Desenvolvimento
Eólica no mar pode acelerar transição energética no Brasil

Em algumas regiões do país, mais notadamente nas dunas do Nordeste, grandes turbinas eólicas fazem parte da paisagem. Essas espécies de ventiladores gigantes são geradoras de energia elétrica a partir da força dos ventos. Se depender do que aponta uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essas estruturas vão ser mais comuns também na paisagem marítima, com usinas eólicas offshore (fora de terra firme), com a vantagem de explorar ventos mais constantes e com maiores velocidades.
Essa nova fronteira de geração de energia limpa pode fazer o Brasil aumentar em 3,6 vezes a capacidade total de produção de energia elétrica e potencializar a transição para um mundo com cada vez mais combustíveis renováveis.
O cenário é traçado pelo estudo Oportunidades e Desafios para Geração Eólica Offshore no Brasil e a Produção de Hidrogênio de Baixo Carbono, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), lançado nesta terça-feira (12), em Brasília, no evento Diálogo Pré-COP 28: O Papel da Indústria na Agenda de Clima.
O encontro tem a participação de representantes do setor produtivo, governo e sociedade civil para debater assuntos da Conferência da ONU sobre Mudanças Climática (COP), que será realizada em Dubai, Emirados Árabes Unidos, entre 30 de novembro e 12 de dezembro.
Potencial de geração
De acordo com o estudo, em 2021, o mundo tinha capacidade instalada para a geração de 55,9 gigawatt (GW) por meio de usinas eólicas offshore, basicamente na China e na Europa. A estimativa é que o parque eólico offshore global alcance o patamar de 260 GW em 2030 e 316 GW dez anos depois. Para isso, estão previstos investimentos de até US$ 1 trilhão.
O levantamento da CNI aponta que o Brasil tem grande potencial ainda inexplorável com capacidade de chegar a 700 GW, ou seja, 3,6 vezes a capacidade total de energia elétrica já instalada e conectada ao Sistema Interligado Nacional (194 GW). Porém, o estudo não indica quando o Brasil alcançará esse patamar. Até 30 de agosto, havia no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) 78 pedidos de licenciamento para usinas eólicas no mar, somando potencial de geração de 189 GW.

Mapa do potencial teórico de geração de energia elétrica com fonte eólica offshore no Brasil – Fonte: CNI
Transição energética
A inclusão dessa energia limpa na matriz energética brasileira é vista como ponto primordial para o Brasil perseguir o Acordo de Paris – tratado sobre mudanças climáticas assinado por 195 países e adotado em 2015. Nele, o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 50% até 2030, tendo como base as emissões de 2005. Além disso, no ano passado, o país assumiu o compromisso de alcançar emissões líquidas neutras até 2050, ou seja, não contribuir para o efeito estufa, tanto diminuindo as emissões, quanto capturando carbono da atmosfera.
“A eólica offshore vem para somar rumo a essa expansão de renováveis e com o objetivo de manter a matriz energética elétrica do Brasil cada vez mais limpa e sustentável”, avalia o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.
O levantamento identificou que as regiões do litoral brasileiro com maior potencial para a geração estão na costa nordestina, entre Piauí, Ceará e no Rio Grande do Norte; entre os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, no Sudeste; e na Lagoa dos Patos, litoral do Rio Grande do Sul.
Hidrogênio verde
Se o Brasil viabilizar a geração de todo o potencial apontado no estudo da CNI, o país terá excesso de energia. Além de deixar a matriz energética mais limpa e sustentável, haverá a chance de vender o superávit para outros países, assim como avançar na chamada economia do hidrogênio de baixo carbono.
O hidrogênio verde, como também é conhecido, é produzido a partir das fontes renováveis de energia, como a eólica, e pode ser utilizado como combustível em setores intensivos de consumo energético, como o petroquímico, siderúrgico e de cimento. Outra utilização do hidrogênio verde é na fabricação de fertilizantes, produto muito importado pelo Brasil.
Como o hidrogênio tem grande desempenho comparado às baterias convencionais utilizadas na indústria de veículos elétricos, pode ganhar cada vez mais escala na nova indústria automotiva.
Outra característica do hidrogênio é a capacidade de poder armazenar energia. Isso permitiria ao sistema de geração e transmissão de energia elétrica do país manejar mais adequadamente a oferta de acordo com a demanda. De acordo com a CNI, isso reforça a ideia de que a economia do hidrogênio de baixo carbono é potencial consumidora do combustível limpo gerado pelas eólicas.
Competidor global
O fato de o Brasil ser visto pela CNI como forte competidor no mercado global de energia eólica offshore fez com que a confederação tratasse o tema como prioridade no plano de retomada da indústria, apresentado ao governo federal neste ano.
“A consolidação dessa cadeia de valor no Brasil pode impulsionar a economia e facilitar a retomada da industrialização. Além de oferecer uma fonte de energia limpa e renovável, o setor deve gerar empregos, estimular o desenvolvimento tecnológico e científico, reduzir a dependência de fontes não renováveis e colaborar para a segurança energética do país”, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.
A possibilidade de exportar o hidrogênio verde para outros países, especialmente do Hemisfério Norte, é um dos fatores que favorecem a instalação de eólicas offshore na costa norte nordestina, pela proximidade de portos que fariam esse comércio.
“A vocação principal da região Nordeste para produção de hidrogênio de baixo carbono e seus derivados seria para exportação para o continente europeu. A distância entre o Porto do Pecém (São Gonçalo do Amarante-CE) e o Porto de Rotterdam, na Holanda, é cerca de 7,5 mil quilômetros ou de nove dias por transporte marítimo”, cita o documento.
Licenciamento
Quando o assunto é licenciamento ambiental, são levadas em conta questões como processos migratórios de aves e espécies marinhas. A CNI acrescenta preocupações com os múltiplos usos do espaço oceânico, como pesca, navegação, turismo e a extração de óleo e gás. O documento explica que a complexidade logística e os custos associados à instalação e à manutenção de parques eólicos offshore requerem aportes significativos e um ambiente regulatório favorável.
O Decreto 10.946, de janeiro de 2022, regulamenta a cessão de uso de espaços físicos e o aproveitamento dos recursos naturais em águas da União para o desenvolvimento da energia elétrica a partir de empreendimento offshore. Mas, segundo a CNI, não é suficiente para trazer segurança jurídica aos investidores. A confederação lembra que tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que regulamenta o modelo de cessão de áreas, a cobrança de outorgas e os critérios para a realização dos leilões, como funciona na indústria do petróleo.
Davi Bomtempo defende a criação de um marco regulatório das eólicas offshore. “É importante para orientar todo o desenvolvimento dessa atividade.”
Experiência no offshore
A CNI observa que a tendência é que os projetos de geração eólica offshore sejam implementados em locais cada vez mais distantes da costa, o que representa desafios e oportunidades para empresas que atuam no mercado de óleo e gás no Brasil, “devido a sua expertise em operações realizadas em águas profundas”.
A Petrobras indica ter interesse nesse desafio. Em março, a estatal firmou uma parceria com a multinacional norueguesa Equinor para avaliar sete projetos de eólica offshore no Brasil, com potencial para gerar até 14,5 GW.
“Esse acordo vai abrir caminhos para uma nova fronteira de energia limpa e renovável no Brasil, aproveitando o expressivo potencial eólico offshore do nosso país e impulsionando nossa trajetória em direção à transição energética”, disse à época o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.
Fonte: Agencia Brasil – Edição: Juliana Andrade
Cidades
Prefeito Dorlei Fontão recebe representantes empresariais para agenda estratégica de desenvolvimento em Kennedy

Agenda estratégica reforça protagonismo do município na nova rota de desenvolvimento econômico
O prefeito Dorlei Fontão recebeu nesta quinta-feira (07), representantes de empresas dos setores portuário, logístico, industrial e de comércio exterior em Presidente Kennedy. O encontro marcou um importante momento de diálogo e apresentação das potencialidades locais, fortalecendo a conexão do município com investidores e parceiros estratégicos.
A programação contou com reuniões institucionais e visita técnica, promovendo a troca de informações e o alinhamento de oportunidades ligadas ao crescimento econômico regional. A iniciativa demonstra a atuação da gestão municipal em manter um ambiente favorável à atração de novos negócios e à geração de emprego e renda.
Durante o encontro, o prefeito destacou a importância de acompanhar de perto as transformações impulsionadas pelo Porto Central, empreendimento que vem colocando o município em uma nova rota de desenvolvimento. A administração municipal tem trabalhado de forma planejada para garantir que o avanço econômico seja acompanhado de infraestrutura, organização e qualidade de vida para a população.
“Receber representantes de empresas de diversos setores em nosso município mostra que Presidente Kennedy está no radar dos grandes investimentos. Estamos atentos às oportunidades que o Porto Central traz e trabalhando para que esse desenvolvimento se transforme em emprego, renda e qualidade de vida para a nossa população”, destacou o prefeito Dorlei Fontão.
A agenda reforça o protagonismo de Presidente Kennedy no cenário logístico e industrial, consolidando o município como território de oportunidades e crescimento sustentável.
Porto Central
O Porto Central é um dos maiores projetos portuários em desenvolvimento no Brasil e está sendo implantado em Presidente Kennedy. Com localização estratégica no litoral sul capixaba, o empreendimento foi planejado para atender diferentes cadeias produtivas, especialmente os setores de petróleo e gás, mineração, agronegócio, indústria e logística.
O projeto prevê a construção de um porto de águas profundas, com estrutura moderna e capacidade para receber grandes embarcações, ampliando a competitividade do Espírito Santo no cenário nacional e internacional.
Além de impulsionar a logística e o comércio exterior, o Porto Central representa geração de empregos, atração de investimentos e desenvolvimento econômico para toda a região.
Fonte: Secom/PMPK – Por: Skárlady Fernandes
Desenvolvimento
Ricardo Ferraço anuncia ParkLog Sul Capixaba para impulsionar desenvolvimento logístico e industrial

O governador do Estado, Ricardo Ferraço, anunciou, nesta quinta-feira (23), em Cachoeiro de Itapemirim, a criação do ParkLog Sul Capixaba — um ecossistema integrado de logística, energia e indústria que visa organizar e potencializar os ativos estratégicos da região sul do Espírito Santo.
O projeto está em fase de estudo e planejamento e tem como objetivo estruturar, de forma coordenada, as vocações econômicas regionais, promovendo a integração entre infraestrutura logística, base produtiva e oportunidades de investimento.
“O ParkLog Sul Capixaba já nasce com planejamento estruturado e visão de futuro. Nosso objetivo é identificar os potenciais da região e potencializá-los ainda mais, organizando esses ativos em um ecossistema integrado de logística, indústria e energia. Temos ativos estratégicos importantes, como o Porto de Ubu, em Anchieta, que pode avançar para além da operação atual, ampliando sua capacidade para cargas gerais”, afirmou o governador.
Ferraço prosseguiu: “Estamos dialogando com a Samarco para viabilizar essa ampliação, inclusive para atender a cadeia de rochas ornamentais, que hoje precisa escoar sua produção por outros estados, mesmo tendo infraestrutura próxima. Também contamos com o avanço do Porto Central, em Presidente Kennedy, que segue em desenvolvimento, além da modernização do Aeroporto de Cachoeiro, que passa a integrar esse sistema logístico regional.”

O ParkLog Sul Capixaba se apoia em um conjunto robusto de ativos logísticos e econômicos. A região conta com acesso a cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em um raio de até 1.200 quilômetros, além de concentrar aproximadamente 94,6% das exportações nacionais de rochas ornamentais, um dos principais setores da economia capixaba.
Outro diferencial estratégico é a infraestrutura portuária. O Porto Central, em Presidente Kennedy, é um complexo industrial portuário multipropósito em implantação, com profundidade de até 25 metros, capacidade para receber os maiores navios do mundo e previsão de movimentação de até 233 milhões de toneladas por ano em sua plena operação. Já o Porto de Ubu, em Anchieta, possui capacidade instalada de cerca de 33 milhões de toneladas anuais e potencial de expansão em uma ampla retroárea industrial.
“Somam-se a isso investimentos estruturantes, como a Ferrovia EF-118, que vai conectar o Sul capixaba à malha ferroviária nacional, a duplicação da BR-101, já em estágio avançado na região, e a futura modernização da BR-262, que contará com R$ 2 bilhões garantidos pelo Governo do Estado”, acrescentou Ferraço.
A logística regional também será fortalecida pela integração com a Ferrovia EF-118, projeto com mais de 570 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 6,5 bilhões, que permitirá a conexão do Sul capixaba à malha ferroviária nacional, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade das exportações.
No modal rodoviário, a duplicação da BR-101 avança no Sul do Estado, enquanto a BR-262 terá novo processo de concessão, com previsão de investimentos significativos. No transporte aéreo, o Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim passou por modernização, com pista reestruturada, balizamento noturno e capacidade para receber voos comerciais de passageiros e cargas, consolidando-se como parte do eixo logístico regional.
Além da infraestrutura, o ParkLog Sul Capixaba incorpora um conjunto de impulsionadores estratégicos, incluindo o desenvolvimento de energia renovável — com potencial eólico offshore estimado em cerca de 1.920 MW —, a ampliação da base industrial e logística, a criação de zonas de processamento de exportação (ZPE) e o estímulo à inovação, com previsão de centros tecnológicos voltados à logística e à indústria.
A proposta também prevê o fortalecimento da qualificação profissional, a ampliação de serviços associados ao comércio exterior e o estímulo ao turismo de negócios, consolidando a região como um ambiente competitivo e preparado para novos ciclos de desenvolvimento.
Inspirado no modelo já em implementação no norte do Estado, o ParkLog Espírito Santo busca integrar diferentes modais de transporte e cadeias produtivas em uma estratégia de longo prazo, posicionando o Espírito Santo como um dos principais hubs logísticos do Brasil.
“Com esse conjunto de investimentos, o ParkLog surge como uma parceria público-privada essencial para dar escala, integração e competitividade a toda essa infraestrutura. Estamos organizando o território para transformar o sul do Espírito Santo em um hub logístico e industrial, gerando desenvolvimento, emprego e renda para os capixabas”, destacou o governador.
A organização do ParkLog Sul Capixaba tem a participação das seguintes instituições: Instituto Capixaba do Transporte e Logística (ICTL), Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), Porto Central, Samarco e ES em Ação.
“Estamos estruturando o ParkLog Sul Capixaba com uma visão integrada e orientada para resultados concretos. A proposta é transformar os ativos já existentes em um ambiente coordenado, capaz de atrair investimentos, gerar oportunidades e aumentar a competitividade da região. Esse é um projeto que conecta planejamento, infraestrutura e desenvolvimento econômico, criando as bases para um novo ciclo de crescimento sustentável no sul do Estado”, acrescentou o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação do Governo
Giovani Pagotto
giovani.pagotto@gmail.com
Desenvolvimento
Espírito Santo lança Fundo de Descarbonização com quase R$ 1 bilhão para financiar a transição energética

Com foco na transição energética e na redução das emissões de gases de efeito estufa, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) lançou, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo. A iniciativa foi apresentada em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, e passa a operar sob gestão da BTG Pactual Asset Management.
O lançamento posiciona o Espírito Santo entre os estados brasileiros que avançam na estruturação de instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável, sobretudo na utilização de recursos provenientes de combustíveis fósseis para promover a transição energética.
Pioneiro no financiamento verde no País, o Bandes — que, no ano passado, foi citado no relatório internacional “State of Green Banks 2025”, destacando a atuação dos bancos verdes no enfrentamento às mudanças climáticas — lidera a criação do fundo alinhado ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), que prevê a redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050.
O Fundo de Descarbonização capixaba possui a estrutura de blended finance como seu grande diferencial. Também chamado de financiamento misto, o modelo engloba capital do setor público e do setor privado. No caso do Espírito Santo, somados aos R$ 500 milhões do Funses, estão recursos que serão investidos pela BTG Pactual Asset Management. Assim, o Fundo já nasce com recursos para apoiar a transição energética e permanece aberto para novos investidores.
Os eixos de investimentos são estruturados com base em quatro políticas transversais: minimização de emissões, aumento da eficiência, compensação de emissões e remoção e captura de gases de efeito estufa (GEE).
A estruturação do fundo, em parceria com o Governo do Estado, demandou elevado rigor técnico, além de um processo complexo que se estendeu por pouco mais de um ano até sua conclusão. O mecanismo inovador contou ainda com parceria do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que forneceu apoio no desenho do instrumento financeiro e auxiliou na identificação de demandas de investimentos em descarbonização no Espírito Santo, validando o potencial do fundo.
Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou as ações do Governo no enfrentamento às mudanças climáticas e na transição energética, como o Programa Reflorestar, criado em 2011, o avanço no Cadastro Ambiental Rural e, mais recentemente, a instituição do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas.
“Temos tratado a agenda climática no Espírito Santo com ações concretas há muitos anos. Implantamos políticas de reflorestamento, controle ambiental por georreferenciamento, uso de energia renovável na estrutura do Governo e incentivo a práticas sustentáveis. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, pontuou.
Na avaliação do vice-governador Ricardo Ferraço, o Fundo posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional ao transformar compromissos climáticos em instrumentos financeiros concretos: “Aqui no Estado trabalhamos com foco no futuro e nas próximas gerações, alcançando pioneirismo ao criar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do País e o primeiro a transformar royalties de petróleo em investimentos verdes dessa escala. Ancorado no Plano Estadual publicado em 2023, o fundo dá materialidade às metas assumidas de reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.”
“O Espírito Santo sai na frente e se oferece como inspiração para que outros façam também a sua parte. O fundo nasce com R$ 500 milhões do Fundo Soberano, oriundos de royalties de petróleo e gás, e já estruturado para alavancar capital nacional e internacional por meio do blended finance. A expectativa é superar R$ 1 bilhão em investimentos nos próximos anos, gerando empregos verdes, diversificando a economia e fortalecendo a resiliência social”, completou Ricardo Ferraço.
Segundo o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o lançamento consolida a atuação do banco em agendas de fronteira: “O Fundo de Descarbonização é resultado de uma política pública desenhada para garantir que os investimentos contribuam efetivamente para o cumprimento do pacto de neutralidade de carbono assumido pelo Espírito Santo.”
Ele destaca ainda que, nesse contexto, o Bandes, em parceria com a BTG Pactual Asset Management, e apoio do iCS, estruturou uma política de investimentos específica para o Fundo, com princípios, critérios e procedimentos claros, assegurando que os recursos alocados estejam alinhados à transição climática, à redução de emissões e à geração de impacto socioeconômico positivo. “Esse nível de governança e intencionalidade fortalece a economia de baixo carbono, posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional da agenda climática e reafirma o papel do Bandes como referência na integração entre finanças, inovação e responsabilidade ambiental.
O diretor-presidente ressalta ainda que o modelo adotado possui potencial de replicação em outras regiões e setores econômicos, servindo de referência para entes subnacionais que buscam alinhar crescimento econômico, conservação ambiental e inovação institucional. “As mudanças climáticas exigem políticas públicas consistentes e instrumentos financeiros à altura do desafio. O desenvolvimento só é efetivo quando é também ambientalmente responsável, e o Espírito Santo demonstra que é possível liderar esse processo com seriedade e visão de longo prazo”, apontou Saintive.
“Os bancos de desenvolvimento têm um papel estratégico para viabilizar o financiamento da descarbonização, especialmente ao estruturar instrumentos inovadores e mobilizar capital privado em escala. O mecanismo criado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo é pioneiro no Brasil ao direcionar recursos de origem fóssil para acelerar a transição energética, combinando visão de longo prazo, mercado de capitais e impacto climático. Trata-se de uma experiência que deve servir de inspiração para outros estados e bancos públicos que buscam criar soluções financeiras para enfrentar o desafio climático e promover o desenvolvimento sustentável”, comentou a diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto.
Supervisionado pelo Bandes, o Fundo contou, inicialmente, com um aporte de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) — criado pelo Governo do Estado para garantir a aplicação sustentável dos rendimentos originados da exploração de combustíveis fósseis. Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), a iniciativa tem como objetivo direcionar esses recursos para o financiamento de atividades e setores que promovam a descarbonização no Espírito Santo. Para isso, o Fundo investirá em títulos de crédito e outros direitos creditórios emitidos por sociedades com sede fiscal no Estado, além de projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Principais setores a serem apoiados
De acordo com informações do edital, o Fundo deverá apoiar empreendimentos voltados à descarbonização, como, por exemplo, os seguintes segmentos: Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano); Tecnologias limpas aplicadas à produção industrial; Eficiência energética e eletrificação de cadeias logísticas; Reflorestamento e restauração ambiental; Práticas agrícolas sustentáveis e agricultura regenerativa; Produção e uso de biocombustíveis e combustíveis alternativos; Transportes de baixa emissão, incluindo eletrificação de frotas; Gestão de resíduos, com foco em valorização energética, biogás e reciclagem.
“O Fundo de Descarbonização do Espírito Santo representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao unir uma governança robusta, critérios técnicos rigorosos e uma estrutura de blended finance, a parceria com o Bandes cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos, com impacto econômico, ambiental e social para o Estado”, explicou o sócio da BTG Pactual Asset Management, Sergio Cutolo.
Os ativos do fundo deverão ser emitidos por emissores que atuem diretamente na implantação, ampliação, manutenção, recuperação, adequação ou modernização de projetos que contribuam para a descarbonização da economia do Espírito Santo, nos setores de Energia, Indústria, Agricultura, Agropecuária, Florestas e Uso do Solo (AFOLU), Transportes, Resíduos e Serviços, sendo vedada a concentração dos direitos creditórios em um único setor.
“A Secretaria de Desenvolvimento terá papel protagonista na conexão entre o Fundo de Descarbonização e o setor produtivo. Por meio da agência de atração de investimentos NOVA ES, vamos dialogar com empresários, investidores e grandes projetos para transformar essa iniciativa em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável. O Fundo nasce com a missão de impulsionar uma nova economia no Espírito Santo, aliando competitividade, inovação e responsabilidade ambiental. Nosso foco é atrair investimentos que gerem emprego, renda e impacto positivo, consolidando o Estado como referência nacional na transição para uma economia de baixo carbono”, analisou o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
O apoio deverá estar em conformidade com as normas, regulamentos e padrões de proteção à saúde, ao meio ambiente e à segurança do trabalho, conforme comprovado por certidões emitidas por órgãos da União e/ou do Estado do Espírito Santo, bem como adimplentes com a União (inclusive FGTS), o Estado do Espírito Santo e demais entidades da administração pública estadual.
“Estamos muito satisfeitos em fazer parte dessa iniciativa ao lado do Bandes e do Governo do Espírito Santo. A BTG Pactual Asset Management vai colocar toda a sua esteira de originação, análise e gestão a serviço da construção de um portfólio robusto, com projetos sólidos e aderentes às metas de descarbonização do Estado. Nosso objetivo é levar essa agenda a um novo patamar, conectando empresas com projetos transformadores e investidores que buscam unir retorno financeiro consistente ao incentivo a políticas ESG”, destacou Cutolo.
A seleção da BTG Pactual Asset Management se deu em 2025, após uma chamada pública, que contou com 11 candidatas de todo o País. Segundo a gestora, responsável por conduzir o atendimento às empresas interessadas e pela análise dos projetos submetidos, as iniciativas deverão estar alinhadas ao Plano de Descarbonização do Espírito Santo e direcionadas a setores estratégicos para a transição energética, como energia renovável; restauração e reflorestamento; tecnologias limpas para a indústria; agricultura sustentável; eficiência energética; eletrificação; biocombustíveis e transportes sustentáveis.
Os detalhes sobre os critérios de enquadramento, as condições operacionais e os procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve.
“O Espírito Santo dá um passo decisivo ao tratar a agenda climática como uma estratégia de desenvolvimento econômico. O Fundo de Descarbonização nasce com escala, governança e foco em resultados, mobilizando recursos para financiar a modernização produtiva, aumentar a eficiência das empresas e reduzir emissões de forma estruturada. É um exemplo concreto de como o financiamento ao desenvolvimento pode alinhar competitividade, inovação e sustentabilidade no longo prazo”, avaliou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), André Godoy.
Empresas interessadas em submeter projetos e investidores que desejem participar da iniciativa podem entrar em contato com a BTG Pactual Asset Management pelo e-mail OL-funses-descarbonizacao@btgpactual.com
Saiba mais:
http://www.bandes.com.br/descarbonizacao
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação do Governo
Raphael Marques
raphael.marques@secom.es.gov.br
Gerência de Comunicação Institucional do Bandes
Bárbara Deps Bonato / Wilson Igreja Campos
(27) 99774-4428 / (27) 3331-4424
comunica@bandes.com.br
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