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Negócios

O Caminho até a Cabine: Quanto Ganha e Como Se Tornar Piloto de Avião

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Vestir o uniforme, assumir o controle de uma máquina de dezenas de toneladas e ter o mundo como escritório é o desejo de milhões de pessoas. Não por acaso, a profissão de piloto de avião lidera o ranking global de empregos dos sonhos, elaborado pela plataforma de currículos Resume.io. “Sempre sonhei em ser piloto e me lembro até hoje da emoção de me tornar comandante aos 28 anos”, diz Audrey Savini, hoje no comando do A320 da Azul.

O cenário para quem quer investir nessa carreira é convidativo. Impulsionado por volumes recordes de passageiros – 130 milhões de viajantes em aeroportos brasileiros em 2025 –, o mercado aéreo nacional vive um período de aquecimento. “Somente na LATAM, o número de pilotos dobrou nos últimos dois anos e abrimos recentemente mais de 300 vagas”, diz Sandro Silva, piloto-chefe da companhia aérea.

No entanto, o glamour dos aeroportos cobra seu pedágio. O caminho até a cabine de comando envolve centenas de horas de voo, treinamentos rigorosos, fluência no inglês e adaptação a uma dinâmica de trabalho fora do horário comercial. “É uma rotina intensa e pouco convencional. O trabalho organizado por escala pode incluir madrugadas, fins de semana, feriados e pernoites fora de casa”, afirma Lucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS. “Como formar um piloto recém-chegado custa caro, as empresas tendem a valorizar candidatos com melhor base técnica, inglês forte e mais horas de voo no cenário atual.”

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No quesito remuneração, um piloto de avião comercial pode ter salários líquidos que variam de R$ 7 mil a R$ 20 mil por mês, podendo superar esse patamar em rotas internacionais, segundo o professor da PUCRS. Somam-se a isso benefícios como diárias de alimentação e passagens com desconto para a família.

A seguir, os especialistas detalham os caminhos necessários até a cabine de comando, explicam como funciona a rotina de um piloto comercial e dão conselhos para quem quer dar o primeiro passo na carreira:

Forbes: Qual a formação necessária para se tornar piloto de avião?

Audrey Savini: Não é obrigatório ter curso superior. A formação é regulamentada pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e feita por meio de cursos técnicos. Existe uma sequência obrigatória: inicialmente, o aluno realiza o curso de Piloto Privado (PP) e, posteriormente, o de Piloto Comercial (PC). Hoje, a parte teórica pode ser feita tanto presencialmente quanto online.

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Para quem pretende seguir carreira na aviação comercial, também são exigidos cursos adicionais, como Multimotor, Voo por Instrumentos (IFR) e o Jet Training, que é um simulador de aeronave a jato. Esses cursos garantem o mínimo de habilitações exigidas pela ANAC para atuação profissional.

Acervo pessoalAudrey Savini pilota o A320 da Azul

Mesmo sem ser obrigatórias, as formações em cursos superiores de Ciências Aeronáuticas ou Aviação Civil são importantes no mercado de trabalho?

Lucas Fogaça: Elas acrescentam muito peso ao currículo e qualificam a atuação. Em um bom curso de Ciências Aeronáuticas, o aluno estuda temas que vão muito além da operação da aeronave. Essa combinação ajuda a formar um profissional mais completo, capaz de compreender a aviação como integrante de um sistema complexo. Isso embasa tomadas de decisão abarcando aspectos técnicos, operacionais, gerenciais e comerciais.

Como funciona a parte prática? Quais são os testes e provas obrigatórios?

Audrey Savini: Normalmente, o aluno inicia pela parte teórica. Antes de começar os voos práticos, é obrigatório obter o Certificado Médico Aeronáutico (CMA), realizado em clínicas credenciadas. Para pilotos comerciais, o CMA deve ser renovado anualmente. Sem isso, nenhuma hora de voo prática é legalmente válida.

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Lucas Fogaça: Com o CMA em mãos, a formação prática acontece em aeronaves de pequeno porte. O aluno começa com manobras básicas e navegações, avançando até as avaliações práticas. Ao final de cada etapa principal, há um exame de proficiência.

Quantas horas de voo são exigidas para se tornar piloto privado e comercial?

Audrey Savini: A instrução prática é baseada em horas de voo, semelhante ao processo de uma autoescola. Cada voo corresponde a uma missão: decolar, manter voo nivelado, realizar curvas e pousos. Para piloto privado, são em média entre 40 e 50 horas. Já para piloto comercial, aproximadamente 150 horas de voo.

Qual a importância da proficiência em inglês nessa carreira?

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Lucas Fogaça: O inglês tem peso real. É a língua dos manuais, de boa parte dos sistemas e da comunicação operacional. No Brasil, a proficiência é avaliada segundo os critérios da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) – nível 4 é o mínimo –, mas na prática, o mercado valoriza quem vai além.

Lucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS
Acervo pessoalLucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS

Quais soft skills são essenciais na profissão?

Audrey Savini: A tomada de decisão é uma das mais importantes. Você precisa ter embasamento e controle emocional, porque o piloto atua simultaneamente com máquinas e pessoas. Hoje, as companhias avaliam isso desde o simulador com o modelo EBT (Evidence-Based Training), que testa como o piloto gere recursos em situações de crise.

Em cabines altamente automatizadas, o piloto moderno precisa ser tão forte no julgamento e na coordenação quanto no domínio técnico da aeronave.

Lucas Fogaça

Qual a faixa salarial de um piloto hoje no Brasil?

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Lucas Fogaça: A remuneração varia bastante conforme a companhia, equipamento e senioridade, mas em linhas gerais vai de R$ 7 mil a R$ 20 mil líquidos, podendo chegar a mais em rotas internacionais.

Quais os benefícios oferecidos pelas companhias aéreas?

Audrey Savini: Além da remuneração fixa, há diversos benefícios que aumentam o pacote total: diárias pagas nos períodos fora da base para alimentação, plano de saúde e passagens com desconto, que podem se estender ao cônjuge e aos filhos.

Como é a rotina de um piloto de avião?

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Audrey Savini: Trabalhamos com escalas mensais. Ao final de cada mês, recebemos a programação do mês seguinte. Podemos permanecer fora da nossa base por até seis dias consecutivos, realizando voos e pernoitando em diferentes cidades. Em voos nacionais, chegamos a cumprir cerca de seis etapas (trechos) por dia, respeitando os limites regulamentares.

Como funcionam as refeições no dia a dia de trabalho?

Audrey Savini: Durante a fase de cruzeiro — quando o avião está estabilizado e, geralmente, na programação do piloto automático — fazemos as refeições na cabine, sem deixar nossas funções. Se estou em um voo que abrange manhã ou tarde, recebo o café da manhã. Se for horário do almoço ou jantar, é servida uma refeição com opções como massa ou frango.

O comandante e o copiloto nunca consomem a mesma refeição. O mesmo vale para a tripulação de cabine. Isso é para evitar uma eventual contaminação alimentar. Além disso, há opções vegetarianas disponíveis para quem precisar.

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Em voos muito longos, os pilotos podem dormir?

Audrey Savini: Em um voo como Campinas–Lisboa, com cerca de 11 horas de duração, por exemplo, há um esquema de revezamento. O tempo de descanso é dividido entre os pilotos e ocorre de forma alternada: nos casos de tripulação composta (com três pilotos), descansa um piloto por vez; já nos de revezamento (com quatro pilotos), pode haver até dois pilotos em descanso simultaneamente. Nessa configuração, a jornada pode chegar a até 18 horas. As aeronaves contam com compartimentos com camas horizontais, isoladas por cortinas.

Como funcionam as folgas e férias?

Lucas Fogaça: A Lei do Aeronauta estabelece um mínimo de 10 folgas mensais na aviação regular, além de férias anuais de 30 dias.

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Audrey Savini: As empresas disponibilizam sistemas para indicar preferências de escala. O piloto pode solicitar, com antecedência, folgas em datas importantes, como aniversários e casamentos.

Como pilotos gerenciam a fadiga e os efeitos do jet lag?

Audrey Savini: As companhias aéreas contam com sistemas internos de gerenciamento de fadiga e a própria regulamentação prevê períodos mínimos de descanso de acordo com a quantidade de fusos horários cruzados. Em casos de três ou mais fusos, esse descanso pode variar entre 36 e até 120 horas.
Esse tempo é essencial para a recuperação do organismo, permitindo a aclimatação. Em termos simples, o jet lag ocorre quando o corpo perde a referência natural de dia e noite. Os períodos de descanso em casa são fundamentais para garantir a recuperação adequada.

Na prática, o que diferencia as funções de comandante e copiloto na cabine?

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Lucas Fogaça: Os dois são treinados para operar a aeronave com segurança. O copiloto não é um “auxiliar”, mas um profissional plenamente habilitado que participa ativamente da condução do voo.

Audrey Savini: Comandante e copiloto passam pelo mesmo treinamento. A principal diferença está na tomada de decisão: o comandante é a autoridade final a bordo, com a palavra decisiva em situações críticas, embora o trabalho seja essencialmente colaborativo.

Como funciona a progressão de carreira para se tornar comandante?

Sandro Silva: O profissional inicia na companhia como copiloto de aeronaves menores (Narrow Body), como o Airbus, depois pode ser promovido a copiloto de aviões maiores de voos de longo curso (Wide Body), até fazer a transição para comandante.

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Divulgação/LATAMSandro Silva, piloto-chefe da LATAM

Audrey Savini: Essa progressão depende de tempo de experiência e proficiência contínua. A senioridade funciona como uma “fila”: os copilotos mais antigos tendem a ser promovidos primeiro. Quando elegível, o piloto passa por uma bateria de avaliações: testes psicotécnicos, provas teóricas específicas, avaliações em simulador e instrução em rota. É um processo que leva de quatro a seis meses.

Diante dos avanços tecnológicos, como o papel do piloto deve se transformar nos próximos anos?

Lucas Fogaça: A automação aumentou a eficiência, mas não eliminou a importância humana. O papel mudou: hoje ele é, cada vez mais, um gestor de sistemas, risco e decisão em tempo real. O futuro tende a ampliar a automação, mas, por enquanto, a presença de dois pilotos bem treinados continua sendo o padrão mais seguro da aviação.

Qual o principal conselho para quem quer seguir essa carreira?

Audrey Savini: O conselho é: faça. Falo por experiência própria. Sempre sonhei em ser piloto e lembro até hoje da emoção de me tornar comandante aos 28 anos. Se houver momentos difíceis, não desista, retome o foco e continue. Passamos grande parte da vida trabalhando, então buscar uma profissão que traga realização faz toda a diferença para o seu bem-estar e equilíbrio.

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Por Que Alguns Feedbacks São Impossíveis de Colocar em Prática no Trabalho

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Alguns feedbacks parecem úteis até o momento em que você tenta colocá-los em prática. Frases como “seja mais estratégico”, “tenha mais presença” ou “construa relacionamentos mais fortes” aparecem com frequência em avaliações de desempenho e conversas sobre promoção.

Elas soam sofisticadas o suficiente para parecerem legítimas, até atenciosas. Mas, quando a conversa termina e a pessoa para para refletir, surge uma pergunta diferente: o que exatamente devo fazer de forma diferente? Em muitos casos, não há uma resposta clara. O que permanece não é um caminho de evolução, mas uma vaga sensação de insuficiência.

Esse é o problema do feedback impreciso. Ele cria a aparência de desenvolvimento sem oferecer uma rota concreta para a mudança. Um bom feedback deveria reduzir a incerteza. O feedback vago tende a ampliá-la. Em vez de esclarecer expectativas, ele deixa as pessoas tentando interpretar significados, adivinhar intenções e decifrar como seria “melhor”. O resultado não é ação, mas hesitação.

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Por que feedbacks vagos são tão frustrantes

A dificuldade está na forma como esse tipo de feedback funciona. Em vez de apontar comportamentos específicos, ele se conecta à identidade. Ouvir “seja mais estratégico” não descreve uma ação; implica uma falha de capacidade. Ouvir “tenha mais presença executiva” não esclarece uma habilidade; levanta dúvidas sobre credibilidade, estilo e até pertencimento.

A partir daí, a pessoa fica tentando decodificar: falei demais ou de menos? O problema foi minha análise, meu tom ou meu timing? Não percebi o ambiente corretamente ou interpretei mal o que esperavam de mim? Em vez de promover melhora, o feedback vago frequentemente se transforma em um exercício privado de adivinhação.

Por que líderes oferecem feedback dessa forma

Na maioria das vezes, líderes não pretendem ser inúteis. Eles recorrem à vagueza porque a especificidade é desconfortável. Nomear comportamentos com clareza exige observação, evidência e disposição para ser direto.

Dizer “seja mais confiante” é mais fácil do que dizer: “Nas duas últimas reuniões com clientes, você cedeu rapidamente quando foi questionado, e isso enfraqueceu sua recomendação.”

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A segunda versão é mais útil, mas exige mais clareza e coragem.

Assim, o feedback vago muitas vezes funciona como uma forma de evasão. Ele permite ao emissor sinalizar que algo está errado sem assumir plenamente a responsabilidade de explicar o quê.

A psicologia do feedback acionável

O feedback funciona melhor quando conecta comportamento à consequência. Isso está alinhado à teoria de definição de metas, que demonstra que objetivos específicos e desafiadores superam intenções vagas.

Por exemplo:

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“Comunique-se melhor” é amplo demais.
“Comece suas atualizações com a decisão necessária e depois forneça o contexto” oferece direção prática.

A diferença não é apenas semântica, mas operacional.

Além disso, feedbacks vagos aumentam a carga cognitiva: antes de melhorar, a pessoa precisa interpretar o que foi dito. Isso gera esforço extra e frequentemente leva à paralisia.

A desigualdade oculta do feedback vago

Nem todos sofrem da mesma forma com esse problema. Pessoas com redes de contato fortes ou conhecimento informal do ambiente geralmente conseguem interpretar melhor o que está sendo sugerido. Outros precisam descobrir sozinhos.

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Por isso, feedbacks vagos podem reforçar desigualdades silenciosamente. Termos como “presença”, “polimento” e “adequação” frequentemente carregam pressupostos culturais implícitos.

Como é um feedback melhor

Feedbacks eficazes costumam seguir uma estrutura simples:

Comportamento + impacto + alternativa

Exemplo:

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Em vez de:
“Você precisa ser mais estratégico.”

Melhor seria:
“Na reunião de planejamento, sua atualização focou principalmente no andamento das tarefas. O grupo precisava entender os trade-offs por trás da sua recomendação. Da próxima vez, comece pela escolha estratégica e depois detalhe a execução.”

Esse tipo de feedback pode continuar desconfortável, mas é utilizável.

Como reagir a feedbacks vagos

Quando o conselho for genérico demais, a melhor estratégia é buscar tradução:

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“Você pode me dar um exemplo específico?”
“Como seria uma versão melhor disso na próxima reunião?”

Essas perguntas transformam impressões em evidências.

A lição de liderança

  • Feedback vago é mais fácil de oferecer porque protege quem fala.
  • Feedback específico é mais difícil porque serve quem recebe.

Se o feedback não pode ser colocado em prática, ele não funciona como desenvolvimento, funciona apenas como registro de insatisfação.

Os líderes mais eficazes entendem que clareza não é preferência, é responsabilidade. O objetivo não é deixar alguém se perguntando quem precisa se tornar, mas mostrar claramente o que precisa fazer a seguir.

Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.

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*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Dia do Trabalho: 20 Filmes e Séries Que Dissecam os Dilemas do Mercado Profissional

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Em “O Diabo Veste Prada 2“, que acaba de chegar aos cinemas, o embate entre o colapso do impresso e a urgência da era digital mostra como as novas regras do mercado não poupam ninguém — nem mesmo Miranda Priestly. Em outra ponta, a aclamada “Hacks“, que encerrou sua última temporada recentemente, coloca o choque de gerações sob os holofotes, enquanto a frenética “The Bear” imerge os espectadores na busca implacável por excelência de uma cozinha profissional.

Não é de hoje que o mundo corporativo e seus dilemas rendem histórias fascinantes para as telas. Seja na pressão de um restaurante ou nos corredores de grandes escritórios, o trabalho dita nossa rotina, testa nossos limites éticos e, muitas vezes, define nossa própria identidade.

Neste Dia do Trabalho (1º), reunimos 20 produções — entre lançamentos recentes e clássicos essenciais — que dissecam o universo profissional sob diferentes perspectivas.

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A seguir, veja 20 filmes e séries para assistir no Dia do Trabalho

1. O Diabo Veste Prada 2

o diabo veste prada 2
Divulgação/Disney

A continuação do clássico “O Diabo Veste Prada” acompanha Miranda Priestly (Meryl Streep) enfrentando o declínio da revista Runway devido à era digital e ao colapso do jornalismo impresso. Ela reencontra Emily (Emily Blunt), agora uma executiva de luxo influente, e Andy (Anne Hathaway), que retorna para o mundo da moda na tentativa de salvar sua carreira.

  • Onde assistir: Cinemas

2. Hacks

hacks
Divulgação/HBO Max

Na série, Deborah Vance (Jean Smart) é uma lenda da comédia de Las Vegas, mas que vê sua residência no cassino ameaçada por não atrair mais o público jovem. A contragosto, ela aceita trabalhar com Ava (Hannah Einbinder), uma roteirista arrogante e recém-cancelada da Geração Z. O que começa como um choque de gerações se aprofunda em uma análise sobre o etarismo e as exigências mentais de viver para a carreira.

  • Onde assistir: HBO Max

3. Jogo Justo

jogo justo
Divulgação/Netflix

O filme apresenta Emily (Phoebe Dynevor) e Luke (Alden Ehrenreich), um casal de analistas financeiros que trabalham na mesma companhia de Wall Street e mantém o noivado em segredo para não violar as políticas da empresa. A vida perfeita deles desmorona quando Emily recebe a sonhada promoção a qual Luke acreditava ter direito, tornando-se chefe do parceiro. O filme é um thriller psicológico sobre como o ego, o ressentimento, a competição tóxica corporativa e o machismo estrutural podem envenenar as relações dentro e fora do escritório.

  • Onde assistir: Netflix

4. Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro

rainha dos apps de namoro
Divulgação/Disney+

Inspirado na trajetória real de Whitney Wolfe Herd (Lily James) — cofundadora do Tinder e criadora do Bumble —, a produção detalha a jornada tortuosa de criar um império no mercado da tecnologia. Ao mostrar o desenrolar dessa revolução na indústria dos aplicativos, a história escancara o ambiente frequentemente machista, os escândalos corporativos e a luta de mulheres executivas para conquistar espaço e investimento no Vale do Silício.

  • Onde assistir: Disney+

5. WeCrashed

wecrashed
Divulgação/Apple TV+

Baseada em eventos reais, a minissérie narra a ascensão meteórica e a queda vertiginosa da empresa de coworking WeWork. Ao acompanhar o fundador Adam Neumann (Jared Leto) e sua esposa Rebekah (Anne Hathaway), a trama explora como suas ambições megalomaníacas elevaram a empresa a um valor de US$ 47 bilhões, antes de quase ir à falência.

  • Onde assistir: Apple TV+

6. Ruptura

Adam Scott em
Divulgação/AppleTV+

Na série criada por Dan Erickson e dirigida por Ben Stiller, cinco funcionários de uma empresa aceitam participar de um procedimento cirúrgico experimental que separa as memórias pessoais e profissionais permanentemente. Assim, nunca lembram quem são ao entrar na empresa ou no que trabalham ao sair dela.

A obra de ficção científica conquistou fãs ao redor do mundo ao abordar dilemas do mundo do trabalho com um toque sombrio.

  • Onde assistir: Apple TV+

7. Succession

succession
Divulgação/HBO Max

Logan Roy (Brian Cox) é o patriarca de uma família poderosa e dono de um império midiático conhecido como Waystar Royco. Ele sempre se dedicou mais aos negócios do que aos quatro filhos – Connor (Alan Ruck), Kendall (Jeremy Strong), Roman (Kieran Culkin) e Siobhan (Sarah Snook). Quando Logan tem um declínio em seu estado de saúde, os herdeiros iniciam uma disputa pelo controle das empresas, colocando à prova a lealdade dos candidatos a sucessores.

  • Onde assistir: HBO Max

8. Um Senhor Estagiário

Divulgação/Warner Bros. Pictures

Ben (Robert De Niro) é um executivo aposentado de 70 anos que decide se candidatar a uma vaga de estágio sênior. Ele é contratado por Jules (Anne Hathaway) para trabalhar em sua startup de moda e causa estranhamento de início ao destoar do resto da equipe.

Mas seu jeito proativo e dedicado acaba conquistando os colegas de trabalho. Em pouco tempo, Ben se torna o braço direito da chefe, ajudando-a não apenas com as questões profissionais, mas também a atravessar os desafios familiares e pessoais com toda sua experiência de vida.

  • Onde assistir: HBO Max

9. The Bear

The Bear série
Divulgação/Disney+

Na série de comédia dramática, Carmen Berzatto (Jeremy Allen White) é um jovem chef que herda um restaurante e tenta transformar o lugar em um grande negócio. Enquanto batalha para fazer do The Beef um dos maiores e melhores restaurantes de Chicago, Carmy cresce em meio a dificuldades ao lado da equipe de cozinha carrancuda que aos poucos se transforma em uma nova família.

A trama explora como cada personagem lida com suas vidas pessoais enquanto tentam alavancar suas carreiras na gastronomia. Discute temas familiares, ambições profissionais e a rotina estressante do restaurante.

  • Onde assistir: Disney+

10. A Rede Social

Divulgação/Sony Pictures

Dirigido por David Fincher, “A Rede Social” conta a história da criação do Facebook. Enquanto era estudante de Harvard, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) decidiu criar uma plataforma para que os usuários pudessem avaliar as estudantes da faculdade. O que começou com uma brincadeira se transformou na versão embrionária do Facebook, rede social então pensada para uso exclusivo de universitários. O longa mostra as polêmicas em torno da plataforma e as brigas e batalhas judiciais entre os criadores.

  • Onde assistir: HBO Max

11. The Morning Show

Divulgação/Apple TV+

Alex Levy (Jennifer Aniston) é diretora e co-âncora do The Morning Show, um programa de TV matinal de prestígio. Depois que seu colega de trabalho há 15 anos, Mitch Kessler (Steve Carell), é demitido em meio a um escândalo de assédio sexual, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora de notícias. Enquanto isso, ela trava uma batalha com Bradley Jackson (Reese Witherspoon), uma repórter de campo cujas decisões impulsivas a levam a um novo e desafiador universo do jornalismo televisivo.

Contada sob a perspectiva das duas protagonistas que, além de terem que lidar com os dilemas de suas profissões, enfrentam crises na vida pessoal e profissional, “The Morning Show” retrata a dinâmica de poder entre mulheres e homens no ambiente de trabalho.

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  • Onde assistir: Apple TV+

12. The Office

The Office série
Divulgação/NBC

Em formato de pseudodocumentário, a série faz uma sátira das dinâmicas do escritório ao mostrar a rotina dos funcionários de uma empresa de papel, a Dunder Miffin. Na equipe, estão Michael Scott (Steve Carell), um gerente fanfarrão que se considera o melhor amigo dos funcionários; Pam Beesly (Jenna Fischer), a simpática recepcionista; Jim Halpert (John Krasinski), o representante de vendas; Dwight Schrute (Rainn Wilson), o arrogante assistente de Michael; e Ryan Howard (B. J. Novak), auxiliar do patrão. O programa oferece uma visão abrangente de cada um, destacando suas singularidades e nuances.

  • Onde assistir: Netflix, HBO Max e Prime Video

13. Os Estagiários

Divulgação/Fox Film

Billy (Vince Vaughn) e Nick (Owen Wilson) ficam desempregados, aos 40 anos, depois que a empresa em que trabalhavam encerra as atividades. Desesperados por uma oportunidade, se candidatam a vagas de estagiários no Google, mesmo não entendendo nada de tecnologia.

Fora da zona de conforto, os amigos ficam deslocados no escritório novo, mas se mostram dispostos a ajudar mesmo aqueles que não fazem questão de ser simpáticos com eles. O longa mostra a importância do reconhecimento do potencial e das habilidades de cada um para o trabalho em equipe, que gera laços importantes.

  • Onde assistir: Disney+

14. Industry

Divulgação/HBO Max

Um grupo de jovens recém-formados compete por um número limitado de vagas de emprego em um dos principais bancos de investimento de Londres. À medida que eles ingressam em uma cultura corporativa definida pelo ego, sexo e drogas, as fronteiras entre colega, amigo, amante e inimigo logo desaparecem.

  • Onde assistir: HBO Max

15. Jerry Maguire: A Grande Virada

Divulgação/Sony Pictures

Jerry Maguire (Tom Cruise) é um agente esportivo que acaba demitido após uma declaração polêmica sobre o mercado no qual atua. Depois do episódio, o protagonista é obrigado a se dedicar ao único cliente que sobrou, um jogador de futebol americano temperamental, Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.). Ao mesmo tempo, o personagem se envolve com Dorothy Boyd (Renée Zellweger), uma das contadoras da empresa onde ele atuava. A história fala sobre algumas das situações mais comuns no meio corporativo, como a disputa e a desumanização dos líderes.

  • Onde assistir: HBO Max

16. Ted Lasso

ted lasso
Divulgação/Apple TV+

Ted Lasso (Jason Sudeikis) é um técnico de futebol americano que é contratado para treinar um time de futebol na Inglaterra, mesmo não tendo experiência suficiente com o esporte. A proprietária do time, Rebecca Walton (Hannah Waddingham), contrata o treinador propositalmente na expectativa de que ele será um fracasso. Mesmo inexperiente, Ted conquista a equipe e, aos poucos, passa a entender as particularidades do futebol americano.

  • Onde assistir: Apple TV+

17. À Procura da Felicidade

Divulgação/Sony Pictures

Chris Gardner (Will Smith) é um pai solteiro que precisa cuidar sozinho do filho de cinco anos após problemas financeiros afastarem sua ex-esposa, Linda (Thandiwe Newton). Sem conseguir um emprego, o pai e a criança acabam despejados e passam a viver em abrigos, banheiros e estações de trem enquanto dias melhores não chegam.

Além da forte história de determinação, já que o Chris Gardner da vida real se tornou um empresário e investidor de sucesso, o filme debate sobre a honestidade profissional e a importância de se ter uma motivação estabelecida.

  • Onde assistir: HBO Max

18. Mad Men

mad men série
Divulgação/Lionsgate Television

Em 1960, Don Draper (Jon Hamm) é o diretor de criação da Sterling Cooper, uma agência de publicidade badalada da Madison Avenue, em Nova York. O publicitário se envolve em conflitos profissionais e familiares enquanto tenta guardar um segredo sobre seu passado. Ao mesmo tempo, faz de tudo para ascender economicamente em meio às transformações sociais dos Estados Unidos da época.

  • Onde assistir: Disney+

19. Superstore

superstore serie
Divulgação/Universal Television

Um excêntrico grupo de funcionários da megaloja de departamento Cloud 9 enfrenta a rotina diária de caçadores de promoções frenéticos, liquidações que causam tumultos e treinamentos entediantes. A funcionária Amy (America Ferrera) tenta manter tudo sob controle, apesar dos esforços atrapalhados do gerente Glen (Mark McKinney) e de sua assistente Dina (Lauren Ash). Desde novatos cheios de entusiasmo até veteranos que já viram de tudo, a comédia retrata as relações profissionais e discute temas como amor, amizade e a beleza dos momentos do dia a dia.

  • Onde assistir: Prime Video

20. A Grande Aposta

Divulgação/Paramount Pictures

Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve (crise de 2008). Tal decisão gera complicações junto aos investidores, que nunca haviam apostado contra o sistema.

Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso.

  • Onde assistir: Disponível para aluguel e compra em plataformas de streaming

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Negócios

Empresas em Portugal Implementam Semana de Quatro Dias de Trabalho

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Com o livro “Sexta-Feira é o Novo Sábado“, o professor de economia da Universidade de Londres, o português Pedro Gomes, tem divulgado os casos de 41 empresas em Portugal que decidiram, por conta própria, reduzir a escala para quatro dias de trabalho por três de descanso (4×3).

O especialista da Escola de Negócios da universidade londrina sustenta que a redução da jornada não só é viável, como pode “salvar a economia”, sendo benéfica para o conjunto da economia e da sociedade.

Em relação ao Brasil, o especialista avalia que o país tem condições de reduzir a jornada para 40 horas semanais e acabar com a escala 6×1. A pesquisa de Gomes aponta que a mudança reduz as faltas ao trabalho, diminui a rotatividade nos empregos e incentiva a indústria do lazer e do entretenimento.

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“Há muito alarmismo econômico contra a redução da jornada de trabalho. Qualquer redução, em qualquer país que eu vou, dizem exatamente o mesmo: que é impossível reduzir, que vai aumentar os custos para a empresa”, comentou.

À Agência Brasil, o economista português disse que o aumento da produtividade – quando a empresa consegue produzir mais com menos tempo de trabalho –, pode compensar os custos da redução da jornada.

“O que, historicamente acontece, em todas as reduções do tempo de trabalho, é que há um aumento da produtividade por hora. Existem melhoras, na forma como estamos a produzir, que compensam em grande medida, do ponto de vista das empresas, essa redução do tempo de trabalho”, explicou.

Sexta é o novo sábado

O autor analisou a redução da jornada voluntária para 4×3 em 41 empresas portuguesas que somam mais de mil empregados, de diferentes setores e tamanhos.

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Dessas companhias, 52% afirmam que vão manter a jornada reduzida para quatro dias de trabalho; 23% dizem que vão manter a jornada reduzida, mas em uma escala menor; e apenas 19% disseram que vão retomar a jornada de 5×2.

Para mais de 90% das empresas, a mudança não teve custos financeiros, com 86% informando que aumentaram as receitas em relação ao ano anterior, sendo que 14% tiveram receitas menores. Cerca de 70% delas ainda concordam que melhoraram os processos da companhia após a mudança.

“A semana de trabalho de quatro dias é uma prática de gestão legítima e viável, que proporciona benefícios operacionais às empresas, como melhor ambiente de trabalho, redução do absentismo [faltas] e aumento da atratividade no mercado de trabalho. No entanto, para ser bem-sucedida, a sua implementação requer uma reorganização profunda”, escreveu Gomes.

Entre as mudanças organizacionais realizadas pelas empresas portuguesas, a mais frequente foi a diminuição da duração das reuniões.

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Indústria do lazer

O tempo que o empregado ganha com a redução da jornada tem também um valor econômico que incentiva as indústrias do lazer, do entretenimento, e que tem um efeito positivo para o conjunto da economia.

“Os trabalhadores também são consumidores. Eles também são inovadores, também são cidadãos, têm estudantes e, portanto, o que eles fazem no tempo livre tem um impacto econômico”, explicou.

Pedro Gomes cita o exemplo do industrial Henry Ford, dono da montadora Ford, nos Estados Unidos, que reduziu, em 1926, há 100 anos, a jornada de trabalho na sua empresa para 40 horas semanais, consolidando o final de semana de dois dias.

“Quando os EUA reduziram para 40 horas, 70% das pessoas passaram a ir ao cinema. Isso fez consolidar Hollywood como uma das principais indústrias americanas. Foi muito positivo para empresas ligadas aos esportes, à música, aos livros, à cultura, aos hotéis”, disse Pedro.

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Ainda segundo o economista, “é um passo que já foi feito há 100 anos nos EUA e, portanto, está mais do que na hora do Brasil, e os outros países da América Latina, façam essa passagem para as 40 horas”.

O economista cita ainda o caso da China, que, em 1995, adotou o final de semana de dois dias para parte dos trabalhadores do país.

“Não foi para toda a gente, foi mais para uma classe média. Mas pouco depois, o mercado de turismo interno da China se tornou o maior do mundo porque eles tiveram tempo para viajar. E o Brasil tem um potencial enorme de turismo”, completou.

Em Portugal, a jornada de trabalho foi reduzida de 44 horas para 40 horas em 1996.

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Faltas e rotatividade

Outro efeito positivo da jornada menor é a redução das faltas ao serviço e a menor rotatividade no emprego, o que aumenta a capacidade de conciliar trabalho com família, sendo especialmente benéfico para as mulheres.

“A rotatividade de trabalhadores e altos níveis de absentismo (faltas) tem um custo enorme para as empresas. Com menos horas trabalhadas, eles vão faltar menos e vão querer sair menos do trabalho, reduzindo a rotatividade”, disse.

Comércio aos sábados

O pesquisador Pedro Gomes acrescentou que algumas das empresas que ele pesquisou não precisaram fechar o comércio no sábado, ou em outro dia, por causa da redução da jornada. Muitas companhias passaram a adotar escalas com menos trabalhadores nos dias de fluxo mais baixo.

“Se vê que tem menos fluxo de clientes nas terças e quartas, então dá mais dias livres aos trabalhadores naqueles dias de menor movimento. Ficam menos trabalhadores na loja, mas a loja fica aberta.”

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Para Gomes, as empresas têm a tendência de rejeitar mudanças na extensão da jornada de trabalho, ainda que ela traga benefícios. “Há muitas escolhas do lado das empresas, só que, muitas vezes, elas não querem pensar nisto. Vão pensar depois da legislação. Não conseguem perceber antes os benefícios que vão ter.”

PIB

O economista rejeita a previsão de estudos que apontam para uma possível queda no PIB (Produto Interno Bruto) caso a redução da jornada e o fim da escala 6×1 seja aprovada no Brasil.

O autor Pedro Gomes verificou 250 casos de redução de jornada pela via legislativa que ocorreram no mundo a partir de 1910. Nos cinco anos antes da reforma, a média de crescimento do PIB foi de 3,2%, subindo para 3,9%, em média, após a redução da jornada de trabalho.

“Esses efeitos sobre a produtividade por hora foram muito significativos e compensaram amplamente a redução da jornada de trabalho. Além disso, todos esses outros efeitos macroeconômicos também tiveram impacto [no PIB]”, explicou.

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Para o professor de economia, a grande quantidade de horas que o trabalhador brasileiro passa no deslocamento para o serviço também justifica a redução da jornada de trabalho no Brasil. “É uma razão adicional. Os trabalhadores vão melhorar muito a qualidade de vida, vão valorizar muito, e os custos para as empresas são muito mais baixos do que eles costumam argumentar.”

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