Ligue-se a nós

Negócios

Forbes Top Creators: Quem São os 10 Escolhidos de 2026

Redação Informe ES

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Não é só chamar a atenção. Os 10 criadores de conteúdo de maior impacto no Brasil se destacam pelo poder de entregar conteúdos divertidos, mas ao mesmo tempo úteis; por manter com sua audiência uma relação tanto de proximidade quanto de credibilidade; e por conseguir traduzir essa influência em construção de marca, seja pela colaboração com grandes empresas, seja pelo investimento em negócios próprios (ou, algo cada vez mais comum, as duas coisas juntas).

Nossa lista apresenta um recorte dos maiores interesses dos brasileiros: da comida à beleza, de um cotidiano indígena aos conselhos de carreira, da malhação à ciência, das finanças à literatura. E os exemplos de profissionais que sabem satisfazer esses interesses, demonstrando capacidade de entrega, criatividade, apelo emocional, disciplina para produzir conteúdo de qualidade.

Você pode chamá-los de influenciadores digitais, e o nome não está errado. Mas talvez seja mais correto chamá-los de empreendedores.

Anúncio

Veja quem são os 10 Top Creators de 2026

Foto: Victor AffaroBookster é Top Creators 2026

O poder da paixão pela literatura

Quando criou o perfil @Bookster no Instagram, em 2017, Pedro Pacífico não tinha a ambição de ser influenciador – muito menos de se expor. “Criei um perfil anônimo e bloqueei todos os meus amigos e família”, recorda. “Tinha acabado de ser efetivado como advogado.” Hoje, aos 33 anos, tem mais de 900 mil seguidores, um livro publicado, parcerias com gigantes como Amazon e Iguatemi e um clube de leitura com 7 mil assinantes. “Sou um apaixonado pela leitura que teve sua vida transformada por ela.”
Formado em direito pela USP e com mestrado na New York University, Pedro projetava uma carreira tradicional, seguindo os passos do pai. “Cresci numa bolha. Me sentia diferente, mas achava que era errado e precisava reprimir.” Os livros, com suas histórias e personagens diversos, abriram-lhe um novo mundo. “A virada de chave foi quando consegui me aceitar como um homem gay – e a literatura me ajudou muito nesse processo.”

O interesse cresceu na faculdade, depois do trauma com as obras obrigatórias de vestibular e de se guiar pelas listas de mais vendidos. “São livros que prometem resolver problemas de forma imediata, com pouca reflexão. A literatura é o contrário disso.” A partir daí, passou a explorar clássicos como Tolstói e autores contemporâneos como Valter Hugo Mãe e Buchi Emecheta.

Seis meses após criar o perfil, foi descoberto por um conhecido e decidiu abandonar o anonimato. No início, eram principalmente editoras que o procuravam para parcerias. Na pandemia, lançou o podcast Daria um Livro, seu perfil cresceu e Pedro entrou para a lista Forbes Under 30. Hoje, cerca de 90% dos clientes (que vão de marcas de moda a pneus) estão fora do mercado literário. O segredo para furar a bolha? “Nunca me coloquei como especialista, mas como um leitor apaixonado.”

Por anos, manteve uma vida dupla: advogado – chegou a sócio do escritório – e criador de conteúdo. “Me sentia devendo no escritório, em atraso com o Bookster, ausente na família e dos amigos.” Em 2024, após uma crise de pânico, percebeu que havia atingido seu limite. “Tinha medo de abrir mão de uma carreira previsível por algo incerto.”

No último ano, fez um período de teste dedicado apenas ao Bookster. Durante esse tempo, lançou o clube Bookster pelo Mundo, em parceria com a TAG Livros, hoje com 7 mil assinantes. A proposta é ler, a cada mês, um livro de um país diferente: nove dos 12 títulos deste ano são inéditos no Brasil. Seu conteúdo também extrapolou esse universo: hoje, assina uma coluna no jornal O Globo e tem um programa semanal na CNN.

Anúncio

Pedro tem nos planos um segundo livro, agora de ficção. O primeiro, Trinta Segundos Sem Pensar no Medo: Memórias de um Leitor, lançado em 2023 pela Intrínseca, amarra suas histórias de vida e temas como sexualidade e saúde mental. Ele acaba de confirmar sua saída definitiva da advocacia. Uma decisão difícil, claro, mas abandonar o Bookster nunca foi uma opção. “Virou uma parte de quem eu sou. As pessoas até me chamam de Bookster. É uma confusão.” (FA)

Foto: Victor AffaroFausto Carvalho é Top Creators 2026

Provocar o riso sem ofender

Por um bom tempo, a vida não foi fácil para Fausto Carvalho. Nascido numa família simples em Diadema – a mãe assistente social e o pai operador de trens –, o paulista tinha o sonho de ser jogador de futebol e ainda na adolescência começou a bater bola profissionalmente. Passou por times pequenos, como XV de Jaú, União Barbarense e XV de Piracicaba, e depois entrou na equipe de futsal do Corinthians como parte de uma bolsa para pagar a faculdade de educação física. Mas, sem perspectiva de crescimento, Fausto desistiu desse sonho e, via indicação de um amigo, usou do seu humor nato para se jogar no mundo da recreação.

Fez de tudo nesse período: onde houvesse fila, lá estava ele fazendo as pessoas rirem. Vieram as redes hoteleiras (atuou por cinco anos), depois os cruzeiros. Daí a vida de Fausto mudou de verdade.
“Hoje vejo como foi importante essa fase de hotéis e cruzeiros. O trabalho de recreador aconteceu na minha vida muito por acaso; foi a indicação para o trabalho em hotéis e, a partir dali, conheci pessoas que me trouxeram a oportunidade de trabalhar em navios, onde fiquei por 15 anos. Principalmente o navio me ensinou como ‘pisar’, como chegar e sair, o jeito de fazer piada sem ofender ninguém e a saber fazer humor para todas as nacionalidades”, disse.

Se os hotéis lhe deram os primeiros personagens próprios, os cruzeiros proporcionaram a milhagem cômica. Nessa época, criou mais de 50 personagens – afinal, durante 15 anos, trabalhou 12 horas por dia, falando cinco línguas, passando por quase 100 países, totalizando umas três voltas ao mundo. Então, veio a pandemia e, por dois anos, toda aquela intensidade de pessoas, piadas e paisagens sumiu no ar.
Quando o mundo voltou ao que, mais ou menos, era antes, Fausto também retornou aos palcos.

Precisava viver e fazer rir de novo. Então, para um evento corporativo, pediram para ele interpretar um jogador de beach tennis. “Criei o Jorginho, o ‘Menzinho’. Um convidado me viu, achou muito parecido com um amigo dele, gravou um vídeo e jogou em um grupo de WhatsApp. Foi assim que comecei a viralizar. Acho que o personagem foi abraçado por fazer um humor sem ofensa; é uma caricatura amigável na qual as pessoas acabam se reconhecendo e rindo de si mesmas.”

Anúncio

O Jorginho do Beach Tennis foi muito mais que abraçado. A combinação de peruca loira, camisa polo, bermuda com cinto, suéter amarrado nos ombros, sotaque paulistano carregado, muitas palavras em inglês e bordões como “top” e “o beach venceu” tem atualmente cerca de 6 milhões de seguidores nas redes sociais de Fausto. E chamou a atenção de marcas como XP, Heineken, Lacoste, Amazon, Oakberry e a bolsa de valores B3.

“Espero seguir trabalhando com o que mais amo, que é trazer alegria para as pessoas. No momento estou focado no Menzinho, mas tenho muitas ideias de personagens e sinto falta de mostrar outras criações. Quer dizer, tenho planos para o futuro; o maior desafio é se manter relevante dentro da internet, é tudo muito volátil e acaba assustando um pouco. Também sei que o humor me levou e me levará para lugares ainda mais incríveis.” (DS)

Foto: Victor AffaroJoel Jota é Top Creators 2026

Disciplina em nome do desenvolvimento pessoal

“A disciplina é a mãe de todas as habilidades.” Este é o princípio que guia a vida de Joel Jota. Antes de se tornar o podcaster número 1 na categoria de negócios do Spotify Brasil e número 4 no ranking geral da plataforma, Joel era nadador profissional. Nascido e criado em Santos, começou no esporte pela saúde, mas por segurança, para poder acompanhar o pai em seus dias de pesca. Foi também o pai que percebeu seu potencial no esporte e o incentivou a competir, carreira que o levou a representar a seleção brasileira e seguir a formação em educação física, tornando-se, mais tarde, treinador.

Se a natação lhe ensinou foco e disciplina, as salas de aula forjaram sua oratória. Mestre em ciências do esporte e doutor em educação e novas tecnologias, tornou-se professor universitário e percebeu que a comunicação era seu ponto forte. A influência que tinha tanto com os nadadores de sua equipe quanto com seus alunos vinha, segundo ele, de três pilares: resultados de respeito, conhecimento com confiança e comportamento inspirador. Em 2011, com sua conta no Facebook, ele percebeu que seus ensinamentos poderiam atingir um público maior. Passou a estudar e se aprofundar em marketing digital e, a partir de 2014, seu conteúdo já era monetizado.

O primeiro milhão com a internet – não de likes, de reais – veio em 2018. Em 2019, o primeiro grande viral: um vídeo espontâneo, durante uma corrida na praia, falando sobre nada menos do que disciplina. “Não espere a motivação chegar para você começar. Comece, e a motivação vem.” O vídeo ultrapassou o milhão de views, fazendo o creator acreditar que poderia se tratar de um golpe de sorte. Porém, ao replicar o mesmo vídeo outras vezes e repetir o resultado, ele percebeu que não era sorte, era impacto real.

Anúncio

Desde então, Joel acumula conquistas. Tem mais de 10 títulos publicados, com mais de 7 milhões de exemplares vendidos, incluindo um recorde registrado pelo Guinness Book de maior número de colaboradores em um livro, com sua publicação A Máquina do Tempo: ela traz os conselhos de 576 executivos para os seus “eus” mais jovens. Fez parte do time do Shark Tank Brasil e já colaborou com grandes marcas como XP, AWS, Uber e iFood. No mundo dos negócios, seu ecossistema engloba mais de 10 empresas, entre elas a Mentoring League Society, fundada junto com Flávio Augusto e Caio Carneiro, com projeção de R$ 1,4 bilhão de receita em 2026.

Na internet, são mais de 15,9 milhões de seguidores somados em todas as plataformas, uma comunidade tão engajada que suas palavras estampam não só livros, mas a pele das pessoas, em forma de tatuagem. A frase mais famosa, que se tornou seu principal slogan, diz: “Saúde, família, trabalho. Não inverta a ordem”. Ao perder o pai ainda novo, por um problema grave de saúde, Joel transformou sua dor no lema que guia sua vida, e que inspirou os milhões que o acompanham. Apesar dos números astronômicos nas redes, ele relativiza a métrica de vaidade em prol do legado em casa: “São 15,9 milhões de seguidores, mas de fato os obrigatórios e para quem eu realmente devo ser exemplo são três: meus filhos. Eles são os seguidores mais importantes da minha vida.” (JP)

Foto: Victor AffaroChef Ju Lima é Top Creators 2026

Craque no preparo de carnes e empreendedora nata

Para entender a dimensão dos negócios (e do comprometimento) de Juliana Lima, conhecida na internet como Chef Ju Lima, basta olhar para o quintal de sua casa: uma cidade cenográfica de Velho Oeste erguida com um investimento de R$ 1,5 milhão. O espaço, equipado com saloon, banco e cadeia, funciona como um ecossistema comercial pronto para integrar inserções publicitárias orgânicas e abrigar a gravação de uma futura novela vertical.

No comando dessa estrutura está uma das mulheres churrasqueiras mais seguidas do mundo. Formada em administração e diplomada em gastronomia pela Le Cordon Bleu, em Paris, a mineira de 31 anos subverteu o rigor da culinária francesa ao aplicá-lo ao churrasco e à comida afetiva. Esse conhecimento, agregado à internet, criou um sucesso digital que hoje soma 7,3 milhões de seguidores no Instagram (onde não é raro ter reels que ultrapassam os 10 ou 15 milhões de views), 1,3 milhão no TikTok e 660 mil inscritos no YouTube – onde já ultrapassa os 310 milhões de visualizações.

Sua carreira digital foi construída a partir de uma frustração. Após retornar da França, Juliana foi trabalhar em um tradicional restaurante francês em Belo Horizonte, mas a repetição diária a impedia de ser mais criativa. Durante o início da pandemia, em 2020, ela postou seus primeiros vídeos de receitas e rapidamente percebeu a tração. Em vez de tratar as redes como hobby, passou a estudar tráfego pago e marketing digital com intencionalidade. A grande virada de chave, contudo, ocorreu em 2021, na TV Globo. Ao entrar no reality Mestre do Sabor, o apresentador Claude Troisgros perguntou em qual restaurante ela trabalhava. “Não sou chef de restaurante nenhum, eu sou chef de Instagram”, cravou.

Anúncio

A audácia rendeu 27 mil seguidores em um único segundo e chancelou seu modelo de atuação.
Nas redes, a estratégia de Ju Lima mescla inovação, técnica e cultura brasileira. Ela engaja pela curiosidade – como a maturação de carnes em goiabada, chocolate ou mel, e a “picanha do amor”, feita com crosta de açúcar –, mas também aposta forte no didatismo. Um único vídeo em que repete que o líquido vermelho da carne crua não é sangue bateu a marca de 50 milhões de visualizações.

A versatilidade para furar bolhas a levou a gravar collabs com nomes de peso, como Flávio Augusto, Sorocaba e Ana Castela, além de participar de programas de Marcos Mion, Danilo Gentili e Faustão na TV.
Atrás das câmeras, a gestão é familiar, dividida entre Juliana, o marido e o irmão. O escopo da empresa, por outro lado, tem escala. O portfólio inclui contratos com marcas como RAM e Swift, a venda de cursos culinários, investimentos em gado de corte e terrenos, além de palestras sobre marketing digital – sem contar o “miniestúdio Globo” na sua propriedade.

Para 2026, a meta é triplicar o faturamento de R$ 5 milhões alcançado em 2025. O grande motor dessa projeção é o lançamento de uma marca de utensílios de cozinha, em parceria com o influenciador viral Chef Otto, que já nasce com a ambição de gerar R$ 5 milhões no primeiro ano. “Sou uma empreendedora nata. Meus avós eram, meus pais são. Está no meu sangue.” (GS)

DivulgaçãoMaira Gomez é Top Creators 2026

A força de uma voz indígena

Para entender o peso da influência de Maira Gomez – ou Jūgoa, seu nome indígena – é preciso medir o impacto de seus vídeos não apenas em likes, mas em quilômetros. Antes de sua ascensão na internet, os moradores de sua comunidade, às margens do Rio Negro, no Amazonas, a 35 quilômetros de Manaus, precisavam remar de canoa ou entrar até cinco quilômetros na mata virgem em busca de água potável em um igarapé. Hoje, graças à visibilidade de seu conteúdo, a aldeia conquistou um poço artesiano. “Agora todas as casinhas têm água encanada. Já não é aquele sofrimento de pensar que no dia seguinte temos que andar quilômetros”, celebra.

Conhecida nas redes como Cunhaporanga (“moça bonita” em tupi), Maira soma, aos 27 anos, mais de 6,5 milhões de seguidores apenas no TikTok. Pertencente às etnias Tatuyo (por parte de pai, o cacique da aldeia) e Wanano (por parte de mãe), ela se tornou a principal janela digital para desmistificar a cultura dos povos originários. A jovem, que na infância dependia de um barco diário para ir à escola e viajava à cidade aos finais de semana para aprender informática – “para podermos pedir uma ambulância em caso de emergência” –, é hoje um ícone da creator economy.

Anúncio

A indígena viralizou às vésperas da pandemia com um vídeo comendo mochiva (uma larva de besouro extraída da palmeira de bacabaçu) com farinha. O choque cultural rendeu ataques xenofóbicos de quem a acusava de “trazer a próxima covid comendo bichos estranhos”. A resposta de Cunhaporanga foi a educação. Mostrando que a iguaria é herança ancestral e sinônimo de saúde, transformou o ódio em curiosidade e passou a exibir as belezas de seu cotidiano: do artesanato às pinturas corporais, o preparo de alimentos e as palavras em seu idioma.

Hoje, turistas de todo o Brasil viajam até a aldeia para conhecê-la, e o fluxo fomenta a economia local: cada família vende seu artesanato, gerando a renda que custeia materiais escolares e paga as contas de luz e da internet via satélite da comunidade. O alcance dessa voz levou a um marco impensável para a jovem que ganhou seu primeiro celular aos 17 anos: Maira foi imortalizada como uma boneca Barbie no aniversário de 65 anos da marca, representando as mulheres indígenas brasileiras. “É uma lembrança para mostrar que nós também podemos estar à frente na luta e dar voz para outras.”

Com novos projetos de turismo engatilhados e o sonho de cursar administração, marketing e artes cênicas, Maira combate os estereótipos de que o indígena “não gosta de trabalhar”. “Nós somos como qualquer um, podemos realizar nossos sonhos. Somos capazes de estar em uma universidade e exercer muitas profissões.”

Para a criadora de conteúdo, essa emancipação comunitária e profissional caminha ao lado da responsabilidade global. Assume o papel de ponte entre o conhecimento ancestral e o futuro, e define seu trabalho como um chamado urgente à preservação. “A gente já está fazendo a nossa parte, mas gostaria que os outros valorizassem mais o nosso planeta”, diz. “Se a natureza morrer, a gente também vai junto. A gente só está de pé porque ela está de pé.” (MK)

Anúncio

Foto: Victor AffaroMarcella Tranchesi é Top Creators 2026

De produtora de conteúdo a empresária

Transformar visibilidade em influência já é um salto. Transformar influência em ativo de negócio é um segundo salto – que Marcella (Ma) Tranchesi, 34 anos, deu há um ano e meio. Se conquistar 878 mil seguidores no Instagram e uma comunidade altamente engajada é um feito, criar produtos (e garantir sua qualidade, a logística de entrega, a gestão da marca) é um desafio pertencente ao campo dos negócios.

Filha de Eliana Tranchesi, fundadora da Daslu, Marcella cresceu imersa no universo do varejo de luxo brasileiro. Mais do que acompanhar de perto a construção de uma das marcas mais esfuziantes do país, absorveu desde cedo uma visão estratégica sobre curadoria, experiência do cliente e construção de desejo. A convivência com uma operação que unia produto, narrativa e posicionamento moldou sua leitura de mercado e sua forma de empreender.

Sua entrada no digital aconteceu de forma natural, compartilhando conteúdos de moda, beleza e lifestyle. Com o tempo, esse espaço evoluiu para uma atuação estruturada, com parcerias relevantes – como ser embaixadora do Leite Moça ou colaborar no desenvolvimento de maquiagens da MAC – e uma audiência fiel. Ao profissionalizar sua imagem mantendo a autenticidade, Marcella se tornou valiosa pela credibilidade e a capacidade de provocar engajamento real, um diferencial decisivo em um mercado cada vez mais saturado.

Essa base foi determinante para o nascimento da Doce Aquarella, sua marca de confeitaria, fundada em agosto de 2024. Criada a partir de receitas afetivas de infância e impulsionada pela demanda dos próprios seguidores, a empresa já nasceu com validação de mercado e com um parceiro estratégico, a Rappi, responsável por viabilizar a logística e a agilidade das entregas. O resultado foi imediato: no lançamento, mais de 200 pedidos em apenas três minutos e, em menos de três meses, cerca de 20 mil pedidos.

Hoje, a operação funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, contando com mais de 50 funcionários divididos em dois turnos e distribui seus produtos a partir de uma rede de 21 dark stores (centros de distribuição, lojas exclusivas de atendimento online), alcançando 80 bairros de São Paulo e Campinas com entregas em até 10 minutos. “Vejo esse crescimento consistente com muita alegria, focado em produto, qualidade, entrega e, principalmente, na conexão que construímos com o público.”

Anúncio

A Doce Aquarella traduz um modelo contemporâneo de negócio, que nasce já conectado a uma audiência e é depois validado pelo consumo. Marcella soube transformar um conteúdo emocional dos bolos, ligado à memória, ao afeto e à experiência, em uma operação estruturada, eficiente e escalável, sem abrir mão da identidade que sustenta a conexão com o público.

Sem abandonar a rotina de criação de conteúdo, Marcella se dedica com afinco à gestão do negócio, atuando diretamente na expansão da marca, no desenvolvimento de novos produtos e na construção de parcerias estratégicas. Essa mentalidade empresarial – sustentada por uma agenda carregada, cumprida com rigorosa disciplina – está na raiz do ritmo de crescimento acelerado de sua marca. (SP)

Foto: Victor AffaroMari Krüger é Top Creators 2026

Ciência em vídeos divertidos

“Como eu cheguei até aqui? Só fiz um vídeo sobre gases intestinais”, diz a bióloga e influenciadora Mari Krüger, 36. Em outubro de 2020, ela publicou o vídeo de apenas 15 segundos em que explicava, com caras e bocas e sem dizer uma palavra, o que acontece ao comer feijão sem deixá-lo de molho. Viralizou e bateu 2 milhões de visualizações. Hoje, tem 2,7 milhões de seguidores só no Instagram, parcerias com marcas como Itaú, Amazon e Pfizer e é parada na rua para fotos. Mas não se deslumbra. “Às vezes começo a chorar do nada, pensando em tudo que está acontecendo. Não consigo normalizar. É muito maluco.”

Natural de Porto Alegre, formou-se em biologia pela UFRGS e iniciou um mestrado em ecologia. Em paralelo, atuava como atriz e fazia comerciais. Em um deles, de 2012, virou meme com o bordão “Outlet? Adoro!”, que lhe rendeu um convite para tocar como DJ. “Aprendi 15 minutos antes da festa. Adorei aquela vibe”, lembra. Seguiu com as três carreiras até deixar o mestrado, quando a de DJ decolou. “Toquei no Brasil inteiro, na Sapucaí, no Maracanã, e também no Uruguai, em Portugal e na Espanha.”

Aí veio 2020, e a pandemia. Sua agenda de shows (e a do namorado, hoje marido) foi cancelada. “Perdi pessoas da família, estava sem emprego. Não tinha motivação para acordar.” Para ocupar a cabeça, passou a publicar vídeos nas redes. “Transformei curiosidades da faculdade em conteúdo. Era tanta fake news que quis desmentir.” Os vídeos bombaram desde o início. As primeiras marcas, como O Boticário, chegaram. “Não fazia ideia de que dava dinheiro. Na primeira publicidade, cobrei R$ 50 por vídeo, três por R$ 150.”

Anúncio

Depois de estudar marketing digital e entender o trabalho por trás de cada produção – que hoje pode levar até um mês –, percebeu o potencial do negócio. “Já fiz publicidades de R$ 100 mil.” Seu diferencial é a combinação de humor com rigor científico. “Faço vídeos engraçados, com potencial viral, mas com evidência científica por trás. Isso me permite cobrar mais.”

Em um dos vídeos, com quase 20 milhões de visualizações, aparece vestida de bactéria, com um macacão de chroma key verde; em outros, surge com um micro-ondas na cabeça ou fantasiada de cérebro. Na legenda, inúmeros artigos científicos e referências. “A desinformação tem um potencial viral gigantesco, então uso as ferramentas que tenho. As pessoas acham que estão vendo um videozinho engraçado e acabam aprendendo.”

Em 2024, mudou-se para São Paulo e deixou a carreira de DJ para se dedicar às redes. “Demorou para enxergar isso como trabalho. Precisei de muita terapia.” Viralizar tem um preço: “Quanto mais eu cresço, mais ódio recebo.”

Para o futuro, planeja reduzir as publicidades, ampliar as palestras e explorar novos formatos, como o YouTube. “Sou muito criteriosa. Nego mais propostas do que aceito.” Também quer cuidar mais de si, após sinais de estresse. “Não tem como ficar imune. Postar um vídeo ainda é muito tenso para mim.”
Ela consegue ficar, no máximo, duas horas sem o celular. “São as minhas férias”, brinca. Mas… “Não me imagino fazendo outra coisa que não seja ensinar ciência”, diz. E sua sala de aula não para de crescer. (FA)

Anúncio

Foto: Victor AffaroMari Saad é Top Creators 2026

Os vários tons do sucesso

Um ano e meio após o lançamento da Mascavo, sua marca de maquiagem, Mari Saad está voltando a olhar para dentro. “Eu virei a minha empresa”, diz a paulista de Jales, de 30 anos. Eleita Forbes Under 30 em 2018, ela usou sua influência e a credibilidade construída em 15 anos de internet para criar um negócio totalmente seu. “Não teria tido tanta força sem uma comunidade tão engajada. Mas a cobrança também não seria tão grande.”

Faturou R$ 100 milhões no primeiro ano, com mais de 100 itens e presença em 2 mil pontos de venda. Mas garante que é só o começo. Mari planeja expandir os pontos físicos (e ser comercializada na Sephora), lançar novos produtos e categorias e, no futuro, internacionalizar. “Enxergo a Mascavo como um projeto de vida. Quero que um dia ela não dependa só de mim.”

As expectativas – dela e do público – eram altas quando colocou os primeiros produtos no mercado. “Em 48 horas, sofri um cancelamento descomunal”, lembra. Os produtos não contemplavam peles negras e a empreendedora foi alvo de críticas nas redes sociais. “Os erros iniciais foram um ponto de virada, não só da marca, mas na minha vida.”

Hoje, prefere enxergar a crise como uma oportunidade para corrigir rapidamente a rota. “Passei a escutar o outro com responsabilidade”, diz. Depois de pesquisas e mudanças na equipe, chegou a um portfólio com 36 tonalidades de base, 24 tons de corretivo e oito de blush e contorno, além de acessórios, iluminadores e outros itens. “Me fortaleceu. Qual problema pode ser maior?”

Diretora criativa da Mascavo, Mari está presente desde o desenvolvimento dos produtos à execução no ponto de venda. Antes de empreender, testou o modelo e se estabeleceu no mercado com uma parceria de sete anos com a Océane. “Foi um MBA. Ali eu entendi meu potencial com a maquiagem.” Em uma das collabs mais lucrativas do setor de beleza, lançou mais de 100 produtos e ganhou fama por suas esponjas de maquiagem e paletas vibrantes, com alta pigmentação e brilho. E ela queria mais. “Precisei assumir que não era dona do jogo. Desde o dia um já sabia que iria buscar independência.”

Anúncio

A transição da cadeira de influenciadora – iniciada aos 16 anos com tutoriais de maquiagem – para a de empreendedora não foi simples. Mas, hoje, suas funções se retroalimentam. “Uso a minha comunidade como laboratório. Será que uma multinacional tem esse feedback tão rápido?” No Instagram e no TikTok, onde soma mais de 4 milhões de seguidores, Mari divulga seus produtos e mantém parcerias com grandes empresas como XP, Hering e Nespresso. “Hoje eu escolho as marcas com que quero trabalhar.”

O avanço de novos players de beleza no Brasil, muitos deles criados por influenciadoras, não a incomoda. “Não existe concorrência, é um ecossistema. Uma puxa a outra e esse movimento aquece o mercado.”
Muito além do trabalho, Mari tem outros sonhos e busca espaço para realizá-los. “Tenho o plano de ser mãe em um futuro próximo, mas não paro de adiar”, confessa. “O futuro só vai fazer sentido para mim se conseguir deixar minha marca no mundo, construir minha família e ter mais tempo de qualidade.” (FA)

Foto: Victor AffaroNath Finanças é Top Creators 2026

Educação financeira para pessoas de baixa renda

Durante anos, Nathália Rodrigues de Oliveira viveu a rotina exaustiva de milhões de brasileiros. Acordava às 5h da manhã em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), pegava duas ou três conduções ao centro do Rio, fazia estágio até o final da tarde e então corria para a faculdade de Administração, onde ficava até às 11h da noite. Voltava para casa por volta da meia-noite. O que ganhava no estágio não pagava nem o transporte diário. Mas um conselho de um professor lhe deu o primeiro estalo do que seria seu futuro.
“Ele disse que não adianta querer empreender ou administrar um negócio se você não tem educação financeira. Pensei: ganho pouco e preciso aprender a administrar isso porque também ajudava em casa. Quando fui pesquisar na internet para montar um canal no YouTube só encontrava conteúdos tipo ‘como fiz meu primeiro milhão’. Isso era impossível pra mim e me gerava uma frustração enorme porque parecia que o problema era comigo. Mas daí veio o segundo estalo e decidi focar em educação financeira para pessoas de baixa renda como eu”, diz Nathália, sobre o início do canal Finanças com Nath, em 2019 – nome mais tarde alterado para Nath Finanças.

Nath viu que muita gente, como ela, precisava se organizar financeiramente. Para não depender do cartão de crédito e seus juros altos, para não exagerar no iFood ou Uber, para fazer render o máximo com o pouco que se ganha. “No início do canal, falava muito sobre dívida. Como sair do Serasa ou do SPC, como se organizar ganhando um salário mínimo. Falava muito sobre organização financeira básica. Depois de sete anos com o grupo Nath Finanças, essas perguntas continuam existindo. A diferença é que o público ficou mais diverso e se ampliou. Hoje tem empreendedorismo, casa própria, fluxo de caixa. Mas continuo falando de finanças reais para pessoas reais.”

As redes sociais da Nath Finanças (destaque para Instagram, YouTube e TikTok, que somam cerca de 2,5 milhões de seguidores) criaram uma comunidade que a fez seguir em frente. “As pessoas continuam comigo todos esses anos, acreditando no meu trabalho e, principalmente, transformando a própria vida financeira. Isso é o que mais me emociona.”

Anúncio

No que depender dela, muitas novas transformações ainda acontecerão, pois o futuro do grupo já está bem definido. A ideia é, basicamente, reforçar a presença da marca também no presencial, com eventos, palestras e projetos educacionais em escolas e universidades públicas (o Educadin, pensado para crianças, adolescentes e jovens adultos). Outro foco é tecnologia com o Nath Play, uma plataforma de educação financeira que funciona como um hub financeiro que dá acesso a conteúdos em formato de streaming, planilhas, aplicativos, ferramentas de organização financeira, tanto pessoais quanto de negócios, e mentorias pagas.

Em meio a isso, a iguaçuana de 27 anos ainda arruma tempo para podcast (Fofocas Financeiras), livros (dois deles ilustrados por Ziraldo) e investimentos em negócios, cuidando de uma empresa que começou com ela e um celular e hoje conta com 30 funcionários. “O mais importante é começar e acreditar que o seu trabalho pode gerar impacto na vida de alguém”. (DS)

Foto: Victor AffaroToguro é Top Creators 2026

Da rotina de treinos aos 30 milhões de seguidores

Tiago Ribeiro de Lima foi criado pela mãe, filho único muito protegido, na zona leste de São Paulo. O resultado é que, tanto na infância como na adolescência, ele era o garoto que passava mais tempo em casa, vivia na internet e tinha poucos amigos. Então, aos 18 anos, ali por volta de 2008, Tiago começou a registrar o que fazia de diferente: musculação. Talvez encontrasse no universo digital pessoas como ele. Era um momento em que as grandes redes sociais estavam começando e prometiam conexão. Dessa forma nasceu Toguro (nome de um vilão do anime japonês: Yu Yu Hakusho).

“Vi nas redes sociais uma saída para me expressar, me comunicar. Virou esse espaço onde conseguia existir de uma forma que não conseguia no mundo offline. Comecei mostrando minha rotina, meu estilo de vida, principalmente dentro da musculação, e minha disciplina e evolução pessoal. Com o tempo, entendi que não se tratava só de postar os vídeos – era construir uma comunidade. E isso transformou todo o trabalho”, disse.

No início, Toguro focou na constância das publicações. Gravava tudo que fazia no seu dia e resumia em vídeos de 15 minutos para o seu canal no YouTube. “Era minha vida real. A musculação cada vez mais presente, o treino, minha alimentação. E o público começou a se identificar com isso porque eles percebem quando é de verdade, orgânico. Foi o que sustentou meu crescimento.”

Anúncio

Do YouTube para o Instagram e depois para o TikTok, Toguro se adaptou a novos formatos, mais curtos, e ampliou seu campo de ação, de parcerias com suplementos alimentares à criação de uma marca de energéticos de sucesso (Mansão Maromba). Hoje, o influenciador que começou registrando sua rotina fitness tem cerca de 30 milhões de seguidores nas redes (5,7 milhões no TikTok; 10,8 milhões no Instagram, 9 milhões em três canais do YouTube e 3,5 milhões no Facebook). “A internet sempre vai ser minha base, ali construí tudo. Mas hoje vejo isso como um ativo que me permite entrar em novos negócios.”

Falando em novos negócios, Toguro começou 2026 assumindo três novos e surpreendentes desafios no mundo corporativo: head de comunicação da farmacêutica Cimed; head de comunicação digital do time de futebol Portuguesa (com sua marca, Mansão Maromba, sendo a patrocinadora master do clube paulista) e VP da Rappi Brasil. “Esses trabalhos reforçaram para mim que o mercado está mudando. Não é mais seguir um caminho tradicional, é entender comportamento, executar e gerar resultado. O criador deixou de ser só mídia e passou a fazer parte da estratégia. Eu quero cada vez mais estar nesse lugar: construindo produtos e negócios.”

As 24 horas do dia se multiplicam na cabeça inquieta de Toguro. Tem espaço, atenção, disciplina e humor para Mansão Maromba, Cimed, Portuguesa, Rappi Brasil. “Continuo no mundo maromba, continuo seguindo meu lifestyle, porque essa junção faz parte do que eu sou. Mas não me limito a isso. O futuro para mim é expansão. Porque, no final, tudo volta para a consistência. Sempre falo: quem vende hoje, vende amanhã e vende sempre.” (DS)

*Textos: Dafne Sampaio, Fernanda Almeida, Giovanna Simonetti, Júlia Padovani, Mariana Krunfli e Sofia Patsch
Fotos: Victor Affaro
Assistentes de foto: Fábio Del Monte Neto e Yuri Reuters
Arte: Anderson Miguel e Pedro Nascimento
Retouch: Rodrigo Gonçalves
Produção executiva: Lucas Mano
Beleza: Renan Tavares e Rodrigo Frois
Mobiliário: Luiz Solano
Edição: David Cohen e Décio Galina

Anúncio

O post Forbes Top Creators: Quem São os 10 Escolhidos de 2026 apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo
Anúncio

Negócios

Conheça os setores com maior risco de Burnout no Brasil

Redação Informe ES

Publicado

no

Em meio à crise de saúde mental no Brasil, com recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, e à atualização da NR-1, prevista para entrar em vigor em maio, o burnout tem chamado a atenção de lideranças como um dos principais riscos à saúde dos funcionários, à produtividade e à sustentabilidade das empresas.

Desde 2019, a condição é oficialmente descrita pela Organização Mundial da Saúde como “uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi gerido com sucesso”. Ela é caracterizada por três dimensões: sensação de esgotamento extremo; distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. “Por ser tratado como um fenômeno ocupacional, o burnout está ligado especificamente ao contexto de trabalho, e não apenas a um diagnóstico psiquiátrico”, dizem os autores do relatório NR-1 do Compliance à Alta Performance, recém-publicado pela HR Tech Gupy. “Ao nomear o burnout como fenômeno de trabalho, o foco se desloca da ‘fragilidade individual’ para as condições organizacionais que geram e mantêm esse estado.”

Segundo o estudo, atualmente 4 em cada 10 profissionais sinalizam algum tipo de risco psicossocial, como toxicidade no ambiente de trabalho, alto volume de entregas e jornadas longas e imprevisíveis, que podem levar ao burnout.

Os riscos psicossociais permeiam operações de todos os portes em termos de quantidade de funcionários: atingem 58,73% dos profissionais ativos em pequenas empresas; 53,60% em médias; 58,85% em grandes e 45,90% em companhias muito grandes (acima de 1001 colaboradores).

Anúncio

Onde o alerta vermelho já está aceso

A frequência dos sinais de exaustão varia a depender do setor. Segundo o relatório, os maiores índices de respostas em faixa crítica para burnout foram registrados nos setores de varejo e atacado (10,79%), educação (9,87%) e marketing, publicidade e comunicação (9,67%). “São atividades com forte contato com público, ritmo intenso, metas e, muitas vezes, jornadas irregulares”, afirmam os autores. “Para melhorar esse cenário, as lideranças precisam focar na gestão de carga de trabalho, pausas, suporte emocional e segurança psicológica.”

Percentuais menores — como o do setor financeiro, que também costuma concentrar pressão, metas e alta exigência — não significam ausência de problema. “Esse ainda é um tema que pode ser subnotificado em pesquisas, já que nem todo profissional se sente igualmente à vontade para nomear ou expor esse tipo de experiência”, explica Gil Cordeiro, especialista em pesquisas e tendências da Gupy. “Mas mesmo os pequenos percentuais já mostram pessoas em situação de risco, com potencial de afetar clima, desempenho e rotatividade.”

O estudo analisou os indicadores da base de pesquisas de engajamento da Gupy entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, isolando o percentual de respostas em faixa crítica (notas abaixo de 5,0) para exaustão e burnout. O levantamento não mede a “prevalência oficial” de burnout no país, mas funciona como um termômetro para medir e comparar o risco entre os setores. “O volume real de casos tende a ser ainda maior, já que a síndrome costuma aparecer antes em sinais indiretos, como queda de engajamento, afastamentos e rotatividade, do que em respostas explícitas.”

A seguir, confira os setores com maior concentração de profissionais na faixa crítica de exaustão, segundo o levantamento.

Anúncio

Os setores com maior risco de burnout no Brasil

  1. Varejo e Atacado: 10,79%
  2. Educação: 9,87%
  3. Marketing, Publicidade e Comunicação: 9,67%
  4. Hotelaria e Restaurante: 9,55%
  5. Setor Público / ONGs: 9,14%
  6. Arte e Lazer: 8,38%
  7. Serviços de Saúde: 7,15%
  8. Consultoria: 6,04%
  9. Indústria: 5,40%
  10. Tecnologia e Software: 4,95%
  11. Transporte e Logística: 4,86%
  12. Agronegócio: 4,70%
  13. Serviços: 4,58%
  14. Governo e Órgãos Públicos: 4,42%
  15. Construção Civil: 3,82%
  16. Utilidade Pública (energia, água, telefonia etc.): 3,7%
  17. Financeiro: 3,2%

O post Os Setores com Maior Risco de Burnout no Brasil apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo

Negócios

Estresse Crônico no Trabalho Prejudica o Cérebro. Veja Como Protegê-lo

Redação Informe ES

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Um mito bastante difundido diz que o cérebro é como um computador que envelhece, tornando-se inevitavelmente mais lento e se deteriorando com o tempo. A neurociência moderna conta uma história diferente. O cérebro é um órgão vivo e adaptável que cresce — ou encolhe — a partir dos hábitos e ambientes que vivenciamos todos os dias, assim como o coração ou os pulmões.

Avanços em exames de imagem cerebral revelaram que o estresse crônico no trabalho causa danos ao cérebro. Pesquisas também mostram que é possível protegê-lo por meio de escolhas de estilo de vida e estratégias de enfrentamento específicas.

Perigos neurológicos do estresse crônico no trabalho

Um volume crescente de estudos em neurociência mostra que o estresse crônico no trabalho altera o cérebro de formas prejudiciais. Ainda assim, enquanto monitoramos cuidadosamente a saúde do coração e a função pulmonar, frequentemente negligenciamos o cérebro — o órgão que governa todo o resto no corpo.

Anúncio

Assim como atletas profissionais protegem a cabeça contra lesões, cientistas agora incentivam profissionais a protegerem o cérebro dos riscos neurológicos causados pelo estresse.

Pressões agudas no trabalho podem desencadear mudanças estruturais nos circuitos cerebrais que, com o tempo, afetam o sistema nervoso. No ambiente profissional, pensamentos estressantes circulam na mente com frequência. Aquela sensação de afundamento antes de uma apresentação ou a luta contra um prazo impossível. Um chefe abusivo. Assédio sexual. Um colega que pratica bullying. Tudo isso pode manter o cérebro inundado por hormônios do estresse.

Uma cultura baseada em crise constante e que glorifica o excesso de trabalho pode, gradualmente, cobrar um preço neurológico. A jornada 9-9-6 — que impõe rotinas de trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana — pode contribuir para danos ao cérebro. O medo constante de perder o emprego, repreensões frequentes da gestão ou a incerteza contínua sobre demissões podem, aos poucos, comprometer a saúde mental e física.

Pesquisas mostram que a exposição prolongada aos hormônios do estresse — especialmente o cortisol — pode reduzir áreas-chave do cérebro. O estresse crônico no trabalho tem sido associado à atrofia do tecido cerebral e à diminuição do volume total do cérebro. Níveis elevados de cortisol prejudicam o hipocampo, região responsável pela memória de longo prazo, e comprometem o córtex pré-frontal, que regula a atenção focada, a tomada de decisões e as funções executivas.

Anúncio

As consequências neurológicas não param por aí. O estresse crônico também está associado a taxas mais altas de ansiedade e transtornos de humor, além de redução da flexibilidade cognitiva — a capacidade do cérebro de se adaptar, resolver problemas e mudar de perspectiva.

Mais preocupante ainda, pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada ao estresse no trabalho pode aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, incluindo demência e Alzheimer.

No curto prazo, o cérebro é notavelmente resiliente. Muitas mudanças relacionadas ao estresse podem ser revertidas quando a pressão diminui. Mas, quando o estresse elevado persiste por meses ou anos, os danos neurológicos podem se tornar mais duradouros e até permanentes.

6 medidas para proteger o cérebro do estresse crônico no trabalho

Seu cérebro determina o seu desempenho no trabalho, o quanto você avança na carreira e até o ritmo do seu envelhecimento. É importante entender do que esse “copiloto” precisa para funcionar da melhor forma e como protegê-lo dos fatores estressantes ao longo da semana. Existem estratégias capazes de interromper o ciclo do estresse e preservar a saúde cerebral.

Anúncio

1. Estabeleça limites claros para o horário de trabalho

Uma das formas mais rápidas de o estresse crônico se instalar é quando o trabalho invade todos os espaços do seu dia. Desconectar-se mentalmente após o expediente protege a saúde do cérebro. Estudos mostram que o distanciamento psicológico do trabalho é um dos principais fatores associados à redução do burnout, a uma melhor recuperação cognitiva e maior bem-estar.

    Proteger o cérebro começa com limites claros: fazer pausas ao longo do dia, encerrar o expediente em um horário definido, limitar e-mails fora do expediente e criar espaços para que o sistema nervoso se recupere.

    2. Interrompa o ciclo do cortisol com movimento

    A atividade física é uma das formas mais eficazes de combater os efeitos biológicos do estresse. O exercício reduz os níveis de cortisol, aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro e estimula a liberação de substâncias protetoras, como o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que ajuda a manter conexões neurais saudáveis.

    Um estudo de referência mostra que exercícios aeróbicos regulares reduzem a contração do cérebro, aumentam o tamanho do hipocampo e melhoram a memória.

    Anúncio

    3. Priorize o sono profundo

      É durante o sono que o cérebro se repara. O estresse crônico costuma prejudicar os padrões de sono, o que intensifica a sobrecarga neurológica. Especialistas recomendam manter uma rotina regular de sono, reduzir a exposição a telas antes de dormir e garantir um ambiente escuro e silencioso. Dormir bem ajuda a regular o cortisol e a consolidar memórias no hipocampo.

      4. Reduza a exposição a ambientes de trabalho tóxicos, quando possível

      Se o estresse vem de um chefe tóxico, assédio ou uma cultura organizacional caótica, apenas meditar não resolverá o problema. Sempre que possível, reduza a exposição — seja estabelecendo limites, registrando comportamentos, buscando transferências internas ou planejando uma saída. Eliminar a fonte do estresse crônico costuma ser a intervenção mais eficaz.

      5. Treine o cérebro para sair do “modo de ameaça”

        Quando o cérebro percebe ameaça constante — críticas, insegurança no emprego ou pressão elevada —, o sistema nervoso permanece em estado prolongado de “luta ou fuga”. Técnicas como mindfulness, respiração lenta e reestruturação cognitiva ajudam a levar o cérebro de volta a um estado mais calmo, melhorando a atenção, o controle emocional e a tomada de decisões.

        6. Fortaleça sua rede de apoio

          A conexão social é um dos principais amortecedores naturais do estresse. Conversar com colegas de confiança, amigos ou mentores ajuda a regular as emoções e reduz o isolamento frequentemente associado ao estresse no trabalho.

          Anúncio

          Pesquisas em neurociência mostram de forma consistente que relações sociais fortes reduzem o cortisol e atenuam a resposta do corpo ao estresse, protegendo o cérebro dos efeitos nocivos da pressão contínua.

          Proteger o cérebro é estratégia de carreira

          O estresse crônico no trabalho costuma ser tratado como um preço inevitável da ambição, mas a neurociência aponta para outra realidade. Em ambientes profissionais de alta pressão, marcados por urgência constante, críticas e insegurança, a resposta ao estresse pode permanecer ativada por meses ou anos.

          Essa pressão prolongada não afeta apenas o emocional, ela pode literalmente remodelar o cérebro. Com o tempo, esse desgaste crônico pode alterar circuitos ligados à memória, foco, regulação emocional e saúde cerebral de longo prazo.

          Mas o cérebro também é altamente adaptável. Pequenas mudanças — proteger o tempo de descanso, priorizar o sono, movimentar o corpo e cultivar relações de apoio — podem interromper o ciclo do estresse e restaurar a resiliência cognitiva. Em uma cultura que valoriza a pressão constante, proteger o cérebro deve fazer parte das suas estratégias de carreira.

          Anúncio

          *Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

          O post Estresse Crônico no Trabalho Prejudica o Cérebro. Veja Como Protegê-lo apareceu primeiro em Forbes Brasil.

          Powered by WPeMatico

          Anúncio
          Continuar Lendo

          Negócios

          Como se Tornar Juiz: O Caminho até a Magistratura e os Benefícios da Carreira

          Redação Informe ES

          Publicado

          no

          Seguir a carreira de juiz vai muito além da estabilidade institucional ou do prestígio do cargo. Como pilar da aplicação da lei e da preservação da ordem e da justiça, a função reúne um conjunto de garantias e benefícios que posições de C-Level no setor privado dificilmente conseguem equiparar.

          Com teto salarial de R$ 46.366,19 desde 2025, balizado pelo subsídio dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o real brilho da função está nos “extras” institucionais: o magistrado desfruta de 60 dias de férias anuais e gratificações por aulas em escolas oficiais ou atuação na Justiça Eleitoral.

          Além disso, possui garantias como a vitaliciedade (a impossibilidade de perder o cargo após dois anos) e a inamovibilidade (o direito de não ser transferido contra a sua vontade). “São garantias para que o juiz possa decidir livre de pressões políticas, econômicas ou institucionais, com imparcialidade e sem receio de retaliações”, explica Flávia Martins, magistrada do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) e primeira juíza negra a integrar a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

          O acesso ao cargo exige atravessar um funil estreito. Em tribunais federais, a concorrência pode ultrapassar 100 candidatos por vaga, mas muitas cadeiras terminam vazias ao final do processo, devido ao rigor técnico das provas. “O concurso envolve prova de múltipla escolha, prova escrita e exame oral, em fases sucessivas e eliminatórias”, diz Flávio Yarshell, advogado e professor titular de Direito Processual Civil na USP (Universidade de São Paulo).

          Anúncio

          A seguir, os especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre a carreira de juiz, da rotina de trabalho e benefícios ao percurso necessário para chegar à magistratura.

          Quais as funções de um juiz?

          Flávia Martins: O juiz é um membro do Poder Judiciário investido de jurisdição, ou seja, que tem o poder de dizer quem tem direito. Mas, para isso, o juiz não pode agir conforme a sua opinião. Tudo o que ele faz deve ser de acordo com a Constituição e com as leis do nosso país.

          Qual o caminho para ser juiz no Brasil?

          Flávio Yarshell: A regra é ingresso por concurso público. Nos Tribunais, advogados e membros do Ministério Público podem ingressar nos quadros da Magistratura mediante indicação de seus pares, votação pelas Cortes e nomeação pelo Executivo.

          Como funciona o concurso?

          Flávia Martins: O concurso tem diversas etapas: primeiro, uma prova objetiva; a segunda etapa prevê prova discursiva e provas de sentença cível e criminal. A seguir, há sindicância de vida pregressa e exame de saúde. Por fim, o candidato passa pela prova oral. A verificação de títulos é apenas classificatória.

          Anúncio

          Qual a rotina de um juiz em início de carreira?

          Flávia Martins: Em regra, o cargo é de juiz substituto. O recém-aprovado atua substituindo o titular em férias ou licenças, o que torna a rotina dinâmica, pois nem sempre se permanece no mesmo lugar. O dia a dia consiste em analisar processos, realizar audiências, visitar abrigos e instituições para adolescentes em conflito com a lei e atender advogados.

          Qual a faixa salarial de um juiz?

          Flávio Yarshell: Isso varia conforme o plano federal ou estadual. Em concursos recentes, o subsídio inicial ficou entre R$ 30.000 e R$ 38.000. O teto do serviço público é o valor do subsídio de ministro do STF, fixado em R$ 46.366,19 desde fevereiro de 2025.

          Além da remuneração fixa, quais outros benefícios o magistrado recebe ou pode receber?

          Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê adicionais como gratificação pela prestação de serviços à Justiça Eleitoral e gratificação por aula ministrada em curso oficial de Aperfeiçoamento de Magistrado.

          Flávio Yarshell: Eventualmente, verbas previstas em lei, como diárias, ajuda de custo, salário-família, gratificação por serviço eleitoral, entre outras. Em alguns casos, também há auxílio-alimentação.

          Anúncio

          O que são vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos?

          Flávio Yarshell: São garantias para proteger a independência do juiz: gozar de estabilidade no cargo (vitaliciedade); não ser removido sem motivo ou forma legal (inamovibilidade) e não ter redução do valor nominal do subsídio (irredutibilidade).

          Como funcionam as férias dos juízes?

          Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê férias anuais de sessenta dias. Esse período pode ser fracionado ao longo do ano.

          Como funciona a progressão de carreira na magistratura?

          Flávio Yarshell: O juiz começa como substituto, torna-se titular e pode chegar ao tribunal por antiguidade ou merecimento. Juízes de carreira também podem chegar a tribunais superiores mediante escolhas e nomeações específicas.

          Que competências e atributos são essenciais na magistratura?

          Flávia Martins: São muitas, mas, de um modo simples, creio que gostar de aprender e gostar de gente são as mais importantes.

          Anúncio

          Qual é a formação necessária para se tornar juiz?

          Flávio Yarshell: Bacharelado em Direito e, em regra, três anos de atividade jurídica.

          Quais cursos complementares são recomendados?

          Flávio Yarshell: Cursos ofertados pelas Escolas da Magistratura e por universidades de idoneidade reconhecida.

          É necessário ter OAB?

          Flávia Martins: Para ser juiz não é necessário ter OAB, mas a prática jurídica de três anos, em regra, exigirá o registro. No entanto, depois de aprovado, o candidato deve solicitar o cancelamento da carteira da OAB.

          Como fazer uma transição de carreira para ser juiz?

          Flávia Martins: Eu fiz essa transição, Direito é minha segunda faculdade. Cursei a graduação, fiz mestrado (que na época contava como prática) e iniciei a preparação por cursos específicos. Não é necessário se dedicar exclusivamente aos estudos, mas exige muita dedicação.

          Anúncio

          Há crescimento na demanda por juízes no Brasil?

          Flávia Martins: Sim, os últimos anos têm sido de crescente judicialização da vida, o que exige a ampliação do Poder Judiciário.

          Há escassez de magistrados ou a oferta de candidatos supera o número de vagas?

          Flávio Yarshell: Há demanda contínua, mas o número de candidatos supera o de vagas. Porém, isso não garante o preenchimento total: muitas vagas sobram devido ao altíssimo nível de exigência dos concursos.

          Qual o nível de concorrência para ser aprovado?

          Flávio Yarshell: A concorrência tende a apresentar números menores após a criação do ENAM (Exame Nacional para a Magistratura), que funciona como habilitação prévia. Em 2025, o concurso para o TJSP teve cerca de 18 candidatos por vaga, enquanto a Justiça Federal (3ª Região) chegou a 116 por vaga.

          O que diferencia um juiz de um desembargador?

          Flávia Martins: O juiz profere a primeira decisão do caso. Se houver recurso, o caso vai ao Tribunal para ser reapreciado por um grupo de desembargadores, que podem manter ou alterar a decisão. Há casos que, por competência constitucional, começam direto com os desembargadores.

          Anúncio

          Quais são os caminhos para alcançar o posto de desembargador?

          Flávio Yarshell: O caminho principal é a promoção na carreira por antiguidade ou merecimento. Outra via é o “quinto constitucional”, onde parte das vagas no tribunal é reservada a advogados e membros do Ministério Público.

          O post Como se Tornar Juiz: O Caminho até a Magistratura e os Benefícios da Carreira apareceu primeiro em Forbes Brasil.

          Powered by WPeMatico

          Anúncio
          Continuar Lendo

          Em Alta

          Copyright © 2023 - Todos os Direitos Reservados