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O Caminho até a Cabine: Quanto Ganha e Como Se Tornar Piloto de Avião

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Vestir o uniforme, assumir o controle de uma máquina de dezenas de toneladas e ter o mundo como escritório é o desejo de milhões de pessoas. Não por acaso, a profissão de piloto de avião lidera o ranking global de empregos dos sonhos, elaborado pela plataforma de currículos Resume.io. “Sempre sonhei em ser piloto e me lembro até hoje da emoção de me tornar comandante aos 28 anos”, diz Audrey Savini, hoje no comando do A320 da Azul.

O cenário para quem quer investir nessa carreira é convidativo. Impulsionado por volumes recordes de passageiros – 130 milhões de viajantes em aeroportos brasileiros em 2025 –, o mercado aéreo nacional vive um período de aquecimento. “Somente na LATAM, o número de pilotos dobrou nos últimos dois anos e abrimos recentemente mais de 300 vagas”, diz Sandro Silva, piloto-chefe da companhia aérea.

No entanto, o glamour dos aeroportos cobra seu pedágio. O caminho até a cabine de comando envolve centenas de horas de voo, treinamentos rigorosos, fluência no inglês e adaptação a uma dinâmica de trabalho fora do horário comercial. “É uma rotina intensa e pouco convencional. O trabalho organizado por escala pode incluir madrugadas, fins de semana, feriados e pernoites fora de casa”, afirma Lucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS. “Como formar um piloto recém-chegado custa caro, as empresas tendem a valorizar candidatos com melhor base técnica, inglês forte e mais horas de voo no cenário atual.”

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No quesito remuneração, um piloto de avião comercial pode ter salários líquidos que variam de R$ 7 mil a R$ 20 mil por mês, podendo superar esse patamar em rotas internacionais, segundo o professor da PUCRS. Somam-se a isso benefícios como diárias de alimentação e passagens com desconto para a família.

A seguir, os especialistas detalham os caminhos necessários até a cabine de comando, explicam como funciona a rotina de um piloto comercial e dão conselhos para quem quer dar o primeiro passo na carreira:

Forbes: Qual a formação necessária para se tornar piloto de avião?

Audrey Savini: Não é obrigatório ter curso superior. A formação é regulamentada pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e feita por meio de cursos técnicos. Existe uma sequência obrigatória: inicialmente, o aluno realiza o curso de Piloto Privado (PP) e, posteriormente, o de Piloto Comercial (PC). Hoje, a parte teórica pode ser feita tanto presencialmente quanto online.

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Para quem pretende seguir carreira na aviação comercial, também são exigidos cursos adicionais, como Multimotor, Voo por Instrumentos (IFR) e o Jet Training, que é um simulador de aeronave a jato. Esses cursos garantem o mínimo de habilitações exigidas pela ANAC para atuação profissional.

Acervo pessoalAudrey Savini pilota o A320 da Azul

Mesmo sem ser obrigatórias, as formações em cursos superiores de Ciências Aeronáuticas ou Aviação Civil são importantes no mercado de trabalho?

Lucas Fogaça: Elas acrescentam muito peso ao currículo e qualificam a atuação. Em um bom curso de Ciências Aeronáuticas, o aluno estuda temas que vão muito além da operação da aeronave. Essa combinação ajuda a formar um profissional mais completo, capaz de compreender a aviação como integrante de um sistema complexo. Isso embasa tomadas de decisão abarcando aspectos técnicos, operacionais, gerenciais e comerciais.

Como funciona a parte prática? Quais são os testes e provas obrigatórios?

Audrey Savini: Normalmente, o aluno inicia pela parte teórica. Antes de começar os voos práticos, é obrigatório obter o Certificado Médico Aeronáutico (CMA), realizado em clínicas credenciadas. Para pilotos comerciais, o CMA deve ser renovado anualmente. Sem isso, nenhuma hora de voo prática é legalmente válida.

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Lucas Fogaça: Com o CMA em mãos, a formação prática acontece em aeronaves de pequeno porte. O aluno começa com manobras básicas e navegações, avançando até as avaliações práticas. Ao final de cada etapa principal, há um exame de proficiência.

Quantas horas de voo são exigidas para se tornar piloto privado e comercial?

Audrey Savini: A instrução prática é baseada em horas de voo, semelhante ao processo de uma autoescola. Cada voo corresponde a uma missão: decolar, manter voo nivelado, realizar curvas e pousos. Para piloto privado, são em média entre 40 e 50 horas. Já para piloto comercial, aproximadamente 150 horas de voo.

Qual a importância da proficiência em inglês nessa carreira?

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Lucas Fogaça: O inglês tem peso real. É a língua dos manuais, de boa parte dos sistemas e da comunicação operacional. No Brasil, a proficiência é avaliada segundo os critérios da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) – nível 4 é o mínimo –, mas na prática, o mercado valoriza quem vai além.

Lucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS
Acervo pessoalLucas Fogaça, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS

Quais soft skills são essenciais na profissão?

Audrey Savini: A tomada de decisão é uma das mais importantes. Você precisa ter embasamento e controle emocional, porque o piloto atua simultaneamente com máquinas e pessoas. Hoje, as companhias avaliam isso desde o simulador com o modelo EBT (Evidence-Based Training), que testa como o piloto gere recursos em situações de crise.

Em cabines altamente automatizadas, o piloto moderno precisa ser tão forte no julgamento e na coordenação quanto no domínio técnico da aeronave.

Lucas Fogaça

Qual a faixa salarial de um piloto hoje no Brasil?

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Lucas Fogaça: A remuneração varia bastante conforme a companhia, equipamento e senioridade, mas em linhas gerais vai de R$ 7 mil a R$ 20 mil líquidos, podendo chegar a mais em rotas internacionais.

Quais os benefícios oferecidos pelas companhias aéreas?

Audrey Savini: Além da remuneração fixa, há diversos benefícios que aumentam o pacote total: diárias pagas nos períodos fora da base para alimentação, plano de saúde e passagens com desconto, que podem se estender ao cônjuge e aos filhos.

Como é a rotina de um piloto de avião?

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Audrey Savini: Trabalhamos com escalas mensais. Ao final de cada mês, recebemos a programação do mês seguinte. Podemos permanecer fora da nossa base por até seis dias consecutivos, realizando voos e pernoitando em diferentes cidades. Em voos nacionais, chegamos a cumprir cerca de seis etapas (trechos) por dia, respeitando os limites regulamentares.

Como funcionam as refeições no dia a dia de trabalho?

Audrey Savini: Durante a fase de cruzeiro — quando o avião está estabilizado e, geralmente, na programação do piloto automático — fazemos as refeições na cabine, sem deixar nossas funções. Se estou em um voo que abrange manhã ou tarde, recebo o café da manhã. Se for horário do almoço ou jantar, é servida uma refeição com opções como massa ou frango.

O comandante e o copiloto nunca consomem a mesma refeição. O mesmo vale para a tripulação de cabine. Isso é para evitar uma eventual contaminação alimentar. Além disso, há opções vegetarianas disponíveis para quem precisar.

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Em voos muito longos, os pilotos podem dormir?

Audrey Savini: Em um voo como Campinas–Lisboa, com cerca de 11 horas de duração, por exemplo, há um esquema de revezamento. O tempo de descanso é dividido entre os pilotos e ocorre de forma alternada: nos casos de tripulação composta (com três pilotos), descansa um piloto por vez; já nos de revezamento (com quatro pilotos), pode haver até dois pilotos em descanso simultaneamente. Nessa configuração, a jornada pode chegar a até 18 horas. As aeronaves contam com compartimentos com camas horizontais, isoladas por cortinas.

Como funcionam as folgas e férias?

Lucas Fogaça: A Lei do Aeronauta estabelece um mínimo de 10 folgas mensais na aviação regular, além de férias anuais de 30 dias.

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Audrey Savini: As empresas disponibilizam sistemas para indicar preferências de escala. O piloto pode solicitar, com antecedência, folgas em datas importantes, como aniversários e casamentos.

Como pilotos gerenciam a fadiga e os efeitos do jet lag?

Audrey Savini: As companhias aéreas contam com sistemas internos de gerenciamento de fadiga e a própria regulamentação prevê períodos mínimos de descanso de acordo com a quantidade de fusos horários cruzados. Em casos de três ou mais fusos, esse descanso pode variar entre 36 e até 120 horas.
Esse tempo é essencial para a recuperação do organismo, permitindo a aclimatação. Em termos simples, o jet lag ocorre quando o corpo perde a referência natural de dia e noite. Os períodos de descanso em casa são fundamentais para garantir a recuperação adequada.

Na prática, o que diferencia as funções de comandante e copiloto na cabine?

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Lucas Fogaça: Os dois são treinados para operar a aeronave com segurança. O copiloto não é um “auxiliar”, mas um profissional plenamente habilitado que participa ativamente da condução do voo.

Audrey Savini: Comandante e copiloto passam pelo mesmo treinamento. A principal diferença está na tomada de decisão: o comandante é a autoridade final a bordo, com a palavra decisiva em situações críticas, embora o trabalho seja essencialmente colaborativo.

Como funciona a progressão de carreira para se tornar comandante?

Sandro Silva: O profissional inicia na companhia como copiloto de aeronaves menores (Narrow Body), como o Airbus, depois pode ser promovido a copiloto de aviões maiores de voos de longo curso (Wide Body), até fazer a transição para comandante.

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Divulgação/LATAMSandro Silva, piloto-chefe da LATAM

Audrey Savini: Essa progressão depende de tempo de experiência e proficiência contínua. A senioridade funciona como uma “fila”: os copilotos mais antigos tendem a ser promovidos primeiro. Quando elegível, o piloto passa por uma bateria de avaliações: testes psicotécnicos, provas teóricas específicas, avaliações em simulador e instrução em rota. É um processo que leva de quatro a seis meses.

Diante dos avanços tecnológicos, como o papel do piloto deve se transformar nos próximos anos?

Lucas Fogaça: A automação aumentou a eficiência, mas não eliminou a importância humana. O papel mudou: hoje ele é, cada vez mais, um gestor de sistemas, risco e decisão em tempo real. O futuro tende a ampliar a automação, mas, por enquanto, a presença de dois pilotos bem treinados continua sendo o padrão mais seguro da aviação.

Qual o principal conselho para quem quer seguir essa carreira?

Audrey Savini: O conselho é: faça. Falo por experiência própria. Sempre sonhei em ser piloto e lembro até hoje da emoção de me tornar comandante aos 28 anos. Se houver momentos difíceis, não desista, retome o foco e continue. Passamos grande parte da vida trabalhando, então buscar uma profissão que traga realização faz toda a diferença para o seu bem-estar e equilíbrio.

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Com Negócio de R$ 335 Milhões, Ela Quer Fazer do Matcha o Novo Café

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Não há como negar: o matcha está em todo lugar. Nas academias, nos escritórios, em cafés que antes consideravam o chá verde japonês “nichado demais”. Em latas, cápsulas e lattes, surfando mudanças de comportamento que vêm se formando há anos: a fadiga do café, a busca por bebidas funcionais e as conversas crescentes sobre ansiedade. Poucos entenderam essa interseção tão bem quanto a americana Marisa Poster.

Em 2021, a empreendedora nascida em Nova York e radicada em Londres lançou a PerfectTed, na época uma empresa de matcha com apenas um produto. Apenas cinco anos depois, a marca criada junto com seu marido, Levi Levenfiche, e seu cunhado Teddie Levenfiche, hoje registra uma receita recorrente anual de 50 milhões de libras esterlinas (R$ 335 milhões, na cotação atual).

A empresa tem distribuidores que abrangem mais de 30 mil pontos de venda e cafés em 50 países, com um catálogo de produtos que inclui desde pó de matcha de grau cerimonial até lattes prontos para beber e as primeiras cápsulas Nespresso de matcha da Europa.

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Necessidade pessoal levou empreendedora ao matcha

O negócio de Marisa, que foi finalista do prêmio Veuve Clicquot Bold Future Award de 2026, nasceu de uma necessidade pessoal. “Como a maioria das pessoas, eu bebia café e estava constantemente vivendo aquele ciclo de agitação e queda de energia”, lembra. “Não percebia o quanto isso estava afetando meu foco e minha ansiedade até mudar para o matcha e, pela primeira vez, me sentir genuinamente equilibrada.”

Ela percebeu isso muito antes da maioria dos varejistas. O matcha já havia se tornado parte de sua rotina diária nos EUA. Ela dependia dele para ajudar a controlar a energia e o foco sem agravar a ansiedade. No entanto, quando se mudou para Londres em 2020, ficou difícil manter a rotina. “Era impossível de encontrar, superfaturado ou de péssima qualidade. A categoria quase não existia, e a maioria das pessoas nem sabia que era uma opção.”

Ela não chegou a Londres já com uma estratégia de venda totalmente formada ou um discurso ensaiado para uma nova era da cafeína. “Me mudei para cá por amor, e simplesmente não conseguia encontrar matcha”, admite. “Aguentei uns 45 dias antes que isso se tornasse um problema de verdade.”

A raiz do problema (e o começo do negócio)

Desse problema nasceu o seu negócio. O café, segundo a empreendedora, é um dos hábitos mais enraizados do mundo, com “mais de 2 bilhões de xícaras” consumidas todos os dias. “Os melhores negócios surgem de um tipo muito específico de lacuna, quando alguém sente uma necessidade que não está sendo atendida pelo mercado atual.”

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Ela sabia que não precisava converter todos os bebedores de café para o matcha para ter sucesso. Só precisava entender a proporção menor, mas ainda enorme, de pessoas que amavam a cafeína e odiavam a queda abrupta de energia, a agitação ou a ansiedade que podem acompanhar a experiência com a bebida.

MARISA POSTER MATCHA (2)
DivulgaçãoO matcha é um chá verde japonês em pó rico em antioxidantes e cafeína

Por causa disso, Marisa também entendeu que o matcha tinha tanto um problema de experiência quanto um problema de conscientização. “A realidade é que, se o seu primeiro matcha for ruim, isso pode te afastar para o resto da vida”, afirma. “No Reino Unido, por muito tempo, era isso que as pessoas estavam experimentando: um matcha de baixa qualidade e mal preparado. Ele nunca teve a chance de se consolidar.”

Essa percepção inicial foi fundamental para moldar a abordagem da PerfectTed. Não bastava disponibilizar o matcha; a marca tinha que ter um bom matcha e tornar o primeiro contato convincente o suficiente para mudar comportamentos. “Um ótimo latte pode converter alguém instantaneamente”, diz.

O mesmo pensamento está por trás dos produtos prontos para beber, que não exigem que o consumidor domine a arte de preparar o matcha com as proporções corretas.

Desafios do matcha

Ainda assim, os consumidores não foram necessariamente o público mais difícil de convencer; os varejistas é que foram. Eles viam o matcha como algo “nichado demais”. Olhando para trás, Marisa acredita que isso foi uma vantagem. “Significava que havia um espaço em branco real, ninguém havia construído a categoria adequadamente ainda.”

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Quando questionada sobre o que quase quebrou a empresa enquanto a PerfectTed ganhava escala, a empreendedora é direta: “Tudo na área operacional.” “Logo no começo, até mesmo conseguir fabricar o produto foi um desafio.”

As fábricas não priorizavam o produto. “Nosso produto original foi retirado da linha de produção porque uma marca muito maior e mais estabelecida teve prioridade. Foi um verdadeiro choque de realidade, perceber o quão baixo você está na lista de prioridades quando é pequeno.”

Depois vieram os desafios técnicos: “O matcha literalmente entupia as máquinas no início da produção”, lembra. “Não é um ingrediente fácil de se trabalhar em larga escala.”

Não muito tempo depois, a aparição da PerfectTed no programa Dragon’s Den (versão britânica do Shark Tank) trouxe um tipo diferente de pressão. A empresa fez história ao receber ofertas de todos os investidores da edição de 2023, o que trouxe exposição, validação e um nível inimaginável de expectativas. “Antes, estávamos apenas tentando sobreviver”, diz a fundadora. “Depois, houve essa pressão imediata para nos tornarmos o que as pessoas achavam que já éramos. O sarrafo subiu do dia para a noite. Isso te força a evoluir mais rápido do que é confortável.”

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DivulgaçãoMarisa Poster no Dragons’ Den, reality show britânico de empreendedorismo

Enquanto a demanda explodia, a empresa teve que absorver as consequências em tempo real. “Estávamos nós mesmos nos armazéns embalando pedidos, ficando sem estoque, lidando com o caos dos clientes”, diz. “O ganho de escala não quebra a empresa em lugares óbvios, ele quebra nas lacunas que você nem sabia que existiam.”

Os desafios de ser uma mulher de negócios

Marisa também não é tímida sobre os desafios de ser jovem e mulher em um mercado tão desafiador. “Você entra em uma sala e é avaliada antes mesmo de abrir a boca. Sua aparência, o seu tom de voz, se você é ‘crível o suficiente’ para administrar o negócio.”

Sua resposta não tem sido mudar ou se diminuir para caber nesses espaços. “Você tem duas escolhas nesse momento: encolher-se para se encaixar ou ignorar completamente. Eu escolhi ignorar“, afirma. “Isso me deixou mais afiada, preparada, autoconsciente e intencional em como me apresento. Não estou interessada em me moldar ao que as pessoas esperam que seja a aparência ou a postura de uma fundadora. Prefiro construir algo excepcional e deixar que isso fale por si só.

Além de ter sido indicada ao prêmio da Veuve Clicquot, ela foi nomeada Forbes Under 30 da Europa em 2024 e Empreendedora Britânica Global do Ano em 2025 e alcançou uma posição de destaque no FEBE Growth 100.

Lidando com a pressão e a ansiedade

A empreendedora também é franca sobre como lida com as pressões. “Os momentos em que me sinto mais ansiosa são quando tudo parece ótimo no papel”, diz. “Sempre fui muito aberta sobre a minha experiência com a ansiedade e a depressão, e elas não aparecem apenas quando as coisas estão indo mal. Essa desconexão entre o sucesso externo e a realidade interna é difícil de navegar.”

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“Não é um problema de negócios que você pode resolver com uma apresentação de estratégia”, afirma. “É algo que você tem que aprender a gerenciar junto com todo o resto.”

O fato de a PerfectTed ser uma empresa familiar traz uma intensidade adicional que não pode ser ignorada, considerando a pressão de um rápido crescimento, alta visibilidade e constantes tomadas de decisão. A regra não dita, segundo a fundadora, é “honestidade radical e rápida”. “Se algo não está certo, nós lidamos com isso imediatamente, mesmo que seja desconfortável.”

Os fundadores ainda estão aprendendo a lidar com a dinâmica familiar no trabalho: “Você tem que encontrar maneiras de não fazer tudo girar em torno dos negócios. Ainda estamos trabalhando nessa parte.”

Do zero ao topo

O que as pessoas não percebem ao olhar para um faturamento nesse patamar e um crescimento tão rápido, é o que foi preciso para chegar até aqui. “Era eu em uma cozinha, coberta de pó verde, fazendo bebidas com um gosto horrível, pesquisando no Google ‘como abrir uma empresa de bebidas?’ à meia-noite, e sendo ignorada ou rejeitada por quase todo mundo.”

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Agora que ela e sua família estão do outro lado — ou pelo menos têm uma visão melhor do mesmo lado —, o próximo estágio é claro. Em vez de uma aquisição ou saída do negócio, Marisa está focada em “tornar o matcha predominante globalmente. Não como uma tendência, mas como um padrão. Se alguém busca energia, o matcha deve ser tão normal quanto o café.”

É um desejo ambicioso, mas plausível. A demanda existe. O produto é bom. E uma marca construída sobre essas bases, com uma fundadora que entende o motivo pelo qual as pessoas buscam cafeína tanto quanto o que elas realmente querem disso, é muito mais interessante do que apenas um estimulante verde bonito. O matcha pode estar em todos os lugares agora, mas, se depender dessa empreendedora, sua popularização está apenas começando.

*Lela London é colaboradora da Forbes US. Ela é escritora e editora especializada em gastronomia e bebidas, com foco em tendências culinárias, restaurantes e bares.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Como Recuperar a Motivação no Trabalho? Responda a Estas 5 Perguntas

Redação Informe ES

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Encontrar motivação no trabalho pode parecer difícil, especialmente se você não ama o que faz, o ambiente ou as pessoas ao redor. Se esse for o caso, pergunte-se: o que realmente faz você levantar da cama com vontade de começar o dia? Depois de responder isso, o trabalho deixa de parecer uma obrigação e passa a ser uma escolha.

Mudar a lógica de “tenho que” para “quero” cria um impulso e aumenta a capacidade de conclusão de tarefas. Com base nessa ideia, existem cinco perguntas que você pode fazer a si mesmo todas as manhãs para se reconectar com aquilo que te traz energia e se preparar melhor para o dia que tem pela frente.

5 perguntas para recuperar a motivação

Especialistas como a americana Wendy Grolnick, professora de psicologia na Clark University, nos Estados Unidos, alertam que o maior mito sobre motivação é esperar que ela simplesmente apareça.

Para combater essa inércia, Jackson Parsons — autor do livro “Make the Flip” e apresentador do “My Duvet Flip”, reconhecido como o principal programa sobre carreiras do Reino Unido — compartilha cinco perguntas para te ajudar a descobrir o que te motiva e como usar essa percepção para beneficiar sua carreira.

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1. O que me faz levantar da cama na hora?

O que torna o pensamento de sair da cama de manhã um pouco mais fácil não precisa ser algo enorme e que mude a sua vida. Pode ser algo mais específico e imediato, como um projeto que você está animado para começar, uma tarefa que deseja terminar ou apenas algo sobre o qual deseja conversar com seus colegas de trabalho.

Se você não acorda pensando “Eu amo meu trabalho”, não tem problema. Segundo Parsons, ainda pode haver coisas que te deixem empolgado ao longo do dia. “Em vez de guardar o que te empolga como recompensa, comece o dia com isso”, ele recomenda. “Começar com algo envolvente cria um movimento para a frente, fazendo com que o resto das suas tarefas pareça menos uma resistência e mais uma continuação.”

2. O que faz eu me sentir com energia, e não apenas produtivo?

A produtividade é visível. Ela aparece em caixas de entrada limpas e tarefas concluídas. Mas a motivação é mais profunda do que o resultado. Você pode ser altamente produtivo e ainda se sentir esgotado no final do dia.

A verdadeira motivação faz com que você se sinta energizado, engajado e mentalmente vivo. Ela vem de atividades que devolvem energia, não apenas daquelas que exigem esforço. Seja resolvendo problemas complexos, criando um trabalho significativo ou colaborando com os outros, essas experiências reabastecem em vez de drenar.

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Acompanhe seus níveis de energia por uma semana. No final de cada dia, anote o que te deu energia e o que te esgotou”, diz o autor. “Com o tempo, você será capaz de reconhecer as coisas que mais te motivam para que possa incorporá-las aos seus dias. Você pode não ser capaz de mudar tudo sobre o seu cargo, mas pode fazer seus próprios ajustes que o tornam mais fácil e mais emocionante.”

3. O que eu quero fazer sem que me peçam?

Um dos indicadores mais claros de motivação é aquilo pelo qual você é naturalmente atraído quando ninguém está te direcionando. O que captura a sua curiosidade e te atrai naturalmente quando não há pressão externa?

Essa distinção entre “ser puxado” versus “ser empurrado” revela a diferença entre o trabalho que você simplesmente conclui e o trabalho que você genuinamente gosta de fazer. “Considere como as coisas que você quer fazer podem se tornar uma parte mais importante do seu cargo e discuta isso com seu gerente”, diz Parsons.

Até mesmo pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. “Se não houver atualmente uma oportunidade de tentar um novo cargo, o simples fato de se aproximar do tipo de trabalho com o qual você tem mais afinidade pode mantê-lo motivado e engajado a longo prazo.”

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4. Em que tipo de ambiente eu me dou bem?

Às vezes, o problema não é o trabalho em si; é o ambiente no qual você está. A motivação é profundamente influenciada pelo contexto. Um extrovertido pode se sentir esgotado trabalhando isoladamente, enquanto alguém que precisa de foco pode se sentir sobrecarregado em um ambiente com muito ruído e interação.

Seu ambiente ou apoia sua energia ou colabora para esgotá-la silenciosamente. “Tente ajustar as coisas que você pode controlar, em vez de tentar ajustar sua personalidade”, afirma o especialista. “Defina sua própria estrutura e reserve um tempo sozinho para um brainstorming interno, ou marque reuniões com colegas de trabalho para debater ideias e se alimentar da energia e motivação deles.”

5. Por que eu não tenho motivação?

De acordo com Parsons, esta pode ser a pergunta mais importante de todas. Ele explica que a falta de motivação não é uma falha de caráter. Não é preguiça ou falta de disciplina. Geralmente é um feedback: um sinal de que algo não está funcionando.

Quando você tenta forçar a motivação, pode ter sucesso temporariamente, mas isso costuma ter um custo. Você gasta mais energia se forçando, o que leva a uma maior exaustão e desconexão. Quanto mais você se esforça, mais resistência você cria, e o ciclo continua.

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A motivação sustentável não vem da força. Ela vem da redução da resistência, da remoção do atrito e de fazer com que seu trabalho pareça mais alinhado e envolvente. “Facilite as coisas para si mesmo. Impeça que as coisas fiquem no caminho tendo um ponto de partida claro, preparado no dia anterior, que reduza qualquer fadiga de decisão que você costuma sentir, antes mesmo que ela comece.”

Ele sugere criar uma nova maneira de celebrar o sucesso e o progresso, e acompanhar os marcos, não apenas os prazos. “Reconheça seu progresso antes de passar para outra coisa, para manter a motivação que você sente com o seu sucesso.”

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Dentro e Fora do Gramado: 8 Lições de Liderança de Carlo Ancelotti

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O técnico da seleção brasileira Carlo Ancelotti renovou o contrato com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por mais quatro anos, até a Copa do Mundo de 2030, segundo anúncio da entidade na quinta-feira (14).

Desde que assumiu o cargo, em maio de 2025, o italiano liderou a seleção — maior campeã da história do futebol mundial — em dez jogos. Foram cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Sob seu comando, a equipe marcou 18 gols e sofreu 8. “Desde o primeiro minuto, entendi o que o futebol significa para este país. Estamos trabalhando para levar a Seleção Brasileira de volta ao topo do mundo“, disse em comunicado divulgado pela CBF. “Mas queremos mais. Mais vitórias, mais tempo e mais trabalho.”

Preparativos para a Copa do Mundo de 2026

A menos de um mês do início da Copa do Mundo, Ancelotti acredita que a seleção brasileira precisa aprender a transformar a pressão em combustível na tentativa de acabar com uma espera de 24 anos para levantar o troféu novamente. “Há muita pressão sobre os jogadores. E os jogadores também colocam muita pressão sobre si mesmos, às vezes até demais”, afirmou à Reuters. “Precisamos estabelecer uma rotina para evitar tudo isso. Gerenciar bem a pressão significa ter mais motivação e mais camaradagem.”

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“Você pode compartilhar a pressão. Assim, ela pesa menos sobre você.”

Carlo Ancelotti

Para o técnico, o caminho é dar ao Brasil uma estrutura robusta o suficiente para sobreviver à intensidade do futebol moderno. “O que o futebol e os jogadores brasileiros não podem perder é sua maior qualidade: criatividade, alegria e energia.”

Gabaritado para assumir essa tarefa, Ancelotti é conhecido por alcançar em campo algo que muitas empresas esperam da liderança hoje em dia: equipes engajadas. O italiano consegue entregar para os acionistas (dirigentes e patrocinadores) e clientes (torcedores e imprensa) um grupo de pessoas (atletas) altamente envolvidas com o trabalho e com a busca de resultados (vitórias e títulos). “Ancelotti cria um nível alto de engajamento entre todos os jogadores porque coloca um propósito por trás da execução. Tudo faz sentido para a equipe ”, disse Gil Van Delft, CEO da consultoria Michael Page, em entrevista à Forbes no momento do anúncio de Ancelotti como técnico da seleção brasileira.

A seguir, veja 8 lições de liderança de Carlo Ancelotti que servem para qualquer carreira:

Por dentro da carreira de Carlo Ancelotti

O currículo de Ancelotti inclui clubes de futebol que equivalem a algumas das mais importantes empresas do mundo. Sua posição de técnico seria como se ele fosse um CEO numa holding com milhões de clientes fixos e apaixonados pelo produto oferecido.

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Antes de ser técnico, ele foi jogador de meio campo por mais de 15 anos. Jogou pelo Parma, Roma – junto de Paulo Roberto Falcão – e Milan, além de ter participado de 26 jogos pela seleção italiana, disputando as Copas do Mundo de 1986 e 1990. Dentro de campo, seus principais títulos são duas Ligas dos Campeões da Europa, conquistadas com o Milan.

Como técnico, Ancelotti é o único a vencer o principal interclubes europeu cinco vezes: em 2003 e 2007, pelo Milan, e em 2014, 2022 e 2023, pelo Real Madrid. Ele passou ainda por Chelsea, Paris Saint-German e Bayern de Munique, com diferentes níveis de sucesso, mas vencendo títulos nacionais em todos os clubes.

A carreira de Ancelotti, assim como as trajetórias do mundo corporativo, nem sempre foi linear. Depois de comandar os gigantes Milan, Real Madrid e Bayern de Munique e passar pelos novos ricos e poderosos Chelsea e Paris Saint-German, treinou Napoli e Everton, camisas tradicionais, mas fora do primeiro escalão europeu.

Quando estava no time inglês, em 2020-21, foi chamado para socorrer o Real Madrid, que vivia um momento problemático. No fim da temporada, empilhou os títulos da Supercopa da Espanha, do Campeonato Espanhol e da Liga dos Campeões, numa campanha histórica que confirmou Vini Jr., seu provável titular da seleção brasileira, como um dos melhores jogadores do mundo.

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