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Estresse Crônico no Trabalho Prejudica o Cérebro. Veja Como Protegê-lo
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Um mito bastante difundido diz que o cérebro é como um computador que envelhece, tornando-se inevitavelmente mais lento e se deteriorando com o tempo. A neurociência moderna conta uma história diferente. O cérebro é um órgão vivo e adaptável que cresce — ou encolhe — a partir dos hábitos e ambientes que vivenciamos todos os dias, assim como o coração ou os pulmões.
Avanços em exames de imagem cerebral revelaram que o estresse crônico no trabalho causa danos ao cérebro. Pesquisas também mostram que é possível protegê-lo por meio de escolhas de estilo de vida e estratégias de enfrentamento específicas.
Perigos neurológicos do estresse crônico no trabalho
Um volume crescente de estudos em neurociência mostra que o estresse crônico no trabalho altera o cérebro de formas prejudiciais. Ainda assim, enquanto monitoramos cuidadosamente a saúde do coração e a função pulmonar, frequentemente negligenciamos o cérebro — o órgão que governa todo o resto no corpo.
Assim como atletas profissionais protegem a cabeça contra lesões, cientistas agora incentivam profissionais a protegerem o cérebro dos riscos neurológicos causados pelo estresse.
Pressões agudas no trabalho podem desencadear mudanças estruturais nos circuitos cerebrais que, com o tempo, afetam o sistema nervoso. No ambiente profissional, pensamentos estressantes circulam na mente com frequência. Aquela sensação de afundamento antes de uma apresentação ou a luta contra um prazo impossível. Um chefe abusivo. Assédio sexual. Um colega que pratica bullying. Tudo isso pode manter o cérebro inundado por hormônios do estresse.
Uma cultura baseada em crise constante e que glorifica o excesso de trabalho pode, gradualmente, cobrar um preço neurológico. A jornada 9-9-6 — que impõe rotinas de trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana — pode contribuir para danos ao cérebro. O medo constante de perder o emprego, repreensões frequentes da gestão ou a incerteza contínua sobre demissões podem, aos poucos, comprometer a saúde mental e física.
Pesquisas mostram que a exposição prolongada aos hormônios do estresse — especialmente o cortisol — pode reduzir áreas-chave do cérebro. O estresse crônico no trabalho tem sido associado à atrofia do tecido cerebral e à diminuição do volume total do cérebro. Níveis elevados de cortisol prejudicam o hipocampo, região responsável pela memória de longo prazo, e comprometem o córtex pré-frontal, que regula a atenção focada, a tomada de decisões e as funções executivas.
As consequências neurológicas não param por aí. O estresse crônico também está associado a taxas mais altas de ansiedade e transtornos de humor, além de redução da flexibilidade cognitiva — a capacidade do cérebro de se adaptar, resolver problemas e mudar de perspectiva.
Mais preocupante ainda, pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada ao estresse no trabalho pode aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, incluindo demência e Alzheimer.
No curto prazo, o cérebro é notavelmente resiliente. Muitas mudanças relacionadas ao estresse podem ser revertidas quando a pressão diminui. Mas, quando o estresse elevado persiste por meses ou anos, os danos neurológicos podem se tornar mais duradouros e até permanentes.
6 medidas para proteger o cérebro do estresse crônico no trabalho
Seu cérebro determina o seu desempenho no trabalho, o quanto você avança na carreira e até o ritmo do seu envelhecimento. É importante entender do que esse “copiloto” precisa para funcionar da melhor forma e como protegê-lo dos fatores estressantes ao longo da semana. Existem estratégias capazes de interromper o ciclo do estresse e preservar a saúde cerebral.
1. Estabeleça limites claros para o horário de trabalho
Uma das formas mais rápidas de o estresse crônico se instalar é quando o trabalho invade todos os espaços do seu dia. Desconectar-se mentalmente após o expediente protege a saúde do cérebro. Estudos mostram que o distanciamento psicológico do trabalho é um dos principais fatores associados à redução do burnout, a uma melhor recuperação cognitiva e maior bem-estar.
Proteger o cérebro começa com limites claros: fazer pausas ao longo do dia, encerrar o expediente em um horário definido, limitar e-mails fora do expediente e criar espaços para que o sistema nervoso se recupere.
2. Interrompa o ciclo do cortisol com movimento
A atividade física é uma das formas mais eficazes de combater os efeitos biológicos do estresse. O exercício reduz os níveis de cortisol, aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro e estimula a liberação de substâncias protetoras, como o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que ajuda a manter conexões neurais saudáveis.
Um estudo de referência mostra que exercícios aeróbicos regulares reduzem a contração do cérebro, aumentam o tamanho do hipocampo e melhoram a memória.
3. Priorize o sono profundo
É durante o sono que o cérebro se repara. O estresse crônico costuma prejudicar os padrões de sono, o que intensifica a sobrecarga neurológica. Especialistas recomendam manter uma rotina regular de sono, reduzir a exposição a telas antes de dormir e garantir um ambiente escuro e silencioso. Dormir bem ajuda a regular o cortisol e a consolidar memórias no hipocampo.
4. Reduza a exposição a ambientes de trabalho tóxicos, quando possível
Se o estresse vem de um chefe tóxico, assédio ou uma cultura organizacional caótica, apenas meditar não resolverá o problema. Sempre que possível, reduza a exposição — seja estabelecendo limites, registrando comportamentos, buscando transferências internas ou planejando uma saída. Eliminar a fonte do estresse crônico costuma ser a intervenção mais eficaz.
5. Treine o cérebro para sair do “modo de ameaça”
Quando o cérebro percebe ameaça constante — críticas, insegurança no emprego ou pressão elevada —, o sistema nervoso permanece em estado prolongado de “luta ou fuga”. Técnicas como mindfulness, respiração lenta e reestruturação cognitiva ajudam a levar o cérebro de volta a um estado mais calmo, melhorando a atenção, o controle emocional e a tomada de decisões.
6. Fortaleça sua rede de apoio
A conexão social é um dos principais amortecedores naturais do estresse. Conversar com colegas de confiança, amigos ou mentores ajuda a regular as emoções e reduz o isolamento frequentemente associado ao estresse no trabalho.
Pesquisas em neurociência mostram de forma consistente que relações sociais fortes reduzem o cortisol e atenuam a resposta do corpo ao estresse, protegendo o cérebro dos efeitos nocivos da pressão contínua.
Proteger o cérebro é estratégia de carreira
O estresse crônico no trabalho costuma ser tratado como um preço inevitável da ambição, mas a neurociência aponta para outra realidade. Em ambientes profissionais de alta pressão, marcados por urgência constante, críticas e insegurança, a resposta ao estresse pode permanecer ativada por meses ou anos.
Essa pressão prolongada não afeta apenas o emocional, ela pode literalmente remodelar o cérebro. Com o tempo, esse desgaste crônico pode alterar circuitos ligados à memória, foco, regulação emocional e saúde cerebral de longo prazo.
Mas o cérebro também é altamente adaptável. Pequenas mudanças — proteger o tempo de descanso, priorizar o sono, movimentar o corpo e cultivar relações de apoio — podem interromper o ciclo do estresse e restaurar a resiliência cognitiva. Em uma cultura que valoriza a pressão constante, proteger o cérebro deve fazer parte das suas estratégias de carreira.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Como se Tornar Juiz: O Caminho até a Magistratura e os Benefícios da Carreira

Seguir a carreira de juiz vai muito além da estabilidade institucional ou do prestígio do cargo. Como pilar da aplicação da lei e da preservação da ordem e da justiça, a função reúne um conjunto de garantias e benefícios que posições de C-Level no setor privado dificilmente conseguem equiparar.
Com teto salarial de R$ 46.366,19 desde 2025, balizado pelo subsídio dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o real brilho da função está nos “extras” institucionais: o magistrado desfruta de 60 dias de férias anuais e gratificações por aulas em escolas oficiais ou atuação na Justiça Eleitoral.
Além disso, possui garantias como a vitaliciedade (a impossibilidade de perder o cargo após dois anos) e a inamovibilidade (o direito de não ser transferido contra a sua vontade). “São garantias para que o juiz possa decidir livre de pressões políticas, econômicas ou institucionais, com imparcialidade e sem receio de retaliações”, explica Flávia Martins, magistrada do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) e primeira juíza negra a integrar a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O acesso ao cargo exige atravessar um funil estreito. Em tribunais federais, a concorrência pode ultrapassar 100 candidatos por vaga, mas muitas cadeiras terminam vazias ao final do processo, devido ao rigor técnico das provas. “O concurso envolve prova de múltipla escolha, prova escrita e exame oral, em fases sucessivas e eliminatórias”, diz Flávio Yarshell, advogado e professor titular de Direito Processual Civil na USP (Universidade de São Paulo).
A seguir, os especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre a carreira de juiz, da rotina de trabalho e benefícios ao percurso necessário para chegar à magistratura.
Quais as funções de um juiz?
Flávia Martins: O juiz é um membro do Poder Judiciário investido de jurisdição, ou seja, que tem o poder de dizer quem tem direito. Mas, para isso, o juiz não pode agir conforme a sua opinião. Tudo o que ele faz deve ser de acordo com a Constituição e com as leis do nosso país.
Qual o caminho para ser juiz no Brasil?
Flávio Yarshell: A regra é ingresso por concurso público. Nos Tribunais, advogados e membros do Ministério Público podem ingressar nos quadros da Magistratura mediante indicação de seus pares, votação pelas Cortes e nomeação pelo Executivo.
Como funciona o concurso?
Flávia Martins: O concurso tem diversas etapas: primeiro, uma prova objetiva; a segunda etapa prevê prova discursiva e provas de sentença cível e criminal. A seguir, há sindicância de vida pregressa e exame de saúde. Por fim, o candidato passa pela prova oral. A verificação de títulos é apenas classificatória.
Qual a rotina de um juiz em início de carreira?
Flávia Martins: Em regra, o cargo é de juiz substituto. O recém-aprovado atua substituindo o titular em férias ou licenças, o que torna a rotina dinâmica, pois nem sempre se permanece no mesmo lugar. O dia a dia consiste em analisar processos, realizar audiências, visitar abrigos e instituições para adolescentes em conflito com a lei e atender advogados.
Qual a faixa salarial de um juiz?
Flávio Yarshell: Isso varia conforme o plano federal ou estadual. Em concursos recentes, o subsídio inicial ficou entre R$ 30.000 e R$ 38.000. O teto do serviço público é o valor do subsídio de ministro do STF, fixado em R$ 46.366,19 desde fevereiro de 2025.
Além da remuneração fixa, quais outros benefícios o magistrado recebe ou pode receber?
Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê adicionais como gratificação pela prestação de serviços à Justiça Eleitoral e gratificação por aula ministrada em curso oficial de Aperfeiçoamento de Magistrado.
Flávio Yarshell: Eventualmente, verbas previstas em lei, como diárias, ajuda de custo, salário-família, gratificação por serviço eleitoral, entre outras. Em alguns casos, também há auxílio-alimentação.
O que são vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos?
Flávio Yarshell: São garantias para proteger a independência do juiz: gozar de estabilidade no cargo (vitaliciedade); não ser removido sem motivo ou forma legal (inamovibilidade) e não ter redução do valor nominal do subsídio (irredutibilidade).
Como funcionam as férias dos juízes?
Flávia Martins: A Lei Orgânica da Magistratura prevê férias anuais de sessenta dias. Esse período pode ser fracionado ao longo do ano.
Como funciona a progressão de carreira na magistratura?
Flávio Yarshell: O juiz começa como substituto, torna-se titular e pode chegar ao tribunal por antiguidade ou merecimento. Juízes de carreira também podem chegar a tribunais superiores mediante escolhas e nomeações específicas.
Que competências e atributos são essenciais na magistratura?
Flávia Martins: São muitas, mas, de um modo simples, creio que gostar de aprender e gostar de gente são as mais importantes.
Qual é a formação necessária para se tornar juiz?
Flávio Yarshell: Bacharelado em Direito e, em regra, três anos de atividade jurídica.
Quais cursos complementares são recomendados?
Flávio Yarshell: Cursos ofertados pelas Escolas da Magistratura e por universidades de idoneidade reconhecida.
É necessário ter OAB?
Flávia Martins: Para ser juiz não é necessário ter OAB, mas a prática jurídica de três anos, em regra, exigirá o registro. No entanto, depois de aprovado, o candidato deve solicitar o cancelamento da carteira da OAB.
Como fazer uma transição de carreira para ser juiz?
Flávia Martins: Eu fiz essa transição, Direito é minha segunda faculdade. Cursei a graduação, fiz mestrado (que na época contava como prática) e iniciei a preparação por cursos específicos. Não é necessário se dedicar exclusivamente aos estudos, mas exige muita dedicação.
Há crescimento na demanda por juízes no Brasil?
Flávia Martins: Sim, os últimos anos têm sido de crescente judicialização da vida, o que exige a ampliação do Poder Judiciário.
Há escassez de magistrados ou a oferta de candidatos supera o número de vagas?
Flávio Yarshell: Há demanda contínua, mas o número de candidatos supera o de vagas. Porém, isso não garante o preenchimento total: muitas vagas sobram devido ao altíssimo nível de exigência dos concursos.
Qual o nível de concorrência para ser aprovado?
Flávio Yarshell: A concorrência tende a apresentar números menores após a criação do ENAM (Exame Nacional para a Magistratura), que funciona como habilitação prévia. Em 2025, o concurso para o TJSP teve cerca de 18 candidatos por vaga, enquanto a Justiça Federal (3ª Região) chegou a 116 por vaga.
O que diferencia um juiz de um desembargador?
Flávia Martins: O juiz profere a primeira decisão do caso. Se houver recurso, o caso vai ao Tribunal para ser reapreciado por um grupo de desembargadores, que podem manter ou alterar a decisão. Há casos que, por competência constitucional, começam direto com os desembargadores.
Quais são os caminhos para alcançar o posto de desembargador?
Flávio Yarshell: O caminho principal é a promoção na carreira por antiguidade ou merecimento. Outra via é o “quinto constitucional”, onde parte das vagas no tribunal é reservada a advogados e membros do Ministério Público.
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Oncoclínicas Elege Marcel Vieira Como Novo CFO após Renúncia de Camille Faria
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A Oncoclínicas disse na noite de domingo (15) que o seu conselho aprovou por maioria a eleição de Marcel Cecchi Vieira para os cargos de vice-presidente executivo, diretor executivo financeiro e diretor executivo de relações com investidores, conforme ata do conselho de administração da companhia.
A eleição do novo CFO ocorreu após a renúncia de Camile Loyo Faria dos mesmos cargos, de acordo com o documento.
O grupo não revelou detalhes sobre os motivos que levaram a saída de Faria, mas disse em outro documento que Cecchi iria ocupar interinamente os cargos.
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Igualdade de Gênero em Cifras: O Que Dizem os Dados sobre Remuneração de CEOs

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Em março celebramos o Dia Internacional das Mulheres e, assim como nos últimos anos, pautas relacionadas à luta pela igualdade de direitos e condições voltaram a ganhar espaço na mídia e nas redes sociais, acompanhadas de relatos de misoginia e preconceito no ambiente corporativo.
Esse não é exatamente um reflexo da minha experiência pessoal, mas é inegável que ainda temos um longo caminho a percorrer. Ao longo dos meus mais de 20 anos de carreira corporativa, já ouvi que eu só podia ser ou bonita ou inteligente, e que estavam surpresos por eu não estar apenas de forma cenográfica nas reuniões. Também já ouvi que precisavam de mim entre um grupo de líderes porque eu representaria a diversidade, por ser mulher (e não pelo que eu tinha a contribuir em termos de conhecimento).
Mas isso não reflete nem minimamente a minha história profissional, e não foi causa e nem consequência dos lugares que ocupo hoje, seja no meio corporativo, no ambiente acadêmico, como colunista ou como membro de comitês de pessoas.
Liderança feminina avança
Mesmo que a percepção geral seja a de que a desigualdade entre homens e mulheres seja uma verdade absoluta e intransponível, os números nos mostram que as mulheres vêm alcançando maior destaque na liderança das organizações. É uma mudança lenta, mas real.
Vejamos, por exemplo, as empresas listadas na B3, que indicam um crescimento de 47% em 2024 para 52% das organizações tendo pelo menos uma mulher na diretoria estatutária em 2025. Parece um crescimento pequeno, mas em 2021 somente 39% das empresas tinham lideranças femininas. A presença de mulheres nos conselhos de administração também subiu de 66% para 69% no último ano.
É verdade que, destas empresas, 36% possuem somente uma mulher na diretoria, e que as posições de CEO ainda estão majoritariamente concentradas em perfis masculinos (aproximadamente 95% dos cargos). Mas a evolução está acontecendo.
A igualdade de gênero na remuneração
Além de saber se as mulheres estão conseguindo crescer na estrutura, é também preciso comparar a remuneração praticada para homens e mulheres nestas posições executivas. Infelizmente, a partir do Formulário de Referência, só é possível segmentar por gênero os dados de remuneração para a posição de CEO. E como a amostra de mulheres é muito pequena, a análise fica prejudicada. Mas já conseguimos ter alguns insights importantes.
Contei com a ajuda da IA para comparar a remuneração de cinco mulheres, ocupando posições de CEO em grandes empresas de capital aberto, com a remuneração de CEOs homens em empresas de portes similares no setor privado. Nesta análise, excluí os programas de ILP (Incentivos de Longo Prazo) por terem características muito específicas, como por exemplo as diferenças de outorgas anuais vs mega grants.
Os gráficos a seguir indicam a Receita Líquida das empresas no eixo X e a remuneração dos CEOs no eixo Y, sendo que o primeiro considera somente a remuneração fixa e o segundo inclui o fixo + bônus anuais. Em ordem crescente de Receita Líquida, as empresas lideradas por mulheres são: Moura Dubeux, Alupar, Nubank, Banco do Brasil e Petrobras.


Os dados revelam que o maior gap salarial entre gêneros no topo das empresas de capital aberto não decorre necessariamente de uma política discriminatória direta, mas sim de uma distorção estrutural: as mulheres CEOs de maior visibilidade estão concentradas em estatais (Petrobras e BB).
Devido ao teto salarial do funcionalismo público, essas executivas gerem receitas bilionárias recebendo até 90% menos que seus pares masculinos que lideram empresas privadas de porte similar. Já nas 3 primeiras empresas do gráfico, que refletem dados do setor privado, esse gap fica numa média de 10% (dispersão dentro de padrões normais).
Quando faço essas análises na consultoria, comparando a remuneração de líderes dos dois gêneros que ocupam posições de complexidades equivalentes no setor privado, também não identifico grandes diferenças. E isso é motivo para comemorar.
Essa análise me remeteu a um livro que recomendo fortemente: “Factfulness — O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”, de Hans Rosling. O autor apresenta dados que desconstroem crenças instintivas e pessimistas sobre o mundo (muitas delas alimentadas por informações desatualizadas) e mostra como nossa visão costuma subestimar o progresso real.
Fiquei surpresa ao rever ideias pré-concebidas que eu mesma tinha sobre temas como a extrema pobreza no mundo e os anos de escolaridade de meninos e meninas em países de baixa renda. À luz desses insights e do que observamos sobre liderança e remuneração, arrisco dizer que a igualdade de gênero está entre as áreas em que o mundo tem, sim, avançado. Um passo de cada vez.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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