistratura e por universidades de idoneidade reconhecida.
É necessário ter OAB?
Flávia Martins: Para ser juiz não é necessário ter OAB, mas a prática jurídica de três anos, em regra, exigirá o registro. No entanto, depois de aprovado, o candidato deve solicitar o cancelamento da carteira da OAB.
Como fazer uma transição de carreira para ser juiz?
Flávia Martins: Eu fiz essa transição, Direito é minha segunda faculdade. Cursei a graduação, fiz mestrado (que na época contava como prática) e iniciei a preparação por cursos específicos. Não é necessário se dedicar exclusivamente aos estudos, mas exige muita dedicação.
Há crescimento na demanda por juízes no Brasil?
Flávia Martins: Sim, os últimos anos têm sido de crescente judicialização da vida, o que exige a ampliação do Poder Judiciário.
Há escassez de magistrados ou a oferta de candidatos supera o número de vagas?
Flávio Yarshell: Há demanda contínua, mas o número de candidatos supera o de vagas. Porém, isso não garante o preenchimento total: muitas vagas sobram devido ao altíssimo nível de exigência dos concursos.
Qual o nível de concorrência para ser aprovado?
Flávio Yarshell: A concorrência tende a apresentar números menores após a criação do ENAM (Exame Nacional para a Magistratura), que funciona como habilitação prévia. Em 2025, o concurso para o TJSP teve cerca de 18 candidatos por vaga, enquanto a Justiça Federal (3ª Região) chegou a 116 por vaga.
O que diferencia um juiz de um desembargador?
Flávia Martins: O juiz profere a primeira decisão do caso. Se houver recurso, o caso vai ao Tribunal para ser reapreciado por um grupo de desembargadores, que podem manter ou alterar a decisão. Há casos que, por competência constitucional, começam direto com os desembargadores.
Quais são os caminhos para alcançar o posto de desembargador?
Flávio Yarshell: O caminho principal é a promoção na carreira por antiguidade ou merecimento. Outra via é o “quinto constitucional”, onde parte das vagas no tribunal é reservada a advogados e membros do Ministério Público.
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Oncoclínicas Elege Marcel Vieira Como Novo CFO após Renúncia de Camille Faria
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Oncoclínicas disse na noite de domingo (15) que o seu conselho aprovou por maioria a eleição de Marcel Cecchi Vieira para os cargos de vice-presidente executivo, diretor executivo financeiro e diretor executivo de relações com investidores, conforme ata do conselho de administração da companhia.
A eleição do novo CFO ocorreu após a renúncia de Camile Loyo Faria dos mesmos cargos, de acordo com o documento.
O grupo não revelou detalhes sobre os motivos que levaram a saída de Faria, mas disse em outro documento que Cecchi iria ocupar interinamente os cargos.
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Igualdade de Gênero em Cifras: O Que Dizem os Dados sobre Remuneração de CEOs

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em março celebramos o Dia Internacional das Mulheres e, assim como nos últimos anos, pautas relacionadas à luta pela igualdade de direitos e condições voltaram a ganhar espaço na mídia e nas redes sociais, acompanhadas de relatos de misoginia e preconceito no ambiente corporativo.
Esse não é exatamente um reflexo da minha experiência pessoal, mas é inegável que ainda temos um longo caminho a percorrer. Ao longo dos meus mais de 20 anos de carreira corporativa, já ouvi que eu só podia ser ou bonita ou inteligente, e que estavam surpresos por eu não estar apenas de forma cenográfica nas reuniões. Também já ouvi que precisavam de mim entre um grupo de líderes porque eu representaria a diversidade, por ser mulher (e não pelo que eu tinha a contribuir em termos de conhecimento).
Mas isso não reflete nem minimamente a minha história profissional, e não foi causa e nem consequência dos lugares que ocupo hoje, seja no meio corporativo, no ambiente acadêmico, como colunista ou como membro de comitês de pessoas.
Liderança feminina avança
Mesmo que a percepção geral seja a de que a desigualdade entre homens e mulheres seja uma verdade absoluta e intransponível, os números nos mostram que as mulheres vêm alcançando maior destaque na liderança das organizações. É uma mudança lenta, mas real.
Vejamos, por exemplo, as empresas listadas na B3, que indicam um crescimento de 47% em 2024 para 52% das organizações tendo pelo menos uma mulher na diretoria estatutária em 2025. Parece um crescimento pequeno, mas em 2021 somente 39% das empresas tinham lideranças femininas. A presença de mulheres nos conselhos de administração também subiu de 66% para 69% no último ano.
É verdade que, destas empresas, 36% possuem somente uma mulher na diretoria, e que as posições de CEO ainda estão majoritariamente concentradas em perfis masculinos (aproximadamente 95% dos cargos). Mas a evolução está acontecendo.
A igualdade de gênero na remuneração
Além de saber se as mulheres estão conseguindo crescer na estrutura, é também preciso comparar a remuneração praticada para homens e mulheres nestas posições executivas. Infelizmente, a partir do Formulário de Referência, só é possível segmentar por gênero os dados de remuneração para a posição de CEO. E como a amostra de mulheres é muito pequena, a análise fica prejudicada. Mas já conseguimos ter alguns insights importantes.
Contei com a ajuda da IA para comparar a remuneração de cinco mulheres, ocupando posições de CEO em grandes empresas de capital aberto, com a remuneração de CEOs homens em empresas de portes similares no setor privado. Nesta análise, excluí os programas de ILP (Incentivos de Longo Prazo) por terem características muito específicas, como por exemplo as diferenças de outorgas anuais vs mega grants.
Os gráficos a seguir indicam a Receita Líquida das empresas no eixo X e a remuneração dos CEOs no eixo Y, sendo que o primeiro considera somente a remuneração fixa e o segundo inclui o fixo + bônus anuais. Em ordem crescente de Receita Líquida, as empresas lideradas por mulheres são: Moura Dubeux, Alupar, Nubank, Banco do Brasil e Petrobras.


Os dados revelam que o maior gap salarial entre gêneros no topo das empresas de capital aberto não decorre necessariamente de uma política discriminatória direta, mas sim de uma distorção estrutural: as mulheres CEOs de maior visibilidade estão concentradas em estatais (Petrobras e BB).
Devido ao teto salarial do funcionalismo público, essas executivas gerem receitas bilionárias recebendo até 90% menos que seus pares masculinos que lideram empresas privadas de porte similar. Já nas 3 primeiras empresas do gráfico, que refletem dados do setor privado, esse gap fica numa média de 10% (dispersão dentro de padrões normais).
Quando faço essas análises na consultoria, comparando a remuneração de líderes dos dois gêneros que ocupam posições de complexidades equivalentes no setor privado, também não identifico grandes diferenças. E isso é motivo para comemorar.
Essa análise me remeteu a um livro que recomendo fortemente: “Factfulness — O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”, de Hans Rosling. O autor apresenta dados que desconstroem crenças instintivas e pessimistas sobre o mundo (muitas delas alimentadas por informações desatualizadas) e mostra como nossa visão costuma subestimar o progresso real.
Fiquei surpresa ao rever ideias pré-concebidas que eu mesma tinha sobre temas como a extrema pobreza no mundo e os anos de escolaridade de meninos e meninas em países de baixa renda. À luz desses insights e do que observamos sobre liderança e remuneração, arrisco dizer que a igualdade de gênero está entre as áreas em que o mundo tem, sim, avançado. Um passo de cada vez.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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Bancos Globais Adotam Home Office no Oriente Médio em Meio À Escalada de Tensões
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Profissionais do JPMorgan e do Citigroup no Oriente Médio foram orientados a trabalhar em casa à medida que as tensões aumentam em meio à guerra aérea entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, disseram duas fontes com conhecimento do assunto à Reuters nesta segunda-feira (2).
Ambos os bancos norte-americanos não esperam interrupções em suas operações na região, afirmaram as fontes, que pediram para não ser identificadas por se tratar de informações confidenciais. “Continuamos a adotar medidas para ajudar a manter nossos funcionários e suas famílias seguros”, disse o Citigroup em comunicado, acrescentando que possui planos de contingência para continuar atendendo os clientes.
As tensões no Oriente Médio aumentaram depois que ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocaram o lançamento de mísseis de retaliação por Teerã, direcionados a países do Golfo e outros aliados de Washington na região.
A Arábia Saudita fechou sua maior refinaria após ataques com drones causarem um incêndio, enquanto fortes explosões foram ouvidas em Dubai e Samha, nos Emirados Árabes Unidos, e também em Doha, capital do Catar.
Problemas localizados de energia afetaram a Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos e no vizinho Bahrein após “objetos” não identificados atingirem um data center da Amazon, provocando um incêndio.
Atividade nos mercados de capitais em risco
As hostilidades levaram a uma ampla interrupção das viagens aéreas, já que grandes áreas do espaço aéreo em importantes centros do Oriente Médio permanecem fechadas, fazendo com que ações de empresas de viagens em todo o mundo caíssem.
O conflito ameaça interromper captações planejadas nos mercados de capitais e negócios transfronteiriços na região, à medida que negociadores e banqueiros reduzem viagens por preocupações com segurança e interrupções nos negócios, disseram fontes do setor.
O Standard Chartered, o Sumitomo Mitsui Financial Group, do Japão, e o Mitsubishi UFJ Financial Group pediram a seus funcionários que adiem viagens ao Oriente Médio.
O banco japonês Mizuho, que possui escritórios em Dubai e Riad, disse à Reuters que uma evacuação voluntária para seus funcionários é possível.
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