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Nova CEO da Montblanc conta o que é preciso para chegar à liderança

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Montblanc/Igor Kalinouski
Montblanc/Igor Kalinouski

Juliana Pereira, líder da Montblanc no Brasil, se formou em letras e buscou diferentes competências a depender do momento da carreira

Juliana Pereira estudou letras para seguir o sonho de ser escritora, enquanto equilibrava funções corporativas em uma companhia de importação de vinhos. “Nunca iria pensar que um dia seria a líder de uma empresa conhecida pelo instrumento de escrita mais famoso do mundo”, diz a executiva, que acaba de assumir como country manager da Montblanc no Brasil, reportando para o presidente das Américas.

Há 13 anos na empresa, Juliana é a primeira mulher e brasileira na posição. “Passei por três chefias, todos estrangeiros e homens, e precisei explicar o Brasil para eles”, conta a executiva. O processo de sucessão já estava em curso, mas foi acelerado com a saída do então líder da empresa no Brasil, Michel Cheval. “As coisas se encaixaram muito rápido. Foram duas reuniões e uma decisão.”

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A executiva começou no marketing, há mais de 10 anos, e chegou à cadeira número um da empresa, que faz parte do grupo Richemont, dono da Cartier e de outras marcas de luxo. “A exposição veio por buscar outros desafios, não ficar só no marketing”, diz. Em 2016, Juliana convenceu seu então chefe e o CEO global da marca de que a Montblanc precisava ter um e-commerce no Brasil. “Quando chegou a pandemia, o site já estava funcionando há três anos. Não ficamos um dia sem vender.”

Liderar essa frente foi peça-chave para se mostrar uma profissional completa e elegível para estar à frente da marca no país. “Se você tem ambição de chegar na liderança, precisa ir além e fazer a diferença no resultado do negócio.”

Aqui, Juliana Pereira conta as habilidades que precisou desenvolver ao longo da trajetória, da faculdade de letras ao mundo corporativo, e os desafios de liderar uma empresa centenária que está em transformação, da cultura da escrita para uma marca de estilo de vida.

Forbes: Como foi a transição para assumir a nova posição?

Juliana Pereira: Foi uma transição tranquila, principalmente porque estar na empresa por mais de 10 anos ajuda muito. Eu já estava de uma certa forma muito próxima das decisões e projetos e do Michel Cheval, que estava aqui na posição antes de mim. Passei por três chefias na empresa, os três estrangeiros e homens, e precisei explicar o Brasil e a empresa aqui no Brasil para eles. Então eu me senti pronta e a transição foi natural. Ouvi isso do próprio presidente das Américas, que é meu report direto, o que é um grande elogio.

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Como foi o processo para se tornar CEO?

Não foi exatamente um processo seletivo, foi mais como um projeto de sucessão. A gente já vinha trabalhando nisso e obviamente depende do momento da empresa, da movimentação dos executivos e da vontade do internacional. Não tinha nada garantido, mas existia esse desejo da minha parte e esse trabalho que a gente vinha fazendo. As coisas se encaixaram muito rápido. Foram duas reuniões e uma decisão. Mas também foi um misto de sentimentos porque eu não esperava que ele saísse tão cedo e a gente trabalhava muito bem juntos.

Você chegou a verbalizar que tinha a ambição de sentar nessa cadeira?

Sim, e os processos de desenvolvimento de carreira estão muito mais formalizados hoje. Quando eu entrei, sentia que isso ainda era algo menos organizado. Nos últimos 6 anos, o processo de recursos humanos do grupo foi enriquecido com muitas sessões de feedback, processos que muitas vezes a gente acha que não são importantes, mas eu sou a prova de que funcionam. Foi a chance de ter algo como um teste vocacional de novo e poder pilotar o avião da minha carreira. Porque quando era mais nova, fui deixando as coisas acontecerem e as oportunidades chegarem.

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Com os processos internos de feedback e desempenho, isso me deu visibilidade e deixou mais claro aonde eu queria chegar. Na pandemia, tive mais calma, fiz cursos e pensei se era isso que eu queria. Porque quando você assume uma operação, você não pode fazer só o que você gosta. A parte dos números, que eu considerava mais chata, acabou tendo um propósito maior para ajudar a ver o 360 do negócio.

Como o marketing te ajudou a chegar à posição número um da empresa no Brasil?

Na minha trajetória, a exposição veio por buscar outros desafios, não ficar só no marketing. Eu estava na comunicação, mas quis entrar um pouco mais no negócio e fui atrás de começar o e-commerce da Montblanc no Brasil.

Foi importante ter passado pela comunicação porque é uma área em que você consegue interagir com todos os canais de venda. Mas se você tem a ambição de chegar na liderança, precisa mostrar que o profissional de comunicação pode ir além da peça de publicidade ou do evento para realmente fazer a diferença no resultado do negócio.

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Como foi o processo para lançar e liderar o e-commerce da Montblanc no Brasil?

Foi uma insistência da minha parte e um convencimento do meu chefe de que valia a pena. Coincidiu com a primeira vez que um CEO da Montblanc veio para o Brasil e eu e o meu antigo chefe, Alain dos Santos, apresentamos o projeto de fazer um e-commerce no Brasil. Na época, o CEO, Jérôme Lambert, que hoje é CEO global do Grupo Richemont, assinou e confiou no projeto. Foi o primeiro e-commerce feito fora do grupo e com o apoio de um parceiro externo porque a gente não tinha estrutura logística própria do grupo no Brasil. Eu achava que a gente estava perdendo uma oportunidade muito grande porque por volta de 2016 o e-commerce estava crescendo muito. Eu já tinha feito um projeto com vinhos que fez o negócio ir para outro patamar.

Qual foi a importância de ter um e-commerce rodando quando chegou a pandemia?

Nós lançamos o e-commerce da Montblanc em 2017 e fomos a única marca do grupo no Brasil com o site funcionando já há três anos quando começou a pandemia. A gente não ficou um dia sem vender. Já estávamos com uma facilidade que era a venda assistida, então todo mundo ficou ativo de casa.

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Esse lançamento te deu visibilidade internamente e te destacou para assumir essa nova posição?

Com certeza ajudou. O fato de já ser responsável por um canal de vendas foi determinante porque acho que ter apenas a responsabilidade da comunicação e marketing, sem uma base comercial, seria um impeditivo. Além disso, eu já era uma liderança por influência, as pessoas já respeitavam as minhas opiniões mesmo sem ter o cargo.

Como funciona a estrutura da Montblanc no Brasil? Quais os desafios e oportunidades de liderar uma marca centenária?

É uma grande responsabilidade porque é uma marca muito querida pelo público brasileiro e globalmente muito reconhecida. É uma marca em transformação: a Montblanc que eu conheci quando eu entrei, há mais de 10 anos, não é a mesma de hoje. A gente migrou de uma marca da cultura da escrita para uma marca de estilo de vida. Quando você entra na loja, você tem todos os acessórios que você pode imaginar, desde um headphone até abotoadura para um casamento. A categoria onde a gente tem mais oportunidade de surpreender são os acessórios em couro porque nos últimos anos a Montblanc também tem se aproximado do calendário da moda. Isso atrai um novo público, mais jovem e feminino, e traz uma mudança de negócio. O público jovem que acessa o e-commerce da Montblanc hoje, acessa primeiro os acessórios de couro, então essa é uma confirmação de que esse é o caminho.

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Quando começou a sua formação em letras, o que você projetava para a sua carreira?

Eu estudei letras e o plano A era me tornar escritora. Para ganhar dinheiro, eu seria tradutora e intérprete. No meio do caminho, comecei a trabalhar com uma importadora de vinhos, a Expand, então parei a faculdade de tradução e continuei a parte do sonho, que era letras. Eu entrei na área de compras justamente por ter habilidade com a língua inglesa, já dava aulas. Me apaixonei pelo mundo do vinho e fui vendo que gostava do mundo corporativo.

Hoje, trabalhando numa multinacional, em que todos os nossos produtos são importados, essa experiência me ajuda muito porque eu conheço todos os processos.

Como foi parar no marketing?

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Lá dentro mesmo migrei para comunicação e marketing, onde me encontrei. Fiquei mais de 10 anos trabalhando no vinho, e no meio do caminho teve a Itália. A Expand tinha um escritório no norte da Itália e eu fui ser o link entre as vinícolas da Europa e o mercado brasileiro. Foi uma experiência sensacional tanto de vida quanto profissional. Tive a minha primeira líder mulher e aprendi muito com ela, que é uma referência para mim até hoje. Ela dizia que os desafios existem, quer você esteja preparada ou não, então é melhor que você encare logo o problema e tome as decisões sem ficar olhando para trás.

Por que decidiu sair?

Já estava há 10 anos no segmento e comecei a dar uma estagnada. Era nova demais para ser head e ainda queria ter uma visão de outro segmento. Eu saí sem ter para onde ir, tive o privilégio de tirar um sabático de seis meses para viajar e pensar na vida, mas nesse período também trabalhei em algumas vinícolas como guia.

A formação em letras te ajudou de alguma forma a construir sua carreira corporativa?

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Fiz bacharelado em letras, mas também fiz vários outros cursos técnicos de trade marketing, gestão de pessoas. Estudar letras na USP me ensinou a formar um pensamento crítico. A gente é muito jovem para saber o que quer fazer da vida, mas o tipo de ensino que eu tive foi muito rico. Fiz muitas optativas na Faculdade de Economia, de Filosofia, de Arquitetura, e conheci mentes brilhantes. Estudei grego, latim, tupi-guarani, era maravilhoso. Me ensinou a saber que eu posso acessar várias coisas e não preciso me limitar e me colocar em uma caixinha.

Quais habilidades você precisou desenvolver ao longo da sua carreira?

Eu tive que desenvolver muita coisa porque estava indo para um lado e a vida me levou para outro. O que eu acho que foi mais desafiador, e continua sendo, é a gestão de pessoas. Obviamente eu tive que desenvolver várias habilidades técnicas, estudei francês, experiência do cliente, estudei SEO e mídias digitais quando estava no projeto de e-commerce, até um pouco de arquitetura porque também fiz projetos para novas boutiques. Dependendo do desafio e do momento, eu ia atrás da habilidade técnica, mas se tivesse que escolher uma coisa que me ajudou a unir tudo é a gestão de pessoas. Você nunca vai ser tecnicamente excelente em tudo, e se você tem como objetivo ser líder de um negócio, você vai precisar fazer boas escolhas de pessoas que têm habilidades que você não tem para formar times diversos, que se complementam e saber lidar com essa diversidade, que eu acho que é o maior desafio.

O que você considera quando vai contratar alguém?

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Eu sempre começo qualquer entrevista pedindo para a pessoa se apresentar e falar da trajetória dela com as próprias palavras. Porque o currículo é uma coisa fria. Assim eu consigo entender como a pessoa se vê, porque autoconhecimento para mim é uma das coisas mais importantes num profissional. Essa é uma soft skill que você não consegue ensinar, o resto a gente ensina.

Tirando o crachá, quem é a Juliana?

Eu nasci em São Paulo, mas fui criada em Cotia, onde meu pai trabalhava. Tive uma infância e adolescência bem simples e tranquilas, agradeço muito meus pais por terem saído de São Paulo. Eu sou simples, mas também sou exigente. Gosto muito de comer e de beber bem. A experiência com vinhos mudou a minha vida e meu paladar. Gosto de arte, teatro, cinema, música, tudo que é belo. Estudei fotografia e adoro fotografar a natureza.

Como busca o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho?

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Tenho o privilégio de morar muito próximo do escritório. Vou e volto andando, então não perco mais tanto tempo no trânsito. Eu tento me organizar para fazer exercício físico quase todos os dias. Faço pilates e musculação e uns 20 minutinhos de yoga todo dia porque é algo essencial para o corpo e para a mente. E terapia. O autoconhecimento é importante para mim e para o meu time. Quero que eles se conheçam e saibam onde melhorar e como colaborar com os outros. Tento mostrar que errar e ser imperfeito é aceitável. Mas ignorar o fato é inaceitável.

Com o tempo aprendi a priorizar. Reconhecer o que é essencial e o que pode esperar até amanhã. Às vezes a gente entra numa pilha de que tudo é urgente, mas não é. Essa é uma coisa que já me incomodou em alguns dos meus líderes e hoje eu tento me policiar para saber o que faz a diferença.

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Formação

Bacharel Letras e Literatura – FFLCH/ USP – 1999-2004 |
BI International – MBA Trade Marketing/ Commercial – 2013-2015
USP – MBA Management and Global Marketing – 2021 -2022

Primeiro emprego

Professora de Inglês na Escolas Fisk

Primeiro cargo de liderança

Gerente de Marketing e Produtos na Expand Group do Brasil

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Tempo de carreira

Mais de 20 anos

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Gabriela Soares Assume Como Nova CSO da BETC Havas

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A BETC Havas anunciou Gabriela Soares como nova CSO (Chief Strategy Officer). A executiva vai trabalhar ao lado de Camila Nakagawa, copresidente e CEO da operação — que retornou ao Brasil após três anos em posição de liderança global do Grupo Havas — e Diego Alonso, copresidente e CFO.

“Chego para ser uma grande parceira dos clientes na gestão das suas marcas”, afirma a nova CSO, que soma quase três décadas de carreira.

Nos últimos nove anos, Gabriela esteve à frente da estratégia da agência Talent. Ao longo da carreira, acumulou passagens por gigantes como Lowe, Ogilvy e o próprio Grupo Havas, e liderou campanhas para marcas como Unilever, J&J, Kimberly-Clark e Itaú.

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Publicitária formada pela ESPM, a executiva tem um MBA pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e mestrado em inovação pela USP (Universidade de São Paulo). Ainda foi vencedora do Prêmio Caboré em 2018 e já atuou como jurada do Cannes Lions.

Gabriela também atua na governança corporativa: é ex-presidente do GP (Grupo de Planejamento) e atual membro da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).

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Na Era da IA, Estas São as Competências Humanas Mais Demandadas Pelos Recrutadores

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Na era da inteligência artificial, é fácil supor que dominar o ChatGPT e outras ferramentas tecnológicas seja o grande diferencial para conquistar espaço no competitivo mercado de trabalho. Mas, segundo líderes de recrutamento, as características que cada vez mais distinguem os melhores candidatos dos demais não são apenas técnicas; são humanas.

À medida que a IA avança, as empresas estão olhando além de credenciais tradicionais de contratação, como diplomas, cargos e conhecimento técnico, ao selecionar novos profissionais.

Em vez disso, buscam candidatos com habilidades essenciais que complementem e aproveitem o potencial da IA, mas que não possam ser substituídas por ela. Entre elas estão saber liderar e trabalhar em equipe, lidar com mudanças e tomar decisões acertadas rapidamente.

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“É uma espécie de inversão do que vimos historicamente”, afirma Brian Elliott, estrategista do futuro do trabalho e CEO da organização de pesquisa Work Forward. “Sempre valorizamos a profundidade da expertise em um campo específico do conhecimento, e agora o foco será mais na combinação entre experiência, mentalidade de aprendizado e capacidade de liderança.”

Uma pesquisa global do LinkedIn mostra que um em cada cinco profissionais acredita que não possuir as habilidades certas torna a busca por emprego mais difícil. A Forbes conversou com Elliott, além de outros líderes do mercado de trabalho e um economista, sobre as competências que os profissionais devem desenvolver agora para se destacar.

Habilidades humanas em alta

1. Comunicação eficaz

De acordo com a pesquisa Corporate Recruiters Survey 2026, do GMAC (Graduate Management Admission Council), que reuniu respostas de mais de 600 recrutadores corporativos em 39 países, comunicação e resolução de problemas lideram a lista das habilidades mais valorizadas pelos empregadores atualmente.

Ex-líder de tecnologia com passagens pelo Google e pelo Slack, Elliott diz ter visto de perto o quanto a comunicação se tornou importante, mesmo em áreas onde ela nem sempre era considerada uma exigência fundamental.

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“Quando eu liderava equipes no Google e contratávamos engenheiros, a habilidade técnica e a capacidade de aprofundamento em engenharia representavam 95% do que buscávamos”, afirma. “A capacidade de se comunicar e colaborar importava, mas ficava em segundo plano.”

Agora isso mudou drasticamente. Com a IA automatizando fluxos de trabalho rotineiros e aumentando a produtividade em alguns setores mais rapidamente do que em outros, Elliott diz que, mesmo em funções altamente especializadas e técnicas, como engenharia, os empregadores procuram candidatos capazes de “agregar julgamento humano, comunicar-se de forma eficaz com superiores, colegas e subordinados, negociar limites e alinhar expectativas sobre o que a empresa está tentando alcançar.”

2. Storytelling

Além de saber se comunicar de forma eficiente depois de conquistar a vaga, Kory Kantenga, chefe de economia para as Américas no LinkedIn, afirma que é fundamental que os profissionais saibam demonstrar, desde o início, que são a pessoa certa para o cargo.

“Quando você atualiza seu perfil no LinkedIn ou escreve sua carta de apresentação, como está se apresentando e mostrando quais são suas habilidades e capacidades?”, questiona o executivo.

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Uma forma de se diferenciar da concorrência é dominar o storytelling, afirma Margaret Burke, líder de aquisição e desenvolvimento de talentos da PwC. “Sua habilidade de contar histórias aparece naturalmente durante uma entrevista, mesmo que você não perceba, porque é preciso demonstrar como fazer seu potencial brilhar.”

No currículo e durante o processo seletivo, ela explica que os recrutadores querem que o candidato não apenas diga o que é capaz de fazer, mas mostre o que já realizou, citando exemplos concretos de ocasiões em que liderou um projeto, resolveu um problema ou colaborou em uma tarefa relacionada à vaga pretendida.

Mesmo depois da contratação, Burke afirma que o storytelling continua sendo essencial, razão pela qual o considera “uma das habilidades humanas mais importantes” na era da inteligência artificial. “A IA fornecerá as informações para você, mas será preciso saber como aplicá-las, transformá-las em uma narrativa para o cliente e demonstrar onde elas podem gerar impacto.”

3. Adaptabilidade

Com a IA transformando a forma como trabalhamos, contratamos e conduzimos nossas carreiras, Kantenga afirma que os empregadores buscam cada vez mais profissionais adaptáveis. De acordo com a pesquisa do GMAC, adaptabilidade é hoje a terceira habilidade mais valorizada, atrás apenas de comunicação e resolução de problemas.

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“Isso significa que o empregador quer alguém que não diga: ‘Isso não é meu trabalho’. Eles querem funcionários capazes de assumir diferentes funções e tarefas e que também consigam se ajustar rapidamente.”

Durante a entrevista de emprego, a adaptabilidade pode ser demonstrada ao relatar situações em que foi necessário mudar o rumo de um projeto para atingir um novo objetivo, oferecer ajuda em tarefas desconhecidas ou assumir temporariamente responsabilidades de outro profissional durante sua licença ou após sua saída da empresa.

4. Curiosidade

Diante das mudanças rápidas e constantes do mercado, a curiosidade é uma das principais habilidades buscadas pelos empregadores, afirma Aly Sparks, diretora global de recursos humanos da empresa de recrutamento LHH. “Isso significa saber resolver problemas em situações desconhecidas, porque a mudança hoje é tão constante que todos estão lidando, de alguma forma, com circunstâncias novas.”

Segundo Burke, na PwC, as principais perguntas que faz a si mesma ao entrevistar um candidato são: “Ele tem curiosidade intelectual? É capaz de pensar de forma crítica? Como demonstra esse pensamento crítico? Tem bom julgamento?”

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Essas perguntas a ajudam a decidir se o candidato é adequado para a empresa. “A curiosidade é uma habilidade essencial porque leva as pessoas a refletirem mais profundamente sobre os problemas e a encontrarem soluções mesmo quando não sabem a resposta.”

“Você precisa ser curioso porque, se não for, será muito mais difícil aprender”, afirma a executiva da PwC. “Essa habilidade é extremamente importante porque até a IA vai ajudá-lo a aprender. Mas, se não souber usar a IA e tiver curiosidade, poderá recorrer a ela e pedir que ensine o que você precisa saber ou como determinada tecnologia pode ser utilizada.”

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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CEOs Trocaram de Empresa por Um Mês e Contam o Que Aprenderam

Redação Informe ES

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A maioria dos CEOs contrata consultores para obter uma visão externa de seus negócios, mas dois empresários do mercado de luxo seguiram um caminho inusitado: entregaram suas empresas um ao outro.

Durante um mês, em abril de 2026, Louise Cottar, fundadora da Cottar’s Safaris, no Quênia, e Andrew Dixon, cofundador da Cempedak Private Island e da Nikoi Private Island, na Indonésia, trocaram de funções.

Eles observaram as equipes, revisaram processos, identificaram pontos cegos e produziram relatórios para suas empresas. O objetivo não era substituir a liderança, mas ajudar um ao outro.

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Como tudo começou

Em 2023, Cottar e Dixon participavam do encontro anual da The Long Run, uma rede global com mais de 130 empresas de turismo voltadas para a sustentabilidade.

Dixon estava ocupado organizando o evento em sua ilha quando Cottar sugeriu, de forma aparentemente casual, que os dois trocassem de lugar.

A empresária explicou que intercâmbios entre funcionários sempre foram incentivados e comuns entre os membros da The Long Run, mas ninguém havia feito isso no nível de fundadores ou executivos-chefes. “Estava correndo desesperado tentando organizar tudo. Achei que ela estivesse brincando.”

Ao fim do encontro, Dixon voltou ao assunto. “Você está falando sério?”, perguntou. “Sim, por que não? Vamos tentar”, respondeu Cottar.

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Os dois executivos já se conheciam bem. Ambos lideravam suas empresas havia mais de duas décadas. Além disso, seus negócios estão entre as únicas 12 propriedades do mundo certificadas pelo padrão Global Ecosphere Retreats Standard, da The Long Run.

Essa relação de confiança — somada à afinidade de valores e estilo de gestão — foi essencial para transformar uma ideia que parecia espontânea em um projeto cuidadosamente estruturado.

Um mês na cadeira do outro

“Por um lado, tudo começou de maneira muito casual”, diz Cottar. “Mas, por outro, foi algo bastante sério e formal.”

Ela elaborou um documento com os Termos de Referência, estabelecendo limites jurídicos e operacionais, além dos objetivos estratégicos do experimento, antes que ambos levassem a proposta aos respectivos conselhos de administração.

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“Planejar isso já nos ajudou a refletir melhor sobre o que acontece quando alguém precisa se afastar, quem assume o comando e se a empresa consegue continuar funcionando sem interrupções”, lembra Dixon.

Louise Cottar no "escritório do CEO" da Cempedak Private Island, na Indonésia
DivulgaçãoLouise Cottar no “escritório do CEO” da Cempedak Private Island, na Indonésia

Para os dois fundadores, o objetivo nunca foi substituir um ao outro, mas aprender com o funcionamento da empresa do colega, identificar pontos cegos e oferecer sugestões.

Segundo Dixon, a ideia não era chegar fazendo mudanças, mas fazer perguntas, apresentar alternativas e permitir que as ideias amadurecessem para que as equipes assumissem as melhorias que fizessem sentido.

Passar um mês na cadeira do outro não foi uma ação de marketing nem um período sabático para os executivos, mas um raro exercício de transparência.

Andrew Dixon na Cottar's Safaris, no Quênia
DivulgaçãoAndrew Dixon na Cottar’s Safaris, no Quênia

Cottar descreveu os resultados como transformadores e incrementais. Algumas sugestões foram inspiradoras; outras, desconfortáveis. E, segundo ela, esse era justamente o propósito da troca.

“A beleza de algo assim é que confiamos um no outro o suficiente para ouvir coisas que podem ser um pouco desconfortáveis, mas que serão boas para o nosso negócio no longo prazo”, afirma.

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Ao fim do mês, cada um deles preparou um relatório e ambos começaram a implementar as recomendações. Embora tenham assinado um acordo de confidencialidade, aceitaram compartilhar um exemplo concreto das sugestões recebidas.

Dixon disse ter ficado impressionado com o nível de detalhamento da abordagem de Cottar em procedimentos operacionais padrão e gestão de riscos. Isso o levou a repensar parte de sua operação.

As perguntas precisas feitas por ela levaram sua equipe a revisar os processos de gerenciamento de riscos, não porque houvesse problemas, mas porque trouxeram uma nova perspectiva.

Andrew Dixon na Cottar's Safaris, no Quênia
DivulgaçãoAndrew Dixon com a equipe da Cottar’s Safaris, no Quênia

Já Cottar se lembra de uma recomendação que colocou em prática quase imediatamente. Dixon observou que a estratégia da empresa para vinhos e bebidas alcoólicas era desorganizada e apresentava desempenho abaixo do potencial, podendo se tornar uma fonte mais relevante de lucro com processos mais eficientes.

Duas semanas após receber o relatório, a equipe da Cottar’s Safaris já havia iniciado a construção de uma adega como primeiro passo dessa mudança.

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O que outros CEOs devem saber antes de tentar

Para Cottar e Dixon, a troca de CEOs só funcionou porque foi construída sobre uma base sólida de confiança. Ambos deixam claro que não recomendariam a experiência entre dois líderes que mal se conhecem.

“Não acho que você queira fazer isso com alguém que não conhece ou que conhece há pouco tempo”, afirma Dixon.

Pôr do sol na ilha privada Nikoi
DivulgaçãoPôr do sol na ilha privada Nikoi

Como as duas empresas seguem o padrão global da The Long Run, já compartilham uma linguagem comum sobre conservação, comunidade, cultura e operações.

Sem isso, segundo Dixon, o intercâmbio teria exigido muito mais trabalho para definir expectativas e dificilmente teria fornecido tantos feedbacks construtivos.

Cottar também destaca que uma troca entre CEOs é diferente da contratação de um consultor especializado. Normalmente, especialistas analisam um negócio por uma única perspectiva (alimentação, sustentabilidade, auditoria ou operações, por exemplo). Já outro CEO consegue observar a empresa como um todo, sob diferentes ângulos ao mesmo tempo.

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Ela afirma que qualquer executivo interessado em realizar uma experiência semelhante deve responder a três perguntas antes de seguir adiante: “Isso vai me ajudar a crescer como CEO? Vai contribuir para o crescimento do outro CEO? E vai beneficiar as duas organizações? Se a resposta não for ‘sim’ para as três perguntas, isso não deveria acontecer.”

Área principal do restaurante da Cottar's Safaris, no Quênia
DivulgaçãoÁrea principal do restaurante da Cottar’s Safaris, no Quênia

Cottar acrescenta que os conselhos de administração também precisam olhar além dos resultados financeiros imediatos e enxergar o valor estratégico de testar a capacidade de uma empresa continuar funcionando quando seu fundador se afasta após 20 ou 30 anos de liderança.

Quando questionados sobre o que fariam diferente em uma próxima oportunidade, ambos concordaram que administrar o tempo foi o maior desafio. Os dois subestimaram a dificuldade de mergulhar completamente na empresa do outro enquanto ainda precisavam acompanhar a própria operação.

Louise na Cempedak Private Island durante uma reunião pela manhã
DivulgaçãoLouise na Cempedak Private Island durante uma reunião pela manhã

Dixon descreveu o mês como “bastante exaustivo”, enquanto Cottar comparou a experiência à sensação de entregar um filho para outra pessoa cuidar sem deixar de ser mãe.

Segundo eles, em um experimento desse tipo, o CEO precisa se afastar o suficiente para aprender, mas não a ponto de perder de vista a empresa que deixou temporariamente. A recomendação é reservar uma ou duas horas por dia para manter contato com a equipe da própria organização.

Para eles, um mês foi o período ideal. Foi tempo suficiente para compreender o ritmo do negócio nos bastidores (acompanhando a chegada e saída de hóspedes, períodos de maior movimento e dias mais tranquilos), mas curto o bastante para que os funcionários não sentissem que havia ocorrido uma mudança definitiva na liderança.

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Quantos outros CEOs estariam dispostos a fazer o mesmo? Quantos aceitariam permitir que outro líder visse sua empresa em seus momentos mais vulneráveis? E quantos conseguiriam encontrar o parceiro ideal para que a troca gerasse aprendizado, e não riscos?

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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