Política
Lula sanciona lei que altera tabela do Imposto de Renda

Nesta quarta-feira (1º), durante ato com trabalhadores na zona leste de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 81/2024 que corrige a tabela do Imposto de Renda, aumentando a isenção para quem recebe até dois salários mínimos por mês. Ele reafirmou a promessa de, até o fim do seu mandato em 2026, aprovar a isenção do pagamento do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
“Esse país vai tratar com muito respeito 203 milhões de homens e mulheres que moram nesse país. A economia brasileira já voltou a crescer, o salário já voltou a crescer, o imposto de renda eu prometi para vocês que até o final do meu mandato, até R$ 5 mil as pessoas não pagarão imposto de renda. E estou dizendo para vocês a palavra continua em pé”, disse Lula, destacando a articulação dos seus ministros com o Congresso Nacional na aprovação de medidas de interesse do governo.
“Foi assim que nós fizemos, pela primeira vez no momento de democracia, a reforma tributária em que a gente vai despenalizar a pessoa de classe média que paga muito e fazer com que o muito rico pague um pouco do Imposto de Renda nesse país porque só o pobre é que paga. Nessa proposta de Imposto de Renda todo o alimento da cesta básica será desonerado e não terá Imposto de Renda sobre comida do povo trabalhador desse país”, acrescentou.
Ainda durante o ato, Lula assinou o decreto de promulgação da Convenção e Recomendação sobre o Trabalho Decente para as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos
Desoneração
O presidente também aproveitou o discurso para criticar a manutenção da desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia. Lula disse que “não haverá desoneração para favorecer os mais ricos”.
No fim do ano passado, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei da desoneração que prorroga, até 2027, a troca da contribuição previdenciária – correspondente a 20% da folha de pagamento – por uma alíquota entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta de empresas de 17 setores da economia. O projeto também cortou de 20% para 8% a alíquota das contribuições ao INSS por parte dos municípios com até 156 mil habitantes.
“A gente faz desoneração quando o povo pobre ganha, quando o trabalhador ganha, mas fazer desoneração sem que eles sequer se comprometam a gerar um emprego, sem que eles sequer se comprometam a dar garantia para quem está trabalhando. Eu quero dizer que no nosso país não haverá desoneração para favorecer os mais ricos e, sim, para favorecer aqueles que trabalham e que vivem de salário”, disse Lula.
O presidente Lula vetou o projeto de lei da desoneração, mas o Congresso derrubou o veto ainda em dezembro do ano passado, mantendo o benefício às empresas. Para Lula, a medida não garante a geração de empregos e não pode haver desoneração da folha de pagamento de empresas sem contrapartida aos trabalhadores.
A desoneração da folha de pagamento tem impacto de cerca de R$ 9 bilhões por ano à Previdência Social. A ajuda aos pequenos municípios fará o governo deixar de arrecadar R$ 10 bilhões por ano. O governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal e a ação tem o placar de 5 a 0 na Corte para suspender a desoneração. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é preciso encontrar um caminho para evitar prejuízos à Previdência Social. “A receita da Previdência é sagrada para pagar os aposentados. Não dá para brincar com essa coisa”, disse Haddad, nessa semana.
O ato em São Paulo foi realizado no estacionamento da Neo Química Arena (estádio do Corinthians), na zona leste da capital paulista. Pela primeira vez, a celebração deixou de ser realizada na região central da cidade, no conhecido Vale do Anhangabaú.
Durante seu discurso, Lula comentou sobre o esvaziamento do evento e cobrou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, responsável pela articulação do governo com os movimentos sociais.
“Não pense que vai ficar assim. Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato e eu disse para ele, ‘Márcio, o ato está mal convocado, nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar’. Mas, de qualquer forma, eu estou acostumado a falar com mil, com 1 milhão, mas também, se for necessário, eu falo apenas com uma senhora maravilhosa que está ali na minha frente”, disse Lula.
Pelo sexto ano seguido, os atos políticos do Dia do Trabalhador em todo o país são organizados, de forma unificada, pelas centrais sindicais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB e Intersindical Central da Classe Trabalhadora. Shows e apresentações culturais também fazem parte da programação.
“Sob o tema Por um Brasil mais Justo, o 1º de Maio 2024 será um dia de celebração e reflexão para levar a toda a população brasileira a luta do movimento sindical em defesa da classe trabalhadora”, informou a CUT. Entre as pautas das entidades estão emprego decente, correção da tabela de Imposto de Renda, juros mais baixos, valorização do serviço e dos servidores públicos, igualdade salarial e aposentadoria digna.
Edição: Valéria Aguiar
Política
Roninho diz não ter recebido recurso do partido e lança vaquinha via Pix para seguir com campanha

O presidente da Câmara Municipal de Linhares e candidato a deputado estadual, Roninho Passos, afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que sua campanha não teria recebido recursos destinados pelo partido para a produção de materiais eleitorais.
Segundo o candidato, a legenda teria enviado recursos para a confecção de materiais de campanha destinados a dois candidatos do mesmo partido, mas, de acordo com seu relato, o valor não teria chegado à sua campanha. Roninho afirmou que a situação estaria dificultando a produção de santinhos, adesivos e outros materiais utilizados na divulgação de sua candidatura.
Durante a gravação, o candidato também fez críticas ao que classificou como uma tentativa de impedir o crescimento de sua campanha. Roninho associou a situação à sua origem familiar, destacando ser filho de um pedreiro e de uma dona de casa.
Apesar das dificuldades relatadas, o candidato afirmou que pretende manter a campanha nas ruas e disse que, caso necessário, continuará divulgando seu número eleitoral de formas alternativas.
Ao final do vídeo, Roninho anunciou uma vaquinha online e divulgou uma chave Pix, solicitando contribuições financeiras de apoiadores, inclusive de pequenos valores, para auxiliar na produção de materiais de campanha.
A declaração coloca em evidência a discussão sobre a distribuição de recursos eleitorais dentro dos partidos e sobre as condições financeiras das campanhas. Até o momento, o relato apresentado nesta publicação corresponde às declarações do próprio candidato. Eventuais esclarecimentos sobre o repasse dos recursos deverão ser buscados junto ao partido e às demais partes envolvidas.
Texto: Extraído do vídeo – Foto: Video/Rede social
Política
Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e a Tarcísio eram propina acertada por Kassab, atual vice de Caiado

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse à PF (Polícia Federal) que a doação de R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a de R$ 3 milhões a Jair Bolsonaro (PL) em 2022 têm como pano de fundo negociação de propina.
As informações constam na proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro. O acordo foi posteriormente rejeitado pela PF e pela PGR (Procuradoria Geral da República).
Os repasses foram feitos em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e investigado pela operação Compliance Zero. As informações foram divulgadas pelo portal UOL e confirmadas pela CNN.
Vorcaro disse que as doações foram “contrapartidas financeiras” pagas por conta de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.
“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, diz trecho da delação.
Ele também afirma que as negociações envolveram o pagamento de outros R$ 10 milhões que, segundo o ex-banqueiro, foram pagos em espécie para “interpostos de Kassab”.
“A informação era de que esse valor em espécie seria destinado às campanhas do próprio partido de Kassab, o PSD”. Segundo Vorcaro, o interlocutor seria Augusto Lima, que não preferiu fazer as doações porque tinha ligação com o PT. O interesse do Master era manter contratos de crédito consignados com o governo de São Paulo na gestão de Tarcísio.
“Assim, além de exigir a manutenção do percentual de 5% dos resultados líquidos da operação, nos moldes do que já havia sido acertado com a gestão anterior, Gilberto Kassab também exigiu contribuição para as campanhas políticas de seu partido, o PSD, bem como de outros partidos que apoiava”, diz o anexo da delação.
O acordo teria sido cumprido, segundo Vorcaro. “A contrapartida ao pagamento das vantagens indevidas foi efetivamente concretizada pelo grupo político vinculado a Gilberto Kassab, sendo a exclusividade da operação do CREDCESTA no Governo do Estado de São Paulo mantida por mais de um ano. Somente em 9 de dezembro de 2024 foi editado o Decreto n° 69.126/2024, que abriu o mercado para outras instituições”.
Tarcísio de Freitas disse, por meio de nota, que “não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”.
Segundo o governador, “no caso da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto, na gestão anterior, conforme as regras vigentes, tendo a suspensão das suas operações em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições”.
“Esse credenciamento não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos. Trata-se exclusivamente de uma habilitação que permite aos servidores escolher livremente, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual desejam realizar operações consignadas”, completou.
Em nota, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, classificou o relato de Vorcaro como “fantasioso”.
“Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, afirmou.
A CNN procurou o ex-presidente Jair Bolsonaro e ainda não recebeu retorno. O espaço segue aberto.
Fonte: CNN Brasil – Por: Matheus Teixeira (Especializado na cobertura dos Três Poderes)
Política
Análise: Subida de Augusto Cury desafia tese de que o Brasil é polarizado

Augusto Cury saiu de 2% para 11% das intenções de voto em uma semana, segundo a pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (31). Subiu nove pontos, ultrapassou Ronaldo Caiado, que aparece com 5%, e se tornou o primeiro candidato da chamada terceira via a chegar aos dois dígitos.
Em outra pesquisa divulgada no mesmo dia, da Atlas/Bloomberg, Cury apareceu com 7,8%, em empate técnico com Renan Santos, que marcou 7,6%.
É um salto impressionante. E há um dado ainda mais expressivo quando se olha para dentro da pesquisa BTG/Nexus: Cury chega a 22% entre os eleitores de 16 a 24 anos, quase o dobro dos 11% registrados no conjunto do eleitorado.
Entre as pessoas de 25 a 40 anos, tem 16%. O percentual cai para 8% na faixa de 41 a 59 anos e para 4% entre os eleitores com 60 anos ou mais. Cury também alcança 13% entre as mulheres, contra 9% entre os homens; 13% entre as famílias com renda superior a cinco salários mínimos; e 17% entre aqueles que têm ensino superior, contra 3% entre os que cursaram apenas o ensino fundamental.
Esse é, portanto, o eleitor de Cury que a pesquisa permite enxergar: mais jovem, mais escolarizado, com renda familiar mais alta e ligeiramente mais feminino.
Não é possível concluir, a partir desses cruzamentos, por que esses grupos aderem mais ao candidato. Mas é possível dizer que sua força não se distribui de maneira uniforme e que ela aparece justamente nos segmentos mais conectados à circulação de informação, à formação de reputação e à descoberta de uma candidatura pela internet.
Menção não significa voto, seguidor não significa eleitor, apesar de constantemente pesquisadores negarem a relevância e a importância da internet nos votos.
A frase precisa de uma distinção. A internet não transforma automaticamente engajamento em intenção de voto, mas pode fazer uma candidatura deixar de ser desconhecida, parecer viável e entrar na conversa de quem ainda não havia escolhido.
Na pesquisa espontânea, aquela em que os nomes não são apresentados, Cury passou de 1% para 8%. O que se observa não é uma conversão mecânica de seguidores em votos. É a passagem, muito mais importante, da invisibilidade para a possibilidade.
O eleitor de Cury também está longe de ser um eleitor inteiramente consolidado. Segundo a mesma pesquisa, 59% dos que declaram votar nele dizem que a decisão está tomada, enquanto 39% admitem escolher outro candidato.
Entre os eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro, 85% afirmam ter um voto definitivo. Cury cresceu, mas cresceu sobre uma base mais disponível à mudança. Isso não diminui o fenômeno. Ao contrário, ajuda a explicá-lo.
O principal interesse da alta, por isso, não está em saber se Cury fará um voo de galinha.
Essa é uma pergunta legítima, porém analiticamente complexa. A eventual queda de Cury não dependerá apenas de Cury. Dependerá também do momento em que as campanhas de Lula, Flávio e dos demais candidatos decidirem trabalhar uma posição contra ele, e da eficácia desse ataque.
Há candidaturas que parecem fortes enquanto são novidade, mas encolhem quando deixam de ser uma ideia disponível e passam a ser um alvo organizado.
O que importa, antes de medir a duração do voo, é entender por que uma alternativa que parece minimamente viável para escapar da polarização consegue subir nove pontos numa pesquisa, em uma semana. Que país polarizado ou calcificado permitiria isso?
Em uma sociedade ideologicamente cristalizada, essa elasticidade seria menor. Num país em que a identidade política estivesse integralmente organizada em torno de dois campos, um candidato de fora precisaria primeiro deslocar convicções, não apenas capturar atenção. Cury não representa uma candidatura antissistema, mas sim antipolítica.
É aqui que vale retomar o argumento que fiz no artigo “O Brasil não é tão polarizado quanto parece”. Nós confundimos três coisas diferentes: o fato de as redes sociais parecerem polarizadas; o fato de os blocos ideológicos terem se tornado mais radicais; e a existência de uma população majoritariamente ideológica, dividida em dois campos rígidos. Não são a mesma coisa.
Por isso, a subida de Cury importa antes de tudo como sintoma. Ela não demonstra que o candidato esteja destinado a chegar ao segundo turno. Demonstra que existe espaço para uma oferta política que não seja imediatamente reconhecida como mais uma encarnação da guerra entre os polos. Esse espaço pode ser estreito, instável e vulnerável. Ainda assim, ele existe, e nove pontos percentuais são uma maneira bastante concreta de aparecer.
A política brasileira pode continuar polarizada no ambiente informacional e, ao mesmo tempo, permanecer aberta na sociedade. A primeira afirmação descreve o que domina os feeds. A segunda descreve o que os eleitores ainda podem fazer quando encontram uma saída. Talvez Cury caia. Talvez as campanhas consigam enquadrá-lo, associá-lo a um polo ou revelar contradições capazes de dissolver a novidade. Mas, se isso ocorrer, será um erro ler a queda como prova de que o espaço nunca existiu.
Em muitos casos, o voo de galinha não revela apenas a fragilidade do pássaro. Revela também a força do vento contrário.
Fonte: CNN – Por: Renato Dolci (Cientista político)
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