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“Invista no que está fora da sua zona de conforto”, diz VP de tecnologia da Zamp

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Fernanda Toscano, VP da Zamp, máster franqueada do Burger King

Fernanda Toscano, VP da Zamp, máster franqueada do Burger King no Brasil, conta como construiu uma carreira dinâmica, passando por diferentes indústrias

Fernanda Toscano não tem medo de mudanças. Pelo contrário, ela se prepara para agarrar novas oportunidades assim que elas aparecem. Foi assim no início da carreira, quando, aos 22 anos, esteve à frente de um time de 100 pessoas. Quando saiu de uma indústria já conhecida, de telecomunicações, para se aventurar no universo financeiro e de seguros, liderando outros países além do Brasil. E, agora, ao mudar mais uma vez de segmento, assumindo a vice-presidência de tecnologia da Zamp, máster franqueada do Burger King e Popeyes no Brasil. “As transições trazem um olhar 360. Por um lado, você aprende tecnologia de ponta, por outro, resiliência.”

Com 15 dias de empresa, Toscano completa o onboarding da empresa, que vai desde o entendimento das práticas corporativas até fritar hambúrgueres. Ela define a empresa como uma foodtech para explicar que a tecnologia está no centro e ajuda a viabilizar as estratégias de negócio. “Temos um plano estratégico de M&As [fusões e aquisições] forte para trazer mais marcas e escalar de forma rápida”, diz. A Zamp confirmou recentemente que está negociando a aquisição do Starbucks no Brasil, e, segundo a executiva, a tecnologia é a base para atingir esses objetivos.

Mineira de Uberlândia, Toscano seguiria os passos da mãe na carreira de médica, mas a paixão pela matemática falou mais alto. Ainda na faculdade de computação, começou a trabalhar com TI e assumir pequenos times. Iniciou a carreira em telecom, passou pela Claro, SKY, Nextel e circulou por diferentes áreas, assumindo novos desafios. “A maior armadilha é focar no que você já é bom e negligenciar o que você não é.”

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A executiva cresceu numa família e, mais tarde, em um setor dominado por homens, sem se dar conta desse ambiente. “Tenho 1 irmão e 11 primos meninos. Fui para a faculdade, eram 2 mulheres. No meu time de 100 pessoas, 95 eram homens”, lembra. “Quando olho para trás, vejo que não era natural”, diz ela, que dá mentoria para jovens mulheres e participa do MCIO, organização que reúne 360 lideranças femininas em tecnologia no Brasil. “É meu papel ajudar a tornar isso mais igualitário.”

Aqui, a nova VP da Zamp conta como construiu uma carreira dinâmica e como quer ajudar a alavancar os negócios usando tecnologia e inteligência artificial.

Forbes: Você passou por diferentes indústrias. Como isso agregou para a sua carreira?

Fernanda Toscano: Com certeza dá uma visão muito ampla e rica, principalmente porque dentro da tecnologia você tem várias perspectivas. Na indústria de telecom, é velocidade, entregas rápidas, foco e fazer acontecer. Quando você vai para a indústria de seguros, é uma indústria regulada que busca muito mais a qualidade, a profundidade. Essas transições trazem um olhar 360. Por um lado, você aprende tecnologia de ponta, do outro, resiliência. Esse dinamismo fez com que eu tivesse uma variedade muito grande de experiências. Acho que não tem nada em TI que eu não tenha passado. Mas na perspectiva de negócio, por mais que sejam indústrias completamente diferentes, são desafios similares.

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F: Não tem medo de mudar?

FT: Sou muito curiosa e tenho uma energia de realização alta. Eu gosto muito de ouvir e de aprender. Isso guiou a minha carreira desde sempre. Como eu ouço bastante, escuto todos os lados, eu desenvolvi um olhar generalista, nunca fiquei na casinha de tecnologia. Sempre participei do olhar da companhia. Para mim, tecnologia nunca foi fim, sempre foi meio. Eu entendi que o meu papel era viabilizar as coisas para o negócio. Então as transições acabaram sendo muito naturais. Acredito naquela ideia de que a sorte é o encontro do preparo com a oportunidade. Eu trabalhei para estar preparada e quando as oportunidades passaram, eu tive coragem para pular, e por isso tive uma evolução rápida de carreira.

F: Qual foi o principal momento de virada da sua carreira?

FT: Foi quando eu fiz a movimentação para a indústria financeira. Eu estava numa área de telecom em que eu sabia tudo e fui para uma indústria em que eu não sabia absolutamente nada. E também fiz uma transição de papel porque na área de telecom eu nunca tinha tido o papel de CIO,, então ainda não tinha trabalhado com infraestrutura. Precisei gerir sem conhecer o detalhe e também assumi outros países além do Brasil, como Paraguai e Uruguai, com os desafios de cultura e língua. Mudei de indústria e agreguei uma área em que eu não tinha domínio técnico. Foi uma mudança muito grande e eu me desenvolvi muito. A maior armadilha nesses momentos é focar no que você já é bom e negligenciar o que você não é. Eu tive mentores que me deram essa visão lá atrás, que eu tinha que reforçar o que estava fora da minha zona de conforto.

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F: Nesses momentos de mudança, qual a importância da coragem?

FT: Coragem é uma das características que eu mais escuto as pessoas falando de mim. Mas eu sempre me preparei para que quando as oportunidades viessem, eu pudesse embarcar. A coragem fez muita diferença na minha vida, mas também tive bastante apoio. Meu marido sempre me incentivou e me impulsionou. É importante ter uma rede que te sustente porque ninguém tem 100% de coragem. Existe muita insegurança e medo. As palavras certas no momento certo fizeram toda a diferença na minha carreira. Ele sempre me disse que se algo desse errado, eu começaria de novo. Isso me ajudou a embarcar nas oportunidades e viver tudo que eu pude viver.

F: Qual a importância da tecnologia para a o Burger King e Popeyes hoje?

FT: A tecnologia já é uma fortaleza da companhia e fomenta os negócios. O time de tecnologia discute venda, números, então já tem esse mindset. Hoje, 50% das vendas são feitas pelo canal digital e elas são identificadas, ou seja, a gente sabe quem é o cliente, um caminho muito importante para trabalhar a experiência e personalização dos mais de 20 milhões de clientes cadastrados.

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Isso gera uma oportunidade para a gente ser bem assertivo porque uma vez que a gente acerta essa estratégia tecnológica, a gente tem muito ganho de escala. Temos 84 lojas que são 100% digitais, e são as que têm melhor NPS [Net Promoter Score, métrica de fidelidade do cliente]. Usamos tecnologia para gerar uma experiência diferente e conseguimos reduzir custos com isso. Meu maior desafio aqui é transformar a empresa numa plataforma multimarcas. Temos um plano estratégico de M&A forte para buscar mais marcas numa plataforma única e conseguir escalar de forma rápida.

F: Em relação aos M&As, existe a possibilidade de a Zamp comprar o Starbucks. Qual a importância da tecnologia em fusões e aquisições?

FT: A tecnologia é o principal alicerce porque o grande objetivo da empresa é escalar, trazendo marcas para o portfólio com uma velocidade muito grande. Hoje, a tecnologia é viabilizadora para conseguirmos montar essa estratégia e esse é um dos meus principais focos aqui da área.

F: Como vocês têm usado a inteligência artificial nos processos da empresa? E quais são as oportunidades daqui para frente?

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FT: A IA já é usada em larga escala, eu diria que quase todas as áreas da companhia já utilizam de forma consistente, com cases e resultados substanciais. A gente usa machine learning desde a parte de otimização da cadeia de suprimentos, evitando que faltem insumos para os restaurantes e reduzindo desperdício. Fazemos a gestão do estoque combinando projeção de vendas, sazonalidade, feriados para não deixar faltar os insumos e muito menos perder e jogar.

Também usamos machine learning para fazer recomendações personalizadas para os clientes conforme as preferências deles. E para a parte de NPS, fazendo a análise de sentimento dos clientes real time. Eu consigo identificar onde eu tenho um problema, saber quais são as reclamações por dia da semana, por região, por loja. A gente tem também um chatbot que permeia toda a companhia, que se chama King bot. Temos a expectativa de continuar investindo nessa área porque são muitas oportunidades para agir até mesmo antes de acontecer uma reclamação.

F: E pessoalmente, você usa IA na sua rotina de trabalho?

FT: É uma das minhas grandes paixões. Eu trabalho com machine learning desde 2016 e dentro dos meus times eu sempre incentivo que eles utilizem e me contem o que tiraram de insights. Por exemplo, sou apaixonada por vinhos, e uso o ChatGPT, para pegar dicas de vinícolas em viagens, pesquisas e fazer correlações. Quando você começa a utilizar na sua vida pessoal, isso te traz muito insight profissional. Porque é só quando você realmente incorpora algo na sua vida que começa a fazer sentido. Recomendo para todo mundo estar o tempo inteiro estudando e aprendendo de uma forma que faça sentido, em algum tema que você gosta e que naturalmente vai fluindo.

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F: Como foi sua primeira experiência de liderança, sendo gerente aos 22 anos?

FT: Comecei a trabalhar com 17 ainda na faculdade na área de tecnologia, e tudo foi acontecendo naturalmente. Com 19 anos, eu já liderava times, foi algo bem natural para mim. Com 20 anos, eu já era gerente, mas com times menores. Quando eu tinha 22, já estava com 100 pessoas.Trabalhava na SysMap, uma fábrica de software, para a Telemig Celular, e era responsável por todo o CRM.

F: Você se sentia preparada, apesar de ser tão jovem?

FT: Eu tinha uma rede grande de pessoas que me ajudava, gestores que acreditavam em mim e me davam liberdade. O que foi mais complexo para mim foi quando eu mudei de coordenadora para gerente na Sky. Essa transição foi muito difícil porque eu sempre fui uma pessoa de participar de tudo com o time e de repente eu tinha que liderar os líderes e não precisava saber de tudo. Parecia que eu tinha perdido meu time.

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F: Como você se adapta em uma indústria em constante transformação?

FT: O dinamismo da área de tecnologia é único. Eu sempre procurei ter profundidade no que eu toco. Fiz pós-graduação, gestão de projetos e gestão empresarial. A gente precisa estar sempre muito antenado. Meu papel não é ser especialista em nada, mas eu preciso ter a profundidade suficiente para discutir com todos os especialistas. O grande desafio do meu cargo, sem dúvida nenhuma, é gestão de prioridade: onde focar, em que ordem, de que forma, o que olhar. Participo de eventos, faço treinamentos. Quanto mais você cresce na carreira, é muito mais sobre as perguntas que você faz do que as respostas que você dá. Quem me conhece sabe que eu sou uma metralhadora de perguntas porque eu gosto de entender todos os ângulos. Então, quando eu me posiciono, tenho muita consistência no que eu vou falar porque eu já ouvi bastante. Com essas características, é mais fácil se adaptar à mudança.

F: Quais são as principais características que te fazem escolher um profissional para trabalhar com você?

FT: A primeira coisa é paixão. A pessoa tem que demonstrar interesse em realizar, em fazer acontecer. Porque hard skill se ensina, soft skills não. Então para trabalhar comigo, eu busco comprometimento, curiosidade, gostar de aprender, vontade de realização, o resto dá para a gente ensinar. Como eu sou uma pessoa mais acelerada, eu busco pessoas que me segurem um pouco no meu time.

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F: O que você desenvolveu ao longo da sua carreira que te destacou para assumir essa posição?

FT: Sou uma pessoa de realização, e tive líderes que foram muito importantes ao longo da minha jornada que me ajudaram a ajustar o ‘como’ fazer, que importa tanto quanto o que fazer. Também aprendi a respirar. Os problemas vêm e eu quero resolver, mas percebi que às vezes a melhor solução é esperar. A tempestividade não ajuda.

Por quais empresas passou

Sysmap, Claro e Nextel, Sky, Solera (Audatex), Hdi Seguros, Alelo e Zamp, controladora do Burger King e Popeyes

Formação

Ciências da Computação pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia), MBA em Gestão de Projetos pela FGV, Gestão Empresarial pela FGV e Transformação Digital pelo MIT.

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Primeiro emprego

Sysmap Solution em 2002

Primeiro cargo de liderança

Coordenadora Tecnologia de Vendas e atendimento na Sysmap para Telemig Celular em 2004

Tempo de carreira

22 anos

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“Produtividade É sobre Controle, Não Horas Trabalhadas”, Diz Autor de “O Poder do Hábito”

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Muita coisa mudou desde que o jornalista americano Charles Duhigg publicou seu livro de estreia, “O poder do hábito”, mais de 15 anos atrás. A começar pelos hábitos do próprio autor. Aplicando as lições que ajudou a popularizar, sobre como criar e mudar hábitos, ele passou a correr regularmente – usando o simples truque de deixar as roupas de ginástica ao lado da cama – e a se alimentar de forma mais saudável. “Se nos comprometermos a fazer pequenas mudanças, então, de repente, nossa vida inteira pode ser transformada”, disse em entrevista exclusiva durante sua passagem pelo Brasil, onde palestrou em um evento da Arco Educação na segunda-feira (1º), em São Paulo.

A ideia central da obra é que, ao compreender o “loop do hábito” (ciclo formado por um gatilho, uma rotina e uma recompensa), ganhamos ferramentas para transformar nossas vidas, pessoais e profissionais. De fato, a publicação do livro, em 2012, foi uma virada na carreira do próprio Duhigg. “O Poder do Hábito” rodou o mundo, foi traduzido para mais de 40 idiomas e permaneceu por três anos na lista de best-sellers do The New York Times. Só no Brasil, foram mais de 1,3 milhão de exemplares vendidos. “Meu principal interesse era convencer pessoas inteligentes a me dar conselhos de graça”, escreveu o autor no prefácio da edição de 10 anos.

O sucesso abriu caminho para outros dois best-sellers: “Mais Rápido e Melhor” (2016), focado na ciência da produtividade, e “Supercomunicadores” (2024), que explora os mecanismos psicológicos e neurológicos por trás da comunicação eficaz. Todos eles sempre recheados de boas histórias para ilustrar os dados científicos citados pelo autor.

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Nesse meio-tempo, o mundo também mudou profundamente, impulsionado por avanços tecnológicos e pela ascensão da inteligência artificial, que reconfigurou a forma como trabalhamos e nos relacionamos. “Eu não sei se alguém sabe se a IA está nos tornando mais produtivos, mas estamos no começo dessa revolução”, afirma. Para ele, a ferramenta é uma aliada, mas não podemos delegar a ela nosso pensamento. “Deveríamos estar escrevendo mais e deixando a IA escrever menos por nós.”

Surpreso ao descobrir que o Brasil discute a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, Duhigg reforçou sua visão sobre produtividade. “Todos os estudos nos dizem que você pode ser mais produtivo trabalhando menos horas, desde que sinta que tem controle sobre o seu trabalho.”

Formado pelas universidades de Harvard e Yale e jornalista investigativo da revista New Yorker, Duhigg liderou a equipe do The New York Times que venceu o prêmio Pulitzer em 2013 pelo projeto “The iEconomy“, série de reportagens que examinou a economia global sob a ótica da Apple.

A seguir, Charles Duhigg explica como criar e reprogramar hábitos, revela o que pessoas e empresas de sucesso têm em comum e analisa os impactos da inteligência artificial na produtividade.

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Forbes Brasil: Como construiu sua carreira até aqui?

Charles Duhigg: Eu costumava escrever para o The New York Times e agora escrevo para a revista New Yorker. E, como jornalista, uma das coisas que têm sido muito interessantes para mim é tentar entender as forças em nossas vidas e em nossos cérebros que nos influenciam sem que percebamos. Porque eu acho que muitas partes da vida são coisas sobre as quais nem sequer pensamos. Nós nos comportamos de certas maneiras sem entender por quê. E então uma das coisas como jornalista é tentar entender quais são as forças sociais, econômicas e psicológicas que influenciam como nos comportamos e às quais podemos ser cegos. Uma vez que alguém tira as cobertas e nos ajuda a reconhecer o que está acontecendo, de repente ganhamos muito mais controle sobre nossas vidas.

Foi por isso que você ficou fascinado pela ciência dos hábitos?

Isso mesmo. Na verdade, começou quando eu era repórter no Iraque durante a guerra, e um major me disse que o que o exército faz é ensinar as pessoas a mudarem seus hábitos. Isso é tudo o que o exército faz, é uma grande máquina de mudança de hábitos. E eu pensei: bom, se o exército consegue fazer isso, por que eu não consigo? Por que não consigo me fazer ir correr de manhã ou me alimentar de forma mais saudável? Então foi aí que me interessei pelos hábitos.

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No livro “O Poder do Hábito”, você apresenta o conceito do “loop do hábito”. Como ele funciona na prática?

Todo hábito que existe em nossas vidas – e cerca de 40% do que fazemos todos os dias é um hábito – tem três componentes. Há uma deixa (ou gatilho), que é o estímulo para um comportamento automático começar. Depois há a rotina, que é o comportamento em si. E, por fim, há uma recompensa. Todo hábito que temos na vida nos entrega uma recompensa. Vamos falar, por exemplo, sobre comer bem. De manhã, eu posso dizer para a minha esposa: “No almoço de hoje vou comer uma salada bem saudável”. Mas aí eu entro no refeitório como faço todo santo dia, com as mesmas pessoas, no mesmo horário, e quase automaticamente, em vez de caminhar até o buffet de saladas e pegar uma salada saudável, eu pego um hambúrguer nada saudável.

Por que isso acontece? Bem, primeiro, porque as deixas são exatamente as mesmas. Todos os dias que entro no refeitório, eu pego um hambúrguer. É quase como se eu me esquecesse de pensar no buffet de saladas. É como se eu estivesse no piloto automático. E qual é a recompensa? Hambúrgueres são muito gostosos.

Como podemos reprogramar rotinas automáticas como essa?

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Se eu quiser mudar esse comportamento, tenho que fazer duas coisas. Primeiro, preciso reconhecer as deixas que estão engatilhando meu comportamento e tentar tirar vantagem delas. Talvez amanhã, quando eu for ao refeitório, eu entre por uma porta diferente. Ou talvez eu vá com pessoas diferentes, ou diga a mim mesmo que, assim que chegar, caminharei direto para o buffet de saladas e não vou me deixar sequer olhar para o hambúrguer.

E então, quando eu montar essa salada, ela precisa ter recompensas reais para mim. Se eu pegar uma salada sem molho, sem frutas secas deliciosas, nada saboroso, eu não vou comer uma salada no dia seguinte. Não há recompensa. Então, no primeiro dia em que eu for pegar a salada, eu tenho que me permitir o molho bem gostoso e as frutas. Com o tempo, ficará cada vez mais fácil fazer uma salada saudável. Mas no início eu tenho que me recompensar se quiser que meu cérebro transforme esse comportamento em um hábito.

Você consegue aplicar na sua própria vida todas as lições que compartilha nos seus livros?

Sim, com certeza. Eu queria começar a me exercitar de manhã, então o que faço agora é criar um gatilho: deixo minhas roupas de corrida bem ao lado da cama. Assim, é a primeira coisa que vejo ao acordar. Um dos meus amigos até veste as roupas de corrida para dormir, o que torna muito fácil para ele ir correr. E depois da corrida, eu me dou uma recompensa. Tomo um smoothie bem gostoso ou me permito tomar um banho longo e relaxante. Faço todas essas coisas para tentar me recompensar pela corrida. E isso pode ser contraintuitivo, porque às vezes pensamos: “Estou correndo agora, só deveria tomar um smoothie saudável ou tomar um banho bem rápido”, mas eu faço o exato oposto. Eu me dou uma recompensa por correr. E, como resultado, fica cada vez mais fácil me exercitar.

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Para as pessoas que se sentem presas a maus hábitos, existe algum passo simples e prático que elas podem dar hoje para mudar isso?

A coisa mais importante quando você quer quebrar, mudar ou criar um novo hábito é começar devagar. É o que você pode fazer hoje. Não decida que você vai para a academia, vai comer de forma saudável, vai treinar para uma maratona e só vai ter conversas positivas com seus filhos.

Escolha apenas uma pequena coisa e a torne o menor possível. Talvez, em vez de dizer: “Vou correr cinco quilômetros”, você diga: “Vou acordar, colocar minhas roupas de corrida e dar duas voltas no quarteirão.” Muito, muito pequeno. Porque é assim que você torna a coisa fácil. E, assim que eu voltar das duas voltas no quarteirão, vou fazer um café da manhã bem saboroso para me recompensar.

A coisa mais importante que podemos fazer é começar pequeno e deixar nosso comportamento mudar com o tempo. Porque não importa o que você come hoje. Não importa o quanto você se exercita hoje. O que importa é o quanto você come todos os dias. O que importa é quantas semanas seguidas você se exercita. Se nos comprometermos a fazer pequenas mudanças, então, de repente, nossa vida inteira pode ser transformada.

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No livro, Duhigg explica que os hábitos surgem porque o cérebro busca maneiras de poupar esforço

Metade do seu livro é sobre hábitos em organizações. Você diz que momentos de crise são propícios para mudanças de hábitos. Como os líderes podem aproveitar esses momentos?

Temos uma expressão nos Estados Unidos que diz que uma crise é uma oportunidade que você não deve desperdiçar. Devemos tirar proveito de toda crise porque o que ela realmente significa é que, nesses momentos, tudo está em aberto. Todas as nossas deixas são rompidas. Todas as recompensas que antecipamos, de repente, são questionadas. É durante uma crise que vemos muito claramente quais são os nossos hábitos e como mudá-los.

Então, como um líder tira proveito disso? Muitas vezes, nosso instinto como líder é minimizar a crise, fingir que ela não é tão grande quanto todos estão dizendo, para acalmar os funcionários. Mas os líderes realmente excelentes sabem que, quando uma crise surge, eles devem reconhecê-la. Eles devem dizer: “Olha, estamos à beira do desastre. Estamos no precipício, mas temos uma maneira de mudar o que estamos fazendo. Temos uma forma de ter sucesso apesar dessa crise.” Muitas vezes, o simples fato de reconhecer a crise é o que a torna uma oportunidade poderosa de mudança.

Você estudou muitas empresas e lideranças. Quais hábitos costumam levar as companhias a graves crises financeiras?

Quando as empresas entram em más situações financeiras, é sempre porque pararam de tomar decisões. Elas simplesmente começam a agir no piloto automático. “Claro que vamos descontar nossos preços porque sempre descontamos nossos preços. Foi isso que fizemos no ano passado, então faremos este ano.” É muito fácil cair na armadilha de parar de pensar nas finanças. É muito fácil cair na armadilha de apenas fazer o que já foi feito antes, porque talvez tenha ajudado no sucesso passado, mas agora, de repente, as coisas estão diferentes. O ambiente mudou. Então, quanto mais nos forçamos a pensar, quanto mais nos forçamos a dizer: “Não vou fazer isso apenas porque é o que já fiz antes, vou me forçar a pensar sobre a escolha que estou fazendo”, é aí que temos a oportunidade de fazer algo grandioso, de reagir às mudanças ao nosso redor e encontrar novas oportunidades.

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charles duhigg
Aline RamosCharles Duhigg falou sobre a ciência por trás dos hábitos e da comunicação eficaz durante o Arco Day, em São Paulo

Agora, falando sobre pessoas, o que as mais bem-sucedidas têm em comum?

Uma das coisas que pessoas de sucesso têm em comum é que elas fazem perguntas. Supercomunicadores, pessoas muito bem-sucedidas, tendem a fazer de 10 a 20 vezes mais perguntas do que uma pessoa comum. E algumas dessas perguntas são simples, como “O que você acha disso?”, que servem apenas para convidar o outro a participar. Mas algumas são o que conhecemos como “perguntas profundas”. São perguntas que indagam sobre valores, crenças ou experiências. Pode ser tão simples quanto, ao conhecer um advogado, em vez de perguntar em qual escritório ele trabalha, perguntar: “O que te levou à faculdade de direito? O que você ama na advocacia?” Quando fazemos essa pergunta, o que realmente estamos perguntando é: “Quem é você? Com o que você se importa? O que te motiva?” As pessoas mais bem-sucedidas sabem ouvir os outros mais de perto. E parte de ouvir é fazer perguntas, extrair dos outros quem eles são e o que querem, pois é assim que sabemos como nos conectar com eles.

Além de fazer perguntas, como podemos nos tornar supercomunicadores?

A outra coisa que os supercomunicadores fazem é provar que estão ouvindo. Não basta apenas fechar a boca e abrir os ouvidos. Preciso te mostrar que estou prestando atenção. Existe, inclusive, uma técnica para isso, conhecida como “looping para entendimento” (looping for understanding), que é particularmente boa em conversas de conflito, quando discordamos, quando há alguma tensão. Ela possui três passos.

O passo um é: vou te fazer uma pergunta, preferencialmente uma pergunta profunda. O passo dois: depois de você responder, vou repetir o que ouvi você dizer nas minhas próprias palavras. Vou provar que estava prestando atenção. Talvez eu faça uma pergunta de acompanhamento ou diga: “Sabe, o que você disse me lembra de algo que aprendi na semana passada.” O passo três – que a maioria das pessoas faz intuitivamente ou aprende como líderes, mas que eu sempre esqueço – é perguntar se entendi direito. “Eu te ouvi corretamente? Estou resumindo o que você disse com precisão?” Porque, naquele momento, o que estou fazendo é pedir permissão para reconhecer que estava ouvindo. E se você acredita que eu estava te ouvindo, você se torna muito mais propenso a me ouvir de volta.

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Voltando aos hábitos, como podemos reduzir a fadiga de decisão e manter o foco nas decisões que realmente importam, como no seu exemplo da roupa de corrida?

A fadiga de decisão é real. Se tivermos que tomar decisão atrás de decisão é muito difícil. Nós ficamos exaustos. Então a pergunta é: como podemos preservar nossa tomada de decisão para as coisas que importam? Por exemplo, Barack Obama, quando era presidente dos Estados Unidos, vestia o mesmo terno todos os dias. Steve Jobs fez a mesma coisa; quando fundou a Apple, usava basicamente as mesmas roupas todos os dias. O motivo é que eles queriam remover essa tomada de decisão do cérebro. Queriam torná-la automática. Se eu apenas decidir hoje e fizer meu pedido do que vou comer no almoço amanhã, não terei que decidir amanhã.

O que tento fazer é identificar quais decisões importam e quais não importam. E para as decisões que não importam, vamos fazer uma escolha fácil. Eu nem vou pensar nisso. Vou vestir o mesmo terno todos os dias, porque assim, quando surgir a decisão que realmente importa – como “Em qual projeto devo trabalhar hoje? Qual pergunta devo fazer? Como respondo a esse pedido?” – terei toda a energia mental e a potência para pensar sobre elas, porque não estou distraído por pequenas decisões que não importam em nada.

Que conselho você daria para empreendedores que querem que seus produtos se tornem hábitos diários para seus consumidores?

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Acho que quando estamos criando um produto e queremos que as pessoas construam hábitos em torno dele, temos que pensar nas recompensas que damos a elas. Um dos meus exemplos favoritos é que às vezes as pessoas vão se exercitar e se recompensam com uma salada de couve. Isso não é uma recompensa real. Ninguém gosta de salada de couve. Você tem que dar às pessoas recompensas que elas realmente aproveitem.

Às vezes construímos um produto e dizemos: “Vou gamificar isso. Se você usar meu produto, vou te dar uma moeda fictícia.” Ou em planos de saúde dizem: “Se você se exercitar todo dia, daqui a seis meses vamos baixar o custo do seu seguro em US$ 5”. Essas não são recompensas boas. Elas fazem sentido para alguém numa sala de diretoria, mas não são recompensas que nós gostamos. Em vez disso, eu tenho que dizer: “Olha, se você melhorar sua saúde, vou te ajudar a pagar uma viagem. Vou te mandar alguns doces, porque você merece”. Vou te dar uma recompensa de que você realmente goste, não uma que eu me convenci de que você vai gostar ou que inventei em um laboratório.

No Brasil, há atualmente um amplo debate sobre a jornada de trabalho. O Congresso aprovou uma proposta para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada, com cinco dias de trabalho e mais tempo de descanso para os trabalhadores.

Espera, antes havia uma semana de trabalho de 6 dias no Brasil? Que loucura.

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Sim, e isso gerou uma discussão em torno da produtividade. Qual a sua perspectiva sobre isso? É possível as pessoas trabalharem menos horas e serem mais produtivas?

Sim, com certeza. Todos os estudos nos dizem que você pode ser mais produtivo trabalhando menos horas, desde que sinta que tem controle sobre o seu trabalho. Se eu digo a alguém que ele tem que ir ao escritório 6 dias por semana, ele vai 6 dias. Mas, se ele sentir que não tem controle sobre sua agenda, vai passar metade desse tempo navegando na internet, mandando e-mails para amigos ou olhando as redes sociais. Mesmo estando no escritório 6 dias por semana, não vai estar trabalhando 6 dias por semana. Mas se eu der controle a ele e disser: “Olha, você só precisa vir 5 dias, ou venha quando quiser, mas no fim da semana você tem que ter esse projeto pronto”, então as pessoas de repente trabalharão o tempo todo. É o controle que nos torna produtivos. Quando damos ordens sobre como alguém tem que trabalhar, a pessoa se torna menos produtiva. Quando sinto que tenho controle sobre o meu tempo e sobre como completo as tarefas, é aí que me torno muito mais produtivo.

E, na sua visão, a cultura da produtividade foi longe demais? Estamos obcecados em otimizar tudo?

Acho que o fato de podermos medir tudo torna fácil querer otimizar tudo. Mas a verdade é que a medição é uma ferramenta que podemos usar ou ignorar. Eu adoro medir quantos passos caminho todos os dias, mas isso não significa que fico tão obcecado a ponto de arruinar minha vida para atingir 10 mil passos, ou que fico infeliz por causa disso. Os dados existem para nos ajudar a fazer escolhas, eles não tomam as escolhas por nós. Se hoje meu relógio diz que andei 1.000 passos, tudo bem. Tenho outras coisas acontecendo. Eu uso os dados para me ajudar, não deixo que eles me controlem.

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Qual a sua visão sobre a automação? A inteligência artificial está realmente nos deixando mais produtivos?

Eu não sei se alguém sabe se a IA está nos tornando mais produtivos, mas estamos no começo dessa revolução. Quando os computadores surgiram, levou de 7 a 10 anos para ver o impacto nas estatísticas de produtividade, porque as pessoas simplesmente não sabiam como usá-los. A IA é muito nova. Estamos aprendendo. O que importa é nos familiarizarmos com as ferramentas e, de vez em quando, parar e nos perguntar: “Ok, acabei de passar duas horas discutindo com o ChatGPT para conseguir isso. Teria sido mais rápido eu mesmo fazer em meia hora?” A chave é ver nossa vida e escolhas como uma série de experimentos, aprender com o que falha e com o que tem sucesso.

Como você vem usando?

Eu uso IA em vez de um mecanismo de busca. Quando estou procurando por algo, eu vou ao Claude, da Anthropic, e pergunto: “O que devo procurar? O que é interessante?” E, honestamente, ele faz um trabalho muito bom. Mas ele não faz escolhas por mim. Ele não me diz sobre o que devo escrever. Ele me dá opções. Depois, o trabalho do meu cérebro é olhar para os dados e fazer uma escolha, em vez de deixar a máquina escolher por mim.

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Você publicou “O Poder do Hábito” e “Smarter, Faster, Better“ antes do boom da inteligência artificial. O que mudou desde então? Se estivesse escrevendo um novo capítulo hoje, o que gostaria de dizer aos leitores?

Acho que o que mudou é que costumávamos usar a escrita como uma forma de pensar. Se você recebia um e-mail muito bem escrito, era um sinal de que a pessoa pensou em você, então você prestava atenção. Agora você pode receber e-mails excelentes escritos por IA de alguém que não sabe nada sobre você. O simples fato de ser bem escrito já não é um sinal suficiente; tem que ser algo perspicaz, que pareça escrito por um humano. O número dois é que deveríamos estar escrevendo mais e deixando a IA escrever menos por nós. O ato de escrever é o ato de pensar. É aceitável usar a IA, desde que nos forçamos a pensar mais profundamente, a ler o que ela escreveu, editar e mudar. Quanto mais nos empurramos para escrever e pensar, mais inteligentes nos tornamos.

Por que você acha que seus livros fizeram tanto sucesso no mundo todo?

Eu não sei por que ressoaram tanto pelo mundo, e também no Brasil. Sei que “O Poder do Hábito” foi um enorme sucesso aqui e me sinto muito, muito sortudo. Mas também me sinto sortudo por ter dado às pessoas uma oportunidade de mudar suas vidas. Hoje, muitas vezes sentimos que a vida está fora do nosso controle. A política parece fora de controle, a economia também. Dar às pessoas um guia para retomarem o controle sobre seus hábitos, seus relacionamentos e suas escolhas é o que importa. Recebo cartas de pessoas o tempo todo, incluindo muitas do Brasil, em português – e uso a IA para traduzir –, dizendo que tinham problemas para dormir, comer bem, que bebiam demais, e que entender como mudar seus hábitos fez elas se sentirem muito melhor consigo mesmas, porque agora têm o controle de volta. É isso o que eu acho que explica o sucesso do livro.

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Tornar-se mais bem-sucedido aumentou a pressão sobre você como escritor? Ficou mais fácil ou mais difícil escrever?

A pressão de ser escritor é a mesma tendo sucesso ou não: eu consigo descobrir algo importante para dizer e fazer isso da forma mais clara possível? Então não diria que mudou. Não ficou mais fácil, nem mais difícil. Escrever é difícil. Apurar é difícil. Mas também é muito divertido. Eu gosto de fazer isso todos os dias.

E no que você está trabalhando agora? Um novo livro, um novo projeto?

Estou tentando descobrir meu próximo livro agora. Ainda não tenho certeza do que é, mas provavelmente tem algo a ver com todas as mudanças que estão ocorrendo ao nosso redor e como dar sentido a tudo isso.

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Como a maioria das pessoas, Ali Rosli está economizando para o futuro. Mas ele não quer esperar décadas para colher os benefícios da sua aposentadoria.

O profissional de 33 anos, um gestor financeiro interino, tirou duas “mini-aposentadorias” nos últimos sete anos — a primeira em 2019, por dois meses, e a segunda em novembro de 2025, por quatro meses.

A primeira pausa ocorreu após uma rotina exaustiva como gerente assistente de auditoria na Malásia, que incluía semanas de 80 horas de trabalho e culminou em um quadro crônico de burnout. “Pensei, enquanto descansava e refletia sobre a minha trajetória profissional: por que não fazer uma viagem de dois meses?”, relata.

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Na época, Rosli ganhava cerca de £ 14.000 (US$ 18.815) por ano, poupando e investindo de 20% a 40% de sua renda. Ele usou essas economias para financiar uma viagem por terra de Pequim até a Europa, passando pela Rússia, em uma experiência que definiu como “a viagem da sua vida“. Retornando revigorado, acabou conquistando um cargo de gerente sênior em uma empresa financeira em Londres, multiplicando seu salário quase seis vezes, para cerca de £ 85.000 (US$ 114.234) anuais.

Após algumas tentativas de mudar para uma nova função, Rosli decidiu fazer outra pausa — desta vez, voltando para a Malásia com a esposa por quatro meses. Durante o período, garantiu projetos financeiros remotos por meio de sua rede de contatos. Hoje, de volta a Londres, atua como contratante financeiro independente e cria conteúdo sobre carreira e patrimônio nas redes sociais.

Para ele, essas pausas intencionais não atrapalharam sua carreira; pelo contrário, a impulsionaram. “Pela minha experiência pessoal, isso na verdade vai turbinar sua trajetória em vez de atrasá-la”, afirma. Pensando no futuro, Rosli gosta da ideia de ter uma prévia da aposentadoria e planeja repetir a dose a cada quatro ou cinco anos.

A tendência mais ampla

Um relatório recente de qualidade de vida do HSBC revelou que a Geração Z e os millennials lideram uma mudança de comportamento entre investidores de alta renda (com pelo menos US$ 100.000 em ativos). Eles estão deixando de tratar a aposentadoria como um momento único no final da vida profissional e passando a encará-la como uma série de pausas planejadas.

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Kelly Renner, planejadora financeira da Life Strategies Financial Partners, afirma que não há mal nenhum em viver a vida dessa maneira, desde que a pessoa tenha um emprego flexível, controle orçamentário rigoroso e economias suficientes. Sem essas condições, alerta, a pausa pode se tornar “um desastre financeiro”. Ela também pontua que lacunas não explicadas no currículo ainda podem ser mal vistas pelo mercado.

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Negócios

Universidades Brasileiras Registram Queda em Ranking Global

Redação Informe ES

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O cenário do ensino superior no Brasil apresentou um recuo no ranking do CWUR (Centro para Rankings Universitários Mundiais), divulgado nesta segunda-feira (1). Das 52 universidades brasileiras que integram a lista das 2000 melhores do mundo, 45 perderam posições em relação ao ano passado. Apenas cinco instituições subiram no ranking, enquanto duas mantiveram suas colocações.

A USP (Universidade de São Paulo) continua líder na América Latina, mas caiu um degrau no cenário global, ocupando agora o 119º lugar. Em seguida, a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) perdeu 15 posições, caindo para o 346º lugar, e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desceu 10 lugares, ficando na 379ª colocação.

O motivo da queda

Segundo os dados, o principal fator para o declínio brasileiro foi a piora nos indicadores de pesquisa e produção científica — critério em que 44 das 52 instituições registraram queda. Além disso, o avanço acelerado de universidades internacionais contribuiu para empurrar as brasileiras para baixo. O CWUR avalia também a qualidade da educação, a empregabilidade dos ex-alunos e a qualificação do corpo docente.

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Apesar do revés global, o Brasil permanece com as dez universidades mais bem colocadas de toda a América Latina.

No topo do pódio internacional, a Universidade de Harvard manteve a liderança global pelo 15º ano consecutivo.

Confira as 10 universidades brasileiras mais bem colocadas no ranking da CWUR:

  • 119º – USP (Universidade de São Paulo)
  • 346º – UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • 379º – Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)
  • 476º – UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
  • 479º – Unesp (Universidade Estadual Paulista)
  • 508º – UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
  • 621º – Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
  • 682º – Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)
  • 732º – UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
  • 799º – UFPR (Universidade Federal do Paraná)

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