Negócios
Como o barulho nos escritórios está criando um bom mercado

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Chad West trabalha presencialmente em um escritório em Londres não mais do que uma vez por semana. Como vice-presidente de marketing da carteira de criptomoedas inteligente Argent, ele aparece apenas para reuniões estratégicas ou criativas. Quando precisa focar no trabalho, as distrações e o barulho no escritório aberto da empresa o tornam 40% menos produtivo do que em casa, ele estima.
As vozes dos colegas e a música que escapa dos fones atraem sua atenção, e o som dos engenheiros de software batendo nos seus teclados o atrapalha. “Se alguém tem a audácia de atender uma ligação em um escritório pequeno onde as pessoas estão tentando trabalhar, isso me irrita”, diz West, 33 anos.
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Mais de quatro anos depois de a pandemia ter levado a maioria dos trabalhadores do conhecimento a trabalhar de casa, muitos voltaram ao escritório, seja por políticas da empresa, pelo desejo de passar um tempo com os colegas de trabalho ou pela necessidade de fugir da família.
Cerca de 27% dos dias de trabalho nos EUA foram feitos em casa em maio, uma queda drástica em relação aos cerca de 60% no pico da pandemia, mas acima dos menos de 10% antes da Covid-19.
À medida que as pessoas retornam ao escritório em tempo integral ou parcial, as queixas sobre uma antiga frustração – os ruídos e as distrações – têm aumentado. Os profissionais estão participando de mais reuniões pelo Zoom da mesa do escritório, e muitas vezes falando alto nessas videochamadas. Os chefes incentivam que os dias de trabalho presencial sejam passados “colaborando” e desenvolvendo laços sociais, mas isso aumenta a conversa que ecoa no espaço.
Para agravar o problema, muitas empresas reduziram o tamanho dos seus espaços corporativos já que o local estava sendo menos utilizado. Assim, as salas de conferências e os espaços privados ficam cheios rapidamente.

As distrações no escritório são mais do que um pequeno incômodo: aumentam o estresse e prejudicam os profissionais
Insatisfação com a barulheira do escritório
Em um estudo de setembro de 2023 realizado pela empresa de pesquisa de ambientes de trabalho Leesman, os níveis de ruído foram classificados entre as 10 características mais importantes do escritório – ficando entre banheiros funcionais e uma central de suporte de TI.
No entanto, apenas cerca de 32% dos funcionários estão satisfeitos com os níveis de ruído no escritório, descobriu outra pesquisa da Leesman (divulgada em abril passado).
Novo mercado
A resposta a todas essas reclamações apresenta uma oportunidade de negócio, com fornecedores vendendo desde cabines no estilo de telefones públicos até serviços de “paisagismo sonoro” que usam uma abordagem “biofílica” para ajudar a abafar vozes com sons encontrados na natureza.
Fabricantes de móveis e designers de interiores estão adicionando mais materiais acústicos e projetando “bibliotecas” para promover ambientes de trabalho silenciosos.
Alguns empregadores estão distribuindo fones de ouvido com cancelamento de ruído e até mesmo desenvolvendo ferramentas para ajudar os trabalhadores a alertar colegas quando precisam se concentrar. “Se quisermos que os funcionários retornem voluntariamente aos escritórios, temos de proporcionar um espaço que apoie aqueles momentos em que eles necessitam de privacidade acústica e visual”, diz o fundador da Leesman, Tim Oldman.
O problema e a solução do barulho no escritório
As distrações no escritório são mais do que um pequeno incômodo. Um estudo de 2021 publicado no Journal of Management & Organization descobriu que em experimentos com ambientes controlados, os níveis de ruído típicos de escritórios de plano aberto causaram aumentos nos indicadores de estresse fisiológico, como frequências cardíacas mais altas, bem como mais expressões faciais de repulsa e relatos de humor negativo por parte dos trabalhadores.
“Não estamos habituados ao ruído”, observa Libby Sander, professora assistente da Bond University, na Austrália, que trabalhou no estudo. “Temos a ideia de que podemos simplesmente nos acostumar com isso. Mas fisiologicamente e psicologicamente, seu corpo não vai.”
A necessidade de maior controle do ruído nos escritórios é uma das razões para o crescimento de empresas como a finlandesa Framery, um dos maiores fabricantes de cabines de escritório – espaços totalmente fechados e modernos com paredes de vidro, que custam cerca de US$ 8,7 mil (R$ 47,3 mil) por uma unidade compacta. Algumas acomodam até seis pessoas e parecem salas de conferência fechadas.
A Framery tem uma nova linha de cabines que possuem um sistema de mascarar o som do ambiente
Em 2022, a receita global da Framery atingiu US$ 164 milhões, acima dos US$ 86 milhões em 2020 e US$ 101 milhões em 2021.
Em março, a empresa adicionou uma nova linha de cabines que não apenas isolam o som para os usuários sentados ali dentro, mas também possuem um sistema de “máscara sonora” que emite um som semelhante a ruído rosa nas áreas ao redor. Assim, aumentam o ruído ambiente nos espaços próximos, com o objetivo de tornar as conversas no escritório menos inteligíveis. “O verdadeiro problema do ruído é quando o seu cérebro capta uma palavra familiar”, diz Samu Hällfors, cofundador e CEO.
Som de pássaros no escritório
É por isso que designers e empreendedores estão colocando som nos espaços, o que pode ser uma forma de resolver as preocupações com muito ruído ou muito silêncio. Depois de trabalhar para terceiros nesse setor por mais de uma década, Evan Benway lançou a Moodsonic em 2022. Ele agora trabalha com empresas como SAP, GSK e Steelcase para criar “paisagens sonoras responsivas” que usam sensores para gerar um som de fundo que se adapta em tempo real ao grau de distração ou estímulo do ambiente.
A Moodsonic ajuda as empresas a resolver uma das ironias do ambiente de trabalho pós-pandemia: as pessoas se distraem com o som no escritório, mas muitas vezes é porque o espaço está muito silencioso. Em vez de ter 60 pessoas em um salão aberto onde um zumbido de muitas conversas acontece ao fundo, “agora talvez você tenha 15 pessoas, e quando uma fala, todos ouvem o que ela está dizendo”, diz Benway.
Os sensores da Moodsonic captam os níveis de som e ajustam as “paisagens sonoras”, que incluem cantos sutis de pássaros inspirados na natureza ou riachos. Benway não divulga receitas, mas afirma que a empresa trabalha com 30 das 500 maiores empresas dos EUA e já é lucrativa; em seu segundo ano, triplicou a área onde fornece as paisagens sonoras e aumentou as assinaturas em 150%.
Paz no home office
Outros estão tendo sucesso ao atender não apenas a necessidade de privacidade dos trabalhadores no escritório, mas também os desejos semelhantes dos profissionais remotos. O investidor Fred Wilson, cofundador da Union Square Ventures de Nova York, e sua esposa Joanne, uma investidora-anjo, estão lançando a segunda localização do Framework, um espaço de coworking em Nova York. O casal percebeu que nas grandes cidades, empreendedores, criativos e outros profissionais têm pouco espaço próprio e não necessariamente querem estar “em um desses lugares onde há toda essa bagunça compartilhada”, como Joanne descreve, referindo-se a espaços de coworking com assentos em grupo e pouca privacidade.
No primeiro local dos Wilsons, no Brooklyn, os membros pagam entre US$ 755 e US$ 860 por mês, dependendo do prazo do aluguel, por sua própria cabine com isolamento acústico. “É tranquilo e eles não precisam ouvir o vizinho conversando com o amigo ou a esposa ou o que quer que seja”, disse Fred Wilson.
Designers de móveis e de interiores também estão incorporando mais isolamento acústico nos seus espaços. A Zintra Acoustics, uma linha de painéis de parede, divisórias de espaço e luminárias de teto que ajudam a absorver o som, tem visto uma demanda “crescente” por soluções acústicas, disse Kirsten Grosman, líder de marketing da marca, que é propriedade do Baresque Group, com sede na Austrália. “O ruído se tornou a principal reclamação entre os profissionais”, disse ela.
Ao mesmo tempo, a empresa sueca Ikea, que está no ramo de mobiliário de escritório há 40 anos, está lançando uma nova linha criada em parte para resolver os incômodos sonoros. Por exemplo, adicionou um material de fibra de madeira, normalmente utilizado na indústria de construção para isolamento, a telas acústicas envoltas em tecido. A empresa também trabalhou com fornecedores para silenciar o mecanismo que regula a altura de uma mesa elétrica pressionando um botão. “O papel do escritório mudou”, diz Philip Dilé, desenvolvedor de design de produtos da Ikea. “A maioria das pessoas nos disse que queria voltar [ao escritório] para ter foco e menos distração.”
Marcas tradicionais, como a Ikea, estão trabalhando para lidar com problemas de som e ruído no escritório
A nova linha da Ikea é um exemplo de um movimento mais amplo para oferecer soluções que não exigem cabines ou salas privadas, o que sem dúvida anula o propósito de ter pessoas no escritório para colaborar. “Por que eu iria querer entrar em um conjunto de cabines de Zoom, e essa ser minha experiência do dia?”, questiona Tracy Wymer, vice-presidente de insights e inspiração da Teknion, que também fabrica cabines. Wymer observa que sua empresa está trabalhando em um novo produto que fornece dicas visuais que indicam se você está disponível ou focado no trabalho, mas ainda é cedo para oferecer detalhes.
Outra companhia que está experimentando essa ideia é a monday.com, uma empresa de software de gerenciamento de projetos com sede em Israel. Eles projetaram um dispositivo de Internet das Coisas (IoT) chamado “FocusTime”, posicionado no canto dos monitores dos computadores dos funcionários. Parece um mostrador que indica de quanto tempo restante ininterrupto a pessoa precisa – e serve como um aprimoramento físico dos ícones de status do Slack ou Teams que as pessoas estão acostumadas a ver na tela.
A empresa está testando um dispositivo que indica aos colegas de trabalho quanto tempo de foco eles precisam
A ideia veio originalmente de uma funcionária da empresa que lutava com as interrupções dos colegas ao retornar ao escritório. Saron Paz, líder da equipe que desenvolveu o dispositivo, diz que cerca de 20 funcionários estão participando de um piloto usando o protótipo e um teste em toda a empresa está em fase de planejamento para que, potencialmente, possa se tornar um produto comercializado.
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Profissionais neurodivergentes
Um fator impulsionador da criação de mais espaços para trabalho silencioso tem sido uma maior consciência sobre as necessidades de profissionais neurodivergentes, como aqueles com TDAH ou desafios de processamento sensorial. Pesquisas mostram que 15% a 20% dos funcionários são neurodivergentes, diz Relina Bulchandani, vice-presidente executiva de serviços imobiliários e de local de trabalho da Salesforce. Isso levou a gigante de software a projetar “salas de meditação” no escritório para pausas e espaços de “biblioteca” equipados com telas duplas de monitor solicitadas por engenheiros de software.
As inovações são relevantes para criar um ambiente de trabalho inclusivo e saudável. No entanto, para Chad West, algumas delas não seriam necessárias se todos simplesmente pudessem escolher de onde querem trabalhar. “Tudo o que uma empresa realmente deve se preocupar é com a eficiência.”
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Negócios
A Estagnação no Meio da Carreira: Como Superar a Sensação de Estar Preso
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Imagine que você já tenha mais de uma década de carreira. É um especialista respeitado em sua equipe e excelente no que faz. Para os outros, você alcançou o sucesso. Mas, para você, parece que está correndo sem sair do lugar. Então surge a pergunta: “Por quê?”
Bem-vindo à crise da meia-carreira. É aquele platô profissional frustrante em que você é experiente demais para cargos juniores, mas ainda não surgiu um caminho claro para posições de liderança. Você se sente estagnado, pouco valorizado e sem saber qual é o próximo passo. Pesquisas mostram que esse é um fenômeno real, com muitos profissionais se sentindo desengajados ao chegarem ao meio da carreira.
A boa notícia? Isso é uma encruzilhada, não um beco sem saída. Essa fase sinaliza que as estratégias que o trouxeram até aqui não serão as mesmas que o levarão adiante. Veja duas das maiores armadilhas que provocam essa estagnação — e as mudanças estratégicas que podem ajudá-lo a superá-la.
A Armadilha da Experiência
Você se tornou tão bom no que faz que seu gestor não consegue imaginar a equipe sem você. É a pessoa procurada para resolver problemas complexos e detém grande parte do conhecimento acumulado da área.
Embora isso pareça uma posição de poder, pode se tornar uma armadilha.
Você acredita estar se tornando um forte candidato à promoção, mas, na prática, pode ter se tornado valioso demais para ser movido. Tornou-se uma peça essencial da estrutura — e estruturas essenciais costumam permanecer onde estão.
Esse é um dos motivos pelos quais muitos profissionais sentem que o próprio trabalho está limitando seu crescimento.
A Armadilha da Reputação Restrita
Dentro da sua equipe, você é uma referência. Mas e para os líderes de outras áreas?
Se sua reputação profissional está limitada ao seu departamento, você se torna invisível para quem toma decisões sobre cargos mais estratégicos e oportunidades interdepartamentais.
Você pode ser a pessoa mais talentosa da sua área, mas, se o diretor comercial nunca ouviu falar de você, dificilmente será considerado para uma iniciativa estratégica importante.
A Mudança: De Aprofundar para Ampliar
Para sair da estagnação, é preciso parar de investir apenas em aprofundar sua função atual e começar a construir pontes para além dela.
Solução 1: Participar de Projetos Interdepartamentais
O primeiro passo é ganhar visibilidade e desenvolver novas habilidades trabalhando intencionalmente com outras equipes.
Não espere ser convidado. Procure ativamente um projeto que permita colaborar com outro departamento importante para o negócio.
Uma abordagem simples seria dizer ao seu gestor:
“Gostaria de entender melhor como nosso trabalho impacta a equipe comercial. Existe algum projeto em que eu possa contribuir?”
Além de acrescentar novas experiências ao currículo, você amplia sua rede de contatos e demonstra uma visão mais abrangente do negócio.
Solução 2: Tornar-se Mentor
A forma mais rápida de mostrar que está pronto para liderar é começar a agir como líder.
Uma das maneiras mais eficazes de fazer isso é orientar colegas mais jovens ou recém-chegados à empresa.
Não precisa ser algo formal. Você pode:
- Ajudar um novo integrante da equipe a se adaptar;
- Compartilhar conhecimentos com colegas menos experientes;
- Oferecer orientação quando alguém estiver enfrentando desafios que você já superou.
Ao desenvolver outras pessoas, você demonstra uma competência essencial para cargos de liderança: a capacidade de formar talentos.
Sua proposta de valor deixa de ser apenas o que você entrega individualmente e passa a incluir o impacto que gera nos outros.
A Estagnação Não Define Seu Potencial
A crise da meia-carreira é apenas um sinal de que chegou a hora de adotar uma nova estratégia.
Não caia na armadilha de interpretá-la como uma medida do seu talento.
Em vez de concentrar toda a energia em ser o melhor na função atual, comece a construir as habilidades, os relacionamentos e a visibilidade que serão necessários para o próximo passo.
Sua carreira não está parada. Ela apenas está esperando que você faça o próximo movimento.
*Sho Dewan é coach de carreira, criador de conteúdo e CEO e fundador da Workhap.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Por que líderes que se preocupam demais em ser queridos acabam prejudicando suas equipes

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A maioria dos líderes se importa, ao menos um pouco, em ser querida. E seria estranho se não fosse assim. Liderança é um trabalho relacional, e a cordialidade pode tornar as equipes mais confiantes, resilientes e dispostas a enfrentar desafios juntas. As pessoas geralmente respondem melhor a líderes acessíveis do que àqueles que se escondem atrás da autoridade.
O problema começa quando ser querido deixa de ser consequência de uma boa liderança e passa a ser algo cuidadosamente administrado pelo líder. Os feedbacks são suavizados até perderem força. Os padrões tornam-se flexíveis de maneiras que ninguém nomeia claramente. Conversas difíceis são adiadas porque decepção, irritação ou distanciamento parecem custar caro demais.
É nesse ponto que a busca por aprovação se torna perigosa. No início, ela raramente parece evasão. Com mais frequência, assume a forma de gentileza, flexibilidade ou inteligência emocional. Mas, dentro da equipe, as pessoas acabam percebendo que a responsabilidade depende do humor, do relacionamento e do momento. O líder pode ser amigável, o ambiente pode parecer agradável, mas os padrões tornam-se difíceis de entender.
Por que a aprovação parece tão sedutora
Liderança é um trabalho socialmente exposto. Cada decisão provoca uma reação. Alguém ficará satisfeito, alguém ficará desapontado e alguém julgará silenciosamente se o líder lidou bem com a situação. Para líderes altamente sensíveis à aprovação, essa avaliação constante pode se tornar difícil de suportar. Eles começam a administrar a percepção que os outros têm deles tanto quanto as necessidades da equipe.
Isso também é, em parte, um problema de gestão de imagem. Líderes não estão apenas tomando decisões; eles também administram a imagem de si mesmos como justos, compreensivos e razoáveis. Nada disso é inerentemente ruim. O problema começa quando o desejo de ser visto de forma positiva se torna maior do que a disposição de ser claro.
Um líder que precisa ser querido pode evitar dizer: “Esse trabalho não está bom o suficiente”. Em vez disso, diz: “Esse é um bom começo” e espera que a pessoa entenda o restante. Pode evitar dizer: “Esse comportamento não pode continuar” e tratar o problema como um mal-entendido. A mensagem se torna mais fácil de ouvir, mas menos útil. O funcionário sai tranquilizado, em vez de redirecionado.
Como a responsabilidade é enfraquecida
A responsabilidade raramente desaparece de uma vez. Ela se desgasta por meio de pequenos atos de evasão. Um prazo perdido é justificado. Uma atitude ruim é tolerada porque a pessoa está sob pressão. Um problema recorrente é tratado como algo pontual porque confrontar o padrão geraria tensão.
Com o tempo, a equipe aprende a verdadeira regra: desempenho importa, mas não o suficiente para justificar desconforto. Essa é uma mensagem confusa. Os profissionais de alta performance começam a se perguntar por que os padrões não são aplicados de forma consistente. Já os de menor desempenho aprendem que resistência emocional pode adiar consequências. O líder mantém a cordialidade, mas perde credibilidade.
É aqui que a teoria da troca líder-membro se torna útil. A qualidade das relações entre líderes e funcionários molda confiança, comunicação e oportunidades. Relações fortes ajudam as equipes a performar melhor. Mas, quando líderes se tornam excessivamente apegados à manutenção dessas relações, passam a enxergar a responsabilidade como ameaça à proximidade, em vez de condição para a justiça.
A ironia é que evitar a responsabilidade não preserva a confiança por muito tempo. Normalmente, a destrói. As pessoas podem apreciar a cordialidade do líder no momento, mas perdem confiança quando essa cordialidade impede decisões difíceis.
Quando a liderança “boazinha” se torna injusta
Líderes que precisam ser queridos frequentemente acreditam que estão sendo gentis. E, às vezes, estão mesmo. Mas gentileza sem clareza pode se tornar injustiça. É injusto com o funcionário que não recebe feedback honesto cedo o suficiente para melhorar. É injusto com os colegas que precisam absorver as consequências de um desempenho fraco. É injusto com a equipe quando os padrões são apenas sugeridos, e não aplicados.
Esse é um dos motivos pelos quais lideranças movidas pela necessidade de aprovação geram ressentimento silencioso. As pessoas raramente rejeitam gentileza. Elas rejeitam inconsistência. Percebem quando certos comportamentos são tolerados porque o líder não quer conflito. Percebem quando colegas difíceis recebem paciência infinita enquanto os mais confiáveis continuam carregando o peso.
Nesses ambientes, a necessidade de aprovação do líder se torna um custo oculto para a equipe. São os outros que pagam pelo desconforto do líder diante da tensão.
A diferença entre ser querido e ser confiável
Ser querido e ser confiável não são a mesma coisa. A simpatia costuma se basear em conforto. A confiança se baseia em consistência. Um líder querido faz as pessoas se sentirem confortáveis. Um líder confiável faz as pessoas se sentirem seguras o suficiente para ouvir a verdade, assumir responsabilidades e entender exatamente onde estão.
Essa distinção importa porque liderar frequentemente exige desconforto no curto prazo em nome da saúde no longo prazo. Um líder pode precisar dizer não, decepcionar alguém, confrontar um funcionário favorito, eliminar ambiguidades ou apontar um problema que todos evitam mencionar. Esses momentos talvez não tornem o líder mais querido imediatamente. Mas, quando bem conduzidos, tornam-no mais confiável.
É também aqui que o conceito de segurança psicológica costuma ser mal compreendido. Segurança não significa proteger as pessoas do desconforto. Significa criar condições em que a verdade possa ser dita sem humilhação ou retaliação. Um líder que evita feedbacks difíceis para preservar conforto não está criando segurança. Está criando fragilidade.
O que caracteriza uma liderança mais forte
A resposta não é se tornar frio ou autoritário. Líderes não precisam escolher entre cordialidade e padrões. Os mais fortes geralmente conseguem sustentar os dois. São respeitosos sem serem evasivos. Se importam com as pessoas sem protegê-las da realidade. Dão feedback preservando a dignidade, mas ainda assim dão o feedback.
Isso exige uma mudança interna de pergunta. Em vez de pensar “Eles ainda vão gostar de mim depois disso?”, líderes deveriam perguntar: “Isso vai ajudar essa pessoa, a equipe e o trabalho?”. Essa mudança transforma a conversa. Afasta a liderança da aprovação e a aproxima da responsabilidade.
Mudanças práticas ajudam. Estabeleça expectativas ced, dê feedback antes que a frustração se acumule, separe cuidado de concordância e Diga: “Quero que você tenha sucesso, e isso precisa mudar”. Essa frase faz mais do que suavizar uma mensagem difícil, ela deixa claro que responsabilidade não é rejeição.
Líderes também precisam observar momentos em que estão adiando ações por desconforto emocional antecipado. Se uma conversa continua sendo adiada, o problema geralmente não é timing. É evasão.
O principal aprendizado
O custo oculto de líderes que precisam ser queridos não é serem “bons demais”. É que essa necessidade de aprovação pode torná-los menos honestos, menos consistentes e menos justos. Eles podem criar um ambiente agradável, mas agradabilidade não é o mesmo que liderança.
Equipes não precisam de líderes indiferentes aos sentimentos das pessoas. Precisam de líderes que se importem o suficiente para serem claros. Responsabilidade não é o oposto de gentileza. Em equipes saudáveis, ela é uma de suas formas.
Os melhores líderes não são respeitados porque evitam desconforto. São respeitados porque as pessoas sabem exatamente onde estão. Conseguem ser calorosos sem serem fracos, diretos sem serem cruéis e responsáveis sem transformar toda correção em uma ofensa pessoal.
A aprovação pode tornar a liderança mais fácil por algum tempo. A confiança vem de algo mais difícil: fazer o que o papel exige, mesmo quando ser querido precisa ficar em segundo plano.
Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Forbes Premia Melhores CHROs do Brasil e Debate o Futuro do Trabalho na Era da IA

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em sua primeira edição, o Forbes Power Lunch Melhores CHROs do Brasil, realizado nesta quinta-feira (28), reuniu lideranças de recursos humanos para celebrar os homenageados da lista inédita divulgada na última semana.
O almoço na Casa Manioca, em São Paulo, teve a participação dos 10 executivos listados, entre eles Fernando Meller, diretor de gente e gestão da JBS; Paula Benevides, VP da Natura; Fernando Luciano, da Vivo; e Caroline Carpenedo, da Suzano; além de outras lideranças do mercado.
O evento foi conduzido pela jornalista Anne Lottermann e apresentado pela Gupy, que também apresenta a lista, com patrocínio de iFood Benefícios. A playlist ficou por conta da Forbes Radio.
“Está cada vez mais claro que nenhuma empresa tem sucesso sem as pessoas e uma cultura forte”, destacou Katarina Camarotti em seu discurso de abertura.
Bruna Guimarães, COO e cofundadora da Gupy, ressaltou a crescente relevância dos líderes de pessoas nas companhias. “O dia de hoje é um marco para o RH, que deixou de ser uma área de suporte para assumir um papel de transformação, orquestração e impacto real no negócio.” A visão foi reforçada por Ricardo Petta, diretor do iFood Benefícios: “É fundamental participar de um encontro como este, que potencializa e celebra o papel estratégico do RH dentro das organizações.”
O CHRO como arquiteto da revolução humana na era da IA
Mais estratégicos, tecnológicos e influentes, esses líderes se tornaram essenciais na construção do futuro das empresas quando o valor humano ganhou mais destaque do que nunca com a nova era da IA. Esse foi o tema do painel que contou com a participação de Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy, Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page, e mediação de Fernanda Almeida, editora de Forbes Mulher e Carreira.
A CEO da Gupy compartilhou insights de uma recente viagem à Ásia e analisou como o RH vem ganhando protagonismo diante dos desafios do cenário atual. “Com a tecnologia cada vez mais acessível, onde está o grande diferencial? Na capacidade organizacional de amplificar o capital humano. Seremos tão bons quanto a velocidade com que conseguirmos fazer essa amplificação”, afirmou.
Com a visão de quem acompanha de perto o recrutamento de lideranças, Basaglia destacou as expectativas de CEOs e conselhos em relação aos CHROs e apontou as principais oportunidades para os líderes de RH hoje. “O CHRO é cada vez mais chamado para destravar a estratégia da execução. Em outras palavras, como ‘zerar o ranço’ dentro da organização. Como renovar a energia das pessoas para os desafios que estão enfrentando.”
Em seguida, a futurista Michelle Schneider discutiu a nova arquitetura do trabalho nesse ambiente dominado pela tecnologia e em constante transformação. “Se vamos viver 100 ou 120 anos, não vamos mais falar de aposentadoria aos 60, vamos falar de carreira aos 60”, disse. “O papel da liderança de RH hoje é tirar o medo dos profissionais e trazer o brilho e a empolgação de que podemos arquitetar e construir o nosso próprio futuro.”
Premiação das Melhores CHROs do Brasil 2026
Confira os homenageados e um trecho dos seus discursos:
Veja quem esteve presente no evento na galeria abaixo:
Confira os detalhes do evento:
A lista Forbes Melhores CHROs do Brasil 2026 está disponível no site da Forbes Brasil. Confira!
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